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Campanha arrecada US$ 1,7 milhão para homem que passou 43 anos preso injustamente nos EUA

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Kevin Strickland em audiência.
Kevin Strickland. Foto: Tammy Ljungblad/Kansas City Star/AP

Uma campanha on-line já arrecadou mais de US$ 1,7 milhão, o equivalente a R$ 9,5 milhões, para Kevin Strickland, um homem negro que foi inocentado nos Estados Unidos após 43 anos preso por um crime que não cometeu.

“Têm sido dias bem ocupados para Kevin, que tem trabalhado para se reerguer e se reconectar com seus entes queridos”, escreveu um representante da instituição responsável pela campanha, a Midwest Innocence Project.

“O seu apoio o ajudou a poder focar no que realmente importa nessa época — começar uma vida que ele não teve.”

A organização da campanha explica que todo dinheiro doado vai diretamente para Kevin. “Todas as doações vão diretamente para senhor Strickland, para quem o estado do Missouri não vai dar um centavo pelos 43 anos que roubou dele”.

Olivia Martinez, uma das doadoras da campanha desejou boa sorte na nova etapa da vida de Kevin. “Espero que a minha pequena doação possa ajudar Kevin a seguir em frente com sua vida”, disse.

O caso

Kevin Strickland foi inocentado de um triplo assassinato do qual foi acusado injustamente quando tinha 18 anos, em 1979.

O juiz James Welsh escreveu em seu julgamento que “evidências claras e convincentes” foram apresentadas que “mina a confiança do Tribunal no julgamento da condenação”. Ele observou que nenhuma evidência física ligava Strickland à cena do crime e que uma testemunha-chave se retratou antes de sua morte.

Kevin sempre afirmou que estava em casa assistindo à televisão e não teve nada a ver com os assassinatos. Ele soube da decisão quando a notícia rolou na tela da televisão enquanto ele assistia a uma novela. Ele disse que os presos começaram a gritar.

O juiz James Welsh escreveu em seu julgamento que “evidências claras e convincentes” foram apresentadas que “mina a confiança do Tribunal no julgamento da condenação”. Ele observou que nenhuma evidência física ligava Strickland à cena do crime e que uma testemunha-chave se retratou antes de sua morte.

“Nessas circunstâncias únicas, a confiança da Corte nas convicções de Strickland é tão abalada que não pode ser mantida, e o julgamento da condenação deve ser anulado”, escreveu Welsh ao ordenar a libertação imediata de Strickland.

Mirtes Renata diz que defesa de Sari Corte Real quer culpar seu filho, o menino Miguel, pela própria morte

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Foto: Reprodução TV Globo

Neste final de semana, o Ministério Público de Pernambuco protocolou o pedido de condenação de Sari Corte Real pelo abandono e morte do menino Miguel Otávio Santana da Silva. O documento está na 1ª Vara dos Crimes Contra Criança e Adolescente da Capital.

Em 2 de junho de 2020, Miguel, que ficou sob a responsabilidade de Sari, subiu até o nono andar do prédio da acusada procurando por sua mãe, Mirtes Renata que estava na rua com o cachorro da patroa. Ao sair do elevador para a parte externa do prédio, o pequeno caiu de uma altura de aproximadamente 35 metros e faleceu.

No texto, o Ministério Público pede a condenação pelo crime de abandono de incapaz, qualificado pelo resultado morte. O Promotor de Justiça entendeu ainda que existem circunstâncias agravantes, pelo fato de o crime ter sido cometido durante a pandemia. A criança estava na residência da patroa porque as creches estavam fechadas e, portanto, sua mãe Mirtes, não teve outra opção que não a de levá-lo com ela ao trabalho.

A promotoria ainda destaca que negligência se deu por motivo fútil, porque Sari priorizou terminar os serviços de embelezamento das unhas, o que agrava a pena do crime. A tentativa da defesa de Sari em “adultizar” de Miguel, responsabilizando-o pela própria morte, e infantilizar Sari, também é apontada no documento: “não se pode admitir que se negue a infância de Miguel Otávio”.

DEFESA DE SARI INSINUOU QUE MIGUEL TERIA PROBLEMAS MENTAIS

Conversamos com Mirtes sobre a tática da defesa de Sari em alegar que uma criança de 5 anos teria capacidades de se cuidar.

“É uma estratégia de defesa muito baixa que eles estão usando. Estão buscando argumentos para culpar meu filho querendo transformar o Miguel em uma criança que teria problemas mentais a ponto de chamarem o psicólogo dele para depor contra Miguel”, diz Mirtes que explicou que seu filho fez terapia, mas por conta de questões emocionais envolvendo a separação dela do pai do menino nunca teve nenhum tipo de transtorno mental.

“Estão querendo culpar o Miguel dizendo que ele era uma criança impossível, que tinha transtornos e que Sari teria sido uma vítima de Miguel que não soube lidar com esse transtorno. No depoimento ela culpa até a filha dela, porque ela disse deixou Miguel entrar dentro do elevador porque a filha tirou a atenção dela. Ela não assume o crime, ela coloca a responsabilidade no meu filho e na filha dela”, detalha. “Isso me machuca porque eles ficam falando mal do meu filho e isso é muito doloroso para mim. Eu não admito que ninguém fale mal do meu filho. Ele tinha comportamento normal para idade dele, graças a Deus saudável e agora ela (Sari) quer bancar de vítima de uma criança. Uma mulher de 30 e poucos anos! Isso não cola”.

O depoimento do psicólogo de Miguel, foi desconsiderado pelo Juiz devido as respostas que se contradiziam e não foram entendidas como verdadeiras.

Numanice em SP: Não foi um show, foi uma experiência

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Imagem: Instagram @LUDMILLA

Os números não mentem: Ela acumula mais de 24 milhões de seguidores no Instagram, 2.5 bilhões de visualizações no Youtube, mais de 5 milhões de ouvintes mensais no Spotify, além de ser a primeira cantora negra latino-americana a atingir 1 bilhão de streams na plataforma. Ele é o momento. E nós fomos conferir de perto, o fenômeno Ludmilla.

Pela segunda vez, o Site Mundo Negro foi convidado para prestigiar o evento. Nosso time, que esteve na estreia da turnê no Rio de Janeiro, também compareceu na segunda edição do show, no Aeroporto Campo de Marte, em São Paulo (SP) no último sábado (04/12).

Desde o momento em que entramos no local do show, fomos envolvidos em universo paralelo. Os portões abriram 17h, e embora o show começasse apenas as 21h, o público deve muito com o que se distrair durante esse tempo, já que toda a estrutura do evento era digna não só de um show, mas de um festival de música. Ao longo do espaço, os fãs se deparavam com vários cenários pensados especialmente para tirar fotos, cenários que refletiam a vibe do Numanice, e é claro, a ideia foi um sucesso. Longas filas se formaram diante de cada um desses painéis por que todo mundo queria uma lembrança daquele dia.

Ludmilla e Xamã (reprodução, Instagram)

Tudo isso, ao som de duas DJ’s que tocavam dentro de um repertório eclético, tudo aquilo que Ludmilla e seu público gostam de ouvir. Grandes sucessos de Beyoncé, Mariah Carey, Iza, Mary J Blige,entre outros nomes da música nacional e internacional embalavam o público que aguardava ansiosamente pela entrada de Ludmilla no palco. E Aliás, precisamos falar sobre o palco. Diferente do que vemos normalmente, a plateia ficava extremamente próxima do palco, tão próxima que os seguranças precisavam alertar sobre os jatos que sairiam dali em um certo momento da apresentação. O palco, além de próximo, tambem era baixo, o que ajudava mais ainda a criar o clima intimista do projeto. Em um vídeo postado nos stories durante a semana, anunciando o show, Ludmilla descreveu o concerto como uma reprodução das festas da casa dela, onde ela canta com os amigos e ataca de DJ. Foi exatamente assim que nos sentimos, em uma festa no quintal da casa da Ludmilla. E não poderia ter sido melhor. E não que a descrição intimista do palco faça você imaginar algo simples, ok? Na verdade, ele era extremamente criativo e bonito, dentro da proposta.

Quando a Rainha da Favela subiu ao palco, o público foi a loucura, e com toda razão. Ludmilla correspondeu, sendo muito atenciosa e carinhosa com os fãs. Interagindo, se aproximando, mostrando se como uma artista acessível e não um artigo intocável. Estávamos diante de uma pessoa real, que ria, se divertia, prestava atenção no público e no que acontecia na audiência, e que até errou a entrada de músicas por que se empolgou conversando com os fãs. E as vezes, alguns errinhos tornam o show muito mais dinâmico e divertido do que algo completamente ensaiado, roteirizado, duro. Essa conversa com os fãs, se estendia aos muitos amigos famosos que também estavam ali prestiagiando o show. Celebridades como Margareth Menezes, Agnes Nunes, John Drops, Fiuk, Caio Castro, Vitão,Nicole Bahls, Foquinha, Danny Bond, Whindersson Nunes entre outros, marcaram presença no evento. Mas se engana quem pensou que os nomes de peso estavam lá só pra curtir: Jão, Luiza Sonza, Glória Groove, Xamã e Dela Cruz subiram ao palco para acompanhar Ludmilla nas canções de pagode, além de apresentar canções autorais também. O público foi a delirio com tantas participações especiais dignas da gravação de um DVD.

Ludmilla e Gloria Groove em SP (Reprodução, Instagram)

Com quatro horas de duração e três trocas de roupas, o Numanice também mostrou mais uma vez todo o potencial vocal de Ludmilla, que ocupa com propriedade uma cadeira no The Voice +. Ludmilla, que ascendeu a fama como MC Beyoncé la em 2012 (e fez questão de relembrar essa epoca durante o show), amadureceu como artista e encontrou sua propria personalidade no mundo da música, ainda que influenciada por sua grande diva (que certamente ficaria orgulhosa se estivesse la na noite passada). Ao longo dos anos, Ludmilla foi se mostrando uma artista completa, que circula do funk ao pagode, passando pelo R&B, uma artista que canta, dança, compõe, e inspira milhões de jovens periféricos de que ser eles mesmos é sim uma boa ideia. Uma representatividade preta, LGBTTQIA+, feminina e periférica lotando shows como o de ontem, certamente deu esperança para muita gente que esta ali. Esperança de lutar pelos seus sonhos, apesar das adversidades do caminho. Numanice é a confirmação de Ludmilla quanto uma das maiores artistas da história do Brasil, embora a classe branca e elitista tente diminuir a importância do som de preto fazendo todo esse barulho.

“O luxo vem dos nossos ancestrais”: Salão de luxo especialista em tranças afro abre em São Paulo

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Imagem/Divulgação

Carolina Pinto, uma das donas do salão RAS, salão de luxo especializado em tranças e penteados afros criado por duas mulheres negras, afirma que tomou a decisão de abrir seu próprio negócio – ao lado da sua sócia, Taynara, – após fazer o cabelo com uma trancista que não a recebeu bem: “Trançar o cabelo não tem relação com dinheiro, tem relação com o cuidado”, lembra ela. “No meio desse processo eu queria um salão que fosse de luxo, próximo, e que desse uma sensação de que a trancista não estava fazendo um favor ao trançar meu cabelo”.

Segundo a mesma, o RAS foi criado para trazer uma nova experiência ao público afro, oferecendo atendimento personalizado, e visando a valorização das trancistas.”A ideia do RAS é ser um salão de luxo. Um local que se preocupa com o cliente, com a trancista e o trabalho dela. A importância do luxo normalizado. O luxo sempre fez parte da nossa vida, precisamos resgatar porque dinheiro não é errado, não é errado querer o bom porque não é pecado”.

O salão fica ao lado do metrô Palmeiras-Barra Funda, em São Paulo. “O luxo vem dos nossos ancestrais, o luxo da nossa própria ancestralidade carrega, é ter em mente que isso faz parte da gente e sempre fez.” Explicou a empreendedora.

“Mexer com tranças é lidar não somente com autoestima, mas também, com toda a bagagem ancestral que o nosso cabelo carrega!” Conclui.

Inscrições abertas para programa de assessoria de investimento exclusivo para pessoas negras

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Com o propósito de capacitar e incluir mais profissionais negros no mercado financeiro, a XP lança o programa “Vem Transformar”, que está com inscrições abertas até dia 7 de janeiro. Serão oferecidas, inicialmente, 600 vagas para cursos de educação financeira e preparatórios para tirar a certificação da Ancord (Associação Nacional de Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias), condição necessária para ser um agente autônomo de investimento (AAI). Os custos dessas especializações correspondem a um valor de cerca de R$ 6 mil reais. 

Os cursos terão duração de 60h (Xpeed) e 70h (Ancord). Para participar, é necessário se autodeclarar uma pessoa negra/parda e residir em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília ou Salvador. A empresa também arcará com os custos da prova. As pessoas aprovadas no exame poderão participar de processos seletivos dos escritórios de agentes autônomos parceiros da XP e serem contratadas. 

“Queremos transformar o mercado financeiro para melhorar a vida de todas as pessoas brasileiras. Acreditamos que, para isso, a diversidade do nosso país deve ser refletida em nosso ambiente de trabalho e que, só assim, conseguiremos desenvolver as melhores soluções em investimento para diferentes necessidades e pessoas”, destaca Marta Pinheiro, sócia e diretora de Cultura & ESG da XP Inc. 

O programa Vem Transformar é uma iniciativa da XP em parceria com o coletivo Blacks by XP Inc, formado por pessoas negras da XP. A ação faz parte do plano criado pela diretoria de ESG, em março de 2020, que desde então vem ampliando seu compromisso com a sociedade. A área vem atuando de forma contínua e propositiva na promoção de ações afirmativas dentro da companhia, hoje com cerca de 6 mil funcionários. 

“Queremos reforçar, por meio desta e de outras ações, o nosso compromisso em fazer transformações significativas na sociedade. A inclusão e a diversidade na companhia e em nossa rede de parceiros é uma questão de extrema importância dentro do nosso propósito e cultura. Fizemos alguns estudos para identificar quais barreiras impedem a inclusão de profissionais diversos no mercado de trabalho e um dos principais obstáculos é a formação de qualidade, por isso decidimos investir nessas parcerias”, declara Ana K Melo, head de D&I e sócia da XP Inc. 

As inscrições para o programa Vem Transformar poderão ser feitas no site do local (https://comunicacaopro.com/link.php?code=bDpodHRwcyUzQSUyRiUyRmxwLnhwaS5jb20uYnIlMkZ2ZW10cmFuc2Zvcm1hciUzRnV0bV9zb3VyY2UlM0RwcmVzc3JlbGVhc2UlMjZ1dG1fbWVkaXVtJTNEc2l0ZSUyNnV0bV9jYW1wYWlnbiUzRHZlbXRyYW5zZm9ybWFyJTI2dXRtX2NvbnRlbnQlM0R2ZW10cmFuc2Zvcm1hcjo1MzE2MzU5ODM6c2lsdmlhQG11bmRvbmVncm8uaW5mLmJyOjBjYTEzYg==)

Egbé: Mostra de Cinema Negro recebe inscrições até 15 de dezembro

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THE FORTY-YEAR-OLD VERSION: Behind the scenes of RADHA BLANK (WRITER, DIRECTOR). Cr. JEONG PARK/NETFLIX ©2020

EGBÉ – Mostra de Cinema Negro se aproxima da sua 7ª edição e, pela primeira vez, amplia as suas inscrições também para filmes internacionais. Por isso, este ano, o regulamento foi lançado com tradução para o inglês e para o espanhol.

As inscrições estão abertas desde o dia 09 de novembro e seguem até o dia 15 de dezembro. Para enviar seus filmes, realizadores negros do Brasil e de outras partes do mundo devem acessar o portal: https://egbesergipe.com.br

Não é a primeira vez que filmes internacionais poderão ser exibidos na mostra. Em outras edições, realizadores de países africanos e da América Latina inscreveram e tiveram seus filmes exibidos na EGBÉ. Mas, é a primeira vez que a organização internacionaliza as inscrições de forma oficial.

Para a diretora geral da mostra, Luciana Oliveira, ampliar as inscrições é mais um passo importante que a EGBÉ dá em seus quase 7 anos de existência. “Receber filmes de outras partes do mundo de realizadores negros e negras será incrível, poder ver através das lentes de diferentes cineastas os seus mundos, as suas vivências, as suas narrativas, suas visões, com certeza será muito bacana, e acreditamos que também para o público da EGBE, será importante ter acesso a esses filmes” disse.

A expectativa é que, após dois anos de edições online por conta da Pandemia da Covid-19, a mostra seja realizada pela primeira vez de forma híbrida em abril de 2022. E a ansiedade por esse retorno presencial, aos poucos e com todas as medidas de segurança necessárias, é muito grande por parte de uma equipe que sempre recebeu de braços abertos realizadores e público de diferentes partes do país ao longo desses anos.

Para mais informações os realizadores interessados podem enviar e-mail para egbecinemanegro@gmail.com ou acessar o Instagram da mostra: @egbesergipe.

“Começamos a falar mais alto quando temos o movimento ao nosso lado”, diz Vinicius Chagas

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Foto: Arquivo Pessoal.

Por Rodolfo Gomes

Vinicius Chagas, 38 anos, é natural de Porto Alegre. Nascido numa cidade de colonização europeia, de maioria branca, cresceu numa família de classe média. Seus pais, concursados de uma empresa estatal, sempre fizeram tudo dentro do possível para que ele tivesse uma vida com qualidade. Ele e sua irmã fizeram natação, curso de inglês, e eram sempre os únicos negros nesses espaços.

“Tinha eu e mais um menino negro, em todas as turmas da minha classe. E como em toda a sociedade cujo racismo é estrutural, as crianças testam os limites, e passamos por diversos episódios racistas na infância.”

Sempre foi bom aluno, aplicado e amante de exatas. Essas habilidades fizeram dele um aluno popular na época, uma vez que todos queriam fazer trabalhos em grupo com ele, devido a sua inteligência. Iniciou seus estudos universitários na UFRS, em engenharia, e após um semestre migrou para comunicação na PUC.

Ainda durante a faculdade começou a trabalhar como assistente administrativo na companhia pública de abastecimento, na parte de estatística. Gostava do que fazia, mas sempre foi estimulado por uma amiga próxima a ir além. Apesar de gostar, e de ter feito boas amizades naquele ambiente, aquela semente o levou a pedir demissão, pra trabalhar numa fábrica de fornos, também como assistente administrativo.

“As centrais de estágio diziam que a vaga era de assistente de marketing, mas na prática você fazia de tudo, até café.”

Vinicius entrou na publicidade pois gostava de fotografia, e logo migrou sua carreira, aceitando uma posição para trabalhar em uma grade agência, onde ficou até se formar, ocupando o cargo de diretor de arte. Em um certo momento, entendeu que não conseguiria mais crescer, e começou a flertar com as áreas de estratégia e comportamento. Estudando a respeito, conseguiu um emprego numa consultoria de pesquisa, e num cargo de fato estratégico, fazia a tabulação de dados e recomendação estratégica com base nos dados.

Com sua amiga Amanda, criou o “Looks Like Porto Alegre”, um site de street style. Tirando fotos das pessoas em festas, teve uma grande projeção, sendo convidado para realizar a cobertura de eventos importantes na cidade. Começou a fazer a festa do site, sempre na 2ª sexta-feira do mês, com foco no dress code de moda. Começou a ganhar dinheiro, e abandonou o emprego na consultoria, para focar em seu negócio, que estava dando muito certo. Levou a festa pra outras cidades, como Florianópolis e até Montevidéu, no Uruguai, que sempre contava com uma banda de Porto Alegre e outra local.

“Até que um dia, olhei pro que eu estava fazendo, mas queria voltar às origens, para aquilo que tinha me formado. Fui fazer um curso de comportamento do consumidor, para me atualizar, e uma das professoras do curso, que trabalhava numa grande agência de live marketing, me indicou para uma vaga.”

Vinicius aplicou e passou, assumindo uma posição de community manager e brand writer, cuidando de estratégia de postagens nas páginas de grandes marcas. Também era responsável por inovação e curadoria para pesquisas e conteúdo. Buscando se movimentar no mercado, após algum tempo foi pra uma outra grande agência, pra cuidar da parte de estratégia, indo trabalhar alocado em Brasília, pra cuidar de uma conta governamental. Nessa oportunidade chegou inclusive a apresentar seu trabalho para pessoas de grande escalão do governo. De lá, Vinicius foi convidado para ser coordenador de conteúdos em outra agência, construindo do zero audiências para grandes marcas.

“Para além dos posts legais, comecei a pensar mais estrategicamente em conteúdo.”

Mostrando seu valor, e construindo resultados concretos, Vinicius foi convidado para o outro lado da mesa, numa vaga em um cliente. Foi uma experiência bastante rica, que possibilitou outras oportunidades, até que Vinicius chegasse à cadeira de Head of Conversations Design, que ocupa hoje, em outra grande agência.

“Tive sorte de ter bons líderes no caminho. Nesse lugar, tendo acesso e oportunidades, meu papel é puxar outros pretos. As vivências é que dizem sobre as capacidades e potenciais das pessoas.”

Acredita que quando tem gente muita igual numa sala, pra falar sobre uma ideia, ela sai pasteurizada. E que rico é ter vários olhares diferentes, discordar, debater. Olhando o mercado, percebe o patente aumento no entendimento, nas mesas de estratégia, que a diversidade é uma pauta quente que não dá pra ignorar. As empresas precisam refletir sobre a sociedade que a gente vive. Não adianta encher a sala com pessoas iguais. É necessário fomentar desconfortos e a necessidade de discutir sobre isso.

“Tem vários tipos de clientes. Alguns ainda estão crus, e outros já estão fazendo diversas coisas. Como especialista e com a vivência que temos, puxamos conversamos e alicerçamos.”

Para Vinicius, mesmo na publicidade, a gente ainda engatinha pra equidade. Ainda que haja o movimento, isso passa por uma estruturação das empresas para receber, desenvolver, e ainda falta muito. A bolha tem falado muito sobre essa pauta, mas falta muito no dia a dia. Políticas públicas, inclusive. Vemos o racismo todos os dias nas ruas.

“A publicidade reflete a sociedade que vivemos, e inspira a sociedade que a gente quer.”

Com essa caneta na mão, Vinícius acredita que a nossa obrigação é usar um pouco da voz que temos, pra tentar rever esse quadro no Brasil. Diversidade não é casting. A gente precisa refletir o que a gente quer, e a real sociedade que a gente vive e quer daqui pra frente, em todo o trabalho. Colaboradores, fornecedores, atores.

“A publicidade tem o papel de inspirar, questionar padrões. A gente é criativo, tem licença poética pra fazer isso. E ficamos felizes em termos marcas parceiras que acreditam isso.”

Para Vinicius, suas referências pretas eram seus pais, seus avós e os artistas. Quando estava no colégio, sentia vergonha de falar que escutava samba, com medo de virar chacota. Em sua casa, sempre se ouviu Alcione, Emilio Santiago, Fundo de Quintal, que fizeram parte de sua cultura e letramento.

“Meus pais se sacrificaram por mim, para custear meus estudos. Lembro do olhar deles, na minha formatura. Chegar lá, com esse respaldo, não tem preço. Sempre fui um preto que viveu num mundo de brancos. Todos os meios que circulei. O entendimento sobre minha negritude sempre existiu. Sempre tive consciência da importância de trazer essas temáticas para todos os lugares.

Para Vinicius, é de extrema importância buscar aprender, não parar de ler, e principalmente de ocupar lugares. Aprender como se pode usar e aplicar melhor o seu conhecimento, tentando estar nos lugares nos quais você pode ser visto.

“A gente que é preto e tem a caneta importante na mão, precisa trazer os nossos pra
perto e pra cima, com a gente. Começamos a falar mais alto quando temos o movimento ao nosso lado. Na construção do time, aposto nas pessoas, assim como apostaram em mim. Apostar e entender como posso contribuir pra essa pessoa. Ensinar um pouco do que eu sei.”

Pretinhas Leitoras são destaque em estande na Bienal do Livro 2021

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Pretinhas Leitoras.
Foto: Divulgação.

As gêmeas Eduarda e Helena e a caçula Elisa Ferreira são estudantes e apresentadoras do Canal Pretinhas Leitoras, uma iniciativa de fomento à leitura racial crítica do mundo através do protagonismo infantil de crianças e adolescentes, atravessado pela literatura negra.

O cotidiano violento do Morro da Providência é o pano de fundo do projeto criado em 2015, destaque na programação de sábado (4) do estande do Paixão de Ler, da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, na Bienal Internacional do Livro. O estande reúne nomes da literatura negra que tratam de identidades, representatividades e ancestralidade. 

“Objetiva construir uma sociedade antirracista, discutir e compartilhar medidas propositivas para a promoção da qualidade de vida saudável, justiça social e equidade de raça e gênero”, definea professora e pesquisadora Elen Ferreira, mãe das meninas.

A cada mês, uma obra é escolhida de acordo com a realidade que estas crianças vivem, envolvendo inclusive, o racismo, um dos temas principais, que aparece no slogan do projeto: “Por uma educação antirracista“.

Outros nomes de destaque na literatura negra também integram a programação do estande Paixão de Ler, como Conceição Evaristo, Renato Noguera e Helena Theodoro, entre outros. Confira:

Destaques no estande Paixão de Ler, na Bienal do Livro:

Sex, 3

17h: Abertura Paixão de Ler – Homenagem a Sonia Rosa

19h: A Literatura Negro Afetiva de Sonia Rosa – Sonia Rosa, Iris Amâncio, Nando Cunha e Renato Noguera

Sáb, 4

17h: Anjinho do Flamengo (vai promover uma partida de futmesa) e Big Jaum

19h: Pretinhas Leitoras

Dom, 5

11h: Conceição Evaristo e Joyce Trindade

17h: Jessé Andarilho

19h: Ana Paula Lisboa

Seg, 6

12h: roda de conversas com crianças: Pretinhas Leitoras, com Laiza Griot etc

Ter, 7

11h: Helena Theodoro – História do Samba e da População Negra

13h: Oficina de introdução ao idioma iorubá

Qui, 9

19h: Nega Gizza e Marina Iris 

Sex, 10

17h: Júlio Barroso e Rodrigo França 

19h: Babu Santana

Sáb, 11

11h: Zezé Motta – A Arte de Representar Dignidade

17h: Binho Cultura e Raull Santiago

Dom, 12

11h: Nossas futuras Griots – Elen Ferreira, Sinara Rúbia, Anielle Franco, Rafaela Bastos

16h: Eliseu Banori (Guiné-Bissau) lança “A história que a minha não me contou…”

17h: Rene Silva

19h: Dani Ornellas e Taísa Machado

Bienal do Livro – Riocentro: Av. Salvador Allende 6.555, Barra. De 3 a 12/12, das 10h às 22h. Estande Paixão de Ler: F02/G03, Pavilhão Azul.

“Belo Future”: Belo lança clipe com medley de canções românticas

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Amado pelo público e respeitado no meio artístico por 30 anos de sucesso, o cantor Belo acaba de lançar Belo Future. Um projeto audiovisual e de vanguarda, que propõe uma nova sonoridade aliando o beat eletrônico às percussões e aos elementos tradicionais do pagode em regravações em estilo medley.

O projeto visa brindar o público online com lançamentos mensais. O pout-pourri de estreia é “Sem Ar”, “A Vida É Mesmo Assim” e “Pouco a Pouco”, gravadas originalmente por D’Black, Naldo e Lucas e Orelha com Ferrugem. A primeira versão, batizado de “Belo Future – Love”, traz as participações de Marvilla, Azzy e Gabily no clipe, que já está disponível nas plataformas de streaming e no canal oficial do cantor no YouTube. 

“Sou, acima de tudo, um cantor romântico, que canta com o coração para os corações das pessoas. Não por coincidência escolhemos o amor como tema para o lançamento. Em tempos tão difíceis, é na arte que a alma humana se apoia, é pelo amor e em todas as suas possibilidades que nos mantemos de pé”, avalia o cantor.

“Belo Future é um projeto que aponta para o futuro, apesar de as músicas serem regravações que poderiam ter sido lançadas originalmente na voz do Belo. Ele faz o pagode que sempre fez, com violão de balanço, percussão, pandeiro, conga, surdo, mas com a bateria trazendo o beat eletrônico de R&B e Trap. É um trabalho altamente voltado para o digital, introduzindo o Belo com liberdade estética neste cenário”, explica Umberto Tavares, que assinou trabalhos de sucesso com Anitta, Ludmilla, Buchecha, Kelly Key, Fiuk, Latino, Perlla, entre outros. 

Assim, todas as canções escolhidas para o projeto representam a essência de Belo. É a realização de um sonho do artista de presentear o seu público com medley de músicas de outros cantores tendo a sua interpretação como assinatura. Tudo disponível para ser acessado em qualquer lugar e a qualquer hora.   

“Por vezes, depois de tantos anos de carreira, tudo o que queremos é poder surpreender e sermos surpreendidos. Eu me dei a chance de interpretar compositores experientes em canções consagradas por outras vozes; o que é uma espécie de sonho sendo realizado”, confessa Belo.

“Quem chega ao mercado, principalmente no segmento que ele se notabilizou, tem o Belo como referência artística. É um grande intérprete, uma das mais belas vozes desse país. Belo vive seu melhor momento e segue tendo o público ávido por vê-lo e ouvi-lo. Não tenho dúvidas de que esse projeto de releituras será sucesso também entre o público digital”, completa Umberto.

O próximo lançamento, “Belo Future – Fé”, tem previsão de lançamento para a noite do dia 23 para 24 de dezembro (meia-noite) nas plataformas de streaming e no YouTube oficial do cantor. “Será o meu presente de Natal para todos os fãs”, antecipa Belo.

Confira:

Emicida é eleito o Homem do Ano na Música pela revista GQ

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Emicida para a revista GQ Brasil.
Foto: Pedro Dimitrow/GQ Brasil

O rapper Emicida é o homem do ano na Música. Ele foi escolhido pela revista GQ na categoria que é parte do Prêmio Men Of The Year, anunciado nesta sexta-feira (3).

A premiação organizada pela GQ Brasil reconhece os homens — e a mulher — de destaque em áreas como artes, negócios, esportes e a ciência.

O destaque do ano de 2021 para o rapper se deve aos desdobramentos de AmarElo. O trabalho, lançado em disco em 2019, teve o show no Theatro Municipal de São Paulo e o documentário na Netflix sendo lançados este ano.

Trazendo muitas conexões entre o samba, o rap, a pandemia e os ciclos vividos na humanidade, além de traçar um panorama belíssimo da história da música negra brasileira, Emicida arrebatou corações e mentes com este trabalho que emocionou e uniu gerações de diferentes artistas e públicos.

Nas redes sociais, o rapper parafraseou o título do álbum que o apresentou para o Brasil. “Pra quem já mordeu um cachorro por comida, até que eu cheguei longe”. Emicida é uma das capas da edição de dezembro e janeiro da revista, que chega às bancas nesta sexta-feira.

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