Neste 23 de agosto,Kobe Bryantcompletaria 47 anos de vida. Além de ser lembrado como um dos maiores jogadores da história do basquete, o atleta também conquistou o cinema. Em 2018, dois anos após sua aposentadoria das quadras, o astro da NBA venceu o Oscar de Melhor Curta-Metragem de Animação com ‘Dear Basketball’.
O filme, inspirado em um poema que o próprio Kobe escreveu para anunciar sua despedida do basquete, foi narrado pelo próprio atleta, dirigido pelo animador Glen Keane e contou com trilha sonora do John Williams. A obra traduz a relação do astro com o esporte que marcou sua vida, mostrando sua paixão, dedicação e o impacto transformador do basquete em sua trajetória.
Dear Basketball (Crédito: The Everett Collection)
A conquista, que fez de Bryant o primeiro ex-atleta profissional a ganhar um Oscar e o primeiro afro-americano a vencer na categoria, foi apenas mais uma das tantas do ex-ala-armador, que faleceu em 2020 aos 41 anos. “Eu me sinto melhor do que vencendo campeonatos. Isto é uma loucura, cara, loucura”, disse nos bastidores da premiação na época.
Para além das quadras, o seu triunfo no Oscar se soma a um legado que vai muito além do esporte: um símbolo de disciplina, superação e inspiração global.
Gabi Oliveira, uma influenciadora que se destaca por sua “maturidade, inteligência e consciência do papel” de comunicadora, compartilhou com Fátima Bernardes suas profundas reflexões sobre a estética da mulher negra, o poder da internet, a maternidade solo e a importância de uma rede de apoio. Com mais de 600 mil seguidores em uma única rede social, Gabi, de 33 anos, aborda suas vivências “com muita naturalidade” e “muita verdade”, características que Fátima Bernardes admira.
A Jornada de “Gabi de Pretas”: Despertar para a Estética e Identidade Negra
A entrada de Gabi Oliveira no universo digital, em 2015, foi motivada por uma questão pessoal e uma percepção de injustiça. O nome “Gabi de Pretas” surgiu de forma “básica” por não ser “muito criativa” na época, mas logo se tornou um marco em seu propósito. Sua transição capilar durante a universidade foi o ponto de partida para aprofundar a discussão sobre a estética da mulher negra, percebendo que “a conversa não terminava no cabelo”. As mulheres questionavam-se: “Ah, mas por que a gente fala tão mal do nosso próprio cabelo, da nossa própria estética? Por que a gente rejeitou tanto isso desde a infância? Porque foi ensinado que isso era feio?”. Essa indagação a impulsionou a usar a internet para promover um debate mais amplo e acessível sobre as raízes do racismo estrutural no Brasil, que impacta diretamente a autoimagem da população negra.
Influência e Internet: Compromisso com a Mudança Social
Formada em Relações Públicas, Gabi sentiu a “injustiça” de ver os importantes debates raciais ficarem restritos ao ambiente universitário, especialmente porque “a maior parte da população negra não vai acessar a universidade, infelizmente”. Apesar de se descrever como “muito tímida”, sentiu que “nasceu para isso”, e essa convicção a levou a “comprar uma câmera e ligar essa câmera”. A responsabilidade sempre foi um pilar em seu trabalho, ciente de que “cara, isso vai ficar na internet para sempre, para sempre; enquanto isso durar, enquanto essa plataforma durar, a responsabilidade eu sempre tive”. Sua atuação online se traduziu em um ativismo direto para pressionar a indústria da beleza. Gabi recorda a invisibilidade do mercado da mulher negra, onde as bases de maquiagem nacionais, por exemplo, “iam só até o tom da Tais Araujo até pouco tempo atrás”. Sua argumentação com as marcas era estratégica e incisiva: “Gente, vocês querem lucro? Tem um público aqui que vocês não estão atendendo, que está sedento para ser atendido, e vocês estão ignorando simplesmente por conta do racismo, basicamente”. Ela também enfatizou a necessidade de capacitar as equipes de atendimento nas lojas, pois “não adianta ter o produto e a pessoa se sentir intimidada na hora de entrar na loja, se sentir desrespeitada, não ter um bom atendimento; então precisa também ter esse treinamento para quem está na loja atendendo, não?”. A alegria de Gabi é ver o impacto dessas mudanças, como crianças negras hoje exibindo seus cabelos naturais “cacheados e crespos” nas praças, algo inimaginável no passado. Para ela, “sim, valeu muito a pena produzir conteúdo pra internet e produzir e gerar uma certa pressão na sociedade também para que as coisas mudassem”.
Maternidade Solo e Adoção: Planejamento, Flexibilidade e Autonomia
O desejo de ser mãe sempre acompanhou Gabi, que “sempre pensou desde novinha” em ter filhos. A escolha pela adoção solo de dois irmãos biológicos mais velhos, um deles com deficiência intelectual, foi um processo consciente que começou de forma prática: “Literalmente joguei no Google como iniciar um processo de adoção”. Gabi compreendeu que a prioridade é sempre o bem-estar da criança, afirmando que “a nossa prioridade é a criança encontrar uma família que consiga suprir as demandas dela”, e não se deve tentar ser “super-herói” para evitar mais rompimentos de vínculo. Ela também ressalta a realidade das crianças em abrigos, onde “a criança basicamente é criada ali no carrinho; necessidades básicas: alimentar, dar banho e botar para dormir”. A chegada dos filhos trouxe uma intensidade inesperada, com “privação de sono” e a sensação de estar “igual um zumbi” nos primeiros meses. Contudo, Gabi construiu uma “rede bem grande” de apoio, diferenciando sua maternidade solo planejada de situações de abandono: “eu não sei exatamente esse lugar, porque foi planejado ser solo; é muito diferente da mulher que planeja compartilhar a maternidade e depois se ver abandonada”. A experiência da maternidade ensinou-lhe a lidar com o inesperado: “o imprevisível tá ali pra gente lidar com ele”. Para Gabi, “um dos grandes ensinamentos, para mim, foi mais ainda a flexibilidade, porque eu comecei a perceber ainda mais que não era tudo 8 ou 80; nem tudo sai como planejado ou como você quer”. Ela preza pela autonomia dos filhos, inclusive do que tem deficiência intelectual: “Mário, eu não estou criando filhos para ficarem na minha dependência para sempre; independente de ele ter deficiência intelectual, a gente preza pela autonomia dele”. Sobre o uso de telas, Gabi demonstra que é possível reverter hábitos, mesmo que já estabelecidos. Aos pais e mães “agoniados”, ela afirma: “Dá para limitar depois; eu fui e a primeira coisa que eu fiz foi tirar o tablet”. Sua postura é de firmeza e coerência: “a gente tem que ser firme, né? A gente tem que ser o adulto da relação; nós somos os adultos da relação, então se é não, é não”. Ela também aborda a história de origem dos filhos com naturalidade, afirmando que “a gente trata com muita naturalidade a história deles; eu falo passo a passo, toda vez que eles perguntam, falo o nome dos pais biológicos”, sem anular suas raízes. A maternidade, apesar dos desafios, trouxe-lhe uma “liberdade muito profunda”, mudando sua perspectiva e fazendo com que “muito pouca coisa me abala” hoje em dia.
Pilares e Valores: Família, Educação e Confiança
A base de quem Gabi Oliveira é hoje, segundo ela, é “definitivamente a minha família, principalmente a minha mãe; com certeza, ela sempre foi uma referência para mim”. Ela se sente “muito amada e muito protegida”, com uma “proteção de saber que eu tenho para onde voltar”. A sabedoria de sua avó analfabeta também foi fundamental: “A gente aprende estudando, mas a gente também aprende ouvindo”. Seu pai, um homem negro que sempre defendeu a ocupação de espaços, incutiu nela a convicção de que “a gente pode entrar em qualquer lugar”. Seus pais, segundo Gabi, “sempre confiaram muito, assim: não, a gente confia que vai dar certo, a gente confia que você vai conseguir, a gente confia”, uma confiança que ela busca replicar na educação de seus filhos. Gabi compartilha que a maternidade também a abriu para novas experiências, inclusive em relacionamentos. Ela tem saído bastante e está aberta a conhecer novas pessoas, com uma nova perspectiva: “não deu certo, no dia seguinte eu tenho que acordar, botar as crianças pra escola, entendeu? Não dá mais para ficar”. Essa tranquilidade e “liberdade muito grande” são frutos da experiência de ser mãe, que a fez perceber que “o relacionamento vai no momento que é bom para você, é para somar e tal”.
Emagrecer após a maternidade não é só disciplina. Mesmo para atletas de elite, a combinação entre mudanças hormonais, privação de sono, rotina de cuidados e ajustes metabólicos pode tornar a perda de peso um processo lento e frustrante. Foi esse o cenário descrito por Serena Williams ao relatar, em vídeo, que decidiu usar a chamada caneta emagrecedora, medicamento da classe GLP-1, para manejar o peso depois das gestações.
Serena conta que tenta perder peso desde o nascimento da primeira filha, em 2017, sem atingir o resultado desejado apesar do alto volume de treino. “Eu treinei, corri, nadei, eu fiz de tudo. Joguei Wimbledon, joguei Grand Slams”, diz. Após a segunda filha, o padrão se repetiu, ela perdia rapidamente os primeiros quilos do pós-parto e estagnava em seguida. A fala sintetiza um dilema comum para muitas mulheres no puerpério, quando a rotina volta a incluir trabalho, treino e vida doméstica, mas o corpo demora a responder.
A decisão de iniciar o tratamento veio depois de observar amigas e pessoas próximas usando a medicação. “Talvez eu devesse tentar. Não. Talvez eu devesse tentar. Não. Até que pensei, eu tenho que tentar, já tentei todo o resto”, afirma. Serena explica que passou a encarar o processo como uma adversária no esporte, com estratégia e leitura de jogo. “Eu não estava conseguindo vencer essa oponente, essa oponente chamada perda de peso. Então deixei eu tentar algo novo.” Segundo ela, o diferencial foi “fazer exatamente as mesmas coisas, mas finalmente ver resultados”. O marcador simbólico dessa virada veio em uma imagem simples e potente, “Eu finalmente entrei na saia jeans”, frase que traduz mais do que uma medida, traduz sensação de avanço.
As críticas, comuns quando mulheres escolhem o caminho que funciona para seus corpos, não a abalam. “Eu não ligo para haters, eu tive a vida inteira. Eles podem só entrar na fila”, diz. E completa, “Eles têm a própria opinião. Todo mundo tem direito a uma. E por que eu deveria me importar com o que pensam? Eu não me importo.” O recado central é de autonomia, especialmente em um tema cercado por julgamentos morais e equívocos sobre esforço, disciplina e resultado.
O relato recoloca no centro do debate um ponto essencial do pós-parto, atividade física é importante, mas nem sempre basta. Cada corpo responde de um jeito. Platôs de perda de peso são frequentes, e fatores como amamentação, histórico de gestação, qualidade do sono e retorno ao trabalho influenciam a resposta. Nesse contexto, a caneta emagrecedora, medicamento da classe GLP-1, entra como ferramenta clínica que deve ser prescrita e acompanhada por profissionais de saúde, não como atalho, mas como parte de um plano estruturado.
Ao narrar tentativas, frustrações e escolhas, Serena amplia a conversa sobre saúde e maternidade. Sua fala desloca a ideia de que resultado é produto exclusivo de força de vontade e lembra que, para muitas mulheres, o manejo do peso exige estratégias combinadas, com apoio técnico.
Em junho deste ano, tive a honra de participar do projeto Feira Preta Cria Gastronomia, realizado em Cachoeira, na Bahia, a convite do Instituto Feira Preta e do Instituto Assaí. Estive ali como especialista, mas sobretudo como agricultora familiar que vive na pele os desafios e as possibilidades de transformar a terra em alimento e o alimento em sustento digno. Compartilhei erros, acertos e estratégias que tenho utilizado para transformar minha produção agrícola em produtos valorizados, nutritivos e desejados — caminhos que me levaram à tão sonhada autonomia financeira por meio do trabalho no campo.
Esse percurso, no entanto, não foi linear. Como muitos pequenos produtores, comecei com mais vontade do que estrutura. Cresci entre os pés de cacau, e quando pude, investi todo meu capital na compra da terra. Tinha certeza de que seria um bom negócio. Mas a falta de planejamento e a ausência de visitas a outros produtores para entender os desafios da cadeia produtiva foram erros importantes que comprometeram o início da jornada.
Por outro lado, acertei ao manter o hábito de registrar tudo: gastos, ganhos e o lucro real das vendas. Isso me deu clareza para perceber que a venda de amêndoas de cacau e frutas frescas, sozinha, não sustentaria o sonho — sequer cobria os custos de manter um funcionário fixo. Era preciso reorganizar a produção e o modelo de negócio.
Comecei então a buscar formações gratuitas e a adaptar o ritmo da roça à minha própria força de trabalho. Passei a contratar mão de obra apenas nas épocas de colheita, pagando por diárias. O valor era mais alto, mas o custo total, menor e pontual. Ainda assim, outro desafio persistia: a perda de alimentos frescos — frutas, ervas, sementes — que estragavam no campo por falta de compradores e pela desvalorização dos ingredientes regionais.
Foi aí que encontrei um novo rumo. Resgatei meus conhecimentos prévios em produção de geleias, desidratação de frutas e fabricação de chocolates. Comecei com pequenos equipamentos que já possuía, e mais tarde, passei a alugar maquinário para aumentar a produtividade sem elevar o custo fixo com pessoal. Aos poucos, fui transformando os excedentes em produtos prontos para consumo e levando essa nova linha de produção para as feiras locais.
Desse esforço nasceu a Mimos da Mata, meu microempreendimento individual. Hoje, produzimos e comercializamos chocolates artesanais, doces, plantas medicinais, manteigas e óleos vegetais — todos elaborados com matéria-prima cultivada em minha terra, respeitando os ciclos naturais e os saberes da agricultura familiar.
Com o tempo, a rede de apoio também cresceu. Hoje, contamos com três colaboradoras eventuais, uma colaboradora fixa na produção dos Mimos e um colaborador responsável pelo trabalho na terra. Também contamos com o apoio do coletivo Mulheres Pretas do Chocolate, além de amigos e amigas que se somam a nós nessa caminhada. Cada pessoa que escolhe comprar nossos produtos ajuda a financiar esse projeto que é, ao mesmo tempo, pessoal, coletivo e ancestral.
O caminho da roça até a mesa passa por muitas mãos, decisões e aprendizados. Aprendi que agregar valor à produção local é mais do que uma estratégia econômica: é um ato de resistência, um resgate cultural e um compromisso com a sustentabilidade. Quando respeitamos os tempos da terra, dos frutos e da nossa própria força, conseguimos criar alimentos que nutrem de verdade — o corpo, a memória e os territórios.
Síntese: aprendizados e dicas práticas para quem quer empreender no campo
A experiência me ensinou que alguns elementos são fundamentais para transformar a produção agrícola em um negócio sustentável e próspero. Abaixo, compartilho algumas dicas que podem ajudar outras pessoas nesse caminho:
1. Identificação e gestão dos recursos disponíveis
Antes de investir, olhe ao redor: o que sua terra oferece? Que equipamentos você já tem? Que saberes você domina? Começar com o que está disponível reduz riscos e acelera resultados.
2. Criatividade é essencial
Transformar frutas que iriam se perder em doces e geleias, usar ervas para chás ou cosméticos, vender kits ou presentes temáticos… tudo isso é forma de dar valor à produção. Criar, experimentar e inovar é parte do processo.
3. Planejamento de negócios
Registrar todos os custos, lucros e formas de venda permite entender onde o negócio realmente dá retorno. Um plano simples, com metas e estratégias, já faz grande diferença.
4. Avaliação constante dos resultados
Mensalmente, compare o que foi previsto com o que foi alcançado. Essa prática ajuda a tomar decisões melhores, corrigir rotas e enxergar oportunidades.
5. Corte de gastos com inteligência
Nem sempre contratar mais gente é a solução. Às vezes, terceirizar tarefas pontuais ou alugar equipamentos pode reduzir custos e aumentar a produtividade.
6. Propaganda boca a boca funciona — e muito!
Clientes satisfeitos são os melhores divulgadores. Incentive feedbacks, conte sua história, esteja presente nas feiras, nas redes sociais e onde seu público está. Quem conhece sua trajetória passa a valorizar muito mais seus produtos.
Seja no campo ou na cidade, produzir com consciência e propósito é uma forma poderosa de transformar vidas. A terra ensina, e quem escuta com o coração aprende a cultivar não só alimentos, mas também autonomia, dignidade e futuro.
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Texto: Nara Rodrigues[@mimosdamata]. Filha de agricultores, produtora de cacau, chocolateira criadora do chocolate Roxo e empreendedora do ramo da gastronomia em Ilhéus (BA). Farmacêutica especializada em planta medicinal, mulher preta, mãe, Livre, apaixonada por natureza. É fundadora da Mimos da Mata, negócio que produz chocolate sem leite ou aditivos e com alta concentração de cacau, geleias artesanais ricas em fibras, frutas e plantas medicinais desidratadas, óleos e manteigas prensadas a frio, cosméticos e produtos de limpeza naturais e biodegradáveis que vem ganhando cada vez mais espaço no mercado e fortalecendo a sua comunidade. Na Mimos da Mata, Nara é protagonista em todos os processos do negócio, do manejo dos pés de cacau à embalagem dos produtos, passando pela gestão.
Esse conteúdo é fruto de uma parceria entre Mundo Negro e Feira Preta.
Elisama Santos, escritora e psicanalista especializada em saúde mental, que se tornou referência em aprendizado sobre escuta, afeto e transformação, agora dá um novo passo em sua trajetória se consolidando também na carreira de comunicadora.
A grande novidade da vez é o projeto ‘Aquela História’, que estreia em menos de um mês. Serão episódios mensais, veiculados no canal dela no YouTube e no Spotify. Elisama já gravou dois episódios e se prepara para gravar mais um na próxima semana.
Ainda sem muitos detalhes revelados, a ideia nasce da paixão da escritora por conversas e narrativas: “Amo uma boa conversa e confio no potencial que todos temos de contar boas histórias. Por ser uma escritora, as pessoas muitas vezes me falam que as histórias delas dariam um livro. Resolvi juntar a paixão pela conversa e pelas histórias em um único projeto”.
Autora de oito livros, ela começou sua caminhada na literatura com “Tudo eu – confissões de uma mãe sincera” (2016), lançou os best-sellers “Educação não violenta” (2019), “Por que Gritamos” (2020) e “Conversas Corajosas” (2021), e hoje é uma das escritoras negras que mais vende no Brasil, chegando à marca de 200 mil exemplares vendidos.
Elisama também já esteve à frente de programas no GNT, apresentou o videocast Tá com tempo e participou dos podcasts Vai passar e Café com Cuscuz. Em seu canal no YouTube, compartilha reflexões em quadros como Chá de Coragem e Cozinha e Fala.
A leitura como liberdade
Antes de se tornar referência em comunicação não violenta, Elisama chegou a exercer a advocacia por cinco anos, após se formar em Direito pela Universidade Católica de Salvador. A maternidade, no entanto, transformou sua vida e carreira. Com o nascimento do filho Miguel, hoje com 13 anos, mergulhou nos estudos sobre educação e comunicação, até encontrar na psicanálise seu verdadeiro caminho. Hoje, também é mãe de Helena, de 11 anos.
Filha de pais evangélicos, Elisama conta que encontrou nos livros o espaço de liberdade que não tinha em casa, já que seu pai não permitia que ela e a irmã assistissem à TV. “A leitura era meu único lugar de liberdade além do meu pensamento. Meus pais não tinham tempo de ler os meus livros, não chegavam na minha velocidade de leitura, então os livros eram onde eu podia tudo. Hoje, a escrita continua sendo meu lugar de liberdade, onde ‘corro solta’. Creio que, por isso, os meus textos sejam tão viscerais”, afirma.
Esse mergulho no universo das palavras resultou em uma produção literária diversa, que inclui títulos como Mesmo Rio (2022), Vamos Conversar (2023), o infantil O Primeiro Mergulho (2024) e o recém-lançado Ensaios de Despedida (2025).
Inspirada pela comunicadora norte-americana Oprah Winfrey, Elisama sonha em popularizar conversas sobre saúde mental, relacionamentos e afetos. “Eu sempre brinco que a meta é a Oprah (risos). Sonho em continuar escrevendo e em ampliar meu alcance para popularizar temas que não chegam a todos os lugares. Quero que os relacionamentos, a saúde mental, o amor e tantos outros temas fluam em conversas de bar, com naturalidade. Brinco que a meta é a Oprah, porque ela conseguiu isso. Ela fez com que homens negros conversassem sobre os seus sentimentos e de suas esposas, que mulheres questionassem seu papel no mundo, que crianças negras sonhassem com futuros nunca antes imaginados por elas. Isso é lindo e extremamente potente. É nesse lugar que quero chegar”, finaliza.
O Mundo Negro recebeu com exclusividade o primeiro single do novo álbum de Urias, intitulado CARRANCA, que chega às plataformas no dia 26 de agosto. A faixa “DEUS”, feita em parceria com o rapper Criolo, marca o início de um projeto profundo e engajado, que combina crítica histórica, ancestralidade e inovação musical.
Com produção de Nave Beatz e Rodrigo Gorky, a música une o universo do hip-hop com uma pesquisa sonora intensa, partindo de um sample de canto folclórico negro brasileiro arranjado por José Prates e eternizado na voz de Inezita Barroso em 1954. A faixa reflete sobre o apagamento religioso dos povos africanos durante a colonização:
“O verso ‘Levaram Deus’ é justamente sobre isso… estou falando desse Deus que foi tirado dos povos da África e apagado da memória, quando fomos trazidos para o Brasil. Por isso eu falo ‘eu não amo nunca mais’ — é uma expressão de raiva diante da colonização e uma busca por liberdade”, explica Urias.
A parceria com Criolo reforça a força do single, e o rapper comenta:
“Para mim, é uma alegria ser convidado para colaborar com uma artista tão especial e interessante, então fica o meu sentimento de gratidão pelo convite. Espero que todos possam escutar essa faixa, que foi feita com muito carinho.”
Lupa Comunicação
O lançamento de “DEUS” marca não apenas o início do novo álbum, mas também a continuidade da trajetória de Urias de unir música, pesquisa e resistência cultural em cada projeto.
Letra completa de “DEUS”, recebida com exclusividade pelo Mundo Negro:
Eu cheguei, não vi ninguém na entrada Mentiram pra mim: Eram sete instrumentos, sete dias, sete pragas Não me esqueci do tom de azul da noite Bicho terreno, eu procurei o sol Ainda ouço o estalo do quebrar das asas Me lembro bem… Que me roubaram demais
Levaram Deus E é por isso que eu não amo nunca mais Levaram Deus E é por isso que eu não amo nunca mais
Sete vidas tem a gata Cê não vai ver uma Minha bunda bate no teu olho (eu escolho) Tem inveja nessa casa, eu faço uma quizumba Esse brilho cega o seu olho (eu que escolho)
Vaidades vêm (vêm) Os placo vão (vão) Você é quem? (quem?) Na multidão
Rezar pra Deus (Deus) Seu Deus é quem? (quem?) Você matou — e disse amém
Levaram Deus E é por isso que eu não amo nunca mais Levaram Deus E é por isso que eu não amo nunca mais
Os meus joelhos dobrados cantam Homem nenhum quis ouvir Por isso eu me orgulho Eu rio, eu vento, eu faço… Deixar de existir (oooh)
Levaram Deus E é por isso que eu não amo nunca mais Levaram Deus E é por isso que eu não amo nunca mais Levaram Deus E é por isso que eu não amo nunca mais
Créditos da capa
Direção de Arte e Styling: @bornalongaroad Fotografia: @fernando__mendes Set Design: @anaarietti Maquiagem: @giumaquiadora Cabelo de Urias: @rafaellaschlin Nail Artist: @cyshimi Produção: @beltrame_mgmt e @mataderosprojects Lightning Design: @egianezzi e @paulocardone Assistente de Styling: @malucatelli Assistentes de Set Design: @majmajuu e @navajo.lucas Assistente de Maquiagem: Luana Nascimento Assistente de Produção: @mariatellian Camareira: Michele Gouveia Management de Urias: @mataderosprojects Produção Executiva de Urias: @erikafiocchi
Wesley Guimarães como Saci em Cidade Invisível (Foto: Divulgação/Netflix)
Celebrado em 22 de agosto, o Dia do Folclore Brasileiro é um convite para revisitar figuras que atravessam gerações e fazem parte da identidade cultural do nosso país. O Mundo Negro selecionou produções audiovisuais que fazem esse resgate, disponíveis nas plataformas de streamings.
Entre os destaques está “Cidade Invisível”, série da Netflix criada por Carlos Saldanha que transporta grandes figuras como Saci (Wesley Guimarães), Iara (Jessica Córes), Boiuna (Zahy Tentehar), Cuca (Alessandra Negrini), entre outros. A produção entra um cenário contemporâneo, misturando fantasia, mistério policial e reflexões sobre meio ambiente e violência urbana.
Voltada para o público infantil, a animação pernambucana “Além da Lenda”, disponível na Telecine, conta como outros seres místicos internacionais pretendem roubar um livro sagrados que reúne todas as lendas do Brasil.
Além da Vida (Crédito: Divulgação)
Já o curta-metragem “Sacis”, dirigido por Bruno Bennec, apresenta uma releitura moderna da clássica figura do menino de uma perna, travesso e cheio de mistérios. O filme segue Rodolfo, um garoto de 12 anos que, ao tentar capturar um Saci, acaba liberando perigos maiores e precisa da ajuda do próprio Saci para resgatar sua irmã, vítima do feitiço da Cuca.
Outra animação imperdível é “Iara” que fez parte da premiada série para crianças “Juro que Vi”. A obra resgata a história da sereia amazônica, trazendo reflexões sobre preservação da natureza e respeito às culturas tradicionais. As animações foram feitas pela MultiRio em conjunto com os alunos da rede municipal do Rio de Janeiro.
Não é emoção, é método. Para Nina Silva, cofundadora do Movimento Black Money e CEO da fintech D’Black Bank, a liderança feminina que o mercado insiste em chamar de emocional é, na prática, calibração de risco orientada a retorno. “Não é uma liderança emocionada, é uma liderança que consegue equilibrar o emocional e o racional”, afirma, ao defender que mulheres operam eficiência na escassez e multiplicam recursos com disciplina. As declarações foram feitas no Fin4She Summit 2025.
Nina parte da vida real das finanças domésticas para a lógica empresarial: “Mulheres são as que mais sabem administrar orçamento, principalmente na escassez… E o render mais é você conseguir multiplicar recursos.” Essa racionalidade tem impacto macro. Hoje, mulheres já respondem por praticamente metade das chefias de domicílio no Brasil, o que indica responsabilidade direta sobre orçamento e decisões financeiras do lar, um treino cotidiano de governança que o mercado costuma subestimar.
O debate sobre risco também muda de patamar. “Somos nós que tomamos risco, sim… Tomamos riscos controlados. Tomamos riscos mais estratégicos.” O ponto central não é evitar risco, é escolher assimetrias com tese, horizonte e execução, mirando ROI de forma consistente. O movimento dos dados ajuda a explicar por que essa visão ganha tração: a participação feminina no mercado de capitais cresce de forma contínua, com mais de 1 milhão de mulheres no Tesouro Direto e avanço das investidoras em renda variável, ainda que elas representem cerca de um quarto dos CPFs na Bolsa.
A lente racial adiciona densidade ao argumento. Mulheres negras somam cerca de 28% da população brasileira, o maior grupo demográfico do país, o que torna a capacidade de “fazer render” um ativo econômico e de gestão com efeitos multiplicadores sobre renda e mobilidade.
No empreendedorismo, a fotografia recente aponta mais presença e maturidade. As métricas da B3 e de entidades do mercado mostram crescimento do público feminino investidor, e estudos setoriais indicam que a atividade empreendedora se mantém alta, com recomposição de qualidade e ampliação do acesso a informação e produtos financeiros. Em linguagem de portfólio, é a transição de impulso para processo.
Quem é a executiva por trás do diagnóstico não é detalhe. Nina Silva é cofundadora e CEO do Movimento Black Money, além de liderar a D’Black Bank, com atuação reconhecida em inovação e inclusão financeira. Sua trajetória, com presença em fóruns globais, traduz o que ela prega no palco: método, dados e execução a serviço de eficiência de capital e criação de valor.
O recado ao mercado é direto. Se risco não é roleta, mas engenharia de retorno, ampliar a presença de mulheres nas mesas de decisão não é só equidade, é estratégia. Lideranças que equilibram racional e emocional calibram melhor o risco, protegem caixa, priorizam o que importa e entregam ROI com consistência. É assim que estereótipos cedem lugar à performance.
A gastronomia urbana vai muito além de pratos saborosos: ela carrega identidade cultural, diversidade e criatividade. Nascida do ritmo das cidades, mistura sabores de rua, tendências contemporâneas e a riqueza da culinária afro-brasileira, transformando cada prato em uma experiência única.
Para falar sobre esse cenário e o protagonismo negro na gastronomia, a Academia Assaí conversou com Silvia Nascimento, editora-chefe do Guia Black Chefs, que promove a visibilidade de estabelecimentos gastronômicos liderados por pessoas pretas no Brasil.
Silvia destaca o compromisso histórico dos chefs negros em preservar a tradição e a técnica dos pratos ancestrais:
“Eu acredito que as pessoas negras são as que têm mais compromisso, realmente, em ser fiel às receitas, à maneira que é feita, à maneira que é servida. Mais do que as outras pessoas que, às vezes, vêm a questão de mais um ponto de vista folclórico do que de um ponto de vista de manter a proporção, a técnica do se fazer pratos ancestrais.”
Ao mesmo tempo, a editora reforça que tradição e inovação podem caminhar juntas. Um exemplo citado é a adaptação da coxinha de acarajé, que mantém o sabor e a essência do prato original, mas em uma roupagem que agrada novos paladares:
“Foi uma maneira de inovar, de você manter a tradição de um ingrediente tão importante numa outra roupagem que, às vezes, vai atender outros tipos de paladar.”
Silvia também enfatiza a importância da profissionalização e da educação para que os afroempreendedores consigam assumir o protagonismo no setor, não apenas na cozinha, mas também na gestão de seus negócios:
“A ideia seria oferecer acesso real a conhecimento — não só em técnicas culinárias, mas em precificação, marketing, logística e liderança — junto com linhas de crédito acessíveis e desburocratizadas, adaptadas à realidade de empreendedores que muitas vezes começam de forma informal.”
O futuro da gastronomia urbana passa pela resistência dos pratos afro-brasileiros, pela valorização da ancestralidade e pelo reconhecimento de pessoas negras como líderes e inovadores no setor.
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