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Presidente do Emmy critica Academia por falta de representatividade negra, latina, asiática e LGBTQIA+

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A 78ª edição do Emmy ocorre nesta segunda (14)/Foto: Reprodução/Television Academy

A maior premiação da televisão norte-americana, o Emmy, admitiu que o número de indicações tem decaído em relação à diversidade e não representa o que é a televisão atualmente. 

A 78ª edição da premiação ocorre nesta segunda-feira (14), em Los Angeles, com transmissão a partir das 20h30 e início da cerimônia oficial a partir das 21h. A TNT e a HBO Max serão responsáveis pelas transmissões em território nacional. 

Mesmo com todo o prestígio e importância desta premiação para produções audiovisuais da televisão e transmitidas por streamings, o presidente da Academia de Artes e Ciências Televisivas demonstrou certa preocupação com a diminuição da representatividade negra, latina, asiática e LGBTQIA+ nos últimos anos, principalmente sob administração do presidente Donald Trump, nos Estados Unidos. 

“O Emmy é um reflexo do melhor que a televisão tem a oferecer — o que também significa que só pode refletir o que a televisão já oferece. Nossas duas últimas cerimônias foram celebrações históricas de artistas e contadores de histórias superlativos de diversas comunidades e identidades: brancos, negros, asiáticos, latinos, indígenas e LGBTQ+. Mas é inegável o atual movimento retrógrado em todo o país, impulsionado pela mais alta instância do governo e facilitado pelas maiores marcas corporativas, inclusive em Hollywood”, diz Cris Abrego, presidente da Academia de Artes e Ciências Televisivas, em publicação de 2025. 

A edição deste ano do Emmy enfrenta críticas pela baixa diversidade entre os indicados de 2026. Cris Abrego, reconheceu o retrocesso na representação racial e internacional da premiação. “Demos um passo para trás, infelizmente”, afirmou. 

Abrego destacou que produções diversas ficaram de fora da disputa. “Há muitos programas de sucesso, com diversidade, não indicados. Séries com artistas latinos e asiáticos que fazem retrato mais fiel do nosso mundo, inclusive dos Estados Unidos”, disse. O executivo também afirmou: “Sei que podemos fazer muito melhor”.

A edição de 2026 do Emmy registrou uma queda na diversidade entre os indicados. Apenas 22 pessoas não brancas ou de origem fora dos Estados Unidos aparecem entre os indicados, o menor número registrado nas últimas 15 edições da premiação.

Dentre os artistas não brancos ou nascidos fora dos EUA indicados estão Zendaya, indicada por Euphoria; Colman Domingo, reconhecido por Euphoria e As Quatro Estações do Ano; Carlos-Manuel Vesga, de Pluribus; Youn Yuh-jong, de Treta; e Oscar Isaac, também de Treta. Colman Domingo foi, segundo o levantamento, a única pessoa não branca a receber duas indicações. Entre os artistas brancos, quatro tiveram duas indicações.

Enquanto isso, a série The Pitt, disponível no catálogo da HBO Max, é a mais lembrada da noite, com 25 indicações. Com um elenco majoritariamente branco, o drama médico retrata os desafios profissionais em um hospital na Pensilvânia.

Hacks, também da HBO Max, recebeu 24 indicações, se tornando a comédia mais indicada da história, e possui um elenco em que quase não se vê uma pessoa não branca. 

A comédia da Apple TV Widow’s Bay tem 19 indicações, também com elenco majoritariamente branco e padrão. 

Cris Abrego, presidente da Academia, é nascido nos Estados Unidos e vem de família mexicana e é a primeira pessoa latina a ocupar a cadeira da presidência da Academia de Televisão, fundada há 80 anos. A instituição é formada por 27 mil pessoas, entre elas atores, produtores e diretores de TV, que são responsáveis pelas nomeações e vencedores do Emmy. 

Ainda em sua declaração, Abrego relembrou o discurso de Viola Davis de mais de uma década atrás, por seu papel em How to Get Away With Muder, em que foi a primeira mulher negra a ganhar o prêmio de melhor atriz em série dramática: “um marco há muito tempo esperado. ‘Você não pode ganhar um Emmy por papéis que simplesmente não existem’, disse ela na época, e sua observação continua relevante hoje”, afirmou Abrego. 

“Continuar a lutar pela inclusão significa salvaguardar o futuro da televisão, e não podemos nos dar ao luxo de diminuir o ritmo. Falando como californiano nato, vi membros da nossa cidade se levantarem — com suas vozes, seus recursos e seus corpos — contra as batidas do ICE que continuam a aterrorizar nossos vizinhos e colegas em Los Angeles. Este não é o momento de nos curvarmos. Além das ações que as pessoas optam por tomar em suas vidas pessoais, como contadores de histórias da mídia, podemos continuar a criar uma indústria que reflita o amplo espectro da nossa humanidade e do nosso público. Devemos nos manter firmes em nossa excelência profissional e garantir que não estamos deixando metade da nossa população sem voz”, conclui o presidente na publicação.

Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul chega à 19ª edição no Rio

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Fotos: Tiago Liel/ Leticia Santiago/Divulgação

Evento reúne nomes do Brasil, Senegal, Mali e Cabo Verde na Cinelândia entre 21 e 25 de setembro, com viradão cultural gratuito a céu aberto.

O Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul chega à sua 19ª edição integrando a programação da Semana de Arte do Rio, ocupando a região da Cinelândia entre os dias 21 e 25 de setembro. Realizado pelo Centro AfroCarioca de Cinema, o evento é hoje uma das principais referências do audiovisual negro brasileiro e a maior janela de exibição dedicada a realizadores negros da América Latina, com articulação nacional e internacional junto à África, ao Caribe e a outras diásporas.

A data de abertura foi escolhida para marcar o nascimento de Zózimo Bulbul, ator, cineasta, roteirista e ativista considerado um dos maiores expoentes da cinematografia afro-brasileira. A programação se concentra no chamado “Quadrilátero do Cinema Negro”, formado pelo Cine Odeon, o Centro Cultural da Justiça Federal, a Banca do André e o Salão Assyrius, no Theatro Municipal, que recebe o evento pela primeira vez para a Avant-première de abertura.

Fotos: Tiago Liel/ Leticia Santiago/Divulgação

Além das exibições, o Encontro mantém o compromisso com outras linguagens artísticas. Na noite do dia 23, a Cinelândia recebe exibição a céu aberto do filme de Antônio Pitanga, Dom Filó e Emílio Domingos. Já na madrugada do dia 24 para o dia 25, a praça se transforma em palco de um viradão cultural ininterrupto, reunindo DJs, MCs, apresentações musicais e intervenções com bailarinos, atrizes e músicos, até a última sessão de cinema, marcada para as 4h da manhã, seguida de café da manhã comunitário ao amanhecer.

Entre os destaques da seleção estão os filmes “O Projeto”, de Sabrina Fidalgo e Yvan Rodic, “Pitanga”, de Camila Pitanga e Beto Brant, “Black Rio! Black Power!”, de Emílio Domingos e Dom Filó, e “O Dia de Jerusa”, de Viviane Ferreira. A curadoria reúne realizadores do Rio de Janeiro, Bahia, São Paulo e Paraíba.

Esta edição também presta homenagem a duas trajetórias do cinema negro brasileiro: o ator e diretor Hilton Cobra, atualmente no ar em “A Nobreza do Amor”, na TV Globo, e a atriz Clara Moneke, protagonista de “Dona de Mim”, também na emissora.

A programação internacional inclui a presença do cineasta maliano Cheik Oumar Sissoko, homenageado internacional da edição, do diretor senegalês Yoro Mbaye, com o filme “Ndar, a Saga de Waalo”, e do cabo-verdiano Nuno Boaventura Miranda, apresentando o longa “A Última Colheita”.

Segundo o Centro AfroCarioca de Cinema, a 19ª edição funciona como um rito de passagem rumo aos 20 anos do Encontro, que serão celebrados em outubro de 2027, data em que também serão comemorados os 90 anos de nascimento de Zózimo Bulbul.

SERVIÇO — PROGRAMAÇÃO POR DIA

21 de setembro (segunda-feira)

  • Avant-première no Salão Assyrius (Theatro Municipal)
  • Cerimônia de abertura no Cine Odeon, data que marca o nascimento de Zózimo Bulbul
  • Acesso restrito a convidados

22 a 25 de setembro

  • Sessões de cinema, debates, rodas de conversa e atividades formativas
  • Locais: Cine Odeon e Centro Cultural da Justiça Federal (CCJF)

23 de setembro

  • Exibição a céu aberto na Cinelândia do filme de Antônio Pitanga, Dom Filó e Emílio Domingos

Madrugada de 24 para 25 de setembro

  • Viradão de Cinema Negro ao ar livre na Cinelândia (Banca do André)
  • Filmes, DJs, MCs e performances artísticas até o amanhecer

25 de setembro

  • Encerramento do viradão: sessão especial das 4h às 5h da manhã
  • Café da manhã coletivo na Praça da Cinelândia, ao amanhecer

Acesso

Ricco Ross, de “Beauty in Black”, esbanja disposição aos 68 anos

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Foto: shutterstock/ reprodução redes sociais

Ator vive Horace Bellarie na série de Tyler Perry e chama atenção nas redes ao mostrar rotina de treino e vitalidade aos 68 anos.

Ricco Ross completou 68 anos em abril, e boa parte das redes sociais discorda profundamente do calendário. O ator vive Horace Bellarie em “Beauty in Black”, personagem que carrega um dos arcos mais dramáticos da série de Tyler Perry, um câncer que, ao longo da terceira temporada, se revela fruto de envenenamento do próprio irmão. Fora das telas, porém, a vitalidade de Ross virou assunto à parte, e os fãs não perdem a chance de misturar ficção e realidade.

Comentários como “te entendo, Kimmie” e “vejo que já está melhor, senhor Bellarie” circulam nas redes toda vez que ele aparece treinando, dançando ou simplesmente bem vestido em algum evento, uma brincadeira direta com o fato de que, na trama, é justamente a doença que ameaça tirar Horace de cena. Também pegou entre os fãs a piada de que, com Ross, “às vezes nem é pelo iPhone”, referência bem-humorada ao fato de o ator interpretar um homem rico e mais velho, mas manter uma presença física que desmente qualquer expectativa sobre a idade.

Ross costuma compartilhar essa rotina abertamente, tanto em entrevistas quanto nas próprias redes. À Men’s Journal, detalhou o treino que mantém há anos: três horas de atividade física, três vezes por semana, intercalando basquete, musculação leve e alongamento, além de dieta majoritariamente vegetariana e jejum intermitente. Ele também posta sobre o cuidado no dia a dia, caminhadas com os cães, hidratação, sono regular, reforçando que a manutenção do corpo é feita com hábitos simples, não com fórmulas milagrosas.

Esse discurso ganha outra camada quando ele fala como embaixador global da organização Zero Prostate Cancer. Ross é aberto sobre viver com aumento da próstata e usa a própria experiência para incentivar, principalmente, homens negros acima dos quarenta a manterem exames preventivos em dia, criando um paralelo direto com a própria história de saúde que Horace enfrenta na tela.

A carreira de Ross é anterior ao estrelato recente. Ele apareceu em “Aliens”, em 1986, e foi o par romântico de Whitney Houston no clipe de “Saving All My Love for You”, de 1985. Décadas depois, encontrou em “Beauty in Black” o papel que o trouxe de volta ao centro das conversas, dessa vez não só pela atuação, mas pela forma como envelhece diante do público.

Chimamanda Ngozi Adichie afirma que não deseja mais retornar à Nigéria após a morte do filho

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Foto: The Times/reprodução

Escritora revela ao New York Times que a morte do filho de 21 meses mudou sua relação com a Nigéria, enquanto inquérito sobre o caso segue suspenso na Justiça.

A escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie afirmou não querer mais retornar à Nigéria após a morte do filho Nkanu, um dos gêmeos que tem com o marido, o médico Ivara Esege. A declaração foi dada em entrevista ao New York Times, publicada em 10 de setembro e assinada pela jornalista Veronica Chambers. Questionada se o país ainda ocupava um lugar próximo ao coração, Adichie respondeu: “Meus sentimentos em relação à Nigéria mudaram. Eu não quero voltar para a Nigéria.”

Segundo o relato da autora ao jornal, a família passava as férias de fim de ano em Lagos quando Nkanu, então com 21 meses, apresentou sintomas de resfriado. Com a febre persistente, o casal levou a criança a um hospital infantil e, em seguida, ao Euracare Multi-Specialist Hospital, em Victoria Island, para exames complementares exigidos antes de uma transferência médica planejada para os Estados Unidos. Durante uma ressonância magnética, Nkanu foi sedado com propofol e sofreu uma parada cardíaca. Morreu no dia seguinte, em 7 de janeiro de 2026.

Três dias após a morte da criança, advogados da família protocolaram notificação legal acusando o Euracare e profissionais envolvidos no atendimento de violação do dever de cuidado. A Justiça de Lagos autorizou a abertura de um inquérito conduzido por um tribunal de legistas, com audiências iniciadas em fevereiro. Nos meses seguintes, o Conselho Médico e Odontológico da Nigéria apontou indícios de negligência contra três profissionais ligados ao caso, entre eles o diretor médico do Euracare e o anestesista responsável pelo procedimento.

Em junho, no entanto, o hospital obteve na Justiça Estadual de Lagos uma liminar suspendendo o inquérito. A defesa do Euracare argumenta que o corpo de Nkanu foi cremado antes de o tribunal de legistas assumir jurisdição sobre o caso, o que inviabilizaria uma autópsia, e nega as acusações de negligência médica. A liminar transferiu a discussão para revisão judicial e adiou a próxima data de audiência para 8 de outubro. Até a publicação da entrevista ao New York Times, o processo seguia sem decisão de mérito sobre responsabilidade.

Adichie e Esege afirmam que o objetivo é fazer o inquérito avançar, como forma de pressionar por mudanças estruturais no sistema de saúde nigeriano. Segundo o relato ao jornal, esse é o único caminho que o casal decidiu seguir até agora. “É a única coisa que podemos tentar fazer para ajudar”, disse Esege, acrescentando esperança de que outras famílias não passem pela mesma experiência.

O país é presença constante na obra de Adichie, incluindo o romance “Americanah”, em que a protagonista Ifemelu deixa a Nigéria para estudar nos Estados Unidos e vive um processo de exaustão e alienação. Segundo a reportagem do New York Times, a autora descreve hoje um sentimento de desenraizamento que associa diretamente à perda do filho, definida por ela como a primeira ruptura irrevogável em sua vida, seguida da ruptura com o próprio país de origem.

Rihanna e A$AP Rocky celebram 1º aniversário de Rocki

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Foto: reprodução redes sociais

Cantora celebrou o primeiro aniversário da filha caçula com festa temática ao lado de A$AP Rocky, reunindo família e amigos em clima intimista e discreto.

Rihanna e A$AP Rocky celebraram no dia 13 de setembro o primeiro aniversário de Rocki Irish Mayers, terceira filha do casal, com uma festa que reuniu familiares e amigos próximos. A comemoração foi registrada por Melissa Forde, amiga de longa data da cantora, que publicou fotos do evento em suas redes sociais.

As imagens mostram Rihanna segurando e beijando a filha, as duas vestidas em tons de rosa combinando entre si. Os registros também trazem detalhes da decoração, com balões em cores pastel e um carrossel infantil montado para a ocasião.

Rocki nasceu em 13 de setembro de 2025, mas a notícia só foi tornada pública por Rihanna onze dias depois, em 24 de setembro, quando a cantora publicou a primeira foto ao lado da recém-nascida. Na legenda, escreveu apenas “Rocki Irish Mayers. Sept 13 2025”, acompanhada de uma imagem de luvas de boxe cor de rosa em miniatura.

Antes do nascimento, A$AP Rocky já havia manifestado publicamente o desejo de ter uma menina. Em entrevista à revista ELLE, durante a gravidez de Rihanna, o rapper afirmou torcer para que o terceiro filho fosse uma garota e descreveu a gestação como diferente das anteriores.

Semanas após o parto, ele voltou a comentar o assunto em entrevista à Complex, chamando o nascimento da filha de conquista mais importante do ano. Em novembro, durante o CFDA Fashion Awards, reforçou à ELLE a satisfação com a chegada de Rocki e com o parto sem complicações.

Rocki teve participação ativa na vida pública dos pais ao longo do primeiro ano. Em abril, apareceu ao lado da mãe na capa da revista W, e no início de setembro, dias antes de completar um ano, estampou com o pai a capa da edição chinesa da mesma publicação. Na entrevista associada ao ensaio, Rocky falou sobre a relação com os três filhos, descrevendo o tipo de afeto que busca oferecer a eles sem expectativa de retorno.

Além de Rocki, Rihanna e A$AP Rocky são pais de RZA, de quatro anos, e Riot, de três. O casal, que confirmou o relacionamento em 2020, mantém rotina discreta em relação à exposição dos filhos, reservando às redes sociais apenas registros pontuais de datas comemorativas como aniversários e marcos familiares.

Descubra o segredo por trás do pescoço de Nia Long aos 55 anos; dermatologista explica o que realmente ajuda

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Nia Long como embaixadora da Estée Lauder
Foto: Divulgação/ Estée Lauder

Aos 55 anos, Nia Long voltou a chamar atenção nas redes sociais pela aparência da pele do pescoço. O assunto surgiu durante uma conversa com Keke Palmer no podcast Baby, This Is Keke Palmer, em abril deste ano.

Durante a entrevista, Keke elogiou o pescoço da atriz e perguntou se ela também aplicava os produtos da Estée Lauder na região. Nia respondeu que sim e revelou que usa creme para o pescoço desde os 20 anos. A atriz também contou que sua relação com a marca inclui o uso do sérum Advanced Night Repair, especialmente por sentir a pele mais ressecada em Los Angeles.

A declaração rapidamente chamou atenção porque toca em uma região que costuma ficar de fora do skincare: pescoço e colo. Mas será que começar a cuidar dessas áreas tão cedo realmente influencia a aparência da pele décadas depois?

Para a Dra. Katleen da Cruz Conceição, dermatologista especialista em laser e pele negra, a resposta passa menos por um produto específico e mais pela constância dos cuidados.

Por que cuidar do pescoço e do colo desde cedo?

Segundo a especialista, começar a cuidar dessas regiões ainda jovem pode contribuir para preservar a qualidade da pele ao longo do tempo. Isso acontece principalmente porque pescoço e colo ficam frequentemente expostos à radiação solar e nem sempre recebem a mesma atenção dedicada ao rosto.

“O envelhecimento da pele é um processo cumulativo, e a prevenção precoce ajuda a preservar a qualidade da pele por mais tempo”, explica Katleen em entrevista ao Mundo Negro.

A dermatologista ressalta que a pele negra possui maior quantidade de melanina, o que oferece certa proteção natural contra alguns efeitos da radiação ultravioleta. Isso, porém, não significa que esteja imune ao fotoenvelhecimento.

Manchas, alterações de pigmentação e irregularidades no tom também fazem parte dos sinais que merecem atenção.

Por isso, antes de pensar em um creme “firmador”, existe um cuidado mais básico e importante: proteção solar.

O protetor solar não termina no maxilar

Aplicar protetor solar apenas no rosto deixa de fora justamente duas áreas que podem permanecer expostas diariamente.

Para a especialista, o uso diário do produto no rosto, pescoço e colo é fundamental. Entre as opções para incluir nessa etapa está o Sallve Antimanchas FPS 90 com cor, disponível em diferentes tonalidades. O produto oferece proteção contra UVA, UVB e luz visível e possui niacinamida e ácido tranexâmico na fórmula.

A proteção com cor pode ser especialmente interessante para quem busca também reduzir a exposição à luz visível, associada à piora de algumas alterações de pigmentação.

O ponto principal, porém, é a regularidade da aplicação e a cobertura adequada das áreas expostas.

E os cremes firmadores?

Nia Long atribui parte de seu cuidado de longa data ao uso de creme para o pescoço. Atualmente, o produto associado à repercussão da entrevista é o Estée Lauder Revitalizing Supreme+ Youth Power Creme, formulado para rosto e pescoço e com ácido hialurônico. O “Advanced Night Repair” também foi citado pela atriz durante a conversa com Keke Palmer.

De acordo com a Dra. Katleen, hidratantes, antioxidantes como a vitamina C e ativos que estimulam a renovação celular, quando bem indicados, podem contribuir para a manutenção da qualidade da pele.

O ácido hialurônico, por exemplo, tem papel principalmente hidratante. Já ativos voltados à renovação celular ou estímulo de colágeno precisam ser escolhidos considerando o tipo de pele, sensibilidade e objetivo do tratamento.

Em peles negras, esse cuidado individualizado é ainda mais importante para reduzir o risco de irritação e consequente hiperpigmentação pós-inflamatória.

3 opções brasileiras para cuidar do pescoço e colo

Quer incorporar um creme firmador à rotina? Estas são algumas opções brasileiras que podem entrar no radar:

1.  ADCOS Collagen Pescoço e Colo
Formulado especificamente para pescoço e colo, com proposta de melhorar a firmeza e a aparência da pele.
Faixa de preço: R$ 350

2. Extratos da Terra Creme Firmador para Colo e Pescoço
Opção direcionada às duas regiões, com foco em hidratação e firmeza da pele.
Faixa de preço: R$ 70–80

3. Botik Creme Facial Firmador Ácido Hialurônico
Do O Boticário, combina ácido hialurônico e ativos voltados à firmeza, podendo ser uma alternativa para quem busca um creme mais acessível para complementar a rotina.
Faixa de preço: cerca de R$ 100

Vale lembrar que nenhum creme substitui procedimentos dermatológicos e os resultados variam de acordo com a pele e a formulação. O mais importante é manter uma rotina consistente, especialmente com proteção solar, hidratação e ativos adequados às necessidades da pele.

Gua Sha pode ajudar na pele do pescoço? 

O Gua Sha é uma técnica tradicional de massagem que utiliza uma ferramenta lisa, geralmente de pedra ou outro material, para deslizar sobre a pele com movimentos suaves e controlados. Na rotina de skincare, ganhou popularidade como uma forma de automassagem facial e corporal.

No pescoço e no colo, a técnica pode ser incorporada à rotina com movimentos delicados, principalmente para promover uma sensação de relaxamento e bem-estar. O deslizamento também pode ajudar momentaneamente na aparência de inchaço, por favorecer a movimentação de líquidos na região.

Mas é importante separar bem-estar e aparência momentânea de efeito estrutural. A técnica não substitui protetor solar, skincare ou tratamento dermatológico e não deve ser apresentada como capaz de “produzir colágeno” ou eliminar flacidez.

Na prática, movimentos delicados e sem pressão excessiva podem ser incorporados à rotina, desde que a pele esteja adequadamente preparada para reduzir o atrito.

Quando os procedimentos entram em cena?

Quando já existem alterações mais evidentes de flacidez, textura ou qualidade da pele, os produtos de uso domiciliar podem não ser suficientes para produzir mudanças significativas.

É nesse momento que entram os procedimentos dermatológicos.

Segundo a dermatologista, entre as possibilidades estão:

  • ultrassom microfocado;
  • radiofrequência;
  • bioestimuladores de colágeno;
  • microagulhamento;
  • tecnologias a laser adequadas para fototipos altos.

A indicação, no entanto, deve ser individualizada. Em peles negras, escolher uma tecnologia adequada ao fototipo e utilizar parâmetros seguros é especialmente importante porque procedimentos que provocam inflamação podem aumentar o risco de alterações pigmentares.

O que observar no pescoço e no colo?

Flacidez não é o único sinal que merece atenção, também é importante observar:

• linhas horizontais no pescoço;
• mudanças na textura;
• perda de definição do contorno facial;
• manchas e hiperpigmentação;
• escurecimento irregular.

Além disso, lesões que mudam de aparência, crescem ou apresentam sintomas como coceira e sangramento devem ser avaliadas por um profissional.

Nia Long começou aos 20. E agora?

A rotina da atriz mostra que a consistência pode atravessar décadas, porém não existe uma idade mágica para começar a cuidar do pescoço e do colo.

Para quem está começando, o básico continua sendo a melhor porta de entrada: proteção solar, hidratação e antioxidantes, com outros ativos e procedimentos sendo acrescentados conforme a necessidade e a orientação profissional.

Como resume a Dra.Katleen, membro da Skin of Color Society:

“O cuidado precoce e consistente ajuda a proteger o colágeno, manter a firmeza, a textura e a uniformidade da pele. Envelhecer é natural; a diferença está em como cuidamos da nossa pele durante esse processo.”

“Por Você”, uma novela que valoriza a mulher negra e os educadores

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Ambiente escolar é parte da trama de Por Você — Foto: Globo/ Manoella Mello

Assistir uma novela em que há o protagonismo da mulher negra, desperta uma curiosidade, ainda mais com atores tão bons, que nos motiva a se organizar para todas as noites estarmos diante da televisão. Na novela “Por Você”, a atriz Sheron Menezzes , Bela, nos cativa pelo olhar e sua presença cênica. Que espetáculo de mulher, que atriz, que representação.

Todas as noites dedico uma hora para acompanhar o folhetim, as cenas da telenovela que ocorrem na comunidade, algumas que envolvem a violência, nos assusta por saber e reconhecer que aquele ambiente é real. Assusta pela impunidade, desesperança e ausência do Estado.

A Escola na comunidade é um lugar muito importante e de referência, lugar de esperança de acolhimento, de afeto de construção de amizades, e de exemplo de dedicação de professores, gestores e direção da Escola. Os problemas e desafios em que um diretor enfrenta no seu quotidiano é um exercício de amor, paciência e dedicação dos profissionais de Educação.

Uma questão a novela nos leva a reflexão por que devemos apoiar os professores, gestores e diretores de Escola?
A novela Por Você nos desperta lembranças de tempos de escolas e muita admiração por atos de desprendimento e amor a Educação. Ter a escola como o local de referência é um ato de respeito aos educadores, nos chama a atenção para os problemas do cotidiano que profissionais da educação são submetidos.

O Cabelo do diretor da Escola e dos jovens negros
O cabelo dos atores negros é um acontecimento. Imaginar um diretor de escola com dreads, em um ambiente escolar que habitualmente hostiliza a criança negra, com atos de violência explicita por conta de seus cabelos cacheados, merece um destaque e um voto de louvor a produção, maquiagem, cabelereiros. direção da novela. Para uma pessoa branca pode parecer pouco, para nós negros é um símbolo de conquista. A novela nos permite emocionar e celebrar o nosso cabelo.

Lucas e Margô são diretor e professora da escola de Por Você — Foto: Globo/ Manoella Mello

O Beijo
Há cenas que esperamos, torcemos e nos emocionamos. O beijo de um casal de negros, é revolucionário. Ver um galã negro Amaury Lorenzo (Lucas) beijar uma mulher negra de tranças longas, é um cena que vi e revi na madrugada na reprise da novela. A intimidade de um casal de negros brasileiros, foi esperada e sonhada por gerações de atores, atrizes, escritores e escritoras negras.

Sheron Menezzes (Bela) é uma mulher muito bonita, que não nos cansamos de olhar. Cada vez que ela aparece em cena, podemos esperar algo doce, vitorioso, de uma mulher forte decidida e corajosa. Um mulher negra , médica que assume a maternidade de 4 crianças. Uma família negra em pleno horário nobre da novela.

Ela ainda é disputada por dois galãs da novela da Globo: Amaury Lorenzo (Lucas) e Thiago Lacerda, (Gabriel). A torcida está estabelecida pois dois grandes atores que lutam para conquistar o coração da médica. Fico imaginando quantas meninas negras devem estar se inspirando na Bela.

Se você não assistiu um capitulo da novela, perceberá que a riqueza da representação dos atores negros merecem uma descrição mais detalhada e meticulosa, eu os convido a me acompanhar nesta aventura .

Roda de homens negros debate masculinidades com filósofo Sergio Barbosa em São Paulo

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Prof. Sergio Barbosa, filósofo, professor universitário, cofundador da Campanha do Laço Branco – Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres - Foto: Divulgação

Encontro do coletivo Entre Vinhos & Afetos acontece no dia 26 de setembro, a partir das 14h, e discute como racismo, machismo e heteronormatividade se articulam na formação das masculinidades

O coletivo Entre Vinhos & Afetos, que reúne homens negros em rodas de escuta e convivência, promove no próximo dia 26 de setembro, a partir das 14h, um encontro com o filósofo e professor universitário Sergio Barbosa. O tema da edição é “Masculinidades Insurgentes: racialidade, heteronormatividade e misoginia”. As inscrições são feitas pelo direct do perfil do coletivo no Instagram, e o local é informado aos participantes após a confirmação.

Barbosa é cofundador da Campanha do Laço Branco, mobilização que articula homens pelo fim da violência contra as mulheres, e atua na gestão de grupos reflexivos com homens autores de violência, aqueles encaminhados pela Justiça no âmbito da Lei Maria da Penha. Sua trajetória acadêmica é dedicada aos estudos das masculinidades e ao enfrentamento das violências de gênero.

O debate ocorre em um cenário de alta nos indicadores de violência letal contra mulheres. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado em julho pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o país registrou 1.571 feminicídios em 2025. Mulheres negras corresponderam a 65,1% das vítimas, e mulheres brancas, a 34%. Em 79,8% dos casos, o autor foi um companheiro ou ex-companheiro. O levantamento aponta ainda que 13,1% dos registros não informam a raça da vítima.

De acordo com o material de divulgação do encontro, a conversa parte de uma pergunta: será que existe apenas um jeito de ser homem? A proposta é examinar como machismo, racismo, heteronormatividade e misoginia se articulam na formação das masculinidades e influenciam a maneira como esses homens sentem, amam, cuidam, lidam com conflitos e constroem relações.

Os organizadores afirmam que o objetivo não é reforçar estereótipos sobre homens negros. O ponto de partida, segundo eles, é o reconhecimento das diferentes violências que atravessam essas histórias, para então formular outras perguntas: o que se faz com aquilo que foi aprendido e o que pode ser transformado.

O conceito que dá nome ao encontro aponta nessa direção. Masculinidades insurgentes, na formulação usada pelo coletivo, seriam aquelas capazes de questionar o que foi ensinado como única possibilidade de ser homem e de experimentar outros caminhos.

O campo em que Barbosa atua tem produzido resultados que alimentam o debate sobre políticas de enfrentamento à violência doméstica. Levantamento apresentado pelo pesquisador Daniel Fauth Washington Martins, parceiro do Judiciário de Santa Catarina em ações com homens autores de violência, indica que a reincidência entre homens processados pela Lei Maria da Penha é de cerca de 50%, índice que cai para aproximadamente 10% entre os que participam de grupos reflexivos. O mapeamento nacional desses grupos subsidiou recomendações elaboradas pelo Conselho Nacional de Justiça em 2022.

Criado como espaço de escuta, diálogo e construção coletiva entre homens negros, o Entre Vinhos & Afetos mantém em suas edições um momento de convivência à mesa. Nesta roda, o almoço é assinado pela chef Dani Pimenta e a curadoria de vinhos fica a cargo da sommelière Andreia. Também haverá opções sem álcool, como cafés, chás e sucos.

Os organizadores pedem que cada participante leve outro homem negro ao encontro, como forma de ampliar a rede do coletivo.


Serviço

Entre Vinhos & Afetos recebe Sergio Barbosa Tema: Masculinidades Insurgentes: racialidade, heteronormatividade e misoginia
Data: sábado, 26 de setembro de 2026
Horário: a partir das 14h
Inscrições: via direct no Instagram @entre_vinhoseafetos (instagram.com/entre_vinhoseafetos)
Local: divulgado aos participantes após a confirmação da inscrição
Convidado: Sergio Barbosa (@prof.sergio.barbosa)

Ana Cristina Rosa é bicampeã do Troféu Onça Pintada como executiva de comunicação

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Ana Cristina Rosa recebe o Troféu Onça Pintada em 2026
Foto: Raimundo Sampaio

Por Ivair Augusto Alves dos Santos

A jornalista Ana Cristina Rosa conquistou, pela segunda vez, o Troféu Onça Pintada, na categoria Executivos de Comunicação Corporativa da Região Centro-Oeste, durante a 11ª edição do TOP Mega Brasil. A premiação foi realizada no final de agosto, em São Paulo.

Única mulher negra entre as concorrentes da categoria, Ana Cristina foi reconhecida novamente pelo trabalho desenvolvido à frente da comunicação do Conselho da Justiça Federal (CJF), em Brasília, onde atua desde 2020.

O TOP Mega Brasil é uma premiação voltada ao mercado de comunicação corporativa e reconhece profissionais e agências de diferentes regiões do país. Nesta edição, foram contabilizados quase 12.500 votos. No primeiro turno, 1.100 executivos e 480 agências foram indicados. Na etapa seguinte, 152 executivos e 130 agências disputaram a votação que definiu os vencedores.

Uma trajetória de 35 anos no jornalismo

Formada em Jornalismo pela PUC do Rio Grande do Sul, Ana Cristina Rosa soma 35 anos de carreira e construiu sua trajetória principalmente na área de Comunicação Pública.

Desde 2004, a jornalista atua em assessorias de comunicação do Poder Judiciário. Entre 2018 e 2020, ocupou o cargo de secretária de Comunicação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), período em que participou do projeto “TSE contra Fake News”, reconhecido com Menção Honrosa no Prêmio Innovare.

Reconhecimento pelo trabalho na comunicação

O Troféu Onça Pintada marca a segunda vez desde 2024, que Ana Cristina recebe o reconhecimento como profissional de destaque na comunicação corporativa da Região Centro-Oeste.

A jornalista também é coautora do livro Fake News – A conexão entre a desinformação e o direito e colunista de opinião da Folha de S.Paulo. Ao longo da carreira, também passou por veículos de imprensa de alcance nacional.

“Receber o Prêmio Mega Brasil é muito gratificante por se tratar de um reconhecimento do mercado à qualidade do meu trabalho”, afirmou a jornalista durante a premiação.

Privilégio Preto: A juventude negra no cárcere da culpa no universo Tyler Perry

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Cena de Por Que Eu Me Casei de Novo?, de Tyler Perry
Foto: Reprodução/Netflix

Quem disse que todo preto tem que ter uma história triste para contar?

Vivemos em um mundo em que o nosso povo sofreu por tantos anos nas garras da opressão, da escassez, da invisibilidade e da marginalização que, inconscientemente, ao olhar para uma pessoa preta, assim como nós, ocupando um espaço que há anos foi negado a ela, o primeiro sentimento é o de reconhecimento acompanhado pela admiração — pelo menos se espera que seja, mas isso é conteúdo para outro artigo.

O segundo é aquele olhar, muitas vezes compassivo, que surge a partir de uma perspectiva de resiliência. Imagina-se tudo que aquela pessoa teve que enfrentar para chegar até aquele lugar de prestígio. As noites mal dormidas são o de menos. Logo, ela é associada a uma pessoa de origem humilde: quantos ônibus ela tinha que pegar para chegar à faculdade? Quão difícil foi ter que trabalhar e estudar para colocar comida na mesa diante do medo da escassez que bate à porta?

Mas a cabeça dessas pessoas explodiria se elas soubessem que nem todo preto tem o mesmo ponto de partida.

Muito se fala do privilégio branco, mas hoje gostaria de pautar e trazer à luz uma outra realidade, vivida pela minoria da juventude negra, mas que existe.

Esses meses, rolando o TikTok, ouvi alguns relatos de jovens negros satirizando o fato de que, quando chegam à sala de aula de seus respectivos cursos considerados de “elite” ou quando estão em uma roda de conversa com pessoas pretas e brancas, grande parte espera que eles tenham um passado triste para contar. Ou que cresceram sem pai. Ou que viveram, em algum momento da vida, em situação de vulnerabilidade social.

Mas, apesar de os dados comprovarem que uma parcela expressiva da população preta e parda no Brasil vive em uma realidade de escassez, existem jovens pretos que já nascem em famílias estáveis financeiramente, com condições de arcar com moradia, estudos, viagens, intercâmbio e tudo aquilo que ao nosso povo, por muito tempo, foi negado e parecia muito distante.

Em 2024, segundo o IBGE, 25,8% das pessoas pretas e 29,8% das pessoas pardas estavam abaixo da linha de pobreza considerada pelo instituto, enquanto entre as pessoas brancas esse percentual era de 15,1%. Entre os jovens de 15 a 29 anos, a proporção era de 25,4%. Os números ajudam a dimensionar por que a associação entre juventude negra e escassez não surge do nada: ela está ancorada em uma desigualdade racial concreta. Mas esses mesmos dados não significam que toda pessoa negra parta do mesmo lugar.

É justamente nesse ponto que quero colocar a reflexão: existe uma juventude negra que também cresce em ambientes de estabilidade financeira, acesso à educação, viagens, intercâmbios e outras experiências que durante muito tempo foram negadas ao nosso povo. E reconhecer essa existência não apaga a desigualdade. Pelo contrário, expande a forma como enxergamos as diferentes experiências negras.

Esse cenário pode ser facilmente visualizado no universo cinematográfico do diretor e roteirista Tyler Perry, especificamente no último filme da trilogia Why Did I Get Married Again? (Por que eu me casei de novo?), lançado no dia 9 de setembro na Netflix.

A trama reúne o elenco principal de casais, que agora se juntam para prestigiar o casamento dos filhos, quando uma série de conflitos se desenrola ao redor dos relacionamentos da nova geração de protagonistas. Porém, o que me chama atenção na produção é o universo no qual eles estão inseridos, em que a prosperidade, a riqueza e a fartura não são tabus em nenhuma das relações construídas. As personagens convivem dentro dessa realidade com naturalidade.

A mensagem que é transmitida através do filme é que o povo preto também pode partir de relações de privilégio e ser protagonista de suas próprias histórias, que emergem em um ambiente estável financeiramente e emocionalmente.

Porém, no decorrer da trama, vão se revelando desavenças entre o casal protagonista prestes a se casar, estrelado por Armani Greer, como Jasmine, a noiva, e Everett Osborne, interpretando Wesley, o noivo.

Traumas e bloqueios comportamentais ocasionados pela falta de comunicação dentro do ambiente familiar causam mal-entendidos. No final do filme, revela-se que parte desses conflitos é fruto da vergonha dos mais novos em expor a real situação de suas relações amorosas por conta da idealização da vida perfeita na qual cresceram, vendo os pais inseridos nela, mal sabendo eles os obstáculos que tiveram que enfrentar emocionalmente no percurso.

E todos esses desdobramentos me fizeram refletir sobre o quanto a juventude negra vive tão acuada por ser regularmente projetada em uma realidade de escassez, não só financeira, mas também emocional, e até que ponto isso consegue nos impedir de visualizar que existem outras realidades nas quais nós podemos e temos o direito de estar inseridos.

Porque existe uma diferença entre reconhecer os privilégios que tivemos e sentir culpa por eles. Nós não devemos sentir culpa por ocupar espaços de privilégio. Mesmo olhando ao redor e vendo que essa não é a realidade da maioria dos nossos, devemos nos sentir mais livres, adeptos e corajosos para aproveitar ao máximo tudo o que a vida nos oferece nos ambientes em que vivemos, crescemos e aprendemos.

Não precisamos transformar nossas conquistas em uma história de sofrimento para que elas sejam consideradas legítimas. Não precisamos ter passado fome para valorizar a comida, nem ter enfrentado a ausência de oportunidades para reconhecer o valor de uma boa educação. Não precisamos carregar uma história triste nas costas para provar que somos negros de verdade.

A nossa história também pode ser construída a partir da estabilidade, do afeto, da segurança, da prosperidade e do acesso.

E talvez seja justamente por isso que precisamos nos visualizar em espaços que nos foram negados: para que a juventude negra entenda que reconhecer a própria realidade não significa esquecer a realidade coletiva. É possível saber que a maioria da nossa população ainda enfrenta a escassez e, ao mesmo tempo, permitir-se viver aquilo que foi negado a tantas gerações antes de nós.

O ponto de partida da juventude negra não é pré-determinado.

E nós não precisamos pedir desculpas por isso.

Fontes dos dados: IBGE, Síntese de Indicadores Sociais 2025, com dados da PNAD Contínua de 2024. Síntese de Indicadores Sociais 2025 — IBGE

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