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4ª Conferência ESG Racial reúne principais lideranças do país para debater equidade e sustentabilidade

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Foto: freepik

O avanço da agenda de equidade racial nas empresas brasileiras ganha novo marco com a realização da 4ª Conferência Empresarial ESG Racial, organizada pelo Pacto de Promoção da Equidade Racial. Em 2025, o evento acontece de forma descentralizada, com duas programações presenciais: no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro (24/11), e no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo (26/11).

Com o tema “Estratégias para a Promoção da Equidade e Sustentabilidade Corporativa”, a conferência reúne lideranças centrais do debate social e econômico, entre elas Míriam Leitão, Diego Barreto, Tarciana Medeiros, Helio Santos, Ricardo Henriques, Grazi Mendes e José Alves, além de executivos de organizações como Bayer, XP, Vivo, Anbima, Brasilcap, Parker, Firjan, BNDES, L’Oréal, Endemol e Caixa Seguridade.

A programação do Rio traz como eixo “Educação e Meio Ambiente como Estratégias para Sustentabilidade”, com aula magna de Míriam Leitão e debates sobre educação ambiental, empreendedorismo, crédito, taxonomia sustentável e comunicação como ferramenta de transformação. Participam Carlos Minc, Tainá de Paula, Ana Isabel dos Santos (Bayer), Fábio Cruz (XP), Helen Pedroso (L’Oréal), Juliana Bonifácio (Ateliê Bonifácio) e Júlio César Maciel Raimundo (BNDES).

Em São Paulo, a abertura será conduzida por Diego Barreto (iFood), seguido do painel “Sustentabilidade Estratégica: Alianças para uma Nova Economia”, com Marcelo Billi (Anbima), Carolina Costa (Stone), Thiago Amparo (FGV) e Rafael Prudente (Oriz), sob mediação de Silvio Trida (Caixa Seguridade). Outros debates reúnem Grazi Mendes, Milca Silva (XP), Lisiane Lemos, Tabata Contri (Talento Incluir) e Alexandre Kiyohara (Wellhub).

O encerramento será conduzido por Tarciana Medeiros, presidenta do Banco do Brasil, com a palestra “O Legado das Empresas na Construção de um Brasil Sustentável e Justo”. O evento marca ainda o lançamento do estudo “Juventudes Negras e Empregabilidade”, desenvolvido com a Fundação Itaú, e a entrega da Certificação do Índice ESG de Equidade Racial.

Serviço | 4ª Conferência Empresarial ESG Racial

RIO DE JANEIRO
Museu do Amanhã – Praça Mauá, 1 – Centro
24 de novembro de 2025, das 8h às 18h

SÃO PAULO
Teatro Sérgio Cardoso – Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista
26 de novembro de 2025, das 8h às 18h

Inscrições gratuitas e vagas limitadas

Dia da Consciência Negra: marchas e atos no Brasil que celebram o 20 de Novembro

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Foto: © Paulo Pinto/Agência Brasil

Pelo segundo ano como feriado nacional, o Brasil celebra nesta quinta-feira (20) o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, data que reafirma a resistência histórica do povo negro. O 20 de Novembro homenageia Zumbi dos Palmares, referência de luta e liberdade e líder do Quilombo dos Palmares.

Nesta data, entidades organizam marchas e atos para reivindicar o direito ao bem-viver, à reparação e a um futuro em que a democracia seja realidade para a população negra, que segue enfrentando desigualdades profundas.

Porto Alegre — Marcha Independente Zumbi Dandara

  • 19/11, às 17h
  • Concentração: Largo Glênio Peres

São Paulo — 22ª Marcha da Consciência Negra

  • 20/11, às 11h
  • Concentração: MASP, Avenida Paulista

Rio de Janeiro — Lavagem do Monumento Zumbi dos Palmares

  • 20/11, às 10h
  • Av. Presidente Vargas

Salvador — 20 de Novembro

  • 7h30: Lavagem da Estátua de Zumbi (Praça da Sé)
  • 15h: 46ª Marcha Zumbi-Dandara (concentração no Campo Grande)

Brunch e marcenaria: experiência criada por mulheres negras une gastronomia afetiva e artesanato em madeira

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Evento oferece manhã com comida da Casa Zuri e oficina prática onde participantes criam peça decorativa para levar para casa

Uma experiência que conecta gastronomia afetiva e artesanato acontece no dia 29 de novembro. Promovido por mulheres negras através do HUB Mundo Negro, em parceria com a Luana Hazine e a Casa Zuri, o evento propõe uma manhã onde os participantes alimentam corpo e criatividade com um brunch preparado pela equipe da Casa Zuri seguido de uma oficina prática de marcenaria.

A proposta é oferecer uma vivência completa, onde os participantes fazem a montagem e customização de uma peça decorativa em madeira, um chaveiro de 18cm de circunferência que podem levar para casa ou presentear. Todos os materiais de produção, incluindo madeira, tingidores e encaixes, estão inclusos no valor do ingresso.

A marceneira

Luana Hazine é publicitária de formação e marceneira por paixão. Criadora da marca Luana Hazine Handcrafted, ela une ancestralidade, design e utilidade para transformar madeira em peças que contam histórias.

Sua trajetória começou em 2017 e evoluiu para uma oficina profissional inspirada na estética afrocentrada. Nas redes sociais, onde compartilha dicas e técnicas de marcenaria, seu trabalho soma mais de 1 milhão de visualizações no Instagram e TikTok. Além de produzir suas próprias peças, Luana atua como instrutora, levando seu conhecimento para o público.

O espaço

A Casa Zuri funciona como um espaço multifuncional onde criatividade e gastronomia se encontram. Criada por Vera e Amanda, a casa se propõe a ser um ambiente acolhedor e funcional, ideal para acolher eventos e experiências que fogem do convencional.

O evento acontece no dia 29 de novembro, das 10h às 13h, na Rua Nova Orleans, 34, no Brooklin. O investimento é de 3x de R$ 100 sem juros ou R$ 300 à vista, com pagamento pelo Sympla (clique aqui). As vagas são limitadas.

Spike Lee celebra 33 anos do lançamento do filme ‘Malcolm X’: “Um clássico que resistirá ao teste do tempo”

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Foto: Divulgação

Há 33 anos, o filme ‘Malcolm X’ fazia história ao ser lançado nos cinemas dos Estados Unidos, se tornando depois um marco para no mundo com retrato da vida e luta de um dos maiores revolucionários pelos direitos civis da população negra!

O diretor Spike Lee celebrou o feito nas redes sociais. “Agradeço a todos, na frente e atrás das câmeras, por darem sangue, suor e lágrimas para fazer deste filme um clássico do cinema que resistirá ao teste do tempo”, escreveu.

Spike também dedicou um agradecimento especial a Denzel Washington, por sua atuação memorável, que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator. “Costumávamos brincar que, se não fizéssemos este filme direito, estaríamos com nossos passaportes prontos para fugir do país”, relembrou.

Além das homenagens à toda equipe, Spike Lee também destacou que o filme só foi possível graças ao apoio financeiro de grandes personalidades negras. Entre eles: Janet Jackson, Oprah Winfrey, Prince, Tracy Chapman, Magic Johnson, Michael Jordan, Bill Cosby e Peggy Cooper Cafritz.

No Brasil, o filme está disponível para assistir no Prime Video e no Mubi.

Grupo L’Oréal Brasil impulsiona a carreira de creators negros e PCDs com nova turma formada pelo programa Beleza Mais Diversa

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Foto: Divulgação

A segunda turma do Beleza Mais Diversa, programa criado pelo Grupo L’Oréal no Brasil para impulsionar a carreira de creators negros e pessoas com deficiência (PCDs) na economia criativa, se formou nesta segunda-feira (17). A cerimônia, realizada no Rio de Janeiro, destacou a formação de mais de 40 criadores de conteúdo e reforçando o compromisso da empresa com a representatividade no mercado de influência digital.

Lançado em 2024, o projeto foi desenvolvido em parceria com YouPix, TikTok, MOVER e REIS, e combina três pilares fundamentais para a profissionalização dos participantes: educação, por meio de mentorias com influenciadores experientes; ferramentas, incluindo a compra de equipamentos; e visibilidade, com oportunidades reais de inserção no mercado.

A edição de 2025 foi a mais diversa até agora, contemplando criadores de diferentes regiões, gêneros e faixas etárias. Também houve uma versão online, que atingiu a marca de 38 mil inscritos, mostrando a demanda reprimida por formação inclusiva.

Formatura da 2ª edição do programa Beleza Mais Diversa. (Foto: Divulgação)

Entre os presentes no evento estavam o CEO da L’Oréal Brasil, Marcelo Zimet, instituições parceiras e creators que atuaram como mentores, como Dan Mendes (@danmendesoficial), Nathalia Santos (@nathaliasantos) e Amanda Mendes (@todacrespa). Juntos, os formandos alcançaram uma taxa de engajamento 4,8 vezes maior do que no início do programa.

Márcia Silveira, líder do programa e Head de Diversidade, Equidade e Inclusão para Advocacy da L’Oréal Brasil, destacou a importância da representatividade: “Vivemos em um país que a maioria da população se identifica como preta ou parda, mas isso não se reflete no mercado de creators. Como líder de beleza, temos o papel de contribuir para essa transformação, representar o Brasil em sua ampla pluralidade. O Beleza Mais Diversa existe há dois anos para modificar esse cenário e aumentar a diversidade entre os influenciadores digitais.”

O Beleza Mais Diversa surgiu após uma pesquisa conduzida pela Think Etnus, que revelou que 33% das pessoas negras não têm referências de beleza e que outros 30% se inspiram em influenciadores digitais. Ainda assim, em um país com 56% da população negra ou parda, 66% dos creators seguem sendo brancos. Nesta edição, a L’Oréal ainda ampliou o escopo e passou a incluir também creators PCDs.

Márcia Silveira, líder do programa e Head de Diversidade, Equidade e Inclusão para Advocacy da L’Oréal Brasil. (Foto: Divulgação)

Para Natália Paiva, diretora-executiva do MOVER, o impacto transcende o programa: “A segunda edição do Beleza Mais Diversa, que tem o MOVER como parceiro, reforça nosso compromisso de ampliar oportunidades e impulsionar a representatividade na creator economy, conectando talentos e fortalecendo uma indústria da beleza mais diversa e representativa.”

Atuando com diversidade como um de seus valores centrais, a L’Oréal Brasil afirma que 50% dos creators contratados pela companhia pertencem a grupos sub-representados. Assim como no ano anterior, a meta é que 70% dos participantes sejam contratados por alguma das marcas do grupo no país.

A expectativa é que o programa sirva de referência para outras empresas. “A economia criativa por meio dos influenciadores digitais se constrói com base em conexão, em pertencimento. Os consumidores precisam se sentir vistos, acolhidos e representados. A diversidade é a chave para isso”, conclui Márcia Silveira.

Cachos de Moana desaparecem no trailer do live-action e fãs criticam mudança no visual da atriz

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Fotos: Divulgação

O primeiro trailer do live-action de Moana, divulgado nesta segunda-feira (17), acendeu um debate nas redes sociais. Em 2016, o filme de animação trouxe uma personagem que se tornou referência para meninas polinésias e negras, por conta dos cachos volumosos e cheios de movimento. No entanto, a atriz Catherine Lagaʻaia, surgiu no teaser com os fios visivelmente mais lisos e com pouco volume.

O visual que não se tratava apenas de um detalhe estético, é uma parte fundamental da construção cultural da personagem. A própria atriz que interpreta a Moana no live-action tem o costume de usar os cabelos cacheados e volumosos fora das telas, o que levantou ainda mais as críticas.

“Por que escalar alguém com o cabelo perfeito só para mudá-lo?”, criticou uma internauta nas redes sociais. “Tragam de volta o cabelo verdadeiro da Moana”, destacou outro.

Até o fechamento da matéria, a Disney não se pronunciou sobre as críticas publicamente.

Estudantes negros sofrem três vezes mais bullying racial do que estudantes brancos, aponta estudo

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Foto: Agência Brasil

A violência racial dentro das escolas brasileiras continua sendo uma realidade alarmante e os dados mais recentes reforçam a gravidade. A nova edição da Avaliação do Futuro, divulgada pelo Instituto Ayrton Senna, revela que estudantes negros sofrem três vezes mais bullying por raça ou cor em comparação aos estudantes brancos da rede pública.

O levantamento, um dos maiores mapeamentos nacionais sobre competências socioemocionais e convivência escolar, foi realizado em escolas do Ceará, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará e Paraná, em parceria com o CAEd/UFJF. Ao todo, 89 mil estudantes do Ensino Médio foram ouvidos.

Um em cada quatro estudantes relatou ter sofrido algum tipo de bullying nos 30 dias anteriores à pesquisa. Entre os principais motivos estão: aparência do corpo (11,8%); aparência do rosto (11,3%); raça/cor (9,5%); religião (6,1%); orientação sexual (5,6%); e região de origem (5,5%). Quando o recorte é racial, a desigualdade reforça o racismo no ambiente escolar: brancos: 6,83%; pardos: 9,19%; e pretos: 17,84%.

Para Ana Crispim, gerente de pesquisa do Instituto Ayrton Senna (eduLab21) e doutora em Psicologia, os padrões estéticos e as pressões sociais tornam a adolescência uma fase ainda mais desafiadora. “A adolescência é um período desafiador: fatores como as mudanças no corpo, somada à força dos padrões e estereótipos de beleza e das comparações e expectativas sociais, vulnerabilidades emocionais e sociais, pesam no dia a dia”, explica.

O instituto alerta que o bullying se manifesta de maneira sistemática: agressões verbais e físicas, humilhações, disseminação de boatos e cyberbullying.

No Ceará, onde mais de 56 mil estudantes participaram da avaliação, as escolas com melhores índices de abertura à diversidade registraram taxas menores de bullying (9%) do que aquelas com menor abertura (13%). Em relação ao indicador de convivência escolar, a diferença é ainda maior: escolas com altos níveis de convivência: 7% de bullying; escolas com baixos níveis: 17%.

Segundo Gisele Alves, gerente executiva do eduLab21, esses resultados mostram que ambientes que valorizam respeito, empatia e responsabilidade coletiva reduzirem significativamente a violência entre estudantes.

Socioemocional como ferramenta de combate ao racismo

As competências de amabilidade, como empatia e respeito, e de abertura ao novo, relacionadas ao interesse por diferentes culturas e ideias, ajudam estudantes a se reconhecerem em suas diferenças e a conviver de forma mais inclusiva.

Ainda assim, os dados revelam outro alerta importante: 8 em cada 10 estudantes relataram sintomas significativos de ansiedade e depressão. Entre eles: 38,9% se sentem esgotados; 33,9% têm perdido o sono por preocupação; e 22% dizem se sentir incapazes de superar dificuldades.

“Promover o respeito à diversidade e a boa convivência escolar é essencial para criar ambientes escolares inclusivos, seguros e colaborativos, nos quais todos os estudantes possam se desenvolver plenamente. As competências socioemocionais desempenham um papel central nesse processo, ao apoiar os estudantes com habilidades que fortalecem a abertura, a empatia, a comunicação respeitosa, a resiliência e a responsabilidade”, afirma Silvia Lima, reforçando que o socioemocional tem papel decisivo para apoiar estudantes.

Você é mais do que a pauta racial: como construir presença digital sem se limitar

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Foto: freepik

Já reparou que, mesmo quando você não fala sobre raça, o algoritmo empurra seu conteúdo para a “gaveta da diversidade”?

Pois é. Você foi categorizado antes mesmo de se apresentar.

E não tem nada de errado em resistir, em manter uma linha editorial baseada em suas crenças e posicionamentos políticos. Muito pelo contrário esse tipo de conteúdo educa, democratiza saberes que não aprendemos na escola e amplifica vozes que precisam ser ouvidas.

Mas aqui vai a pergunta que não quer calar: para além de ser negro, quem você é?

Quais são suas paixões? Seus hobbies? O que você estuda? Como passa seu tempo livre?

Pessoas negras são múltiplas. E sempre temos algo a dizer para além da nossa cor, que, de qualquer forma, estará presente pela maneira única como vemos o mundo.

O algoritmo não é seu inimigo. A falta de clareza narrativa, sim.

Tentar entender o algoritmo é batalha perdida. Mas respeitar quem você é, o que te faz feliz e produtivo, e fazer disso parte do que você mostra online? Isso é estratégia.

Em tempos em que estamos cansados dos mesmos conteúdos repetitivos, você pode ser o agente de mudança. Começando por você mesmo.

Aqui vão três formas de começar agora:

1. Mostre sua rotina (o que você se sentir à vontade em compartilhar)
Não precisa ser produção hollywoodiana. Uma foto do seu café, o livro que está lendo, algo lindo que viu na rua. Isso humaniza e cria conexão.

2. Use IA como aliada, não como substituta
Ferramentas como Notion e Gemini ajudam a organizar ideias, fazer brainstorming e salvar insights. Não para criar no seu lugar, mas para amplificar sua voz.

3. Crie lembretes afirmativos
Frases ou mantras que te lembrem quem você é, especialmente quando o cansaço bater. Porque ele vai bater.

E se você quer ir além?

Se esse assunto de posicionamento estratégico, autonarrativa e branding com foco na sua identidade te interessa, estarei dando uma Masterclass ONLINE sobre o tema no dia 25 de novembro, às 19h.

Antes de ir direto para ferramentas e técnicas, quero trazer reflexões sobre nossa identidade e cases reais de pessoas da nossa comunidade que estão construindo narrativas poderosas  e você pode se ver nelas.

É a última masterclass oficial do Mundo Negro em 2025, com vagas limitadas para garantir uma experiência de qualidade e interação real.

Se você quer fechar o ano com clareza narrativa e entrar em 2026 nas conversas certas, esse é o momento.

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Dívida histórica: Jovens Negros só alcançarão o ritmo dos brancos no ensino médio em 15 anos

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Novo levantamento do Todos Pela Educação analisa a conclusão de estudantes no Ensino Fundamental e Ensino Médio e mostra ritmo lento de avanços em equidade ao longo da última década

Por Kelly Baptista

O Brasil celebra alguns avanços na educação básica, mas carrega uma dívida social histórica que continua a se manifestar com força: a persistente desigualdade racial. Um novo e alarmante estudo do Todos Pela Educação, com base em dados do IBGE, revela que, no ritmo atual de progresso, o país levará mais de 15 anos para que jovens negros (pretos, pardos e indígenas) e jovens brancos e amarelos tenham as mesmas chances de concluir o Ensino Médio.

A taxa de conclusão do ensino médio para jovens de até 19 anos tem avançado no geral, saindo de 54,5% em 2015 para 74,3% em 2025. Contudo, essa melhora não tem sido distribuída de forma equânime. Essa lacuna é um espelho do racismo estrutural que se aprofunda na escola, e os dados são categóricos.

O abismo racial em números (2025)

As taxas de conclusão do ensino médio evidenciam a disparidade racial e socioeconômica, que é mais intensa nessa etapa da educação básica. Em 2025, o abismo entre os grupos é claro:

Apenas 69,5% dos jovens Pretos, Pardos e Indígenas de até 19 anos têm o Ensino Médio completo.

Este índice é significativamente mais alto para jovens brancos e amarelos, chegando a 81,7%.

A diferença de crescimento médio entre os dois grupos, observada na última década, projeta que essa lacuna só seria eliminada em 16 anos

O Peso do Acúmulo de Desvantagens

O estudo reforça que as desigualdades tendem a se acumular. Quando a análise cruza raça, nível socioeconômico e sexo, o resultado é a concentração da vulnerabilidade:

1. Renda: A desigualdade mais brutal

Ao considerar o nível socioeconômico, as diferenças são ainda mais alarmantes. Apenas 60,4% dos jovens na parcela mais pobre concluíram o Ensino Médio até os 19 anos.Essa taxa salta para 94,2% entre os mais ricos.

A análise aponta que, se nada mudar, os jovens mais pobres só terão as mesmas chances de conclusão que os mais ricos daqui a cerca de duas décadas.

2. O perfil de maior vulnerabilidade

O grupo que apresenta as menores taxas de conclusão é o de homens mais pobres, que se autodeclaram pretos, pardos e indígenas.

Em 2025, a taxa de conclusão é de apenas 50,8% para homens pretos, pardos e indígenas no grupo dos 20% mais pobres. Em contraste, a taxa mais alta está entre mulheres brancas e amarelas: no grupo dos 20% mais ricos, chegando a 98,9%.

3. Gênero: homens fora da escola

No recorte por gênero, os homens apresentam uma taxa de conclusão inferior (70,2%) à das mulheres (78,5%). Eles são maioria entre os jovens que abandonaram os estudos:

Para trabalhar: 10,7% dos homens, frente a 3,4% das mulheres.

Por falta de interesse: 9,2% dos homens, contra 5,2% das mulheres.

Apesar dos índices mais altos de conclusão, as mulheres enfrentam obstáculos específicos, como a sobrecarga com o trabalho doméstico e a maternidade precoce, que somam 4,5% dos casos de não conclusão.

É Preciso Acelerar Agora

Os dados são um chamado urgente à ação. Conforme avalia Manoela Miranda, gerente de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação, “O Brasil avançou, mas ainda em ritmo insuficiente para garantir o direito à conclusão da Educação Básica a todos”.

O novo Plano Nacional de Educação e a implementação das mudanças do Ensino Médio a partir de 2026 são oportunidades estratégicas para reverter essa lógica. É hora de reafirmar o compromisso do país com políticas que assegurem acesso, permanência, aprendizagem e equidade, para que todos, especialmente os jovens mais vulneráveis e negros, tenham as condições para concluir as etapas da Educação Básica na idade certa.

Estudo na íntegra: https://todospelaeducacao.org.br/wordpress/wp-content/uploads/2025/11/estudo-conclusao-na-educacao-basica-todos-pela-educacao.pdf

Negros e negras são minoria no serviço público federal, com presença reduzida em cargos estratégicos

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Apesar de avanços nos últimos anos, pessoas negras continuam sub-representadas no serviço público brasileiro, principalmente nos níveis estadual e federal. Entre 2013 e 2025, a presença de pretos e pardos entre os servidores passou de 46,1% para 52,9%, ainda abaixo da proporção de 56,7% na população nacional.

O levantamento do Instituto República.org mostra que municípios já refletem o perfil racial do país, com 56,9% de servidores negros, enquanto Estados e União mantêm números menores, 49,6% e 42,6% respectivamente. Os cargos mais estáveis e melhor remunerados permanecem concentrados em grupos historicamente privilegiados.

O estudo destaca o aumento da participação de mulheres negras, que agora representam 30,2% dos servidores e avançam nos cargos de liderança, mas continuam entre os mais mal remunerados. A mediana salarial desse grupo é de 2800 reais, enquanto homens brancos ganham 5000 reais e mulheres brancas 3800 reais.

O crescimento da presença negra no funcionalismo está ligado à ampliação do ensino superior via políticas de ação afirmativa e sistemas de cotas em concursos públicos. Entre os servidores negros, 59,3% possuem diploma universitário, frente a 41,8% em 2013.

Apesar dos avanços, a desigualdade persiste, especialmente nos cargos mais altos e estratégicos. Especialistas destacam que aumentar a representação é essencial para fortalecer instituições, incluir diferentes perspectivas nas decisões e reduzir vieses no serviço público.

O desafio agora é fazer com que os ganhos observados nos municípios se reflitam também nos Estados e na União, garantindo que a administração pública corresponda ao perfil da sociedade que representa.

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