Na luta por visibilidade e acesso ao ensino superior, buscam maior representatividade política, interpretam a sociedade brasileira na literatura e na música e sua cultura em slams, rodas de rima e bailes funk ou reunidos em coletivos com variados graus de organização, os jovens são protagonistas nas organizações que trabalham com temas do movimento negro.
A conclusão disso é um dos destaques da Pesquisa Nacional sobre Organizações de Juventude Negra. Realizado pelo Itaú Social, em parceria com o Observatório de Favelas, o estudo partiu de um mapeamento inicial de 200 entidades do movimento negro, que evidenciou a predominância das ações para jovens. Em seguida, a equipe de pesquisa desenhou um perfil das organizações de juventudes negras, usando como base informações detalhadas fornecidas por 40 Organizações da Sociedade Civil (OSCs), responsáveis por 63 projetos.
“É uma juventude extremamente propositiva, que pauta e reivindica sua visibilidade nos espaços público, político e de aprendizagem. E que está constantemente buscando novas maneiras de somar forças para o enfrentamento das desigualdades”, explica Juliana Yade, especialista em educação do Itaú Social e uma das coordenadoras da pesquisa.
O retrato indica um cenário de ação de jovens para jovens: a juventude é o foco exclusivo das atividades de 70% das instituições pesquisadas, sendo que a grande maioria delas, 92%, possui jovens de até 29 anos entre seus colaboradores. Com localização concentrada nas regiões Nordeste (38%) e Sudeste (30%) – seguidas por Norte, Sul e Centro-Oeste -, as organizações apresentam escopo variado de atuação. Os três temas mais prevalentes são arte e cultura, direitos humanos e educação
Num cenário de crise, ganham espaço soluções colaborativas como as parcerias – compartilhamento de espaço, serviços e metodologias com outras entidades sem envolver recurso financeiro. “Atualmente, 28 dos 63 projetos participantes só se viabilizam por meio de parcerias sem qualquer recurso financeiro, o que traz desafios para sua implementação e continuidade”, diz a pesquisadora.
Mesmo com as dificuldades, a pesquisa conclui pelo dinamismo das organizações de juventudes negras. A todo tempo, associações, coletivos e organizações da sociedade civil criam novas ferramentas para combater o racismo institucional. “Reconhecer a importância e também as dificuldades desse movimento é um caminho para entender e apoiar iniciativas que dialoguem com a equidade étnico-racial”, finaliza Juliana.
A fotografa Cacau Fernandes abre 2019 com um belíssimo projeto e estreia sua exposição individual “Ancestralidades Contemporâneas“, no Rio de Janeiro, que fica em cartaz entre os dias 21 de janeiro e 01 de março, no Centro Cultural da Light, com a entrada franca.
Serão expostas 40 fotos que retratam as manifestações culturais do Brasil. A mostra já esteve em cartaz na Estação Casa Amarela, em Caçapava, interior de São Paulo e segue em circulação pelas cidades da região sudeste.
Cacau escolheu quatro manifestações culturais que estão na memória afro-brasileira: “Os Cão de Jacobina” e “Nêgo Fugido”, na Bahia, “Lambe Sujo e Caboclinhos”, em Sergipe e “O Bloco da Lama”, no Rio de Janeiro. São 40 fotografias, dez para cada evento. As fotografias expostas também estão a venda. Os interessados poderão fazer uma reserva e adquiri-las ao final da circulação desta mostra.
“Pude descobrir um Brasil que o próprio Brasil desconhece. As obras têm em comum manifestações culturais que remontam a época da escravidão no país. Nada mais propício do que trazer isso à tona no mês da Consciência Negra. As pessoas precisam saber e entender as pluralidades do nosso Brasil”, conta a fotografa.
Nascida no subúrbio do Rio de Janeiro, Cacau Fernandes já trabalhou de quase tudo em seus 50 anos de idade, de camelô a apontadora do “Jogo do Bicho”, passando por cabeleireira, cozinheira e cuidadora de idosos, fez de tudo um pouco para criar seus dois filhos pequenos. Foi na Fotografia que se encontrou. Fez curadoria ou colaboração em diversas exposições, como as de Evandro Teixeira, Alex Ribeiro e Severino Silva – este último, teve a exposição “Rio is a Hot City” levada para a Alemanha, uma experiência ímpar para Cacau. Idealizou e fundou o Espaço Cultural Evandro Teixeira, na Universidade Estácio de Sá, no Campus Rio Comprido.
A Zona Oeste será palco de uma cerimônia de premiação e mostra fotográfica, no Palacete Princesa Isabel, em Santa Cruz, Rio de Janeiro. Trazendo o tema “Mais amor por favor”, o objetivo é resgatar o sentimento de humanidade e amor ao próximo, na contramão dos individualismos, o Prêmio MTD de fotografia: Walter Firmo, vai reunir profissionais e amantes da fotografia.
As inscrições podem ser feitas até o dia 10 de janeiro de 2019, através do site https://www.mtdcultural.org.br/premiomtddefotografia. De acordo com a Associação Cultural Movimento Territórios Diversos, organizadora do evento, com o avanço tecnológico, a arte da fotografia vem sendo trabalhada por meio de vários recursos em manipulações de imagens que temos em mãos.
“Os programas de edição são eficazes, contudo, fazer uma fotografia vai muito além do clique, edição e/ou manipulação. Ter um olhar sensível é fundamental para capturar a melhor imagem na hora de apertar o disparador. O prêmio pretende valorizar o “olhar”, a difusão da arte fotográfica, os lugares ainda não visitados e incentivar os amantes e profissionais da fotografia, por meio de uma Cerimônia de Premiação e Mostra fotográfica com workshops”. O local escolhido para a premiação abriga o Ecomuseu de Santa Cruz, e ainda é um espaço cultural imperial pouco conhecido do grande público.
Em cada edição, o Prêmio homenageia à notáveis personalidades da fotografia. Na abertura do Prêmio, Walter Firmo será o homenageado. Firmo é fotógrafo, jornalista e professor de carreira reconhecida nacional e internacionalmente. O Prêmio MTD de Fotografia: Walter Firmo é uma iniciativa sustentável baseada em três pilares, econômico, social e ambiental.
Após a pré-seleção as imagens inscritas no concurso serão avaliadas por um corpo de jurados formado por dez profissionais renomados da área da fotografia e pelo Júri Popular, através de redes sociais. Os 20 Finalistas terão suas imagens expostas na mostra fotográfica, que acontecerá em 16 de fevereiro de 2019 e afixadas em murais da cidade. Os 3 Vencedores nas categorias Profissional e Amadores, levarão troféus e bolsas de estudos na área da fotografia. O primeiro lugar de cada categoria ganhará o Selo Walter Firmo de elogio e reconhecimento.
O canal Tela Preta TV, que acaba de completar um mês, reuniu mais de 200 artistas e influenciadores negros do Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador para gravar uma vinheta de final de ano, com objetivo de passar uma mensagem de esperança para a comunidade negra, lançado nesta quinta-feira (20).
O projeto foi idealizado por Reinaldo Junior, ator e ativista, com roteiro e direção geral de Licínio Januário, além de passar a mensagem de esperança, o vídeo visa mostrar que todos os feitos e toda carga histórica dos mais velhos, servem de inspiração para o artistas mais novos continuarem fazendo arte.
A falta de representatividade negra também foi um incentivo para a produção. A vinheta simboliza a passagem do bastão da arte negra dos artistas mais velhos, representados pela atriz Ruth de Souza e o bailarino Rubens Barbot, para os mais novos, os que atualmente representam o teatro negro no Brasil, mas não estão no circuito midiático.
“Nós queremos mostrar pro mercado que nós existimos e queremos reivindicar para que o mercado abra. Se 54% da população é negra, então precisamos de mais e mais produtos com novas narrativas de protagonismo negro, protagonizadas, roteirizada, produzidas e dirigidas por nós”, frisa Licínio.
O trabalho tem o objetivo de mostrar a quantidade de talentos que estão na luta, trabalhando, mesmo sem reconhecimento da mídia. “Eles são os que mais têm feito o trabalho olho no olho com nossa comunidade e para a nossa comunidade. Nosso povo vem travando batalhas uma após a outra e a gente acredita que a que está por vir será apenas mais uma […] Se o mercado não fizer a gente vai fazer e vamos trazer o nosso povo para consumir os nossos produtos. A luta vai ser árdua, mas com a bênção dos nossos ancestrais nós vamos conseguir”, finaliza o diretor.
O verão chegou com tudo no Brasil e com ele, o desejo de se manter saudável para aproveitar o clima da melhor forma, não só cuidando do corpo, mas também, da alimentação. O nutricionista carioca, Lucas Nonato, conversou conosco e deu algumas dicas para quem quer curtir os 40° daquele jeito!
Além de beber dois ou três litros de água por dia para evitar a desidratação, um dos requisitos da alimentação ideal, de acordo com Lucas, é ter como base os alimentos in natura ou os minimamente processados. Quem não tem acompanhamento nutricional, deve se preocupar em comer alimentos leves, como frutas, verduras e legumes ricos em água, a exemplo do alface, chuchu, pepino, rabanete, nabo, tomate, couve-flor, melancia, melão, abacaxi, maçã, cenoura, banana, goiaba entre outros.
Outra dica dada pelo nutricionista é comer salada antes da refeição. O motivo? A salada prepara o sistema digestivo porque é rica em fibras demora um pouco mais a ser mastigada. Comer salada antes do almoço equilibra o funcionamento do intestino e melhora a absorção de vitaminas e outros nutrientes, além de melhorar o controle de glicose no sangue.
“A salada também acelera a produção do suco gástrico, o que facilita a digestão dos próximos alimentos mais complexos que irão ser consumidos. Além disso, diminui o consumo de calorias por causa da ingestão elevada de fibras, a saciedade diminui e, consequentemente, os alimentos mais calóricos que virão em seguida diminuirão a quantidade”, explica.
Foto: Lucas Sá
Quais os fatores que o nutricionista leva em conta ao elaborar uma dieta para alguém?
Anamnese nutricional de forma completa, o principal pois é onde se descobre e desvenda 90% do caso, e a avaliação física, fatores de atividade, e claro toda a conversa com o paciente. Cada ponto é importante na prescrição para você saber como irá agir e qual estratégia tomar.
Como a má alimentação afeta o organismo? Afeta de forma com que o nosso organismo fique suscetível a desenvolver diversas patologias. É extremamente necessário ter uma alimentação equilibrada por conta do funcionamento do nosso organismo, ele necessita estar bem nutrido para não se submeter a desenvolver essas patologias.
Qual é a principal função do nutricionista?
O nutricionista tem o papel de lidar com o diagnóstico nutricional envolvendo a prescrição de dieta de acordo com a personalidade e necessidade de cada paciente, englobando todos os fatores e características do indivíduo, avaliando sua saúde e envolvendo a alimentação. Costumo dizer que vai um pouco além disso, a nutrição, para mim, é uma maneira de colocar a pessoa em um caminho mais saudável ou ideal para ela, de acordo com a avaliação. Indo um pouco além de estar só prescrevendo um plano alimentar, prefiro lidar com o ser humano, entender e buscar a causa das coisas, sempre lidar com confiança. Então, de certa forma, o trabalho flui melhor e acho que preciso ter essa sensibilidade na minha profissão.
Quais dicas você dá para quem quer aproveitar melhor o verão e cuidando da dieta?
Tenha uma alimentação equilibrada, explore a variedade dos alimentos in natura, faça exercícios físicos, se hidrate. E tenha um senso crítico em relação as publicidades alimentares, busque um nutricionista e tenha uma opinião profissional sobre determinadas tendências alimentares. Dieta é com comida de verdade!
Foto: Lucas Sá
Lucas, que além de nutricionista também é atleta de jiu jitsu, chegou a cursar Educação Física no mesmo período da graduação de nutrição, mas não concluiu. Como homem preto e periférico, residente na região de Bangu, Zona Oeste do Rio de Janeiro, acredita estar contrariando as estatísticas e que seu papel é importantíssimo para empoderar outros pretos, além de servir como referência para os que buscam a realização dos próprios objetivos, mesmo diante das dificuldades.
“Vivemos em um País que ainda tem muito racismo, sempre irão dizer que não e quem diz é geralmente quem não sofre. Olhem as estatísticas e vejam a quantidade de negros em situações ideais, infelizmente, a situação contrária é bem maior e isso tem que mudar, está mudando. Nas ruas, você nota quando olham diferente para um rapaz negro vestindo adidas e quando olham pra um rapaz branco vestindo adidas. Vão dizer que a culpa é da marca? Não. Isso mexe com a nossa autoestima, por isso que para mim é importante exercer minha profissão de forma correta, estar bem comigo mesmo, me cuidar e ser feliz, independente de qualquer coisa, para que mais negros vejam, se empoderem e consigam ultrapassar essas “prisões e adversidades” que, infelizmente nos acompanham. Somos gigantes e agora é a hora”, finaliza.
A rapper e cantora MC Soffia é uma das dez estrelas mirins que participou no dia 19 de dezembro do Dancing Brasil Junior de final de ano, na Record TV. O programa segue o formato da versão adulta do reality show, tendo Xuxa Meneghel como apresentadora.
Conhecida pelas letras de suas canções, que falam sobre distorções sociais graves, como preconceito, racismo, machismo e que incentivam outras garotas a se amarem do jeito que são, Soffia Gomes da Rocha Gregório Correia começou sua carreira aos seis anos de idade, logo após participar do projeto “O Futuro do Hip Hop“. Hoje, aos 14 anos, gosta de produzir sons contestadores sobre paradigmas sociais.
Nascida e criada na periferia de São Paulo (SP), Soffia acredita que o rap significa “música de força e resistência”. A rapper mirim já se apresentou em eventos, como a Virada Cultural de São Paulo, o Festival Afro-latinidades em Brasília, a abertura das Olimpíadas no Rio de Janeiro e em diversos programas de TV. Em junho ela foi uma das indicadas na categoria “Best New International Act “, do Prêmio BET Awards 2018 nos EUA.
Dra. Camila Angelo, Dermatologista titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia, pós graduanda em Oncologia Cutânea no Hospital Sírio-Libanês.
Somos especiais e nossa pele negra também. Apesar dos avanços da medicina e do mercado cosmético quem é negro sempre fica um pouco tenso para aderir alguma moda nova que envolva depilação e tratamentos dermatológicos com medo dos resultados.
Por isso, perguntamos aos nossos leitores por meio do nosso Instagram, quais eram suas principais duvidas em relação aos cuidados com sua pele. Foram muitas perguntas e muitas tinham dúvidas em comum. Para respondê-las, pedimos a ajuda da Dra. Camila Angelo, Dermatologista titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia, pós graduanda em Oncologia Cutânea no Hospital Sírio-Libanês. Ela coordena o primeiro grupo de dermatologia especializada em pele negra, em São Paulo na clínica AcneClin. Vale lembrar que esse texto não substitui a necessidade de uma visita ao dermatologista. Como a própria Dra. Camila sugere “Não adianta usar o mesmo creme que a amiga indicou!”.
(1) É possível fazer depilação a lazer na pele negra sem manchar ou queimar?
Apesar da pele negra ser mais sensível a manchas e queimaduras, é possível sim fazer depilação a laser. Porém é preciso ter cuidados antes de se submeter ao procedimento. Porque a melanina que confere pigmentação à pele e aos cabelos, é o alvo da energia do laser e como a pele negra é mais pigmentada, atrai uma maior energia para a pele, podendo causar manchas indesejadas. Por isso é fundamental procurar um dermatologista para indicar a máquina mais indicada para a pele negra e obter orientações que minimizem os riscos do laser.
(2) A pele negra é mais oleosa, como amenizar?
A pele negra possui glândulas sebáceas maiores, por isso ela geralmente é mais oleosa. Mas apesar de ser um efeito indesejado pelas pessoas, essa característica confere a pele negra, uma maior hidratação da pele e consequentemente uma maior resistência aos efeitos do tempo. Existem vários cuidados como ácidos, sabonetes, peelings, protetores solares, que amenizam o excesso de oleosidade na pele, o dermatologista será capaz de indicar o que melhor se adaptará ao seu tipo de pele.
(3) Como tratar as olheiras?
Noites mal dormidas, cansaço, genética… todos esses são fatores que podem contribuir para a aparição de olheiras. Hoje em dia conseguimos tratar todas as causas!
O importante é uma correta avaliação, identificação da causa e realização de tratamento específico para o seu problema! Alguns cuidados podem ajudar a melhorar o aspecto das olheiras como: sono de qualidade, aplicação de cremes adequados para o seu tipo de olheira, preenchimento, Peeling, laser, entre outros, que precisam ser corretamente indicados caso a caso. Não adianta usar o mesmo creme que a amiga indicou!
(4) Como tratar a foliculite ? Rosto, pele e virilha.
Foliculite é o nome que se dá à inflamação dos folículos pilosos, onde os pelos nascem e crescem. As áreas mais suscetíveis ao aparecimento da foliculite são face, couro cabeludo, axilas, coxas, glúteos e virilha. Quadros inflamatórios mais leves podem evoluir favoravelmente com cuidados básicos de higiene, hidratação e esfoliação da pele, evitando o uso de roupas apertadas e tomando alguns cuidados com a depilação. Porém os casos mais graves podem levar à perda definitiva dos pelos e a cicatrizes permanentes, exigindo um acompanhamento de um dermatologista para um tratamento rápido e efetivo.
(5) As manchas são queixas muito comuns entre homens e mulheres negras. Seja no rosto ou no corpo, qual melhor forma de tratar desse problema?
As manchas na pele são lesões comuns em peles morenas e negras, gerando grande desconforto e sendo responsável por uma das queixas mais comuns nos consultórios dermatológicos. É o aumento de pigmentação da pele adquirida como resposta a um trauma ou injúria cutânea. Várias são os fatores desencadeantes, entre eles as doenças inflamatórias, acne, foliculite; alergias e injúrias cutâneas, agentes físicos ou químicos (incluindo procedimentos estéticos realizados sem os devidos cuidados). O tratamento das manchas pode ser feito de várias formas, podemos citar os tratamentos à base de substâncias despigmentantes ou clareadoras da pele, lasers e microagulhamento. O tratamento deve ser cauteloso, exigindo monitoramento próximo, no sentido de evitar efeitos indesejados, e o resultado satisfatório não é conseguido imediatamente, pois a despigmentação é gradual.
(6) Existe tinta de tatuagem específica para pele negra? Quais os cuidados para quem quer fazer?
Não existem tintas de tatuagem específicas para a pele negra. A maioria das tintas é produzida a partir de corantes derivados de metais e sais, o que pode desencadear uma reação alérgica no local da tatuagem. Essas reações podem surgir depois de vários messes da realização da tatuagem, por isso o teste alérgico auxilia, porém não exclui a possibilidade de alergia. Os cuidados para realização de uma tatuagem incluem a escolha de um local com certificação da ANVISA, realização de teste alérgico com a tinta que vai ser utilizada, higienizar bem o local da tatuagem, ficar atenta a qualquer sinal de inchaço, vermelhidão ou coceira,
e procurar um dermatologista caso os sintomas apareçam e persistam.
(7) Sol aumente as manchas? Temos que usar filtro solar direto?
A pele negra, apesar de ter uma maior resistência à exposição solar, precisa de protetor solar. Porque o sol além de aumentar a chance de escurecer as manchas e acelerar o envelhecimento, ainda favorece o desenvolvimento de câncer de pele. Que apesar de ser mais raro na pele negra, o risco existe. Por isso o uso diário de protetor solar é recomendado.
(8) Ressecamento dos pés e cotovelos, como resolver?
Os pés e cotovelos são áreas com a pele mais espessa, devido à camada córnea, que é a camada mais superficial da pele. Com isso, a hidratação dessas áreas que acontece dentro da própria pele (do metabolismo celular e dos líquidos que ingerimos) e com os produtos aplicados nessa região, é mais difícil. São necessários produtos e tratamento que driblem essa característica dessas regiões. O ideal é procurar um dermatologista para indicar o tratamento mais efetivo.
“Kira era uma mulher acima do que eu merecia, ela corria maratonas, falava quatro línguas fluentemente. Descobrimos que ela estava esperando nosso segundo filho que nasceu no Cedars-Sinai Medical Center, um dos melhores hospitais do mundo. Após o parto, no quarto enquanto ela e o bebê dormiam, eu notei que o cateter estava vermelho com o sangue dela. Eu chamei a equipe, disseram que fariam alguns exames. Passarem-se horas, nada. Pedi novamente. Ela começou ficar pálida. Eu supliquei por ajuda mais uma vez, ela gemia e tremia de dor, mas disseram que o caso dela, não era prioridade. Só depois de 10 horas de espera, ela foi para cirurgia. Quando a abriam, encontraram 3 litros de sangue em seu abdômen e ela faleceu imediatamente. Ela merecia algo melhor que isso. O meu filho mais novo, nunca saberá o quanto Kira era maravilhosa”.
Esse relato de um momento de alegria que se tornou em uma cena de terror é de Charles Johson IV, americano, marido de Kira Dixo Johson e pai dos dois filhos que teve com ela. Todos negros.
Charles Johnson e sua esposa Kyira Adele Dixon Foto: Arquivo pessoal Charles Johnson
Esse depoimento aconteceu durante um evento no Congresso Americano, em novembro deste ano, onde foi discutido a disparidade no número de mortes de mulheres negras, comparado com as brancas, durante a gravidez, parto e pós parto.
Joe Kennedy III, que representa os Estado de Massachusetts na Câmera dos Representantes dos EUA, trouxe dados, durante o mesmo evento, ainda mais estarrecedores. “Em 2018, os EUA tem os números mais altos de morte materna em um país desenvolvido. Ainda mais alarmante são as disparidades de raça nessas estatísticas. Mulheres negras tem 4 vezes mais chances de morrer durante a gravidez ou parto do que uma mulher branca. E mesmo que seja uma mulher negra com poder aquisitivo e alto nível de escolaridade, elas ainda têm mais chances de morrer do que uma mulher branca sem diploma. A probabilidade de mulheres negras morrerem durante o parto, são até 243% maior que as mulheres brancas”, explicou o político durante o evento publicado pelo site Now This.
NO BRASIL, DADOS TRÁGICOS
“São as mulheres negras as que mais sofrem violência obstétrica, pois são as que mais peregrinam na hora do parto, ficam mais tempo em espera para serem atendidas, têm menos tempo de consulta, estão submetidas a procedimentos dolorosos sem analgesia, estão em maior risco de morte materna. Cerca de 60% das mulheres que morrem de morte materna são negras. É importante ressaltar que a morte materna é considerada uma morte previsível e que em 90% dos casos poderia ser evitada se as mulheres tivessem atendimento adequando”, denuncia Emanuelle Goes no artigo Violência Obstétrica e o viés racial.
O artigo mostra, que segundo o dossiê elaborado pela Rede Parto do Princípio para a CPMI da Violência Contra as Mulheres, os atos caracterizadores da violência obstétrica “são todos aqueles praticados contra a mulher no exercício de sua saúde sexual e reprodutiva, podendo ser cometidos por profissionais de saúde, servidores públicos, profissionais técnico-administrativos de instituições públicas e privadas, bem como civis.”
Mulheres negras recebem menos orientação, menos consultas no pré-natal e morrem em números significativamente altos no puerpério, porém essas mortes são registradas como causa desconhecida ou indefinida”, detalha a Profa. Dra Jeane Saskya Campos Tavares, psicóloga docente da UFRB, doutora em Saúde Pública pelo Instituto de Saúde Pública pelo Instituto de Saúde Coletiva da UFBA e também gerencia a página Saúde Mental da População Negra no Instagram.
Profa. Dra Jeane Tavares (Arquivo pessoal)
O estudo A cor da dor: iniquidades raciais na atenção pré-natal e ao parto no Brasil, confirma os apontamentos de Jeane. “Em comparação às brancas, puérperas de cor preta possuíram maior risco de terem um pré-natal inadequado , falta de vinculação à maternidade, ausência de acompanhante, peregrinação para o parto e menos anestesia local para episiotomia . Puérperas de cor parda também tiveram maior risco de terem um pré-natal inadequado e ausência de acompanhante quando comparadas às brancas”, mostra o estudo.
AS NEGRAS SÃO MAIS FORTES PARA PARIR ?
Mulheres negras são fortes, mas não o tempo todo, assim como qualquer outra mulher. Não é preciso ter gerado uma criança para saber da complexidade que envolve um parto. Deixando o romantismo de lado, às vezes nem tudo dá certo, seja para mãe ou para o bebê e quando a gestante negra sofre maus tratos na maternidade, o nível de tensão aumenta ainda mais e o alerta do instinto de sobrevivência, fala mais alto do que as sensações de afetividade e amor que o momento pede.
A atriz, empresária e defensora da ONU Kenia Maria, também traz relatos de terror e humilhação durante o parto dos seus dois filhos Gabriela e Matheus.
A atriz e ativista pelo Kenia Maria
“No primeiro parto a enfermeira me abandonou na sala pra tomar café! Meu filho tomo líquido amniótico por conta disso e a cabeça dele ficou no meio das minhas pernas. Quando o médico soube que o Mateus havia sugado o líquido amniótico disse que ele deveria ter tomado pinga”, relata Kenia. No parto da sua filha Gabriela, a obstetra pediu para Kenia parar de chorar. ” A médica gritava no meu ouvido que as negras são fortes pra parir”.
DENUNCIANDO A VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA
Denunciar a falta de respeito, negligência ou omissão dos profissionais envolvidos na hora do parto é fundamental para que esse problema não aconteça com outras mulheres e para se faça justiça às vítimas.
A denúncia pode ser através dos serviços de atendimento á mulher pelo número 180 , central de atendimento á mulher , pelo Disque Saúde (Ouvidoria geral do SUS ) pelo número 136 , ou procurar a Defensoria pública do seu estado ou o Ministério Público Federal .
A defensoria pública atende gratuitamente cidadãos com renda segundo os critérios por eles estabelecidos , não pode ter uma renda superior a 3 salários mínimos , aonde tem que ser demonstrados por meio de comprovantes de pagamento , carteira de trabalho . Ministério Público Federal
Em 2014 o Ministério Público Federal instalou um inquérito para investigações de violência obstétrica e recolhe denúncias através da sala de atendimento ao cidadão .
O que levar para abrir o processo ?
Cartão de Gestante
Protocolos da(s) denúncias se houver ,
Cópia do Prontuário de atendimento do hospital ou unidade de saúde onde você foi atendida.
Acompanhando o mestre Martinho José Ferreira, o Martinho da Vila, há mais de 30 anos, a escritora Helena Theodoro, que pesquisa a vida e obra do sambista, se encontrou com ele inúmeras vezes, entre conversas e entrevistas, para falar de diversos temas. As ideias e revelações de Martinho formaram um rico acervo oral que fundamenta “Martinho da Vila – Reflexos no Espelho”, biografia lançada pela Editora Pallas na última quarta-feira (12), na Livraria da Travessa, em Ipanema.
Durante o evento de lançamento, Martinho chegou daquele jeito, como diz na sua música, “devagar, devagarinho“. Um dos pontos da biografia escrita por Helena e lançada justo quando Martinho está completando 80 anos, é situar o compositor não apenas como um artista, mas também como intelectual.
“Estou me sentindo numa posição desconfortável. Gosto de receber homenagens, mas quando estou presente não sei o que fazer […] Há 30 anos ela disse que queria escrever um livro que falasse sobre mim“, confessou o compositor.
Foto: Tulio Thome/MS Fotos
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As ideias e revelações desse expoente da cultura brasileira formaram um rico acervo oral. “Sua obra nos permite mergulhar profundamente na realidade brasileira, em seu imaginário social, principalmente ao que tange às nossas bases africanas e à sua capacidade de transformar, criar e valorizar a cultura do povo brasileiro”, explica Helena Theodoro.
“Martinho da Vila – Reflexos no Espelho” narra também situações que mostram a simplicidade do compositor. Por exemplo, quando se inspirou na primeira menstruação de uma de suas filhas para compor o samba “Salgueiro na avenida”, usando o nome da escola que tem o vermelho como cor predominante.
Antes de começarem os autógrafos, Helena e Martinho participaram de um bate-papo com a jornalista Flávia Oliveira, que escreveu a apresentação do livro, e Ricardo Cravo Albim, que assina o prefácio. Amigos e familiares prestigiaram o lançamento.
O espetáculo “Liberdade Assistida“, inspirado em depoimentos, cartas e entrevistas de detentas e ex-detentas, mostra como a realidade prisional pode se confundir com a vulnerabilidade das periferias brasileiras. Nos próximos dias 14, 15 e 16 de dezembro, será apresentado no Teatro de Contêiner Mungunzá, em São Paulo, pela primeira vez. Sexta e sábado as atividades começam às 20h. Domingo, às 19h. Entradas custam de R$ 10 até R$ 20.
A obra se desenvolve a partir de diferentes espaços físico-emocionais que mostram cinco personagens femininas sob as perspectivas de corpo, afeto, violência, machismo e resistência. A abordagem revela, ainda, que a realidade prisional pode se confundir com a vulnerabilidade das periferias brasileiras.
Foto: Maria Specto
Seguindo os traços da vida real, o objetivo da peça é provocar empatia e reflexão. No palco, a atriz Marta Carvalho intercala expressões verbais e corporais. Para ela, o monólogo também propõe um debate sobre a marginalização da integridade física, moral e psíquica das mulheres negras.
“Liberdade Assistida”, vencedor do Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afro Brasileiras, também conhecido por Prêmio Afro, na categoria Artes Cênicas, tem direção de Edson Beserra, dramaturgia de Ana Flávia Magalhães e trilha sonora de Higo Melo.