A partir desta quinta-feira (22), a coalizão ÉDITODOS realiza uma série de lives com foco em afroempreendedorismo, as quais serão comandadas semanalmente por um representante das seis organizações à frente da iniciativa: Agência Solano Trindade, Afrobusiness e Feira Preta , FA.Vela Instituto Afrolatinas e Vale do Dendê. O objetivo é que as conversas funcionem como uma mentoria para ajudar os empreendedores da rede da coalizão na gestão de negócios, por meio de exemplos práticos.
Com o tema “Liderando Empreendimentos de Impacto”, a primeira live será conduzida por Tatiana Silva, Cofundadora e Diretora Executiva do FA.VELA, que recebe Raíssa Haizer, empreendedora e idealizadora do Mania de Tesoura. Cabeleireira especialista em cabelos crespos e cacheado, Raíssa possui um salão e ministra cursos de aperfeiçoamento e iniciação em designer de cortes em cabelos enrolados.
Ao todo serão seis lives, abordando diferentes temas ligados ao ecossistema empreendedor. Os encontros acontecem às quintas-feiras, às 20h, no instagram da ÉDITODOS.
Serviço Mentoria ÉDITODOS – “Liderando empreendimentos de Impacto” Data e hora: 22/10, às 20h Onde: No instagram da coalizão ÉDITODOS: https://www.instagram.com/editodos/
A música talvez seja a linguagem mais universal que existe. E as várias manifestações impulsionadas por esse idioma fazem da busca por entender todos os movimentos uma tarefa e tanto. Esse é o desafio encarado pela jornalista Fabiane Pereira, apresentadora do canal Papo de Música – único espaço no YouTube brasileiro exclusivamente dedicado a entrevistas sobre a plural sonoridade do país (e primeiro programa neste formato a ser patrocinado pelo edital Natura Musical). Emicida, Pabllo Vittar, Erasmos Carlos, Djonga, Duda Beat, Ney Matogrosso, Filipe Ret, Maria Rita, entre outros, são alguns dos nomes que já passaram pela atração semanal, que chega à marca de 100 episódios com uma participação ilustre: Gilberto Gil.
Não é fácil nem mesmo para o próprio Gil definir qual seria o fio do condutor da sua ampla (ou seria imensurável?) obra e do seu fazer artístico. Após buscar no armazém das próprias energias, ele encontra uma resposta: “é o entusiasmo extraordinário que eu tenho pela música desde pequeno“. Em uma das músicas mais emblemáticas do seu repertório, “Tempo Rei”, Gilberto Gil contou sobre transformar as velhas formas de viver. Não que tenha sido fácil, mas o artista baiano mostrou-se incansável e adaptado ao momento de pandemia: fez shows com transmissões ao vivo (um deles com IZA, outro com Os Gilsons, banda formada pelo filho, José Gil, e pelos netos, Francisco e João Gil), participou de programas de TV e deu entrevistas.
Na semana passada, ao lado da neta, Flor, de 12 anos, ainda lançou o EP “Gil e Flor – De Avô Pra Neta…”. Inclusive, no bate-papo com Fabiane Pereira, Gil falou como foi detectando os talentos individuais dos seus herdeiros. “São pessoas próximas e que estão ligadas a mim pela corrente sanguínea. Eles tiveram vivências musicais desde pequenos e é muito gratificante ver a sequência natural sendo dada“, comenta. “Minha obra já se expande por aí, mas é bonito ter os mais próximos ali também envolvidos nisso. É a continuidade natural de mim mesmo“, pensa.
Essa fala traduz muito o modus operandi que Gilberto Gil encontrou para proteger a arte (sim, em 2020, isso passou a ser ação de primeira importância). “O melhor instrumento para estabelecer essa defesa é a própria atividade artística, além de ter o cuidado com os que estão chegando, garantindo espaço e receptividade para eles. É papel dos criadores já estabilizados manter, preservar e renovar [o meio]“, completa.
Além de celebrar a centésima entrevista do canal Papo de Música, a conversa com Gilberto Gil inicia também a série de entrevistas que chamam atenção para o mês da consciência negra. Em novembro, Fabiane Pereira, que mantém uma curadoria diversa ao longo de todo ano, convida artistas negros para o seu bate-papo semanal.
Para o mês da consciência negra a Globo está preparando um programa especial. “Falas Negras” será dirigido por Lázaro Ramos, para comemorar o dia 20 de novembro. Neste especial a atriz Taís Araújo interpretará a vereadora e ativista Marielle Franco.
O programa vai apresentar textos históricos de grandes personalidades negras de 1600 a atualidade, homenageará também pessoas negras que fizeram história ao lutar contra a escravidão, a segregação racial, o racismo e a intolerância.
Além de Marielle Franco, outras personalidades negras serão homenageadas, no elenco estão confirmados o ator Babu Santana que interpretará Muhammad Ali, Fabricio Boliveira interpretando Olaudah Equiano, Guilherme Silva como Martin Luther King, Ivy Souza como Nina Simone e Naruna Costa como Angela Davis.
Segundo o jornal Extra, “Falas Negras” já está em processo de gravação e esse será o primeiro de uma série de programas da emissora que comemorarão algumas datas importantes do calendário brasileiro.
A Nigéria está na segunda semana de protestos contra a violência policial, especialmente por parte do Esquadrão Especial Antirroubo (Sars, na sigla em inglês), que é acusado de violações dos direitos humanos e acabou dissolvido após a pressão dos manifestantes, que também cobram uma reforma geral das forças de segurança.
Nesta terça-feira (20), milhares de nigerianos se juntaram em protestos pacíficos em Lagos, para fazer campanha contra a brutalidade policial dentro da unidade do Sars. Lagos é o estado mais populoso da Nigéria. Criada em 1984 para conter os constantes furtos e roubos no país, o Sars tinha no uso da força sua maior tática, segundo a Sky News. No entanto, nos anos 90, grupos de defesa dos Direitos Humanos já denunciavam uma série de ações ilegais da unidade, que vieram crescendo ao longo dos últimos 30 anos até chegar ao estopim das últimas semanas.
O inicio dos protestos ocorreu após a divulgação de um vídeo no qual agentes do Sars retiram dois homens de um hotel na cidade de Lagos e atiram em um deles. A ONG Anistia Internacional diz que diversos manifestantes morreram após soldados abrirem fogo para dispersar o protesto de terça-feira, mas o governador confirmou apenas um óbito, de uma pessoa com um trauma na cabeça. No entanto, surgiram relatos de manifestantes sendo baleados, mortos e feridos.
Após o inicio dos protestos a hashtag #EndSARS tem sido vista com frequência entre os assuntos mais comentados do momento nas redes sociais. Vinda da Nigéria, ela quer dizer “Acabe com o Sars”. Ao pesquisar o termo, é possível ver dezenas de vídeos e links de canais de notícias mostrando a juventude nigeriana nas ruas contra essa divisão da Força Policial Nigeriana.
Reagindo aos acontecimentos chocantes varias celebridades estão se solidarizando: Rihanna compartilhou uma foto comovente de um manifestante gritando enquanto segurava uma bandeira nigeriana encharcada de sangue. A cantora acrescentou em seus stories: “Não posso suportar ver esta tortura e brutalidade que continua a afetar nações em todo o nosso planeta. É uma grande traição para os cidadãos, as mesmas pessoas criadas para proteger são aquelas por quem mais tememos ser assassinados. Meu coração está partido pela Nigéria. É insuportável assistir“.
Beyoncé também apoiou o #EndSars: “Estou com o coração partido ao ver a brutalidade sem sentido que ocorre na Nigéria. Tem que haver um fim para a SARS. Temos trabalhado em parcerias com organizações de jovens para apoiar aqueles que protestam por mudanças. Estamos colaborando com coalizões para fornecer cuidados de saúde de emergência, alimentos e abrigo. Aos nossos irmãos e irmãs nigerianos, estamos com vocês. Visite beyonce.com para obter uma lista de organizações que mostram seu apoio“, disse em um comunicado.
A supermodelo Naomi Campbell pediu o fim da brutalidade policial e disse: “Presidente Muhammadu buhari, por favor, pare a violência que está matando o brilhante e promissor futuro da Nigéria. Nossos jovens e geração jovem são nossos líderes do futuro“.
O campeão de boxe peso-pesado Anthony Joshua, que tem herança nigeriana, lançou um vídeo sincero apoiando a causa ao mesmo tempo que ofereceu ajuda aos hospitais que cuidam dos feridos.
O apresentador do Match of the Day, Gary Lineker, mostrou seu apoio ao retuitar um vídeo do atacante do Manchester United Odion Ighalo criticando o governo nigeriano sobre os ataques.
O ator de Star Wars John Boyega, cuja família é nigeriana, ficou sem palavras e escreveu: “Não sei o que dizer. Para travar essa guerra contra seu próprio povo … Eles devem pagar“. Ele acrescentou em seus stories no Instagram: “O mundo deve ver. O governo nigeriano falhou com seu povo. ELES DEVEM IR“.
A rapper Nicki Minaj tuitou em apoio: “Apoiando e orando pelos corajosos jovens da Nigéria que estão na linha de frente desta violência sem sentido. Sua voz está sendo ouvida”.
Gboyega Akosile, porta-voz do governador do estado de Lagos, reconheceu os relatos de tiroteios e disse via Twitter que uma investigação sobre o incidente foi ordenada.
A nova comédia sobre vampiros da Netflix, “Day Shift” terá Foxx em dose dupla, na produção executiva e como protagonista do filme. Em “Day Shift”, JamieFoxx vai interpretar um pai de família trabalhador, que busca dar uma boa vida à filha de oito anos. O que ninguém sabe é que o trabalho como limpador de piscinas em San Fernando Valley não passa de uma fachada e o dinheiro dele vem mesmo de uma profissão inesperada: caçar vampiros.
“Day Shift é uma viagem emocionante de tirar o fôlego com ação, perigo e comédia, misturada com uma profunda mitologia –os ingredientes-chave para você se divertir assistindo a um filme. Não poderíamos estar mais animados em produzir isso na Netflix com Jamie Foxx estrelando“, disse o produtor do longa, Shaun Redick, em comunicado à imprensa.
O ator e dublê JJ Perry irá estrear como diretor no filme. O roteiro é de Tyler Tice e foi descoberto após vencer a competição Slamdance Writing Competition. Os produtores são Chad Stahelski (franquia “John Wick”), Jason Spitz, Shaun Redick (“Corra!”) e Yvette Yates Redick.
Foxx recentemente estrelou “Power“, também no serviço de streaming, e dará voz a “Soul”, da Pixar, no papel de um apaixonado professor de música. Ele também vai coestrelar e produzir o filme “They Cloned Tyrone” e a série “Dad Stop Embarrassing Me”.
Até o momento, data de estreia da comédia não foi divulgado.
Obra está sendo projetada pelo artista plástico Lumumba em co-autoria pela arquiteta negra Francine Moura, e será inaugurada em 5 de dezembro
O arquiteto conhecido por Tebas, Joaquim Pinto de Oliveira, que viveu no século 18 e foi responsável pela fachada de diversas igrejas de São Paulo, será homenageado com uma escultura no centro da cidade. A obra, que está sendo projetada pelo artista plástico Lumumba em co-autoria com a arquiteta negra Francine Moura, tem apoio da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, e será inaugurada em 5 de dezembro.
Conforme apuração do Guia Negro, a escultura ficará na Praça Clovis Bovilaqua, integrada à Praça da Sé, dialogando com a Igreja da Ordem 3ª do Carmo e Catedral da Sé, no centro de São Paulo. O local bastante significativo, já que Tebas foi o responsável pela fachada da Igreja do Carmo e também da segunda versão da igreja da Sé (1778), que foi substituída pela atual, além da restauração do Mosteiro de São Bento (1766 e 1798) e da fachada da Igreja das Chagas do Seráfico Pai São Francisco. O Chafariz da Misericórdia, construído entre 1791 e 1793, foi sua obra mais importante. Deixou de fazer parte da cidade em 1866 após o processo de canalização de água no centro. A obra, erguida onde hoje está a Rua Direita, funcionava como um ponto de encontro de escravizados que buscavam água para seus senhores.
Com seus trabalhos, Tebas conseguiu comprar a alforria aos 58 anos uma vez que tinha sido escravizado. Apesar da sua projeção, o arquiteto foi relegado ao esquecimento por anos. Não é nome de rua, de praça no centro e não tinha uma homenagem à altura. Foi somente em 2018 que o Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo (Sasp) reconheceu-o como arquiteto, depois que documentos oficiais localizados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) revelaram as relações de trabalho entre o arquiteto escravizado e as ordens religiosas.
Em 2019, ganhou um grafite em um prédio na Rua Rego Freitas, na esquina com a Major Sertório, na região da República. A pintura é uma verdadeira obra de arte, mas passa desapercebida pelos transeuntes, já que o nome do arquiteto não consta ali. O Google preparou um doodle (imagem do dia junto à logo do site de pesquisa) em homenagem à ele em 30 de junho de 2020. E Tebas também ganhou uma biografia escrita pelo jornalista e ativista dos movimentos de memória Abílio Ferreira, que foi lançada em 2018.
Além da escultura, Tebas deve ganhar nos próximos meses um instituto com seu nome, que terá como premissa reconhecimento, preservação e valorização da memória negra e indígena da cidade de São Paulo. Quem está à frente do projeto é o escritor Abílio Ferreira.
Nesta quarta-feira, 21 de outubro, o rapper e empresário Rashid lança “Blindado”, novo clipe para a música que faz parte de Tão Real, seu recém-lançado álbum, em formato de trilogia transmídia.
No clipe o artista mostra que aproveita o isolamento social para se retratar em seu habitat mais comum: sua casa. O cenário se torna ideal quando precisamos de refúgio, seja da pandemia, da vida pública ou do mundo lá fora. “São tempos de vírus e de “vermes”, como ele cita em um dos versos, e defender-se é necessário, como sugere nas cenas em que aparece praticando golpes de boxe ou quando segura a espada de samurai.
A escolha por um beat mais pesado, produzido por LR Beats, traz o rapper experimentando com o grave de sua voz e da batida a criação de um clima sombrio, frio, que fica mais evidente no clipe, produzido com luzes baixas e poucas cores.
“Blindado” foi dirigido e editado por Devasto, produtor musical e videomaker com quem Rashid já colaborou no videoclipe de “Interior”.
Planet Afropunk tem curadoria e direção de artistas baianos e reúne a comunidade negra do mundo com uma programação shows e talks
Em 2020 o Afropunk, evento que acontece em Nova Iorque, Atlanta, Paris, Londres e Joanesburgo, completa 15 anos de existência. E em decorrência da pandemia, ganhou novo formato e vai conectar toda comunidade negra em um só local na edição intitulada ‘Planet Afropunk: o negro é o passado, o presente e o futuro’. Entre os dias 23 e 25 de outubro, fãs do festival em todo mundo poderão se reunir nesta edição 100% gratuita por meio do cadastro no site oficial.
A primeira edição brasileira do Afropunk que aconteceria esse ano na Bahia no novo Centro de Convenções Salvador também foi adiada, mas a cultura baiana não ficará de fora e terá grandes representantes no evento mundial. A cantora e compositora Larissa Luzfoi responsável pela curadoria dos artistas baianos que vão se apresentar no evento, enquanto a direção ficou a cargo de Bruno Zambelli, diretor criativo do grupo musical ÀTTØØXXÁ.
Larissa Luz – Foto: Divulgação
“Eu tenho muito orgulho dos artistas da Bahia e do que se vem produzindo no estado! Admiração total por muitos artistas…Não só da música mas do audiovisual, das artes plásticas e da dança. Estou feliz de ver um novo cenário se formando onde enfim, pretos protagonizam. (…) Estamos em ascensão e somos potentes enquanto unidade!” comenta a cantora e curadora Larissa Luz.
Os shows acontecem simultaneamente em Los Angeles (EUA), Bahia (Brasil), Londres (Inglaterra) e África do Sul. Todos serão transmitidos globalmente em apresentações ao vivo e gravadas. Entre os destaques brasileiros confirmados do Festival estão o Afrocidade, o ÀTTØØXXÁ, a própria Larissa Luz, além de participação especial de Carlinhos Brown. Grandes estrelas africanas também estão confirmadas como “Gqom Busiswa”, Moonchild Sanelly, da África do Sul e Smino. A organização britânica Jazz, liderada por negros, apresentará Balimaya, Tawiah e Theon Cross, representando a revolução do jazz no Reino Unido.
O Afropunk Bahia será comandado pela hostess Loo Santana (@neyzona), que além de apresentar seus talentos musicais da Bahia, vai passar informações das belezas naturais que serão exibidas no começo de cada apresentação. O festival vai levar para o mundo a força dos artistas da moda baiana, como a marca “Dendezeiro” que assinou o figurino do ÀTTØØXXÁ, e a marca “Hiran” assinou os figurinos de Larissa Luz, Afrocidade e Mahal Pit.
Para Nichelle Sanderes, consultora estratégica do AFROPUNK, é fundamental a realização do Planet Afropunk neste momento. “Com os assassinatos de George Floyd, Ahmaud Arbery, Breonna Taylor e tantos outros, vimos a dor e o trauma do passado serem ressuscitados e, tudo isso, enquanto sofríamos com uma pandemia global. Porém como negros, nossa unidade e criatividade são a maior arma contra a opressão e a adversidade. Por isso, convocar uma reunião familiar global neste momento é, portanto, essencial. Agora, mais do que nunca, precisamos da resiliência e criatividade de nossa comunidade para manter nossa cultura viva e próspera”, finaliza Sanderes.
SOLUTION SESSIONS
Dentro da programação, a ‘Solution Sessons’ será a plataforma que abrigará os debates envolvendo artistas, ativistas sociais, especialistas e empreendedores. Eles falarão sobre possíveis soluções para enfrentar problemas vivenciados pela população negra global. Representando a comunidade internacional estarão palestrantes como a comediante e atriz, Amanda Sealesa e a ativista americana e uma das fundadoras da Marcha das Mulheres, Tamika Mallory. A plataforma abrigará ainda a ‘Solution Sessions Brasil’, promovida pelo Bradesco através do Afropunk Bahia. As conversas terão Monique Evelle, do Desabafo Social, como curadora e mediadora de quatro painéis.
O primeiro encontro virtual terá com o tema: “Black Future: construindo um novo futuro através do empreendedorismo” e contará com Morena Mariah, fundadora do podcast Afrofuturo. Além dela, Magá Moura, que acaba de lançar sua marca Magá Moura Modas, se junta ao time para fortalecer o empreendedorismo negro. No segundo painel, Evelle receberá profissionais especialistas em turismo afro. São eles: Guilherme Dias, do Guia Negro e Black Bird, Sauanne Bispo, do Go Diaspora e Cíntia Ramos do Diáspora Black. O tema será “Black Travel: O Brasil e a Bahia no mapa global do turismo afro”. O terceiro painel terá como foco “Black Money: a importância do fortalecimento da comunidade negra entre si” com a participação de Isaac Silva, Juliana Vicente e Lili Almeida. Finalizando a programação do ‘Solution Sessions Brasil’, o quarto painel contará com a participação dos creators Luciellen Assis (@luciellenassis), Bielo Pereira (@hellopereira) e Sulivã Bispo (@sulivabispo).
SERVIÇO
‘Planet Afropunk: o negro é o passado, o presente e o futuro’
Vou começar este artigo propondo um exercício: busque em suas lembranças livros que leu, filmes a que assistiu, empresas que conhece, escolas e grupos com os quais convive. Quantas pessoas negras, gordas, com deficiência, enfim, quantas pessoas “diferentes” você viu em cargos de gestão, diretoria ou até mesmo como donas de grandes negócios?
Agora voltemos um pouco antes, na sua fase escolar: quantas crianças negras, gordas, com deficiência ou “diferentes” eram líderes de atividades, recebiam elogios perante toda a sala, ou eram chamadas para serem protagonistas em apresentações e representar a sala ou a escola em eventos?
Como educadora, vejo, no cotidiano dos grupos com os quais atuo, muitas pessoas com baixa autoestima e poucas se colocando como protagonistas capazes de mudarem o que o mundo diz a elas, todos os dias. Meu esforço então, é conscientizá-las sobre suas potências, porque acredito que o ser humano aprende a vida toda. Vamos ajustando nossas preferências, entendendo em que somos muito bons e o que nos causa mais esforço para desenvolver, e, se o tópico for fundamental para avançarmos, nos esforçamos ainda mais para aprender. Porém, isso só é possível quando temos escolhas.
Há um vídeo no YouTube, do pesquisador e biólogo Atila Iamarino, no qual ele fala da meritocracia e matematicamente, através do Tabuleiro de Galton ou Quincux, mostra que a tal “sorte” e o “acaso” são fatores incontroláveis e têm um peso enorme nas oportunidades que recebemos pela vida.
Sobre esse assunto, acrescento que os preconceitos estruturais têm relação direta com o conceito citado por Iamarino, uma vez que, desde pequenos, a sociedade nos diz que há pessoas “certas” ou “ideais”. Assim, nos são impostos modelos, incutidos pelas mídias por meio de filmes, vídeos, revistas, entre todas as outras formas de comunicação multimidiática. Incluo aqui livros e apostilas escolares; tudo a nossa volta envia mensagens sobre quais devem ser os “padrões aceitos”. E a grande maioria de nós não faz parte do recorte.
Um dos pesquisadores da camada mais profunda da psiquê humana, o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, fez todo um estudo sobre o inconsciente coletivo, um processo que estudamos em publicidade, base, por exemplo, da jornada da heroína ou do herói, um padrão comportamental inconsciente que influencia pessoas por todo o mundo, não importa em qual cultura estejam, e que define o que as move quando um filme como Matrix, Avengers, entre outros nessa mesma linha é lançado, alcançando recordes de bilheterias.
Toda essa contextualização vem para provocar duas reflexões: somos o que vivemos no macro, ou seja, se nossas referências desde a escola são pessoas brancas, magras, esteticamente ditas bonitas, como podemos crescer e admirar pessoas fora desses padrões? E, como lidar com o viés inconsciente que nos leva a agredir, afastar ou ignorar tudo o que foge ao padrão social normativo?
Agora, vamos ao ambiente corporativo, onde deveríamos ver a diversidade social que nos rodeia, e não a vemos. Por que não estranhamos quando não há pessoas negras, gordas, com deficiência, da comunidade LGBTQI+ entre outras pluralidades presentes? Por que não nos questionamos quando elas só estão nas mídias de entretenimento, como Jô Soares, Bielo Pereira, Elza Soares, Emicida, ou são consideradas apenas para prestar serviços em vez de serem CEOs das empresas? Por que aceitamos que a cultura é considerada popular quando falamos de obras de pessoas com conhecimento profundo de temas complexos como Sueli Carneiro, Djamila Ribeiro, Milton Santos, entre outras, e não cobramos que estejam na academia, como foi negado em 2018 à premiada escritora negra Conceição Evaristo?
Aqui reside o mote deste artigo: como demitir o viés inconsciente e dar oportunidade para que pessoas incríveis estejam dentro das empresas, gerindo e criando uma sociedade mais equânime?
Temos de conhecer suas histórias, temos de nos aproximar das pessoas e ouvi-las, abrir espaços de diálogo em que possam expor suas potencialidades. O TEDx é uma iniciativa que vem abrindo espaços para nomes desconhecidos, aprendizagens incríveis, de gente do mundo inteiro. Porém, até mesmo nesse palco tão plural, há constante busca por pessoas que possam ser referência e, em sua maioria, ainda são “heróis e heroínas de pele branca, sem deficiências aparentes e não gordas”.
Não sou contra pessoas brancas; sou a favor de todas as pessoas que estão invisibilizadas, silenciadas e excluídas das oportunidades de acesso a uma vida melhor.
Hoje, de alguma forma, parte dessas pessoas conseguem levar suas vozes, corpos e identidades à internet, expondo-se em lives nos canais no Instagram, YouTube, TikTok, porém no ambiente corporativo, no mundo onde há bons trabalhos e boas condições de crescimento profissional e pessoal, ainda sofrem com barreiras quase intransponíveis que vão desde serem desconhecidas até terem pouca formação acadêmica que as impedem de acessar ou não conseguem permanecer, muitas vezes porque a educação é segunda opção quando elas têm de ajudar nas contas da casa, ou ainda porque, quando são vistas pelas pessoas que irão recrutá-las, não atendem ao “esperado”.
Passamos da hora de demitir o viés inconsciente. Temos de agir desde a pré-seleção, entendendo quem queremos acolher, como podemos ajudar a formar e como despertar seu potencial para que sejam talentos incríveis em qualquer lugar, porque todos são pessoas incríveis que só precisam de oportunidades.
*Samanta Lopes é coordenadora MDI- Programa de Capacitação Mestre Diversidade Inclusiva da um.a #DiversidadeCriativa, agência de live marketing especializada na criação e realização de eventos, incentivos e trade.
Em outubro, a SILVA Produtora assume como agência de conteúdo da área de marketing do Twitter no Brasil e passa a ser responsável pela produção de conteúdo da marca para o mercado publicitário, evidenciando o serviço como o melhor lugar para iniciar e participar de conversas em tempo real e criar uma conexão legítima com o consumidor. Com a parceria, SILVA traz a pluralidade de olhares e experiências para a estratégia da área, refletindo a grande diversidade presente na plataforma.
A SILVA se apresenta no mercado entregando alguns serviços como consultoria estratégica, produtora de conteúdo e imagem, e agência de casting. Se afirma como uma plataforma que cria pontes e estabelece uma nova forma de comunicar sobre o Brasil, levando a sério seus contextos e linguagens, acreditando na não reprodução de estereótipos de raça e classe. A produtora já realizou trabalhos com grandes marcas como Spotify, Continental, Mate Leão, Adidas, Fila, FARM, Via Mia, AME Digital e muitas outras.
No mercado há 6 anos, a empresa passou por algumas mudanças, reflexo de um crescimento. Durante 4 anos, teve como foco o mercado de moda e agenciamento de modelos das periferias e favelas do Rio de Janeiro. Após conquistar alguns dos grandes players do mercado carioca, estrategicamente abriu negócio para o mercado publicitário e de comunicação, pois enxergou a necessidade urgente de transformação no jeito de fazer publicidade no Brasil, do conceito criativo à campanha final, passando pelo backstage.
Dessa forma, atualmente, a SILVA foca em trabalhar com grupos historicamente minorizados, construindo narrativas positivas sobre o país, trazendo profissionais negros e periféricos com variados repertórios culturais para atuar no mercado, entregando uma visão inteligente de um Brasil real e das pessoas.