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Cinema Brasileiro: 16 longas estão habilitados a concorrer a uma vaga no Oscar 2026

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Foto: reprodução

A Academia Brasileira de Cinema anunciou nesta quinta-feira (14 de agosto) os 16 longas-metragens habilitados a concorrer a uma vaga na categoria Melhor Filme Internacional no Oscar 2026. Entre os habilitados estão títulos que destacam a cultura negra, a música e histórias de resistência no Brasil, como A Melhor Mãe do Mundo, Baby, Kasa Branca, Milton Bituca Nascimento e Oeste Outra Vez.

As reuniões da Comissão de Seleção acontecerão em duas etapas: no dia 08 de setembro de 2025 será feita a pré-seleção de seis títulos entre os habilitados, e no dia 15 de setembro de 2025 ocorrerá a reunião final para a escolha do filme que representará o Brasil na disputa por uma vaga na categoria Melhor Filme Internacional, sendo o título escolhido divulgado por meio de release para a imprensa e nas redes sociais da Academia Brasileira de Cinema.

A Melhor Mãe do Mundo

Direção: Anna Muylaert
Produção: Galeria Distribuidora
Sinopse: Para fugir da violência do marido, a recicladora Gal coloca os filhos pequenos, Rihanna e Benin, em sua carroça e atravessa São Paulo rumo à casa da prima. No caminho, enfrenta os perigos da cidade enquanto convence as crianças de que estão vivendo uma grande aventura.

Baby

Direção: Marcelo Caetano
Produção: Cup Filmes, Desbun Filmes e Plateau Produções
Sinopse: Wellington, de 18 anos, é liberado de um centro de detenção juvenil e se vê sozinho e perdido nas ruas de São Paulo. Ele conhece Ronaldo, um homem mais velho que ensina novas formas de sobrevivência. Aos poucos, a relação entre eles se transforma em uma paixão conflituosa.

Kasa Branca

Direção: Luciano Vidigal
Produção: Sobretudo Produção, TvZero, Tacacá Filmes, Cavideo e Dualto
Sinopse: Dé, um adolescente negro da periferia da Chatuba, no Rio de Janeiro, recebe a notícia de que sua avó está na fase terminal do Alzheimer. Com a ajuda dos amigos Adrianim e Martins, ele enfrenta o mundo e aproveita os últimos dias de vida com ela.

Milton Bituca Nascimento

Direção: Flavia Moraes
Produção: Canal Azul, Nascimento Música e Gullane
Sinopse: Documentário que acompanha a turnê de despedida de Milton Nascimento, explorando a simplicidade e a complexidade de sua obra e a alma brasileira por meio da música.

Oeste Outra Vez

Direção: Erico Rassi
Produção: Sol a Pino Filmes, Vietnã Filmes e Rio Bravo Filmes
Sinopse: No sertão de Goiás, homens que não conseguem lidar com suas fragilidades são constantemente abandonados pelas mulheres que amam. Tristes e amargurados, eles acabam se voltando violentamente uns contra os outros.

MasterChef Celebridades terá Dodô, do Pixote, e John Drops no elenco

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Foto: Reprodução/Band

No início da semana, a Band divulgou a lista dos 12 participantes da primeira edição do MasterChef Celebridades, que terá entre os competidores Dodô, vocalista do grupo Pixote, e o influenciador digital John Drops. O reality, com estreia marcada para 18 de novembro, reúne personalidades da música, do esporte e do jornalismo em provas culinárias.

Além de Dodô e John Drops, o elenco inclui nomes como a cantora Valesca Popozuda, Gilmelândia, a dupla Hugo & Tiago, a jornalista Rachel Sheherazade e a medalhista olímpica Maurren Maggi. As gravações começam nesta quinta-feira (14), com desafios inspirados em edições anteriores do programa.

O trio de jurados será formado por Erick Jacquin, Helena Rizzo e Henrique Fogaça. A edição especial do reality busca atrair diferentes públicos, unindo fãs de música, esporte e jornalismo em torno da gastronomia.

O programa vai ao ar às 22h30, após a exibição da 12ª temporada regular do MasterChef, atualmente no ar. Além do troféu, os participantes concorrerão a prêmios que serão anunciados pela emissora nos próximos meses.

Laudo médico confirma diagnóstico de demência frontotemporal e afasia da apresentadora norte-americana Wendy Williams

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Foto: Getty Images

A tutela da ex-apresentadora Wendy Williams permanece em vigor após a conclusão de uma avaliação médica que confirmou seu diagnóstico de demência frontotemporal (DFT) e afasia, conforme documentos judiciais publicados na última quarta-feira (14) pela revista People.

A análise, que incluiu uma série de exames neurológicos e de imagem cerebral, foi concluída recentemente, mas o laudo completo não foi divulgado. De acordo com a publicação, Williams recebeu o diagnóstico inicial de DFT e afasia em 2023. Sabrina Morrissey, tutora legal de Williams desde maio de 2022, solicitou à Justiça a extensão da tutela por mais três meses, até 5 de novembro. No entanto, o processo enfrenta resistência de familiares e do ex-marido da apresentadora, Kevin Hunter, que questionam a legitimidade da tutela e a atuação de Morrissey.

A disputa judicial ganhou novos contornos após Williams ser levada a um hospital em março, após uma intervenção policial em sua casa de repouso. No dia seguinte, ela telefonou para o programa Good Day New York, afirmando ter passado por testes de competência mental e declarando-se “cognitivamente prejudicada”, mas capaz. “Passei com louvor!”, afirmou Williams na época, pedindo que sua cuidadora, Ginalia Monterrosa, explicasse a situação. Monterrosa, porém, afirmou que os exames confirmaram a incapacidade da apresentadora.

Batalha judicial e alegações de abuso

Em fevereiro de 2024, a equipe médica de Williams revelou publicamente seu diagnóstico de DFT e afasia progressiva. Desde então, Morrissey tem enfrentado desafios legais, incluindo um pedido de Hunter, em junho, para revisão da tutela.

Hunter moveu uma ação alegando que Williams é vítima de “abuso, negligência e fraudes financeiras” sob a tutela atual. O processo, que não busca o fim da medida, pede a nomeação de um novo tutor imparcial, acesso aos registros médicos e financeiros, e indenização de US$ 250 milhões por danos morais e financeiros.

“A tutela é uma morte civil”, afirma a denúncia, que cita mais de 28.000 adultos sob tutela em Nova York como potencialmente vulneráveis a abusos. LaShawn Thomas, advogado de Hunter, admitiu que Williams “não tem conhecimento total das evidências” que embasam a ação, mas prometeu “garantir que seus direitos sejam justificados”.

Disputa sobre documentário

O caso ganhou atenção adicional após a exibição do documentário Onde Está Wendy Williams?, no Lifetime, em 2023. Morrissey tentou bloquear a veiculação, alegando que a apresentadora não tinha capacidade legal para autorizar o projeto.

Williams, que já comandou um dos talk shows mais populares dos EUA, segue afastada da TV. Seu último pronunciamento público foi em fevereiro, quando negou estar “incapacitada” durante entrevista ao The Breakfast Club. Horas depois, Morrissey solicitou uma nova avaliação médica.

O tribunal deve decidir em breve sobre a extensão da tutela e os próximos passos no litígio.

Barbie lança boneca em homenagem a Venus Williams para celebrar igualdade de gênero no tênis

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Foto: Reprodução/Mattel

A fabricante de brinquedos Mattel lança na próxima quinta-feira (15) uma nova boneca da linha Barbie Mulheres Inspiradoras, desta vez em homenagem à tenista norte-americana Venus Williams, sete vezes campeã de Grand Slams e uma das principais vozes na defesa da equidade de gênero no esporte.

A edição especial reproduz o visual usado por Williams ao vencer Wimbledon em 2007 , ano em que o torneio, pressionado por ela e por sua irmã Serena, igualou os prêmios em dinheiro para homens e mulheres. A boneca veste um vestido branco e detalhes em dourado, além de trazer raquete e tênis de competição.

A embalagem inclui uma das frases mais conhecidas da atleta: “Você tem que acreditar em si mesma, mesmo quando ninguém mais acredita. Isso já te faz uma vencedora”. Em comunicado, Venus afirmou que a homenagem dialoga com sua trajetória: “Minha carreira sempre foi sobre quebrar barreiras e ser autêntica. A missão da Barbie, de inspirar meninas, se conecta com isso. É uma honra ser um modelo para as próximas gerações”, disse.

O modelo, voltado para colecionadores, custará US$ 38 (cerca de R$ 210) e chegará às lojas físicas e online dos EUA a partir desta quinta. No Brasil, a Mattel ainda não confirmou se o item será distribuído.

A linha Mulheres Inspiradoras já homenageou personalidades como a artista mexicana Frida Kahlo, a astronauta Sally Ride e a ativista e escritora Maya Angelou. Venus Williams é a primeira tenista a receber a honraria.

Teyana Taylor fala sobre relacionamento com Aaron Pierre: ‘um dos melhores sentimentos que já tive’

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Foto: Reprodução/Getty

Em processo de divulgação de seu novo álbum, Escape Room, Teyana Taylor, previsto para chegar às plataformas digitais em 22 de agosto, a artista também tem falado sobre seu relacionamento com o ator britânico Aaron Pierre. Durante entrevista para a rádio HOT 97, ela falou sobre a decisão de manter seu relacionamento longe dos holofotes.

Questionada pela apresentadora Nessa se Pierre era seu namorado, Taylor evitou rótulos, mas deixou claro que o romance é especial. “Acho que esse novo mundo não é gentil e é uma loucura”, justificou. “O que eu e o Aaron temos é muito saudável, muito gentil, muito macio, muito doce, muito acolhedor, e é uma das melhores sensações que já tive. O mais importante é que é muito seguro”, afirmou.

A cantora, que finalizou o divórcio do ex-jogador da NBA Iman Shumpert em julho de 2024 após um término conturbado, destacou a importância de proteger o novo relacionamento. “Não quero que nos roubem isso. Ele é tão especial para mim, e sou muito grata por tê-lo em minha vida”, afirmou, referindo-se a Pierre, conhecido por interpretar Mufasa no remake de O Rei Leão (2019).

Apesar da discrição, os dois não passam despercebidos. Em março de 2025, Taylor reafirmou o namoro ao postar fotos do Oscar em que eles posavam como um casal “à la James Bond”. Desde então, Pierre tem aparecido ao lado da artista em eventos como o BET Awards, onde foi clicado nos bastidores com Taylor e suas filhas, Junie e Rose Rue.

Enquanto se prepara para o lançamento do álbum, no qual promete explorar temas como cura e autodescoberta, Taylor parece estar vivendo um momento de paz. E, desta vez, longe dos holofotes excessivos. “Sou grata por ele e por tudo que vem com ele”, repetiu, enfática. “E por tudo.”

Lázaro Ramos volta a ter contrato fixo de longo prazo com a Globo

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A Globo reassinou um contrato de longa duração com o ator Lázaro Ramos, rompendo a política interna adotada nos últimos anos de priorizar vínculos por obra. O acordo foi fechado na última sexta-feira (8), segundo informações da coluna Play, do jornal O Globo.

De acordo com a publicação, Lázaro, que havia deixado a emissora no fim de 2021 para se transferir para a Amazon, já está confirmado em dois projetos: a novela das 19h “Coração Acelerado”, onde interpretará um empresário, e a terceira temporada da série “Os Outros” (Globoplay), formando um triângulo amoroso com personagens de Mariana Lima e Adriana Esteves.

Lázaro estreou na TV Globo em 2002, no programa “Brava Gente”, e consolidou-se como ator em novelas como “Cobras & Lagartos” (2006), onde ganhou notoriedade como Foguinho, e “Lado a Lado” (2012). Seu último trabalho fixo antes da saída foi na série “Aruanas” (2019). Na Amazon, dirigiu o longa “Um Ano Inesquecível – Outono” (2023) e atuou em produções como “5x Comédia” (2024). Seu retorno à Globo ocorreu em 2023, inicialmente por obra, no remake de “Elas por Elas”.

Em 2022, o ator justificou sua saída da Globo dizendo estar “cansado de pedir” para ser incluído em projetos. “Troquei a Globo pela Amazon por estar um pouco cansado de pedir, como se eu fosse um pedinte, como se tivesse de implorar por algo que é poderoso, que são os nossos profissionais, a nossa história”, declarou na coletiva do filme “Medida Provisória” (2020).

Além da carreira na TV, Lázaro é escritor best-seller, com livros como “Na Minha Pele” (2017) e obras infantis, diretor e embaixador da UNICEF desde 2009. Na Globo, também apresentou o “Fantástico” entre 1998 e 2002. Agora, com contrato fixo novamente, o ator retoma uma relação de quase 20 anos com a emissora, marcada por personagens icônicos e projetos autorais.

Nutricionista Saulo Gonçalves explica como nutrição comportamental contribui para ‘reconstruir a relação com a alimentação’

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Foto: Reprodução/Instagram

A discussão sobre distúrbios alimentares e pressão estética tem ampliado a atenção para abordagens nutricionais menos rígidas e mais humanizadas. Dados apontam que mais de 80% das mulheres não estão satisfeitas com o próprio corpo, cenário que nutricionistas como Saulo Gonçalves atribuem a cobranças em ambientes de trabalho, familiares e redes sociais.

É nesse contexto que a nutrição comportamental surge como alternativa, focada em reconstruir a relação com a alimentação sem culpa ou padrões irreais. “Ela não se limita a prescrever dietas, mas busca compreender a história alimentar, os gatilhos emocionais e as crenças que cada pessoa carrega sobre si mesma e sobre o próprio corpo. O foco deixa de ser ‘atingir um padrão’ e passa a ser reconstruir a relação com a alimentação e o próprio corpo de forma saudável e duradoura”, explica Gonçalves em entrevista para a jornalista Silvia Nascimento.

O especialista explica que “com uma abordagem humanizada, individualizada e livre de rótulos, é possível abandonar a lógica da punição e construir uma vida onde comer seja um ato de prazer e cuidado”, detalha o nutricionista, que busca com o método combater vieses em atendimentos a grupos como pessoas trans e negras, historicamente submetidas a preconceitos em consultórios. Na prática, a nutrição comportamental considera as características únicas de cada paciente, adaptando-se às suas necessidades e adotando mudanças graduais.

“Demonizar alimentos só gera frustração. É preciso trabalhar a autonomia, não o medo”, diz Saulo Gonçalves. “Traumas alimentares muitas vezes começam com abordagens agressivas no passado. A nutrição comportamental tenta reverter isso, mostrando que comer deve ser um ato de cuidado, não de controle”, completa.

Executiva e ativista Adriana Alves lança “O manual da empresa antirracista”

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Foto: Reprodução/Instagram

A executiva, empreendedora e ativista Adriana Alves, reconhecida por seu trabalho em cultura organizacional, inclusão e reputação corporativa, estreia na literatura com o livro O manual da empresa antirracista, publicado pelo selo Planeta Estratégia, da Editora Planeta. A obra reúne mais de 25 anos de experiência da autora no mundo empresarial e se propõe a ser um guia prático para líderes e gestores que buscam transformar discursos em ações efetivas contra o racismo.

Com base em dados e em sua trajetória profissional, Adriana Alves argumenta que um ambiente verdadeiramente inclusivo não se limita a celebrações pontuais, mas deve ser construído no cotidiano das organizações. O livro aborda desde a definição e os impactos do racismo na sociedade e nas empresas até estratégias concretas para combatê-lo. A autora ressalta que, embora o foco seja a população preta e parda, as práticas excludentes também afetam outras minorias, como indígenas e a comunidade LGBTQIAPN+.

“Este livro é um convite para que lideranças e empresas abracem a complexidade da luta antirracista, compreendendo que a verdadeira transformação vai muito além de boas intenções”, escreve Alves na obra. “É uma mudança que exige ação consciente, contínua e comprometida.”

Sem recorrer a teorias excessivamente complexas ou promessas vagas, O manual da empresa antirracista apresenta um passo a passo para empresas que desejam criar ambientes mais justos e produtivos. A autora defende que a inclusão deve ser tratada como uma estratégia essencial, e não apenas como um tema a ser debatido.

Casa Cor vira ‘Casa Grande Cor’ com novas denúncias de racismo e condições precárias em São Paulo

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Trabalhadores negros denunciam racismo, segregação e condições precárias nos bastidores da principal mostra de arquitetura das Américas, que passa por São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro.

O apelido não nasceu por acaso. Casa Grande Cor foi como alguns trabalhadores negros passaram a se referir à edição da CASACOR realizada em São Paulo entre 27 de maio e 3 de agosto de 2025. No momento, a mostra está em cartaz em Brasília, de 13 de agosto a 12 de outubro de 2025, na Casa do Candango, e seguirá depois para o Rio de Janeiro, onde será realizada de 9 de setembro a 26 de outubro de 2025, no Fashion Mall, em São Conrado. O contraste entre o luxo, a sofisticação e a criatividade exibidos nas áreas abertas ao público e a forma como recepcionistas negros eram tratados nos bastidores é o que sustenta a escolha do nome.

Por trás do sorriso e da simpatia que encantavam os visitantes, havia um cotidiano marcado por racismo, segregação e condições precárias. Os relatos obtidos pelo Mundo Negro apontam desde ofensas diretas até restrições de acesso a recursos básicos, como água potável e banheiros.

“Eu mesma vi um arquiteto pedindo para passar álcool no assento onde um visitante negro se sentou por poucos segundos, só para amarrar o cadarço. Assim que ele saiu, ela pediu a ‘higienização’ do lugar”, contou uma recepcionista.

Nem mesmo a repercussão do caso envolvendo o arquiteto Gabriel Rosa, que registrou uma visitante fazendo declarações racistas sobre cotas raciais, foi suficiente para impedir novos episódios. De visitantes a diretores e produtores, as situações narradas se repetem com diferentes protagonistas.

Banheiros segregados e espaços insalubres

Os banheiros destinados aos recepcionistas ficavam afastados e eram descritos como velhos e sujos, sem papel higiênico, sabonete ou tampas nos vasos. Enquanto isso, arquitetos e visitantes utilizavam instalações limpas e abastecidas.

“A sala de staff, que chamo de senzala contemporânea, tinha micro-ondas imundo, sem prato, puffs duros e armários quebrados. Só colocaram detergente para lavar marmitas nos últimos dias e nunca tivemos bucha”, relatou outro funcionário.

Água proibida

Entre os ambientes da mostra havia um espaço patrocinado por uma marca de louças e metais onde o público podia beber água gaseificada à vontade. Recepcionistas contam que foram proibidos de encher suas garrafas no local.

“Nem nisso pensaram na gente. Falávamos o dia todo e precisávamos sair do prédio e ir até a sala de staff para buscar água. Em dias cheios, essa ida e volta levava mais de 10 minutos”, disse um profissional.

Racismo velado e falta de acolhimento

As queixas não se limitam à infraestrutura. Diretores e produtores são apontados como os principais responsáveis por um clima hostil.

“Vários cumprimentavam com beijo os recepcionistas brancos, mas passavam direto pelos pretos, sem sequer dar bom dia. Não é carência, mas é um sinal de quem somos para eles”, afirmou uma trabalhadora.

Outro relato descreve queixas sobre o cabelo, filmagens sem autorização e tarefas humilhantes. “O arquiteto me deu uma escovinha de unha para eu limpar o tapete de todo o ambiente agachada. Era meu primeiro ano e eu tinha medo de ser descredenciada”, contou uma recepcionista.

Medo de represálias

O receio de perder o emprego ou ser vetado de futuras edições aparece em vários relatos.

“No último dia, recusei receber meu certificado porque achei uma palhaçada ver pretos anulados e racismo o tempo todo. A responsável se exaltou e disse ‘vai querer sair daqui assim mesmo?’. Entendi como uma ameaça de não me contratar no ano seguinte”, disse uma das entrevistadas.

“Nosso grande medo era que, até no último dia, qualquer atitude pudesse ser usada para nos descredenciar”, afirmou outra.

Falta de canais de denúncia eficazes

Apesar de a organização afirmar ter implementado um canal de ouvidoria, recepcionistas dizem que o recurso nunca existiu de fato.

“Desde o início, relatei o que acontecia, mas nada foi feito. Só foram me procurar depois que o caso do arquiteto Gabriel ganhou repercussão”, contou uma profissional.

Formas de contratação

A contratação variava entre arquitetos, agências e escritórios, quase sempre via MEI. Essa fragmentação, segundo especialistas, pode dificultar a responsabilização direta, mas não elimina o dever de garantir condições dignas e seguras de trabalho.

O que diz a lei

Para o advogado Hédio Silva, a CASACOR pode ser responsabilizada. “A empresa responde por qualquer violação à integridade psíquica, mental ou moral do prestador de serviço ou empregado. Ainda que não tenha diretamente causado a violência, ela é responsável e tem obrigação de prevenir a ocorrência de violência racial. Este é um caso em que não tenho dúvidas de que vai responder a uma ação indenizatória, porque são várias ofensas seguidas”, afirma.

Hédio lembra que eventos desse porte envolvem múltiplas empresas, mas isso não afasta a responsabilidade solidária de todas pelas condições de trabalho e eventuais práticas discriminatórias.

O posicionamento da CASACOR

Em nota ao Mundo Negro, a CASACOR afirmou que, assim que teve conhecimento da primeira denúncia, adotou providências imediatas, ofereceu suporte ao profissional envolvido e acompanhou a formalização da ocorrência junto às autoridades. A organização diz ter promovido sessões de escuta mediadas por uma psicóloga comportamental e reconhece que as situações relatadas “estão inseridas em um contexto de racismo estrutural que demanda acolhimento contínuo e comprometimento institucional”.

A CASACOR afirma ter criado um canal de ouvidoria, em processo de aprimoramento, e estar em fase de planejamento de novas medidas para ampliar e fortalecer protocolos de prevenção e atendimento a casos de assédio e discriminação. “Nosso compromisso é seguir construindo um ambiente cada vez mais respeitoso, acolhedor e representativo”, diz a nota.

As pessoas ouvidas pela reportagem negaram ter recebido qualquer tipo de acolhimento psicológico dos responsáveis pelo evento.

Tradição e inovação na beleza — Make para Negras: Angélica Silva revela tendências e inclusão no universo da beleza

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Foto: Angélica Silva

A maquiagem para mulheres negras sempre enfrentou desafios na indústria da beleza. Durante muito tempo, produtos específicos para tons de pele mais escuros foram escassos ou inexistentes, o que obrigava as mulheres negras a improvisar e adaptar produtos que não foram feitos pensando nelas. Esse cenário tem mudado aos poucos, impulsionado por profissionais que lutam por mais diversidade, inclusão e representatividade no mercado.

Um exemplo importante desse movimento é a maquiadora Angélica Silva, que vem conquistando espaço como uma das maiores especialistas em beleza para peles negras no Brasil. Com vasta experiência e uma atuação reconhecida nas redes sociais, Angélica é referência para quem busca dicas e técnicas que valorizam a beleza negra com autenticidade e respeito. Ela também assinou a direção de beleza do recente lançamento da Boca Rosa, ao lado de Bianca Andra, CEO da marca, e Luiz Cantu, expert em beleza.

Em entrevista exclusiva para o Mundo Negro, a beauty expert Angélica Silva compartilha suas reflexões e experiências sobre maquiagem para mulheres negras. Abordando temas que vão desde a importância do contorno labial até as tendências atuais de batons, Angélica traz um olhar profundo sobre como a indústria da beleza tem evoluído para incluir e valorizar a diversidade das peles negras.

Pergunta: O contorno labial tem raízes profundas na estética das mulheres negras, mas só recentemente voltou ao radar das tendências mainstream. Como você enxerga esse movimento e o que ele representa culturalmente?

Resposta de Angélica:
“O contorno labial, na verdade, nasceu de uma necessidade. A falta de acesso e investimento da indústria em produtos para peles escuras fez com que essas mulheres improvisassem em um contorno que valorizasse os batons que eram produzidos naquela época; era uma forma de adaptar o que era criado somente para mulheres brancas, para os lábios não ficarem acinzentados ou esbranquiçados por conta de todo pigmento branco que era colocado no cosmético. As mulheres pretas contornavam os lábios para adequar aquele tipo de produto ao seu tom de pele; tudo isso está mais ligado à questão de pertencimento.”

A beleza dos lábios naturalmente volumosos das mulheres negras é tema de muita conversa e ainda carrega tabus. Angélica destaca como as tendências se adaptaram e como o mercado começa a reconhecer essa estética de forma mais genuína.

Pergunta: Entre os produtos labiais que você testou nos últimos tempos, quais tendências realmente funcionam para os nossos lábios especialmente em quem tem lábios naturalmente volumosos? Ainda existem muitos tabus nesse tema?

Resposta de Angélica:
“Mulheres pretas se adaptam muito bem a todas as tendências atuais que carregam fortemente a estética que nós criamos e mantemos ainda hoje. Em um período dos anos 2000, contornar os lábios se tornou algo ‘cafona’ para quem ditava tendências. Os lábios coloridos foram chegando com força em tons arroxeados, vermelhos alaranjados e aquele rosa Danoninho que não valoriza em NADA a pele negra. Isso não impediu essas mulheres de se adaptar mais uma vez e fazer combinações para adaptar cada tonalidade. Eu escutei bastante na minha infância que mulheres negras, por ter a boca maior e mais volumosa, não ‘precisava’ de batom, com a desculpa de que o cosmético era somente para essa finalidade. Com o tempo entendi que, na verdade, quem não tinha boca grande não estava adepto a usar cores chamativas ou contornos labiais, um exemplo é o uso de preenchimentos labiais hoje na área estética. É quase obrigatório ter uma boca carnuda e preenchida. Mulheres negras investem em lip combos que acompanhem a tendência atual, mas em tons específicos pra elas.”

A durabilidade do batom é uma preocupação constante. Angélica compartilha dicas práticas para quem quer garantir um acabamento perfeito, seja com batons matte ou glossy.

Pergunta: Na prática, o que faz diferença para o batom durar mais nos lábios? Tem alguma dica ou truque que você usa pra manter a cor bonita mesmo depois de comer ou falar muito?

Resposta de Angélica:
“É uma questão de acabamento; se você gosta de durabilidade, vai optar por batons e lápis em acabamento matte que secam, não transferem e são à prova d’água. Se você gosta de um acabamento glossy, molhado e cheio de textura, vai precisar abrir mão da durabilidade e ter a noção de que o retoque vai ser necessário. O contorno pode ser o mais resistente possível, assim que entra em contato com balms hidratantes ou gloss que contêm óleos e hidratantes potentes, ele acaba diluindo e ficando mole. O ideal é combinar um lápis, como esse lançamento da Boca Rosa que se comporte bem com ambos os produtos, tanto matte quanto gloss, e pensar em qual estética está disposta a entregar.”

Ter mulheres negras na equipe de desenvolvimento de produtos e na criação de campanhas é essencial para que os lançamentos façam sentido e atendam às reais demandas desse público.

Pergunta: As colaborações entre influenciadoras negras e grandes marcas ainda são poucas, mas começam a ganhar força. O que significa pra você ter assinado a beleza de uma campanha nacional ao lado do Cantu?

Resposta de Angélica:
“Poder ver de perto a indústria realmente incluindo pessoas negras com certeza tem um diferencial pra tudo. Nada começa no produto final, o pertencimento começa na equipe que está desenvolvendo aquele produto e aquela campanha. E isso que fazem na Boca Rosa desde o início, com a inclusão de diversos tons de base sabe? É óbvio que, se você é uma CEO branca e não contrata pessoas pretas para sua empresa de beleza, você não vai ter noção de como funciona realmente esse mercado. Se, pra além de um produto, você faz questão de ter uma equipe diversa, você entende que empreender em beleza vai além de venda de produto. No caso de mulheres pretas que não tiveram acesso, isso significa pertencer. Não somos a minoria, queremos produtos feitos pensados em nós de verdade. Mulheres negras movimentam bilhões em consumo ao ano, mas elas aprenderam que o que não foi feito pra elas não merece o dinheiro delas e as marcas precisam se movimentar pra isso.”

A escolha das cores que mais combinam com diferentes subtons da pele negra pode transformar a experiência da maquiagem, elevando a autoestima e a expressão pessoal.

Pergunta:Na hora de escolher a cor do batom, muitas pessoas negras ainda têm receio de ousar. Que tons você acha que estão em alta e que valorizam a nossa diversidade de peles, subtons e estilos?

Resposta de Angélica:
“Eu bato na tecla do batom marrom há muuuuuuitos anos e realmente faço questão de direcionar produtos que realmente valem a pena o investimento. Na verdade, o batom marrom nada mais é do que o nude em peles negras, o que vai diferenciar é a tonalidade, intensidade e subtom. Você pode investir em batons com mais pigmento que não leva fundo branco, porque na hora da aplicação aquele fundo ressalta. Batons com fundos quentes mais fechados, como terracota, vinho, marrons profundos com um toque berinjela, marrons quentes numa pegada chocolate e até um roxo mais profundo, que nas peles negras revelam um rosado ideal e nesse lançamento de Boca Rosa, temos tons ideais para isso. Já tinha opções nesse estilo na primeira leva, mas agora temos outras novas cores para trazer ainda mais diversidade. Parece algo provável, mas consumir conteúdo de mulheres parecidas com você ajuda demais nessa questão. Geralmente, criadoras de conteúdo negras têm maior acesso a tonalidades, tendo em vista que as marcas direcionam seus produtos pela cartela de cor, isso facilita até numa escolha de base ou maquiagens em geral.”

Considerações finais

A entrevista com Angélica Silva evidencia como a maquiagem para mulheres negras vem ganhando cada vez mais espaço e reconhecimento no mercado da beleza. É possível perceber uma evolução real na oferta de produtos que atendem às necessidades específicas dessas peles, acompanhada de uma maior representatividade e inclusão nas equipes por trás das campanhas. Esse movimento fortalece não só a autoestima das mulheres negras, mas também transforma a indústria, tornando-a mais diversa, justa e conectada com a riqueza e potência da beleza preta.

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