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Do milho à pamonha, à canjica e além: o ingrediente que nunca sai da mesa brasileira

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Foto: gerada por IA

Bruno Manoel (@preto_na_cozinha) pega quatro espigas de milho, separa a palha, bate a polpa com açúcar e manteiga e transforma tudo em pamonha em menos de 30 minutos. A receita parece simples, mas o que ele mostra nos vídeos da campanha #IngredientePrincipal vai além da técnica: o milho, antes de virar símbolo de festa junina, foi alimento central na mesa indígena e afro-brasileira por séculos.

O projeto é uma iniciativa global do TikTok que escolheu o Brasil para sua estreia, em parceria com o Mundo Negro e o Guia Black Chefs, reunindo 20 profissionais negros da gastronomia e nutrição. Bruno é um deles.

Da palha ao saquinho

Pernambucano, nascido em Paulista e radicado no Recife, Bruno Manoel perdeu a mãe aos 16 anos e começou vendendo docinhos com a irmã. Anos depois, foi uma receita de queijadinha publicada nas redes que abriu as portas para uma carreira que hoje soma quase 1 milhão de seguidores no Instagram, a vitória no reality “Que Delícia”, do Mais Você, e a participação no “Chef de Alto Nível”, ambos da TV Globo. Formado pela Le Cordon Bleu, ele construiu um trabalho voltado para tornar a culinária nordestina acessível sem esvaziar sua história.

É essa lógica que ele aplica ao milho. No vídeo da pamonha, Bruno mostra que o processo começa na escolha da espiga, passa pelo aproveitamento integral da palha para fazer o saquinho e termina com o cozimento em água fervente por 20 a 25 minutos. “Tá cansado de tá comendo bolacha, pão? Vai ali comprar quatro espigazinhas de milho, faz uma pamonha, tu tem o que tomar café”, diz. A canjica segue a mesma lógica: poucos ingredientes, tempo de preparo acessível e memória afetiva no resultado.

O milho antes da festa junina

O que o calendário junino popularizou como entretenimento sazonal tem raízes muito mais antigas. O milho chegou à mesa brasileira muito antes da colonização portuguesa, cultivado por povos indígenas que o usavam como base alimentar em diferentes formas: farinha, bebida, mingau, bolo. Com a diáspora africana, o grão foi incorporado à cozinha afro-brasileira e ganhou novos contornos, aparecendo em preparos como a canjica, associada a celebrações e à partilha coletiva. O que a festa junina fez foi recortar esse alimento de sua origem e colá-lo num contexto de folclore regionalizado, apagando a camada indígena e negra que o sustenta.

Bruno Manoel desfaz esse recorte ao mostrar a pamonha e a canjica como receitas do cotidiano, não de festa. Pratos que cabem numa terça de manhã, num café com a família, num inverno qualquer no Nordeste.

Ingrediente que une

O milho é também um dos alimentos mais democráticos da mesa brasileira: está na pamonha pernambucana, na canjica baiana, no curau paulista, no angu mineiro e no cuscuz nordestino. Essa presença transversal é o que o conecta diretamente ao conceito do #IngredientePrincipal: um alimento que atravessa regiões, classes e gerações sem perder sua raiz.

Acompanhe os conteúdos da campanha no TikTok @sitemundonegro e no portal Mundo Negro. #IngredientePrincipal #TheMainIngredient #MilhoNaMesaNegra #CozinhaNordestina #GuiaBlackChefs #MundoNegro

Dendê, feijão-fradinho e sabedoria ancestral: o que a cozinha de terreiro sempre soube sobre nutrição

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Foto: gerada por IA

Feijão-fradinho, azeite de dendê, camarão e cebola. Quatro ingredientes que, juntos, formam o omolocum, prato sagrado de Oxum preparado nos terreiros de candomblé há séculos. O que para muitos parece ritual exótico é, na prática, um sistema alimentar com lógica nutricional, calendário próprio e função social comprovada. Três profissionais negras debatem esse tema na campanha #IngredientePrincipal, iniciativa global do TikTok que o Brasil inaugura em parceria com o Mundo Negro e o Guia Black Chefs.

Sistema alimentar, não folclore

Iyá Sônia Oliveira (@iyasoniaoliveira) explica que cada ingrediente do omolocum tem uma função precisa: o feijão-fradinho é rico em fibras, o dendê concentra vitaminas A e E, o camarão oferece proteína com baixo teor de gordura e a cebola é fonte de vitamina C e vitaminas do complexo B. “Valorizar pratos tradicionais como o Omolocum é valorizar a cultura, ciência e saúde. Nutrir o corpo também é nutrir a nossa identidade e a nossa história”, afirma. O que os terreiros já praticavam há gerações, a ciência da nutrição levou décadas para sistematizar. Além disso, a cozinha de terreiro obedece a um calendário ritual rigoroso: cada orixá tem seus pratos, seus dias e seus ingredientes específicos, o que configura, muito antes de qualquer tendência contemporânea, um modelo de alimentação sazonal e funcional.

Da marmita ao aquilombamento

Em Aracaju, Bianca Oliveira (@user031374378) transformou esse entendimento em espaço físico. A Casa do Dendê, que ela idealizou e conduz, nasceu de marmitas e se tornou referência de cozinha afro-brasileira na capital sergipana, servindo acarajé, abará e feijoada sempre com o azeite de dendê como fio condutor. Chef “soterosergipana”, nascida em Salvador e radicada em Aracaju, Bianca é mulher preta, lésbica, mãe solo e filha de axé, cuja formação não veio de escolas tradicionais de gastronomia, mas das suas origens e da reconexão com a ancestralidade. “Uso a minha cozinha com a história e a cultura africana, desenvolvendo um trabalho de fortalecimento da identidade negra e da ancestralidade”, diz. Finalista do Top 10 da Expo Favela e embaixadora do Fundo Agbara e do Sebrae, ela chegou à campanha com uma cozinha que já é, por si mesma, um manifesto: o dendê não faz mal, o acarajé não é comida menor e o terreiro nunca foi lugar de atraso.

Fome, terreiro e política

A dimensão coletiva da cozinha sagrada é o que orienta a pesquisa de Bruna Crioula (@brunacrioula), nutricionista, mestra em ciências sociais e matrigestora da Crioula Curadoria Alimentar. Ela mapeia como a comida de terreiro funcionou historicamente como rede de segurança alimentar para populações negras periféricas, uma estratégia de enfrentamento à fome que o discurso dominante nunca nomeou como tal. Bruna escolheu a nutrição ainda no ensino médio, após um trabalho escolar sobre a fome, mas encontrou no curso uma lacuna que a desafiou: referências negras e discussões sobre saúde da população negra simplesmente não existiam na grade. A resposta foi construir uma formação paralela, transitando por jornalismo, ciências sociais e economia, até articular o que ela define como alimentação numa afroperspectiva. “Ancestralidade alimenta e esse despertar para nossas heranças e memórias agroalimentares é a nutrição que me representa”, resume.

O que une Iyá Sônia, Bianca e Bruna é o mesmo diagnóstico: o racismo religioso no Brasil também opera na mesa, ao demonizar o dendê, subestimar o acarajé e ignorar a sofisticação nutricional dos pratos sagrados. As três respondem a isso com prática, pesquisa e cozinha no fogo aceso.

Os conteúdos da campanha estão disponíveis no TikTok @sitemundonegro e no portal Mundo Negro. #IngredientePrincipal #TheMainIngredient #ComidaSagrada #CozinhaDeTerreiroé #RacismoReligioso

A mandioca em todas as suas formas: puba, farinha e a raiz que une o Brasil negro

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Foto: reprodução

A mandioca (Manihot esculenta) é cultivada no Brasil há mais de quatro mil anos. Está presente na culinária brasileira desde antes da chegada dos portugueses ao país em 1500 e, segundo o historiador Luís da Câmara Cascudo em “História da Alimentação no Brasil” (1983), é o chamado “pão da terra”, alimento estruturante de povos indígenas, quilombolas e comunidades negras periféricas. Na campanha #IngredientePrincipal, parceria entre TikTok, Mundo Negro e Guia Black Chefs, três chefs mostram como essa mesma raiz se desdobra em formas completamente distintas, atravessando regiões e técnicas sem perder a memória de quem a cultivou.

A sabedoria fermentada do quilombo

O chef @joelhocaetano, que cozinha a partir de sua vivência em comunidade quilombola no Ceará, apresenta a puba, também chamada de carimã, como ingrediente central de sua cozinha. A puba é a massa resultante da fermentação natural da mandioca: a raiz descascada fica submersa em água por sete dias até amolecer, é então lavada e ralada para obtenção da massa. O processo, que parece simples, carrega uma lógica nutricional sofisticada desenvolvida pelos povos originários.

A fermentação resolve um problema central: a mandioca brava contém ácido cianídrico em concentração que pode chegar a 450 miligramas em 100 gramas de raiz, tornando-a tóxica. O processo de fermentação neutraliza esse componente e transforma a raiz em puba, um alimento com mais de 116 lactobacilos. Esse conhecimento não veio de laboratório. Veio dos quilombos.

No vídeo da campanha, Joélho prepara um creme de carimã: leva ao fogo leite, açúcar, cravo e erva-doce, incorpora a massa puba e finaliza com gema de ovo antes de peneirar. “O ingrediente principal é aquele que conta história, traz sabores e utiliza os ingredientes que nos trazem memórias afetivas”, afirma o chef.

O estudioso Câmara Cascudo registrou que carimã é o mesmo que farinha d’água, farinha de puba e mandioca mole, ingrediente base para mingaus e doces clássicos do Norte e Nordeste, como o bolo Souza Leão pernambucano. O creme de Joélho é parte dessa mesma linha histórica, atualizada nas mãos de quem viveu o quilombo.

Da farinha ao prato: a técnica que a Bahia consagrou

A chef @bianca.oliveirachef trabalha com a mandioca a partir de outra entrada: a farinha como substituta do pão na receita do vatapá. O prato tem origem na África Ocidental e chegou ao Brasil por meio dos Iorubá, que o chamavam de ehba-tápa, desembarcando na Bahia onde o dendê foi incorporado à receita. Ao longo dos séculos, a farinha de mandioca se estabeleceu como alternativa natural ao pão em muitas versões regionais.

O vatapá é uma comida baiana desenvolvida no Brasil e representa uma ligação ancestral, um elo de resistência ao longo dos tempos para o povo preto, sendo a culinária baiana responsável pelo sustento de muitas famílias negras baianas.

A versão de Bianca é voltada para pessoas com intolerância ao glúten: a base do vatapá é preparada normalmente e, ao atingir fervura, a farinha de mandioca substitui o pão no papel de espessante, chegando ao mesmo ponto cremoso da receita tradicional. “É um vatapá extremamente leve e que você pode fazer facilmente”, explica a chef. A substituição não é adaptação menor, é reconhecimento de que a mandioca sempre esteve lá.

Milho, memória e raiz nordestina

O chef @brunomanoel_chef fecha o trio com a canjica, prato que aproxima a mandioca do milho na lógica da cozinha preta nordestina. O milho, assim como a mandioca, foi cultivado nos quilombos do Brasil como base da vida econômica e alimentar das comunidades que resistiram ao sistema escravocrata. Ambas as raízes compartilham o mesmo papel histórico: alimentar quem o sistema tentou fazer passar fome.

Para Bruno, a canjica não é sobremesa. “Canjica não é sobremesa não, visse? É uma memória quente servida numa tigela. É raiz, não é luxo não. É sobre continuidade.” A receita leva milho batido com leite de coco e cozinhado em fogo baixo até engrossar, processo que carrega tanto a técnica quanto a afetividade de quem aprendeu na infância.

Uma raiz, muitos saberes

O que Joélho, Bianca e Bruno mostram juntos é que a mandioca não é um ingrediente único. É uma família de saberes que se ramifica conforme quem a maneja: a puba fermentada do quilombo cearense, a farinha que sustenta o vatapá baiano, o milho que vira canjica no Nordeste. No Norte e Nordeste os beijus, farinhas e gomas são alimentos diários que compõem praticamente todas as refeições do dia, mostrando como cada região adaptou o cultivo e uso culinário da mandioca à sua realidade.

Tratar essa raiz como ingrediente simples ou pobre é ignorar a sofisticação técnica de quem a dominou por séculos sem precisar de escola de gastronomia para isso.

Esta matéria integra a campanha #IngredientePrincipal #TheMainIngredient, parceria entre TikTok, Mundo Negro e Guia Black Chefs.

Acompanhe os chefs nas redes: @joelhocaetano, @bianca.oliveirachef e @brunomanoel_chef.

“Eu me dei conta de que dou conta de ocupar todas essas gavetinhas”: Rafael Zulu conta como equilibra empresas, família e carreira na TV

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Rafael Zulu - Foto:

O primeiro negócio de Rafael Zulu quebrou. Era um bar, abriu porque ele sempre foi apaixonado pela noite, e fechou porque ele não sabia o que estava fazendo.

“Quando você está num negócio que não entende, não faz um business plan e não cuida, está fadado ao fracasso. Foi o que aconteceu”, ele conta, em entrevista exclusiva ao Mundo Negro.

Hoje, Zulu é sócio de empresas em frentes bem distintas. Due.inc, no corporativo. Tardezinha, no entretenimento. Adore, incorporadora que está entre as maiores construtoras de Pernambuco. Negócios de hospedagem e tecnologia. Mais o trabalho de ator, que nunca parou, e agora a estreia como apresentador do Papo de Segunda, no GNT.

A trajetória dele interessa por uma razão específica. A maioria das pessoas que empreende no Brasil não é herdeira, começa do zero. E a maior parte das histórias de sucesso circuladas por aí esconde o tombo do começo. Zulu não esconde.

“Acredito que todo mundo que quebra algum dia sai fortalecido para os próximos negócios”, afirma. “Inclusive, sempre digo: ter um sócio que já quebrou na vida é algo positivo, pois esse cara não vai querer passar por aquilo novamente.”

Depois do bar, ele mudou o método. A regra passou a ser uma só.

“Sempre optei por ter sócios que já eram ligados à área. Eu não me meto num negócio do qual não sei absolutamente nada”, diz. “Sempre fui curioso e quis entender de tudo um pouquinho.”

A Tardezinha entrou na vida dele quando ele já tinha, nas palavras dele, “uma capacidade maior de entendimento empresarial”. Se cercou de gente que entendia do negócio. Com a Adore foi igual: sócios do meio da construção civil, com o conhecimento técnico que ele não tinha.

O que Zulu coloca na mesa é o que ele construiu fora do negócio específico. “No final do dia, eu empresto meu relacionamento e meu conhecimento em Marketing, que é minha formação, atuando diretamente nesse setor. Se você entra num negócio com a tranquilidade de querer aprender com quem já está ali, as coisas tendem a dar certo.”

É a lógica de um ecossistema, e ele nomeia assim. “O mercado corporativo exige muito tempo de escritório, e meus sócios contribuem para que eu possa atuar em outras frentes, entendendo que minha presença na TV também abastece o nosso negócio. É um ecossistema que gira.”

A pergunta que segue naturalmente é sobre rotina. Como alguém dá conta de atuação, empresas, apresentação de um programa semanal de TV e ainda mantém a família como prioridade declarada?

“A paternidade pesa, mas confesso que não atrapalha em nada, porque meus filhos crescem com a certeza de que o papai precisa voar para que eles possam voar também”, responde Zulu.

Ele é pai de Luiza, de 19 anos, que segundo ele já cresceu entendendo essa lógica, e de Kalu. “Tudo o que faço é conversado com minha esposa e minha filha.”

A organização, ele diz, vem antes. “Consigo organizar minha vida porque sou um cara organizado. Faço um milhão de coisas, mas sei parar um dia inteiro para ficar com a família.”

E quando não dá para parar, a família vai junto. “Se viajo para um trabalho fora do Rio, por vezes cato o bonde e todo mundo vai comigo. Minha família nunca atrapalhou porque, antes de eles chegarem, eu já trabalhava. Não vou abrir mão da minha vida e do meu trabalho, eles estarão comigo nos meus sonhos.”

Para os próximos cinco anos, a aposta não é concentrar em uma frente. É manter todas.

“Eu me dei conta de que dou conta de ocupar todas essas gavetinhas”, afirma. “A Tardezinha é sazonal, o que é maravilhoso. No ano em que ela acontece, demanda muito, mas geralmente nos finais de semana. Agora no Papo de Segunda, a segunda-feira é um dia tomado, mas o restante da semana a gente administra. É um caos organizado! E eu amo o caos organizado. Não saberia não fazer esse tanto de coisa que eu faço.”

O Papo de Segunda estreia sua 18ª temporada no dia 27 de abril, segunda, às 22h30, no GNT. Rafael Zulu chega ao programa junto com Gil do Vigor, compondo com João Vicente de Castro e Francisco Bosco uma das formações mais diversas da atração em mais de uma década de história.

Sobre entrar no sofá de um programa que ele mesmo já assistiu como fã, Zulu é direto. Ser um dos dois homens pretos da nova formação já diz algo.

“Como um homem preto num programa, a gente sabe que liga a televisão e não se reconhece muitas vezes. Eu me vejo muito pouco na TV, hoje um pouco mais na teledramaturgia”, ele diz. “Então, eu acho que estar ali já é um ato de resistência. Um homem preto ocupando um espaço daquele ali, sem falar nada, já representa uma espécie de militância.”

Ele adianta que não vai se furtar. “Quero falar sobre as minhas questões e as questões da minha comunidade, do meu povo. Se ainda precisamos falar, é porque as coisas ainda estão acontecendo aí fora. Eu seria muito cobrado pela minha comunidade se não trouxesse nossos temas para dentro de uma conversa como essa.”

No fim, a trajetória de Rafael Zulu entrega uma síntese rara. A de um homem preto que ocupa TV aberta, TV paga, conselho de empresa e obra em Pernambuco ao mesmo tempo, e que olha para trás sem esconder o primeiro tombo. O bar que quebrou virou método. O método virou negócio. E o negócio virou ecossistema.

“Respirava fundo para não chorar”: Will vai a Paris com a La Roche-Posay e vive o sonho que começou em uma lan house de Feira de Santana

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Foto: divulgação

 “Eu até brinquei na viagem que a marca estava fazendo um ‘feitiço’ para nos deixar em encantamento , mas a verdade é que toda essa magia gira em torno de muita tecnologia”. O criador de conteúdo baiano William, o Will (@willsosou), embarcou para Paris a convite da La Roche-Posay para vivenciar de perto os bastidores científicos da marca e o lançamento do Mela B3 Double Dose, o produto mais ambicioso da linha Mela B3 no Brasil em 2026. O convite não era apenas para conhecer um produto novo. Era para ir até a origem: visitar a cidade francesa de mesmo nome da marca, entender como nasce cada fórmula e, no caminho, deixar que tudo isso passasse pelo filtro de quem cresceu no interior da Bahia sonhando com um lugar que, por muito tempo, não parecia feito para ele.

La Roche-Posay é, literalmente, o nome de uma pequena cidade no interior da França, na região de Vienne, a sudoeste de Paris. Suas fontes termais são documentadas desde o século XIV, quando a lenda conta que o nobre Bertrand Du Guesclin teria curado um cavalo com eczema nas águas do local. Em 1617, o médico de Luís XIII foi até lá para estudar as propriedades da água, e a fama foi tão grande que Napoleão Bonaparte chegou a fundar um hospital militar na cidade para tratar as lesões de pele de seus soldados.

Em 1905, foi inaugurado o primeiro Centro Termal da cidade. Em 1913, La Roche-Posay foi reconhecida oficialmente como termal e, em 1975, o farmacêutico René Levayer fundou o laboratório dermatológico que hoje é a marca mais recomendada por dermatologistas no mundo. Toda essa história não é detalhe de brochura. É o que Will viu de perto, e é o que moldou a forma como ele passou a falar sobre a marca depois que voltou.

Will não é um influenciador de beleza no sentido tradicional. Ele é comunicador, criador de conteúdo e uma voz crítica nas redes sociais, conhecido por questionar o que não faz sentido e defender o que é genuíno. Não é o tipo de perfil que costuma aparecer em viagens de imprensa de marcas de skincare, e é exatamente por isso que a escolha importa.

“Eu sentia vontade de chorar em diversos momentos. Acho que pessoas como eu, que vêm do mesmo lugar que eu, vão entender o abismo que existe entre a escassez e o medo de defender o certo, o que acaba nos deixando em uma situação de muita vulnerabilidade. Eu parava, observava aquelas pessoas lindas, os criadores que a marca selecionou, a própria marca ali presente, e me lembro de respirar fundo para não chorar enquanto agradecia, porque, sem dúvidas, a partir disso eu me senti pertencente. Era como um mantra na minha cabeça: eu repetia ‘eu mereço, eu mereço’. Vendo toda aquela grandiosidade, o carinho da marca comigo e os amigos criadores, todos pessoas éticas, eu me senti tão acolhido. Ainda estou degustando essa sensação.”

O que Paris representa quando você vem de Feira de Santana

Will cresceu no interior da Bahia. Suas primeiras referências de beleza e comunicação vieram de uma gráfica longe de casa, onde ele acessava a internet para assistir às primeiras blogueiras de maquiagem no YouTube. Paris, enquanto epicentro global da indústria da beleza, não estava no horizonte óbvio de alguém com essa trajetória, e é justamente esse descompasso que ele articula com precisão.

“Eu não cresci me vendo representado onde sonhei estar. Sou uma pessoa muito afetuosa, minhas memórias são muito latentes, como se estivessem cristalizadas. Eu conseguia ver o Willian que andava muito para chegar a uma gráfica só para acessar a internet e entrar no YouTube para assistir às minhas primeiras blogueiras de maquiagem, que já viviam a realidade que eu desejava. Isso tudo lá do interior da Bahia, em Feira de Santana. Quando eu desisto da beleza no sentido de postar vídeos de maquiagem, como fazia na adolescência, e descubro na minha comunicação a ponte para me conectar comigo mesmo, percebo que tudo faz parte da construção. Estando ali, eu pensava nos meus primos, nos pequenos da minha família e no quanto isso significava como reparação. Me senti em uma vitrine, sendo visto pelo mundo como pertencente àquele lugar, e eu sou. Foi um despertar em todos os sentidos: minha mãe, minha irmã e meu noivo, no Brasil, emocionados com a minha conquista, e eu sendo inspiração para todos eles. Foi fantástico.”

O relato de Will toca diretamente numa questão que o veículo Mundo Negro acompanha de perto: a ausência histórica de pessoas negras e periféricas em narrativas de prestígio dentro da indústria da beleza global. Que Paris ainda seja um lugar onde essa presença precisa ser nomeada como conquista diz muito sobre o tamanho do caminho que ainda existe.

Bastidores da ciência

A viagem não foi só sobre experiência emocional. A La Roche-Posay levou os criadores aos bastidores da marca, incluindo a visita à cidade que dá nome ao laboratório, onde as fontes termais seguem sendo usadas como base dos produtos. Mais de 840 estudos clínicos sustentam as fórmulas da marca, e os recursos termais atendem inclusive pacientes oncológicos e com doenças de pele graves em tratamento dermatológico.

Will saiu de lá com outra leitura sobre o que significa falar de uma marca de skincare.

Foto: divulgação

“Eu até brinquei na viagem que a marca estava fazendo um ‘feitiço’ para nos deixar em encantamento , mas a verdade é que toda essa magia gira em torno de muita tecnologia. E eu afirmo que a marca fez algo inédito: mostrar além da embalagem, do roteiro e do alinhamento publicitário. Mostrar onde tudo nasce, como começa, a ciência e o cuidado em cada etapa. Nunca mais eu vou falar da marca de qualquer forma. Já existia um cuidado da minha parte, mas depois de ver o impacto social e o cuidado com pessoas reais que utilizam esses recursos como ferramenta de tratamento, inclusive em casos de câncer e outros problemas de pele, eu entendi que preciso ser ainda mais responsável ao falar sobre ela, porque há muito cuidado e ciência envolvidos.”

O produto

O Mela B3 Double Dose é o lançamento central dessa parceria. O carro-chefe da linha Mela B3 combina dois ativos patenteados: o Melasyl, molécula desenvolvida ao longo de 18 anos de pesquisa com respaldo de 45 patentes globais, e o Proxylane, ativo com ação firmadora. O mecanismo do Melasyl é considerado inédito no mercado: em vez de agir na produção de melanina como a maioria dos ativos antimanchas, ele intercepta o excesso de melanina antes que ele cause manchas na pele, sem alterar o tom natural de quem usa. O Double Dose tem fórmula de textura emulsão leve, foi testado em pele brasileira e é adequado para uso diário, tanto de manhã quanto à noite. Os dados clínicos da fórmula indicam 97% de correção visível de manchas e redução de 75% nas rugas em uma semana de uso, além de pele 20% mais firme em quatro horas.

Para Will, a linha é especialmente relevante porque resolve um problema que ele viveu na própria pele, literalmente.

“Eu amei, porque sempre que ouço a palavra ‘relevante’, me sinto sendo chamado [risos]. Quero responder de forma muito pessoal. Eu sempre tive problemas com manchas: a acne vinha seguida de manchas. Fiz uso de muita medicação com acompanhamento profissional, e isso afetou muito minha saúde, de tanto trauma em ter a pele manchada. Meu medo sempre foi a espinha aparecer e deixar rastro. Com o uso do Mela B3, foi a primeira vez que eu comprovei na minha pele que não surgem manchas no pós-acne. Eu vejo essa tecnologia, na minha opinião, como a mais promissora da marca na atualidade, porque imagina interceptar a mancha antes mesmo que ela aconteça? Amo que não deixa a pele oleosa, posso usar diariamente e também à noite antes de dormir, e minha pele nunca esteve tão iluminada. Eu até brinquei que queria uma banheira de Mela B3, porque ele uniformiza a pele sem me desbotar, respeitando que eu sou uma pessoa preta. Ele age na mancha, e não no tom da pele.”

Foto: divulgação

Esse ponto não é cosmético. Para peles negras, a hiperpigmentação pós-acne é uma das queixas dermatológicas mais comuns e uma das menos atendidas pelo mercado tradicional de skincare, que por décadas desenvolveu produtos calibrados para outros fototipos. Um ativo que age especificamente no excesso de melanina sem interferir no tom natural da pele tem implicações concretas para esse público.

O que fica

Will parte para Paris como um criador de conteúdo crítico e volta com o que, segundo ele, é uma mudança de perspectiva sobre o que significa falar de autocuidado.

“Sim, o processo. Deu para perceber que tudo leva tempo e que pele saudável exige dedicação. Durante a viagem, parecia um filme, tudo muito perfeito. Eu dizia aos meus amigos que parecia um show da Beyoncé: tudo funciona, tudo performa bem. Mas existe muita dedicação, detalhe e muita pesquisa por trás. Então, o que eu quero transmitir é que pele bonita não nasce da noite para o dia, mas sim da dedicação diária com os produtos certos. Essa viagem tira a ideia de aceleração e abre espaço para entendermos a importância do autocuidado com tempo e produtos de qualidade.”

O Mela B3 Double Dose está disponível nas principais farmácias e redes de beleza do Brasil. Para acompanhar o conteúdo de Will sobre a experiência, acesse o Instagram dele em @willosou. A La Roche-Posay pode ser acessada no Instagram em @larocheposaybr.

Turistas simulam chicotadas em monumento onde escravizados eram açoitados em Mariana (MG)

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Foto: Reprodução/Redes Sociais/G1

Um novo vídeo que circula nas redes sociais expõe um grupo de turistas no Pelourinho de Mariana, na Região Central de Minas Gerais, simulando uma cena de tortura no monumento histórico.

No período colonial, a estrutura de pedra, localizada na Praça Minas Gerais, era utilizada para açoitar e humilhar pessoas negras escravizadas como forma de punição pública.

No registro, é possível ver um grupo de mulheres diante do monumento. Em um momento de absoluto desrespeito, uma delas se pendura nas argolas de ferro e grita: “me bate”. Ao redor, outras pessoas observam a cena.

O caso foi criticado pelo vereador Pedro Sousa (PV). “Quem nasceu em Mariana já presenciou turistas que se sentem à vontade para ir até a Praça Minas Gerais e gravar vídeos ou tirar fotos imitando pessoas pretas escravizadas no Brasil e em nossa própria cidade”, escreveu nas redes sociais.

Para o vereador, a atitude é uma forma de violência simbólica que fere a dignidade da população negra. “Esse tipo de atitude, carregada de estereótipos, dor e desrespeito, fere a dignidade do povo preto, que foi sequestrado da África e, mesmo após tantas marcas da história, ainda precisa lidar com esse tipo de teatro barato. É preciso lembrar que a escravidão foi um dos maiores crimes contra a humanidade, e que Mariana foi construída com o sangue de pessoas negras”, reforçou.

O parlamentar reiterou que a postura dos visitantes é inaceitável. “Turistas que tratam esse sofrimento como entretenimento mostram que ainda precisam aprender muito sobre a história. Para mim, esse tipo de postura não é bem-vinda na nossa cidade.”

Idosa é presa em Salvador após dizer que era “superior” ao PM negro “em razão de sua raça”

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Uma idosa de 74 anos foi presa em flagrante, nesta terça-feira (21), após proferir ofensas racistas contra um policial militar no Largo de Santana, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador. A mulher, cuja identidade não foi revelada, disse ao agente que seria “superior em razão de sua raça”.

O caso ocorreu enquanto a equipe da Polícia Militar realizava patrulhamento de rotina na região, um dos polos culturais e boêmios mais movimentados da capital baiana. Segundo informações da Polícia Civil, a mulher abordou os agentes questionando a atuação policial no local. Mesmo após receber os esclarecimentos necessários, a idosa elevou o tom e atacou um dos policiais, de 23 anos, com falas racistas.

Diante da gravidade da ofensa, a mulher foi conduzida à delegacia, onde foi autuada em flagrante. Ela segue sob custódia e à disposição da Justiça. O caso está sendo conduzido pela Delegacia Especial de Atendimento ao Idoso, que realiza oitivas e diligências para dar continuidade às investigações.

No vídeo divulgado pela Polícia Militar no momento da prisão, é possível notar que a mulher resistiu à detenção e tentou minimizar o crime. “Meu avô também era preto. Como é que eu posso ser racista?”, questionou aos agentes.

“O cara me acusou porque eu falei que lá em Brasília só tem branco e não tem ninguém armado desse jeito, entendeu?”, alegou a idosa. Ela ainda tentou comparar as normas de segurança para justificar seu incômodo. “Em Brasília, ninguém pode andar com uma arma dessa na rua, que é área de segurança nacional. Quando eu vejo uma arma dessa, me sinto muito mal, porque eu acho que vai acontecer uma coisa terrível”, afirmou.

Visivelmente exaltada, a idosa ainda tentou intimidar os policiais mencionando que a filha trabalha no Banco do Brasil. “Eu sou uma senhora que eu tenho 74 anos, tenho família, cara. Não sou uma coitada”.

Segundo a Lei 7.716/1989, a pena para o crime de injúria racial pode chegar a cinco anos de reclusão, além do pagamento de multa.

Condenado pelo assassinato de Mãe Bernadete que estava foragido morre em confronto com a polícia na Bahia

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Foto: Divulgação/SSP-BA

Apontado como o mandante do assassinato da ialorixá e líder quilombola Mãe Bernadete, Marílio dos Santos, conhecido como “Maquinista”, morreu na madrugada desta quinta-feira (16) após um confronto com a Polícia Militar na zona rural de Catu, na Região Metropolitana de Salvador. O caso ocorreu durante uma tentativa de cumprimento de mandado de prisão pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), dois dias após ele ter sido condenado pela Justiça a 29 anos e 9 meses de reclusão.

Apontado como liderança do tráfico de drogas na região, Marílio foi julgado à revelia pelo Tribunal do Júri na última terça-feira (14), no Fórum Criminal Ruy Barbosa. A investigação concluiu que ele ordenou a execução de Mãe Bernadete em razão da oposição que a líder quilombola exercia contra as atividades criminosas no território.

Além dele, Arielson da Conceição dos Santos, identificado como executor do crime, também foi condenado à mesma pena pelos crimes de homicídio qualificado — por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima — e roubo.

Mãe Bernadete foi morta em agosto de 2023, dentro de sua casa no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho. Na ocasião, homens armados invadiram o imóvel e efetuaram 25 disparos contra a liderança religiosa na presença de seus netos. Maquinista figurava no “Baralho do Crime” da SSP-BA como o “Ás de Ouros”, sendo considerado um dos foragidos mais perigosos do estado antes de ser localizado pelas autoridades.

HHWC completa um ano e reforça que cuidado também é direito das mulheres negras

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Foto: Divulgação

Se você fechar os olhos e pensar em um treino, provavelmente virá à mente aquela imagem fria de academia, espelhos e um silêncio que nem sempre nos convida a entrar. Mas o Hip Hop Workout Collective (HHWC) virou essa mesa. Quem chega em um encontro do HHWC é imediatamente atingido por uma dose massiva de vitalidade. Não se trata apenas de uma aula de funcional ou de uma playlist bem curada; é sobre a visão de dezenas de mulheres negras, de todas as idades e tons, ocupando o espaço com o que têm de mais belo. É um ambiente onde a estética e a saúde caminham juntas, provando que o autocuidado para nós nunca foi apenas sobre vaidade, mas sobre a manutenção da nossa própria alegria.

Celebrar um ano de trajetória é confirmar que o movimento do corpo, para o povo negro, continua sendo uma linguagem sagrada. Se no Bronx o Hip Hop nasceu para substituir a violência pela arte, em São Paulo o HHWC utiliza essa mesma cultura para retomar um território que muitas vezes nos é negado: o direito de sermos cuidadas. Em um contexto onde mulheres negras são historicamente colocadas no papel daquelas que servem, que limpam e que sustentam o mundo ao redor, ter um lugar onde o foco é o nosso próprio bem estar é revolucionário.

Para Caroline Araujo, a força desse encontro geracional é o que move a engrenagem do coletivo.

“Ver tantas mulheres cantando juntas, treinando e cuidando de si mesmas, algumas pela primeira vez com essa dedicação. Encontrar gerações diferentes no mesmo evento, desde filhas às avós, é realmente algo que emociona não apenas pela quantidade, mas exatamente por entendermos que podemos e merecemos esse cuidado. Tudo que propomos no HHWC é com muito carinho, desde as frutas, a elaboração de cada sacolinha, e fazer isso com um time de mulheres por trás, todas dedicadas e empenhadas em fazer acontecer. Sou grata a quem acredita e confia no nosso trabalho desde a primeira edição. E não poderia deixar de agradecer às minhas amigas e sócias por tornarem isso tudo mais leve, divertido e também possível”

Essa leveza mencionada por Caroline é o diferencial que faz as mulheres voltarem. O coletivo entende que o acesso à saúde é uma das nossas maiores vulnerabilidades estruturais e, por isso, transforma o treino em uma experiência de pertencimento. Juliana Oliveira reforça que o exercício físico, quando aliado ao propósito de vida, tem o poder de transformar realidades e fortalecer os laços entre mulheres que compartilham as mesmas vivências.

Foto: divulgação

“1 ano de HHWC e parece que foi ontem que iniciamos, passou muito rápido e ver onde chegamos me emociona. O exercício físico mudou a minha vida quando mais nova e hoje faço disso, um propósito de vida e o HHWC se tornou um dos meus propósitos! Trabalhar com mulheres como minhas sócias, faz tudo ser mais leve, duas mulheres extremamente inteligentes e capazes de fazer qualquer ideia funcionar. Sou grata por ser do HHWC”

O crescimento do projeto é nítido e a emoção de quem esteve lá desde a primeira aula, quando tudo ainda era um rascunho entre amigas, transborda em cada nova edição. Juliane Daianny, ao olhar para trás, enxerga não apenas um ano de aulas, mas um ano de construção de uma rede que agora se prepara para novos voos, incluindo a expansão para o Rio de Janeiro e novos formatos de experiência.

Foto: divulgação

“Uma das edições mais emocionantes que já tivemos! Me emocionei no palco ao lembrar da primeira aula que fizemos há 1 ano atrás. E ver o quanto crescemos, traz uma sensação de gratidão e recompensa.”

O Hip Hop Workout nunca faz o básico e a próxima fase promete elevar o nível da experiência. Em São Paulo, no dia 18 de abril, o coletivo prepara uma aula temática especial em homenagem ao lançamento do filme de Michael Jackson. O evento acontece em um formato inédito: uma versão pocket, com vagas limitadas e clima intimista dentro da academia The Yard, unindo o treino funcional ritmado à intensidade que já é marca registrada do grupo.

Além das novas edições em solo paulista e carioca, o projeto celebra uma novidade institucional: o HHWC agora é parceiro de mídia do Mundo Negro. As fundadoras passarão a assinar conteúdos sobre atividade física e saúde, trazendo a expertise de quem entende que o movimento do corpo negro é, acima de tudo, um ato de preservação da nossa história.


AGENDA HHWC

São Paulo — Especial Michael Jackson

  • Data: 18 de abril
  • Local: The Yard SP
  • Horários: 08h30 e 10h00
  • Vagas: Super Limitadas

Rio de Janeiro

  • Data: 02 de maio
  • Ingressos e informações: linktr.ee/hhwc.br

Executor e mandante do assassinato de Mãe Bernadete são condenados a 40 e 29 anos de prisão

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Foto: Henrique Duarte

Executor e mandante do assassinato de Mãe Bernadete são condenados a 40 e 29 anos de prisão

O Tribunal do Júri da Comarca de Salvador condenou na noite desta terça-feira (14) os dois réus pelo assassinato da ialorixá e líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira, a Mãe Bernadete. Arielson da Conceição dos Santos foi sentenciado a 40 anos, 5 meses e 22 dias de prisão. Marílio dos Santos, apontado como mandante, recebeu pena de 29 anos e 9 meses. Ambos cumprirão pena em regime fechado.

Mãe Bernadete foi assassinada em 17 de agosto de 2023 com 25 tiros na sede da associação do Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. Ela estava com seus três netos quando foi atingida. Tinha 72 anos e era uma das principais lideranças da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq).

O crime e a motivação

As investigações apontaram que o crime foi motivado pela oposição firme de Mãe Bernadete às atividades ilícitas na comunidade, especialmente à instalação de pontos de venda de drogas e à ocupação irregular de áreas por integrantes do Bonde do Maluco (BDM). Marílio, conhecido como “Maquinista”, mantinha uma barraca usada para o comércio de drogas dentro do quilombo, e Mãe Bernadete exigia a retirada.

Antes de morrer, a liderança quilombola havia denunciado publicamente as ameaças que sofria e chegou a ser incluída em um programa de proteção a defensores de direitos humanos. A proteção não foi suficiente.

O julgamento

A sessão começou na manhã de segunda-feira (13) no Fórum Ruy Barbosa e terminou na noite desta terça. Os sete jurados acolheram a tese da acusação e condenaram a dupla por homicídio qualificado, por motivo torpe, meio cruel, com impossibilidade de defesa da vítima e utilização de arma de uso restrito.

Réu confesso, Arielson optou por responder apenas perguntas da defesa durante o interrogatório. Marílio, foragido, foi julgado na presença de advogados que o representaram. Além da condenação pelo homicídio, Arielson também foi sentenciado pelo roubo de cinco aparelhos celulares durante o crime.

O advogado da família, Hédio Silva Jr., que atuou na acusação ao lado do Ministério Público, havia declarado antes do veredicto que as provas eram irrefutáveis: grampos telefônicos, perícias e testemunhos. “Temos um conjunto de provas irrefutáveis. Nossa expectativa é que os jurados não tenham nenhuma dúvida e condenem à pena máxima”, afirmou. O resultado confirmou a tese da acusação em todos os crimes imputados aos réus.

Para o filho de Mãe Bernadete, Jurandir Pacífico, o veredito representa um primeiro passo. “Sensação de justiça sendo feita. Foram dois dias de martírio total”, disse ele, acrescentando que espera pena máxima para os demais envolvidos.

Ainda há réus a julgar

Outros três denunciados pelo Ministério Público, Sérgio Ferreira de Jesus, Josevan Dionísio dos Santos e Ydney Carlos dos Santos de Jesus — ainda serão submetidos a julgamento, sem data definida.

A Anistia Internacional, que acompanhou o caso, reconheceu a condenação como um avanço, mas alertou que a justiça só será completa com a responsabilização de toda a cadeia envolvida no crime e com mudanças estruturais no programa de proteção a defensores de direitos humanos.

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