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Governo Lula: cientista analisa perspectivas da gestão de Luciana Santos, nova ministra da Ciência e Tecnologia

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Imagem: Divulgação

*Escrito por Mariana Silva

Com o anúncio da vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos (PCdoB-PE), como Ministra da Ciência e Tecnologia, as expectativas de quem faz ciência neste país, estão cada vez maiores e direcionadas para os próximos passos. O setor foi um dos que mais sofreu congelamentos e cortes de recursos durante o governo Bolsonaro. Só este ano, a redução chegou na ordem de R$ 1,7 bilhão, e o orçamento que foi aprovado para 2023 prevê uma queda superior a 21%.

Mariana Silva, mestra em ciências pela Faculdade de Medicina da USP, aponta a importância do Ministério para o desenvolvimento de pesquisas no país.

Conforme o novo plano de governo, os segmentos têm um caráter estratégico para o Brasil se transformar mais soberano e desenvolvido, caminhando para a sociedade do conhecimento. E com a chegada de Luciana, que teve uma passagem pela Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia em Pernambuco na gestão do Governador Eduardo Campos e ex-integrante da comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, as expectativas são ainda maiores.

Em suas redes, Luciana já afirmou que “depois de quatro anos de negacionismo, a ciência vai voltar a ser prioridade no Brasil. E que é uma honra ser escolhida como ministra”. Ela também declarou que esse é um trabalho que assume com muito compromisso e com muita disposição.

A expectativa é que Luciana intensifique o plano do presidente de recompor o sistema nacional de fomento ao desenvolvimento científico. Fomento esse que além de público, aconteceria por meio de fundos de agências estatais, como o FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Ciência e Tecnologia), CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento do Ensino Superior).

Frente a essa realidade, a Cientista Biomédica baiana, Mariana Silva, CEO da Planty Beauty e Planty Biotech (startups de biotecnologia e inovação), analisa as propostas para ciência e tecnologia que constam no plano de governo e que estão direcionadas ao uso da inteligência artificial, biotecnologia e nanotecnologia em processos produtivos sofisticados com valor agregado. Propostas que agora estão nas mãos da nova ministra.

De acordo com Mariana, o plano de retomada da ciência é extremamente dependente da aprovação da PEC da transição. “Só com um orçamento definido teremos condições de entender o quanto, em quê e como será o investimento na ciência. Apesar disso, conseguimos ler os sinais. O primeiro sinal evidente é o histórico, o presidente tem grande credibilidade na área da gestão da ciência e a nova ministra já foi Secretária Estadual de Ciência e Tecnologia. Outro sinal se encontra nas diretrizes do programa de governo. Fala-se em “recompor o sistema nacional de fomento do desenvolvimento científico e tecnológico”, explica.

A cientista ainda traz uma reflexão sobre a importância das universidades públicas e a grande potência tecnológica que o Brasil pode se tornar. Ela enxerga um caminho otimista para os próximos anos.

“Ciência de base se faz majoritariamente em universidades públicas, com linhas de pesquisa custeadas por agências de fomento que viram ao longo desses 4 anos, grandes cortes nos seus orçamentos. Essa afirmação é um sinal muito claro da relevância e retomada de um orçamento quase inexistente, porque para o atual governo ‘é fundamental inovar para enfrentar o desafio da transformação tecnológica em curso, ecológica, energética e digital, com políticas de Estado’. Um país não se transforma em uma potência tecnológica sem investimento público e parece que isso é muito claro para o presidente”, comenta Mariana.

Outro ponto importante a ser mencionado são os valores relacionados à conta do Tesouro Nacional. Considerada uma das fontes decisivas para a produção de conhecimento no Brasil, o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), teve seus recursos bloqueados nos últimos anos a ponto de ter R$ 35 bilhões parados na conta do Tesouro Nacional.

De acordo com Mariana, o Brasil sempre foi visto como um país do futuro, com um grande potencial, principalmente por conta da sua riqueza natural. Apesar dos últimos anos, o país ter sofrido um enorme desmonte de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento da ciência, deixando o Brasil isolado politicamente.

“Espera-se que o comando da pasta tenha capacidade de afirmação narrativa da importância da ciência para nosso país. Um governo que tem histórico de investir de forma consistente no desenvolvimento da ciência no país, já faz com que o mundo queira voltar a dialogar conosco e antigos investidores, retomarem seus investimentos interno e externo com consonância. É uma alavanca para deixarmos de ser potencial e virarmos de fato uma força e liderança efetiva no desenvolvimento científico, principalmente no que diz respeito à biotecnologia”, ressalta Mariana.

Nesse momento, o mundo todo está em busca de ferramentas que ajudem a preservar o planeta. Tudo isso se consolida com um primeiro grande movimento internacional que foi o convite para presidente eleito discursar na COP 27, maior palco de políticas climáticas do mundo, mesmo sem ainda ter tomado posse do cargo.

A frase dita pelo presidente na COP 27, que aconteceu entre os dias 6 e 18 de novembro de 2022 em Sharm El Sheikh, no Egito, chamou a atenção da CEO da Planty. Na frase, Lula dizia que seu governo vai provar mais uma vez que é possível gerar riqueza sem provocar mais mudança climática. E que fará isso explorando com responsabilidade a extraordinária biodiversidade da Amazônia, para a produção de medicamentos e cosméticos, entre outros.

Segundo a biomédica essa frase se alinha ao propósito da Planty Beauty, além de parecer uma proposição dentro da política ambiental do governo. “Aqui na Planty, enxergamos que esse ‘explorar com responsabilidade’ é usando ferramentas da biotecnologia para estudar a biodiversidade e ter na natureza nossa fonte de inspiração e não exploração. O que pavimentou o caminho da Planty rumo a esse futuro mais sustentável foi o investimento em pesquisa de base nas universidades.Todos os cientistas da Planty que trabalham na área de botânica e genética, passaram pela universidade pública. A expectativa também é que aumente linhas de fomento para startups biotecnológicas”, ressalta.

Em 2023, um novo governo surge, junto com ele, o desafio de Luciana recompor o que foi destruído. Investir numa sociedade plural e inclusiva com cidadãos bem informados, capazes de fazer ciência de forma crítica será de grande valia para o país. A ciência é uma grande geradora de informações e ferramentas, saber usá-la à favor da sociedade depende também de quem está fazendo ciência.

“Há também de se refazer o diálogo e de recolocar no trilho o comando de instituições que por vezes foi desvirtuada para atender interesses do governo Bolsonaro, à exemplo do INPE. Dentre os meus desejos mais profundos e longevos, defendo a formalização da profissão cientista, para que trabalhadores da ciência tenham estabilidade para executar um um projeto de país que se debruça em cima de buscar soluções tecnologicamente competitivas e mais sustentáveis. Talvez seja pedir muito para ‘terra arrasada’ que se encontra a pasta da ciência e tecnologia, mas tenho esperança que com uma mulher na liderança, chegaremos lá”, conclui Mariana Silva.

Natal pelo mundo: três ônibus com centenas de imigrantes são deixados na casa de Kamala Harris, vice dos EUA

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Durante a noite de véspera de Natal, três ônibus com cerca de 140 imigrantes foram deixados ao lado da casa oficial da vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, 58.

Grupos que haviam chegado recentemente ao país foram levados em ônibus do Texas até a casa da vice-presidente norte-americana. Organizações dizem que governo texano, republicano, enviou veículos ao local como provocação.

A Casa Branca colocou a culpa no governador do Texas, Greg Abbott, 65, que já havia enviado ônibus de migrantes para cidades do norte no passado, embora não tenha sido confirmado que Abbott enviou os ônibus que acabaram na residência de Harris. Em um comunicado, a Casa Branca chamou a implantação dos ônibus de “truque cruel, perigoso e vergonhoso”.

“O governador Abbott abandonou crianças na beira da estrada em temperaturas abaixo de zero na véspera de Natal sem coordenação com nenhuma autoridade federal ou local”, disse o porta-voz da Casa Branca, Abdullah Hasan, em comunicado aos meios de comunicação.

O grupo desembarcou em meio a um frio recorde para a noite de Natal – de -9ºC, segundo o jornal “The Washington Post”, e alguns usavam apenas camisetas.

Vale lembrar que o governador do Texas, Greg Abbott, é um forte crítico da forma com que o presidente dos EUA, Joe Biden, lida com migrantes que chegam aos Estados Unidos pela fronteira com o México – muitos deles em busca de asilo. Mas não foi confirmado se ele participou da ação.

Alcione celebra 50 anos de carreira e relembra amores, trajetória e momentos cruciais em sua obra: “não me arrependo de nada”

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Reprodução/TV Globo

No domingo (25), dia de Natal, uma entrevista sobre a vida, obra e legado da cantora Alcione foi mostrada na TV Globo, durante o programa “Fantástico“. A cantora relembrou momentos importantes e marcantes de sua vida e encantou a todos presentes no local com suas tradicionais canções.

Recebida pela jornalista Maju Coutinho, a cantora maranhense falou também sobre as diversas barreiras que precisou superar para ser “entendida” como tal. Sobre a vida, ela explicou como se tornou alguém tão ‘pé no chão’.

“Meu pai foi que nos emponderou, seu João Carlos. Ele dizia: minha filha, cuidado que homem quando te olhar de cara feia no primeiro dia, no segundo ele te empurra, no terceiro ele te bate (…)”.

Reprodução/TV Globo

Aos 75 anos, 50 de carreira, Alcione relembrou um momento triste que a marcou durante essas cinco décadas de estrada. Marrom relatou o comentário racista feito pelo funcionário de um hotel no Rio, ao vê-la chegar para participar de uma convenção de sua gravadora.

“Aí um cara chegou e falou: chegou o navio negreiro. Eu não acreditei que ele estava olhando para mim dizendo isso”, revelou Alcione.

Na visa pessoal, a cantora falou sobre arrependimento: “Eu não me arrependo de nada do que passei. Se tivesse, eu começava tudo de novo, de onde comecei. Tive uma educação que eu não me arrependo. Meus pais se sacrificaram muito para criar nove filhos”, contou a cantora.

Kwanzaa, o ‘natal africano’ que celebra a união e valorização dos afrodescendentes

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Foto: The Black Wall Time.

Já que importamos o Papai Noel branquinho de olhos azuis, a neve, entres outros símbolos que não tem nada a ver com a cultura brasileira, que tal variar e trazer um pouco da cultura africana e afro-americana para suas celebrações de final de ano? A festa tem origem americana, mas está começando a ser celebrada também fora dos EUA, como no Canadá e na região do Caribe. Mas afinal, o que é o Kwanzaa?

Com o objetivo de fortalecer os valores de comunidade e união familiar depois da violenta rebelião de Watts (causada por abuso policial contra um jovem negro em 1966) o professor  Dr. Maulana Karenga, presidente de um centro de estudos negros na California State University e ativista dos direitos civis nos anos 60,  criou para uma celebração para unir os  afro-americanos com base em costumes do continente africano. Assim nasceu o Kwanzaa  nome derivado da frase “matunda ya kwanza”, que significa “primeiros frutos” em suaíli (língua de origem queniana).

Foto: Purestock/Thinkstock.

Cada família celebra Kwanzaa da sua própria maneira, mas as celebrações geralmente incluem canções e danças ,batucada com tambores africanos, leitura de histórias e poesias e uma grande refeição tradicional. A celebração dura sete dias, iniciando no dia 26 de dezembro e encerrando no dia 1º de janeiro.

Em cada uma das sete noites, a família se reúne  ao redor  das luzes uma das velas no Kinara (castiçal) onde os princípios da Kwanzaa são discutidos. Esses princípios, chamados de Saba Nguzo (sete princípios em suaíli) são valores da cultura africana que contribuem para a construção e reforço comunidade entre afrodescendentes.

A cada dia uma vela de cor diferente deve ser acesa num altar onde são colocadas frutas frescas e uma espiga de milho correspondente ao número de crianças que houver na casa. Depois de acesa a vela ( a vela preta deve ser acesa na primeira noite) , todos bebem de uma taça comum em reverência aos antepassados, e saúdam com a exclamação “Harambee”, que tanto significa “reúnam todas as coisas” como “vamos fazer juntos”. A grande festa é a de 1 de janeiro, quando há muita comida, muita alegria e onde cada criança deve ganhar três presentes que devem ser modestos: um livro, um objeto simbólico de referência africana e um brinquedo.

 Sete Princípios

Os sete princípios, ou Nguzo Saba são um conjunto de ideais criados pelo Dr. Maulana Karenga. Cada dia de Kwanzaa enfatiza um princípio diferente.

Unidade: Umoja (oo-MO-jah)
Esforçar-se para e manter a unidade na família, comunidade, nação e raça.

Autodeterminação: Kujichagulia (koo-gee-cha-goo-LEE-yah)
Para definir a nós mesmos, o nome de nós mesmos, criamos para nós mesmos e falar para nós mesmos.

Trabalho coletivo e responsabilidade: Ujima (oo-GEE-mah)
Para construir e manter a nossa comunidade e resolver o problemas desta juntos.

 Cooperativa de Economia: Ujamaa (oo-JAH-mah)
Para construir e manter nossas lojas próprias, lojas e outros negócios e para lucrar junto com eles.

Objetivo: Nia (nee-YAH)
Para tornar a nossa vocação coletiva a construção e desenvolvimento da nossa comunidade, a fim de restaurar nossos povos a sua grandeza tradicional.

 Criatividade: Kuumba (koo-OOM-bah)
Para fazer sempre tanto quanto pudermos, da maneira que pudermos, a fim de deixar nossa comunidade mais bela e benéfica do que herdou.

 Fé: Imani (ee-MAH-nee)
Acreditar com todo nosso coração em nosso povo, nossos pais, nossos professores, nossos líderes, na justiça e vitórias das nossas lutas.

Foto: STOCK PHOTO/Getty Images.

Os sete símbolos do Kwanzaa

Sete símbolos são exibidos durante a cerimônia do Kwanzaa para representar os sete princípios da cultura e da comunidade africana.

  1.      Mkeka (M-kay-cah): é a esteira (geralmente feita de palha, e que também pode ser feita de tecido ou papel) sobre a qual todos os outros símbolos do Kwanzaa são colocados. A esteira representa a base das tradições africanas e da história .
  2.      Mazao (Maah-zow): as safras, frutas e vegetais representam as celebrações da colheita africanas e mostram respeito pelas pessoas que trabalharam no cultivo.
  3.      Kinara (Kee-nah-rah): o candelabro representa a base original da qual todos os ancestrais africanos vieram e contém sete velas.
  4.      Mishumaa (Mee-shoo-maah): nas sete velas, cada uma representa um dos sete princípios. As velas são vermelhas, verdes e pretas, cores que simbolizam o povo africano e sua luta.
  5.      Muhindi (Moo-heen-dee): o milho representa as crianças africanas e a promessa de futuro para elas. Um sabugo de milho é colocado para cada criança da família. Em um família sem crianças, um sabugo de milho é colocado simbolicamente para representar as crianças da comunidade.
  6.      Kikombe cha Umoja (Kee-com-bay chah-oo-moe-jah): a Taça da União simboliza o primeiro princípio do Kwanzaa, ou seja, a união da família e do povo africano. A taça é usada para derramar a libação (água, suco ou vinho) para a família e os amigos.
  7.      Zawadi (Sah-wah-dee): os presentes representam o trabalho dos pais e a recompensa para seus filhos. Os presentes são dados para educar e enriquecer as crianças, e podem ser um livro, uma obra de arte ou um brinquedo educativo. Pelo menos um dos presentes é um símbolo da herança africana.

 As velas

Sete velas são colocadas dentro do Kinara:

  • no centro há uma vela preta representando o primeiro princípio: união (Umoja);
  • à esquerda da vela preta estão três velas vermelhas, representando os princípios de auto-determinação (Kujichagulia), economia cooperativa (Ujamaa) e criatividade (Kuumba);
  • à direita da vela preta estão três velas verdes, representando os princípios de trabalho coletivo e responsabilide (Ujima), próposito (Nia) e (Imani).

Com informações do Site Oficial sobre Kwanzaa

Michelle Obama celebra um tipo de homem que temos esquecido: os pais negros que se sacrificam pela família

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Foto: Sage East/Revolt Midia

Michelle Obama, a ex primeira-dama dos Estados Unidos, falou sobre seu pai Fraser Robinson III e o poder que um homem negro tem sobre os filhos, durante a participação no bate-papo “REVOLT x Michelle Obama: A Conversa Entre Gerações“, junto com as cantoras H.E.R e Kelly Rowland, a supermodelo Winnie Harlow, a empresária Tina Knowles-Lawson e a radialista Angie Martinez.

“Quando penso no que meu pai, como um homem negro com esclerose múltipla, poderia ter feito – ele nunca poderia ter trabalhado um dia em sua vida, poderia ter recebido benefícios, poderia ter sucumbido à doença e ficar deprimido com isso, mas ele não o fez”, lembra a ex-primeira dama.

Foto: Reprodução/Instagram

“Ele nunca sentiu pena de si mesmo, nunca esperou que os outros fizessem por ele, e apenas o simples ato de ele se levantar todos os dias e ir trabalhar era uma declaração de que ficaria comigo todos os dias da minha vida”, diz aos prantos.

“Não há um dia que eu não pense nas lições que ele nos ensinou e como ele não está aqui para ver nada disso, e muito disso é por causa dele”, acrescenta. “Esse é o poder do que um homem negro da classe trabalhadora pode fazer no mundo, e é por isso que não quero que nenhum homem negro aqui pense que não tem algo a oferecer a seus filhos”.

Foto: Divulgação/Revolt

“O que meu pai fez foi além de dinheiro, título, influência. Eu trocaria tudo pelo que meu pai nos forneceu naquele pequeno apartamento na 74th e Euclid”, termina ainda emocionada com as lembranças.

Segundo a revista People, Fraser trabalhava em bombas na usina de água de Chicago e também atuou como capitão de distrito do Partido Democrata. Ele morreu de complicações de esclerose múltipla aos 55 anos, quando Michelle Obama tinha 27.

Opinião: Natal para quem?

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Foto: Freepik

Texto: Shenia Karlsson

Ho ho ho…

Estamos chegando em um dos momentos mais especiais do calendário anual, o Natal. O Brasil têm adotado muitas tradições além mares e adaptado aos próprios costumes, a exemplo disso comemoramos as datas de final de ano bem do nosso jeitinho, seja de acordo com a região, seja de acordo com nossa classe social, e é por isso que essa diversidade na hora de cortar o enorme peru ao redor das pessoas que mais amamos é tão interessante. É peru com farofa, com arroz e feijão, com salpicão, com maionese, sem esquecer da bendita uva passa, tão adorada para uns e odiada por outros. Comida é nutrição afetiva! Há também aqueles irmãos e irmãs que já enegreceram suas festas e optam pelo lindo Kwanza, afinal, as diretrizes fazem muito mais sentido para nós do que o tão eurocêntrico Santa Claus.

No entanto, me senti impelida a problematizar uma questão que se arrasta há séculos: quem tem direito de desfrutar de momentos especiais em família? Nós negros somos aqueles que desfrutam ou preparam momentos felizes para a branquitude? O natal é uma data sobretudo familiar, a tradição invoca um enquadramento específico e tenta a todo momento enunciar um modelo inflexível de família baseado nas crenças cristãs, a família nuclear. Para tanto é utilizado a família santa e o nascimento de Jesus Cristo encenado pelo tão famoso presépio presente na decoração de muitas residências familiares. A maior problemática em torno do natal ao meu ver é que me parece um momento especial construído somente para grupos específicos, como se os outros grupos não tivessem o direito de desfrutá-lo. 

Ademais, podemos observar como o racismo quase determina quem têm ou não o direito de curtir o natal. Como no Brasil o conceito de família é normativo, nuclear e brancocênctrico, tende-se a normalizar a felicidade de famílias brancas durante essa época do ano e naturalizar a idéia que negros não têm família estruturada, e portanto não teriam a necessidade de comemorar a data tão especial com os seus. De acordo com Lia Vainer Schuman em seu livro Famílias Interraciais: tensões entre a cor e o amor , “(…) a branquitude é o produto da história e é uma categoria relacional. Como outras, repito: não tem significado intrínseco, mas apenas significados socialmente construídos”.

Podemos a partir disso observar que o legado colonial estende-se em tempos atuais influenciando em todos os tipos de interação, e o natal é apenas um dos mais variados  reflexos de como a vida social da comunidade negra sofreu e sofre até hoje prejuízos materiais e simbólicos. A autora Angela Davis em sua obra Mulheres, Raça e Classe enfatiza a devastação da família negra no período colonial tornando uma instituição “matrifocal com primazia da relação entre mãe e criança e apenas laços frágeis com o homem negro”. Como as famílias negras foram destruídas pela violência colonial devido ao seu caráter mercantilista de vidas humanas, a desconfiguração da família negra foi-se naturalizando através dos séculos, acarretando assim a desumanização das interações. 

É possível observar o agito das famílias brancas nessa época do ano: a compra de presentes, as inúmeras festas e confraternizações, as decorações e o preparo dos cardápios. Contudo, toda a estrutura e condições para que todas essas reuniões aconteçam contam na maioria das vezes com mãos negras,racializadas e pobres. São pessoas negras nesse país que trabalham até a véspera do feriado sem ao menos ter o direito de se preparar, que chegam tarde em suas casas ou nem chegam porque estão nas portarias dos prédios, nas casas das sinhás preparando a ceia e lavando a louça, no supermercado até às 22 horas na véspera do Natal. Tudo isso para garantir o conforto e a felicidade da branquitude elitista e burguesa. Mas a fulana é quase da família, e nessa fulana nunca está com sua própria família. A sinhá olha pra empregada e pensa que família é um luxo que ela não tem o direito, essa é a verdade.

Como somos vistos como corpo trabalho e pessoas sem vínculo familiar significativo não há nenhum constrangimento em anular nossa humanidade e nem lembrar que também temos o direito a confraternizar com os nossos. Temos famílias sim, temos filhos que desejam ganhar presentes, nós temos familiares que nos esperam até a última hora da nossa chegada. Seria uma enorme hipocrisia não denunciar essa prática tão violenta mas infelizmente presente nessa sociedade racista. 

Afinal, quando teremos direito ao natal? ao descanso? à confraternização? Se depender da branquitude frágil e carente de ajuda para tudo, nunca. Deixo aqui essa reflexão séria, somos um grupo social jogados à toda sorte de precarização e no natal não seria diferente.

Shenia Karlsson é psicóloga clínica, Diretora no Instituto da Mulher Negra de Portugal, consultora de diversidade e inclusão, supervisora clínica e ativista da saúde mental.

É uma realidade dura se pensarmos que em termos de bem viver somos os últimos a poder apreciar os momentos de comunhão. 

Processos de Construção da negritude: vamos falar de responsabilidade racial

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Por Shenia Karlsson

Desde de que a luta antirracista no Brasil ganhou proeminência, pessoas negras de vários segmentos entenderam a necessidade de amplificar a discussão sobre o racismo, assim como a importância da denúncia através da disseminação das informações. É possível observar muitos artistas, influenciadores, atletas, políticos e pessoas em posição de destaque utilizando a própria visibilidade em prol dessa causa, o que é muito bom num país  carente de representatividade positiva de pessoas negras.

Nota-se hoje muitos exemplos de pessoas negras que cada dia ganham destaque, e aos poucos vamos construindo possibilidades de normatizar a presença de negros nos mais variados espaços. É claro que em termos de quantidade ainda é ínfima nossa presença nos espaços estratégicos, visto que somos mais da metade da população brasileira. No entanto, o combate está sendo feito através do discurso, da produção intelectual, das imagens, das artes e de todas as formas possíveis, afinal, temos urgências subjetivas enquanto um coletivo que até pouco tempo atrás sobrevivia num completo estado de inanição.

Por outro lado, muitos dos nossos irmãos e irmãs que a pouco tempo atrás estavam aliançados com a branquitude – e muito confortáveis por assim dizer, viram um espaço interessante para finalmente falar de suas dores, de suas necessidades e de seus enfrentamentos contra o racismo. Os mais espertos aproveitam para angariar capital social. Aqui refiro-me a pessoas negras de destaque, de influência e notoriedade, formadores de opinião, vistos como modelos para milhares de pessoas negras nesse país. Embora trate-se de pessoas, a visibilidade carrega em si uma responsabilidade maior,  ao passo em que a postura e a atitude  serão observadas.

Nosso país é extremamente controverso, especialmente quando o assunto é a construção da subjetividade negra, processo esse permeado de interdições, faltas, descontinuidades, mecanismos de negação e por consequência, a distorção dos afetos. Estamos perdidos já faz tempo, e a luta para viver em consonância com o que realmente nos faz sentido parece uma estrada longa e tortuosa. No entanto, a visibilidade tem um preço interessante, a cobrança. Frequentemente, pessoas negras influentes são convocadas a assumir responsabilidades, um comprometimento maior com sua comunidade, a ter atitudes condizentes com seus discursos. A exemplo disso, podemos destacar as relações interraciais, assunto em constante tensionamento e alvo de duras críticas.

Recentemente o cantor e ator Seu Jorge, durante sua participação no programa Roda Viva, foi indagado por uma jornalista negra como ele encara a relação interracial, as críticas sobre ter tido companheiras brancas e se já tinha se relacionado com mulheres negras. A resposta foi interessante, ele isentou-se de responsabilidade mesmo num lugar de privilégio em que poderia escolher dividir sua “sabedoria” e “bom papo” com uma mulher de sua etnia, sem contar em dividir recursos financeiros dentro de uma comunidade jogada a toda sorte de escassez, experiência essa bem conhecida pelo artista. O artista não entende, e talvez nem queira entender sua responsabilidade enquanto um homem negro que influencia outros homens negros num país racista como o Brasil.

É bem verdade que não podemos colocar na conta dos negros o ônus das relações interraciais no Brasil, sabemos que é uma herança ingrata, uma tentativa da extinção do povo negro e  foi política de estado.  A dimensão psicológica do racismo contribuiu com a introjeção da ideia de depositar afeto em figuras de opressão, os brancos, e ainda sentir-se confortável como se fosse um prêmio social. O racismo é mesmo um crime perfeito, mas o golpe taí, cai quem quer. Hoje, já não há mais desculpas, as informações servem para nos provocar reflexões importantes e adotar ações em prol de nossa existência enquanto povo negro.

Este artigo é sobre um tipo de responsabilidade não muito abordado em nossa comunidade mas que faria toda diferença em nossos processos de construção de negritude e consequentemente avanços em nossas pautas, a RESPONSABILIDADE RACIAL. Mas, afinal, o que é responsabilidade racial?

O processo de construção de negritude é dinâmico e constante, se dá concomitantemente com o processo de construção de identidade, ou seja, um processo em aberto. Nele, estão contidos vários fenômenos interessantes, dentre eles a rejeição ao ideal de ego branco,a descolonização da mente e dos afetos e o rompimento com o pacto narcísico branco. Na medida em que a consciência racial avança acontece um redimensionamento dos afetos, visto a mudança de nosso mundo interno em que as necessidades básicas mudam e caminham em direção ao que realmente faz sentido.

Na medida em que somos capazes de ressignificar a nós mesmos, nossas interações, experiências e principalmente nossos afetos – capital importante e sustentáculo do racismo, torna-se quase inviável privilegiar alianças de fidelidade  com  figuras de opressão, seja a natureza que for. A partir disso, nasce a capacidade  real de auto amor e a identificação positiva com sujeitos semelhantes a nós. Dito isto, a responsabilidade racial seria um estado constante de vigilância a fim de evitar o sequestramento de si, uma ética existencial, um compromisso com o processo de construção de uma negritude saudável e livre. É um processo doloroso porém libertador. Pessoas negras que adotam um discurso antirracista mas que no privado sentem-se mais confortáveis e aliançarem-se com pessoas que representam figuras de opressão, é um indicativo que o processo de construção de negritude não vai nada bem. Estamos tratando de negociar a própria existência, e quando negocia-se o inegociável, não estamos livres internamente.

A responsabilidade racial é a forma mais eficaz de transformar o discurso em prática diária, um caminho de fortalecimento individual e coletivo. A responsabilidade racial é uma via interessante de construir um pacto negro conciso, robusto e saudável enquanto coletivo. O social atravessa o privado, o que está fora está dentro. A luta antirracista deve adotar a responsabilidade racial como componente básico a fim de assegurar nossos avanços enquanto pessoas negras num país que até a pouco tempo atrás, tudo nos negava. A ética negra sem responsabilidade racial é inviável. O convite que fica é, descolonize já os seus afetos, esse é o primeiro passo para adotar a responsabilidade racial.

Shenia Karlsson é Psicóloga Clínica, especialista em Diversidade, Diretora de Departamento do Instituto da Mulher Negra de Portugal e Co Fundadora do Papo Preta. 

Naomi Ackie impressiona os críticos ao interpretar Whitney Houston no filme ‘I Wanna Dance With Somebody’

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Foto: Emily Aragones / SHUTTERSTOCK.

O filme ‘I Wanna Dance With Somebody’, que conta a trajetória de Whitney Houston só estreia no Brasil em 12 de janeiro, mas as primeiras impressões do longa são positivas. O destaque fica com a atriz Naomi Ackie, 30, que interpreta a consagrada cantora durante o enorme sucesso nos anos 80 e 90. A revista norte-americana Variety chegou a classificar a obra como “uma cinebiografia luxuosa e completa em sua glória”.

Considerada a mais potente voz da história da música, Whitney nasceu em Nova Jersei, nos Estados Unidos. Foi a artista mais premiada de todos os tempos de acordo com o Livro de Recordes (Guiness Book). Ackie diz que precisou estudar muito para conseguir se aproximar dos trejeitos da consagrada cantora. “Os desafios eram realmente sobre especificar as partes dela que eu percebi que eu achava que eram particularmente pungentes, especiais, engraçadas ou muito humanas que eu queria transmitir, para dar a ela o máximo de humanidade possível”, contou a atriz em entrevista à ELLE.

Foto: Divulgação / Sony Pictures.

Britânica, Naomi possui uma longa carreira, já atuou em séries para a TV e também ganhou destaque no filme ‘Star Wars: The Rise of Skywalker’, mas esse papel em ‘I Wanna Dance With Somebody’ é o mais importante em sua carreira, até o momento. “Parecia que expor alguns dos primeiros anos de Whitney realmente ajudaria a dar a ela humanidade e afastá-la do status de ícone de uma forma que nos sentíssemos mais próximos, trazendo à tona alguns dos temas universais. Era algo que eu já conhecia e saber que tinha a chance de expandir aquela ideia e mostrar o que era realmente importante”.

Naomi destaca que a ideia do filme era prestar uma homenagem ao legado de Whitney. “Conversamos com a família dela sob uma perspectiva de empatia. Este filme é sobre celebrar quem ela era como pessoa e o que ela foi capaz de alcançar em sua vida, não necessariamente mostrando o pior dela“, conta ela.

Tatuador diz que iniciou o processo de remoção da tatuagem não autorizada, mas sem o acompanhamento da mãe

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Fotos: Ronald Santos Cruz e Reprodução/Instagram

O tatuador Neto Coutinho, responsável por tatuar o rosto do menino Ayo, de 5 anos, sem autorização da mãe, publicou uma nota no Instagram nesta sexta-feira (23), afirmando que iniciou o processo de remoção na pessoa tatuada, no dia 16 de dezembro, com uma nova tatuagem como cobertura. “Será realizado mais uma sessão, após o novo processo natural de cicatrização da pele, para a conclusão da nova arte, agendada para o dia 29.01.2023”, diz.

Porém, a mãe de Ayo, a Ìyá Alágbára, também conhecida como Daniele Cantanhede, só ficou sabendo do início da remoção no dia seguinte e afirma que havia combinado com o Neto Coutinho que acompanharia a primeira sessão. “A princípio a sugestão era que fosse feita uma chamada de vídeo, o que não teria problema nenhum porque eu moro em outro estado. Mas eu disse, exigi e me foi consentido o direito de estar presente na primeira sessão”.

O tatuador diz que seu advogado enviou uma mensagem para a mãe um dia após a primeira sessão e não teve uma resposta até o momento. “Contradiz o discurso ‘da busca rápida e consensual da questão’. Paz”, assim escreveu na nota.

Em vídeo publicado no Instagram, a mãe continua a questionar a postura do Neto Coutinho: “Por que eu não posso acompanhar? Por que eu não posso ter a certeza de que é o rosto do meu filho que estava lá? Por que eu não posso ter a certeza de que realmente a remoção foi feita? Por que não fui procurada pelo próprio tatuador que queria resolver de acordo com a minha vontade?”.

Ainda segundo a nota do tatuador, ele acusa as pessoas de tratarem a tatuagem sem autorização no corpo de um estranho, “de forma sensacionalista e apta a gerar mais discussões, ameaças e ofensas”. E afirma que a pessoa tatuada teme pela integridade física por sofrer graves ameaças nos comentários das redes sociais.

Há algumas semanas se tornou de conhecimento público o caso de Ayo, uma criança negra que teve seu rosto tatuado no corpo de um desconhecido. O caso só foi descoberto após a tatuagem ser vencedora de uma premiação. Após repercussão do caso, Projetos de Lei foram apresentados no âmbito do estadual e municipal do Rio de Janeiro para garantir que fotos de crianças só sejam tatuadas mediante autorização dos pais.

Paulo Vieira continuará no ‘Big Terapia’ do BBB 23

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Foto: TV Globo/João Cotta

A primeira confirmação para o Big Brother Brasil 2023 veio: o apresentador Paulo Vieira continuará no comando do quadro ‘Big Terapia‘! A divulgação foi feita pelo jornal O Globo nesta quinta-feira (22).

A outra novidade é a segunda temporada do seu programa “Avisa lá que eu vou” que será estreada em 2023, no GNT, com versão editada no “Fantástico“. 

Para o apresentador, 2022 foi o ano com a virada de chave para sua carreira. “É o ano mais feliz da minha vida. Graças a Deus comecei a colher os frutos do meu trabalho. São 18 anos nessa correria, e esse ano foi o meu ‘ano da virada’. Muita coisa aconteceu. Consegui fazer projetos populares e também autorais que ganharam o mundo, e isso já me deixa eternamente agradecido”, disse em entrevista à coluna do Lucas Pasin, no Splash UOL.

Mas Paulo ainda espera mais da Globo para manter a ascenção profissional: “Se você for pensar bem, eu não tenho nada consistente na Globo. Faço muito barulho com o pouco que eu tenho, mas ainda não sou o queridinho da emissora. Me falta um programa na grade. Não tenho. Quando eu tiver vou poder dizer que sou o queridinho, por enquanto sou apenas ‘um amigo que a Globo gosta'”, disse.

Mesmo com o sonho de comandar um programa aos domingos meio dia, Paulo Vieira já está com mutos compromissos para 2023. “Terminei de escrever ‘Pablo e Luizão’, que será uma série para o Globoplay. Faço o quadro do ‘Big Brother Brasil’. Gravo a segunda temporada de ‘Avisa lá que eu vou’. Tem filme. Minha agenda do ano que vem já está bem cheia”.

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