Após nove anos de sua última passagem pelo Brasil, quando ainda integrava o Fifth Harmony, Normani retorna ao país para sua primeira apresentação solo. A cantora norte-americana se apresenta em 17 de outubro, durante a quarta edição do Meli Music, na Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo.
A apresentação marca ainda a primeira atração internacional da história do festival. Normani ganhou projeção mundial como integrante do Fifth Harmony e, posteriormente, consolidou uma carreira solo no pop e R&B.
Da girl group à carreira solo
Depois do período no Fifth Harmony, Normani iniciou sua trajetória solo com “Love Lies”, parceria com Khalid lançada em 2018 como parte da trilha sonora de Love, Simon. A música chegou ao 9º lugar da Billboard Hot 100 e permaneceu 51 semanas na parada.
Em 2019, a cantora lançou “Dancing With A Stranger”, parceria com Sam Smith, e, no mesmo ano, apresentou “Motivation”, faixa que se tornou um dos principais sucessos de sua carreira solo.
Em 2024, Normani lançou seu primeiro álbum solo, Dopamine, projeto que aprofundou sua identidade musical entre o pop e o R&B e trouxe faixas como “1:59”, com Gunna, e “Candy Paint”.
Agora, o público brasileiro terá a oportunidade de acompanhar ao vivo essa nova fase de sua carreira pela primeira vez.
Normani no Brasil
A última passagem da artista pelo país aconteceu em 2017, durante a The 7/27 Tour, do Fifth Harmony. Na ocasião, o grupo realizou apresentações em Porto Alegre, Curitiba, Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo.
Quase uma década depois, Normani retorna ao Brasil com um repertório próprio e em um momento diferente de sua trajetória artística.
O Meli Music acontece em 17 de outubro, na Mercado Livre Arena Pacaembu. Os portões serão abertos às 12h e o evento está previsto para terminar às 22h.
Serviço
Meli Music — 4ª edição Mercado Livre Arena Pacaembu — São Paulo 17 de outubro de 2026 Abertura dos portões: 12h 🎟️ Ingressos disponíveis pela Sympla.
As consequências de mais de 600 anos do projeto colonial europeu e da supremacia branca no Norte e no Sul Global são investigadas em “O Projeto”, primeiro longa-metragem da cineasta Sabrina Fidalgo, realizado em parceria com o fotógrafo suíço Yvan Rodic. Selecionado para a competição de documentários do 54º Festival de Cinema de Gramado, o filme foi exibido no evento e estreia nos cinemas brasileiros em 19 de novembro.
No documentário, Sabrina e Yvan partem do encontro entre suas próprias histórias para percorrer diferentes territórios e refletir sobre as marcas deixadas pelo colonialismo europeu. A cineasta apresenta a perspectiva de uma mulher brasileira preta do Sul Global, enquanto o fotógrafo suíço contribui com o olhar de um homem branco do Norte Global.
“Ele traz a visão dele enquanto homem branco suíço do Norte Global, e eu trago a minha história como mulher brasileira preta do Sul Global”, explica Sabrina, em entrevista ao Mundo Negro. “Nós dois juntos acabamos criando uma narrativa muito potente nesse lugar de encontros improváveis, mas que, ao mesmo tempo, criam uma sinergia entre si.”
Foto: Divulgação
A seleção das pessoas entrevistadas foi realizada ao longo do processo de pesquisa e das viagens da equipe. Alguns nomes já estavam entre as primeiras referências da diretora e de Yvan; outros surgiram espontaneamente durante a produção. Entre os depoimentos estão os de Grada Kilomba, Djamila Ribeiro e Anderson França.
“Grada Kilomba, por exemplo, sempre foi um nome em que pensei, porque estive no lançamento do livro dela, Memórias da Plantação, em Lisboa, há mais ou menos seis anos, e li a obra”, conta a cineasta, ao relembra que a leitura do livro influenciou a definição do escopo do filme e os caminhos escolhidos para abordar o colonialismo.
Djamila Ribeiro também foi pensada desde o início, por sua trajetória como filósofa, professora e uma das principais vozes antirracistas do Brasil. Já a participação de Anderson França foi articulada quando a equipe estava na Europa.
Segundo Sabrina, o documentário também reúne vozes de pessoas brancas, em uma tentativa de ampliar o debate sobre responsabilidade diante das estruturas racistas e coloniais. “A importância dessas vozes — não somente vozes negras, mas vozes não brancas do Sul Global — é imprescindível para tentarmos entender as consequências e talvez as maneiras com as quais possamos transformar o mundo em um lugar mais justo”, afirma. “É importante que essas pessoas assumam o seu lugar de culpa, passem a falar, a questionar e a tentar encontrar soluções nesse lugar também, sem deixar tudo nas costas dos oprimidos”, completa.
Foto: Divulgação
“Uma mensagem universal”
A exibição em Gramado marcou uma nova etapa na relação de Sabrina Fidalgo com o festival. Antes de apresentar seu próprio filme, a cineasta havia sido presidente do júri e curadora da Mostra Gaúcha. Ela afirma que ficou emocionada com a recepção do público após a sessão de estreia.
“Estou muito feliz, a nossa estreia foi linda, as pessoas se emocionaram muito e acho que o público entendeu a mensagem desse filme, que é uma mensagem universal. É um chamado à tomada de consciência. Isso ficou bem compreendido e sentido pelo público”, destaca.
A diretora também rejeita a ideia de que sua presença no festival esteja ligada apenas à representação de um segmento específico do cinema. “Mais do que representar um determinado tipo de cinema — cinema negro, no caso —, que eu não me entendo nesse lugar; acho que faço cinema brasileiro, sobretudo”, afirma. “Estou aqui representando o meu próprio cinema, a minha linguagem.”
Foto: Divulgação
Competição e lançamento
Com 94 minutos de duração, O Projeto está entre os documentários que disputam a competição do 54º Festival de Cinema de Gramado. O vencedor de Melhor Documentário será anunciado no sábado (22), a partir das 20h, durante a cerimônia oficial de premiação, no Palácio dos Festivais.
Depois da estreia no festival, o longa chega aos cinemas de todo o Brasil em 19 de novembro. O lançamento acontece no período de celebração do Dia da Consciência Negra e amplia o alcance de uma obra que propõe discutir as permanências do colonialismo no presente.
O Fundo Agbara está com inscrições abertas para o Descansa, Nêga, programa que vai financiar experiências de descanso em contato com a natureza para cinco mulheres negras de diferentes regiões do Brasil. A iniciativa também prevê que cada selecionada possa levar outra mulher negra para vivenciar a experiência.
Com inscrições gratuitas até 26 de agosto, às 20h (horário de Brasília), o programa propõe discutir o descanso não como recompensa pela produtividade, mas como parte das condições necessárias para uma vida com qualidade, autonomia e bem-estar.
A iniciativa parte de uma questão central: quem consegue, de fato, reservar tempo e recursos para descansar?
Descanso também é uma questão de acesso
O debate proposto pelo Descansa, Nêga considera que o acesso ao tempo livre, ao lazer e às experiências de cuidado não é distribuído de maneira igual. Para mulheres negras, as jornadas de trabalho remunerado, as responsabilidades domésticas e as tarefas de cuidado podem se sobrepor, reduzindo as possibilidades de pausa e lazer.
Ao financiar uma experiência concreta de descanso, o programa busca colocar o tema no centro da discussão sobre desigualdade racial, de gênero e econômica.
A proposta é inspirada no conceito de Bem Viver, que amplia a compreensão de qualidade de vida para além da produtividade e do consumo. Nesse contexto, descansar aparece como uma dimensão do direito a uma vida digna e com autonomia.
“O Descansa, Nêga nasce para afirmar que o descanso não é um privilégio nem uma recompensa pelo excesso de trabalho: ele é um direito. Quando uma mulher negra consegue pausar, cuidar de si e recuperar suas energias, estamos falando também de saúde, dignidade e justiça econômica”, afirma Aline Odara, fundadora e diretora-executiva do Agbara.
Quem pode participar?
Podem se inscrever mulheres negras de todo o Brasil, desde que atendam aos critérios estabelecidos no edital. A seleção levará em consideração aspectos como a situação de vulnerabilidade, o potencial de impacto da experiência e o significado do Bem Viver para cada candidata.
Cada uma das cinco selecionadas poderá convidar outra mulher negra para acompanhá-la em toda a experiência, sem custos.
Serviço
Programa: Descansa, Nêga Realização: Fundo Agbara Público: mulheres negras de todo o Brasil, conforme os critérios do edital Número de selecionadas: 5 mulheres, que poderão levar outra mulher negra Inscrições: gratuitas Período: de 12 a 26 de agosto de 2026 Prazo final: 26 de agosto, às 20h (horário de Brasília)
Com o objetivo de capacitar mais profissionais negros no mercado de energia, o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), por meio da Universidade Setorial (UnIBP), prorrogou até o próximo domingo, 23 de agosto, as inscrições para a Trilha Ziga de Desenvolvimento para o Setor de Energia. O programa é gratuito, oferece bolsa-auxílio de R$ 700 mensais e quer transformar a presença negra nos quadros técnicos e de liderança do setor no estado do Rio de Janeiro. As inscrições devem ser feitas diretamente no portal oficial da UnIBP.
Para garantir que a oportunidade chegue a mais talentos e contemple trajetórias diversas, o IBP promoveu mudanças estratégicas no edital. O alcance do programa foi expandido para candidatos de todo o estado do Rio de Janeiro e a exigência de um tempo máximo de formado após a conclusão do ensino superior foi derrubada, permitindo a participação de profissionais em diferentes etapas da vida acadêmica e profissional.
“A trilha é uma resposta concreta do setor de energia à necessidade de diversificar suas lideranças e seus quadros técnicos. É um esforço que o IBP conduz junto às empresas parceiras TotalEnergies e TBG, articulando ações que ampliem o acesso de profissionais negros a oportunidades qualificadas no setor de petróleo, gás e biocombustíveis”, destaca Victor Montenegro, diretor-executivo corporativo interino do Instituto.
A formação conta com o apoio das gigantes TotalEnergies e TBG e disponibiliza 12 vagas. Com duração de três meses, o curso será realizado na modalidade a distância (EAD), com aulas ao vivo no período noturno — facilitando a rotina de quem precisa conciliar o estudo com o trabalho.
A grade curricular abrange o panorama geral da indústria de energia, aulas de inglês e desenvolvimento de soft skills. Os alunos também passarão por dinâmicas de networking e construirão um projeto prático focado em solucionar desafios reais do setor. Para garantir a permanência e o apoio financeiro aos participantes durante o percurso, cada selecionado receberá uma bolsa-auxílio de R$ 700 mensais.
Ao final do programa, os alunos aprovados passam a integrar o Hub de Talentos da UnIBP, ficando visíveis para conexões diretas de carreira com grandes empresas do mercado.
Quem pode participar e como funciona a seleção
Os interessados em concorrer a uma das vagas devem atender aos seguintes critérios de elegibilidade:
Autodeclarar-se pessoa preta ou parda (negra);
Ter no mínimo 18 anos de idade;
Residir em qualquer município do estado do Rio de Janeiro;
Possuir ensino superior completo (bacharelado, licenciatura ou tecnólogo) em instituição reconhecida pelo MEC.
A seleção será feita em quatro fases: inscrição, aplicação de provas, entrevistas e avaliação por uma comissão de heteroidentificação.
Sobre o Programa de Diversidade ZIGA
Criado em 2023 pelo IBP, o Programa Ziga consolida as iniciativas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DE&I) voltadas para o pilar racial dentro da indústria de energia. A iniciativa é mantida em conjunto com o Grupo de Trabalho de Raça e Etnia, vinculado à Comissão de DE&I do IBP, mobilizando empresas parceiras para abrir portas e construir uma representatividade efetiva em toda a cadeia produtiva do setor.
Esta coluna tem como eixo principal a curadoria. Escolha a recomendação cuidadosa de obras e artistas a conhecer e seguir. Então, aqui vai uma indicação imperdível para todos que estiverem no Rio de Janeiro: a remontagem do maior musical brasileiro: Ópera do Malandro, em uma encenação autoral do diretor Jorge Farjalla (Clara Nunes – A Tal Guerreira; Brilho Eterno) com Valéria Barcellos (Titaníque; A Palavra Que Resta) brilhando no elenco como Geni.
Foto: Divulgação/Priscila Prade
Sobre a Ópera
Chico Buarque escreveu o musical em 1978, encerrando um ciclo precedido por outras joias como Gota d’Água, Roda Viva e Calabar. Ele se inspirou na Ópera dos Mendigos de John Gay, mas, principalmente, em A Ópera dos Três Vinténs de Bertold Brecht, misturando a sátira política alemã dos anos 1920 ao Brasil corrupto e melodramático, com o Rio de 1940 de pano de fundo, com malandros-heróis e prostitutas como mocinhas.
A montagem original, dirigida por Luís Antônio Martinez Corrêa, trazia a então companheira de Chico, Marieta Severo, como Teresinha, e uma exuberante Elba Ramalho, como Lúcia, as duas responsáveis pela primeira versão de uma das canções que transcenderam da dramaturgia à música popular brasileira: “O Meu Amor”. Uma, herdeira de um bordel, outra, profissional do sexo. O amor? O contraventor Max Overseas (Otávio Augusto) – herói dessa tragicomédia.
Geni, a pioneira
Entre tantas audácias para o Brasil sob a Ditadura Militar, Chico guardava uma surpresa que só seria revelada na estreia: a travesti Geni – personagem com nome feminino para uma voz tida como “masculina”. Mais: memórias de Madame Satã (1900–1976) também inspiraram Chico, o que nos ajuda a compreender a personagem como travesti, à luz da iconografia da época.
Geni não é uma personagem pequena; ela é amiga do “mocinho” e convive com o “vilão”, tendo função dramática fundamental para a resolução da trama principal. Mais: Geni tem um momento só seu, um à parte de toda estrutura da história de amor protagonista, para narrar seu passado: “Geni e o Zepelim”, outra música que atravessou o teatro para gravações da MPB.
O refrão, “joga pedra na Geni”, sintetiza a voz da sociedade moralista e hipócrita que hostiliza a personagem até ser ameaçada pelo comandante de um zepelim que escolhe justamente Geni. Ela se torna a salvação de todos, mas depois da partida do veículo prateado, volta a ser violentada, apedrejada. Uma analogia sobre como boa parte do mundo ainda trata pessoas à margem de uma dita “normatividade”. Uma das primeiras representações trans na dramaturgia brasileira, Geni ainda hoje é poderosa e muito necessária.
O anúncio de uma nova montagem do clássico, dessa vez pelas mãos de Jorge Farjalla, despertou frisson com a pergunta “Quem será Geni?”. Sabendo do bom senso dos envolvidos, pela primeira vez, não veríamos um “transfake” (quando um ator cisgnênero interpreta uma personagem trans). E de fato, é impressionante e emocionante a generosa quantidade de excelentes atrizes e cantoras trans no Brasil hoje, aumentando a dúvida.
O encontro de Valéria
Segundo a atriz e cantora gaúcha Valéria Barcellos, ela própria procurou o diretor se apresentando como alguém que se preparou durante toda vida para viver a personagem. O movimento assertivo é digno de uma Geni! Mas acho que esse encontro já estava predestinado: na internet, há uma emocionante gravação ao vivo, de 2022, mostra Valéria, acompanhada pelo violão de Rafael Erê, construindo toda história de Geni só com sua voz teatral e suas emoções mais sinceras.
Anos depois, no palco, Valéria é senhora como Geni. Confortável, flui com graça pelo texto e joga de igual para igual com os parceiros de cena como Totia Meireles e José Loreto (Vitória Régia e Max). Valéria tem frescor próprio em uma encenação de tons circenses. É aquela que deixa entrever a melancolia do palhaço. Uma atuação e voz maduras que a posicionam como uma das grandes atrizes dos musicais brasileiros. Na bem sucedida encenação de Farjalla – que mescla elementos da farsa e da religiosidade afro -, Valéria Barcellos é o maior destaque.
Fotos: Divulgação/Gattu Filmes
Uma Geni histórica
E o diretor demonstra consciência política de seu tempo, dando uma dimensão ainda maior a presença de Geni, tornando seu número o ponto mais alto da jornada do espetáculo. Se, em diferentes momentos, Farjalla baseia sua estrutura num número de canção em paralelo à representação cênica do que é cantado, em “Geni e o Zepelim” essa linguagem alcança a apoteose.
Valéria surge altiva e vulnerável com uma qualidade vocal irrepreensível. O excelente arranjo de Gui Leal segue o original, mas o adapta com precisão à voz de Valéria, mantendo a clareza na comunicação de cada palavra – algo fundamental para o teatro musical. Também é belo o trabalho com a percussão mais ao final e o coro a capella. “Geni e o Zepelim”, com uma rasgante Valéria Barcellos, merece uma gravação – na verdade toda esta Ópera do Malandro.
Chegando mesmo a tremular a bandeira trans em cena como ao fim de uma guerra, a cena causa tamanha catarse que, no dia que assisti, algumas pessoas – eu me incluo – aplaudiram de pé o número protagonizado por Valéria e seu duplo, a Geni jovem que representa a canção com a trupe, Marina Mathey. Aqui também é preciso destacá-la: sua máscara facial e partitura física expressam toda ingenuidade, medo, dor e resignação. Marina também é a eventual substituta de Valéria como Geni e tem um humor cheio de picardia em sua cena como Dorinha Tubão.
Fotos: Divulgação/Gattu Filmes
Mais por aí
Outra presença recentes da personagem foi na Mini Ball da Geni (dirigida por esta autora) onde, interpretada Olívia Lopes, Geni se tornou Mestre de Cerimônias de um concurso da cultura Ballroom na Biblioteca Mário de Andrade e no CPT – Centro de Pesquisa Teatral do Sesc, em São Paulo. E vem mais por aí: o aguardado filme Geni e o Zepelim (dirigido por Anna Muylaert), após polêmicas, traz a atriz trans e negra Ayla Gabriela como Geni, ao lado do Comandante, vivido por Seu Jorge.
Serviço
Ópera do Malandro
Quinta, Sexta e Sábado às 20h00, Sábado às 16h00, Domingo às 15h30 e 19h30 Teatro Multiplan – VillageMall – Av. das Américas, 3900 – Barra da Tijuca – Rio de Janeiro/RJ Ingressos entre R$ 25 e R$ 350 Sympla: https://bileto.sympla.com.br/event/122813/d/394821 Até 30/08
* Luh Maza é dramaturga e cineasta. Escreveu críticas de arte entre 2009 e 2012 para veículos como o Caderno Teatral e o portal Yahoo! Brasil. Integra a dissertação de mestrado da UFRGS: “Aspectos da crítica teatral brasileira na era digital”, de Helena Maria Mello. Também foi jurada do Prêmio Shell de Teatro no biênio 2022-2023, como primeira pessoa trans no Brasil e primeira pessoa negra em São Paulo. Foi curadora nas secretarias de cultura de São Paulo e Curitiba, no SESI, na MIT-SP, entre outras instituições, mostras e festivais de teatro e audiovisual.
Após cinco anos, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro marcou para o dia 26 de novembro o júri popular dos dois policiais militares acusados pela morte deKathlen Romeu, de 24 anos, morta durante uma operação no Complexo do Lins, na Zona Norte da capital fluminense.
Os réus Marcos Felipe da Silva Salviano e Rodrigo Correia de Frias serão levados ao Conselho de Sentença sob a acusação de homicídio qualificado.
Kathlen foi atingida por um tiro de fuzil no tórax em 8 de junho de 2021, quando visitava a avó no Complexo do Lins. Ela estava grávida de 13 semanas e não resistiu aos ferimentos, morrendo no hospital.
A versão inicial apresentada pela Polícia Militar afirmava que havia ocorrido um confronto com criminosos na região. No entanto, relatos de moradores e apurações do Ministério Público indicaram que não houve troca de tiros no momento em que Kathlen foi atingida.
Investigações posteriores revelaram que policiais recolheram cápsulas de munição e alteraram elementos do cenário da ocorrência, o que levou à denúncia por fraude processual.
Desde o ocorrido, familiares da vítima têm cobrado punição aos envolvidos e criticado a lentidão do andamento do processo. Em março deste ano, a juíza Elizabeth Machado Louro determinou que os indícios apresentados pelo Ministério Público e pela Polícia Civil eram suficientes para levar o caso a júri popular.
O julgamento está agendado para as 11 horas, no II Tribunal do Júri da Capital, no Rio de Janeiro.
Iniciativa passa a integrar permanentemente o site e facilita o encontro entre creators negros, marcas e agências
A Vitrine de Creators Negros, iniciativa criada pelo Mundo Negro para ampliar a visibilidade de profissionais negros da criação de conteúdo, agora passa a ser uma seção fixa do site. A mudança busca tornar a consulta aos perfis mais simples e contínua, tanto para marcas e agências em busca de talentos quanto para creators que desejam ampliar suas oportunidades no mercado publicitário.
Lançada inicialmente como uma chamada para reunir profissionais negros de diferentes nichos e regiões do Brasil, a Vitrine ultrapassou 1 mil inscrições em menos de 24 horas. Agora, com quase 2 mil perfis cadastrados, a iniciativa entra em uma nova etapa: manter esses talentos acessíveis ao mercado a longo prazo.
A proposta é que a Vitrine funcione como um espaço permanente de descoberta. Marcas, agências e profissionais interessados poderão consultar os perfis cadastrados, enquanto os creators passam a contar com uma estrutura que contribui para aumentar sua exposição e facilitar novos contatos profissionais.
Para Silvia Nascimento, fundadora e Head de Conteúdo do Mundo Negro, ampliar a audiência dos creators também faz parte desse processo de fortalecimento profissional.
“Ser notado pelas marcas é importante, mas construir uma audiência é também muito relevante para esse creator. Notamos muitos perfis super legais que poderiam ser maiores, e queremos usar nosso tamanho e credibilidade para amplificar esses talentos. Até o momento foram quase 2 mil de perfis de pessoas negras que trabalham com criação de conteúdo e vamos aos poucos mostrar quem eles são”, afirma Silvia.
A Vitrine também parte de uma mudança de perspectiva sobre a presença negra na publicidade: não basta inserir pessoas negras nas campanhas; é necessário ampliar o acesso aos profissionais que já produzem, comunicam e constroem audiência em diferentes áreas.
Ao transformar a iniciativa em uma seção permanente, o Mundo Negro amplia seu papel como ponte entre o mercado e os talentos da população negra, criando uma ferramenta que pode ser consultada ao longo do tempo e fortalecendo a circulação desses profissionais.
Como participar
Creators negros que ainda não fizeram seu cadastro podem preencher o formulário da Vitrine. Marcas, agências e profissionais do mercado também podem acessar a plataforma para conhecer os talentos já inscritos.
Projeto inicia circulação nacional em Niterói, com show gratuito, e passa por Salvador, Olinda, Brasília, Porto Alegre e outras cidades até janeiro de 2027
O samba do Batuke do Pretinho da Serrinha vai ganhar novos territórios a partir de setembro. Idealizado pelo músico Pretinho da Serrinha, o projeto inicia uma turnê nacional em 6 de setembro, em Niterói, no Rio de Janeiro, e seguirá por dez cidades brasileiras até janeiro de 2027.
A primeira apresentação acontece na Reserva Cultural, em Niterói, com entrada gratuita. A circulação também passa por Juiz de Fora, Salvador, Olinda, Florianópolis, Vitória, Porto Alegre, Brasília, Santos e Campinas. As datas de Salvador e outras cidades já estão definidas, enquanto os locais de algumas apresentações ainda serão anunciados.
A proposta do Batuke é criar encontros entre a música e as identidades culturais de cada território. O projeto mantém o samba como ponto de partida, mas abre espaço para artistas, sonoridades e referências locais.
“Com o tempo, percebemos que essa energia não pertencia apenas ao Rio de Janeiro. Hoje, transformar o Batuke em uma turnê nacional representa um passo muito importante na nossa história”, afirma Pretinho da Serrinha.
A nova temporada também terá repertório renovado e homenagens a artistas que fazem parte da trajetória do projeto. Participações-surpresa, encontros entre diferentes gêneros musicais e a interação próxima com o público seguem entre as características do Batuke.
“O Batuke sempre foi um projeto que navega além do samba. Recebemos artistas de diferentes estilos e mostramos que grandes sucessos da música podem ganhar uma nova leitura e virar samba, sem perder a essência”, destaca o músico.
Essa abertura para diferentes sonoridades também dialoga com a própria formação artística de Pretinho da Serrinha, atravessada pelas rodas de samba, pelo jongo, pela bateria do Império Serrano e pela convivência com mestres da cultura popular. Essas referências aparecem nos arranjos e nas escolhas musicais que compõem cada encontro.
A circulação é realizada pelo Ministério da Cultura e todas as apresentações terão recursos de acessibilidade, como intérprete de Libras, audiodescrição, acessibilidade arquitetônica e espaços reservados para cadeirantes.
Serviço
Batuke do Pretinho da Serrinha — Niterói
6 de setembro de 2026 Reserva Cultural — Avenida Visconde do Rio Branco, 880, São Domingos, Niterói (RJ) Abertura: 16h | Show: 18h Entrada gratuita, com retirada de até dois ingressos por CPF pelo Ticket360.
Depois de Niterói, a turnê segue para Juiz de Fora (27/09), Salvador (10/10), Olinda (11/10), Florianópolis (15/11), Vitória (20/11), Porto Alegre (29/11), Brasília (05/12), Santos (15/01/2027) e Campinas (16/01/2027). Os locais das demais apresentações serão divulgados posteriormente.
Ex-BBB conta que precisou “recalcular a rota” e celebra a possibilidade de unir pesquisa e criação de conteúdo em uma nova fase profissional.
Lumena Aleluia anunciou, nesta quarta-feira (19), que assinou seu primeiro contrato remunerado para atuar como pesquisadora e criar conteúdo a partir de sua formação e experiência na área.
Em vídeo publicado no Instagram, Lumena contou que precisou “recalcular a rota” diante de novos desejos que surgiram em sua vida. Ela também relembrou o período em que dedicou grande parte de sua energia ao ativismo social e falou sobre a relação entre essa trajetória e sua formação como pesquisadora.
“Eu entendo que eu sou uma pesquisadora nata, uma mulher muito curiosa pela vida, eu sou uma mulher muito curiosa sobre a minha própria experiência. Minha primeira fonte de pesquisa foi a minha própria história de vida”, afirmou.
Formada em Psicologia pela Universidade Salvador (UNIFACS), Lumena possui mestrado em Psicologia Social pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e especializações em Saúde da Mulher pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e em Gênero e Sexualidades pela UERJ.
A nova oportunidade também representa o reencontro com uma paixão que, segundo ela, havia sido deixada de lado.
“Eu nunca imaginei que eu poderia, depois de tudo que aconteceu na minha vida, voltar a ser pesquisadora. Eu engavetei essa minha paixão”, declarou.
Atualmente, Lumena também atua como influenciadora e decidiu experimentar uma comunicação mais leve e bem-humorada nas redes. A proposta, segundo seu relato, surgiu como parte desse processo de reorganização de sua trajetória e da busca por novos objetivos.
Com o primeiro contrato na área, ela passa a aproximar duas frentes de sua atuação: a pesquisa e a criação de conteúdo. Lumena afirma estar se preparando para produzir conteúdos de qualidade a partir dessa experiência.
“Esse vídeo é só pra dizer pra vocês que eu fechei o meu primeiro contrato pra exercer minha função de pesquisadora”, celebrou.
Documentário revisita a trajetória de Tebas e destaca a presença negra na arquitetura, no empreendedorismo e na transformação do Centro Histórico de São Paulo.
“O Triângulo de Tebas”, documentário produzido e dirigido por Luciano Quirino, já está disponível no YouTube. O filme amplia o acesso a uma narrativa sobre a presença negra na arquitetura do Centro Histórico de São Paulo e sobre a trajetória de Tebas, nome pelo qual ficou conhecido Joaquim Pinto de Oliveira.
Com roteiro de Luciano Quirino e Luquinha Figueiredo, a produção marcou presença e foi reconhecida em festivais de cinema nacionais e internacionais. Entre eles, estão os prêmios de Melhor Documentário de Curta-Metragem, na Mostra Competitiva de Cinema da Universidade Veiga de Almeida, e Melhor Roteiro de Curta-Metragem, no OFFCine – Festival Internacional de Cinema.
O filme também integrou a abertura do Santos Film Fest e participou do Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul, além de ter sido selecionado para o Festival de Cinema de São Bernardo do Campo e o Festival de Curtas Paranaguá.
Agora disponível no YouTube, O Triângulo de Tebas chega a um público ainda maior. Segundo o diretor, o documentário busca ampliar a compreensão sobre a atuação de pessoas negras na construção da sociedade brasileira, destacando não apenas o trabalho realizado sob a escravidão, mas também criação, conhecimento, técnica e protagonismo.
Na obra, Quirino também aborda a importância da diáspora africana para a arquitetura paulistana, processos de inovação tecnológica e empreendedorismo negro.
Para proporcionar uma melhor experiência, usamos tecnologias como cookies para armazenar e/ou acessar informações do dispositivo. O consentimento com essas tecnologias nos permite processar dados como comportamento da navegação ou IDs exclusivos neste site. O não consentimento ou a revogação do consentimento pode afetar negativamente determinados recursos e funções.
Funcional
Always active
O armazenamento ou acesso técnico é estritamente necessário para o objetivo legítimo de permitir o uso de um serviço específico explicitamente solicitado pelo assinante ou usuário, ou para o único objetivo de realizar a transmissão de uma comunicação por uma rede de comunicações eletrônicas.
Preferences
The technical storage or access is necessary for the legitimate purpose of storing preferences that are not requested by the subscriber or user.
Estatísticas
The technical storage or access that is used exclusively for statistical purposes.O armazenamento ou acesso técnico que é usado exclusivamente para fins de estatísticas anônimas. Sem uma intimação, conformidade voluntária do seu provedor de serviços de internet ou registros adicionais de terceiros, as informações armazenadas ou coletadas apenas com esse objetivo geralmente não podem ser usadas para identificar você.
Marketing
O armazenamento ou acesso técnico é necessário, para criar perfis de usuário para enviar publicidade, ou para rastrear o usuário em um site ou em vários sites com objetivos de marketing semelhantes.