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Padre é denunciado após ataques às religiões de matriz africana: “Cadê esses orixás que não recussitaram Preta Gil”

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Fotos: Divulgação / Paróquia de Areial; e Divulgação

“Cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil?” Durante uma missa na cidade de Areial (PB), no último domingo (27), o padre Danilo César fez ataques preconceituosos contra religiões de matriz africana, ao criticar uma oração feita por Gilberto Gil para a filha, que faleceu no último dia 20. As declarações foram registradas em vídeo e geraram forte reação nas redes sociais e entre representantes de terreiros.

A Associação Cultural de Umbanda, Candomblé e Jurema Mãe Anália Maria de Souza formalizou um boletim de ocorrência por intolerância religiosa nesta terça-feira (29) e também vai levar o caso ao Ministério Público da Paraíba (MPPB).

O padre ainda associou práticas religiosas de matriz africana à morte e ao sofrimento, e disse desejar que o “diabo levasse” católicos que recorrem a outras crenças. “Tem católico que pede essas coisas ocultas, eu só queria que o diabo viesse e levasse. No dia seguinte quando acordar lá, acordar com calor no inferno, você não sabe o que vai fazer. Tem gente que não vai aqui (Areial), mas vai em Puxinanã, em Pocinhos, mas eu fico sabendo. Não deixe essa vida não pra você ver o que acontece. A conta que a besta fera cobra é bem baratinha”, declarou com mais ataques.

A missa foi transmitida ao vivo pelo canal da paróquia no YouTube, mas o conteúdo foi retirado do ar após as falas repercutirem.

A Diocese de Campina Grande, responsável pela Paróquia de Areial, declarou que o sacerdote prestará os devidos esclarecimentos e reafirmou compromisso com a liberdade de crença e a dignidade da pessoa humana.

Em nota de repúdio, a associação religiosa criticou a postura do padre: “Deus é amor e respeito ao próximo, onde infelizmente esse senhor que se diz sacerdote prega o ódio e o preconceito e ainda amedronta em pleno culto em sua igreja”, disse em um trecho.

Até o momento, o padre Danilo César não se pronunciou publicamente.

Daniel Kaluuya integra elenco do novo filme da A24 dirigido por Chris Rock

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Fotos: Chris Pizzello-Pool / Getty ; e Divulgação

O astro Daniel Kaluuya (Corra!) foi anunciado no elenco do novo longa-metragem da A24, dirigido e estrelado por Chris Rock. Ainda sem título oficial, o filme marca a estreia de Rock na direção de um projeto com o selo do prestigiado estúdio e traz Kaluuya ao lado de outros grandes talentos como Rosalind Eleazar (Slow Horses), Adam Driver (Infiltrado na Klan) e Anna Kendrick (A Escolha Perfeita).

A trama gira em torno de Misty Green (Eleazar), uma atriz promissora cuja carreira foi interrompida — até que alguém de seu passado surge com a promessa de uma nova chance. Os detalhes sobre os personagens de Kaluuya, Driver e Kendrick ainda não foram revelados.

O retorno de Daniel Kaluuya às telas era muito aguardada por fãs desde sua atuação em ‘Não! Não Olhe!’, de Jordan Peele, em 2022. Um ano antes, ele já havia feito história ao conquistar o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por interpretar Fred Hampton em ‘Judas e o Messias Negro’.

Desde então, Kaluuya vem construindo uma trajetória sólida e versátil no audiovisual. Ele deu voz ao Punk-Aranha em ‘Homem-Aranha: Além do Aranhaverso’ e co-dirigiu ‘The Kitchen’, ao lado de Kibwe Tavares — um longa que imagina um futuro distópico em Londres, onde a resistência e a comunidade negra ocupam o centro da narrativa. Em breve, o ator também assina a produção de um live-action de ‘Barney’, por meio de sua empresa 59% Productions, em parceria com a Mattel e a A24.

O longa dirigido por Chris Rock está sendo produzido em Los Angeles, com ele também assinando o roteiro. O filme tem produção de Rock, Peter Rice e David Worthen Brooks, além da produção executiva de Nelson George, Shaum Sengupta e Miles Alva.

“Querem saber como abri um restaurante ‘Culinária de Terreiro’ em um shopping”: Solange Borges, a chef que une cozinha, saber ancestral e inovação

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A culinária afro-brasileira é um patrimônio cultural vivo que atravessa gerações, e entre os nomes que representam essa continuidade com força, Solange Borges se destaca. Chef, empreendedora e mulher de terreiro, Solange transforma a tradição da “Culinária de Terreiro” em um projeto contemporâneo de valorização cultural e inovação social.

Com formação em Letras e Fitoterapia, ela une saberes acadêmicos aos conhecimentos ancestrais herdados da mãe, valorizando a oralidade e o legado ancestral. Sua trajetória inclui o pioneirismo de levar a culinária preta para novos espaços, como a abertura de um restaurante em shopping, um marco importante para a gastronomia afro-brasileira:

“As pessoas querem saber como consegui colocar um restaurante ‘Culinária de Terreiro’ em um shopping.”

Nesta entrevista exclusiva ao Guia Black Chefs, Solange reflete sobre ancestralidade, tecnologia, racismo religioso, festivais, empreendedorismo negro e o papel da gastronomia preta na resistência cultural.

1. Como você descreve a relação entre a culinária de terreiro e sua ancestralidade, especialmente em pratos como acarajé e dendê de pilão? 

“Eu tenho dito, né, que hoje a culinária de terreiro… eu faço pratos que mainha me ensinou, né? São receitas que mainha me ensinou. Então, a minha ancestralidade está conectada, especialmente com o acarajé e o dendê de pilão, nessa questão de ser continuidade, de trazer algo que meus ancestrais já faziam. Nós estamos na quarta geração fazendo o acarajé. 

O dendê de pilão entrou na minha vida a partir da Agrovila Pinhão Manso. Quando cheguei na agrovila, eu vi os pés de dendê, e ali eu fui buscar como aprender. Aprendi com uma família que também era ancestral nisso, nesse preparo, que foi a família de Orlando, que já fazia há muitos anos, e eu fui aprender com eles. Depois, eu fui também pegar aprendizado aqui na minha comunidade, com as mulheres que já faziam dendê. E junto com elas, eu comecei a trabalhar o dendê aqui na minha comunidade. 

A gente valorizou esse dendê, porque muitas mulheres não queriam mais fazer, já que as pessoas não queriam pagar o valor de um litro de dendê. A partir do momento que eu fui para as redes sociais e mostrei como é o trabalho de fazer dendê, isso modificou muito. Elas vendiam a R$25; hoje, elas vendem a R$60, R$70, R$80. Então, mudou muito essa realidade. Eu me conectei com o acarajé e com o dendê de pilão nessa perspectiva desses ancestrais que vieram antes de mim, e eu sigo ainda essa continuidade.” 

2. Você aprendeu as práticas de preparo no terreiro com sua mãe e ascendeu isso em conhecimento acadêmico em Letras e Fitoterapia. Como essa formação dialoga com os saberes transmitidos oralmente pelos terreiros? 

“Eu aprendi as práticas do terreiro tanto com mainha quanto nos terreiros que eu comecei a participar, na vivência na cozinha. Em vários terreiros, eu consegui ver como era o preparo, participar, né? Porque o terreiro é assim: as comunidades fazem. Então, você vai para outro terreiro, você tem a sua habilidade, o pai, a mãe, convida você a participar e você faz. Quando corta para santo de alguém e você tá lá, você vai, você trata, você cozinha. Nesse meu trabalho comunitário, eu consegui entender essas práticas. 

O conhecimento acadêmico em Letras, por exemplo, me trouxe o entendimento que eu avancei, mas que não precisava só avançar. Por exemplo, eu aprendi na faculdade a palavra “cotidiano”, e eu me senti importante. Fui me sentar com minha vizinha na porta de casa para poder falar e ensinar, e ela ficou me olhando com cara de paisagem. Então, eu entendi ali que esse saber… eu preciso entender ele, mas eu preciso também compartilhar de forma diferente com as pessoas que não têm o conhecimento acadêmico. 

Existe uma Solange que conversa com gente que não tem conhecimento acadêmico e uma Solange que conversa com gente que tem. Esse conhecimento acadêmico me ajudou nesses avanços, mas também me fez entender que, para me relacionar com povos e comunidades tradicionais, ou com pessoas que não têm o letramento, eu precisava ser uma Solange sem esse conhecimento científico. 

Agora, a Fitoterapia: quando eu fiz Fitoterapia na UFBA, eu entendi perfeitamente que todo aquele conhecimento era tradicional, ancestral. Porque mainha nunca cozinhou mastruz, por exemplo. E lá, eu vi na aula que mastruz a gente não cozinha, porque, se cozinha, perde os óleos voláteis, perde os benefícios. 

Então, o que está na academia são os conhecimentos tradicionais; são os saberes que as nossas comunidades têm, e que os estudantes, os pesquisadores, sistematizam e colocam no livro. Eu entendi isso perfeitamente. Ali eu fiquei muito mais forte no meu saber. Muito orgulhosa de que esses saberes vieram para o livro didático, como são os saberes das comunidades tradicionais.” 

3. O Festival do Dendê celebra a força da cozinha preta, que carrega orixás, axé, memória e resistência. O que significa pra você ocupar esse espaço como parte dessa herança viva? 

“Olha, significa pra mim que a gente tem que sair desse lugar. A gente tem que falar do nosso negócio, do nosso lugar, do nosso propósito, do nosso conhecimento ancestral. 

O Festival do Dendê, pra mim, foi a oportunidade de mostrar o nosso dendê, o dendê de pilão, que é a base da culinária baiana. O dendê é o ouro da Bahia. Você chega na Bahia, você encontra as baianas de acarajé, que são as herdeiras, as primeiras mulheres a empreender, as primeiras a mercar. As primeiras empreendedoras desse país. 

O Festival do Dendê veio como oportunidade de visibilizar esse lugar e falar da importância de valorar esse trabalho, esse ingrediente que é tão importante pra gente. Então, eu trouxe o Festival com essa perspectiva, de visibilizar essa questão, inclusive trazendo chefs de nível nacional e referências de nível nacional, para a gente conseguir realmente furar essa bolha, não falar somente para a gente, mas para um grupo maior de pessoas.” 

4. Num país onde o racismo religioso e a intolerância ainda tentam apagar o candomblé e as contribuições das mulheres negras, o que significa para você levar a cozinha de terreiro e saberes ancestrais para o mundo? 

“Significa que depende de nós. Quando eu comecei a fazer culinária de terreiro, eu pensei na importância de fazer isso e sonhei bastante alto. Mas a gente fica focando só na intolerância. A gente não foca que precisa visibilizar nossos conhecimentos, mostrar nosso saber, reforçar nosso conhecimento. 

Então, eu não foquei no racismo e na intolerância. Eu foquei em levar o saber que a gente tem para outras pessoas saberem o que estamos fazendo, para outras pessoas tomarem parte. Porque, às vezes, as pessoas são intolerantes ou racistas mesmo, às vezes é porque não conhecem. Foi nessa perspectiva que eu me coloquei para sair do meu lugar, da minha comunidade, na Agrovila Pinhão Manso. Com uma antena via satélite, eu comecei a falar, mesmo sabendo que ia ter hater, que iam me criticar, que não iam me seguir. 

Em vez de ficar chorando, dizendo “mas elas não…”, eu fui pro embate. Eu quis mostrar minha religiosidade, falar da minha matriz, mesmo sabendo que receberia críticas por isso. Mas eu não aguentava mais a gente sendo invisibilizada, com nossos terreiros sendo invadidos. Eu me senti assim porque acredito que, quando a gente tem poder e visibilidade, é difícil alguém mexer com a gente. Muito difícil. E a rede social é uma forma de trazer poder pra você, pra sua comunidade, pro que você está fazendo.” 

5. Que papel você acredita que a tecnologia, como aulas ao vivo, e-books e mídias sociais, tem na expansão dos saberes de culinária de terreiro sem perder a profundidade espiritual? 

“Essa comida que eu discuto na culinária de terreiro, inclusive, levei para o shopping, veio com a perspectiva de trazer a comida do quintal, da roça. Uma comida que tem história, que tem matriz, que é matriz africana, para discussão, para o shopping e para as aulas. Mas a comida que eu levo na culinária de terreiro não é a comida de santo. É a culinária tradicional. A culinária que tem história, que tem cultura, e que está em todos os lados do Brasil. Porque em todo o Brasil você come cocada, acarajé, vatapá, feijoada, caruru. Essa é a comida tradicional. É essa a comida que eu tenho ensinado. 

Agora, eu sou uma mulher de candomblé. Se uma pessoa me pergunta em uma dessas aulas: “Chef, e esse acarajé que a senhora nos ensina?” eu explico: esse acarajé é uma comida ofertada para um Nkisi, Kaiango, no meu caso eu sou angoleira, e também é ofertada para a orixá Iansã. E assim a gente vai explicando. Porque eu sou uma mulher de candomblé, então eu explico. 

Agora, uma coisa é você fazer esse acarajé para comer no restaurante, para comer em casa. Outra coisa é você estar no terreiro para oferecer essa comida. Aí você tem que passar pela ritualística do terreiro. E essa ritualística eu não coloco nas minhas aulas. Porque você tem que chegar no terreiro, pedir bênção à mãe de santo, ao pai de santo, tomar banho de folha e passar pelos processos.  

A minha perspectiva de ensinar a culinária de terreiro é para que as pessoas possam dominar as técnicas tradicionais. Que possam fazer o acarajé como é na tradicionalidade: feijão, cebola, sal e frita no dendê. É essa a perspectiva que senti necessidade de trazer para as redes, nesse empreendimento. Porque tem muita gente que não sabia mais como fazer um acarajé, um vatapá, um caruru, e isso eu ensino, tanto nos meus e-books quanto nas minhas aulas.” 

6. O Julho das Pretas nos convida a celebrar as conquistas das mulheres negras, mas também a refletir sobre os desafios que persistem. Qual espaço a gastronomia tem nesse debate e como você tem marcado presença nesse mês? 

“Eu participei de várias marchas, de movimentos de mulheres. Fiz movimento de “Mulheres no Rio de Janeiro, fui ao Mulheres Rumo a Beijing . Sempre estive nas lutas. Estou na base do MNU, desses movimentos todos.Comecei a militar nos movimentos antirracistas com 15, 16 anos, ainda no movimento estudantil. Faço essa movimentação há muito tempo e sei da importância disso. Caminhei com muitas das mulheres do Instituto Odara por muitas batalhas. 

A gastronomia, pra mim, é um veículo muito importante. Porque comida… todo mundo pode falar sobre comida. Todos temos pertencimento. Sempre tem uma comida, um movimento de comida nas nossas famílias. Está em todos os lados. Minha presença nesse momento tem sido para falar sobre o empreendedorismo negro: como consegui estar nas redes, como consegui participar de tantos movimentos nacionais. Agora, em setembro, vou participar de um evento internacional. 

As pessoas querem saber como consegui colocar um restaurante em um shopping com o nome “Culinária de Terreiro”. Como empreendi o acarajé dentro de um shopping. E hoje me convidam pra falar sobre isso. Ainda não estou financeiramente confortável, porque exige muito investimento, mas sei que vai acontecer. Tenho marcado presença no Julho das Pretas falando sobre o empreendedorismo das mulheres negras, e isso me honra muito. 

Esses dias, eu me emocionei bastante. Dei muitas palestras em escolas, vi alunos falando do meu trabalho, fazendo mural, poesia… Foi algo sem precedentes. Isso me enche de esperança de que nossa cultura realmente pode ser reverberada no que fazemos, no nosso modo de fazer, no nosso falar, na nossa forma de se posicionar.” 

Òná Ìrìn: Caminho de Ferro”: Exposição no MUNCAB destaca a força das mulheres negras por meio da arte afro-brasileira

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Em Salvador, o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB) prorrogou a temporada da mostra “Òná Ìrìn: Caminho de Ferro”, da artista visual Nádia Taquary, até o dia 10 de agosto. A exposição é uma experiência imersiva que convida o público a percorrer as encruzilhadas simbólicas da vivência negra nas Américas, guiado por esculturas, trilhos, espelhos e sons que dialogam com a ancestralidade.

A instalação monumental parte de um conceito poético e sensível para enaltecer a presença e a atuação das mulheres negras na construção da sociedade, das culturas e dos saberes. Com curadoria de Marcelo Campos, Amanda Bonan e Ayrson Heráclito, a exposição toma como ponto de partida figuras históricas e míticas como as Geledés, Yabás e Ìyàmi Aje, conectando essas presenças à força feminina, à resistência e ao sagrado.

Logo na entrada, símbolos da cultura afro-brasileira recepcionam os visitantes, que são convidados a escolher um caminho. À direita, encontram-se as esculturas das guerreiras Geledés e a instalação Abre-Caminhos, com balangandãs. À esquerda, estão as Yabás e a sala dedicada ao Oríkì — canto ancestral em homenagem a Ogum. Todo o ambiente é atravessado por linhas férreas, espelhos e uma iluminação suave que cria uma sensação de deslocamento contínuo. Os trilhos não apenas orientam o percurso, mas também funcionam como metáfora das encruzilhadas da existência negra, onde o corpo do visitante se integra à narrativa.

Entre as esculturas, destacam-se figuras aladas e sereias, como a representação de Iemanjá, e criações inspiradas nas joalherias afro-brasileiras, que reforçam a conexão entre identidade, poder e ancestralidade. Toda a ambientação sonora é assinada por Tiganá Santana e interpretada por Virgínia Rodrigues, aprofundando a experiência sensorial e espiritual proposta pela obra.

“A exposição transforma o olhar, a escuta e o entendimento sobre o papel das mulheres negras na história”, afirma Jamile Coelho, diretora artística do MUNCAB e responsável pela seleção da mostra. “Muitas pessoas saem em silêncio, emocionadas, como quem passou por um rito de reconhecimento — de si e de outras.”

A expografia tem assinatura da arquiteta Gisele de Paula, com montagem da RCD Produção de Arte. A exposição foi concebida originalmente pelo Museu de Arte do Rio (MAR), com correalização da Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI) e realização da AMAFRO (Sociedade Amigos da Cultura Afro-brasileira) em parceria com a Secretaria de Cultura e Turismo de Salvador (Secult). A prorrogação foi viabilizada por meio do patrocínio da Petrobras, via Lei Federal de Incentivo à Cultura, do Ministério da Cultura.

A mostra ocupa um andar inteiro do MUNCAB, com 355m² de instalações, logo acima da também imperdível exposição “Encruzilhadas da Arte Afro-brasileira”, que reúne obras de 69 artistas negros brasileiros, como Arthur Timótheo da Costa, Rubem Valentim, Maria Auxiliadora, Mestre Didi e Lita Cerqueira.

Exposição “Òná Ìrìn: Caminho de Ferro”
Local: MUNCAB – Rua das Vassouras, 25, Centro Histórico, Salvador (BA)
Em cartaz até: 10 de agosto
Horário: 10h às 17h (última entrada às 16h30)
Ingressos: R$ 20 (inteira) | R$ 10 (meia)
Pagamento: Cartão, PIX e boleto
Gratuito: Quartas-feiras e domingos
Informações: museuafrobrasileiro.com.br
Classificação: Livre

Antonia Fontenelle tenta se defender de acusação de racismo contra Erika Hilton: “Tive dois maridos negros”

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Foto: Reprodução

Antonia Fontenelle comentou pela primeira vez o processo movido pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), que a acusa de ofensas racistas e transfóbicas. A ação foi registrada após Fontenelle se referir à parlamentar como “preta do cabelo duro” durante uma transmissão ao vivo.

Fontenelle tentou se defender das acusações e negou ser racista. “Estão me imputando um crime de racismo, que é gravíssimo. Eu convido a buscarem o meu histórico racista. Cuidado com o que vocês vão ver, hein: eu tive dois maridos negros. A maioria dos meus amigos, além de gays, são negros. Eu amo as pessoas pelo que elas são, pelo caráter, não pela cor da pele”, disse durante a sua participação no canal Tubacast, na última segunda-feira (28).

A youtuber alega que reproduziu falas antigas da própria Erika Hilton ao criticar pessoas que não se enxergam negras, para justificar os ataques. “Eu estava na minha live reproduzindo um discurso dela. E aí eu disse: ‘Querida, você é preta, seu cabelo é duro’. E isso não é demérito pra ninguém”, declarou. No entanto, nesta fala mencionada de 2020, no programa Provoca, a parlamentar não diz que os pretos tem cabelo duro.

Na sequência, Antonia Fontelle volta a atacar a aparência da deputada, dizendo que ela “operou o nariz” e usa “perucas loiras, lisas, de branco”.

Ela ainda afirmou que Erika não condiz com o discurso que fez ao se eleger. “isso vai contra tudo o que ela pregava assim que foi eleita, e as pessoas não conseguem enxergar isso”, afirmou, deslegitimando a identidade da parlamentar.

A ação foi movida no Tribunal de Justiça de São Paulo no dia 19 de julho, após Fontenelle divulgar um vídeo em que lia uma reportagem sobre o posicionamento do PSOL e do PT contra o projeto de lei 1112/23. A proposta prevê o endurecimento do cumprimento de penas para crimes hediondos.

Durante o vídeo, Fontenelle cita Erika Hilton diretamente: “Entre os votos contrários estão os de Erika Hilton. Esperar o quê de você, né? Que tinha um nariz desse tamanho, um cabelo de preta — que é isso que você é: preta”, disse, em um tom ofensivo. Na sequência, atacou novamente a aparência e identidade de gênero da deputada. “Você é preta do cabelo duro, como todos os pretos são, e isso não é demérito. Mas você não quer ser uma preta do cabelo duro, você quer ser uma branca loira — só que você não é e nunca vai ser. É uma trans que teve a chance de mostrar que poderia ter caráter independente.”

CEO da Leroy Merlin no Brasil é acusado de injúria racial por ex-trainee após fala sobre escravidão

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Foto: Divulgação

O espanhol Ignacio Sánchez Villares, CEO da Leroy Merlin no Brasil, foi acusado de injúria racial pela jornalista Ana Paula, de 27 anos, uma das poucas pessoas negras selecionadas para o Programa de Trainee 2024. O caso aconteceu durante a integração do grupo em março do ano passado, quando o executivo afirmou que “a Leroy Merlin teria tudo para utilizar trabalho escravo em suas lojas no Brasil, o que traria significativa economia de impostos, mas não o faz porque é uma empresa muito boa.”

Em uma entrevista recente à Voz da Diversidade, Ana Paula contou que a fala racista foi dita quando ela questionou a ausência de pessoas pretas entre os trainees selecionados, que não refletia a divulgação do programa com imagem de pessoas negras. A resposta do CEO veio acompanhada de outra fala ofensiva: “Ele me perguntou se eu ligava para cor de pele. Eu respondi que não, mas que a sociedade sim, e então ele me respondeu que ‘a gente’ [negros] precisávamos esquecer esse negócio de escravidão e pensar no que vamos construir daqui pra frente.”

“Não tem como eu esquecer isso. Olha para essa sala. Temos duas pessoas pretas no meio de 32. Você acha que essa sala representa o país?” rebateu Ana Paula na ocasião. Ela relata que, após o episódio, ela e a outra trainee negra choraram e foram levadas para fora da sala por outros membros da equipe.

O caso foi levado ao setor de compliance da matriz francesa, e, segundo Ana Paula, após quatro meses, a empresa informou que Ignacio havia sido apenas “alertado” a não repetir esse tipo de fala. A recomendação era que ele pedisse desculpas, o que não aconteceu.

Ainda de acordo com o relato da ex-trainee, uma diretora de RH da empresa teria minimizado o caso: “Você acha que a companhia vai levar em consideração o que ele fez ou os 32 anos de empresa que ele tem?”, disse a ela.

Ao final do programa, Ana Paula foi direcionada a assumir um cargo em Sorocaba (SP), mas recusou a transferência por falta de informações claras. Após negar a mudança, pediu demissão e decidiu acionar a Justiça contra a Leroy Merlin.

Em nota enviada à imprensa, a empresa afirmou que “não tolera qualquer forma de discriminação, assédio ou prática que viole os direitos humanos e trabalhistas​”, e afirma que há mais de 10 anos, “a Leroy Merlin tem implementado ações concretas e contínuas para a promoção da diversidade, da equidade e da inclusão, hoje alcançando 44% de mulheres e 29% de negros em posições de liderança”.

Leia a íntegra a nota da empresa

A Leroy Merlin reafirma o seu compromisso inegociável com a ética, a transparência e o respeito a todas as pessoas que fazem parte do seu ambiente de trabalho. A companhia não tolera qualquer forma de discriminação, assédio ou prática que viole os direitos humanos e trabalhistas. A cultura da empresa é pautada na valorização das pessoas, na diversidade e na construção de um ambiente de trabalho justo e inclusivo. A empresa esclarece que o caso em questão e todos os relatos no Canal de Escuta Ética são analisados e tratados em sigilo e máxima seriedade. Reforça que ​para esse caso dará continuidade quando citada​ oficialmente na esfera judicial, e acompanhará os seus desdobramentos com o devido respeito às partes envolvidas.

Em relação ao programa de trainees, esclarecemos que sua estrutura contempla, desde o início, a possibilidade de movimentações geográficas (em média 20% dos participantes mudam de loja), como parte do plano de desenvolvimento profissional. No caso citado, a colaboradora foi aprovada para uma vaga ​de Gerente Comercial em outra loja, ​na mesma regional e Estado, a mesma agradeceu formalmente por todo o desenvolvimento profissional, porém declinou a promoção e, ao final do programa de trainee, seu contrato foi encerrado.

Ao longo de mais de uma década, a Leroy Merlin tem implementado ações concretas e contínuas para a promoção da diversidade, da equidade e da inclusão, hoje alcançando 44% de mulheres e 29% de negros em posições de liderança (um crescimento de 15 e 11 pontos percentuais respectivamente, nesse período). A companhia revisita permanentemente as suas políticas internas, seus mecanismos de escuta e seus protocolos de governança. Temos convicção de que promover um ambiente de trabalho respeitoso e plural é uma construção contínua e um compromisso da companhia.

Sterling K. Brown, Da’Vine Joy Randolph e Winston Duke vão estrelar aclamada adaptação que remete ao caso de Emmett Till

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Fotos: Arnold Turner/Getty Images for NAACP; Getty Images for IMDb; e Divulgação

Três grandes nomes de Hollywood estão prestes a se unir em um projeto poderoso: Sterling K. Brown (This Is Us), Da’Vine Joy Randolph (Os Rejeitados) e Winston Duke (Pantera Negra) estão em negociações para estrelar a minissérie The Trees, adaptação do aclamado romance de 2022 de Percival Everett. A informação é do Deadline.

A produção está sendo desenvolvida pela UCP (Universal Studio Group) e o roteiro fica por conta de Marcus Gardley (A Cor Púrpura), que também atua como produtor executivo ao lado de Brown, Selwyn Seyfu Hinds, Abby Victor e o próprio Everett.

Descrita como um suspense ágil e provocativo, The Trees parte de uma série de assassinatos brutais na fictícia cidade de Money, no estado de Mississippi — onde o adolescente de 14 anos, Emmett Till, foi linchado em 1955. O mistério se intensifica quando, em cada cena do crime, é encontrado um segundo corpo: o de um homem que se assemelha com Till. Conforme os assassinatos se espalham por todo o país, dois detetives do Departamento de Investigação do Mississippi — papéis que devem ser vividos por Brown e Duke — tentam desvendar o fenômeno com a ajuda de um médico local que há anos documenta linchamentos nos EUA.

A série marca a segunda parceria entre Sterling K. Brown e o showrunner Selwyn Seyfu Hinds, após a recente estreia da minissérie Washington Black, lançada pelo Hulu nos EUA e disponível no Brasil pelo Disney+. Brown, que já tem uma carreira consolidada, acaba de receber duas novas indicações ao Emmy 2025 por ‘Paradise’, totalizando 12 indicações ao longo da carreira, além de já ter vencido três por ‘This is Us’ e ‘O Povo contra O.J. Simpson: American Crime Story’.

Randolph, vencedora do Oscar por ‘Os Rejeitados’, também já foi indicada ao Emmy por sua atuação em ‘Only Murders In the Building’. Enquanto Duke continua a expandir sua carreira após o sucesso como M’Baku no universo de Wakanda da Marvel, e feito outros grandes papéis como no filme ‘Nós’, de Jordan Peele.

‘Olhos de Wakanda’: nova série animada do Disney+ ganha trailer oficial

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Crédito: Marvel Animation

A Marvel Animation divulgou o trailer oficial de ‘Olhos de Wakanda’, série animada ambientada no universo do Pantera Negra, com estreia marcada para o dia 1º de agosto no Disney+. A produção executiva é de Ryan Coogler, o mesmo que dirigiu os dois filmes do herói de Wakanda.

A nova animação terá quatro episódios. A trama acompanha as jornadas de guerreiros wakandanos ao longo da história, numa missão global para recuperar artefatos de Vibranium que foram parar nas mãos de inimigos. Esses guerreiros fazem parte do Hatut Zeraze, um grupo de elite pouco explorado nos filmes anteriores.

A produção conta com a direção de Todd Harris e o elenco de vozes traz nomes como Winnie Harlow, Cress Williams, Patricia Belcher, Lynn Whitfield, Steve Toussaint, Anika Noni Rose e outros talentos.

Essa é a primeira produção fruto do acordo de longa duração entre a produtora de Coogler, Proximity Media, e a The Walt Disney Company. Outros projetos para o Universo Cinematográfico Marvel (MCU) já estão em desenvolvimento dentro desse contrato.

Veja o trailer abaixo:

Morango do amor vira hype, movimenta o afroempreendedorismo e chega até em ‘Vale Tudo’

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Foto: reprodução

Nos últimos meses, o morango do amor virou sensação entre os brasileiros, conquistando cada vez mais espaço nas redes sociais, restaurantes e nas plataformas de delivery. Segundo levantamento recente do portal Times Brasil, o número de restaurantes que oferecem essa iguaria no iFood saltou de cerca de 800 para mais de 10 mil em apenas um mês, um crescimento impressionante que revela como essa trend gastronômica tomou conta do mercado.

O morango do amor, fruto caramelizado envolto em uma casquinha crocante de caramelo que atinge temperaturas altas durante o preparo, virou uma oportunidade de ouro para quem trabalha com confeitaria, gastronomia artesanal e produção de doces. Esse crescimento exponencial tem tudo para beneficiar principalmente afroempreendedores que atuam no setor gastronômico, segmento que tem se mostrado cada vez mais forte e inovador no Brasil.

A demanda crescente por produtos diferenciados, artesanais e com apelo visual forte, como o morango do amor, cria uma excelente chance para pequenos negócios e cozinheiros independentes ampliarem suas vendas, conquistando novos clientes e aumentando a renda. Plataformas como o iFood são aliadas importantes nesse processo, possibilitando que esses empreendedores levem suas criações a um público muito maior, com facilidade de acesso e agilidade na entrega.

O sucesso é tanto que o doce viral acaba de chegar também à teledramaturgia. Segundo o jornalista André Romano, do site Observatório da TV, em matéria publicada nesta segunda-feira (28), a sobremesa fará parte da trama do remake de Vale Tudo, escrito por Manuela Dias. Na história, Poliana (Matheus Nachtergaele), sócio de Raquel Acioli (Taís Araujo), sugerirá que o restaurante Paladar inclua o docinho no cardápio para “driblar uma crise”. A autora já havia brincado com os pedidos dos fãs nas redes sociais: “Vocês estão doidos para eu botar morango do amor na novela, né? rsrs”.

Entretanto, essa oportunidade exige cuidado e preparo técnico. O chef Paulo Rocha chama atenção para os riscos envolvidos no preparo do morango do amor, já que o caramelo usado para envolver a fruta pode atingir até 145 graus Celsius, o que representa perigo de queimaduras graves caso não seja manuseado corretamente.

Além disso, o caramelo, quando endurecido, fica duro como vidro, podendo causar desconfortos e até ferimentos nos consumidores, como cortes na boca ou até quebra de dentes, caso não seja feito com técnica e qualidade. “Tem que estar muito seguro de como fazer essa técnica pra que não acabe virando um problema, sabe, a pessoa acabar se machucando… teve relatos de pessoas que cortaram a boca, que quebraram o dente”, alerta o chef.

Portanto, para quem deseja aproveitar o boom do morango do amor, o conselho é claro: invista em capacitação, pratique bastante e garanta que o produto seja seguro e bem feito antes de colocá-lo à venda. Essa postura garante que o empreendedor cresça de forma sustentável e conquiste a confiança dos clientes.

Com o crescimento acelerado do mercado de delivery e a expansão da gastronomia afroempreendedora, o morango do amor se apresenta não apenas como uma tendência de sabor, mas como uma verdadeira oportunidade para quem busca inovar, crescer e fortalecer sua presença no cenário gastronômico brasileiro.

Morre Dona Jacira, mãe de Emicida e Fióti

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Foto: Divulgação

A escritora, artista plástica e liderança comunitária Jacira Roque de Oliveira, conhecida como Dona Jacira, morreu nesta segunda-feira (28), aos 60 anos, em São Paulo. Ela estava internada em um hospital da capital paulista. A causa da morte ainda não foi divulgada, mas Dona Jacira convivia com Lúpus e realizava hemodiálise há mais de 25 anos. A informação foi confirmada por amigos da família à revista Marie Claire.

Mãe do Emicida e do Evandro Fióti, além de Katia e Katiane, Dona Jacira construiu uma trajetória marcada pela resistência, afeto e sabedoria ancestral. Nascida e criada na zona norte de São Paulo, ela primeiro ficou conhecida pelo público dos filhos, mas logo conquistou seu espaço como referência em arte, literatura e cuidado coletivo.

Sobrevivente de uma trajetória marcada por dores, Dona Jacira reinventou sua história a partir da maturidade, mergulhando na arte, nas raízes negras e na valorização dos saberes populares. Ela bordou para a coleção Herança (2017), da Lab Fantasma — marca de moda criada pelos filhos —, lançou sua autobiografia Café (2018), criou uma linha de bonecas feitas com retalhos descartados e também comandou um podcast “Café com Dona Jacira” sobre reflexões da vida.

Em 2023, quando quando lançou a segunda temporada do podcast, o Mundo Negro participou da coletiva de imprensa em sua casa, junto a outros jornalistas negros. Onde ela reafirmou ser uma “contadora de estórias”.

“Como eu sou uma contadora de estórias, eu estou sempre tendo que voltar lá atrás para entender como eu nasci, o que foi que fizeram comigo, porque eu sou a única testemunha que a cada vez que alguém me dizia ‘você não vai escrever’, ‘você nasceu para ser isso’, isso e isso’, essa voz me dizia ‘não é isso’. E foi preciso que eu crescesse e que depois que eu tivesse os filhos, e que eu passasse por uma série de coisas e os meus filhos começam cada um deslanchando para suas vidas e eu já havia jogado a toalha. Então eu disse, ‘bom, eu preciso ser aquilo que as pessoas querem que eu seja’. Então eu fui estudar, fui fazer enfermagem. Mas tem uma outra questão, toda vez que eu tomo um caminho que não é meu, Exu me diz assim ‘não é por aí’. Então eu fiquei 3 anos na enfermagem, dois anos ali, três anos ali. E toda hora essa voz dizendo ‘você vai melhorar’. E eu queria estudar. Eu não tinha livros. Os livros na minha casa, eles começam a chegar na minha casa desde então”, contou.

Dona Jacira se tornou um símbolo de força, memória e ancestralidade.

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