O ator, roteirista e comediante Marlon Wayans fez um post em seu instagram e twitter pedindo para que a população parasse de rir ou criticar os problemas mentais do rapper Kanye West.
Marlon afirmou que a linha entre insanidade e genialidade é tênue e que Kanye mergulha nos dois, porque sente e é os dois. Dizendo ainda que não deve ignorar uma doença mental e que, se toda família tivesse uma pessoa que sofre disso, o respeito aconteceria.
“Espero que todos vocês rezem por @KanyeWest também”, escreveu o comediante no Twitter. “Ele não é só um artista, mas também é um pai, um filho, um marido e, acima de tudo, um ser humano. Fique bem logo”. Continuou ele.
O comediante pediu para que seus fãs não virassem as costas para doenças mentais e disse que ele utiliza da comédia para lidar com sua própria insanidade. Kanye, que é extremamente talentoso, está totalmente imerso nos dois.
Nesta semana, Kanye West foi muito comentado nas redes sociais por falas contra a esposa, ter entrado na candidatura da presidência dos EUA e ter chorado após retirar sua candidatura do ar.
Conversamos com o cineasta francês, Karim Akadiri Soumaïla, na qual é o protagonista, diretor, corroteirista e narrador da série investigativa ‘Em Busca de Kardec’. Karim mergulha pelo espiritismo para ressignificar o luto pela morte da filha, Ifa. Ele parte da Europa para o Brasil, onde tem contato com a sua primogênita por meio de pintura mediúnica e descobre escritos inéditos do codificador da doutrina. Toda experiência foi documentada e será exibida no canal de TV por assinatura Prime Box Brazil.
Karim, é um homem preto e muitos estudiosos sobre o tema do espiritismo acusam Allan Kardec de ter sido um homem racista.
Quem foi Allan Kardec:
Hippolyte Léon Denizard Rivail (Lyon, 1804 – 1869) foi um educador, escritor e tradutor francês. Nascido numa antiga família católica com tradição na magistratura e na advocacia, desde cedo manifestou propensão para o estudo das ciências e da filosofia. O pseudônimo de Allan Kardec o notabilizou como codificador do Espiritismo (neologismo por ele criado) também denominado de Doutrina Espírita.
Embasado na frenologia (craniologia), considerada hoje como pseudociência, fundada pelo médico alemão Franz Joseph Gall (1758-1828), segundo o qual as formas anatômicas do crânio humanos teriam relação com o caráter, personalidade, moralidade e com a espiritualidade. Ele foi membro ativo por vários anos da Sociedade Frenológica de Paris.
Kardec assume que o aspecto físico, morfológico e biotípico do negro expressa inferioridade intelecto-moral em comparação com a raça caucasiana. De acordo com ele, a raça branca seria mais evoluída espiritualmente, conforme vemos nos trechos da sua obra:
“Os negros, pois, como organização física, serão sempre os mesmos; como Espíritos, sem dúvida, são uma raça inferior, quer dizer, primitiva; são verdadeiras crianças às quais pode-se ensinar muita coisa.”
“São seres tão brutos, tão pouco inteligentes, que seria trabalho perdido procurar instruí-los; é uma raça inferior, incorrigível e profundamente incapaz.”
Karim Akadiri Soumaïla, diz que no decorrer do documentário encontrou “dois textos que me incomodaram, um na Gênese e outro na Revista Espírita datado de 1862, sobre a ‘perfectibilidade do negro…’. Nesse texto, Kardec,se assim posso dizer, reconhece “a faculdade de aperfeiçoamento do negro, podendo passar do estado de selvagem a um ser educado”.”
Isso fez com que o diretor se aprofunda-se em suas pesquisas “mergulhar no pensamento e no contexto intelectual e científico da segunda metade do século XIX. Esse movimento que se inspirava em linha reta nas teorias de Darwin e sua escala comparativa de raças. Um século dominado pelo suprematismo branco. Assim, Kardec era racista? Eu diria mais etnocentrista, como Darwin.”
“Mas a doutrina espírita propõe uma igualdade entre todos os seres humanos, sendo que o espírito pode se encarnar ora como pobre ou rico, ora como homem ou mulher, ora como negro ou branco. Então, há aí quase uma contradição. Mas é o contexto da época.
Discutimos esse tema de um suposto “racismo de Kardec” no episódio 5, da série Em busca de Kardec. Também mergulhamos nesse episódio em minha origem Yorubá e falamos do Candomblé e da Umbanda”.
MN: Os escritos de Kardec sobre a “a raça inferior” não te incomodou a ponto de você querer fazer uma série sobre ele?
Karim: Como cineasta não me coloco no lugar de ensinar moral e nem distribuo pontos de boa conduta. Não sou espírita, mas me tornei simpatizante, sobretudo pela forma que o espiritismo tomou no Brasil, no plano da educação e da beneficência.
Anália Franco e Eurípedes Barsanulfo foram os primeiros educadores que incluíram em suas escolas, filhos de ex-escravos, dando-lhes educação, e isso pouco tempo depois da abolição da escravidão, quando havia no Brasil um projeto de branqueamento da nação.
Em suma, um certo kardecismo europeu morreu com Kardec na França do século XIX e de alguma maneira renasceu desempoeirado no Brasil.
Portanto, como diretor, devo manter uma certa distância diante do meu objeto, justamente para ter a liberdade de debater ou não este ou aquele tema, e no caso de Kardec, evocar a questão racial ou seu suposto racismo. Esse não é o objeto do documentário. Mas não nos esquivamos de tocar no assunto, na medida em que foi possível.
Muito se tem discutido sobre a derrubada de monumentos escravagistas e que referenciam algumas das figuras mais tenebrosas na história do nosso país e do mundo, por outro lado, os diversos movimentos negros ao longo dos anos tem lutado para difundir narrativas pretas sempre tão invisibilizadas, deturpadas e silenciadas. Pensando nisso separei alguns monumentos grandiosos e pouco conhecidos que valorizam e enfatizam a trajetória de luta e resistência do povo preto e nos conectam com a nossa memória. Segue a lista:
Monumento da Renascença Africana, em Dacar, Senegal
Com 49 metros de altura, este é um dos mais visitados na África. Foi erguido para homenagear os 50 anos da independências do Senegal em 2010. Maior que o Cristo Redentor (38 metros), custou 27 milhões de dólares e é um dos maiores do monumentos do mundo perdendo apenas para estátuas como o Buda Chinês e a Estátua da Liberdade. A obra africana de bronze foi desenhada pelo arquiteto senegalês Pierre Goudiaby, mas sua construção também gerou algumas controvérsias, muitos consideraram o custo da estátua um exagero em um país com muitas demandas importantes, já outros senegaleses apoiaram a empreitada, defendendo que ela simboliza a ascensão da África em meio “à intolerância e ao racismo”.
Estátua deGaspar Yanga, Yanga, México
A Estátua é uma homenagem a Gaspar Yanga, líder de uma revolta contra a Espanha colonial, ele se rebelou contra a escravidão e fundou uma comunidade agrícola em 1570, após uma série de batalhas a cidade de San Lorenzo de Los Negros (mais tarde renomeada para Yanga) foi reconhecida oficialmente pela Espanha em 1618. Todos os anos, em agosto, os habitantes de Yanga realizam uma celebração em comemoração a derrota da Espanha e criação da primeira cidade para negros livres nas Américas.
Museu Memorial ACTe , Point à Pitre, Ilhas Guadalupe
Inaugurado em maio de 2015, o Centro Caribenho de expressões e de memória do comércio escravagista é o edifício referência de Pointe à Pitre, e o maior do mundo. O Complexo não é apenas um memorial em lembrança do tráfico de negros entre África e Caribe, mas um Centro de Estudos sobe a história da escravidão e dos direitos humanos. Sua fachada é recoberta por placas de quartzo negro, representando os milhões de almas que foram vítimas da escravidão.
Memorial Nelson Mandela, Howick, África do Sul
O artista sul-africano Marco Cianfanelli desenvolveu um memorial para reconhecer o aniversário de 50 anos do ativista, político e líder histórico da África do Sul, Nelson Madela. O Monumento é composto de 50 colunas de aço com 9 metros de altura, ancoradas em concreto. As 50 colunas representam os 50 anos desde que Mandela foi preso político por se opor ao apartheid.
Desenkadena (Tula Monument), Curaçao
O Monumento foi feito pelo artista visual Nel Simon, “Desenkadena” significa desacorrentado. Ele está instalado em homenagem a Tula Regard, lider de uma Revolução de Escravos na ilha em 1795.
Zumbi dos palmares, Salvador, Brasil
Uma homenagem ao líder do Quilombo dos Palmares, líder da fuga de escravos em direção a Serra da Barriga, em Alagoas. Construído pela artista plástica Márcia Magno, a estátua de bronze de 2,2 metros de altura pesa cerca de 300 quilos, e fica localizada na Praça da Sé, Centro Histórico de Salvador, sendo a primeira estátua a retratar Zumbi de corpo inteiro. Em 2019 parte da lança da estátua foi furtada e segundo a prefeitura o restauro da peça custou cerca de 38 mil reais.
Canção da Redenção, Kingston, Jamaica
Inspirado pela composição de Bob Marley, está localizado na capital da Jamaica, Kingston, na área central do Parque da Emancipação inaugurado em 2013, mostra um casal negro olhando para o céu representando a emancipação negra frente aos horrores da escravidão. A artista se baseou nas palavras contidas na música: “Emancipem-se da escravidão mental, ninguém além de nós mesmos pode libertar nossas mentes”.
Dois artigos serviram de inspiração para essa curadoria, você pode conferir aqui e aqui
Eu, Thais Prado atualmente sou a redatora aqui do site Mundo Negro e vou contar um pouco da minha experiência em trabalhar só com negros. A ideia desse artigo surgiu não afim de fazer uma auto propaganda do Mundo Negro mas sim de mostrar o mundo branco em que eu “me meti”.
No começo do mês de julho uma amiga de faculdade iniciou um projeto em seu Instagram com uma série de lives com o tema ‘Pretos em Pauta’ e me convidou para gravar um vídeo falando um pouco sobre como é trabalhar no Mundo Negro e qual a importância da representatividade na mídia.
Ao assistir o meu vídeo entendi mais ainda qual é o meu papel na “mídia preta”. Vamos voltar algumas casinhas e me acompanhem para entender a importância de se ter representatividade dentro de todos os campos mas principalmente nas grandes mídias.
Voltemos às origens rapidamente:
Não posso falar de quem eu sou sem antes falar dos meus antecessores, então “voltemos às origens rapidamente”: Sou neta de quilombolas do quilombo da Caçandoca onde nos denominamos como ‘Gabrieis’, pois somos descendentes de um homem escravizado chamado Gabriel, afirmo todos os dias o meu local de fala lembrando sempre dos meus antecessores. Sabendo quem veio antes, eu sei quem sou hoje e pra onde devo ir amanhã. E sim, quilombos ainda existem!
Como estudamos na escola, o mais emblemático dos quilombos formados no período colonial foi o Quilombo dos Palmares. Palmares existiu por mais de um século, e se transformou em símbolo da resistência do africano à escravatura. Como vocês verão abaixo, ainda hoje ser quilombola é ser resistência.
No século XIX, onde existe ainda hoje o Quilombo da Caçandoca, havia uma fazenda cafeicultora e escravagista, que em 1858 foi adquirida por José Antunes de Sá. Ela abrangia as localidades de Praia do Pulso, Caçandoca e Caçandoquinha, Bairro Alto, Saco da Raposa, São Lourenço, Saco do Morcego, Saco da Banana e Praia do Simão. E o fazendeiro por anos aproveitou a localização afastada e rodeada pelo mar para trazer negros da África e explorá-los.
José de Sá teve três filhos e concedeu a cada um uma parte da fazenda e um grupo de escravos. Na época, tanto o fazendeiro como seus herdeiros tiveram filhos com mulheres escravizadas. O mais comum era logo após o nascimento vendê-los.
Em 1888, com a abolição da escravatura, alguns ex-escravizados foram embora, enquanto outros permaneceram como posseiros, donos do seu próprio trabalho. Ficaram também os poucos filhos e netos de José Antunes de Sá reconhecidos como legítimos. A comunidade foi sendo formada a partir de três núcleos familiares: filhos e netos de José de Sá e descendentes de dois escravizados, Gabriel de Oliveira dos Santos e Rosária Vitória. Nascendo, ali, os chamados “Gabrieis”.
Voltemos para o presente:
Além de jornalista sou arte educadora, colunista em dois outros sites e trabalhei cerca de um ano e meio em outro grande portal de notícias.
Ao ser contratada como redatora do MN fiquei, literalmente, chocada ao ver que todos os funcionários são pretxs. Pela linha do site e nome talvez fosse obvio que todos os funcionários fossem pretos. Mas eu já estava tão acostumada a ser a única negra de tantos lugares que aquilo pra mim parecia ser um Oásis.
Vamos ao check-list rápido:
Única negra da sala na universidade (Bolsista, amém);
A primeira da família a ter um curso superior (Infelizmente a única até agora);
Já trabalhei em N lugares onde eu era a única negra;
Uma das minhas últimas experiências antes de começar no Mundo Negro, foi em um portal de notícias prestigiado onde as únicas negras era eu e a senhora que cuidava da limpeza. Todo o resto em sua maioria eram homens brancos cheios de comentários e atos racistas, tantos que daria até mais um checklist, mas seguimos.
Estou aqui, falando tudo isso, pra deixar de forma mais escura, o quanto é importante ter representatividade na mídia negra. Além de ser espelho para os que estão ao nosso redor, é de extrema importância para nós, negros, ocuparmos nossos espaços e locais de fala. Para que não seja um espanto uma empresa ter em sua maioria ou totalidade, funcionários negros.
Sem falar da narrativa branca ao abordar assuntos envolvendo a comunidade negra. Onde por exemplo a mídia representa um garoto branco traficante como jovem apreendido e o negro já é logo taxado de ladrão isso é, quando sobrevive e chega a entrar no noticiário como traficante e não como óbito de mais um jovem negro.
De forma sucinta, essa é a diferença entre trabalhar em uma empresa branca e uma empresa preta. Eu falo para os meus na linguagem dos meus e cresço com os meus. Dando visibilidade, suporte, relatando casos que muitas vezes a grande mídia branca não se interessa.
Esse artigo é sobre ocupar espaços e fazer com que seja comum ter negros ocupando todos os espaços dentro de uma empresa, principalmente na mídia. Nossas crianças precisam se ver e ter a quem se espelhar.
Nas últimas semanas, uma ação iniciada por Tais Araujo mobilizou famosas e fez surgir, também, um movimento que reúne profissionais de todo o Brasil em busca de um único objetivo: representatividade.
Por meio da campanha “Negras que Movem”, um grupo de aproximadamente 30 mulheres de diferentes estados e carreiras se uniram para divulgar seus projetos, fazer negócios entre si e influenciar mais profissionais a fazerem o mesmo.
“Nós vimos a publicação que Taís Araujo fez nas redes sociais homenageando a atriz Isabel Fillardis e percebemos como isso ganhou força. Muitas atrizes negras entraram na campanha e também falaram sobre a importância de Isabel e da própria Taís em suas trajetórias. Então, pensamos: por que não criarmos essa rede e mostramos mulheres negras que estão por aí movendo diversas áreas profissionais, desde o Direito à Economia, da Tecnologia à Aviação?”, explica a publicitária Luciane Reis, criadora do canal “MercAfro” e uma das integrantes do projeto. Ao lado da designer Taís Nascimento e da marketeira digital Vitorí da Silva, ela organiza o primeiro mês de ações do grupo.
No perfil do Instagram, que leva o mesmo nome da campanha, são compartilhadas as histórias dessas profissionais. Além disso, também é disponibilizada uma forma de contato, para viabilizar as possíveis parcerias que venham a surgir. “No grupo há mulheres das mais diferentes carreiras, então é muito provável que você se identifique com alguma delas ou que necessite de algum serviço oferecido. É muito importante também mostrar essas histórias, de profissionais negras que estão fazendo sucesso pelo país, para que cada vez mais mulheres negras saibam que o local delas também é naqueles espaços”, comenta a jornalista Jaqueline Fraga, autora do livro “Negra Sou: a ascensão da mulher negra no mercado de trabalho” e que ao lado da educadora física Jéssica Remédios apoia as ações de comunicação do grupo.
As profissionais que fazem parte do projeto se conheceram por meio do Programa Marielle Franco, promovido pelo Fundo Baobá para a Equidade Racial. “O programa busca acelerar o desenvolvimento de lideranças femininas negras. Muitas de nós não nos conhecemos pessoalmente, já que é um grupo nacional, mas sentimos a necessidade de compartilhar nossas histórias e assim incentivar mais mulheres a se enxergarem em profissões que muitas vezes ainda são mais ocupadas por pessoas brancas”, comenta Taís Nascimento.
O “Negras que Movem”, aliás, nasce em meio ao movimento “Julho das Pretas”, que celebra o Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha, comemorado no próximo dia 25. Segundo as organizadoras, o objetivo é que no futuro mais mulheres integrem a equipe e tenham seus trabalhos divulgados na plataforma.
O BAFTA TV Awards 2020, anunciou nesta terça-feira (21) que o ator, diretor, produtor e DJ Idris Elba receberá um prêmio na edição deste ano.
O British Academy Television Awards, também conhecido como BAFTA TV Awards, é um prestigioso conjunto de prêmios concedidos pela indústria televisiva do Reino Unido, similar ao Emmy dos Estados Unidos. Apresentado pela British Academy of Film and Television Arts, têm sido entregue anualmente desde 1955.
Durante o BAFTA TV Awards 2020, que acontecerá no dia 31 de julho, Elba será honrado com o BAFTA Special Award por toda contribuição criativa dele para a televisão. Em comunicado, a premiação aclamou a carreira de Idris:
“Em reconhecimento à sua carreira excepcional e seu compromisso em defender a diversidade e os novos talentos do setor. O impacto de Elba no cenário da televisão internacional vai além de suas realizações: um feroz defensor da diversidade e de novos talentos, ele fundou a produtora Green Door Pictures em 2013, com foco na inclusão e na oportunidade de talentos desconhecidos no cinema.”
No Instagram, a cerimônia divulgou a novidade com uma foto do ator:
“Temos o prazer de anunciar que Idris Elba receberá o BAFTA Special Award por contribuição criativa à televisão nos BAFTAs em 31 de julho!”
No dia 25 de julho é celebrado o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Teresa de Benguela, líder quilombola do século 18 que lutou contra a escravidão da comunidade negra e indígena.
Para celebrar a data, iniciamos o movimento #JulhoDasPretas e vamos publicar histórias de mulheres da nossa comunidade que inspirem outras pessoas por meio de narrativas positivas. Não importa se as conquistas são pessoais ou profissionais , queremos contar boas histórias.
Dessa vez, o #JulhoDasPretas é com Aline Barbosa, 31 anos e mãe solo de quatro crianças.
Aline se formou aos 18 anos e junto descobriu uma gravidez não planejada.
“Descobri que estava grávida quando já estava com 30 semanas! Isso mesmo, 30 semanas! Sim fui mãe aos 19 anos, mãe solteira”.
As dificuldades:
“Meu sonho de ir em busca de uma vida melhor, me impulsionava em seguir em frente. Quando minha filha tinha 6 meses eu entrei na faculdade de Pedagogia”.
“Comecei a trabalhar aos meus 16 anos em uma empresa de recreação em um shopping, pois eu precisava ajudar meus pais a custear meus gastos para estudar.
Eu cursei magistério, onde eu estudava até as 18:30 e as 19:00 começa a trabalhar no shopping. Foi um período difícil, mas consegui.
Trabalhava o dia todo em uma escola, ia direto para a faculdade, usava quatro ônibus diários e só via minha filha às 23:30 da noite quando já estava dormindo.
Muitas vezes pensei em desistir, mas a lembrança da minha infância onde minha avó dizia que eu sendo uma mulher negra deveria sempre mostrar duas vezes mais que era melhor, não saia da minha cabeça.
Aos poucos percebi que não era essa a profissão eu que queria seguir. Me casei e com a chegada do meu segundo filho, decidi empreender. Vendi docinhos, fiz decoração de festa, abri um salão de festas. Sempre em busca de ter o meu dinheiro e ser “alguém” na vida.
Meu terceiro filho chegou e com ele muitas incertezas na minha vida, muitas dúvidas em qual caminho seguir. Continuei fazendo decorações em festas, mas a cada dia as dificuldades foram aumentando.
Quando engravidei pela quarta vez, me senti envergonhada, triste, sozinha e entrei em um buraco profundo. Não sentia vontade de viver. Foi quando comecei a utilizar o Instagram, e nesta rede social conheci outras mães que passavam pelas mesmas angústias que eu.
Conclusão:
Minha filha nasceu e eu renasci! Percebi que eu tinha uma força que nem imaginava.
E desde então, comecei a trabalhar como criadora de conteúdo digital. Onde me encontrei profissionalmente e tenho o propósito de representar todas mães e mulheres negras, através do meu ig @maecrespa.
Hoje faço faculdade de marketing digital e estou sempre em uma busca incessante por conhecimento, pois se tem algo que ninguém nos tira é ele.
O movimento cultural oriundo da Zona Oeste, Projeto Criolice, está preparando uma live solidária para arrecadar recursos em prol de músicos, em seu canal do youtube. A contribuição, que tem valor inicial de R$ 10 pretende garantir ajuda financeira para esses profissionais que estão sendo bastante afetados pela pandemia. “A ideia é fortalecer e incentivar a classe”.
Iniciado numa localidade conhecida como Ponto Chic no bairro de Padre Miguel em fevereiro de 2010, o Criolice, que começou na rua para minimizar a carência de acesso a eventos culturais, em pouco tempo se tornou uma das rodas de samba mais importantes do calendário da cidade. O evento se tornou o mais esperado e comentado da região, reunindo mais de 3.000 mil pessoas todas as semanas, consagrando-se assim, a manifestação cultural e popular de maior expressão na Zona Oeste.
O objetivo do projeto é a valorização da cultura de matriz africana e consiste na implementação de várias atividades sócio culturais através de uma “sensacional viagem ao mundo do samba”, que é o grande foco desse movimento.
Serviço: Dia 02 de agosto – às 14:00 Grupo: Projeto Criolice Canal Youtube: Projeto Criolice Valor para doação: a partir de R$ 10,00
Considerado uma das revelações do hip hop na década de 2000, Leandro Roque de Oliveira é cantor, compositor, desenhista, poeta, escritor e produtor musical. Nasceu na Zona Norte de São Paulo e começou a ganhar destaque no meio musical por sua participação em batalhas de improvisação. A repercussão de seu trabalho já o levou a se apresentar em eventos internacionais como o Festival Coachella, nos Estados Unidos, e Back2Black Festival, em Londres. Com grande influência entre jovens, Emicida não deixa de expor também sua opinião sobre o cenário político brasileiro atual.
O rapper Emicida será o próximo entrevistado do Roda Viva, o tradicional programa exibido pela TV Cultura de São Paulo desde 1986 às segundas-feiras. O convite chama a atenção por serem poucos os músicos que já se sentaram para conversar com a banca de convidados. Apesar de já ter recebido importantes nomes para nossa cultura como: Elza Soares, Caetano Veloso, Gilberto Gil, entre eles, além de cineastas, atores, fotógrafos e escritores. No mundo do hip-hop, apenas Mano Brown, dos Racionais MC’s, já esteve lá, em 2007.
Veja a vinheta criada para divulgar a participação do paulistano de 34 anos no programa que será exibido ao vivo na segunda-feira (27), às 22h, na TV Cultura e através dos canais digitais da emissora.
A pesquisa sobre o Perfil da Enfermagem no Brasil, um dos diagnósticos mais amplos sobre a profissão de enfermagem realizada na América Latina, mostra que a enfermagem do Brasil é composta por 53% de negros e negras. Além de ser predominantemente feminina, sendo composta por 84,6% de mulheres, de acordo com a mesma pesquisa. Mesmo assim, a luta pela igualdade e valorização ainda é árdua e contínua.
Hoje o #JulhoDasPretas é com a enfermeira Jacqueline Torres, que atua no Faculty do IHI, na função de Diretora Técnica do Projeto Alcançar (que tem o objetivo de reduzir a mortalidade materna e neonatal em Moçambique). Conheça a história da mulher eleita Top Voice Saúde 2020 no LinkedIn e fundadora do projeto Enfermeiras Que Mudam O Mundo!
As dificuldades da enfermagem:
Graças a minha profissão conquistei liberdade financeira, liberdade geográfica, liberdade emocional e liberdade de tempo, algo que não é muito comum na enfermagem, categoria majoritariamente feminina e negra, submetida a múltiplas opressões. Baixos salários, carga horária excessiva, acúmulo de funções, algumas não remuneradas, falta de visibilidade e valorização, condições de trabalho ruins e múltiplos empregos, são comuns na profissão. Por outro lado, como reconhece a OMS, somos a espinha dorsal dos sistemas de saúde. Fica cada vez mais evidente para mim que esse desvalor está associado à nossa identidade, essa é uma questão de raça, classe e gênero.
“Percebi que seguia recebendo uma demanda de trabalho maior do que meus pares, sem receber uma remuneração compatível à carga de trabalho; que meus feitos seguiam invisibilizados; que eu ainda era vista em um lugar de servidão.“
A formação acadêmica e as conquistas:
Tive uma formação crítica na UERJ e isso contribuiu para que desde o início de minha trajetória profissional eu construísse estratégias que desafiassem esse lugar que nos foi historicamente determinado. Assim, após a graduação, me especializei Enfermagem Obstétrica, na sequência fiz o Mestrado em Enfermagem, Doutorado em Epidemiologia em Saúde Pública, pela Fundação Oswaldo Cruz, com estágio sanduíche no King’s College London e na Universidade Nova de Lisboa. Participei do programa de Pós-Graduandos da Organização das Nações Unidas, em Genebra, sobre equidade de gênero e empoderamento feminino. Minha tese recebeu Menção Honrosa no Prêmio Capes de Teses e serviu de base para a criação do Projeto Parto Adequado que já evitou a realização de mais de 20 mil cesarianas sem indicação clínica em hospitais privados. Sou Especialista em Melhoria da Qualidade pelo Institute For Healthcare Improvement – IHI e servidora Pública Federal da Agência Nacional de Saúde Suplementar. Optei por tirar licença sem vencimentos para experimentar novos desafios profissionais.
Atualmente atuo como Faculty do IHI, na função de Diretora Técnica do Projeto Alcançar que tem o objetivo de reduzir a mortalidade materna e neonatal em Moçambique, trabalho que, para além da realização profissional, me possibilita estar em África, nutrindo minha identidade como mulher negra. No início desse ano fui eleita Top Voice Saúde 2020, no LinkedIn.
Jacque Torres e sua equipe em Moçambique
De 2018 para cá, olhando para meus 20 anos de carreira e tudo que construí, tenho me perguntado: “que aspectos da minha história são cruciais para explicar a forma como construí meu lugar no mundo? Como consegui desafiar opressões estruturais e lugares de servidão, espaços que a sociedade reservou para uma mulher como eu: negra, enfermeira, nascida e criada no subúrbio do Rio de Janeiro, e que me possibilitaram alçar voos pouco comuns aos pares que compartilharam a infância comigo? O que ajuda a entender o lugar que alcancei na minha trajetória acadêmica, a construção de uma família preta baseada em relações de afeto, a vida economicamente confortável que tenho hoje? Que saberes de resistência desenvolvi nessa trajetória? Que marcas essas estratégias deixaram em meus corpos físico, espiritual e emocional? Que novas possibilidades surgem a partir disso? Como caminhar a partir daqui?” As respostas que tenho obtido me impulsionam a compartilhar esse conhecimento, em construção, com outras mulheres semelhantes a mim e a tecer juntas experiências, saberes e práticas para uma vida mais intencional.
No início do ano passado, comecei a articular formas de fazer essa partilha. Busquei uma formação como coach como forma de aprofundar meus próprios processos de autoconhecimento. Percebi tantas dores ainda latentes, formas como a opressão se fazia presente em minha vida, pouco importando a trajetória profissional de sucesso que construí. Percebi que seguia recebendo uma demanda de trabalho maior do que meus pares, sem receber uma remuneração compatível à carga de trabalho; que meus feitos seguiam invisibilizados; que eu ainda era vista em um lugar de servidão. Percebi o quanto vivia num modo de esgotamento físico e mental, que me impossibilitavam de aproveitar os prazeres decorrentes de minhas conquistas. Conversando com colegas, percebia que essa era uma questão muito comum a outras enfermeiras. Com essas reflexões e a formação como coach alinhada aos saberes construídos a partir de minhas experiências, me vi impulsionada a compartilhar esses saberes, por meio de conteúdos em meus perfis nas redes sociais e através de atendimentos individuais. Logo percebi que o chamado era para estar em grupo. Partilhar tudo isso que emergia com outras mulheres que assim como eu tinham trajetórias marcadas por opressões estruturais e desejavam criar outras formas de experenciar a vida, que nos tirassem desse lugar de “mulas do mundo”. Assim, nasceu a mentoria Enfermeiras que Mudam o Mundo. O primeiro grupo foi formado somente com mulheres negras, profissionais de muito destaque na enfermagem, mas que seguiam enfrentando solidão, isolamento e outros sintomas de relações raciais pautadas no racismo. A mentoria, inicialmente pensada para discutir questões da enfermagem, se tornou um local de partilha, aprofundamento e reflexão sobre como as questões raciais se expressam em nossas vidas, possibilitando o desenvolvimento de estratégias de resistência e pertencimento.
Isso deixou mais nítido que meu inimigo comum é a exploração de mulheres negras, sejam elas enfermeiras ou não.
As profissões da saúde, com menor expressão na medicina, são profissões majoritariamente compostas por mulheres e sofrem opressões similares às vivenciadas por enfermeiras. Na medicina, conversando com um contingente crescente de médicas negras, observo a vivência de opressões muito semelhantes às que experimento no lugar de poder que ocupo hoje profissionalmente. Percebo que, mesmo guardando diferenças e, por vezes, conflitos, a articulação de nossas expressões individuais, em nossas multiplicidades, nos ajudam a articular de forma potente como caminhar nesse mundo. Todo esse processo me fez perceber e, mais ainda, desejar, ampliar meu diálogo para além da enfermagem, focando em construir saberes que desarticulem o lugar de servidão que ainda insistem em nos colocar a despeito de todos os avanços que vimos fazendo individualmente até aqui. E assim a mentoria Enfermeiras que Mudam o Mundo está em transição, ampliando esse espaço para outras profissionais de saúde negras
Conclusão
Às vezes penso em desistir! Sinto preguiça, sinto cansaço, sinto culpa: será que estou negligenciando meu filho de 3 anos em função dos meus objetivos profissionais? Tenho dúvidas sobre o caminho a seguir, essas coisas, mas aí olho para minha história, vejo o quanto já caminhei até aqui, penso na minha responsabilidade como liderança na minha área e em tudo que tive a oportunidade de aprender ao logo da vida, percebo o quanto seria egoísta guardar isso só para mim, o quanto ainda posso ajudar às pessoas! Observo como me energiza ver outra mulher negra rompendo com sistemas de opressão como fiz e venho fazendo, o quanto é importante para nós e para as futuras gerações terem exemplos positivos, o quanto posso inspirar outras meninas, outras jovens negras, enfermeiras, profissionais de saúde, o quanto isso é importante para meu próprio filho e sigo! Vamos juntas!