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Conheça as quatro pretas que estão revolucionando o audiovisual no Brasil

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Natara Ney, Monique Rocco, Gaby Amarantos, Erika Candido e Gabriela Freitas. Foto: Divulgação.

O Dia Internacional das Mulheres é uma excelente oportunidade para conhecer corajosas profissionais negras que inspiram e fortalecem outras mulheres. No campo do audiovisual, quatro mulheres pretas uniram seus talentos e trajetórias para formar a Kilomba Produções. A empresa, fundada em 2018, se empenha em criar e desenvolver conteúdo audiovisual para diversas plataformas. Um dos principais compromissos das realizadoras é fomentar ecossistemas e cadeia produtiva no audiovisual negro. Uma sobe e puxa a outra na prática e na tela.

“Nossas equipes são compostas, em sua maioria, por mulheres negras periféricas, que contribuem com nossos projetos em todas as etapas, desde a criação até a finalização. Nosso foco é criar espaços de trabalho acolhedores e respeitosos para todes”, destaca Erika Candido, akilombada e diretora do longa-metragem Elza Infinita (2021), ao lado de Natara Ney, outra integrante da Kilomba Produções. 

Monique Rocco e Gabriela Freitas completam o quarteto fantástico. Elas começaram 2022 a todo vapor. Ainda no primeiro semestre, lançam um vídeo sobre mulheres na política para o projeto Estamos Prontas, uma parceria com o Instituto Marielle Franco e o movimento Mulheres Negras Decidem, e preparam uma série sobre atletas LGBTQIA + que praticam esportes radicais. A produção é uma parceria com o Canal Off. 

Monique Rocco, Erika Candido e Gabriela Freitas nos bastidores de Isso é Coisa de Preta, no GNT. Foto: Divulgação.

Agora que você já sentiu o peso desse bonde, segue aqui para conhecer um pouco mais dessas pretas potências. 

Erika Candido, 38 anos

Uma das mais requisitadas produtoras do país, com premiações em Rotterdam, Sundance, Cannes, além dos maiores festivais nacionais. Assina a produção dos filmes “A Vida Invisível”, “O Estopim”, “3 verões”, dos premiados “Kbela” e “Uma Paciência Selvagem me trouxe até aqui”. Fundou a Kilomba para ter um espaço de criação e formação de profissionais negros. Em 2021, foi responsável pela direção de produção do especial “Isso é coisa de preta”, para o canal GNT, ela também assinou seu primeiro longa-metragem “Elza Infinita”, atualmente disponível no catálogo da Globopay. Erika é carioca e cria de Vicente de Carvalho. 

Natara Ney, 54 anos

A primeira formação da cineasta foi no jornalismo, onde desenvolveu o talento para contação de histórias. No audiovisual ela encarou o desafio de montar mais de 20 longas metragens e séries. Recebeu diversos prêmios de montagem com os filmes “Divinas Divas”, “Mistério do Samba” e “Um Outro Ensaio”. Nos últimos anos se dedicou à criação de roteiros e à direção. Em 2022, estreia na direção com dois longas metragens “Cafi” e “Espero que esta te encontre”. Natara é pernambucana de Olinda.

Monique Rocco, 40 anos

Realizou inúmeras produções audiovisuais premiadas como* Cannes, New York Festival, Berlin, Amsterdam. Em 2021, recebeu o convite para integrar a delegação brasileira para o Production Network, em Cannes. Assina a Produção dos premiados filmes “O Estopim”, “KBELA”, “Dentro da Minha Pele”, as séries “Quebrando o Tabu” para o Canal GNT, “Política Modo de Fazer”, “Refazenda”, GNT, série de culinária da Bela Gil, o Especial “Buddy Valastro: Uma viagem doce”, para o Discovery H&H. Fez a Produção Executiva do “Documentário  Racionais MCs”, de Juliana Vicente para Netflix e do longa “Enterre Seus Mortos”, do Marco Dutra. Especialista em transmissão ao vivo, foi a produtora responsável pela implementação do VAR – Arbitro de Vídeo no Brasil, dando sequência as produções das Copas América, Sulamericana, Recopa e Libertadores da América com a Conmebol e das transmissões ao vivo da Copa do Mundo de 2014. Em 2021 fez a produção executiva do Diálogos GNT – “Isso é Coisa de Preta”, também ao vivo. Monique é carioca de Santa Cruz.

Gabriela Freitas, 24 anos

Versatilidade é uma palavra que define esta produtora. Gabriela atua na criação e desenvolvimento de projetos. Trabalha com cinema, teatro, música e artes plásticas. Coordenou produções para o Canal Off, GNT e Rock In Rio. No ano de 2021 coordenou a produção do “Diálogos GNT – Isso é Coisa de Preta”, um programa transmitido ao vivo. Na Kilomba, Gabriela é responsável por pesquisas de formato e desenvolvimento de conteúdo. Atualmente Gabi prepara sua primeira instalação artística “Bolo e Guaraná”. Gabriela é carioca de Barra de Guaratiba. 

“No RS, apenas dois longas-metragem de ficção foram feitos por diretores negros”, diz Gautier Lee, fundadora do MacumbaLab

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Gautier Lee é uma mulher negra de cabelos curtos, Está sentada com uma mão no queixo. Usa blazer bege.
Gautier Lee. Foto: Divulgação.

A dificuldade enfrentada por profissionais negros no audiovisual é percebida e combatida por muitas realizadoras e realizadores por todo o mundo. Uma delas, é a cineasta Gautier Lee, que se uniu a outros especialistas da área e criaram o Macumba Lab, um coletivo de profissionais do audiovisual negros no Rio Grande do Sul.

“O Macumba Lab surgiu em 2018 após o 46º Festival de Cinema de Gramado. Naquele ano, nenhum dos profissionais premiados era uma pessoa negra. Isso desencadeou uma vontade coletiva de alguns profissionais em mudar a situação de equidade racial dentro do audiovisual gaúcho. O coletivo começou como um grupo de estudos de roteiro com cerca de 7 pessoas e aos poucos chegaram profissionais negros de outras áreas do audiovisual, como atuação, fotografia, cenografia, edição de som”, lembra.

O racismo no segumento apresenta obstáculos seja para atividades banais ou atuações no mercado de trabalho, em que há a necessidade de se provar a cada dia, a cada trabalho realizado. “O mercado audiovisual ainda é muito dominado por uma velha guarda que consiste, em sua maioria, de homens cis hetero brancos acima dos 50 anos”, relata. 

Segundo levantamento feito pelo coletivo Macumba Lab, no Rio Grande do Sul, apenas dois longas-metrangens de ficção foram realizados por diretores negros. Sobre este assunto, conversamos com a diretora Gautier Lee, na entrevista que você pode conferir abaixo:

Na sua opinião, qual é o principal desafio enfrentado pelas pessoas negras no audiovisual hoje?

Um dos maiores desafios que profissionais negros do audiovisual encontram certamente é a inserção no mercado de trabalho. Há uma gama muito grande de profissionais altamente qualificados que, mesmo com trabalhos premiados, não conseguem se inserir ao mercado, especialmente aqueles que moram fora do eixo Rio de Janeiro-São Paulo. Isso é reflexo de diversos fatores históricos e econômicos. O fazer audiovisual iniciou-se no Brasil em 1898, apenas dez anos depois da abolição da escravatura. Como uma pessoa que uma década antes era considerada propriedade de outra iria ter acesso a equipamentos e fazer um filme? Deixamos de ser vistos como propriedade para sermos vistos como mão de obra barata, e esse pensamento segue vivo até hoje. Cineastas negros premiados pelo público e pela crítica são oferecidos as vagas de trabalho mais baixas da cadeia audiovisual. E é uma luta intensa e árdua para que ocupemos não somente essas vagas, mas também as vagas de lideranças tanto na cena independente quanto dentro das grandes produtoras e streamings.

Estamos às vésperas do Oscar, e temos grandes nomes de diretoras/es, atrizes e atores de renome internacional que ainda não chegaram a conquistar o prêmio. Qual é a saída para este tipo de situação?

O próprio Oscar alterou, em 2020, seus critérios de escolha. As mudanças, que só valerão a partir de 2024, visam contemplar mais diversidade na premiação, tanto em aspectos criativos como em aspectos técnicos. A criação de políticas de diversidade e inclusão em premiações é um ótimo passo para que caminhemos em direção a algo semelhante à equidade racial. Mas também é de extrema importância que hajam premiações voltadas exclusivamente para grupos minoritários como o BET Awards, que, anualmente, premia artistas negros e o Fade to Black Festival, criado e dirigido por mim, que premia e capacita roteiristas negros, além de profissionais negros de outras áreas do audiovisual.

Como o Macumba Lab tem incidido diretamente sobre estas questões?

O Macumba Lab atua em diversas frentes para promover o acesso de profissionais negros à indústria cinematográfica. O coletivo tem buscado democratizar a educação dentro da indústria promovendo oficinas, workshops e cursos de formação. Também lutamos por melhorias nas políticas públicas atuantes no Estado, fazendo parte e colaborando com outras instituições do audiovisual gaúcho. Nosso objetivo é compartilhar recursos, tanto financeiros como educacionais, com produtores negros e empresas produtoras criadas por pessoas negras. Segundo mapeamento do coletivo, em toda a história do Rio Grande do Sul, lugar onde o grupo nasceu e hoje funciona, apenas dois longas-metragens de ficção foram feitos por diretores negros. O Macumba Lab existe para mudar isso.

Nova fase musical de Normani deve explorar seu lado pessoal e vulnerável

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Foto: Reprodução / Redes Sociais.

Um mecanismo de defesa”, é assim que Normani define seu novo single ‘Fair’, que será lançado no próximo dia 18 de março. Canção deve marcar o início de um momento pessoal e reflexivo em torno da cantora. Anos após sua explosão em carreira solo com a forte e enérgica ‘Motivation’, Normani ainda possui muito a contar. Com um álbum solo super aguardado entre os fãs, enfrentando controvérsias em torno de sua gravadora e fazendo o possível para mostrar ao mundo seu valor enquanto artista, a cantora norte-americana se vê agora num momento de vulnerabilidade.

“Fair é a música mais pessoal que já fiz. É tão diferente do que já criei, é outro ponto de vista do que a Normani é. Sou eu sendo um pouco desconfortável por estar tão vulnerável, como se eu sempre tivesse que ser resistente e resiliente, é um mecanismo de defesa, estou me protegendo”, contou a artista em entrevista ao extra.

Em julho de 2021, Normani revelou à Harper’s Bazaar como se sente em relação à pressão que recebe em sua carreira: “Sinto que todo mundo tem uma expectativa além das expectativas que eu já tenho para mim mesma”, detalhou. “Para mim, mais do que qualquer coisa, meu trabalho é maior do que música. Eu acho que finalmente estou lançando meu próprio caminho e o mundo poderá ver o que Normani representa, quem ela realmente é musicalmente, e o amadurecimento que tive nos últimos dois anos. É realmente um nível acima”, completou.

‘Fair’ chega após o lançamento de ‘Wild Side’, sua parceria com Cardi B. Enquanto cantora negra dentro da indústria da música, Normani já comentou diversas vezes sobre os desafios criativos e sobre as barreiras que precisa quebrar para provar seu valor. Como uma ex-integrante do grupo Fifth Harmony, Mani – termo utilizado pelos fãs – não podia explorar toda sua capacidade artística, era limitada à produção de outras pessoas. Agora, ela deseja mostrar o oposto, sua liberdade e capacidade criativa em torno daquilo que faz melhor: música.

Por que a representatividade negra em Hollywood incomoda tanto?

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Foto: Reprodução / Disney +.

Ao longo dos últimos anos, os grandes estúdios em Hollywood passaram a dar mais espaço para protagonistas pretos em suas produções. Ainda que de forma lenta e em proporção menor quando comparado a atual presença de indivíduos brancos em papéis de destaque, a representatividade negra passou a incomodar um grupo considerável de pessoas ao redor do mundo. A última jornada de problemas e críticas descabidas em grande escala ocorreu após o anúncio dos elfos e anões negros na série ‘Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder’, da Prime Video. Diversos comentários com teores racistas e preconceituosos em diferentes níveis invadiram as redes e os pontos de acesso da plataforma. Quando esse tipo de debate vem à tona, os comentários são sempre os mesmos, ‘não existem elfos negros’ ou ainda ‘não existem sereias negras’, como ocorreu em 2019, quando a atriz Halle Bailey foi escalada para viver a princesa da Disney em ‘A Pequena Sereia’. 

Princesa anã Disa em ‘Senhor dos Aneis: Os Anéis de Poder’. Foto: Prime Video, 2022.

Já partimos do pressuposto lógico de que sereias e elfos não existem, mas eles cumprem enquanto apoio midiático, um local de entretenimento, de fantasia, como o próprio gênero define. A verdade é que durante muitas décadas, o protagonismo branco se fez presente em todos os espaços de Hollywood. Não era comum existir produções em grande escala como ‘Pantera Negra’, ‘Homem-Aranha’, ‘Moana’, ou ainda, o mais recente projeto da Disney, ‘Encanto’, que introduz uma família com personagens diversos e em certos momentos, muito próximos da realidade humana, seja por suas feições ou aparências. Aos olhos dos anos 2000, por exemplo, uma produção desse tipo jamais teria sido lançada com um budget tão alto. 

Moana. Foto: Reprodução / Disney.

A verdade em torno de Hollywood e demais produções internacionais, é que o protagonismo negro se tornou forte entre os consumidores, se tornou um mercado rentável e com grandes cifras ao redor do mundo. Antes de ser lançado como filme, ‘Pantera Negra’ enfrentou sérias resistências dentro do mercado da Marvel e dos críticos. Muitos acreditavam que a obra não teria apego popular, mas a verdade é que a franquia se tornou um verdadeiro fenômeno, arrecadando mais de U$ 1,3 bilhão em bilheteria e firmando diversos recordes pelo mundo.

Essa representatividade em torno da nossa existência incomoda porque o sistema em que ela está inserida é racista, uma resposta simples, básica, mas verdadeira. Não existe outra constatação ou explicação. Tal representatividade se faz importante pelo simples e singelo fato de que nós existimos enquanto pessoas pretas e merecemos ver nossas histórias de grandeza, felicidade e fantasia sendo contadas nas telas. 

‘Pantera Negra’. Foto: Reprodução / Marvel Studios.

Enquanto comunidade, precisamos sim, garantir que as vozes negras sejam devidamente valorizadas, fato que ainda é um ponto cego da indústria. Precisamos acreditar no poder da representatividade e no poder da transformação enquanto consumidores das artes e do entretenimento. Questionar a falta de personagens ou pessoas negras em determinados espaços é uma forma de observar – e em muitos casos se indignar – com o apagamento racial em torno das produções do cinema e da TV. 

No ano em que completa 20 anos de carreira, Leandro Firmino estreia série espanhola “Operação Maré Negra”

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O ator Leandro Firmino usa camisa rosa e está com a mão no queixo,
Foto: Carolina Merat.

Ator revelado há 20 anos em “Cidade de Deus”, também retoma as séries “El Presidente” e “Impuros”.

Conhecido mundialmente por seu papel como Zé Pequeno no filme “Cidade de Deus”, o ator Leandro Firmino dá passos internacionais mais firmes na carreira. No ano em que comemora 20 anos de carreira, o carioca se prepara para uma tripla inserção no streaming – a estreia da série “Operação Maré Negra”, produção espanhola da Amazon Prime; a quarta  temporada da série “Impuros” (Star +) e a segunda temporada da série “El Presidente” (Amazon Prime).

“Na série eu faço o Walter, personagem para o qual eu não tive um tempo para preparação, exatamente, mas fizemos algumas leituras de cenas antes de gravar. E isso já nos ajudou a chegar em algum lugar para descobrir os personagens. A experiência de filmar fora do Brasil foi muito interessante para perceber novas formas de produzir audiovisual, e esta produção me deu ainda a oportunidade de trabalhar pela primeira vez com um diretor estrangeiro, o espanhol Daniel Calparsoro e o português João Maia”, afirma o ator sobre a série espanhola, que é inspirada em acontecimentos reais envolvendo o primeiro narco-submarino interceptado na Europa.

Leandro, porém, já gravou outros trabalhos fora do Brasil. “Já filmei “Impuros” no Uruguai, ao longo de três anos tivemos muitas cenas lá – e este ano retornamos para filmar a 4ª temporada ainda neste semestre. O mercado das séries tem dado bastante oportunidade aos atores, e foram elas que me salvaram nesse período da pandemia. Vemos aumentando a quantidade de artistas negros em cena, mas precisamos ainda melhorar muito, muito. Não só dar oportunidade aos atores e atrizes negras, mas inserir os negros como protagonista em todas as funções de um set”, analisa.

Nascido no Rio em 1978, filho de uma gari e de um vigilante, trabalhou desde pequeno para ajudar os pais. Em 2002, levado por um amigo, compareceu a um teste para jovens atores de comunidades e foi escolhido para o marcante personagem em “Cidade de Deus”, indicado ao Oscar de Melhor Filme em 2002 e grande marco da cinematografia brasileira. A atuação de Leandro lhe rendeu uma aparição no red carpet e vários prêmios mundo afora, além de abrir muitas portas para sua carreira.

Na televisão, participou das séries “Cidade dos Homens”, “A Diarista” e “Carga Pesada”, na Rede Globo. Na Rede TV!, participou da série “Mano a Mano”. Em 2015, apresentou a série “Minha Rua”, exibida no Canal Futura, com direção de Luis Lomenha. No cinema, atuou em “Trash”, ao lado de Rooney Mara. Seu papel seguinte foi no filme “Goitaca”, de Rodrigo Rodrigues, com Marlon Blue e Lady Francisco. Em 2017, integrou a equipe do “Pânico na Band”. Em 2019, Leandro fez sua primeira novela, “Órfãos da Terra”, na Rede Globo.

‘Respect’, filme que conta a história de Aretha Franklin, ganha data de estreia no Prime Video Brasil

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Foto: Reprodução / Warner Bros. Pictures.

Após 6 meses de lançamento nos cinemas dos Estados Unidos, o filme ‘Respect: A História de Aretha Franklin’ finalmente ganhou data de estreia no streaming do Brasil. Estrelado por Jennifer Hudson, produção estará disponível no Prime Video a partir do dia 25 de março. Dirigido por Liesl Tommy, ‘Respect’ apresenta como Aretha descobriu seu grande talento para a música e como utilizou sua voz para lutar por diversas causas sociais.

Aretha fez história como a primeira mulher a entrar no Rock and Roll Hall of Fame, depois de ganhar 8 prêmios Grammy em sua carreira. Em ‘Respect’, acompanhando a ascensão dessa icônica artista, desde criança cantando no coral da igreja até seu estrelato internacional, somos imersos numa trajetória poderosa e emocionante.

Definindo participação no filme como a realização de um sonho, Jennifer Hudson comentou: “Estou tão orgulhosa deste filme e de todo o elenco e equipe. Este foi realmente um trabalho de amor para a Rainha do Soul, e estamos todos muito animados para compartilhar com vocês“.

Dentre diversas curiosidades sobre a obra, o convite para Hudson atuar dentro do longa veio da própria Aretha. “Nós sabemos, essa é a mulher empoderada. Isso é empoderamento. Se ela [Aretha] passou a tocha, se ela disse ‘Jennifer você pode fazer isso’, então me deu a força e a coragem para tentar”, afirmou Hudson durante a estreia do filme.

Racismo: não há lugar nem tempo para se apresentar

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Sofrimento da prima de um das vítimas mortas pela polícia. Foto: Felipe Iruatã

Ouvimos falar, desde sempre, que a praia é um lugar democrático, ela é de todos e para todos. Nos calçadões, nas faixas de areia e no mar brancos e negros, ricos e pobres se encontram, se misturam. Mas será que é assim mesmo? Se a resposta for positiva, como a gente explica um jovem negro ser preso sem provas e sem antecedentes criminais acusado de roubo na praia (sim, nesse suposto espaço democrático)? 

Isso ocorreu em Ipanema, na Zona Sul do Rio de Janeiro, no dia 28 de fevereiro. O jovem de cabelo loiro pivete atende pelo nome de Marcos do Nascimento Tavares Carreiro, cuja praia e cujo carnaval foram interrompidos pelo racismo. Ele foi levado para a delegacia e posteriormente para o presídio, após duas turistas o reconhecerem como participante do grupo que roubou o celular de uma delas.

A família de Marcos afirma e reafirma que ele foi pego por engano. No dia 2 de março, na quarta-feira de cinzas, após uma Audiência de Custódia, Marcos, que trabalha em uma ONG, foi solto e responderá em liberdade numa investigação em curso. 

​Outros jovens negros tiveram suas vidas roubadas nos dias de carnaval em outra cidade litorânea: Salvador. Numa operação policial na Gamboa de Baixo, três jovens negros morreram na madrugada da terça-feira de carnaval.

Patrick Sapucaia, de 16 anos, Cleverson Guimarães, 22, e Alexandre dos Santos, 20, nunca mais poderão divertir-se no carnaval. Os familiares e amigos alegam que eles foram executados. Já a Polícia Militar conta outra versão, que receberam uma denúncia de que homens armados circulavam pela Avenida Lafayete (conhecida como Avenida do Contorno) e ao chegarem na Gamboa de Baixo foram recebidos com tiros. 

O que aconteceu na Gamboa não é um caso isolado. De acordo com dados presentes no livro Pele-alvo: a cor da violência policial, “A morte pela ponta de um fuzil carregado por um policial atinge de maneira desproporcional os negros em relação aos não negros”. Ainda segundo essa obra, “As capitais do Rio de Janeiro, de São Paulo e da Bahia são os três municípios com maior número de mortes registradas em 2020”.

Nós poderíamos seguir os parágrafos, eu escrevendo e você lendo sobre o quanto esses dois casos têm pontos de conexão. Mas ficarei apenas com um, que está latente nas lágrimas: a dor das famílias de todos esses jovens, tanto em Ipanema quanto na Gamboa de Baixo. São incontáveis as narrativas de sofrimento por parte de familiares e amigos, presentes na televisão e nas redes sociais, mas vou apresentar apenas uma, sobre a morte dos três jovens. A cena é de um repórter da Rede Bahia, afiliada da Globo, em meio ao protesto dos moradores da Gamboa na Avenida do Contorno e ele pergunta a uma mulher que fazia parte da ação. “Ele tinha algum envolvimento [com tráfico]?” Ela prontamente responde: “Oh, moço! Não importa isso agora no momento, sabe por quê? Porque se eles [policiais] pegaram em algum erro, a obrigação dos policiais é levar preso, não matar à queima-roupa. Eles atiraram à queima-roupa”.

Lá no início, talvez você já tenha esquecido, comecei este texto mencionando o agora já mito da democracia das praias. Talvez você não saiba, mas a Gamboa de Baixo é uma comunidade pesqueira e nela há uma das praias mais incríveis da capital baiana (opinião pessoal), assim como a bela praia de Ipanema. O Brasil é famoso internacionalmente pelo seu belo litoral.

Conforme apresenta o site UOL Educação, o Brasil tem um litoral com “7.367 km, banhado a leste pelo oceano Atlântico. O contorno da costa brasileira aumenta para 9.200 km se forem consideradas as saliências e reentrâncias do litoral”. Um litoral que atrai turistas do mundo inteiro. E outra razão para eles virem é o carnaval. Exportamos a imagem (um tanto reduzida, já que o Brasil é bem mais complexo) do país do carnaval (que na ideia seria uma festa do povo) e das belas praias. Contudo, o racismo está enraizado nesses locais e tempos (o carnavalesco), e sem pedir licença prende e mata jovens negros. 

Texto escrito pela historiadora Débora Simões

Romance intenso de Elza Soares e Mané Garrincha ganha série no Globoplay

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Foto: Globo / Divulgação.

Já está disponível no Globoplay o documentário ‘Elza & Mané – Amor Em Linhas Tortas’, registro que apresenta detalhes sobre o intenso romance vivido por Elza Soares e Mané Garrincha. “Deus escreve certo por linhas tortas. A minha foi escrita por pernas tortas”, resumiu Elza sobre sua história poucos meses antes de morrer. Este e outros depoimentos exclusivos da cantora, conhecida por uma voz e um estilo incomparáveis, roupas coloridas e penteados extravagantes já estão liberados em streaming. O lançamento acontece 60 anos depois do início do romance e também da conquista do bicampeonato mundial da seleção brasileira, que teve Garrincha como protagonista e Elza, a fonte de inspiração.

Dirigido por Caroline Zilberman e produzido pelo núcleo de documentários do Esporte da Globo, documentário foi disponibilizado nesta sexta-feira, 4 de março. “Imagine como o Brasil reagiria hoje se o melhor jogador de uma Copa vencida pela Seleção começasse a namorar fora do casamento uma estrela de primeira grandeza da música brasileira. Foi isso que aconteceu em 1962 com Elza e Mané. E aquele Brasil conservador, que estava prestes a entrar em uma ditadura militar, reagiu mal a esta união” resume Gustavo Gomes, gerente de formatos do Esporte da Globo.

Elza Soares fala sobre seu relacionamento com Garrincha. Foto: Globo/João Cotta.

Dentre novidades do projeto, a presença de três entrevistas inéditas feitas com Elza, que morreu em janeiro, aos 90 anos, dão intensidade ao documentário. “Além desses três encontros, tivemos um quarto, no show que ela fez em Belém, em dezembro do ano passado e que acabou sendo o último da carreira dela. Acompanhamos os bastidores”, diz Caroline.

Dividido em quatro episódios, o documentário retrata ainda o período em que o casal foi exilado para a Itália, durante a época da Ditadura Militar, na década de 1970, e ficou próximo de Chico Buarque e Marieta Severo. Caroline conta que conseguiu arquivos da TV italiana que ainda não foram vistos no Brasil, além de ter gravado depoimentos com Caetano Veloso, Sandra de Sá e Lobão.

Através das redes sociais, a equipe de Elza comentou detalhes sobre a produção do documentário, classificando momento como “uma das maiores histórias de amor que o Brasil já viu”. “Um dia a rainha Elza confidenciou a Pedro Lourenço que tinha um sonho. Queria que a história fosse contata sem véu ou filtro, pelo seu prisma, pelo olhar feminino, sem poupar ninguém, nem a si mesma. Sem demonizar Mané, mas também sem protegê-lo, com fez o escudo do machismo“.

Ana Nascimento, fundadora do Pretas na Ciências, fala sobre desenvolvimento de maquiagem e esmaltes no Brasil

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A cientista Ana Nascimento, cientista dos laboratórios de desenvolvimento de maquiagem e esmaltes da L’Oréal Brasil, falou sobre a relação de esmaltes e sua relação do objeto com a ciência, fazendo um contexto ancestral e motivador.

A cientista explicou, ainda, sobre o conceito de desenvolvimento da maquiagem e, principalmente, do esmalte no Brasil.

Para Ana, “o conhecimento popular compartilhado entre dos povos indígenas e afrodescendentes ajudaram a sociedade a evoluir, a crescer” é isso também se faz presente nas ‘cores da moda’ e tendências. 

Abaixo, segue a entrevista completa para você:

1) O conhecimento cientifico das mulheres negras e indígenas é ancestral. Nos seus trabalhos e pesquisas essa ancestralidade aparece como motivação ou é algo que você não pensa muito e foca no presente?

Na minha opinião, o conhecimento popular compartilhado entre dos povos indígenas e afrodescendentes ajudaram a sociedade a evoluir, a crescer e, sem dúvidas, me fizeram chegar aonde eu estou hoje. A primeira conexão com a minha ancestralidade foi a partir do meu cabelo e o acesso as receitinhas de vó com plantas, misturado a óleos e outros ingredientes nada convencionais que despertaram em mim a paixão por desenvolvimento de cosméticos. Então sim, a minha ancestralidade se conecta diretamente com a minha carreira como cientista.

2) O que você pode compartilhar com a gente sobre cores de esmaltes? As brasileiras tendem a escolher o que está na moda ou a personalidade fala mais alto? O que dá para saber sobre nosso comportamento nesse sentido? 

Bom, quando falamos de cores em geral levamos em consideração tendências, comportamento de consumidor e a evolução como um todo no mercado de pigmentos e efeitos. As cores mais clássicas como vermelho, rosa, branco e nudes ainda são os queridinhos de uma geração. Por exemplo: só quem viveu nos anos 90 entende a história por trás de uma cor clássica de Colorama chamada Samba Juliana (hit da época) usada até hoje no estilo francesinha. Atualmente, existe uma explosão de cores no mercado de esmaltes, além de um universo de opções de nail art e um lugar como a internet cheio de referências para nos inspirar.  Então, eu diria que parte das brasileiras ainda preferem as cores clássicas e neutras, mas temos uma nova geração de consumidores arriscando mais em termos de tons, efeitos e expressando sua personalidade na ponta dos dedos.

3) E as coleções? Como se cria uma? Quais são os parâmetros?  

O conceito da coleção é desenvolvido pelo marketing de Colorama. Nesse momento é muito importante que o consumidor esteja no centro do desenvolvimento. Então através dessa persona que simboliza a consumidora de Colorama, é criado o conceito e a paleta de cores. O próximo passo é compartilhar esse briefing com o time que vai desenvolver o produto na prática. Eu, como cientista de Colorama, tenho como função desenvolver cores dentro da proposta inicial, mas que sejam diferentes de cores que já possuímos no nosso portfólio e que faça sentido com o conceito no geral da coleção. 

Para isso, o conhecimento de colorimetria e tecnologia de esmaltes é essencial, pois além de chegar na cor final, trabalhamos em ajustes de cobertura, dureza e estabilidade do esmalte. Depois que todos os parâmetros estão aprovados, o time do operacional planeja toda a produção e distribuição em escala industrial e assim Colorama chega na casa e nos salões de todo Brasil.

4) E para as mulheres negras, todo tom cabe ou funciona a mesma máxima da maquiagem, de tons frios ou quentes?

Quando falamos de cores de esmaltes, eu diria que temos a liberdade de escolher a cor que quisermos, de acordo com evento, com o look escolhido, com o tempo ou até mesmo o nosso humor em determinado dia. Porém, sabemos que existem teoria de harmonização de cores baseadas em tons de pele e que são utilizadas por diferentes tipos de indústrias como a moda, coloração para cabelos, sapatos, entre outros. Eu sigo duas regras baseadas em colorimetria para escolher meu esmalte: 1) se eu quero chamar atenção para minhas mãos, eu escolho cores contrastantes ao meu tom de pele e 2) se eu quero só realçar as minhas unhas, mas sem chamar muito atenção eu escolhos tons mais clássicos (nudes, brancos e vermelhos) e que sejam mais próximos ao meu tom de pele. Pode seguir a dica é infalível.

5) Qual sua relação pessoal com os esmaltes? Tem cores preferidas? 

Eu sempre amei pintar as unhas e ir no salão fazer as unhas de forma caprichada, isso é um luxo que hoje eu me permito semanalmente. Eu sempre digo que quando vou a pedicure, tenho a sensação de que tomei uns 3 banhos de uma vez só (risos). Então, a minha relação com pintar as unhas sempre foi uma relação de prazer, de me dar um presente, de cuidar de mim. E sim, tenho minhas cores preferidas – duas delas ainda não estão no mercado, mas Colorama vai trazê-las logo em breve. Porém uma cor que eu posso citar, pois já lançou é da nova coleção Bloquinho Colorama, o nome da cor é ‘Atrás do @”, um rosa bem alegre e cheio de personalidade, além dessa cor ser linda eu lembro que eu cheguei nela por acidente.

Criar cor é um processo além de artístico muito técnico, então as proporções dos pigmentos são de certa forma calculadas e para essa cor em específico eu acabei passando do planejado, para não perder o molho eu resolvi seguir até o final do processo e no fim ela combinou super com a coleção e decidimos seguir com ela. Espero que muitas brasileiras a amem essa cor tanto quanto eu.

Ana Nascimento foi entrevistada por Silvia Nascimento, jornalista e boss do Mundo Negro.

BBB22: “Isso daqui eu não quero perto de mim”, diz Laís se referindo a DG; equipe do ator se posiciona

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Laís com olhos esbugalhados e Douglas Silva com cara fechada.
Foto: Reprodução,

Desprezo e objetificação foram apontados pela equipe de Douglas.

O ator Douglas Silva voltou a ser alvo da objetificação de Laís na última quinta-feira (3) e a internet reagiu. Enquanto estava na academia mexendo com os bonecos e analisando possibilidades de votos, a médica pegou o boneco de DG e disse “isso daqui eu não quero perto de mim”.

O perfil oficial do ator publicou o trecho do vídeo e se manifestou sobre o caso. “Infelizmente não é a primeira vez que ouvimos falas no mesmo tom em relação ao Douglas”, disse a equipe.  O assunto “O DG Não é isso daqui” se tornou um dos temas mais comentados no twitter.

https://twitter.com/Silva_DG/status/1499520732530978818
https://twitter.com/Silva_DG/status/1499524888071131137

A influenciadora Tia Má relembrou, em sua conta do Instagram, que a objetificação e animalização de corpos negros é mais um reflexo do racismo e foi justificativa para que pessoas negras pudessem ser escravizadas durante um longo período da história do Brasil. “O @douglassilva não é “Isso daqui”, ele é um multi artista.Já Laís é alguém ciente que suas falas serão sempre relativizadas, por isso, ela fala das tranças, da sua vontade de tacar dois pregos no pé de alguém, de imitar um primata ao falar de uma mulher como @natalia.deodato … porque muita gente vai defender, relativizar, porque olha para ela e se enxerga, sabem que agem assim também”, disse Má.

Não é a primeira vez que Laís se refere a DG de forma desrespeitosa. Há algumas semanas, durante conversa com as colegas do quarto Lollipop, ela disse que gostaria de enfiar pregos nos pés de DG e quebrar as pernas dele.

https://twitter.com/TeamDadinho/status/1499526608864088069
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