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Erika Januza desabafa sobre culpa e separação: “A responsabilidade do que eu tô sentindo não é minha”

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Foto: Saia Justa/GNT

Erika Januza refletiu sobre autoculpa e diferentes tipos de luto no Saia Justa, dias após o fim de um relacionamento marcado pela quebra de confiança.

A atriz e apresentadora Erika Januza usou o programa Saia Justa, exibido pela GNT na noite de quarta-feira (29), para refletir sobre os diferentes tipos de luto que uma pessoa pode enfrentar ao longo da vida, entre eles o fim de uma relação amorosa marcada pela quebra de confiança. A fala aconteceu dias depois do término do namoro com o cantor Arlindinho e concentrou o discurso na própria experiência emocional, sem se estender sobre os detalhes da separação.

Durante o quadro, Erika listou situações que considera formas de luto, como mudar de cidade, mudar de país, terminar um relacionamento, perder uma pessoa sem possibilidade de reencontro e sofrer uma traição. Segundo ela, cada uma dessas experiências atinge escalas diferentes, mas todas mexem com o emocional a partir do mesmo ponto, o momento em que “algo que estava existindo deixou de existir”. A apresentadora completou que esse tipo de perda também pode se transformar, já que o fim de uma relação costuma vir acompanhado da possibilidade de reatar.

Erika relatou que a semana havia sido marcada pelo caos em sua vida pessoal e atribuiu o momento à própria disposição para acreditar no amor, não a um erro cometido por ela. A apresentadora afirmou que entregou o que tinha para entregar na relação e recebeu o que a outra parte teve a oferecer, reforçando que cada pessoa contribui dentro do que consegue oferecer emocionalmente. Ela disse ainda não se arrepender de ter compartilhado momentos felizes nem de ter amado, argumentando que um sentimento verdadeiro em um momento não deixa de ter existido quando a relação termina.

A apresentadora também abordou o padrão de autoculpa que costuma atingir mulheres depois de uma decepção amorosa. Segundo ela, é comum surgir o questionamento sobre o que teria sido feito de errado, uma reação que atribuiu à tendência feminina de assumir a responsabilidade por conflitos que não criaram sozinhas. Erika defendeu que, nesses episódios, é necessário parar e processar o que aconteceu antes de repetir para si mesma que a experiência foi um livramento. Para ela, essa compreensão não chega de imediato, e o período entre a dor inicial e o entendimento de que a separação representa uma proteção costuma ser doloroso.

Ela encerrou a fala pedindo que outras mulheres em situação semelhante não abram mão de si mesmas ao perdoar rupturas de limites que consideravam inegociáveis. A apresentadora associou essa postura à trajetória profissional que construiu ao longo dos anos, marcada por esforço e noites de trabalho, e afirmou que não permitiria que aquilo fosse apagado por uma atitude alheia. A fala reforça um ponto central do desabafo, o de que a responsabilidade pela dor não recai sobre quem foi ferida, e sim sobre quem rompeu o combinado da relação.

O Saia Justa está no ar desde 2002 e reúne apresentadoras para discutir temas como relacionamentos, saúde, maternidade, trabalho e comportamento, sempre a partir de repertórios pessoais. Erika Januza integra o time fixo do programa desde 2025, ano em que também passou a apresentar a atração ao lado de outras colegas na grade da GNT.

Vídeos do momento em que a apresentadora discorre sobre os tipos de luto foram compartilhados por perfis do próprio Saia Justa e reproduzidos por páginas de entretenimento em diferentes plataformas, acumulando comentários de apoio à atriz. A repercussão levou o tema da autoestima após uma traição a ganhar espaço em debates paralelos nas redes, com internautas relacionando a fala de Erika a experiências pessoais semelhantes.

Demolição do Samba do Cruz atinge espaço histórico da cultura negra em SP 

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Samba do Cruz
Foto: Divulgação

Fundado por taxistas negros em 1958, o Cruz da Esperança reuniu futebol de várzea, samba, capoeira, religiosidades de matriz africana e ações comunitárias na Casa Verde

O local onde funcionava o Samba do Cruz, na Casa Verde, zona norte de São Paulo, foi demolido nesta quarta-feira (29). A ação ocorreu após uma decisão judicial autorizar a reintegração de posse da área ocupada pelo Grêmio Esportivo e Recreativo (GRE) Cruz da Esperança, destinada à construção do Parque Municipal Campo de Marte.

A demolição encerra as atividades no endereço onde diferentes gerações construíram relações por meio do futebol de várzea, do samba, da capoeira, das religiosidades de matriz africana e de ações comunitárias. 

Após a decisão judicial, o coletivo reafirmou nas redes sociais a continuidade de sua história: “O Cruz vive e sempre viverá”.

Um território construído pela população negra

Fundado em 12 de outubro de 1958 por um grupo de taxistas negros, o Cruz da Esperança tornou-se uma referência cultural e esportiva da Casa Verde. Nos fins de semana, o clube recebia partidas de futebol de várzea e o Samba do Cruz, roda que reunia centenas de frequentadores e ajudava a financiar uniformes, campeonatos e a manutenção do espaço.

A comunidade integra um território chamado por pesquisadores e moradores da “Pequena África paulistana”. A denominação está relacionada à presença histórica da população negra na região ao longo do século 20, especialmente após processos de deslocamento de famílias negras das áreas centrais da cidade.

Ao longo dos anos, o espaço recebeu rodas de samba, bailes de samba-rock, capoeira, atividades religiosas, projetos sociais e encontros ligados ao cotidiano da comunidade. Para os organizadores, essas práticas não eram complementares ao clube: constituíam sua própria identidade.

Comunidade mobilizou mais de 26 mil assinaturas

Diante da ameaça de retirada, dirigentes, frequentadores, artistas, pesquisadores e representantes políticos iniciaram uma mobilização pela permanência do Cruz da Esperança no território.

Um abaixo-assinado em defesa do clube reuniu mais de 26 mil assinaturas. Entre as reivindicações estavam a preservação das atividades, a abertura de diálogo com o poder público e o reconhecimento do Cruz da Esperança como patrimônio cultural imaterial de São Paulo.

A comunidade também questionou o modelo de concessão do futuro Parque Municipal Campo de Marte à iniciativa privada. Segundo os dirigentes, as regras propostas limitariam o funcionamento do clube e não assegurariam a continuidade do Samba do Cruz.

O presidente da entidade, Antônio de Jesus, conhecido como Tio Toninho, afirmou anteriormente que o acordo apresentado contemplava os campos de futebol, mas não garantia espaço para as manifestações culturais construídas no local.

O Cruz da Esperança participou das negociações iniciais, mas decidiu não aderir ao acordo aceito por outras associações da região. A decisão foi apresentada pelos dirigentes como uma tentativa de preservar a autonomia e a continuidade das atividades culturais e esportivas.

Disputa judicial pelo Campo de Marte

A disputa judicial começou em março, quando a Prefeitura de São Paulo entrou com uma ação de reintegração de posse de uma área de quase 15 mil metros quadrados.

A administração municipal alegou que o terreno é público e precisava ser entregue livre para o cumprimento do contrato de concessão do Parque Municipal Campo de Marte. A decisão inicial autorizou a retomada da área e a demolição das construções.

O clube conseguiu posteriormente um prazo para a desocupação voluntária e a suspensão temporária das demolições. Após recurso da Prefeitura, porém, o Tribunal de Justiça de São Paulo restabeleceu a autorização para a retirada das estruturas.

Em sua posição oficial, a Prefeitura classificou a presença do clube como uma ocupação irregular. A Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente afirmou que tentou negociar uma gestão compartilhada dos futuros campos de várzea e alegou que o Samba do Cruz não possuía autorização municipal para realizar os eventos.

A comunidade contestou esse enquadramento, ressaltando que sua presença no território não era recente e estava ligada a uma história iniciada em 1958, muito antes da criação do projeto do parque.

Com a derrubada do Cruz da Esperança, a comunidade perde o endereço onde sua história foi construída ao longo de quase sete décadas. A demolição retirou estruturas físicas, mas não encerrou a história criada pelas famílias, sambistas, atletas, e frequentadores que transformaram o Cruz da Esperança em uma referência da cultura negra paulistana.

Viih Tube e Eliezer pagarão R$ 350 mil por dano moral após reality com funcionários

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Viih Tube e Eliezer no reality show As Patroas
Créditos: Reprodução

Após submeterem 11 funcionários domésticos a provas humilhantes em troca de prêmios e redução de jornada, os influenciadores Viih Tube e Eliezer firmaram um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT) que encerra o reality show “As Patroas”. O casal terá de pagar R$ 350 mil em indenização por dano moral coletivo, retirar todo o conteúdo do ar em até 48 horas e veicular conteúdos sobre a legislação trabalhista da categoria em suas redes sociais.

Lançado no final de junho, o programa pretendia transformar a rotina da residência dos influenciadores em uma atração de entretenimento envolvendo seus empregados. Contudo, as dinâmicas exibidas logo no primeiro episódio causaram indignação pública e mobilizaram os órgãos de proteção às relações de trabalho.

Em uma das provas, os funcionários precisaram procurar moedas de plástico dentro de vasos sanitários e lixeiras da casa. A recompensa para os vencedores envolvia quantias em dinheiro e redução da jornada de trabalho.

O que estabelece o acordo com o MPT

A investigação do MPT apurou violações diretas de direitos trabalhistas, o uso mercantilizado da imagem dos empregados e a sujeição dos profissionais a situações degradantes.

A procuradora do Trabalho Patrícia Mauad Patruni Isotton destacou que o desfecho do caso precisa servir como ponto de reflexão para a sociedade: “O acordo é resultado do diálogo entre o Ministério Público do Trabalho e os influenciadores, que demonstraram compreender a gravidade da situação e se comprometeram a reparar os danos causados. Mais do que encerrar o caso, esse é um momento de conscientização, inclusive para o público”, afirmou.

O Termo de Ajuste de Conduta estabelece as seguintes obrigações ao casal:

  • Proibição de exposição vexatória: Fica vedada a produção ou veiculação de conteúdos que exponham empregados domésticos a situações humilhantes, ainda que haja consentimento dos trabalhadores.
  • Garantia de voluntariedade e não retaliação: A participação de funcionários em futuros vídeos deverá ser estritamente voluntária, formalizada por escrito e sem qualquer punição, prejuízo ou retaliação para quem optar por não participar.
  • Conteúdo pedagógico obrigatório: Produção e publicação de três vídeos educativos nas redes sociais dos influenciadores detalhando os direitos da categoria.
  • Penalidades por descumprimento: Em caso de violação de qualquer cláusula, a multa será de R$ 50 mil por item descumprido, acrescida de R$ 5 mil por trabalhador prejudicado.

O valor da indenização de R$ 350 mil por dano moral coletivo não será repassado diretamente aos funcionários participantes. A quantia será destinada a fundos públicos, como o Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD), voltados ao financiamento de projetos sociais e ao combate a violações trabalhistas.

O reality show foi amplamente criticado desde a exibição do primeiro episódio, no dia 30 de junho, quando internautas e movimentos sociais apontaram a precarização das relações de trabalho retratada na tela.

Embora tenha sido retirado do YouTube menos de 24 horas após a estreia diante da forte reação negativa, o programa continuou circulando em plataformas como Instagram e TikTok, onde o casal chegou a publicar um segundo episódio abordando a rotina de trabalho e a jornada 6×1.

Camila Pitanga e Duda Santos estrelam novas cinebiografias

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Camila Pitanga como Clara Nunes, Duda Santos e Daiane dos Santos em montagem
Foto: Divulgação

Em duas produções distintas, Camila Pitanga interpretará Clara Nunes na cinebiografia Clara, enquanto Duda Santos viverá Daiane dos Santos em A Menina que Voa. Os longas levarão às telas trajetórias fundamentais para a música, o esporte e a cultura brasileira. 

As produções compartilham um elo além do protagonismo feminino: os dois roteiros são assinados por Janaína Tokitaka e Flávia Vieira. Enquanto Clara acompanhará a trajetória de uma das vozes mais importantes do samba, A Menina que Voa levará aos cinemas a história da primeira ginasta brasileira a conquistar uma medalha de ouro em um Campeonato Mundial de Ginástica Artística.

Camila Pitanga dará vida a Clara Nunes

O longa Clara acompanhará a trajetória da cantora mineira no Rio de Janeiro durante a década de 1970, período em que ela ampliou o espaço das mulheres no samba e consolidou uma obra profundamente ligada às culturas e religiosidades afro-brasileiras.

A produção também pretende apresentar ao público aspectos menos conhecidos de sua história e de sua atuação em uma indústria musical marcada pela presença majoritária de homens nos espaços de decisão.

“Considero uma missão divina, um dos maiores desafios da minha vida, encarnar a voz e a alma de Clara Nunes”, declarou Camila Pitanga ao anunciar o projeto.

Clara Nunes permanece como uma das principais intérpretes da música brasileira. Sua discografia inclui sucessos como “O Mar Serenou”, “Conto de Areia” e “Canto das Três Raças”, além de trabalhos que valorizaram o samba e elementos das culturas afro-brasileiras.

A artista também fez história ao se tornar a primeira cantora brasileira a ultrapassar a marca de 100 mil cópias vendidas com um disco, contribuindo para abrir caminhos a outras intérpretes na indústria fonográfica.

Clara é um projeto da Matizar Filmes com a produtora de Camila Pitanga, Paraguassu, em coprodução com a H2O Produções e distribuição da H2O Films. Até o momento, a data de estreia não foi divulgada.

Duda Santos interpretará Daiane dos Santos

Aos 25 anos, a atriz assumirá o papel de Daiane dos Santos em “A Menina que Voa”. Com estreia prevista para 2027, o filme abordará o período entre as décadas de 1990 e 2000, acompanhando Daiane desde o início dos treinamentos até a conquista da medalha de ouro no Campeonato Mundial de Ginástica Artística de 2003, realizado em Anaheim, nos Estados Unidos.

Na competição, Daiane se tornou a primeira ginasta brasileira, entre homens e mulheres, a conquistar um título mundial. A apresentação também marcou a homologação do movimento Dos Santos I, um duplo twist carpado que passou a levar seu nome no Código de Pontuação da Federação Internacional de Ginástica.

A narrativa abordará os bastidores do esporte de alto rendimento, incluindo a rotina de treinos, as lesões, a pressão das competições internacionais e o racismo enfrentado pela atleta. O foco, no entanto, estará na capacidade de Daiane de construir uma trajetória pioneira e ampliar as possibilidades para novas gerações de ginastas negras.

Daiane conquistou nove medalhas de ouro em etapas da Copa do Mundo e teve dois movimentos de solo batizados em sua homenagem: Dos Santos I e Dos Santos II.

A direção de A Menina que Voa será de Yasmin Thayná, cineasta e fundadora da plataforma AfroCinema. A produção é realizada pela Maria Farinha Filmes em parceria com a Ashé Ventures, empresa fundada por Viola Davis, Julius Tennon e o produtor brasileiro Maurício Mota.

Escritora Lu Ain-Zaila denuncia “duplo apagamento” após sua foto ser confundida com a de Nina da Hora no jornal O Globo

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Lu Ain -Zaila segurando seus livros
Foto: Cleber Junior / Extra

A escritora afrofuturista e pedagoga Lu Ain-Zaila desabafou no Instagram após o jornal O Globo usar uma foto sua em uma reportagem sobre a cientista da computação Nina da Hora. Em texto publicado nesta terça-feira (29), ela descreve a situação como um “duplo apagamento” de duas mulheres negras. Na semana passada, ambas palestraram no mesmo painel na programação da Flip 2026, sobre inteligência artificial e narrativas.

Ao longo do texto, Lu Ain-Zaila ironiza a ideia de que, na “era digital, da informação”, erros como esse deveriam ser menos frequentes — “mas quando se trata de corpos negros não é”. Ela cogita, em tom de sarcasmo, fazer uma blusa com a frase: “Não sou a Nina, mas conheço…”, para reagir aos que confundiram as duas profissionais negras.

Autora de obras renomadas como “Ìségún”, “Sankofia: breves histórias sobre afrofuturismo”, “(In)Verdades” e “(R)Evolução”, ela completa o desabafo: “A pessoa trabalha um monte e tem seu reconhecimento ceifado. A outra rala um monte e tem sua trajetória trocada, vira a ‘outra mulher negra não encontrada’”.

Além de pedir que o público leia os seus livros para conhecer mais sobre o seu trabalho, Lu Ain-Zaila ainda destacou três obras que evidenciam as dinâmicas de racismo que marcam o episódio envolvendo as duas profissionais negras: “Dispositivo de Racialidade”, de Sueli Carneiro; “A descoberta do Insólito”, de Mário Augusto de Medeiros; e “Vidas negras, vidas literárias”, de Vagner Amaro.

Ao final do texto, a escritora agradece: “Deixo meu imenso muitíssimo obrigada por todas as menções me nomeando, reforçando que esquecimento não é uma opção no coração de vocês”. E encerra com um desejo que sintetiza o tom do episódio: “Muito Axé pra essa semana não acabar com mais gente desaparecida, sem rosto ou sem nome”.

Quem é Lu Ain-Zaila

Luciene Marcelino Ernesto, conhecida artisticamente como Lu Ain-Zaila, é uma pedagoga e escritora brasileira nascida em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro. Formada em Pedagogia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), ela é mestranda em Letras pela PUC-Rio e atua como pesquisadora nas áreas de educação e literatura, com foco em afrofuturismo.

Considerada uma das precursoras do afrofuturismo na literatura brasileira, Lu Ain-Zaila constrói narrativas que mesclam ficção científica, fantasia e saberes ancestrais africanos, articulando-os a questões contemporâneas das existências pretas. Ela também se define como “voz baixadense” e intelectual negra latino-americana, trabalhando com o subgênero cyberfunk, que mistura cenários distópicos de desigualdade e resistência periférica com atmosferas de festa e celebração das origens.

A trajetória literária de Lu Ain-Zaila inclui contos, romances e obras que consolidaram sua presença no cenário da ficção especulativa negra no Brasil. Veja aqui!

Entenda o caso

O episódio teve origem em uma reportagem do O Globo, publicada no fim de semana, que integrava a lista “101 brasileiros que constroem o futuro”, na qual Nina da Hora foi incluída como cientista da computação e fundadora do Instituto da Hora. A imagem usada para ilustrar o perfil de Nina, no entanto, era de Lu Ain-Zaila — e, segundo a própria Nina, esse vínculo incorreto entre nome e fotografia já existia no acervo do jornal desde 2022.

Após a denúncia de Nina no LinkedIn, o jornal trocou a foto no site, mas sem publicar nota de correção; a edição impressa, que já havia circulado, permaneceu com o erro. Nina explicou que o problema real está no índice de arquivo do jornal, que manteve o par “nome de Nina + foto de Lu” disponível para reutilização, mesmo depois da substituição na página.

Nina da Hora, por sua vez, é cientista da computação, pesquisadora e ativista, conhecida por seus estudos sobre ética de algoritmos, inteligência artificial e racismo algorítmico, com foco em tecnologias de reconhecimento facial. Ela integra a lista de homenageados da PowerList Mundo Negro 2026 na categoria Ciência, Tecnologia e Inovação, reconhecimento a profissionais negros que se destacam na produção de conhecimento e na fiscalização de sistemas automatizados.

Epistemologia do Cuidado: por que a saúde mental das lideranças negras também se constrói na ancestralidade

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Mulher negra em momento de cuidado, escuta e conexão com a ancestralidade. Imagem gerada por IA
Imagem gerada por IA

Por Dra. Júnia Mamedir

Há perguntas que não nascem nas universidades. Nascem na vida.

A pergunta que dá origem a este texto surgiu ao longo de mais de duas décadas de atuação como psicóloga, acompanhando mulheres negras, lideranças comunitárias, executivas, mães, educadoras, atletas e profissionais que ocupam posições de grande responsabilidade.

Quem cuida da saúde mental de quem sustenta tantas pessoas?

Essa pergunta ganhou força porque, repetidas vezes, observei um fenômeno semelhante. Muitas lideranças negras chegam aos espaços de autoridade altamente capacitadas, comprometidas e preparadas tecnicamente. Ainda assim, convivem com uma sensação persistente de exaustão, isolamento e necessidade permanente de provar sua competência. Como se ocupar um cargo de liderança exigisse, além da excelência profissional, o abandono de formas de existir que sempre fizeram parte de sua história.

Foi justamente nesse ponto que comecei a perceber algo que, durante muito tempo, esteve diante de nós, mas raramente foi nomeado.

As formas de cuidado construídas historicamente por mulheres negras não são apenas manifestações culturais. Elas expressam uma maneira de compreender o humano, de produzir vínculos, de elaborar conflitos e de sustentar emocionalmente comunidades inteiras.

É essa compreensão que proponho chamar de Epistemologia do Cuidado.

Não como um conceito acabado, mas como uma hipótese de pesquisa que nasce da prática clínica, da escuta e da experiência comunitária.

Ao longo das últimas décadas, intelectuais como Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento, Sueli Carneiro, bell hooks e Patricia Hill Collins demonstraram que mulheres negras sempre produziram conhecimento a partir da experiência, da memória coletiva, da oralidade e da resistência. Suas obras ampliaram profundamente a compreensão sobre identidade, poder, educação, território, racismo e produção de conhecimento.

O que proponho acrescentar a esse diálogo é outra pergunta:

E se esses mesmos processos também forem compreendidos como produtores de saúde mental?

Essa pergunta desloca o debate.

Ela nos convida a olhar para práticas historicamente presentes nas comunidades negras não apenas como patrimônio cultural, mas também como modos de sustentar a vida, preservar vínculos e fortalecer quem exerce responsabilidades coletivas.

Durante muito tempo, aprendemos a imaginar o conhecimento como algo produzido principalmente por textos, teorias e instituições formais. Entretanto, povos afro-diaspóricos também produziram conhecimento por meio da oralidade, da convivência, da memória compartilhada, da observação das relações humanas e da experiência coletiva.

  • Nas rodas, aprendia-se a ouvir.
  • Nas rodas, aprendia-se a resolver conflitos.
  • Nas rodas, aprendia-se a exercer autoridade.
  • Nas rodas, aprendia-se que ninguém atravessa a vida sozinho.

Essa tradição não surgiu por acaso. Ela foi construída em contextos marcados pela necessidade de preservar a dignidade, fortalecer pertencimentos e garantir a continuidade da vida diante de sucessivas formas de violência e exclusão.

Talvez por isso tantas mulheres negras reconheçam, quase intuitivamente, a potência do encontro, da escuta e da construção coletiva.

Não porque tenham aprendido uma técnica específica, mas porque foram constituídas por uma tradição em que cuidar sempre foi também uma forma de liderar.

No entanto, quando essas mulheres passam a ocupar cargos de autoridade, frequentemente encontram organizações estruturadas por modelos que valorizam rapidez, individualização, competição e desempenho contínuo.

Nesses contextos, práticas como escutar antes de decidir, compartilhar responsabilidades, construir consensos ou reconhecer o tempo necessário para elaborar conflitos podem ser interpretadas como sinais de fragilidade.

Essa leitura produz um efeito silencioso.

Muitas lideranças passam a acreditar que, para serem reconhecidas como competentes, precisam se afastar justamente das formas de cuidado que sustentaram sua trajetória.

É nesse ponto que a saúde mental começa a ser atravessada não porque o cuidado seja incompatível com a liderança, mas porque ainda persistem modelos que opõem autoridade e humanidade.

Na clínica, tenho observado outro caminho.

As lideranças que conseguem preservar espaços de pertencimento, construir relações de confiança e compartilhar responsabilidades demonstram maior capacidade de enfrentar situações complexas sem romper consigo mesmas. Isso não elimina conflitos. Não reduz a responsabilidade. Nem diminui a exigência por resultados. Mas produz uma forma diferente de exercer autoridade, uma autoridade que não precisa escolher entre firmeza e cuidado.

É aqui que a Epistemologia do Cuidado se apresenta como uma possibilidade teórica.

Entendo a Epistemologia do Cuidado como uma matriz de produção de conhecimento sobre o humano fundamentada na circularidade, na escuta, na ancestralidade, na memória coletiva e na responsabilidade compartilhada.

Ela compreende que a saúde mental não depende apenas de processos individuais.

Também é produzida pela qualidade das relações que construímos, pelos espaços onde nossa palavra encontra acolhimento e pela possibilidade de compartilhar o peso da responsabilidade sem abrir mão da autoridade.

Essa compreensão exige, porém, um cuidado importante:

  • Nem toda roda produz cuidado.
  • Nem todo encontro fortalece vínculos.
  • Circularidade não é ausência de direção.
  • Escuta não significa permissividade.
  • Cuidado não é improviso.

Espaços de circularidade exigem ética, preparo, responsabilidade e compromisso com a dignidade de todas as pessoas envolvidas.

Quando esses princípios não existem, uma roda pode reproduzir silenciamentos, constrangimentos e disputas de poder.

Por isso, considero que a grande responsabilidade das lideranças negras não está apenas em conduzir pessoas, está em proteger os espaços onde o cuidado acontece.

Ser liderança, nessa perspectiva, significa também ser guardiã da palavra, da escuta e da segurança relacional.

Essa talvez seja uma das maiores contribuições que os saberes afrodiaspóricos oferecem às discussões contemporâneas sobre saúde mental.

Eles nos lembram que cuidar nunca foi apenas um gesto individual.

Sempre foi uma construção coletiva.

Foi essa compreensão que também orientou a criação do Método CEA®️, organizado em três movimentos:Consciência, Escuta e Ação.

O método nasceu da prática clínica e comunitária, mas encontrou, ao longo do tempo, profunda ressonância com essa tradição de cuidado.

A consciência convida ao reconhecimento da própria história, das marcas deixadas pelo percurso e das responsabilidades que acompanham o exercício da liderança.

A escuta amplia nossa capacidade de compreender a nós mesmos e aos outros, criando ambientes onde diferenças podem ser elaboradas sem destruir pertencimentos.

A ação transforma essa elaboração em decisões concretas, coerentes com uma liderança que integra resultado, responsabilidade e cuidado.

O Método CEA®️ não pretende substituir outras abordagens. Representa uma sistematização contemporânea de princípios que encontrei repetidamente na experiência de mulheres negras, comunidades, famílias e lideranças comprometidas com a transformação social.

Talvez esse seja o convite que deixo ao final desta reflexão.

Em vez de perguntarmos apenas como preparar melhores líderes, talvez devêssemos perguntar como preservar a saúde mental de quem assume a responsabilidade de cuidar de pessoas e transformar realidades.

Reconhecer a Epistemologia do Cuidado não significa idealizar o passado nem romantizar a ancestralidade.

Significa reconhecer que existem formas de produzir saúde mental que nasceram da experiência coletiva, da escuta, da responsabilidade compartilhada e da construção de vínculos.

Significa compreender que liderança não precisa ser sinônimo de isolamento. Que autoridade não exige abandono da sensibilidade e que o cuidado não diminui a força de uma liderança. Ao contrário, talvez seja justamente o cuidado aquilo que permite que ela permaneça humana enquanto transforma o mundo.

Referências

  • Collins, Patricia Hill. *Pensamento Feminista Negro
  • hooks, bell. *Ensinando a Transgredir
  • Gonzalez, Lélia. *Por um Feminismo Afro-Latino-Americano
  • Nascimento, Beatriz. *Uma História Feita por Mãos Negras
  • Carneiro, Sueli. *Dispositivo de Racialidade.

Fela Kuti e o Afrobeat, a história do criador e sua maior criação

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Foto: reprodução/ Fela Anikulapo Kuti/ Getty Images

Conheça a trajetória de Fela Kuti, o nigeriano que criou o Afrobeat, enfrentou ditaduras militares e recebeu o Grammy Lifetime Achievement Award em 2026.

Fela Anikulapo Kuti nasceu Olufela Olusegun Oludotun Ransome-Kuti em 15 de outubro de 1938, na cidade de Abeokuta, sudoeste da Nigéria. Filho do pastor e educador Israel Oludotun Ransome-Kuti e da ativista feminista Funmilayo Ransome-Kuti, cresceu em uma família que já ocupava lugar central na luta anticolonial nigeriana. Fela é também o grande criador do Afrobeat, gênero musical que reformulou os rumos da música africana a partir dos anos 1970.

Enviado à Inglaterra em 1958 para estudar Medicina, Fela optou pela música e ingressou no Trinity College of Music. Ali formou a banda Koola Lobitos, com a qual explorava uma mistura de highlife e jazz. O highlife, gênero nascido em Gana da fusão entre música regional do oeste africano e jazz ocidental, funcionou como ponto de partida para o que viria a se tornar o Afrobeat, segundo descreve o African Music Library, plataforma de documentação musical africana.

De volta à Nigéria em 1963, Fela reformulou o grupo, mas foi uma viagem posterior aos Estados Unidos que redirecionou de forma definitiva sua carreira. Em 1969, durante uma turnê de dez meses pelo país com a Koola Lobitos, conheceu em Los Angeles a ativista Sandra Izsadore, integrante do movimento dos Panteras Negras. Izsadore o apresentou aos escritos de Malcolm X e Angela Davis, experiência que Fela descreveu ao New York Times como o momento em que, pela primeira vez, viu a essência do nacionalismo negro. A partir dessa vivência, sua música passou a incorporar de forma sistemática crítica social e política, consolidando a estrutura sonora e discursiva que ficaria conhecida como Afrobeat.

De volta à Nigéria, Fela renomeou sua banda para Africa 70 e passou a atacar diretamente a corrupção e o autoritarismo dos governos militares do país. Em 1970, fundou a comuna Kalakuta Republic, que declarou independente do Estado nigeriano. O espaço reunia estúdio de gravação, casa noturna e clínica de saúde gratuita administrada por seu irmão, o médico Beko Ransome-Kuti.

O confronto com o regime militar atingiu o ponto mais grave em 1977, após o lançamento do álbum “Zombie”, que satirizava os métodos das forças armadas nigerianas. Cerca de mil soldados invadiram a Kalakuta Republic, espancaram seus ocupantes e atearam fogo ao complexo, destruindo instrumentos, fitas e gravações originais. Durante o ataque, a mãe de Fela foi jogada de uma janela do segundo andar, ferimentos que resultaram em sua morte meses depois, segundo reconstitui o portal nigeriano OldNaija a partir de documentos da época. Em resposta, Fela carregou o caixão da mãe até a sede do governo militar em Lagos e gravou o álbum “Coffin for Head of State”.

No ano seguinte, ainda marcando o aniversário do ataque, Fela trocou o sobrenome herdado do colonialismo britânico, Ransome, pelo nome iorubá Anikulapo, traduzido como “aquele que carrega a morte no bolso”. Fundou também o partido Movement of the People e concorreu à presidência da Nigéria em 1979, candidatura que foi recusada pelas autoridades eleitorais. Ao longo da carreira, foi preso repetidas vezes, incluindo uma detenção de vinte meses em 1984 sob acusação de contrabando de moeda.

Fela morreu em 2 de agosto de 1997, aos 58 anos, em Lagos, por complicações relacionadas à Aids. Sua obra levou décadas para receber reconhecimento institucional formal. Em 2025, foi introduzido no Grammy Hall of Fame. Em fevereiro de 2026, tornou-se o primeiro artista africano a receber o Grammy Lifetime Achievement Award, unindo-se a nomes como John Coltrane, Aretha Franklin e Bob Marley na lista de homenageados, conforme noticiou a NPR. Meses depois, entrou para o Rock and Roll Hall of Fame na categoria de influência musical.

A pesquisadora Randal F. Grass, em artigo publicado pela revista acadêmica African Arts e indexado no JSTOR, descreve Fela como o músico mais controverso da África, situando sua obra em um cruzamento permanente entre performance artística e enfrentamento político. Já o pesquisador Adeyemi Oikelome, em estudo publicado no Journal of Arts and Humanities, caracteriza suas apresentações como um conceito de “teatro total”, em que música, dança e elementos visuais se integravam de forma indissociável, com participação direta do público.

A estrutura sonora criada por Fela, marcada por faixas que ultrapassam dez minutos, seções de metais extensas e o chamado “endless groove”, segue influenciando artistas contemporâneos de gêneros distintos, do afrobeats atual ao hip hop internacional. Sua trajetória também inspirou o musical “Fela!”, vencedor de três prêmios Tony na Broadway, e a biografia “Fela: Esta Vida Puta”, do jornalista cubano Carlos Moore.

Seus filhos, Femi e Seun Kuti, seguem à frente de bandas de Afrobeat, mantendo viva a estrutura musical e o discurso político criado pelo pai. O neto Made Kuti também dá continuidade à obra, reforçando que o legado de Fela segue em movimento décadas após sua morte.

Instituto NoFront lança boletim com análises produzidas por mulheres negras sobre macroeconomia

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Gabriela Chaves
Foto: Divulgação

Historicamente postas apenas como as populações mais impactadas pelas crises financeiras e pelas decisões de austeridade, as mulheres negras estão reivindicando e ocupando o lugar de formuladoras e pensadoras da política econômica no Brasil. O Instituto NoFront deu um passo histórico nessa construção ao lançar o primeiro volume dos Boletins Econômicos Instituto NoFront: “Mulheres Negras e Macroeconomia”.

A publicação, que teve seu lançamento presencial realizado em Salvador (BA) e já se encontra disponível para download gratuito, nasceu no contexto marcante do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho. O objetivo é contundente: aproximar novos públicos do debate macroeconômico e reposicionar raça, gênero e território no centro das decisões estratégicas do país.

Composto por análises rigorosas e aprofundadas, o boletim enfrenta temas cruciais que impactam diretamente a vida da população, tais como a posição do Brasil na economia global, a atuação do Poder Legislativo frente ao arcabouço fiscal, e os rumos da política monetária conduzida pelo Banco Central.

A proposta do NoFront rompe com a lógica tradicional do mercado financeiro, que insiste em tratar a economia como um campo neutro e puramente técnico. Ao colocar intelectualizadas e pesquisadoras negras na linha de frente, a publicação demonstra que debater orçamento público, distribuição de poder e desenvolvimento exige olhar criticamente para a realidade social e para a estrutura de desigualdades do país.

“Quando mulheres negras produzem conhecimento sobre macroeconomia, elas deslocam o debate público. A economia deixa de ser vista apenas a partir dos indicadores tradicionais e passa a ser analisada também a partir das desigualdades, dos territórios, do trabalho, da renda e das estruturas de poder que organizam a sociedade brasileira”, destaca Gabriela Chaves, Economista-Chefe do Instituto NoFront.

Para o Instituto NoFront — organização de pensamento estratégico fundada e liderada por mulheres negras —, a iniciativa vai muito além de pleitear recortes pontuais de gênero e raça dentro do modelo econômico vigente. Trata-se de disputar e refundar a concepção de economia, construindo um modelo que seja comprometido, em sua origem, com a justiça racial e a redistribuição real de renda e poder.

Eixos de Análise do Boletim (Vol. 1):

  • O Brasil na Economia Mundial: Inserção soberana e impactos globais.
  • Legislativo e Arcabouço Fiscal: Como o orçamento público distribui ou restringe direitos.
  • Banco Central e Política Monetária: Taxa de juros, inflação e os efeitos diretos no cotidiano das periferias e no trabalho das mulheres negras.

Atuando nas frentes de pesquisa, formação e incidência política, o NoFront fortalece a produção intelectual negra e abre caminhos para que mulheres negras atuem ativamente na formulação de políticas públicas, narrativas e agendas para o Brasil e o Sul Global.

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Luciana Barreto investiga o legado e a imagem de Tia Ciata, a matriarca do samba, em ‘Caminhos da Reportagem’

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Caminhos da Reportagem da TV Brasil
Créditos: Divulgação/TV Brasil

Matriarca do samba e ialorixá símbolo de resistência da cultura negra no Brasil, Hilária Batista de Almeida, a Tia Ciata, teve sua história e os mistérios que cercam seu legado investigados no episódio “Tia Ciata: a matriarca do samba”, do programa Caminhos da Reportagem. Exibida nesta segunda-feira (27) pela TV Brasil, a produção já está disponível no YouTube e no site oficial da emissora.

Em entrevista ao Mundo Negro, a jornalista Luciana Barreto comentou sobre os bastidores da reportagem e as revelações com a produção: “Nós começamos essa investigação sobre a vida da Tia Ciata através de uma foto que, supostamente, seria inédita. O mais interessante para mim e para a equipe foi descobrir, ao longo do percurso, que o registro que era nosso ponto de partida não era inédito. No entanto, foram muitas outras lacunas na vida dessa personagem que inacreditavelmente estavam aguardando para serem preenchidas. Qual o rosto real da Tia Ciata? Quantos filhos teve? Como era a esfera de poder desta mulher? Por que ainda não temos essas respostas? Tudo isso mostrou que a Tia Ciata, como outras personagens fundamentais para a história do Brasil, sofrem de apagamento e negligência. Isso é revoltante”, destacou.

A vida e o legado de Tia Ciata se entrelaçam com a história do samba e da cultura negra no país. Baiana do Recôncavo, ela fez parte do movimento de mulheres que migrou para o Rio de Janeiro no final do século XIX e início do século XX, conhecido como “diáspora baiana”. Na capital federal, tornou-se referência religiosa, humanitária e cultural, exercendo uma influência que continua a reverberar mais de cem anos após a sua morte.

Debates sobre a imagem e o patrimônio

Uma das dúvidas apontadas pela produção diz respeito à verdadeira imagem de Hilária. A historiadora e pesquisadora Angélica Ferrarez, estudiosa das “tias do samba”, argumenta que a famosa foto feita na Bahia pelo fotógrafo alemão Rodolpho Lindemann não seria de Ciata, já que ela mudou-se para o Rio em 1876, aos 22 anos, e a imagem teria sido tirada quando ela já morava na capital carioca.

Por outro lado, a bisneta e presidente da Casa de Tia Ciata, Gracy Mary Moreira, explica que a bisavó viajava com frequência para a Bahia por ser “mãe pequena” no terreiro de João Alabá, famoso babalaô e fundador do primeiro terreiro de candomblé do Rio de Janeiro. Gracy também destaca um estudo de antropologia forense realizado com a foto de Lindemann e imagens de familiares para verificar a hereditariedade.

Outro ponto abordado é o patrimônio e os descendentes de Ciata. O inventário de Hilária, arquivado no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, registra que quatro filhos dividiram a quantia de três contos de réis. A pesquisadora Jéssica Costa pontua que essa riqueza econômica garantiu estabilidade para a família após a sua morte, em 1924.

O quintal da Praça Onze

O programa também destaca a importância da casa de Ciata na extinta rua Visconde de Itaúna, na Praça Onze. Foi em seu quintal que Ciata possivelmente participou da criação de “Pelo Telefone”, o primeiro samba registrado no Brasil, em 1916, por Donga e Mauro de Almeida. O escritor e historiador Luiz Antônio Simas analisa que o local era um núcleo de extrema relevância tanto para a religião quanto para a música popular urbana em formação.

A planta do imóvel foi reconstituída pela arquiteta Luciana Mayrink, mostrando que as manifestações religiosas ocorriam no terreiro ao fundo do terreno, enquanto o samba acontecia no galpão da frente, forming um quintal protegido.

Essa herança deixada por Ciata e outras tias ilustres, como Tia Carmem, Tia Amélia e Tia Perciliana, permanece viva no presente. O episódio mostra esse paralelo ao visitar o Cafofo da Tia Surica, em Madureira. A cantora e matriarca da Portela também realiza festas com rodas de samba em seu quintal e ressalta a continuidade dessa tradição: “Nós não vamos ser eternos. Então, os que estão vindo agora que deem continuidade. Porque dizem que o samba morre. O samba não morre, nem agoniza.”

Nath Finanças lança canal de notícias sobre economia

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Nath Finanças
Foto: Gabriella Maria

Criada pelo Grupo Nath Finanças, a N3 Notícias aborda mercado financeiro, finanças pessoais e políticas econômicas com linguagem acessível. 

A empresária e educadora financeira Nath Finanças lançou a N3 Notícias, canal dedicado à cobertura de economia, mercado financeiro, finanças pessoais e educação financeira. Disponível nas redes sociais desde 30 de junho, o projeto busca relacionar o noticiário econômico às decisões presentes no cotidiano da população.

Em menos de um mês, a N3 Notícias registrou mais de 5,9 milhões de visualizações e alcançou 1,3 milhão de contas, segundo balanço divulgado pelo Grupo Nath Finanças. O canal pode ser acompanhado pelo perfil @n3.noticias.

Produzido por uma equipe de jornalistas e especialistas, o projeto apresenta notícias e explicações sobre indicadores econômicos, políticas públicas, investimentos, consumo e organização financeira. A proposta é tornar compreensíveis temas frequentemente apresentados por meio de termos técnicos.

O lançamento expande a atuação da empresária na comunicação e na educação financeira. Conhecida pela produção de conteúdos voltados principalmente a pessoas de baixa renda, a empresária construiu sua trajetória abordando dinheiro sem fórmulas prontas e relacionando planejamento financeiro às diferentes realidades econômicas.

“Mais do que informar, queremos criar pontes entre o noticiário econômico e a realidade das pessoas”, afirmou Nath. Para a empresária, o alcance registrado nas primeiras semanas indica que existe demanda por conteúdos econômicos apresentados de maneira mais direta.

Ela também defende que compreender as decisões econômicas pode contribuir para escolhas financeiras mais conscientes e para o exercício da cidadania. “Acreditamos que informação também é uma ferramenta de inclusão social”, declarou.

A N3 Notícias pretende explicar como mudanças em juros, inflação, emprego, renda e políticas públicas chegam à vida das pessoas. O conteúdo é desenvolvido para as redes sociais, onde informações econômicas circulam ao lado de publicações sem contexto ou apuração.

Segundo Nath, a criação do canal não tem o objetivo de substituir a cobertura dos veículos tradicionais. A proposta é ampliar o alcance do jornalismo econômico e chegar também a pessoas que não costumam acompanhar publicações especializadas no assunto.

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