Renan Santos da Silva, o produtor musical mais disputado entre os MCs de funk do país. Conhecido como Rennan da Penha (pois cresceu no Complexo da Penha), o DJ era o anfitrião do Baile da Gaiola. Lançou recentemente, o álbum “Segue O Baile”, que conta com várias participações especiais de Kekel, MC Rebecca, Turma do Pagode, Luísa Sonza, POCAH e muito mais e conta com os hits “Baila Comigo (Funk Remix) e o hit viral “Talarica”.
Galeria Segue O Baile
Foram convidados oito artistas pretos para ilustrar animações exclusivas para as 8 faixas diferentes do álbum. É importante reforçar que todos que participaram foram devidamente remunerados, com o objetivo de trazer o sentimento de pertencimento a esses artistas como Potência Cultural em todos os sentidos.
Além disso, para o aquecimento do álbum, foi gravado um vídeo react da abertura do DVD, com a Buba Aguiar, Raul Santiago e o Danrley Ferreira, comentando e reagindo ao manifesto da vida na favela, e vocês podem conferir aqui:
https://www.instagram.com/tv/CCt8zycAOzS/
Em 2019, Rennan da Penha foi preso, depois de ter sido absolvido na primeira instância, numa decisão contestada e criticada até pela OAB. Durante esse tempo, levou o Prêmio Multishow nas principais categorias e foi indicado ao Grammy Latino. Oito meses depois, foi solto na decisão que contestou prisões julgadas em segunda instância e, no dia seguinte à nova liberdade, assinou um contrato com a Som Livre. Segue o Baile, é o seu primeiro projeto de peso de uma grande gravadora; Ouça o álbum completo de Segue o Baile:
Na próxima sexta-feira (31), a Mastercard promoverá o encontro entre Liniker, Xenia França e Milton Nascimento para cantar sucessos do criador de “Maria, Maria”. A live terá início às 20h30, e será transmitida no canal do YouTube da marca e também nos canais dos artistas, além do Multishow. Todas as recomendações das autoridades de saúde serão seguidas. Também haverá transmissão em libras.
A apresentação tem o objetivo de angariar doações de pratos de comida para o movimento “Faça parte: comece o que não tem preço”, iniciativa liderada pela Mastercard que tem como objetivo doar pelo menos 2 milhões de refeições para comunidades carentes em combate à fome e à pobreza.
Durante a live um QR Code ficará disponível na tela, para que o público também possa fazer doações. Cada real doado será revertido em um prato de comida para a ONG Ação da Cidadania, que destinará as refeições para os mais afetados pela pandemia.
Com o mesmo propósito, a Mastercard promoveu, em junho, uma live inédita entre Gilberto Gil e Iza. “Nosso movimento doou, até o momento, 1,5 milhão de refeições, que ajudaram famílias necessitadas neste momento difícil”. Somente na última live, com Gil e Iza, foram arrecadados 200 mil pratos de comida, o que ajudou a totalizar 1.5 milhão de refeições.
Como todas as áreas da mídia tradicional, os quadrinhos, desenhos e animações carecem de representatividade negra, pensando nisso, selecionei 9 heroínas muito conhecidas e que marcaram a infância de muita gente:
TEMPESTADE
Ororo Munroe, conhecida como Tempestade, é uma mutante que descende uma antiga linhagem de sacerdotistas Africanas. Ela se tornou membro do X-Men, um grupo de heróis que luta por paz e igualdade de direitos entre mutantes e humanos. Sua principal habilidade é controlar o clima, dominando todos os seus elementos. No cinema a personagem foi eternizada por Halle Berry, sua versão mais jovem foi interpretada por Alexandra Shipp.
AISHA CAMPBELL – RANGER AMARELA
Interpretada por Karan Ashley, Aisha Campbell (que participou de um concurso para conseguir o papel), a segunda Power Ranger Amarela, foi introduzida em em Mighty Morphin Power Rangers, substituindo Thuy Trang na segunda temporada. Como Ranger ela esteve em mais de 80 episódios e estrelou a película “Mighty Morphin Power Rangers: The Movie”, que foi lançado pela Fox.
OKOYE
Okoye é uma guerreira fictícia, membro das Dora Milaje na Marvel Comics. A personagem, criada por Christopher Priest e Mark Texeira, apareceu pela primeira vez nos quadrinhos em Black Panther #1. Ganhou popularidade na telona, ao ser interpretada por Danai Gurira aparecendo em Vingadores Guerra infinita e End Game
VIXEN
Vixen é uma super-heroina africana das histórias em quadrinho publicadas pela DC Comics. Ela é o alter ego da modelo internacional Mari Jiwe McCabe. É capaz de utilizar, absorver e desenvolver habilidades qualquer animal como a velocidade de um leopardo, a força de um urso, ou voar como uma águia.
IRON HEART
Riri Williams ou Coração de Ferro é uma estudante de 15 anos que ingressou precocemente no MIT, a mais prestigiada faculdade de tecnologia dos Estados Unidos. Com uma inteligencia acima do normal, ela constrói sua própria versão da armadura do Homem de Ferro, utilizando materiais que ela furta pelo campus. Será que veremos essa heroína no Cinema na próxima fase do Universo Marvel?
TORMENTA
Filha de Jefferson Pierce, o Raio Negro, Anissa manifestou seus poderes pela primeira vez ainda na adolescência, mas prometeu para seu pai que só colocaria um colante e se tornaria vigilante depois que concluísse a faculdade. Após assumir a identidade super-heroica de Tormenta, Anissa se filiou ao supergrupo conhecido como Renegados. Ela é interpretada por Nafessa Williams na série Raio Negro (Disponível na Netflix).
ESTRELINHA
Estrelinha é a irmã mais velha das Meninas Superpoderosas e a primeira criação viva conhecida do Professor Utônio, aparecendo no reboot de 2016. Dentre suas habilidades estão superforça, teletransporte e telecinese.
AISHA/LAYLA
Aisha/Layla é a princesa e Fada Guardiã de Andros no desenho animado “O Clube das Winx”. Aisha é a fada das Ondas, ela controla um líquido chamado Morphix. Onde assume qualquer forma que ela desejar. Aisha ainda tem habilidades como nadar muito rápido, principalmente em alto oceano, já que ela veio de uma família de sereias e Tritões.
ALEX
Alexandra Vasquez, a Alex, têm catorze anos de idade, na primeira temporada da série animada, e é uma estudante do primeiro ano do ensino médio na escola Beverly Hills. Alex já nasceu com as habilidades de espiã, quando convocada se tornou amiga de Sam e Clover, suas companheiras de espionagem. Alex também é conhecida como a maior esportista do colégio. Embora exista confunsão sobre a etnia de Alex, muitas fontes a definem como Afro Hispânica.
Ao lado de Djamila Ribeiro, cantora participou do ‘Altas Horas’ deste sábado (25) em um papo sobre racismo e empatia. Quem vê Iza esbanjando poder em seus shows e clipes pode não imaginar que, antes da fama, ela viveu as mesmas questões que qualquer menina negra brasileira.
No Altas Horas, a cantora dividiu suas experiências de vida em relação ao racismo e falou do processo de construção de sua autoestima em meio aos padrões de beleza instituídos na sociedade.
“A gente aprende que nosso cabelo não é aceito pela sociedade, que tem alguma coisa de errado e você tem que consertar, e é isso. Eu passei grande parte da minha vida alisando o cabelo e tenho certeza de que isso faz parte da realidade de muitas meninas negras.”
Iza celebrou o fato de, hoje em dia, cada vez mais meninas se sentirem bem com as suas aparências, sem se submeter aos padrões estéticos tão cruéis impostos na sociedade.
“É impagável você andar na rua, ver uma outra menina de cabelo crespo e ela sorrir para você sem nem se conhecer. A gente acaba se ajudando nesse sentido.”
“Acho lindo quando vou no ‘Altas Horas’ e vejo todas elas e eles muito orgulhosos. Porque é dessa forma que temos que nos olhar mesmo, com orgulho, porque não tem nada de errado. A gente é muito bonito sim”.
Living Single é uma série norte-americana criada por Yvette Lee Bowser em 1993 que retrata a vida de seis amigos que compartilhavam suas experiências pessoais e profissionais no Brooklyn, bairro de Nova Iorque. A série foi estrelada por Queen Latifah, Kim Coles, Erika Alexander, T. C. Carson, John Henton, Kim Fields e Mel Jackson (Foto- Reprodução Instagram)
Por Thais Sena
Via Portal TNM
Você já deve ter ouvido falar sobre Living Single em algum momento da sua vida. E é possível (e provável) que a referência tenha sido uma comparação com uma outra série muito semelhante, mas de repercussão muito maior. Esse texto visa discutir essa comparação, mas reafirmo o título: Living Single não é a versão preta de série nenhuma!
Recentemente acompanhei o Tago, que é uma figura ativa nas redes sociais, pensador, escritor do blog Papiro Indômito e mestrando em Saúde Pública, falar sobre como esse tipo de comparação serve para reafirmar a superioridade branca e impedir que os outros tenham seu próprio nome reconhecido: temos sempre a comparação com o “Messi Negro”, a “Fernanda Montenegro negra”, mas nunca o “Pelé Branco”, o “Denzel branco”, a “Viola branca”. Por isso, é importante reafirmar que Living Single não é a variação de uma série de mais sucesso com atores brancos. Pelo contrário. A tão aclamada série Friends, que rendeu os atores mais bem pagos da história da TV e que chegaram a ganhar 1 milhão de dólares por episódio nas últimas temporadas, é que é uma versão branca de Living Single.
Living Single é uma série norte-americana criada por Yvette Lee Bowser em 1993 que retrata a vida de seis amigos que compartilhavam suas experiências pessoais e profissionais no Brooklyn, bairro de Nova Iorque. A série foi estrelada por Queen Latifah, Kim Coles, Erika Alexander, T. C. Carson, John Henton, Kim Fields e Mel Jackson.
Com Queen Latifah no elenco e Bowser como produtora, que posteriormente atuaria como consultora em séries como Dear White People e Black-ish, a série de 5 temporadas teve motivos de sobra para cair nos braços da audiência ao redor do mundo. Sem contar que era a primeira vez que quatro mulheres negras eram protagonistas de uma série norte-americana. Mas seu maior reconhecimento se dá não por isso, mas pela comparação com a série Friends. Por isso, seguem abaixo os principais embates entre as duas séries para que você entenda, de uma vez por todas, que Living Single é sua própria versão de uma série que a copiou (há quem fale sobre inspiração, mas preste atenção para ver se em algum momento a palavra “plágio” vem à cabeça) e que nem sequer rendeu créditos aos envolvidos:
Data de lançamento
Living Single foi lançada pela Fox em 22 de agosto de 1993. Já Friends foi lançada um ano depois, em 22 de setembro de 1994, pela NBC.
Semelhanças
Friends foi lançado um ano após Living Single , observe a foto e tire suas conclusões
Como se a imagem não falasse por si só, as coincidências vão além das personalidades de cada personagem. Um exemplo é Synclaire e Phoebe que, entre outras coisas, eram defensoras dos animais. A introdução de Friends era, digamos, bem parecida com a introdução de Living Single. E tem mais: o canal Behind The Curtain listou o que as séries têm em comum: Living Single tinha uma relação familiar, entre Khadijah James e Synclaire James-Jones, que eram primas, assim como Friends tinha Monica e Ross, que eram irmãos e dividiam um apartamento. Max e Khadijah são amigas da faculdade, assim como Ross e Chandler. O mesmo acontece na vida amorosa: na parte dos relacionamentos conturbados, Living Single tinha o casal Max e Kyle e Friends tinha Ross e Rachel (e ambos tiveram um filho); já nos relacionamentos mais consistentes (porém inicialmente escondidos), Living Single tinha Synclaire e Overton enquanto Friends tinha Monica e Chandler.
Living Single originalmente foi ao ar pela Fox. No entanto, durante um entrevista no programa The Late Late Show with James Corden, Queen Latifah falou sobre um acontecimento logo após o lançamento da série: Warren Littlefield, então presidente da NBC, foi questionado sobre a possibilidade de levar o show que quisesse para sua rede e ele respondeu que levaria Living Single.
O posicionamento dos elencos e produção das séries
Em outra entrevista, desta vez para o Watch What Happens Live with Andy Cohen, Queen Latifah menciona novamente o ocorrido com o presidente da NBC e é questionada pelo apresentador se, com o lançamento de Friends, o elenco achou que já estava fazendo algo parecido e ela respondeu: “Não. Nós sabíamos que já estávamos.”
Quando se trata do elenco de Friends, é mais difícil encontrar qualquer pronunciamento sobre sequer o reconhecimento de Living Single. No início do ano, o ator David Schwimmer, que interpretava Ross, deu um posicionamento controverso, que foi interpretado como o do branco salvador. Ele diz que a série abordou diversas questões importantes como sexo com proteção e casamento gay, mas falhou em muitas outras questões sociais, como a diversidade. Ele ainda disse que muitas vezes defendeu a ideia de que seu personagem se relacionasse com mulheres de cor. Depois disso, chegou a defender que talvez Friends tivesse uma versão asiática ou negra. A declaração foi motivo de muita represália nas redes sociais.
Por outro lado, John Henton, que interpretava Overton, fala sobre o fato de que Living Single era inicialmente transmitido aos domingos na primeira temporada e, depois da estreia de Friends, Living Single também passou a ser transmitido às quintas-feiras às 20:30. Isso pode parecer irrelevante agora, mas lembre-se que estamos falando de um tempo em que não havia serviços de streaming e que a pessoa tinha que escolher qual série assistir. No caso, essa escolha tinha grande repercussão na audiência e, portanto, no futuro das séries. Henton diz ter ficado bravo na época porque a ideia eram deles e não receberam nenhum crédito por isso. Hoje as pessoas falam que Friends é uma ótima série, mas não sabem em que ela foi baseada e não há nenhum reconhecimento sobre Living Single.
Já os produtores de Friends, Marta Kauffman e David Crane, dizem que chegaram na NBC com o que viria a ser Friends e que Littlefield respondeu “É isso!”. Note que depois de todas as “semelhanças” que observamos entre as duas séries, sem nem ser questionado, David Crane faz questão de dizer: “Nós não sabíamos que eles estavam procurando por isso.” Logo, só podemos acreditar que as personalidades, a cidade, os apartamentos, as imagens, o enredo e a história não passam de uma coincidência que favoreceu a série embranquecida.
Por fim, vamos às consequências: enquanto os atores de Friends ganharam fama em Hollywood, colocaram 1 milhão de dólares no bolso por cada episódio nas últimas duas temporadas, tiveram suas próprias séries e participaram de diversas outras produções, Living Single foi encerrada em sua quinta temporada. E quem, além de Queen Latifah, é conhecido aqui no Brasil, por exemplo? Aí está a importância de reconhecer e não limitar Living Single à versão de qualquer outra série. Living Single não foi reconhecida, mas foi ela que provocou a “inspiração” de um novo formato que seria muito copiado posteriormente.
Só para vocês terem uma ideia do quão nocivo isso é: até hoje, todos os atores de Friends ganham em torno de U$ 20.000.000,00 (vinte milhões de dólares) por ano, só pelas reprises de Friends – e assim será pelo resto da vida. Acho que com isso dá para viver mais ou menos, não é?
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A Terça Crespa é o encontro de artistas negros do teatro, da dança, da literatura, do cinema e da performance, para formação de público, intercâmbio, discussão de temas relevantes a arte negra e construção de material crítico sobre os trabalhos que vêm sendo desenvolvidos por esses artistas, dentro do panorama artístico nacional.
Nesta terça-feira (28) o encontro acontece às 19h30 no Instagram do Centro Cultural São Paulo ( @ccsp_oficial ) com o tema: “Encontro de Gerações”, os convidados irão falar sobre como vêem a arte negra nos dias atuais e contar histórias que marcaram suas carreiras e consequentemente a história cultural brasileira. Os participantes serão: Léa Garcia, Haroldo Costa e João Acaiabe – com apresentação de Lucelia Sergio e Sidney Santiago Kuanza.
O projeto nasce da “Segunda Crespa“, encontro organizado pelos Os Crespos, que juntamente com a “Segunda Preta“, de Belo Horizonte, a “Segunda Black“, do Rio de Janeiro e a “A Cena tá Preta“, de Salvador, fazem parte de um movimento nacional de fortalecimento da cena negra.
A programação conta com mostras curtas de cenas e performances, leitura de textos teatrais, reflexão dos artistas convidados sobre os trabalhos e bate-papo com o público sobre os temas discutidos em cada encontro.
A proposta de continuidade do projeto, em parceria com o Centro Cultural São Paulo, visa aprofundar em assuntos que discutam autoria, referências estéticas, novos temas de pesquisa e as relações com a cultura popular negra e as questões sociais; além de fortalecer a formação de público iniciada em 2019, que teve ótimos resultados, abrindo diálogo entre artistas, pesquisadores, estudantes, público e os grupos de arte negra. Esse encontro resultou na indicação ao Prêmio Aplauso Brasil “Categoria Destaque”.
Assim como nos meses anteriores, em decorrência do isolamento social, a Cia Os Crespos e o Centro Cultural São Paulo darão continuidade ao projeto através de encontros on-line, nos quais os assuntos abordados serão discutidos em LIVES no instagram do CCSP e na sequência disponibilizado nas redes da Cia.
Serão 02 horas de bate-papo com 03 (três) convidados por edição, e interação com o público.
O Jogo da Memória Sankofa foi desenvolvido por Izabelle Simplicio, Nina da Hora e Taynara Cabral. Com o objetivo ser mais uma das ferramentas, que contribuem para manter viva a memória e a história de mulheres negras dos países da América Latina. “Trazer à memória esse legado para os dias de hoje significa não só reconhecer o passado, mas nos serve como inspiração e projeção de futuro. O nome Sankofa foi escolhido justamente por isso, que segundo a filosofia do povo Akan, significa ‘nunca é tarde para voltar e apanhar aquilo que ficou atrás’. O projeto foi desenvolvido sem nenhum financiador”.
Ao longo da história, nas mais diversas áreas, mulheres negras ocuparam a linha de frente da luta pela liberdade, pela garantia de direitos e de possibilidades de futuro. Com batalhas travadas tanto no campo de guerra, como na articulação política, na produção intelectual e artística, mulheres negras utilizaram, e seguem utilizando, de variadas ferramentas que hoje moldam um acervo extremamente rico de legado e estratégia.
As peças do jogo trazem ilustrações de 12 mulheres que marcaram a história de 6 países da América Latina: “Conhecer o passado, construir no presente e projetar novas possibilidades de futuro. A movimentação de mulheres negras transcende todos os ciclos do tempo”.
O material é gratuito e está disponível em duas versões: para imprimir e para jogar on-line, pensando justamente no alcance e na acessibilidade de cada um desses formatos.
Na semana passada uma amiga compartilhou empolgada no grupo do WhatsApp que, sozinha, havia terminado o processo de dredar os próprios fios crespos a partir de uma técnica ensinada por uma blogueira no YouTube. Muito rapidamente, dread é a forma abreviada e em inglês de dreadlocks e lock-dread para caracterizar cabelos em tranças naturais, emaranhados e popularizados pelo movimento judaico-cristão surgido na Jamaica, na década de 1930, entre negros descendentes de africanos escravizados.
Aqui, não falaremos sobre as motivações religiosas e/ou estéticas que envolvem a dedicação, a paciência e o autocuidado dessa amiga mas, sim, de instigar reflexões acerca de como, em pleno século XXI, paradoxalmente, sua própria aparência pode provocar um impacto negativo na vida social e profissional.
No Estado do Alabama, nos Estados Unidos, em 15 de setembro de 2016, uma lei foi aprovada com o propósito de recusar a contratação de pessoas pelo uso de dreadlocks. Uma lei que viola não só os Direitos Civis de 1964 – que punham fim aos diversos sistemas estaduais de segregação racial -, mas que também se baseia em estereótipos inerentemente discriminatórios e que trata, de antemão, afro-americanos como sendo impróprios e profissionais menos capacitados e eficientes a partir de um penteado fisiológica e culturalmente associado a esta parcela significativa da população americana.
Tal fato motivou a criação do World Afro Day (Dia Mundial do Afro), em Londres, idealizado pela produtora de TV Michelle De Leon a fim de criar uma plataforma para celebrar e educar sobre cabelos afro por meio de uma consciência positiva, expressa em eventos anuais e por uma rede educacional mundial com foco na juventude e na infância.
A inglesa Michelle De Leon, criadora do World Afro Day (Dia Mundial do Afro)
Crédito: Divulgação
Diante da aprovação da lei, Michelle relata que queria justamente ressignificar a data e, por isso, escolheu o 15 de setembro de 2017 como marco inicial do World Afro Day, sendo ele um dia de celebração dos cabelos, da cultura e da identidade negra. “Eu sabia que isso [a existência da lei] poderia ser símbolo das atitudes negativas da sociedade em relação aos nossos cabelos e, por isso, a necessidade de mudança”, diz ela.
Em seu primeiro ano, a iniciativa foi endossada pelo Alto Comissariado das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, recebeu cobertura internacional e apoio de celebridades, como a Miss USA 2016 Deshauna Barber, o rapper Jidenna e parte do elenco da série Black-ish, criada pelo produtor Kenya Barris. “Tivemos uma resposta global incrível, mas a cada ano há um desafio para continuar recebendo cobertura. O problema não desapareceu, por isso precisamos manter o foco no nosso trabalho para fazer coisas novas a cada ano. Entendo a mídia e posso usar de minhas habilidades para contribuir, mas é preciso continuar porque sabemos o quanto é importante para a próxima geração”.
Em 2018, o World Afro Day realizou a campanha “Mude os fatos, não o afro”, em que apresentou uma série de cartazes com mulheres negras e estatísticas como: “1 em cada 5 mulheres negras se sente pressionada a alisar os cabelos no âmbito profissional”; e “Apenas 27% se sente confortável em usar dreads para um evento profissional”. A iniciativa alcançou cerca de 6,6 milhões de pessoas e inúmeras menções positivas nas mídias sociais.
A educação é um dos pilares fundamentais do projeto, que desenvolveu um plano de aula para conscientizar alunos e professores e o qual, segundo Michelle, pode ser aplicado em qualquer escola. No ano passado, a ação The Big Hair Assembly recebeu quase 12 mil alunos inscritos em 100 escolas de oito países. Uma de suas embaixadoras é a modelo mirim americana Celai West. Para 2020, diante do contexto da pandemia, o WAD prevê a realização de um evento online que dialogue com iniciativas da Europa, da África e do Brasil, que possivelmente terá a participação da Marcha do Orgulho Crespo e do Encrespa Geral UK.
No que diz respeito às reivindicações dos cabelos naturais como parte da identidade e da beleza negra, Michelle acredita que há um significativo progresso em todo o mundo. E é importante lembrar que o mesmo país que aprova a lei proibindo o uso de dread no local de trabalho, tem em contrapartida Estados como Califórnia, Nova York e Nova Jersey que aprovaram no ano passado a lei Crown – Create a Respectful and Open Workplace for Natural Hair (“Crie um lugar de trabalho respeitoso e aberto ao cabelo natural”), redigida pela senadora Holly Mitchell, que proíbe, também nas instituições de ensino, a discriminação com base no estilo e na textura do cabelo. Colorado e Virgínia fizeram o mesmo em março e outros 20 Estados apresentaram, em seus respectivos Legislativos, projetos de lei para punir a discriminação contra o cabelo afro.
Brasil é crespo
Para a pedagoga mineira Nilma Lino Gomes, importante referência na luta contra o racismo no Brasil nos campos da educação e da antropologia, nos últimos anos o debate, as práticas e a visibilidade sobre o cabelo crespo passaram a ocupar outro lugar na cena política e estética brasileira. “Quanto mais se acirra o racismo, mais vemos pessoas negras assumirem a diversidade das formas de usar e lidar com a textura crespa dos seus cabelos como uma nova forma recriada de estética: a estética da resistência negra do século XXI. Isso tem possibilitado a muitas mulheres (e homens) se identificarem como negras e com as lutas negras no Brasil e no mundo, reconectando-se consigo mesmas, sua corporeidade e sua ancestralidade”.
Legenda: A pedagoga Nilma Lino Gomes, professora titular emérita da Faculdade de Educação da UFMG Crédito: Divulgação
Nesse contexto, a Marcha do Orgulho Crespo, movimento nacional criado em São Paulo, em julho de 2015, pelo Blog das Cabeludas e pela Hot Pente, se soma ao debate fomentado e trazido pelo movimento negro brasileiro no final dos anos 1970 ao incentivar a livre expressão do cabelo natural, a representatividade, a autoestima e o empoderamento de negras e negros na sociedade, especialmente por parte de mulheres.
No Brasil, diante de diversas manifestações de racismo no âmbito social, institucional e virtual – e a fim de instigar a visibilização de pautas acerca da estética negra a partir dos cabelos crespos/cacheados -, a Marcha do Orgulho Crespo passou a celebrar o 26 de julho como o Dia do Orgulho Crespo no Estado de São Paulo por meio da Lei 16.682/2018, em parceria com a deputada estadual Leci Brandão (PCdoB). A iniciativa também inspirou o Mato Grosso do Sul, que considera o 7 de novembro como o #DiaDoOrgulhoCrespo pela lei 5.206/2018, sancionada pelo deputado Amarildo Cruz (PT). A data escolhida homenageia Karina Saifer de Oliveira, do município de Nova Andradina, que se suicidou aos 15 anos em decorrência de bullying motivado pelo uso dos cabelos alisados.
“O Brasil é um país que se alimenta do racismo presente na sua estrutura. Desde os tempos da escravidão, o cabelo da negra e do negro é tomado como um símbolo identitário com sentidos que tensionam entre si. De um lado, foi (e ainda é) visto como fealdade e animalidade. Do outro, esse mesmo cabelo foi (e ainda é) visto como afirmação e recriação de elementos culturais africanos no Brasil – característica de resistência construída pelas africanas e africanos escravizados e seus descendentes”, diz Nilma, atualmente professora titular emérita da Faculdade de Educação da UFMG.
Ela é autora de “Sem perder a raiz: Corpo e cabelo como símbolos da identidade negra”, publicação de 2006 e relançada em 2019 pela editora Autêntica como resultado de sua tese de doutorado. No livro, a pesquisadora percorre salões étnicos de Belo Horizonte, em Minas Gerais, e registra depoimentos de cabeleireiros e cabeleireiras acerca das percepções sobre o cabelo como expressão e símbolo de resistência cultural, com base nos penteados de origem étnica africana, recriados e re-interpretados como formas de expressão estética e identitária. A análise se debruça e desperta reflexões sobre autoestima, memórias da infância e como a aceitação/rejeição atua no psicológico das mulheres negras.
“Ressignificar o lugar, a visão e as interpretações negativas que recaem sobre o cabelo crespo, transformando-as em leituras e narrativas afirmativas, identitárias e de luta é retomar a humanidade roubada das pessoas negras, no contexto do racismo ambíguo brasileiro. Nesse sentido, o Dia do Orgulho Crespo é mais do que uma data. Ele é símbolo de reconhecimento e de luta”, completa ela.
Desde sua criação, a Marcha do Orgulho Crespo Brasil é realizada de forma independente, com mobilização online e redes de apoio em nove Estados que envolvem ativistas, pesquisadores, artistas, oficineiras, blogueiras, influenciadoras, afroempreendedoras e público interessado, com o intuito de inspirar mulheres, homens, jovens e crianças de todas as idades a repensarem e a se reconectarem com suas identidades a partir dos cabelos crespos/cacheados que, para além do estético, pode se tornar também uma ferramenta de posicionamento diante do racismo estrutural.
E, aqui, reforço: passar pelo processo de transição capilar – procedimento em que se deixa o cabelo natural crescer até que atinja um comprimento ideal para o chamado big chop e retirar as partes ainda alisadas – pode, sim, ser ferramenta de posicionamento diante do racismo estrutural, já que o que aparentemente é considerado apenas uma mudança de visual, no fim das contas, revela-se uma mudança de postura. O racismo nos paralisa de muitas formas e ele também perpassa esse aprisionamento estético-capilar: do black power coloridão ao jovem negro e periférico.
No Orgulho Crespo, ao inspirar esta passagem, tentamos justamente criar um espaço de fortalecimento e coragem para se existir como desejar. Existir como corpo negro, como corpo social, como carta ancestral em qualquer lugar do mundo; é existir na exigência e na demanda cotidiana de coragens. Por isso, enquanto movimento, tentamos ajudar a entender que uma coisa é optar por alisar seu cabelo e outra é entender quais os motivos reais e alienados de se submeter a um processo de mutilação física absolutamente nocivo.
Diante de uma sociedade que está o tempo todo nos impondo padrões, diante de um contexto de pandemia que nos impede de ir às ruas, ao encontro, deixo meu desejo de que este Dia do Orgulho Crespo seja o seu domingo de repouso e skincare, sim, mas que ele também seja banhado de pensamentos que proporcionem um encontro positivo e afetivo com sua autoestima. Celebrar é preciso.
Aqui, partilho e indico algumas das iniciativas que pautam o cabelo crespo no Brasil e mundo afora.
Livros
“Sem perder a raiz: Corpo e cabelo como símbolos da identidade negra”, de Nilma Lino Gomes Autêntica, 2006 Sinopse: Na obra, o cabelo é analisado não apenas como parte integrante do corpo individual e biológico, mas, sobretudo, como corpo social e linguagem, como veículo de expressão e símbolo de resistência cultural.
“História da beleza negra no Brasil”, de Amanda Braga EdUFSCar, 2015 Sinopse: O livro rastreia a emergência de pistas que refletem um conceito estético atribuído ao corpo negro, bem como o modo como tais pistas vão assumindo novas verdades na dispersão do tempo histórico. Trata-se, portanto, do desejo de revelar mais sobre a forma como historicamente se leu os signos da beleza negra, fazendo vir à tona um enredo que envolve memórias, exclusões e retomadas.
“Esse cabelo: A tragicomédia de um cabelo crespo que cruza fronteiras”, de Djaimilia Pereira de Almeida Leya, 2017 Sinopse: Neste romance, a escritora portuguesa nascida em Angola mistura memória, imaginação e crítica social com humor e leveza para discutir temas atuais e fundamentais na atualidade, como racismo, feminismo, identidade e pertencimento.
“Meu crespo é de rainha”, de Bell Hooks Boitatá, 2018 Sinopse: Publicado originalmente em 1999 em forma de poema rimado e ilustrado, a obra da escritora, teórica feminista, artista e ativista social estadunidense Bell Hooks enaltece a beleza dos fenótipos negros, exalta penteados e texturas afro.
Audiovisual
“Good Hair”, 2009 Documentário criado e apresentado pelo ator e comediante Chris Rock sobre a cultura do cabelo afro-americano e seu faturamento na indústria de cosméticos. Trailer: www.youtube.com/watch?v=1m-4qxz08So
“Kbela”, 2015 Olhar da carioca Yasmin Thayná acerca das histórias de transição capilar, resistência e luta de mulheres pelo direito de terem sua beleza natural, sem intervenção da indústria e da opinião da sociedade. Disponível em kbela.org
“Das Raízes às Pontas” (2015) Dirigido por Flora Egéria e com roteiro de Débora Morais, o curta-metragem retrata Luiza, de 12 anos, que compartilha seu amor e orgulho pelo cabelo crespo. Disponível no Vimeo
“Fios da Resistência” (2018) O documentário produzido por alunos de Midialogia da Unicamp (SP) aborda a formação de novas redes de apoio da negritude na internet; como grupos do Facebook, canais do YouTube e influenciadores se tornaram uma ferramenta fundamental no processo de ressignificação identitária e estética de pessoas negras. Disponível no YouTube
“Felicidade por um fio” (2018) Baseada no livro “Nappily Ever After”, de Trisha Thomas, o filme mostra o percurso de uma bem-sucedida executiva que muda sua concepção de mundo ao decidir raspar os cabelos. Disponível na Netflix
“Enraizadas” (2019) Dirigido por Juliana Nascimento e Gabriele Roza, o filme investiga a tecedura dos fios capilares em tranças nagôs como um processo não restrito à beleza estética, mas também de renovação dos afetos, de resistência e reafirmação da identidade negra. Ainda não disponível.
“Hair Love”, 2019 Produzido e dirigido por Matthew A. Cherry., o curta-metragem estadunidense recebeu o Oscar 2020 de melhor animação ao apresentar a relação de um pai que penteia o cabelo de sua filha pela primeira vez. Disponível no YouTube
“Self Made: A vida e a história de Madam C.J. Walker (2020) Interpretada por Octavia Spencer, a série de quatro episódios retrata a história da ativista social e primeira mulher a se tornar milionária nos Estados Unidos a partir de sua linha de produtos capilares e cosméticos para mulheres negras. Disponível na Netflix
CurlFest – Brooklyn, Nova York Realizado pelo Curly Girl Collective, fundado em 2011, com o intuito de fazer com que mulheres de cabelos com textura natural se sintam bonitas e celebradas. São pioneiras no movimento natural dos cabelos ao conectarem mulheres em eventos que estimulam e atraem os principais influenciadores da beleza afro-americana.
Vem ver: https://www.curlfest.com
CurlyTreats Fest – Londres Realizado desde 2017, o maior evento natural de cabelos crespos e cacheados da Inglaterra é realizado a fim de capacitar, educar e enaltecer a beleza negra.
www.curlytreats.co.uk
Encrespa Geral – Brasil Instituto de promoção humana de desenvolvimento social e cultural voltado à diversidade racial e cultural brasileira criado por Eliane Serafim, em 2013, prima pelo empoderamento feminino por meio da valorização e da difusão do orgulho do cabelo cacheado e crespo. Realiza eventos anuais de alcance nacional e internacional.
encrespageral.com.br
Para acompanhar:
Estados Unidos – Criada pelos afro-americanos Lindsey Day e Nkrumah Farrar, a revista Crown Mag promove um diálogo progressivo em torno do cabelo natural e das mulheres que o utilizam a partir da perspectiva de um novo padrão de beleza ao documentar de maneira impressa e tangível. Sua última edição traz a atriz, escritora, cineasta e produtora norte-americana Issa Rae, da série “Insecure”. www.crwnmag.com
África – A artista africana @laetitiaky, da Costa do Marfim, usa a versatilidade de seu cabelo crespo para, literalmente, criar esculturas capilares e passar uma mensagem aos seus seguidores no Instagram.
França – O coletivo de mulheres SciencesCurls, presidido pela jovem Réjane Pacquit, discute o cabelo crespo e cacheado no âmbito acadêmico, dentro do Instituto de Estudos Políticos de Paris – IEP, a Sciences Po Paris, instituição pública de ensino superior especializada nas áreas de Ciências Humanas e Sociais. Adendo para refletir: na França, é comum ver salões que oferecem lissage brésilien (alisamento brasileiro). www.facebook.com/sciencescurls
Inglaterra – O Curlture é uma plataforma online criada em 2014 pelas londrinas Trina Charles e Jay-Ann Lopez com o objetivo de capacitar mulheres negras. Inicialmente se concentrava em cuidados com os cabelos naturais, mas atualmente abrange tópicos como moda, viagens, produtos para a pele, decoração e afroempreendedorismo. www.curlture.co.uk
Espanha – Criado pela modelo Awanda Perez, em Madrid, o Go Natural Spain promove o direito e o orgulho dos cabelos naturais a partir de dicas e inspirações para o uso do cabelo afro. Este movimento e também os dias da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, criado em julho de 1992, e o 25 de julho, Dia Nacional de Tereza de Bengela, líder quilombola que viveu no Mato Grosso durante o século XVIII, inspiraram a realização da 1ª Marcha do Orgulho Crespo Brasil. www.awandaperez.com
* Neomisia Silvestre é jornalista, escritora e agitadora cultural. Soma atuações em projetos artísticos e socioculturais de juventude e periferia, teatro e dança, TV e produçāo de eventos. É uma das idealizadoras da Hot Pente e uma das criadoras do movimento nacional Marcha do Orgulho Crespo Brasil, desde 2015
A Islanna, marca criada em Londres pela brasileira Islana Rosa, já é conhecida no exterior por apresentar uma moda contemporânea e com apelo sustentável. A fundadora e CEO, desenhou um plano de negócios que pudesse traduzir sua visão para uma nova marca de roupas, com menos impacto ambiental e muita informação de moda. A força da mulher independente e autoconfiante também está representada no conceito, que propõe empoderamento e atitude através do styling. Agora, a marca se volta para o mercado brasileiro e lança o projeto Vozes Negras.
Após a escalada do movimento Black Lives Matter, que tomou conta do Brasil e do mundo em junho de 2020, Islana decide focar seus esforços nas comunidades negras – promovendo artistas mulheres através da moda e apoiando organizações não governamentais, ligadas à promoção da educação e empoderamento feminino.
O projeto Vozes Negras manifesta o desejo de Islana com a sua marca em direção a uma moda antirracista, com base em três pilares: a visibilidade para vozes femininas negras; a criação de conexões entre mulheres negras e a sociedade; e a remuneração justa e empoderamento feminino negro.
O start do projeto se dá por meio de uma coleção-cápsula de camisetas com estampas exclusivas – em formato de edital online, Islanna convoca artistas mulheres negras brasileiras para enviarem propostas para estampas. As criações irão para votação aberta do público a partir de julho, e serão transformadas em 12 camisetas, com drops de lançamentos mensais em outubro.
“A idea de criar o movimento Vozes Negras surgiu de um desejo antigo de potencializar o poder da comunidade artística negra no Brasil e trabalhar com mulheres na promoção das artes plásticas, grupo que historicamente foi negligenciado”, diz Islana Rosa, fundadora da marca.
O projeto tem viés social em sua totalidade, sendo que 50% do lucro das vendas das camisetas serão distribuídos para a artista detentora da estampa e os outros 50% serão doados para uma das instituições que trabalham com o empoderamento feminino negro no Brasil, como a Gelédes, organização que se posiciona em defesa de mulheres e negros, e a ONG Criola, que defende e promove os direitos das mulheres negras
Informações sobre o edital: Aberto a todas mulheres negras brasileiras, propostas de estampas para as camisetas devem ser enviadas para vozesnegras@islanna.co, até dia 20 de agosto. A seleção será realizada através de votação publica no site do movimentowww.vozesnegras.org.
Kenya Sade, Chefe de Programação da Trace Brazuca (Foto: Divulgação)
O Brasil finalmente ganha um canal de conteúdo afrocentrado na TV a cabo e totalmente em português. A Trace Brazuca, entra no ar no Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha, 25 de julho. O canal muito aguardado, tem uma mulher negra como Chefe de Programação aqui no Brasil. O nome dela é Kenya Sade.
Kenya tem 26 anos e é jornalista formada pela faculdade Cásper Líbero, faculdade com pouca presença de alunos negros. “Apesar de ser uma faculdade elitista, é importantíssimo que ocupemos esses espaços de poder que são nossos por direito”, defende a executiva.
A chefe da Trance Brazuca, que estará disponível para assinantes da Claro (canal 624) e Vivo (canal 630), literalmente se joga no mundo atrás dos seus objetivos. “Em 2018, fiz um intercâmbio a Irlanda que mudou a minha vida e deu origem ao projeto autoral ‘Pretas Pelo Globo’, plataforma colaborativa que celebra e traz visibilidade às conquistas das mulheres negras espalhadas pelo mundo. Em maio de 2019, na França (Toulouse) conheci o programador da Trace Global que me apresentou ao projeto da Trace Brasil. A ancestralidade é algo muito forte! Voltei ao Brasil e desde janeiro de 2020, trabalho neste projeto tão potente”, detalha a jornalista.
https://www.instagram.com/p/Bz_R3OaIjgA
Filha de mãe solo , Kenya se refere mãe como uma grande referência. “Minha mãe me ensinou a voar alto, sempre foi uma mulher com muitos sonhos. Ela teve uma infância difícil, mas subverteu todas as adversidades e formou-se economista, numa época em que pessoas negras não tinham espaço dentro da universidade. Eu cresci com esse referencial de mulher potente, independente dentro de casa”, conta.
Trajetória profissional
Kenya acredita que todas suas vivências a preparam para esse momento, onde ela, tão jovem lidera um projeto de relevância Global. “Na faculdade, fui estagiária na TV Cultura e tive oportunidade de trabalhar ao lado das repórteres do Jornal da Cultura Primeira Edição, hoje ‘Jornal da Tarde’ apresentado pela Joyce Ribeiro. Trabalhar com hardnews é presenciar a história, vê-la acontecer diante dos seus olhos. Percorri todas as editorias e me encantei com o jornalismo televisivo. Apareci em rede nacional, tenho certeza que essa experiência me trouxe até aqui”, comemora a executiva. Ela também foi jornalista freelancer e tem textos publicados na Vogue e Glamour.
Na Trace Brazuca além dos desafios esperados há uma satisfação em trabalhar em um ambiente diverso. “Trabalhar em um ambiente com tamanha diversidade racial me faz acreditar em um amanhã melhor, mais plural, na qual haja equidade racial e representatividade de fato! A maioria das pessoas envolvidas na produção do canal são negras e não poderia ser diferente. Tem sido uma experiência de pertencimento, de olhar-se no espelho e orgulha-se da imagem refletida” celebra a jovem jornalista. Entre seus colegas de trabalho estão o Head de Marketing do canal , o influenciador AD Júnior e o jornalista e ator Alberto Pereira Junior, roteirista, diretor e apresentador do Trace Trends.
O que esperar do Trace Brazuca?
A Trace Brazuca chega ao Brasil em um momento que o isolamento social faz com que o consumo de conteúdo online e pela TV aumente. É bom saber que teremos uma fonte de conteúdo com rostos negros e uma linha editorial positiva. “É gratificante trabalhar como programadora do primeiro canal a cabo de cultura afro-brasileira, Trace Brazuca, traz narrativas positivas e conteúdos relevantes. Temos a possibilidade de contar nossas histórias em primeira pessoa, visto que, a subjetividade negra foi construída socialmente por imagens depreciativas”, comenta Kenya que detalha que o canal é para a comunidade negra e “pessoas não-negras que queiram conhecer a nossa cultura que se mescla tanto com a cultura brasileira”.
Sobre a programação ela explica que serão “24 horas de programação dedicada à música de todos os gêneros, documentários de grandes nomes do cinema nacional, como Sabrina Fidalgo, além dos conteúdos do programa “Trace Trends”, entre outros”.
Kenya destaca um programa da grade que é o seu preferido até o momento. “Será exibido semanalmente o programa da Mwana Afrika, até então minha menina dos olhos, programa produzido e apresentado pela jornalista angolana Mwana que apresenta, de maneira informativa e descolada, o continente africano nas mais variadas formas de manifestação cultural: história, arquitetura, sociedade, música, beleza e estética, moda. É maravilhoso, acredito que os telespectadores irão amar!”, descreve.
O novo canal faz parte de um grupo multimídia global francês, presente em mais de 120 países, tem forte difusão na África subsaariana com: Trace Naija (Nigéria) Trace Toca (África lusófona) Trace Senegal. A chegada da Trace é fruto do encontro de Olivier Laouchez, CEO global, com José Papa, ex-CEO do Cannes Lions, líder da operação no Brasil.