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Espirros, coriza e nariz entupido? O Dr. Lucas Diniz explica o que é rinite alérgica e como ela afeta a população negra

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Dr. Lucas Diniz (Foto: Divulgação)

Por Dr. Lucas Diniz, Otorrinolaringologista

Você vive espirrando, com o nariz entupido e os olhos coçando? Isso pode ser rinite alérgica — uma condição comum, mas muitas vezes negligenciada, especialmente entre pessoas negras.

O que é rinite alérgica?

Trata-se de uma reação exacerbada do sistema imunológico a substâncias como ácaros, poeira, mofo, pelos de animais e pólen,  os chamados alérgenos.

O sintoma mais comum é o nariz entupido ou escorrendo. Outros sinais frequentes incluem espirros, coceira no nariz e nos olhos, sono ruim e cansaço. Há também uma forte correlação com a asma. Se você conhece alguém com asma, essa pessoa pode ter rinite alérgica e ainda não ter sido diagnosticada.

Frio e rinite: qual a relação?

No inverno, o ar frio e seco irrita a mucosa nasal e facilita a entrada de alérgenos. Além disso, passamos mais tempo em ambientes fechados, com maior acúmulo de poeira, mofo e ácaros. O ressecamento das vias respiratórias reduz a proteção natural do nariz, agravando os sintomas. Por isso, quem tem rinite costuma sofrer mais nessa época do ano.

Por que isso importa para a população negra?

Muitas pessoas negras vivem em contextos de maior exposição a alérgenos e com menos acesso a cuidados médicos especializados. Como consequência, a rinite é subestimada — mesmo quando compromete o bem-estar e a produtividade. Cuidar da saúde respiratória é também um ato de resistência e autocuidado.

O que dizem os estudos mais recentes?

O último Consenso Internacional sobre Alergia e Rinologia: Rinite Alérgica reuniu especialistas de todo o mundo para atualizar as diretrizes baseadas em evidências. O documento reforça que a rinite alérgica é uma doença crônica, com impacto direto na qualidade de vida, no sono, no desempenho diário e até na saúde mental. Também apresenta um caminho claro para diagnóstico e tratamento, com base na ciência mais atual.

Sim, rinite tem tratamento!

As recomendações incluem o uso de antialérgicos modernos, sprays nasais com corticoide e imunoterapia (vacinas de alergia). Mas o mais importante continua sendo o básico: evitar os gatilhos da rinite — ou seja, a exposição aos alérgenos.

Sabendo que nem sempre é possível eliminar todos os fatores de risco, compartilho 7 dicas práticas para reduzir crises durante o frio:

  1. Mantenha os ambientes ventilados, mesmo no inverno. Abra as janelas por alguns minutos todos os dias.
  2. Evite carpetes, cortinas pesadas e bichos de pelúcia, que acumulam poeira.
  3. Use umidificadores ou coloque bacias com água nos quartos para combater o ar seco.
  4. Lave o nariz com soro fisiológico para manter a mucosa hidratada.
  5. Evite mudanças bruscas de temperatura. Proteja nariz e boca com um cachecol ao sair no frio.
  6. Lave cobertores e roupas de inverno antes de usar, pois podem acumular ácaros.
  7. Evite cheiros fortes, como perfumes e produtos de limpeza agressivos.

Respirar bem é um direito nosso. Rinite não é frescura — é uma condição médica séria, com tratamento eficaz. Procurar um especialista é um passo fundamental para viver com mais saúde, conforto e dignidade.

Dr. Lucas Diniz Costa – Coordenador do Centro de Referência da Saúde da População Negra (CR-SPN). Fellowship Cirurgia Plástica Facial na Universidade de São Paulo (USP); Humanitarian Committee of American Academy of Otolaryngology and Head-Neck Surgery (AAO-HNS); Titular da Academia Brasileira de Otorrinolaringologia (ABORL); Tenente Oficial Médico da Reserva pelo Exército Brasileiro (R/2); e Médico formado pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM).


18 anos de Latinidades: a força da arte preta, transforma Brasília em um espetáculo vivo de potências 

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O Festival Latinidades chega à sua 18ª edição reafirmando sua origem, essência e potência a partir de Brasília, território de criação contínua e força ancestral. Após circular por cidades como Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e até Londres, o festival concentra neste ano suas ações no Distrito Federal, ampliando sua presença no centro político do país.

Mais que um festival, Latinidades é uma construção coletiva liderada por mulheres negras, que há quase duas décadas tensiona as estruturas da arte, da política e da cultura com uma perspectiva afrocentrada.

A programação ativa diversos espaços públicos com arte, reflexão e reexistência. Entre os destaques está a Mostra Cine Afrolatinas, que ocupa o histórico Cine Brasília, com mais de 50 anos de existência, nos dias 30 e 31 de julho. Com curadoria de Edileuza Penha e Ceiça Ferreira, a mostra exibe curtas, longas e promove debates com diretoras negras do Brasil e da diáspora. A seleção inclui títulos como Bam Bam: The Sister Nancy Story, Um Dia com Jerusa, Nzinga – Rainha de Angola e Eu, Minha Mãe e Wallace, todos centrados em narrativas protagonizadas por mulheres negras.

A exibição de Bam Bam: The Sister Nancy Story marca a estreia nacional do documentário sobre a primeira mulher do dancehall jamaicano a alcançar projeção internacional. A tradução do filme para o português foi realizada pelo Instituto Afrolatinas, e a obra tem se destacado mundialmente por resgatar a trajetória de uma das figuras mais influentes da música global.

Além da exibição dos filmes, o festival também articula a presença de estudantes da rede pública e coletivos culturais nas sessões, reforçando seu compromisso com o acesso e a democratização do cinema. Para saber como participar dessas ações e se envolver nos chamamentos do Latinidades, acesse latinidades.com.br/chamamentos.

Nas artes visuais, duas exposições integram o festival. De 23 de julho a 23 de agosto, a mostra Alumbramento ocupa a Galeria 3 do Museu Nacional da República com obras de 25 artistas negros, indígenas e dissidentes. A proposta curatorial de Nathalia Grilo é guiada pelo cosmograma bantu, convidando o público a percorrer caminhos de espiritualidade e memória.

Na Estação Ceilândia Centro do Metrô-DF, a exposição Chão Ancestral transforma o espaço urbano em galeria pública de 25 de julho a 25 de setembro. As fotografias de Walisson Braga, Luiz Alves e Webert da Cruz celebram os 279 anos do Quilombo Mesquita e conectam mobilidade, ancestralidade e território.

No dia 26 de julho, o Museu Nacional será tomado por projeções visuais ao ar livre, reforçando a presença estética e simbólica do Latinidades na cidade.

Se arte é território de disputa, este é um convite: venha ver, ouvir, sentir e mover com a gente!

Confira alguns destaques da programação:

Exposição Alumbramento
23 de julho a 23 de agosto
Museu Nacional da República
Curadoria: Nathalia Grilo

Exposição Chão Ancestral
25 de julho a 25 de setembro
Estação Ceilândia Centro (Metrô-DF)
Fotografias de Walisson Braga, Luiz Alves e Webert da Cruz

Mostra Cine Afrolatinas
30 e 31 de julho
Cine Brasília
Filmes dirigidos por mulheres negras do Brasil e da diáspora
Curadoria: Edileuza Penha e Ceiça Ferreira

Estreia do documentário “Bam Bam: The Sister Nancy Story”
Homenagem à pioneira do dancehall jamaicano
Tradução: Instituto Afrolatinas

Lançamento do livro Empoderadas (versão em espanhol)
31 de julho | Cine Brasília
Com Renata Martins e Juliana Vicente

Projeções visuais noturnas
26 de julho
Museu Nacional da República

Acesse www.latinidades.com.br para conferir a programação completa, e siga também no Instagram: @festivallatinidades

Akon City segue de pé! Cantor nega cancelamento de cidade futurista inspirada em Wakanda, no Senegal

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Fotos: Divulgação

O cantor e empresário Akon afirmou que sua cidade futurista, conhecida como a “Wakanda da vida real”, avaliada em US$ 6 bilhões e planejada para ser construída no Senegal, negou rumores de que o empreendimento teria sido cancelado e afirma que ela está sendo alvo de ataques.

“O projeto Akon City está sob ataque. O impacto que vai causar para a África abalou um monte de agendas. Então você vai ver muita desinformação na Internet”, disse o artista, em entrevista recente ao TMZ.

Apresentada em 2018, a “Akon City” foi anunciada com promessas de hospital, universidade e estruturas movidas a energia solar, em um terreno de 136 acres na cidade de Mbodiène, no Senegal. Até agora, apenas um campo de basquete e um centro de informação foram construídos.

Akon garante que a iniciativa segue em andamento e que não foi abandonada. “É impossível. É o meu propósito desenvolver a África, e esse projeto faz parte desse desenvolvimento”, declarou.

Para ele, os ataques ao projeto fazem parte de uma tentativa deliberada de desacreditar sua proposta. “Quando se está a fazer algo tão grande em África, especificamente com todas estas agendas ligadas a isso, eles têm de tentar desacreditá-lo para que isso não aconteça”, concluiu.

A lição imortal de Nelson Mandela 

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Foto: Divulgação

Imagine morar em um país onde a política de governo não oferece abertura de negociação para todos que não pertencem a determinada raça, e ainda responde a qualquer tentativa através do uso da força. Pois era esse o contexto em que emergiu a liderança política de Nelson Mandela, cuja celebração da memória ocorre no dia 18 de julho (Dia Internacional Nelson Mandela), mesma data de seu nascimento.

Nascido na aldeia de Mvezo no Transkei, África do Sul, em 1918, Nelson Mandela teve uma trajetória impactante e inspiradora, caracterizada pela coragem, resiliência e perseverança. O Partido Purificado alcançou o poder do país em 1948, e naquele momento iniciou as políticas de segregação racial, conhecidas como Apartheid. Os negros e brancos deveriam conviver separados, independentemente dos lugares em que estivessem. Escolas, banheiros públicos, assentos nos transportes, nas praças públicas, bebedouros, todos deveriam ser separados. Os casamentos inter-raciais eram proibidos. A circulação da população negra estava submetida a controle, tanto no perímetro quanto horário, entre outras medidas. Embora o prejuízo era somente da população negra, os brancos continuavam gozando de um elenco de privilégios.

Paralelo a essas situações, Mandela se tornava uma importante liderança política no meio dos estudantes e ativistas políticos. Ele era estudante de Direito na Universidade de Fort Hare, e participava de organizações que se articulavam para enfrentar a segregação racial. Mas quando ingressou no Conselho Nacional Africano (CNA) se projetou e tornou-se conhecido nacionalmente. O CNA passou de instituição de caráter burocrático, emissão de petições, e assumiu a luta armada contra o governo. Nelson Mandela e seus companheiros passaram a atuar na clandestinidade. O governo do Apartheid não permitia diálogo, era tudo a base da truculência, tanto que teve o trágico episódio conhecido como Massacre de Shaperville. Os policiais sul-africanos assassinaram dezenas de pessoas negras durante um protesto pelo direito de ir e vir sem restrição.

Convulsões explodiram pelo país, e mesmo assim o governo não parava com a violência. Mandela foi encarcerado e condenado à prisão perpétua pelo crime de terrorismo. Ainda assim, a sua esperança se manteve inabalável em meio a todas essas adversidades. Um governo racista e uma pena que teria que cumprir para o resto da sua vida. Do lado de fora do presídio, a população ao redor do mundo se mobilizava exigindo que o governo libertasse o famoso preso. Era inaceitável aquele regime de segregação e a prisão de alguém que se opunha àquela política.

Para os pessimistas, o improvável aconteceu. Muitas negociações ocorreram. Em 1990, após vinte e sete anos encarcerado, Nelson Mandela foi solto. Aboliram o Apartheid e o herói sul-africano se tornou presidente da África do Sul. Obviamente, acabou sendo agraciado com o prêmio Nobel da Paz. Portanto, a lição para nós, vítimas sistemáticas do racismo brasileiro, é que não podemos em hipótese alguma perder as esperanças. Lembremos sempre da história de Nelson Mandela.

Gastronomia & Ancestralidade: saberes que alimentam o presente e constroem o futuro

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Patty Durães (Foto: Itaú Cultural/Mandabusca)

Para falar de comida e ancestralidade para um público de afroempreendedores, não poderia deixar de voltar alguns anos na história do Brasil, onde as raízes desse nicho específico de empreendedorismo residem. Anos? Não, séculos. Precisamos falar das “escravas de ganho”, as “ganhadeiras” ou “negras de tabuleiro” dos séculos XVIII e XIX. Mulheres escravizadas, algumas libertas, que saíam às ruas do Rio de Janeiro, Salvador, São Luís do Maranhão e outras cidades com seus cestos, balaios e tabuleiros vendendo toda sorte de quitutes. Para as que ainda não tinham sido alforriadas, parte do ganho de suas vendas era destinado aos seus senhores, que podiam viver do ócio graças à desenvoltura de suas serviçais. Já as libertas eram donas de seus ganhos e, com isso, garantiam o sustento de suas famílias, a compra de alforrias e de bens como joias e, futuramente, imóveis.

É praticamente impossível citar todos os seus nomes, mas uma delas é notável: Tia Ciata, Hilária Batista de Almeida. Uma mulher baiana que, perseguida por policiais, teve que se mudar para o Rio de Janeiro, onde, com seus quitutes, exerceu forte influência na sociedade negra, comprou um imóvel que era ponto de encontro do movimento político, porto seguro para encontros musicais e onde foi gravado o primeiro samba brasileiro. Você imaginava que vender manjares, cocadas, bolos e acarajés nas ruas, no período colonial, poderia gerar tamanha revolução num sistema escravista?

Essas histórias estão registradas em alguns livros e também podemos conhecer parte dessas mulheres no acervo permanente do Museu Afro Brasil Emanoel Araújo, localizado em São Paulo. Essa visita é obrigatória e fundamental para todos nós. Se hoje milhares de mulheres empreendem na área da alimentação, é porque somos herança direta dessa fonte. Trago esse fato histórico para que a gente não se esqueça e para que sintamos orgulho do que nos constitui e nos faz empresárias, confeiteiras, cozinheiras, chefs de cozinha, assistentes, merendeiras, padeiras, quituteiras…

Outra informação que não pode ser deixada de lado é a existência brilhante de Benê Ricardo, que, nos anos 1980, foi a primeira mulher (você leu bem: mulher, e não mulher negra) a se formar numa graduação em gastronomia e a primeira a chefiar uma cozinha profissional de hotel cinco estrelas. Ela foi pioneira de verdade e deixou para nós um legado sem precedentes!

Lá nos Estados Unidos, também temos dois exemplos importantes: Lena Richard, autora de livros de cozinha e chef que apresentou um programa de televisão em Nova Orleans nos idos de 1940. Sabe a famosa cozinheira Julia Child? Ela estreou seu programa vinte anos depois de Lena Richard. E o primeiro chef de cozinha norte-americano foi James Hemings, um negro nascido escravo em 1765 e que foi chef do terceiro presidente dos Estados Unidos, Thomas Jefferson.

Dito isso, a ancestralidade é uma riqueza e nós precisamos beber nessa fonte. Mas, para mim, ela não é algo que ficou preso lá no passado; é algo que nos permeia, que corre muito viva em nossas veias a todo momento. A nossa ancestralidade pulsa, como querendo dizer: estou aqui com você. Olha para mim, me reconhece, lembra de mim, deixa eu ir junto com você nesse caminho do empreendedorismo gastronômico.

Sabemos que os caminhos nem sempre são fáceis, muitas vezes são tortuosos. Mas a capacitação é ferramenta fundamental para que as pedras do caminho sejam retiradas uma a uma, para que a tal da luz surja no tal do fim do túnel e que nosso jeito único de empreender seja finalmente encontrado. Tem quem faz assim, tem quem faz assado e tem quem não faz. Então, se você segue trabalhando, acreditando nos seus sonhos, estudando, aprendendo novas tecnologias, aprimorando o seu negócio, você está de parabéns e tem o nosso apoio.

A comida brasileira é afroindígena e muito do que comemos hoje é herança direta dos nossos antepassados. Para te inspirar, te conto que alimentos como o quiabo, o feijão fradinho, a melancia, o café, o inhame, o dendê, a pimenta malagueta e outros são de origem africana e vieram para estas terras durante as rotas transatlânticas. A fermentação de grãos e frutas é uma descoberta egípcia e, se o mundo todo come pão, bebe cerveja e vinho, é graças aos nossos antepassados mais distantes.

Eu sou pesquisadora de culturas alimentares e encontrei um jeito todo meu de fazer da casa e dos hábitos das mesas brasileiras o meu delicioso objeto de estudo. Uso a comida como desculpa para falar de tantos outros assuntos. Porque comer é um ato biológico, mas a comida é muito mais. Ela é ferramenta de comunicação, ato político e instrumento de transformação social. Eu vejo essa transformação acontecendo a todo momento. E te convido a enxergar a revolução que a comida também fez, faz e fará na sua vida. Então, recupera o caderno de receitas da sua família, tira o pilão do fundo do armário, respira bem fundo, enche o seu peito de ar e de autoestima e mãos à obra. Tem muita gente lá fora querendo comprar a sua comida e os seus serviços, vende bem o seu peixe! Ou a sua moqueca, bolo ou geleia. Estamos aqui para te aplaudir.


Texto: Patty Durães [@patty.duraes]. Pesquisadora de culturas alimentares, especializada na influência das heranças afrodiaspóricas na culinária brasileira. Com experiência em instituições como SESC, MASP e SENAC e Sebrae, ela é autora do curso “Muito Além da Boca” na plataforma EAD da Fundação Itaú, foi curadora da primeira edição do Menu Cultural em 2024. TEDX speaker e professora convidada na Dillard University, em New Orleans, também em 2024. Patty pesquisa projetos editoriais para a Cia das Letras e assina a pesquisa de personagens da série Coisas Daqui, para a Globo Minas e GNT. É professora de Festas Tradicionais Populares, Hospitalidade e Turismo gastronômico na pós-graduação em comida brasileira da faculdade de gastronomia do SENAC Santo Amaro e no Instagram, compartilha suas experiências e pesquisas.

Esse conteúdo é fruto de uma parceria entre Mundo Negro e Feira Preta.

Filha de Arlindo Cruz lamenta notícias desrespeitosas sobre o pai e pede respeito: “segue vivo”

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Foto: Reprodução

Flora Cruz, filha do cantor e compositor Arlindo Cruz, se manifestou nas redes sociais nesta quarta-feira (16) para rebater informações falsas sobre o estado de saúde do pai, que está internado no Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital Barra D’Or, na zona oeste do Rio de Janeiro, desde o dia 29 de abril.

O sambista, que enfrenta sequelas de um AVC sofrido em 2017, foi hospitalizado com um quadro grave de pneumonia e, segundo a família, desenvolveu recentemente uma infecção por bactéria resistente. Apesar da gravidade, o quadro clínico é considerado estável.

Flora criticou a disseminação de conteúdos antigos e descontextualizados, muitos deles baseados em trechos da biografia. “Em nome de todos os familiares, amigos e principalmente em meu nome, como filha do Arlindo Cruz, gostaria de pedir respeito perante o momento que todos nós estamos vivendo. Meu pai segue internado, estável, sendo bem atendido e cuidado por toda equipe médica. Arlindo segue VIVO! Quanto a matérias com inverdades proferidas, muitas falas são baseadas em trechos que dizem respeito de momentos passados, que estão contidos na sua biografia, ‘O Sambista Perfeito’”, escreveu ela no Instagram.

A influenciadora também afirmou que entrevistas concedidas por sua mãe, Babi Cruz, esposa do cantor, vêm sendo compartilhadas como se fossem atuais. Segundo ela, as falas fazem parte de relatos antigos publicados no livro biográfico de Arlindo.

Flora disse ainda que as redes sociais serão o canal oficial de comunicação da família para futuras atualizações sobre o quadro de saúde do artista. “Qualquer atualização, será realizada por aqui e pelas redes do meu pai. No mais, gostaria apenas de reiterar e implorar por respeito”, concluiu.

Licenciamento aprovado: o Brasil legaliza o racismo ambiental

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Agência Pública

A aprovação do novo marco do Licenciamento Ambiental pela Câmara dos Deputados representa um dos maiores retrocessos socioambientais da década — e seus impactos não serão distribuídos de forma igualitária. Esse projeto de lei, travestido de modernização, abre brechas graves para a dispensa de avaliação de impacto ambiental em empreendimentos de alto risco. Em um país marcado por desigualdades estruturais, é urgente nomear: trata-se também da oficialização do racismo ambiental como política de Estado.

Racismo ambiental é quando populações negras, indígenas e periféricas são as mais afetadas pelas decisões que destroem o meio ambiente, mas as menos ouvidas nos processos de decisão. É quando o desenvolvimento é autorizado em territórios onde o Estado historicamente só chega com abandono, ausência de serviços públicos ou repressão. É quando a floresta cai, o rio seca e a conta recai, mais uma vez, sobre quem tem menos recursos para se proteger.

O novo texto aprovado flexibiliza o licenciamento a ponto de permitir que empresas façam autodeclarações em vez de estudos técnicos. Dispensa audiências públicas em determinados casos. E classifica como “baixo impacto” atividades que, na prática, podem causar desmatamentos, poluição e expulsão de comunidades inteiras de seus territórios.

Não é só sobre burocracia. É sobre justiça.

Quando o Estado abre mão de sua responsabilidade de fiscalizar, quem perde não são os grandes empreendedores — são os animais silvestres, que perdem seu habitat, são os povos tradicionais, empurrados à margem, e são as periferias urbanas, que verão os efeitos da degradação ambiental no preço dos alimentos, na escassez de água potável, no aumento das zoonoses e da insegurança climática.

Não há como defender os animais sem defender os territórios onde eles vivem. E não há como falar em defesa ambiental sem enfrentar o racismo estrutural que orienta as prioridades políticas e econômicas do país.

A aprovação desse projeto revela também a urgência de mais diversidade e representatividade nos espaços de decisão. Onde estavam as vozes negras e indígenas quando se decidiu o futuro das florestas e dos rios? Quando a política ignora quem mais sofre os impactos de suas decisões, ela se torna cúmplice da injustiça.

Mas este não é um ponto final. É um chamado.

Precisamos fortalecer as redes de mobilização, ocupar espaços de poder, articular movimentos e transformar indignação em ação política. Porque proteger o meio ambiente também é lutar contra o racismo. Porque defender os animais também é defender os povos e comunidades tradicionais e seu modo de vida. E porque a vida, em todas as suas formas, precisa estar no centro das decisões.

Priscilla Arantes é jornalista, especialista em comunicação de impacto, colunista do site Mundo Negro e coordenadora de projetos de advocacy voltados para justiça racial, ambiental e direitos humanos.
Natalia Figueiredo é gerente de políticas públicas da Proteção Animal Mundial Brasil. Atua com advocacy socioambiental, políticas públicas para o bem-estar animal e integração entre justiça climática e direitos das comunidades tradicionais.

Curso forma doulas pretas, indígenas e afroindígenas com saberes técnicos e ancestrais

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Foto: Divulgação

Com o objetivo de enfrentar o racismo e a violência obstétrica nos serviços de saúde, a formação “Doulas Ikunle – Acolhimento Ancestral” anuncia a sua primeira turma pensada por e para mulheres pretas, indígenas e afroindígenas. O curso une ciência e tradição para fortalecer o cuidado perinatal em territórios urbanos, rurais e comunitários.

Idealizado pelas doulas Alice Vitória e Mariana Borges, a formação começa no dia 31 de julho, data em que se celebra o Dia Internacional da Mulher Africana. O Ikunle tem a proposta de formar mulheres racializadas que desejam atuar de forma ética, segura e conectada com seus saberes no acompanhamento de gestantes, partos e puerpérios.

A jornada formativa inclui certificação de até 280 horas. São 31 aulas online ao vivo, uma imersão presencial de 4 dias na Kasa de Maat (RJ) e mentoria com estágio supervisionado. As participantes aprendem com um corpo docente formado por parteiras tradicionais, enfermeiras obstetras, psicólogas, fisioterapeutas e lideranças espirituais — todas pretas e indígenas —, oferecendo uma experiência profunda de aprendizado, acolhimento e cura coletiva.

“Eu vejo o curso de formação para Doulas Negras como um território de partilha, cuidado e construção coletiva. Um espaço feito por nós e para as nossas, onde valorizamos os saberes ancestrais e as práticas baseadas em evidências científicas. Aqui, reafirmamos o poder da comunidade no acolhimento das nossas histórias, dos nossos corpos e dos nossos nascimentos”, destaca Mariana, doula, coordenadora, docente e mentora da formação.

A formação também abre espaço para práticas tradicionais como o uso de ervas, rebozo, massagens, ginecologia natural, medicina chinesa e rituais ancestrais. O objetivo é promover uma formação integral, que reconhece a sabedoria de quem historicamente sempre cuidou, mas nem sempre foi valorizada como profissional.

Além de combater o racismo estrutural na saúde, o Ikunle atua na redução da mortalidade materna e infantil e fortalece redes comunitárias de cuidado. Para ampliar o acesso, a organização ofereceu bolsas para mulheres quilombolas, indígenas, periféricas e assentadas.

“O Curso de Formação de Doulas Ikunle é uma iniciativa revolucionária, concebida por e para mulheres negras e indígenas — aquelas que mais sofrem com a violência obstétrica e lideram as estatísticas de mortalidade materna no Brasil. Para além desse gesto curador de transformar nossos maiores desafios em fonte de potência, o curso coloca os saberes ancestrais do partejar africano como parte fundamental do conhecimento, promovendo um encontro entre tradição e ciência. Assim, fortalece-se a união entre o conhecimento científico atualizado e o resgate da subjetividade feminina como um elemento essencial no ciclo gravídico-puerperal”, afirma Laís, aluna afroindígena, mãe e assentada do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).

Houve uma seleção de bolsas para mulheres quilombolas, indígenas, periféricas e assentadas, garantindo acesso à formação e ampliando o impacto nas comunidades, mas já foi encerrada. 

As inscrições estão abertas pelo Sympla, com valores a partir de R$65.

Lázaro Ramos homenageia Ruth de Souza com o livro ‘A Rainha da Rua Paissandu’

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Foto: Bob Paulino/Globo e Leo Martins / Agência O Globo

Lázaro Ramos transformou seus dias ao lado de Ruth de Souza em uma emocionante homenagem literária no livro ‘A Rainha da Rua Paissandu’. A obra celebra a primeira grande dama negra da dramaturgia brasileira, que se tornou a primeira atriz negra a atuar no Theatro Municipal do Rio de Janeiro e a primeira brasileira a ser indicada a um prêmio internacional de cinema. Ruth tem sua trajetória contada por quem se reconhece como parte do caminho que ela abriu para artistas negros no Brasil.

Nascida em um subúrbio do Rio de Janeiro, Ruth de Souza morou por alguns anos em Minas Gerais, mas voltou à capital carioca após a morte do pai. Ainda muito jovem começou a atuar em peças e, com pouco mais de 20 anos, entrou no Teatro Experimental do Negro, grupo que abriu caminho para os artistas negros no Brasil. Esta e tantas outras histórias a própria Ruth — ou Dona Ruth, como era carinhosamente chamada — conta neste livro, como contou a Lázaro Ramos pouco antes de falecer, aos 98 anos.

Lázaro, que em sua trajetória como artista sempre se sentiu na obrigação de continuar desbravando o caminho aberto por Ruth de Souza, faz jus a essa grande mulher ao traduzir literariamente, com muita sensibilidade, as palavras dela. “No seu tempo e espaço e na cadência do seu ser.”

Com delicadeza, valendo-se das múltiplas possibilidades do texto dramatúrgico, Lázaro lança luz não só sobre a vida da dama do teatro e do cinema nacionais, como também sobre a participação da memória e dos afetos na construção das nossas histórias. Misto de peça, memórias e tributo, A Rainha da rua Paissandu, reúne fotografias, ilustrações inéditas e farta pesquisa para contar a vida de Ruth de Souza.

Publicado pela editora Intrínseca, o livro impresso custa R$ 69,90. O e-book: 34,90.

“ABC do Amor”: Renato Noguera lança dicionário com a reimaginação do afeto como potência política

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Foto: Marcelo Hallit

Referência no pensamento afro centrado, o filósofo e professor Renato Noguera convida o público a repensar o amor como força transformadora em seu novo livro, ‘ABC do amor – O que a poesia e a filosofia têm a dizer sobre os afetos’. A obra propõe um exercício de letramento afetivo, reunindo ensaios curtos sobre 103 palavras e expressões que atravessam as muitas formas de experienciar o amor, compreendendo-o como potência política e ato coletivo.

Inspirado na tradição dos griots — contadores de histórias da ancestralidade africana que transmitem sabedoria por meio da oralidade — Noguera constrói uma escrita acessível e profunda, que entrelaça pensamento filosófico, espiritualidade, poesia e vivência. Ao trazer termos como “Abraço”, “Alegria”, “Afeto”, “Amor como ato político”, “Amor-próprio”, “Amizade” e “Agamia”, o autor desenha uma cartografia dos afetos que convida à escuta, ao cuidado e à responsabilidade emocional.

A base teórica do livro passeia por diferentes matrizes do saber, articulando nomes como Espinosa, Platão, bell hooks, Sobonfu Somé e Nêgo Bispo. Nesse encontro de cosmopercepções ocidentais, afrodiaspóricas e indígenas, o amor aparece como tecnologia ancestral, como ferramenta de conexão e como impulso para o Bem Viver.

Para Noguera, publicar o livro é um gesto de partilha: “Publicar este livro é um sonho com os olhos abertos! Porque eu sempre quis adubar sorrisos solares dos afetos (incluindo os sombrios), compartilhando o desejo de saber o que sinto diante do tumulto do mundo”. O resultado é uma obra que não se limita a definir o amor, mas o reconhece em sua complexidade, em sua beleza e em sua capacidade de mover mundos.

No verbete “Abraço”, por exemplo, ele escreve que “entre Kemet, Kama Sutra e Umbanda, o abraço emerge como tecnologia ancestral de aproximação e reconexão. (…) O ato de abraçar está entre os afetos onde tudo cabe – do arrepio ao alívio, do calor do toque ao silêncio do amparo, do tesão ao compadrio”. Já em “Agamia”, é apresentado a “dinâmica amorosa que valoriza a solitude — estar bem sozinho. (…) A escolha consciente de viver fora do script de formar par”.

Lançamento e celebrações

O lançamento marca também três celebrações importantes para o autor: o dia do seu aniversário, os 18 anos de sua trajetória como escritor e a chegada de mais uma obra que une filosofia e poesia a serviço do afeto. A comemoração acontece no dia 18 de julho, no Cortiço Carioca, na Lapa (RJ), a partir das 18h, com música, roda de samba com a cantora Ana Bispo e encontro com leitores, parceiros e amigos.

Depois do lançamento no Rio de Janeiro, Renato Noguera participa da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), onde fará a abertura da Casa Poéticas Negras e integrará debates e mesas na Estante Virtual e na Casa Libre, entre os dias 30 de julho e 1º de agosto.

SERVIÇO

Eventos de lançamento do livro ‘ABC do Amor’

Dia: 18 de julho, sexta-feira, às 18h
Local: Cortiço Carioca – Rua Joaquim Silva, 105 – Lapa, RJ

Lançamento em Paraty (RJ) / FLIP 2025

30/7 – 19h30 – Abertura Casa Poeticas Negras  – ABC do amor: ancestralidade e letramento afetivo

31/7 – 10h – Estante Virtual – Renato Noguera e Daniel Dornelas       

31/7  – 13h30 – Casa Libre – Palavras de cuidado e de luto com Cynthia Araújo, Daniel Dornellas e Renato Noguera

31/7 – 19h30 – Casa   Poéticas Negras – Quando a palavra cura: racismo, saúde  Henrique Marques Samym, Elisa Mattos e Renato Noguera.

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