A September Issue (capa de Setembro) da Marie Claire é com certeza uma das mais lindas da história da publicação aqui no Brasil. As irmãs gêmeas, Yacy e Yara Sá, do Maranhão estampam a revista esbanjando beleza e muito orgulho das suas origens.
“Minha mãe teve uma infância bem pobre. Parte da área onde nasceu e se criou é remanescente de quilombos, por isso temos características físicas tão fortes, como nossa cor e feições”, conta Yaciy.
As beldades estampam sua primeira capa de revista e contam sua história, falam da importância da representatividade na indústria da moda e mostram as peças das coleções internacionais que acabaram de chegar no Brasil. Yacy e Yara, começaram na moda trilhando um caminho diferente das demais modelos, que iniciam carreira aos 15, 16 anos: cursaram vida acadêmica até os 30 anos – as duas são formadas em Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Maranhão – e só então, decidiram seguir a carreira de modelo.
“Quando adolescentes, víamos as modelos nas revistas e não nos identificávamos. Não enxergávamos beleza na gente”, destaca Yara Sá na matéria.
Felizmente elas agora representam a todas nós com muita beleza, elegância e altivez.
Luana Genot tem feito história por meio da sua atuação como Diretora Executiva do Instituto Identidades do Brasil, ID_BR. A ONG realiza grandes eventos como o tradicional Prêmio Sim à Igualdade Racial, no Copacabana Palace, que reconhece talentos negros nacionais em várias esferas e o Fórum Sim á Igualdade Racial, em São Paulo que alimenta uma rede poderosa entre empresas, estudantes, empreendedores e profissionais com o objetivo de buscar a igualdade racial no mercado de trabalho. Além disso, o Instituto tem parcerias com grandes instituições em seus programas com foco na educação, como a Fundação Dom Cabral, por exemplo, que oferece bolsa de estudos para estudantes negros.
Autora do livro Sim à Igualdade Racial, Luana agora, a convite da jornalista Marina Caruso, estreia nesse domingo no jornal O Globo, como a primeira colunista negra do caderno Ela, que é publicado há 65 anos. O nome da coluna: Denegrindo Ela.
“É de suma importância entender que quando a gente fala ela , mulher, enquanto pauta de igualdade de gênero, não dá para falar somente na perspectiva de uma mulher branca. Eu pretendo, integrando o caderno, trazer perspectivas de uma mulher negra, obviamente com um olhar importante sobre a temática racial, mas sobre diversas pautas, como maternidade , meio ambiente, gastronomia e coisas que a gente vive no dia e dia, que pode ter um olhar racializado, como até os brancos têm, mas se dizem, neutros, mas na perspectiva de uma mulher negra”, detalha Luana que finaliza: “Ela, como caderno se propõe a ter esse título, não tem só uma cor ou classe social, ela, deve ser múltipla e deve englobar vários olhares, incluindo o de uma mulher negra que faz parte de uma população majoritária do Brasil que ainda é sub-representada”.
Beleza não tem limites. Prova disso é o novo visual da atriz Erika Januza que apareceu ainda mais linda em fotos no Instagram com fios naturais, crespos e curtíssimos, resultado de um big chop bem feito. Uma grande oportunidade que o Brasil tem para aprender crespo e cacheado são coisas diferentes.
Erika comemora uma nova fase da vida com um visual que surpreendeu e encantou seus seguidores: “Amores, espero que gostem! Meu desejo é além de viver um novo momento, celebrar a diversidade capilar, digamos assim. Você pode ser linda de qualquer forma. Que isso venha de dentro de você. Pra fazer a transição capilar por exemplo é legal cortar os cabelos e vê-los crescendo com nova força, novo formato. Ouse! Vamos juntos! Você pode se surpreender!”.
A Hug.u é uma rede anônima de apoio emocional que possui aplicativo disponível apenas para Android. Os usuários podem compartilhar suas emoções de forma anônima e segura, a partir de um sistema de anti-cyberbullying, que filtra hater’s ou usuários fora do proposito da plataforma.
“No Brasil ainda não se tem uma visão clara sobre acesso a psicologia e os bens que ela pode trazer, ainda existe um tabu muito grande quando se trata de problemas como depressão e ansiedade na prática“, explica Eliezer Manoel, criador do Hug.u. Criado em junho de 2018, o Hug.u surgiu após ele acompanhar um amigo, vitima de depressão, e se deu conta que grande parte dos jovens, principalmente os de baixa classe social, sofrem com isso.
“Consegui enxergar e conviver com alguém na depressão, vi de perto como a vida do indivíduo sofre de uma maneira geral e isso incluía, principalmente, família e amigos, que nesses casos, são os grupos que mais devem atenção e total apoio a alguém nessa situação. Ouvir, compreender, dizer “Você não está sozinho”, já faz toda diferença”, conta.
Eliezer sempre foi apaixonado por psicologia e conseguiu unir um pouco do próprio conhecimento em tecnologia para desenvolver o aplicativo.
“Contratei alguns programadores para darmos inicio na prática e convidei minha amiga de longa data e psicologa, Ana Carolina, para a equipe, para idéias de estruturar a plataforma anônima de uma forma acessível e, principalmente, que possa ser um canal de uma visão compreendida por todos, é ai que mora nosso grande desafio, por isso o foco em criar de início formas seguras de organizar a rede contra cyberbullying”.
Após muita pesquisa e ajuda de psicológicos parceiros, o aplicativo começou a ser desenvolvido em dezembro do ano passado. A fase beta da plataforma será lançada em setembro deste ano, em decorrência do setembro amarelo, campanha que tem como foco o combate ao suicídio. O projeto foi selecionado pelo Sebrae SP em fevereiro para compor uma das 10 startups do programa de pré-aceleração Startup Sebrae SP. Em julho, o Hug.u foi selecionado pela IdeAção Tech pela BlackRocks Startups com parceria da IBM.
No Hug.u você pode compartilhar histórias e dilemas, como desabafos, experiências, conselhos, mensagens de auto-estima e afins, no intuito de proporcionar a ajuda mutua entre os usuários que buscam se expressar de forma anônima, mas que desejam receber uma resposta (também anônima) consistente, de alguém provavelmente confiável, o intuito propõe o bem estar emocional dos usuários que ao se expressarem, receberão mensagens construtivas e de apoio.
O aplicativo pode ser baixado na Play Store (android).
Para comemorar um ano do restaurante Afro Gourmet, Dandara Batista abre sua cozinha para a chef Aline Chermoula. A baiana vai preparar delícias da culinária afroamericana com toques de brasilidade no jantar do próximo sábado (31). Em sintonia com a proposta do Afro Gourmet, Aline traz um frescor contemporâneo ao menu fechado (R$ 65), que revela toda a diversidade da gastronomia da Mãe África.
Para começar, salada de nozes e queijo de cabra com folhas verdes ao molho de azeite e mel vai refrescar e preparar o paladar dos comensais para a estrela da noite.
A receita principal é o famoso Jambalaya Creole, da chef Aline, originária da diáspora africana. O prato é robusto, uma comida de estilo campestre encontrada em toda a Louisiana (USA), com forte influência da cultura negra. A iguaria tem como base o arroz que ganha pedaços de frango e camarão com ervas e temperos. Também será servida a opção do Jambalaya Vegetariano. Uma receita com sabores surpreendentes e rica em história.
Para a sobremesa, Beignets (um tipo de donuts famoso no sul dos EUA), com deliciosas peras em calda de maracujá e sorvete de creme encerram o jantar em grande estilo.
Aline Chermoula já esteve à frente da cozinha de Bourbon Street Music, do grupo Fábrica de Bares, que controla o famoso Bar Brahma, e do Buffet Charlô. A Chef já comandou cozinhas de grandes eventos como a Copa das Confederações e a Copa do Mundo da FIFA aqui no Brasil, além do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 em duas edições. Atualmente com a Chermoula Cultura Culinária, Aline continua a levar de forma personalizada sua cozinha itinerante para grandes eventos.
Já a chef Dandara Batista, sempre abre a cozinha do Afro Gourmet para cozinheiros que exaltam a gastronomia africana. Ela acredita que é fundamental a troca e a difusão de conhecimento sobre a cultura do continente.
O Afro Gourmet era um evento mensal itinerante, que reunia gastronomia e cultura africana na região central da cidade. Com o sucesso da iniciativa, Dandara passou a ser convidada para participar de feiras e eventos, principalmente os ligados à comunidade negra. Autodidata em culinária africana, ela une as experiências adquiridas em viagens à África a técnicas que aprendeu no curso de chef executivo da Universidade Cândido Mendes para revelar novos sabores aos cariocas.
O restaurante fica na Rua Barão do Bom Retiro, 2316, loja A – Grajaú. Para mais informações, ligue: (21) 3489-7354.
A 5ª Edição do “Brincando e Aprendendo“, evento realizado pelo Comitê de Igualdade Racial do Grupo Mulheres do Brasil, será realizada dia 1° de setembro, a partir das 14h30, no Centro de Cultura Negras do Jabaquara – Mãe Sylvia de Oxalá, na Rua Arsênio Tavoleri, nº 45, Jabaquara, São Paulo. A tarde terá a apresentação do grupo Luderê e em seguida, aula de dança com Koteban.
“Eventos como Brincando e Aprendendo são importantes para valorização da cultura afro e para que as crianças e adultos conheçam a sua história e sua ancestralidade. É muito importante, também, valorizarmos grupos culturais que disseminam a nossa cultura. O objetivo do Grupo Mulheres do Brasil, através do comitê de igualdade racial é conscientizar sobre a diversidade étnico-racial, trazer cultura e empoderar nossas crianças. A meta do comitê é realizar um evento a cada dois meses nas mais diversas regiões de São Paulo“, diz a organização.
O intuito do evento é conscientizar pais e responsáveis, além de narrar para crianças histórias afro infantis que geram conexão com sua identidade, pertencimento e representatividade. É necessário reconhecer e respeitar as diferenças, valorizando as diversas culturas.
Lançado em 2016, o Comitê de Igualdade Racial tem a iniciativa de: Luana Genot, Lisiane Lemos, Jessica Sandin, Fernanda Ribeiro, Elisabete Leite,, Eliane, Viviane Elias Morais.
Com entrada gratuita e exibição em salas de cinemas espalhadas pela cidade, o 30º Festival Internacional de Curtas de São Paulo começa hoje, 22 de agosto, na capital paulistana.
Ao todo serão 324 filmes e a presença negra entre os selecionados, aumentou na edição desse ano.
Abaixo alguns dos trabalhos realizados por cineastas e produtores negros. A programação completa e sinopse dos curtas estão no site do evento https://2019.kinoforum.org/
Zu é um garoto negro de 12 anos. Ele vai à mercearia comprar farinha de trigo para a sua mãe e, na volta, descobre que pode voar. Diretor: Renata Cilene Martins Roteiro: Renata Martins Produtor: Giovana Carolina Ferrari Produção Executiva: Issis Valenzuela Diretor de Fotografia: Mariana Nunes “Nuna”, Thaís Nardi Direção de Arte: Luana Castilho , Fernando Timba Trilha Sonora: Melvin Santana , Luedji Luna, Vinicius Calvitti Direção de Som: Andressa Clain Efeitos Especiais: Estevan Natolo Edição: Cristina Amaral Edição de Som: Guile Martins Elenco: Grace Passô, Kaik Pereira, Melvin SanthanaΩEntre melanina e planetas longínquos, o curta propõe um mergulho na caminhada de jovens negros da cidade de São Paulo. Um ensaio sobre negritude, viadagem e aspirações espaciais dos filhos da diáspora. Diretor: Diego Paulino Roteiro: Diego Paulino Produtor: Victor Casé Direção de Produção: Claudia Alves Diretor de Fotografia: Leandro Caproni Direção de Arte: Maiara Del Pino Trilha Sonora: Jhonatta Vicente Som Direto: Diana Ragnole Direção de Som: Diana Ragnole Animação: Martin Namikawa Efeitos Especiais: Martin Namikawa Edição: Amanda Beça Edição de Som: Diana Ragnole, Diana Ragnole Elenco: Eric Oliveira, Félix Pimenta, Euvira , Aretha Sadick Produtora: Reptilia Produções TransmídiaMais um dia de silêncio entre Júnior e seu pai. O não dito que carrega desejos, afetos e memórias. Mas a noite chega, uma notícia também. O corpo represado de Júnior se irrompe. Diretor: Andrei Carvalho Roteiro: Andrei Carvalho Produtor: Amanda Soprani Direção de Produção: Vanessa Leal Diretor de Fotografia: Lucas Carrera Direção de Arte: José Lucas Alves Direção de Som: Matheus Borges, Caio Cavalheiro Edição: Luiz Mira Edição de Som: Roberto Carrera Elenco: Matheus Moura, Kayo Francisco, Sol do Rosário, Ronnald PinheiroDiante da dor, da solidão e do desespero, um homem negro assopra um cartucho de Super Nintendo em uma encruzilhada. Diretor: Leon Reis Roteiro: Leon Reis Produtor: Samara Cabral, Elvio Franklin Produção Executiva: Samara Cabral, Elvio Franklin Direção de Produção: Samara Cabral Diretor de Fotografia: Darwin Marinho, Rodrigo Ferreira Direção de Arte: Lídia dos Anjos, Paolla Martins Trilha Sonora: Gustavo Carvalho, Íron Cavalcante, Diego Fidelis, Mike Dutra Direção de Som: Marcelo Júnior, Tatiana Ferreira Animação: Ana Francelino Efeitos Especiais: Ana Francelino Edição: Clébson Oscar Edição de Som: Gustavo Carvalho, Mike Dutra Elenco: Polly Di, Felipe Oliveira, Lucas Limeira Produtora: Ateliê CasamataCecil prepara um chá de filmes clássicos e contemporâneos, e em cada copo o líquido apresenta uma cor diferente do sistema de cores aditivas, o RGB, levando rumo, tomando trajetos, e indo para um caminho certo. Diretor: Lico Cardoso, Thabata Vecchio Roteiro: Lico Cardoso, Douglas Barros, Thabata Vecchio Produtor: Edih Moreira, Roberto Maty Produção Executiva: Lico Cardoso Diretor de Fotografia: Douglas Barros Edição: Lico Cardoso Edição de Som: Lico Cardoso Elenco: Juno Araújo Produtora: Lentes Periféricas Agente Comercial: Lico CardosoA clássica história de amor na qual uma jovem encontra um jovem, com a exceção de que eles são negros e vivem numa cidade cheia de memórias embranquecidas. Diretor: Ana Julia Travia Roteiro: Ana Julia Travia Produtor: Beatriz Natalia, Fernando Esposito Diretor de Fotografia: Mariane Nunes Direção de Arte: Vinícius Ferreira Som Direto: Vanessa Silva Direção de Som: Vanessa Silva Edição: Piera Portasio Edição de Som: Mariana Vieira Elenco: Érica Ribeiro, Jorge Guerreiro, Fabiana Pimenta, Alice Marcone, Suzi CastroUma investigação sobre o homem negro a partir de Rômulo, um homem de 40 anos, morador da periferia de Salvador, estudante de História na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Diretor: David Aynan Roteiro: David Aynan Produtor: VINICIUS SILVA Produção Executiva: VINICIUS SILVA Direção de Produção: José Carlos Ferreira Diretor de Fotografia: EDVALDO JUNIOR Som Direto: David Aynan Edição: David Aynan, VINICIUS SILVA Elenco: Rômulo Carvalho, Samyr Uruhu, Luan Carvalho, Bureco Produtora: Palenque Filmes Agente Comercial: David AynanProvíncia de São Paulo, 1870. Amadi, um homem igbo escravizado, foge à procura de um suposto quilombo. Em seu encalço, dois capitães-do-mato com ordens de capturá-lo a todo custo. Mas a mata abriga mistérios que podem cercá-los em uma letal armadilha. Diretor: Elton de Almeida Roteiro: Elton de Almeida Produtor: Viviane Ferreira Produção Executiva: Viviane Ferreira Direção de Produção: Bruna dos Anjos Diretor de Fotografia: Luiz Augusto Moura Direção de Arte: Micaela Cyrino Trilha Sonora: Henrique Chiurciu, Sérgio Abdalla Direção de Som: Andressa Claim, Evelynn Santos Edição: Ana Julia Travia Edição de Som: Henrique Chiurciu, Sérgio Abdalla Elenco: Riggo Oliveira, Júlio Silvério, Antonio Salvador Produtora: Odun Filmes Agente Comercial: Elton de Almeida
Você já deve estar cansado de ouvir a expressão “representatividade importa”, mas reforço isso mais uma vez porque se ver no outro pode ser algo fundamental para exercitar a autoestima e o amor próprio.
A rapper Preta Rara participou do programa SuperBonita do GNT, apresentado por Camila Pitanga, no episódio que falava sobre beleza e corpos sem medidas. A rapper falou sobre muitas coisas, entre elas como uma capa de um álbum da Alcione foi um recurso usado por sua mãe para que Preta, quando era criança, valorizasse a sua beleza.
“Uma vez aconteceu algo bem difícil na escola. Eu cheguei chorando e minha mãe pegou um vinilzão da Alcione onde ela está de turbante, maravilhosa e minha mãe me disse ‘Olha você pode ser essa mulher aqui. Ela passou pelas mesmas coisas que você passou na escola. Olha como ela está bonita”. Preta Rara elogia a mãe, que apesar de pouco estudo, já sabia a importância das referências. “Minha mãe já fazia essas coisas antes da gente saber o nome”, detalha a rapper.
Capa do disco de Alcione “Nosso Nome: Resistência”de 1987
Camila Pitanga pergunta sofre as referências de beleza negra da artista que menciona Zezé Motta e Elza Soares.
Preta Rara certamente já é referência para muitas meninas e mulheres.
Confira a integra do programa abaixo que é uma injeção de autoestima para mulheres fora do padrão.
Recém-chegada do Festival de Cannes, onde esteve com o filme vencedor “A vida invisível de Eurídice Gusmão”, Shirley Cruz comemora papel de destaque na trama das 19h na Rede Globo, a novela Bom Sucesso. Shirley interpreta Glaúcia e contraria os estereótipos relacionados a mulher negra na TV. Gláucia é uma personagem bem sucedida, lésbica, diretora comercial da editora fictícia Prado Monteiro e dona de si.
Segundo a atriz, a personagem não é de mandar recados e fala o que pensa para quem for. “O que ela tem de mais especial é seu espírito livre! É leve sem perder o pulso e, além de ser uma mulher de energia forte, é extremamente leal à família Prado Monteiro, o tipo de profissional que quer ver o bem da empresa. Gosto da naturalidade com que o tema da homossexualidade é tratado na trama, porque é assim que tem que ser. Ela não esconde o que e quem quer”.
Muitas atrizes negras são vistas em papeis estereotipados. Solange Couto, por exemplo, que fez parte da campanha “Senti na Pele”, criada pelo ator e jornalista, Ernesto Xavier e que denuncia o racismo vivido por atores negros nos papeis os quais eles interpretam, contou que de 37 personagens, 25 foram empregadas ou escravas, sendo que do total, apenas sete não foram personagens carregadas de estereótipos racistas.
”A televisão te coloca numa vitrine muito potente. Gláucia, minha personagem na novela Bom Sucesso, é uma mulher direta, segura, inteligente, bem sucedida e com um bom humor acima da média. Ela parece reunir todos os ingredientes para gerar a tal empatia que está escassa entre nós. Tenho consciência do tamanho da responsabilidade. Acho que minha presença traz esperança e orgulho, algo muito parecido com o que eu sentia quando via a Glória Maria, a Zezé Motta, Ruth de Souza e Lea Garcia. Tanto é que aqui estou eu. Para os racistas, a oportunidade de ver que somos tão capazes quanto eles e de uma certa forma, uma chance de conviver e desenvolver respeito”, comenta Shirley
Enquanto aguarda o lançamento de duas séries e dois filmes já gravados, a atriz, que tem 19 anos de carreiras e mais de 50 trabalhos no audiovisual, comenta a importância de fazer um papel na TV durante horário nobre e que vai contra esses aspectos.
Apesar de ter participações em outras novelas, para ela, a sensação é de estreia. “Desta vez poderei desenvolver uma personagem para contar uma história inteira, do início ao fim”, comemora a carioca residente em São Paulo, que recebeu da diretora Joana Clark a indicação para o papel. Em breve, será vista em “Jungle Pilot”, série com estreia prevista para setembro, no Universal Channel, onde interpreta Dalva, esposa do protagonista vivido por Demick Lopes. E também em “A Revolta dos Malês”, com direção de Jeferson De e Belisário Franca, onde interpreta Guilhermina, sua primeira protagonista.
Com mais de 30 filmes no currículo, em breve a atriz poderá ser vista também no longa-metragem “Pacified”, de Paxton Winters com produção da 20th Century Fox, ainda sem data para estreia. Além disso, é presença constante em séries da Fox, Universal Channel, Netflix, TV Globo, Canal Brasil e TV Record, e foi pré-selecionada à indicação do EmmyAwards (2011) pelo seu papel em “Filhos do Carnaval”, da HBO – onde, em paralelo à carreira de atriz, apresentou um programa sobre a série.
Shirley estreou como jornalista num projeto coordenado por Nizan Guanaes e dirigido por Luiz Gonzaga Mineiro, seu diretor também na equipe de jornalismo do SBT, na função de apresentadora e repórter, sob a coordenação de Ana Paula Padrão. É ainda a idealizadora da Cia. Contemporânea Mulher de Palavra, onde atua, produz e escreve, e que durante as olimpíadas estreou o espetáculo “Mulheres no Pódio“, falando da trajetória da mulher no esporte olímpico e paralímpico. Dentre os orgulhos inesquecíveis está a participação no projeto “Negro olhar”, com Milton Gonçalves e Ruth de Souza.
“Um defeito de Cor”, um clássico premiado da literatura negra será adaptado para uma “supersérie” (também conhecida como novela das 23h) que entrará na grade da Rede Globo em 2021.
A obra de Ana Maria Gonçalvesconta por meio da narração da protagonista Kehinde, detalhes de inúmeras tragédias pessoais durante o período de escravidão no Brasil, um dos mais longos da História.
Kehinde até os oito anos de idade vivia em Savalu, África. Após a morte da mãe e do irmão, ela, junto da avó e de Taiwo, sua irmã gêmea, viajam sem rumo e chegam a Uidá. Nessa cidade, as três são capturadas e jogadas em um navio negreiro com destino ao Brasil. Ao fim da viagem, Kehinde é a única sobrevivente da família.
Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Carlos Henrique Schoreder , diretor Geral da Globo, disse que o livro será uma das maiores séries da emissora. “Estamos trabalhando num grande épico, uma coisa bem complexa, que o Ricardo Waddington (diretor) tá quebrando a cabeça para resolver”.
Paulo Lins, autor de “Cidade de Deus”, que recebeu o prêmio de melhor roteiro da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), em 2005, (pelo filme “Quase dois irmãos” ) está na equipe de adaptação que é supervisionada pelo sambista e escritor especializado em cultura africanas Nei Lopes.