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Estudante de 8 anos conquista medalha na maior olimpíada internacional de matemática

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Foto: Reprodução/EPTV

Samuel Souza Dias, de Ribeirão Preto (SP), ficou entre os 10% melhores do Brasil na Olimpíada Canguru de Matemática e viralizou nas redes sociais.

O estudante Samuel Souza Dias, de 8 anos, morador de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, conquistou uma medalha de honra ao mérito na Olimpíada Canguru de Matemática, considerada a maior competição internacional da modalidade. O resultado colocou o menino entre os 10% melhores participantes brasileiros da edição deste ano.

Samuel é filho da decoradora Lilian Lopes, mãe solo de três crianças. Diariamente, a família percorre a pé mais de três quilômetros entre a casa e a escola dos meninos, trajeto que leva cerca de duas horas somando ida e volta. Segundo Lilian, não há carro disponível nem linha de ônibus que atenda o percurso de forma direta, o que tornou a caminhada a alternativa viável para manter as crianças estudando.

Em casa, os filhos seguem uma rotina com horários definidos para tarefas escolares e lazer. Lilian afirma acompanhar de perto o desempenho dos três nos estudos antes de liberar tempo para brincadeiras e televisão.

“O estudo tem que ser priorizado para todos”, declarou Lilian, em entrevista à EPTV/g1 Ribeirão e Franca, ao comentar o significado da medalha do filho. Ela relacionou a conquista à superação das dificuldades enfrentadas pela família no dia a dia.

Samuel também comentou o resultado. “Gostei tanto do resultado, que até queria outra medalha”, disse o menino, que citou operações de divisão, subtração e multiplicação entre os temas cobrados na prova.

Um vídeo publicado por Lilian sobre a conquista do filho ultrapassou 400 mil visualizações nas redes sociais e foi compartilhado pela apresentadora Ana Maria Braga, o que ampliou a repercussão da história para além de Ribeirão Preto.

Mahershala Ali confirma fim de projeto de “Blade”: “Se eles quisessem fazer, nós teríamos feito”

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Foto: Blade Mahershala Ali/Divulgação

Em entrevista à GQ, ator afirma que decisão partiu da Marvel Studios e revela novo projeto ao lado do diretor Bassam Tariq após anos de atrasos.

O ator Mahershala Ali confirmou, em entrevista concedida à revista GQ, que não interpretará mais o personagem Blade no Universo Cinematográfico da Marvel. A declaração encerra sete anos de expectativa em torno do reboot do caçador de vampiros, apresentado ao público durante a San Diego Comic-Con de 2019.

Ali afirmou que a decisão de não avançar com o projeto partiu do próprio estúdio. “Se eles quisessem fazer, nós teríamos feito”, declarou o ator, em referência à Marvel Studios. Ele acrescentou considerar o assunto encerrado e disse não pretender voltar a comentar as motivações do estúdio para o impasse.

A entrevista foi divulgada poucos dias depois de o presidente da Marvel Studios, Kevin Feige, afirmar publicamente que se sente um fracasso por não ter conseguido viabilizar o filme. O comentário reconheceu as dificuldades enfrentadas pelo estúdio ao longo do desenvolvimento do projeto.

Apresentado ao público na Comic-Con de 2019, o filme nunca chegou a gravar uma cena sequer com Ali no papel principal. A única aparição do ator como Blade no Universo Marvel ocorreu na cena pós-créditos de “Eternos”, lançado em 2021, quando ele apareceu em uma participação por voz.

O desenvolvimento do longa passou por trocas sucessivas de diretores e roteiristas, incluindo a saída do cineasta Bassam Tariq em 2022, que havia sido escalado para comandar a produção. O projeto se tornou um exemplo de atraso prolongado entre as produções da Marvel Studios na atual fase do estúdio.

Ali afirmou ter encontrado outro projeto significativo em “Your Mother Your Mother Your Mother”, novo longa dirigido por Tariq. O reencontro profissional entre os dois resultou, segundo o ator, em um trabalho mais alinhado às suas expectativas artísticas do que a experiência vivida com Blade.

Ali deixou claro que não pretende retomar o assunto publicamente e devolveu ao estúdio qualquer explicação pendente sobre o desfecho do projeto. Até o momento, a Marvel Studios não se pronunciou sobre o futuro de Blade dentro do Universo Cinematográfico.

Powerlist Mundo Negro 2026 chega a sua 5ª edição celebrando o talento das mulheres negras brasileiras  

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Premiadas e anfitriã reuniadas na Powerlist Mundo Negro
Foto: Cultne

Hoje foi dia de celebração, encontros potentes e afirmação do protagonismo de mulheres negras que estão transformando o Brasil. No ano em que completa sua quinta edição, a Powerlist Mundo Negro – Mulheres Negras Mudam Histórias voltou ao Rio de Janeiro, local onde a primeira edição do prêmio foi realizada. O encontro reuniu homenageadas, executivas, artistas e lideranças em um brunch especial na sede da L’Oréal Brasil, como parte das celebrações do Julho das Pretas, Latino-Americanas e Caribenhas.

“O que me move é exaltar o talento de outras mulheres. Mulheres que, como eu, trabalham não pela egotrip de aparecer, mas para impactar a comunidade e o mundo. De 2022 até aqui, já homenageamos 40 mulheres de diversas áreas, incluindo medicina e ciência. No ano passado, somamos ao júri técnico o voto popular, para receber indicações de mulheres incríveis de todo o país que mudam histórias dentro e fora da nossa comunidade.”, celebrou Silvia Nascimento, fundadora e Head de Conteúdo do Mundo Negro e anfitriã da premiação. 

O evento contou com o patrocínio do Grupo L’Oréal e da TV Globo — representada pela parceria com a novela das seis A Nobreza do Amor.

Homenagem às vencedoras da premiação

Com a marca histórica de quase 20 mil votos computados ao longo de suas fases e 854 indicações, a premiação reforçou o papel de dar visibilidade a trajetórias de excelência de mulheres negras. A entrega dos troféus promoveu momentos de intensa emoção. Conduzidas por Silvia Nascimento e pelo trio de entregas no palco — composto pela Dra. Katleen Conceição, pela executiva Aline Lima, por Livia (Diretora de Marketing Digital da L’Oréal) e pela atriz Duda Santos —, as premiadas compartilharam mensagens marcantes ao receberem seus reconhecimentos.

Representando a categoria Ciência, Tecnologia e Inovação, a cientista da computação Nina da Hora foi aplaudida por sua atuação na democratização da tecnologia e no combate a viéses algorítmicos.

“A gente trabalha tanto que não vê onde está chegando. A gente só vê quando acontece um problema ou uma homenagem como essa” , declarou Nina da Hora.

Outras homenageadas do júri técnico incluíram a escritora Conceição Evaristo (Trajetória Transformadora) e a cantora Urias (Cultura, Artes e Entretenimento), que enviaram mensagens especiais em vídeo, além da empresária Val Benvindo (Diversidade e Impacto Social) e Eduarda Vieira (Liderança Corporativa).

Nas categorias decididas pelo público, o afroempreendedorismo mostrou sua força de mobilização. Celebrada como Empreendedora do Ano, Fany Miranda subiu ao palco para receber o troféu entregue pela atriz Duda Santos.

“Eu fui uma pessoa em situação de rua. Não tive essas mulheres comigo na época e hoje é um privilégio estar aqui. […] Sou muito honrada pelas mulheres que vieram antes de mim e abriram as portas. A gente tem a obrigação de deixar essa porta aberta para que outras venham e passem.” ressaltou Fany Miranda. 

A votação popular também consagrou Cicih Lima (Criadora Digital), Letícia Maria (Profissional da Beleza), Saint Clair Cezar (Destaque em Gastronomia) e Madá Negrif (Profissional da Moda).

Foto: Cultne

O poder da autoconfiança

A programação de talks foi aberta com o painel Power Talks Kérastase, mediado por Silvia Nascimento, trazendo reflexões sobre como a autoconfiança impacta a presença e o crescimento de mulheres negras no mercado e na sociedade. O diálogo contou com a participação da escritora Luanda Vieira e de Eduarda Vieira, Head de Comunicação na L’Oréal no Brasil e uma das homenageadas do dia na categoria Liderança Corporativa.

Eduarda Vieira, Silvia Nascimento e Luanda Viera – Fotos: Cultne

Durante o papo, as convidadas abordaram como a construção de redes de apoio e mentoria fortalecem a caminhada profissional.

“Representatividade nada mais é do que a gente se sentir possível, […] e quando a gente se sente possível ninguém para a gente de fato, quando a gente entende que existem outras pessoas em lugares que a gente gostaria de chegar, a gente realmente entende que também fomos feitos para estar lá”, afirmou Luanda Vieira. 

Mulheres negras na teledramaturgia 

Encerrando a sequência de painéis, o segundo talk do dia foi mediado pela jornalista Laís Gomes e trouxe ao palco a atriz Duda Santos, protagonista da novela A Nobreza do Amor, e Larissa Régia, gerente de Marketing da TV Globo. Elas destacaram a importância do protagonismo negro em histórias exibidas em horário nobre e a presença de lideranças negras na construção das narrativas nos bastidores da mídia.

 Duda Santos, Laís Gomes e Larissa Regis - Fotos Cultne
Duda Santos, Laís Gomes e Larissa Regis – Fotos Cultne

“Quando uma criança me vê na rua, não vê apenas uma atriz ou uma princesa. Acho que vê possibilidade e esperança também. […] Entrar na casa das pessoas todos os dias e mostrar para as crianças que muita coisa é possível é muito potente. A gente tem um poder imenso nas mãos. A gente colabora para um futuro melhor.”, concluiu Duda Santos.

Marvel cancela segunda temporada de ‘Wonder Man’ meses após anunciar renovação

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Foto: divulgação

Yahya Abdul-Mateen II concorre ao Emmy pelo papel de Simon Williams em Wonder Man, série cancelada pela Marvel meses após ter renovação confirmada.

A Marvel Television cancelou a série Wonder Man, do selo Spotlight exibida pelo Disney+, e a produção não terá uma segunda temporada. A informação foi divulgada pela Variety nesta quinta-feira (30). A decisão contraria o anúncio feito pela própria Marvel em março, quando a renovação do projeto havia sido confirmada publicamente.

Segundo roteiristas ligados ao projeto, a sala de roteiro da segunda temporada nunca chegou a ser aberta. A equipe responsável pela produção foi realocada para outros projetos da Marvel Television antes que o trabalho tivesse início, o que tornou inviável dar continuidade à trama após o fim da primeira leva de episódios.

Lançada em janeiro deste ano, a série acompanha o ator Simon Williams, interpretado por Yahya Abdul-Mateen II, em sua tentativa de emplacar uma carreira em Hollywood enquanto esconde poderes que ainda não sabe controlar. No elenco também está Ben Kingsley, que retoma o papel de Trevor Slattery, personagem apresentado em Homem de Ferro 3 e revisitado em Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis. Destin Daniel Cretton, diretor de Shang-Chi, assina a produção executiva e dirigiu parte dos episódios, enquanto o roteiro é assinado por Andrew Guest, roteirista de Brooklyn Nine-Nine e Community.

O cancelamento chega poucas semanas depois de Abdul-Mateen II receber uma indicação ao Emmy de Melhor Ator em Série de Comédia por seu papel na produção. A academia também reconheceu a série com dez indicações técnicas, incluindo performance de dublê, coordenação de dublês, design de produção, fotografia, desenho de título, maquiagem protética, música e letra originais, edição de som e mixagem de som. O ator já havia vencido o Emmy de Melhor Ator Coadjuvante em Série Limitada por sua atuação como Doutor Manhattan em Watchmen.

A indicação marca apenas a segunda vez que uma série da Marvel garante uma indicação a Melhor Ator, e a primeira do estúdio em cinco anos. A última vez que a Marvel havia alcançado esse patamar foi com WandaVision, em 2021, quando a série somou 23 indicações e venceu em três categorias. Na disputa por Melhor Ator em Série de Comédia, Abdul-Mateen II concorre com Steve Carell, de Rooster, Matthew Rhys, de Widow’s Bay, Jason Segel, de Shrinking, e Martin Short, de Only Murders in the Building. O ator também recebeu indicações no Astra TV Awards e no Dorian TV Awards ao longo da temporada de premiações.

Wonder Man é a versão televisiva de Magnum, personagem criado em 1964 pela Marvel Comics. Nos quadrinhos, Simon Williams recebeu superforça após um experimento conduzido pelo Barão Zemo e chegou a atuar como vilão antes de conquistar a confiança dos Vingadores, tornando-se posteriormente membro fundador dos Vingadores da Costa Oeste. Sua passagem por Hollywood como ator e dublê, retratada nos quadrinhos, é o ponto de partida escolhido pela série do Disney+.

Yahya Abdul-Mateen II usou as redes sociais para comentar o cancelamento e agradecer ao público que acompanhou a série. Em publicação feita nesta quinta-feira, o ator afirmou que “a série deu certo” e disse que essa constatação é o que mais o deixa satisfeito com o projeto. Ele relatou ter recebido mensagens de espectadores que associaram a trajetória do personagem a momentos pessoais de superação e mencionou acompanhar as reações de criadores de conteúdo no YouTube que comentaram os episódios. A publicação foi encerrada com uma convocação aos fãs para acompanhar a disputa do Emmy em setembro.

Todos os episódios de Wonder Man, chamada de Magnum no Brasil, seguem disponíveis no catálogo do Disney+. A Marvel Television não detalhou se Simon Williams poderá aparecer em outros projetos do estúdio, e não há, até o momento, informações sobre uma possível continuidade da história em formato de filme ou minissérie.

Rio de Janeiro recebe a Powerlist Mundo Negro 2026 em evento que celebra a trajetória de mulheres negras 

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Nina da Hora, cientista da computação premiada na Powerlist 2026
Foto: Divulgação

Hoje é dia de celebrar o protagonismo negro feminino: o Rio de Janeiro recebe, na sede da L’Oréal Brasil, a cerimônia da Powerlist Mundo Negro – Mulheres Negras Mudam Histórias 2026, que consagra dez trajetórias de excelência em uma edição marcada por quase 20 mil votos e por um júri técnico de peso. Integrando as celebrações do Julho das Pretas, Latino-Americanas e Caribenhas, o evento reunirá as homenageadas, executivas, artistas e lideranças comprometidas com a equidade racial e de gênero no Brasil.

A quinta edição da premiação conta com o patrocínio do Grupo L’Oréal e da TV Globo, que assina a parceria com a marca de sua novela das seis, “A Nobreza do Amor”.

“Cada uma dessas vencedoras representa um Brasil mais plural e comprometido com o futuro que queremos construir”, afirma Silvia Nascimento, fundadora e Head de Conteúdo do Mundo Negro.

Cerimônia e programação

A cerimônia desta quinta edição será conduzida por Silvia Nascimento, com início às 10h. Além da entrega dos prêmios, o encontro inclui talks temáticos e momentos de homenagem às premiadas, reforçando o caráter de celebração e debate da Powerlist.

Além das homenageadas, outros nomes já estão confirmados no evento: Dra. Katleen Conceição, Aline Lima e Ana Paula Fernandez, que compõem o trio de entregas previsto para o palco. A programação também anuncia participações de Luanda Vieira, no talk sobre autoconfiança com a campanha Power Talks Kérastase, e de Duda Santos, Larissa Régia e Duda Santos, no painel sobre mulheres negras na teledramaturgia.

Vencedoras da Powerlist Mundo Negro 2026

A Powerlist 2026 registrou um total de 854 indicações e alcançou a marca histórica de 19.893 votos computados ao longo de suas fases — sendo 5.966 votos na etapa inicial e 13.927 na acirrada etapa final. Além das cinco categorias com voto popular, a premiação também contou com um júri técnico formado por nove mulheres negras, incluindo nomes como a atriz Taís Araújo e a jornalista Flávia Oliveira, para definir as vencedoras em outras cinco categorias.

Essa estrutura reforça o caráter plural da premiação, que busca equilibrar reconhecimento técnico e legitimidade popular na escolha das homenageadas. 

Veja a lista completa: 

Urias | Cultura, Artes e Entretenimento (Júri Técnico)

Eduarda Vieira | Liderança Corporativa (Júri Técnico)

Nina da Hora | Ciência, Tecnologia e Inovação (Júri Técnico)

Val Benvindo | Diversidade e Impacto Social (Júri Técnico)

Conceição Evaristo | Trajetória Transformadora (Júri Técnico)

Cicih Lima | Criadora Digital (Voto Popular)

Fany Miranda | Empreendedora do Ano (Voto Popular)

Letícia Maria | Profissional da Beleza (Voto Popular)

Saint Clair Cezar | Destaque em Gastronomia (Voto Popular)

Madá Negrif | Profissional da Moda (Voto Popular)

Serviço

Powerlist Mundo Negro – Mulheres Negras Mudam Histórias 2026
Data da Cerimônia: 31 de julho de 2026
Local: Sede da L’Oréal Brasil – Rio de Janeiro (RJ)
Patrocínio: L’Oréal e TV Globo

Site oficial: https://powerlist.mundonegro.inf.br

FOTO 3X4: Hipólyto, um dos principais nomes da nova geração do teatro musical brasileiro

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Ator Hipólyto em foto olhando para a câmera.
Hipólyto (Foto: Yan Nguyen)

Por: Rodrigo França

Existe uma geração de artistas negros que deixou de esperar reconhecimento para construir o próprio lugar na cena brasileira. Não porque o mercado finalmente tenha se tornado mais justo, mas porque esperar significava aceitar um papel secundário numa história que também lhes pertence.

Hipólyto é um dos nomes que ajudam a redesenhar esse novo mapa com sua extraordinária presença cênica.

No teatro musical, assumiu o protagonismo de Wicked. No audiovisual, chegou às produções da Disney+. Tornou-se a voz brasileira de atores como Anthony Ramos e Kelvin Harrison Jr., além de dar vida a Scar em Mufasa: O Rei Leão. Os trabalhos se acumulam, mas o que impressiona não é a quantidade de personagens. É a naturalidade com que atravessa linguagens diferentes sem abandonar uma identidade artística.

Sua formação não nasceu da pressa de construir um currículo robusto. Ela revela uma estratégia de sobrevivência artística. Da dança aprendida ainda na infância com os pais, passando pelo Arte em Cena, pela UNIRIO e pelo Circo Crescer e Viver, ele construiu uma linguagem em que interpretação, música e movimento deixaram de ser disciplinas distintas para formar um mesmo pensamento cênico. Quando sobe ao palco, não alterna entre essas habilidades. Elas acontecem ao mesmo tempo.

Essa multiplicidade costuma ser celebrada como talento. Pouco se fala sobre sua origem. Artistas negros raramente puderam apostar todas as fichas em uma única especialidade. Durante muito tempo, precisaram dominar diversas linguagens para disputar espaços que continuavam restritos. A excelência deixou de ser um diferencial. Tornou se uma exigência.

Hipólyto conhece esse mecanismo. Ele fala de uma sensação que muitos artistas negros reconhecem imediatamente, a necessidade permanente de provar competência antes mesmo de começar o trabalho. Existe uma fronteira delicada entre ser reconhecido e causar surpresa. Ainda hoje, qualidade artística produz espanto quando atravessa um imaginário acostumado a limitar quem pode ocupar determinados lugares.

O racismo que descreve não aparece em grandes escândalos. Manifesta se na frase aparentemente neutra, “não é o perfil que procuramos”. Surge nas recusas sem justificativa, nas escolhas que nunca são assumidas publicamente, nos papéis que parecem já nascer com um rosto previamente definido. É uma violência discreta, justamente porque aprendeu a esconder seus próprios rastros.

Sua resposta nunca foi transformar a indignação em discurso permanente. Foi aprofundar o ofício.

Existe, porém, um detalhe que organiza sua trajetória melhor do que qualquer papel de destaque. Ao ser perguntado sobre sua maior conquista, Hipólyto não menciona estreias nem prêmios. Fala da casa da mãe. A resposta desloca completamente a ideia de sucesso. O reconhecimento deixa de ser uma coleção de troféus e passa a ser a possibilidade concreta de transformar a vida de quem tornou seu sonho possível desde o início.

Sua mãe Sônia continua sendo sua maior incentivadora. O menino que, segundo ele próprio, nunca teve tempo para voar porque precisou amadurecer cedo, hoje voa por ela também. Há uma delicadeza nessa imagem. Ela explica muito sobre uma geração inteira de artistas negros que aprendeu a transformar conquistas individuais em patrimônio coletivo das suas famílias.

Também por isso, Hipólyto recusa a ideia do artista isolado. Ao fundar o Coletivo Corsário e desenvolver projetos autorais, demonstra que sua ambição não termina no próximo papel. Ela inclui ampliar o campo de possibilidades para outros criadores, produzir novas narrativas e participar da construção de uma cena cultural mais diversa.

Quando crianças negras fazem fila para pedir uma fotografia ou um autógrafo, elas não encontram apenas um ator conhecido. Encontram uma imagem de futuro. Durante muito tempo, o palco brasileiro ensinou quem podia ser protagonista. A presença de artistas como Hipólyto altera essa pedagogia silenciosa.

Sua história não é extraordinária porque rompe todas as barreiras. Ela é extraordinária porque continua produzindo excelência enquanto muitas delas permanecem de pé. É desse tipo de permanência que uma geração inteira começa, finalmente, a escrever uma nova página da cultura brasileira.

Por que pessoas negras têm menos acesso à atividade física? 

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Mulher negra reflexiva e vestida para uma atividade física
Foto: IA

Por: Juliana Oliveira

Sabemos que se exercitar é fundamental nos dias de hoje, ainda mais com jornada de trabalho aumentada, tempo de tela excessivo e outras demandas do dia a dia que exigem muito de nós, é simples dizer que ‘’falta vontade’’, mas será que todas as pessoas possuem as mesmas oportunidades? 

No Brasil, a resposta é não. 

A prática regular de exercícios, depende de alguns fatores importantes como: tempo disponível, renda, segurança, acesso a espaços públicos de qualidade, transporte e até o sentimento de pertencimento em alguns ambientes. E são esses aspectos que a população negra enfrenta cotidianamente para que possa existir a prática de exercício. 

Segundo dados do IBGE, pessoas negras são maioria entre a população de menor renda e enfrentam jornadas de trabalho mais longas e maiores índices de informalidade. Isso significa menos tempo livre e menos recursos para investir em academias, clubes esportivos ou modalidades que exigem equipamentos e mensalidades. 

Com a falta de acesso e também a falta de infraestrutura, tudo acaba se tornando uma bola de neve. A população negra apresenta maior prevalência de doenças como hipertensão arterial, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares, condições que podem ser prevenidas ou controladas com hábitos saudáveis, incluindo a prática regular de exercícios físicos. Quando o acesso ao movimento é limitado, as desigualdades em saúde tendem a se aprofundar. 

Promover saúde vai muito além de incentivar as pessoas a se ‘’exercitarem mais’’, significa criar cidades com espaços públicos seguros, ampliar políticas de esporte e lazer, investir em projetos comunitários, fortalecer profissionais que atuam nas periferias e garantir que todas as pessoas possam cuidar do próprio corpo com dignidade. 

Talvez a pergunta nunca tenha sido ‘’por que pessoas negras praticam menos atividade física?’, mas sim ‘por que ainda existem tantas barreiras que impedem parte da população de acessar um direito básico à saúde?’. Quando entendemos essa diferença, percebemos que incentivar o movimento também é promover equidade.

Blowout volta aos tapetes vermelhos com Zendaya

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Zendaya usa blowout volumoso na première de Homem-Aranha em Londres
Foto: Getty Images
Na première de “Homem-Aranha: Um Novo Dia” em Londres, a atriz reforçou o retorno da escova volumosa que dialoga com o maxi hair dos anos 1970.

Zendaya colocou o volume no centro de sua mais recente aparição no tapete vermelho. Na première de “Homem-Aranha: Um Novo Dia”, em Londres, a atriz escolheu um blowout encorpado, com comprimento, movimento e ondas abertas, acompanhado de um vestido branco de alta-costura da grife Tamara Ralph.

O visual reforça um movimento que vem ganhando espaço entre mulheres negras nos tapetes vermelhos: cabelos crespos e cacheados menos comprometidos com a definição perfeita e mais interessados em volume, textura e movimento.

O blowout é uma técnica de finalização que alonga a curvatura, reduz o encolhimento e deixa os fios mais soltos, sem exigir alisamento químico. O acabamento pode variar entre uma escova mais alinhada, como a escolhida por Zendaya, e um cabelo com cachos escovados, volume orgânico e textura aparente.

Outras artistas negras também vêm apostando nessa estética. Olivia Dean levou ao Grammy 2026 um blowout volumoso, com ondas macias e raízes elevadas. Chase Infiniti escolheu uma versão ainda mais expansiva para a première de “Uma Batalha Após a Outra”, realizada em Londres, em setembro de 2025.

No Brasil, Camila Pitanga já usou a técnica para valorizar o movimento de seu corte em camadas, enquanto Taís Araújo apareceu com uma versão mais alongada, preservando cachos moldados nas pontas. Os diferentes resultados mostram que o blowout não segue um único formato: ele pode ser adaptado à curvatura, ao corte e ao volume desejado.

Do maxi hair dos anos 1970 ao presente

Embora tenha voltado aos holofotes com referências ao glamour das supermodelos dos anos 1990, o atual interesse por cabelos grandes também recupera o maxi hair dos anos 1970. Diana Ross foi uma das principais referências dessa estética, transformando cabelos volumosos, ondas abertas e cachos expansivos em parte de sua imagem nos palcos, filmes e editoriais.

O período também foi marcado pelo movimento Black Power, que fortaleceu o cabelo natural como símbolo de identidade, orgulho e resistência. O afro usado por Angela Davis tornou-se uma das imagens mais reconhecidas desse contexto.

Apesar do afro político, do maxi hair de Diana Ross e do blowout atual possuirem construções distintas, eles dialogam entre si criando a possibilidade de o cabelo negro ocupar espaço, aparecer com volume e escapar de padrões que tentam controlar sua forma.

Essa liberdade também inclui não transformar a definição em uma nova obrigação. A valorização dos cabelos naturais no Brasil, especialmente entre 2013 e 2016, ajudou muitas mulheres a abandonar processos químicos e reconhecer suas curvaturas. Ao mesmo tempo, consolidou-se a ideia de que o cabelo crespo ou cacheado deveria estar sempre perfeitamente definido para parecer bem cuidado.

O blowout amplia esse repertório. Em vez de negar a textura, permite experimentar outras formas dentro do próprio cabelo natural, valorizando volume, comprimento, movimento e uma aparência menos controlada.

Como reproduzir o blowout?

O primeiro passo é lavar os cabelos e utilizar um condicionador ou uma máscara leve. Cremes densos e óleos em excesso podem pesar nos fios e diminuir o volume, por isso, o ideal é aplicar produtos em pouca quantidade.

Para fazer o blowout com calor, retire o excesso de água, aplique um protetor térmico específico e divida o cabelo em mechas. Com o secador em temperatura moderada e o bico direcionador, estique cada seção delicadamente com uma escova raquete ou ventilada. O secador deve permanecer em movimento e afastado do couro cabeludo.

A tração suave ajuda a alongar os cachos e diminuir o encolhimento sem retirar todo o corpo do cabelo. O jato de ar frio pode ser utilizado ao final para ajudar a preservar o formato.

Também é possível alcançar um efeito mais orgânico sem escova térmica. Com os fios secos, desembaraçados e levemente umedecidos, divida o cabelo em partes e estique cada seção delicadamente com os dedos, um pente de dentes largos ou uma escova raquete. O resultado preserva mais textura e cria um volume menos uniforme.

Para finalizar, um spray de fixação flexível ajuda a sustentar o penteado sem deixar os fios rígidos. A  proposta é encontrar a combinação de volume, textura e movimento que funcione para cada cabelo.

Afro Fashion Day 2026 anuncia “Rainhas e Reis” como tema da 12ª edição 

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Desfile do Afro Fashion Day no Pelourinho, em Salvador
Foto: Divulgação

Com foco nas diferentes histórias de realeza negra, a 12ª edição será realizada em 14 de novembro, no Pelourinho, em Salvador.

O Afro Fashion Day revelou “Rainhas e Reis” como tema de sua 12ª edição. Marcado para 14 de novembro, no Pelourinho, em Salvador, o desfile terá a ancestralidade negra como ponto de partida para apresentar diferentes perspectivas sobre poder, beleza, memória e pertencimento por meio da moda.

O anúncio foi realizado nesta quarta-feira (29), durante um encontro na sede da Rede Bahia. A programação reuniu estilistas, produtores de moda e representantes de agências de modelos que participarão da construção da edição de 2026 do evento promovido pelo jornal CORREIO.

A proposta é abordar a realeza negra para além das representações construídas a partir de referências exclusivamente ocidentais. Na passarela, o tema deve inspirar criações conectadas às histórias de diferentes sociedades e reinados africanos, assim como às heranças culturais preservadas e recriadas pela população afro-brasileira.

Fábio Reis, analista de marketing à frente do evento, explicou que a edição buscará questionar visões estereotipadas sobre as culturas e os reinados do continente africano. Segundo ele, o tema será traduzido de maneira acessível ao público por meio das diferentes criações apresentadas no desfile. 

As informações sobre as seletivas de modelos e demais etapas da programação serão anunciadas posteriormente no canal oficial do Afro Fashion Day no Instagram (@afrofashionday). 

Serviço

Afro Fashion Day 2026 — “Rainhas e Reis”
Data: 14 de novembro de 2026
Local: Pelourinho, Salvador
Informações: @afrofashionday e @correio24horas

Canetas para emagrecer: como cuidar da alimentação durante o tratamento

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Foto: gerada por IA

Por Rafa Bastos

Um novo consenso internacional, publicado em julho de 2026 no The Lancet Diabetes & Endocrinology, reuniu recomendações para adultos em tratamento com medicamentos baseados em incretinas, como semaglutida e tirzepatida, as canetas emagrecedoras.

O documento reforça que não existe uma dieta única para quem utiliza essas medicações. Como elas reduzem significativamente o apetite, é fundamental garantir que a menor ingestão de alimentos não resulte em perda de massa muscular, deficiências nutricionais, fadiga ou piora da qualidade de vida. O sucesso do tratamento deve ser avaliado não apenas pela perda de peso, mas também pela preservação da força, da funcionalidade e do bem-estar.

Proteína: prioridade, mas não exclusividade

O consenso recomenda individualizar a ingestão entre 1 e 1,5 g de proteína por quilo de peso ajustado por dia, com uma referência mínima geral de 60 g diárias, distribuídas ao longo das refeições.

Além de carnes, ovos e peixes, também podem contribuir para essa meta alimentos como leite, iogurte, queijos, feijão, lentilha, grão-de-bico e tofu. E não é necessário ficar refém de whey protein.

Ao mesmo tempo, o documento alerta que a proteína não deve ocupar todo o prato. Carboidratos como arroz, cuscuz, aveia, batata-doce, inhame, aipim e frutas continuam importantes para fornecer energia e devem ser mantidos conforme a realidade, a cultura alimentar e a tolerância de cada pessoa.

Fibras, hidratação e manejo dos sintomas

A orientação é consumir pelo menos 25 g de fibras por dia, priorizando frutas, verduras, legumes, feijões, cereais integrais e sementes. O aumento das fibras deve ser gradual e sempre acompanhado de boa hidratação, já que pouca ingestão de líquidos pode agravar gases e constipação.

Para sintomas como náuseas e sensação de estômago cheio, refeições menores, menos gordurosas e preparações simples costumam ser mais bem toleradas. Em casos de refluxo, recomenda-se evitar grandes refeições, principalmente à noite, e não se deitar logo após comer. Já a constipação deve ser manejada com fibras, hidratação adequada e atividade física, respeitando as condições individuais.

Atenção aos sinais de alerta

Vômitos persistentes, incapacidade de se alimentar, sinais de desidratação ou perda importante de força não devem ser considerados efeitos esperados do tratamento. Nesses casos, é essencial procurar a equipe de saúde para reavaliar a dose e a estratégia terapêutica.

O consenso reforça que a alimentação continua sendo parte fundamental do tratamento. Portanto, é crucial acompanhamento do nutricionista que irá individualizar e conduzir dentro da realidade de cada paciente. Nesse sentido, Mais do que incentivar o consumo de proteínas, o objetivo é preservar massa muscular, energia, saúde intestinal, funcionalidade e qualidade de vida durante o uso das medicações.

Referência científica

Dobbie LJ et al. Nutritional, functional, and psychological considerations for incretin-based therapies in adults: an EASO, EFAD, and ECPO Consensus Statement. The Lancet Diabetes & Endocrinology. Publicado on-line em 8 de julho de 2026. DOI: 10.1016/S2213-8587(26)00122-1.

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