Basta abrir as redes sociais e ver as campanhas de grandes marcas esportivas para notarmos uma mudança significativa: hoje, já é possível notar pessoas negras ocupando mais esses espaços.
Mas será que essa representatividade é suficiente?
Podemos observar esses avanços, mas ainda não reflete a diversidade da população brasileira. Quando observamos quem ocupa os espaços de maior visibilidade: influenciadores, embaixadores de marcas, palestrantes, proprietários de academia e profissionais frequentemente convidados para eventos, a presença negra continua sendo proporcionalmente menor.
No entanto, a representatividade não pode ser apenas estética.
Incluir pessoas negras em campanhas somente em datas comemorativas, não é o bastante. Precisamos de pessoas negras em cargos de decisão, mesas de debate, capas de revistas, grandes eventos esportivos e parcerias mais relevantes do mercado fitness.
Como uma das proprietárias do HHWC, pude viver e sentir na pele a importância que nossa presença faz nesse mercado. Podemos ser quem realmente somos e compartilhar isso com as alunas, que também conseguem se sentir à vontade nos nossos eventos, justamente por ter 3 mulheres como elas, mostrando que é possível se exercitar e estar em lugares que antes nos foi negado acesso.
Quando as pessoas se sentem acolhidas, respeitadas e representadas, a chance de criar vínculos duradouros com a atividade física aumenta. E sabemos que a constância é um dos principais fatores para colher os benefícios do exercício ao longo da vida.
Realizada pelo Instituto Desvelando Oris, quarta edição propõe uma conversa sobre memória, ancestralidade e permanência em São Paulo.
O Instituto Desvelando Oris realiza, nesta quarta-feira (29), a quarta edição do Prêmio Mulheres Dissonantes, no Auditório do MASP, em São Paulo. Com o tema “A Arte de Permanecer”, o encontro reunirá a artista visual Lídia Lisboa, a cantora e compositora Luedji Luna e a advogada Juliana Souza, fundadora e presidente da organização.
A programação integra as celebrações pelo Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e terá uma conversa sobre memória, ancestralidade e permanência, mediada por Juliana. Em seguida, será realizada a cerimônia de homenagem que dá nome ao prêmio.
Criada para reconhecer mulheres que contribuem para a sociedade por meio da arte, da cultura, da educação, da comunicação e da incidência social, a premiação destaca o protagonismo feminino na produção de conhecimento, na criação artística e na construção de novos caminhos para o país.
Nesta edição, o tema “A Arte de Permanecer” propõe uma reflexão sobre as formas de permanência construídas por mulheres negras ao longo da história. A proposta relaciona esse movimento à preservação da memória, à ocupação de espaços, à produção de conhecimento e à criação de narrativas capazes de gerar novas possibilidades para as próximas gerações.
Lídia Lisboa desenvolve uma produção artística abordando temas como memória, território, ancestralidade e identidade. Suas obras integram coleções públicas e privadas no Brasil e em outros países.
Já a artista baiana Luedji Luna, indicada ao Grammy Latino, aborda em sua obra questões relacionadas à ancestralidade, pertencimento, deslocamento e afeto. A cantora consolidou sua trajetória na música brasileira contemporânea por meio de trabalhos que articulam experiências individuais e coletivas.
Responsável pela mediação, Juliana Souza é advogada e fundou o Instituto Desvelando Oris em 2022. A organização atua no enfrentamento às desigualdades raciais e de gênero a partir dos eixos de educação, justiça e cultura.
Juliana também foi reconhecida pelo MIPAD, iniciativa internacional voltada a pessoas afrodescendentes, e é autora do livro “Torrente Ancestral — Vidas Negras Importam?”. Sua atuação reúne advocacia racial, direito e produção cultural.
Desde a primeira edição, o Prêmio Mulheres Dissonantes reconhece trajetórias femininas em diferentes áreas e busca ampliar a visibilidade de iniciativas que fortalecem direitos, a cultura brasileira e a criação de novos imaginários sociais.
Serviço
4º Prêmio Mulheres Dissonantes — A Arte de Permanecer Data: quarta-feira, 29 de julho de 2026 Credenciamento: das 19h às 19h45 Início da programação: 19h45 Local: Auditório do MASP — Avenida Paulista, 1.578, 1º subsolo, São Paulo (SP) Entrada: gratuita, com vagas limitadas e retirada antecipada de ingresso pela plataforma Sympla.
Pesquisadora revela que O Globo usou foto de outra mulher negra em seu nome desde 2022 e explica por que corrigir o site não resolve o problema no acervo.
A cientista da computação Nina da Hora denunciou uma falha de apuração do jornal O Globo, que publicou, na lista dos 101 brasileiros que constroem o futuro, seu nome associado à fotografia da escritora Lu Ain-Zaila, outra mulher negra – imagem catalogada de forma incorreta no acervo do veículo desde 2022. Fundadora do Instituto da Hora e especialista em ética de inteligência artificial, ela usou o caso para expor uma falha registrada quatro anos antes da publicação de domingo.
A redação trocou a fotografia no site em poucas horas depois de contatada, mas sem nota de correção. A edição impressa, que já havia circulado, permanece com o erro. O crédito publicado sob a imagem trazia a data de arquivo de 17 de novembro de 2022, o que evidencia que o vínculo incorreto entre nome e fotografia existe há quatro anos dentro do próprio banco de dados do jornal.
“O que aconteceu no domingo não foi o erro”, disse Nina, em publicação no LinkedIn, ao descrever a descoberta do equívoco durante o fim de semana. O problema real está registrado no acervo do jornal desde 2022 e respondeu de forma incorreta a buscas pelo nome da cientista ao longo de todo esse período, inclusive depois da correção feita no site.
A troca da imagem publicada não resolve a origem do problema, porque o par errado entre nome e rosto permanece no índice de arquivo do jornal, disponível para qualquer novo uso da fotografia. Nina escreveu um relatório técnico sobre esse comportamento antes mesmo do episódio, demonstrando que corrigir a cópia publicada não repara o sistema que a gerou. O relatório completo, em português e inglês, está disponível nos comentários da publicação, junto com a explicação sobre por que a troca no site não neutraliza a circulação da edição impressa.
O erro não envolveu inteligência artificial, mas um banco de imagens, um campo de metadado preenchido de forma equivocada e uma redação que não conferiu a informação. Esse tipo de banco não registra quem está de fato na fotografia, mas sim quem alguém escreveu que está, e qualquer sistema automatizado que consome esse dado herda a mesma falha, acrescentando a ela uma camada adicional de difícil reversão.
Cientista da computação, Nina da Hora pesquisa sistemas de identificação facial e espaços de embeddings, tecnologias em que a distinção entre pessoas de um mesmo grupo racial costuma falhar com mais frequência. O episódio reproduziu, fora de qualquer modelo de inteligência artificial, o mesmo mecanismo que ela estuda em laboratório, o que reforça o argumento de que falhas atribuídas a algoritmos com frequência têm origem em processos humanos anteriores à automação.
A mulher que aparece na fotografia publicada em nome de Nina não foi identificada nem procurada pelo jornal. A reportagem de Mundo Negro tentou localizar essa mulher e, até o fechamento desta matéria, não obteve êxito.
O caso se soma a um debate mais amplo sobre racismo algorítmico, termo cunhado por pesquisadores como Tarcízio Silva, autor do livro Racismo Algorítmico: Inteligência Artificial e Redes Digitais, para descrever como tecnologias de dados intensificam práticas discriminatórias em áreas como segurança pública, saúde e mercado de trabalho. Levantamentos independentes já mostraram, por exemplo, que sistemas de reconhecimento facial usados por forças de segurança apresentam taxas de erro mais altas para rostos negros, e que algoritmos de redes sociais tendem a priorizar imagens de pessoas brancas em testes comparativos. O episódio com Nina da Hora acrescenta a esse debate um exemplo de falha registrada antes de qualquer automação, na etapa de catalogação manual de um acervo jornalístico.
Nina da Hora integra a lista de homenageados da PowerList Mundo Negro 2026 na categoria Ciência, Tecnologia e Inovação, reconhecimento concedido a profissionais negros que se destacam na produção de conhecimento e na fiscalização pública de sistemas automatizados no país. Até a publicação desta matéria, O Globo não havia se manifestado publicamente sobre o episódio além da troca da fotografia no site.
A família Velaryon continua dando o que falar em “A Casa do Dragão”. No novo episódio, lançado ontem (26) na HBO Max, Baela Targaryen (Bethany Antonia) e Alyn de Hull (Abubakar Salim) protagonizam o primeiro e surpreendente beijo após uma conversa marcada pela vulnerabilidade emocional e o peso das perdas da guerra. A sequência reforça o avanço da trama dos Velaryon nas adaptações dos livros de George R. R. Martin.
De forma sutil, a aproximação entre os dois começou durante a busca por Corlys Velaryon, depois da Batalha da Goela. Ao lado dos meios-irmãos Alyn e Addam de Hull, Baela se vê diante de uma nova configuração familiar, em meio às consequências do conflito e à necessidade de estreitar laços com os filhos ilegítimos de Corlys. Ela também vive um outro ponto de virada, após perder o noivo Jacaerys Velaryon na guerra.
Em “Fogo & Sangue”, Baela e Alyn acabam se casam após a guerra civil Targaryen, o que leva parte do público a interpretar a cena como uma preparação para esse desfecho. Ainda assim, a série tem adotado mudanças em relação ao material original, deixando em aberto o que pode acontecer entre os personagens.
Para Bethany e Abubakar, a primeira conversa entre os dois após a Batalha da Goela já carregava intimidade. “Foi engraçado, nós dois estávamos rindo como crianças pequenas, sabendo o que estava acontecendo. Também estávamos rindo do fato de que — quer dizer, spoilers — Jace nem estava com frio, mas essa é a realidade”, disse Salim recentemente ao Decidir.
“Aquela cena na praia foi maravilhosa de filmar porque não precisamos conversar muito sobre o que ela significava. Nós dois simplesmente sabíamos instintivamente e, sim, foi maravilhoso”, afirmou Antonia.
“O interessante sobre Baela e Alyn é que ambos perderam suas mães. Eles se reconhecem muito nessa responsabilidade de irmão mais velho, de sempre ter que estar junto, de sempre fazer a coisa certa. Ambos têm irmãos mais novos que parecem fazer o que querem”, completou Salim.
O próximo episódio de “A Casa do Dragão” estreia no domingo, às 22h, na HBO Max.
O ator e cineasta Antônio Pitangaserá tema de um musical idealizado por Jô Santana, com texto e direção de Rodrigo França. Intitulado “Pitanga, O Musical”, o espetáculo nasce como homenagem à trajetória de um dos maiores artistas da história do Brasil e pretende revisitar sua atuação nas artes e na vida pública ao longo de mais de seis décadas.
A criação é fruto da parceria entre Jô Santana — ator, produtor e idealizador da Trilogia do Samba — e Rodrigo França, dramaturgo, cineasta, diretor teatral e colunista do site Mundo Negro. Segundo a produção, o projeto busca celebrar o legado de Pitanga e consolidar sua presença como patrimônio vivo da cultura nacional.
Com previsão de estreia para o segundo semestre de 2027, em Salvador, cidade natal do artista, “Pitanga, O Musical” seguirá em temporada por São Paulo e Rio de Janeiro. A montagem promete mapear a trajetória do ator através de suas passagens pelo cinema, teatro, televisão e pela cena política, relacionando sua obra às grandes transformações sociais do país.
“Antônio Pitanga é o nosso griô. Um artista que atravessa gerações preservando memórias, abrindo caminhos e ampliando o horizonte da cultura brasileira. Esse musical é mais do que merecido. Penso, inclusive, que já deveria ter acontecido há muito tempo”, diz Jô Santana com exclusividade ao Mundo Negro. “Idealizar e realizar essa homenagem chega no momento certo da minha trajetória. Como artista que pensa a sociedade, sinto que estou preparado e digno dessa missão. Não medirei esforços para entregar um musical à altura desse grande homem, desse grande artista e dessa referência indispensável para a cultura brasileira”, completa.
“Receber do Jô Santana a missão de escrever e dirigir um musical sobre Antônio Pitanga é um presente que chega ao colo de qualquer artista que reconhece a riqueza que a negritude brasileira ofereceu e continua oferecendo ao país. Pitanga é um dos grandes precursores dessa história. Sou profundamente grato à sua trajetória e tenho o lindo benefício de, há anos, acordar quase todas as manhãs com uma mensagem, uma reflexão ou uma palavra dele. Isso revela a dimensão do intelectual e do ser humano que ele é. Ganha a sociedade por ter Antônio Pitanga como um de seus maiores artistas. Ganha quem tem a oportunidade de caminhar ao seu lado. Esse musical já nasce deslumbrante”, diz Rodrigo França ao site.
O encontro marcou o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e reuniu jornalistas e criadoras de conteúdo.
A Avon promoveu, na sexta-feira (24), um jantar em celebração ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, lembrado em 25 de julho. O encontro reuniu jornalistas e criadoras de conteúdo para uma conversa sobre representatividade, beleza, desenvolvimento de produtos e equidade racial.
A programação buscou criar um espaço de troca entre mulheres negras que atuam no mercado da beleza e da comunicação, e apresentar iniciativas da marca relacionadas à diversidade de tons de pele.
Durante o encontro, Aline Lima, Head de Diversidade, Equidade e Inclusão da Natura América Latina, destacou que a construção da equidade racial exige continuidade, escuta e transformação de compromissos em ações concretas. Segundo ela, a empresa desenvolve, desde 2013, pesquisas sobre a diversidade de tons de pele em diferentes países.
Desenvolvimento de produtos para diferentes tons de pele
Entre as iniciativas apresentadas está a linha de hidratação facial Avon Care Radiância e Luminosidade, desenvolvida para peles pretas e pardas a partir de estudos realizados em países da América Latina.
A Avon também afirma ampliar seu portfólio de maquiagem com diferentes cores, acabamentos e tecnologias. Entre os lançamentos recentes estão produtos para a construção do chamado lip combo, técnica que combina delineador labial e batom.
Como parte da agenda em torno do 25 de julho, a marca também patrocinou o Festival Pacto das Pretas. O movimento passou por Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo com debates, conexões e atividades voltadas à atuação e ao protagonismo de mulheres negras.
A influenciadora Tamiê estava presente no jantar e ressaltou a importância de encontros nos quais mulheres negras possam compartilhar experiências, fortalecer conexões e participar das discussões que movimentam o mercado da beleza.
“Encontros como esse reforçam a importância de criar espaços em que mulheres negras sejam protagonistas e possam trocar experiências.”
O Julho das Pretas é um mês para celebrar as mulheres negras, e o cinema é um dos caminhos que tem o poder de trazer a visibilidade positiva para elas, seja nas telas ou nos bastidores. Destacando o cenário do audiovisual brasileiro, Luh Maza, cineasta e colunista do Mundo Negro, selecionou cinco títulos entre um clássico que atravessa gerações, além de produções mais recentes, mostrando como diretoras negras refletem a cultura e as vivências negras com olhares diversos.
Do marco histórico de Adélia Sampaio às novas vozes que ocupam festivais e plataformas de streaming, as obras desconstroem estereótipos e ampliam o imaginário coletivo sobre a comunidade negra no Brasil.
Veja lista completa abaixo
“Amor Maldito” (1984) dirigido por Adélia Sampaio – considerado o primeiro longa-metragem dirigido por uma mulher no Brasil. Disponível no YouTube.
Fotos: Divulgação e Marcus Leoni/Itaú Cultural
“Café com Canela” (2017) dirigido por Ary Rosa e Glenda Nicácio – longa onde uma dos codiretores é uma mulher negra
Fotos: Divulgação
“Um Dia Com Jerusa” (2020) dirigido por Viviane Ferreira – segundo longa de ficção dirigido exclusivamente por uma mulher negra
Fotos: Divulgação
“Racionais MC’s – Das Ruas de São Paulo pro Mundo” (2022) dirigido por Juliana Vicente – longa documental distribuído pela Netflix
Fotos: Divulgação
“Insubmissas” (2024) dirigido por Ana do Carmo, Júlia Katharine, Luh Maza e Taís Amordivino – longa antológico onde 3 das quatro codiretoras eram negras e a outra descendente asiática.
No Brasil, onde mais de 56% da população se autodeclara negra, a desigualdade racial e de gênero no mercado de trabalho ainda é alarmante. Dados recentes mostram que apenas 3% da população negra ocupa cargos de alta liderança no país, e o percentual de mulheres negras em posições executivas é ainda menor. Essa discrepância reflete uma estrutura corporativa que, historicamente, exclui e invisibiliza corpos negros, especialmente os femininos, dos espaços de decisão. Nesse contexto, a jornada de uma mulher negra até o topo é marcada por desafios desproporcionais, mas também por um poder transformador que transcende o individual.
É comum ouvirmos no meio corporativo que a liderança é uma jornada solitária. No entanto, quando essa trajetória é atravessada pela interseccionalidade de raça e gênero, essa afirmação deixa de ser um mero clichê de gestão para se tornar uma realidade concreta, dura e diária. Para a maioria das executivas negras que alcançam o topo, a experiência de ser a única presença negra em salas de reunião, conselhos e diretorias não é uma exceção, mas, na maioria das vezes, a regra do cotidiano.
Costumamos idealizar mentalmente a figura da liderança perfeita: um time diverso, empoderado e conduzido por uma pessoa “super-heroína” capaz de equilibrar todos os pratos. Contudo, no cotidiano, a solidão da mulher negra na gestão se manifesta de forma sutil e profunda. A ausência de pares na alta liderança que compartilhem das mesmas vivências faz com que conselhos e modelos tradicionais de gestão precisem ser constantemente filtrados e adaptados para fazerem sentido dentro da nossa própria realidade e essência.
Essa sensação de isolamento reflete diretamente a estrutura do mercado de trabalho brasileiro. Trata-se de uma discrepância alarmante em uma nação onde mais de metade da população é negra, evidenciando como o acesso ao topo exige um esforço desproporcional, acompanhado por inseguranças e pela enorme responsabilidade de inspirar e puxar aqueles que o sistema insiste em deixar à margem.
A complexidade dessa jornada se intensifica quando inserimos o recorte da maternidade. O mercado corporativo tradicional historicamente pregou o mito de que a maternidade colocaria um fim na carreira de uma executiva. A prática cotidiana, no entanto, demonstra o exato oposto: a maternidade possui o potencial de transformar a mulher em uma líder incomparavelmente melhor, mais empática, estratégica e resiliente.
O desafio, no entanto, reside na falta de estruturas acolhedoras que compreendam a integração entre a vida pessoal e a profissional sem tabus ou penalizações veladas. Políticas corporativas que promovam a equidade de gênero e a inclusão de mães no mercado de trabalho são essenciais para que essas mulheres possam exercer todo o seu potencial.
Lidando com esses cenários há mais de 25 anos e hoje como presidente da Fundação 1bi, atuando com a melhoria da educação pública por meio da tecnologia, reflito que:
“O cargo e o título, para mim e de onde eu venho, fazem toda a diferença. Não porque o título sirva para autoafirmação, mas porque, ao verem uma mulher negra ocupar uma diretoria executiva e, na sequência, uma presidência, outras pessoas entendem que também podem chegar lá. O título visibiliza a conquista e abre caminhos para que a jornada das próximas gerações seja um pouco mais leve.”
Quando uma mulher negra ocupa uma posição de liderança, ela não apenas quebra barreiras para si mesma, mas também inspira e pavimenta o caminho para outras mulheres negras que vêm depois.
Apesar dos avanços pontuais e do boom de compromissos públicos e vagas afirmativas registrado por volta de 2020, o cenário atual exige alerta. Percebe-se um movimento de recuo nas organizações, com a diminuição de programas afirmativos e a descontinuidade de comitês de diversidade.
Promover a transformação social e alterar a cultura corporativa é uma tarefa diária e exaustiva. Não basta apenas abrir portas de entrada em cargos de base; é urgente garantir o desenvolvimento, a retenção e a ascensão real dessas profissionais a posições decisórias. Empresas precisam ir além de discursos e compromissos superficiais, implementando políticas estruturais que garantam a equidade de forma sustentável.
Dentista do SUS terá a guarda-portuária Raquel Brício como vice em uma chapa formada integralmente por mulheres.
O partido Unidade Popular pelo Socialismo (UP) oficializou, no domingo (26), a candidatura de Samara Martins à Presidência da República nas eleições de 2026. A guarda-portuária paraense Raquel Brício foi anunciada como candidata à Vice-Presidência, formando uma chapa composta integralmente por mulheres.
A convenção nacional ocorreu na Universidade Zumbi dos Palmares, em São Paulo, e reuniu filiados e representantes da legenda. Entre as 13 pessoas presentes que disputarão governos estaduais pela UP, 11 são mulheres.
Dentista do Sistema Único de Saúde (SUS), Samara ocupa a vice-presidência nacional do partido e atua em movimentos voltados aos direitos das mulheres, da população negra e da classe trabalhadora. Em 2022, ela foi candidata à Vice-Presidência na chapa encabeçada por Léo Péricles, presidente nacional do partido.
Ao apresentar as prioridades de um eventual governo, Samara defendeu a reestatização de empresas privatizadas, a ampliação das contratações diretas pelo poder público e mudanças na destinação dos recursos do orçamento federal.
A candidata também propôs a realização de uma auditoria da dívida pública e a suspensão dos pagamentos para ampliar os investimentos em políticas sociais. Segundo ela, o orçamento deve colocar as necessidades da população trabalhadora no centro das decisões governamentais.
Participação de mulheres e pessoas negras na política
A UP lançou 12 mulheres entre as 17 candidaturas do partido aos governos estaduais. Para Samara, a ampliação da presença feminina nos espaços de decisão é necessária para enfrentar a desigualdade de gênero e construir políticas de combate ao feminicídio e à misoginia.
Entre as medidas defendidas estão a criminalização da misoginia, a responsabilização das plataformas digitais pela circulação de conteúdos de ódio contra mulheres e a inclusão da educação de gênero nas escolas.
A candidata também defendeu mecanismos legais para ampliar a presença de mulheres e pessoas negras nos espaços de poder, incluindo o Congresso Nacional.
Questionada sobre os desafios de ampliar o alcance de uma candidatura com menor representação institucional e menos espaço nos meios de divulgação, Samara afirmou que a campanha será construída por meio do contato direto com a população.
Em entrevista ao portal g1, ela destacou a atuação da militância em comunidades, escolas, universidades e locais de trabalho:
“É nessa luta de rua, olho no olho, conversando com as pessoas, que a gente quer disputar e ultrapassar essa barreira.”
O Instituto Pactuá, organização sem fins lucrativos voltada à formação e à aceleração de lideranças negras no ambiente corporativo, completou cinco anos de atuação em julho. A data foi marcada pelo “Formassário”, evento que celebrou a formatura da quarta turma do programa de mentoria e reuniu mentores, mentorados, cofundadores, conselheiros, parceiros e representantes de empresas na sede do iFood, em São Paulo.
Fundado por executivos comprometidos com a diversidade no ambiente corporativo, o Pactuá nasceu para acelerar a inserção e a ascensão de profissionais negros em posições de decisão. Ao longo desses cinco anos, consolidou uma rede de lideranças, mentores, empresas e parceiros e já impactou mais de mil pessoas: foram mais de 700 participantes no programa de mentoria e mais de 300 lideranças negras alcançadas por iniciativas de educação realizadas em parceria com instituições como Grupo Exame | Saint Paul, Fundação Dom Cabral e IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa). Todas as ações são orientadas pelos pilares Conexão, Inspiração e Educação.
O trabalho responde a uma desigualdade persistente no país. Embora pessoas negras representem 56% da população brasileira, ocupam apenas 4% dos cargos de liderança nas empresas, percentual que cai para 0,4% quando se trata de mulheres negras.
Durante o “Formassário” , dezenas de participantes entre mentores e mentorados celebraram a conclusão da quarta turma. O evento também marcou o anúncio da quinta edição do Programa de Mentoria, prevista para começar em agosto com aproximadamente 600 novos participantes e a parceria do MOVER (Movimento pela Equidade Racial), que amplia a rede de desenvolvimento de lideranças negras em diferentes setores da economia.
Íris Barbosa Barreira, presidente do Instituto Pactuá (Foto: Divulgação)
“O que começou como um sonho se tornou um movimento. Nestes cinco anos construímos uma rede que conecta pessoas, compartilha experiências e amplia oportunidades para profissionais negros ocuparem espaços de liderança. Cada nova turma representa mais empresas transformadas e mais histórias de sucesso sendo escritas”, afirma Íris Barbosa Barreira, presidente do Instituto Pactuá.
A celebração ainda marcou o lançamento de novas iniciativas. O iFood oficializou uma parceria com o Instituto para oferecer bolsas em um bootcamp de Inteligência Artificial, ampliando o acesso dos participantes a uma competência considerada estratégica para o futuro do trabalho. Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, o Pactuá também anunciou a concessão de bolsas para a participação de mulheres negras líderes no programa de mentoria, reforçando o compromisso de ampliar a presença feminina negra nos espaços de decisão.
Encerrado em clima de confraternização, o “Formassário” reafirmou a proposta do Instituto Pactuá de ampliar oportunidades, conectar talentos e fortalecer uma rede de lideranças capazes de promover transformações dentro das organizações e na sociedade.
O Pactuá tem como objetivo acelerar a inserção e a ascensão de profissionais negras em posições de liderança no ambiente corporativo. Por meio de programas de mentoria, educação executiva, desenvolvimento de carreira e da articulação de uma ampla rede de lideranças, promove conexões, compartilha conhecimento e amplia oportunidades. Fundamentado nos pilares Conexão, Inspiração e Educação, atua em parceria com empresas e instituições de referência para contribuir com a formação de lideranças mais diversas e a construção de organizações mais inovadoras, inclusivas e competitivas.
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