Duas mulheres negras irão disputar a Prefeitura do Rio nas eleições deste ano

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As candidatas são:Benedita da Silva, pelo PT, é deputada federal, a única parlamentar petista do Rio de Janeiro na Câmara. Ela tem 72 anos, criada na favela do Chapéu-Mangueira, é professora, auxiliar de enfermagem, assistente social, ex-Governadora do Estado e ex-Senadora. Benedita é também militante do Movimento Negro e feminista.

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Toda alma tirana acaba por arder nas chamas de suas próprias armadilhas. Pior que isso, é que toda alma dominada, angustiada, aprende a usar a espada contra aquele que a humilha e endurecida, termina por abrir feridas com a mesma espada vingativa, no seio de sua própria família. O moço que tentou ofender Alcione fez assim… sabe nada! Nada. Moço, recolha sua espada, seu gesto é bizarro, a arma que te deram é de barro, não tem corte e se tivesse, seguramente, não lhe dariam porte para ostentá-la… Moço, é primário, esmola não é salário. Dá pena, muita pena assistir, tomado de assalto, um incauto sem ginga, gingando na arena sozinho. Sozinho… A cena é patética, dramática. Não há plateia, a improfícua estreia não passa nem pelo fracasso. O aço quente que marcou essas costas fez também exposta uma alma a nutrir, por si mesma, secreta aversão. O moço é sem chão, sem pão, nem circo… apenas um balão apagado caindo no meio do oceano, uma ode carregada, sei lá, de amargor, rancor, sobretudo, má sorte…. Será que há quem suporte tamanha desventura? Que tortura! Óh, Zambi! Nessa nossa terra que range por reparação, restauração da sua dignidade, quantos de nós estão assim? Quantos a erva ruim do racismo marcou desse jeito? Zambi, quantos somos de nós, os degredados nesse imenso abismo? Conheço alguns com fortes sequelas geradas pelo fétido poder do suor do preconceito, mas jamais pensei em alguém assim, desse jeito. É claro, ninguém sai ileso disso, ninguém. Eu mesmo, vez em quando, me flagro tempestuoso, moroso, possesso, confesso, por vezes, até omisso. É isso irmão… Somos enganados desde os livros da escola, somos nada… Na arte de Debret, de Rugendas, somos nada. Os antepassados de nossas crianças não ergueram as pirâmides da Núbia, do Egito, “Eram os deuses, astronautas”. Iemanjá, não é uma deusa negra iorubá, e sim, a sereia grega de Ulisses. Como pode alvorecer um país que insiste em negar-se a si mesmo sem que haja, com urgência, transgressores em campanha abolicionista para desacorrentar a verdade? No museu do negro, os aparelhos de tortura. Mas, onde foram parar a farda de gala de Machado de Assis, a de João Cândido, (…)

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E Renata Souza, pelo PSOL: com um mandato na ALERJ. Foi a segunda deputada estadual mais votada nas últimas eleições, ela é uma jornalista, feminista e militante dos direitos humanos, atualmente preside a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia. Atuou no mandato de Marcelo Freixo na Casa e depois assumiu a chefia do gabinete do mandato de Marielle Franco, de quem era amiga.

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Renata Souza, com nome e sobrenome, pré-candidata à prefeitura do Rio de Janeiro. Primeiro, o susto. E aos poucos a ficha foi caindo. A política é movimento e ao longo das últimas semanas fui convidada por várias companheiras e companheiros do meu partido e da esquerda em geral a repensar a disponibilização do meu nome para a disputa eleitoral à prefeitura. Foram várias conversas, ponderações que levaram a reflexões difíceis, porém absolutamente necessárias. Levando em consideração o momento que vivemos, marcado pela política de morte, do ódio, do medo e da desesperança, impossível não me sensibilizar diante da responsabilidade política e partidária, e da urgência da luta pela vida. . Sim, aceito e aceitarei apresentar meu nome como pré-candidata no PSOL. Pré-candidatura que, se avalizada pelas instâncias partidárias, trará o rosto, o corpo e a disposição de uma mulher preta, feminista, favelada e doutora como protagonista da disputa por uma cidade de direitos. O que me moveu a dizer “sim” é a certeza de que a luta pela vida da população negra e das mulheres precisa ser central na disputa democrática e no combate ao facismo, assim movemos a sociedade. Vidas negras importam e importarão sempre! . . Nosso dever é disputar, em todas as frentes, um projeto de vida, uma cidade que sirva aos interesses da maior parte da população, e não apenas de uma minoria. Uma cidade de direitos, de bem estar e bem viver, onde saúde, educação, segurança, mobilidade, alimentação, cultura e lazer não sejam apenas mercadoria, mas direitos de todas e todos. . . Temos certeza de que esta tarefa precisa ser coletiva, neste sentido sabemos da necessidade de uma construção mais ampla, que unifique partidos e movimentos sociais que lutam pelos interesses do povo. Por isso, seguiremos na batalha pela construção de uma candidatura ampla, que possa representar, de conjunto, o programa da esquerda carioca. . . Tenho certeza de que o PSOL fará sua escolha imbuido da responsabilidade política que lhe é característica e que tanto me orgulha. Me coloco à disposição para, se o partido assim decidir, cumprir esta tarefa tão necessária e urgente. Com brilho nos olhos e compromisso. Partiu, luta!

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Os partidos anunciaram suas pré-candidaturas nos últimos dias. A decisão veio após a desistência de Marcelo Freixo de disputar o cargo para se dedicar a articulação da Frente Ampla Anti-Bolsonaro no Congresso Nacional. 

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