Em um anúncio emocionante, a cantora e atriz, Larissa Luz contou que deixará o programa ‘Saia Justa’ do GNT em 2024. Em seu discurso de despedida, que aconteceu durante a transmissão do programa na última quarta-feira, 29, ela afirmou que não fará mais parte do quadro de apresentadoras e que deve seguir “para ser mais cantora, mais atriz e apresentadora em outras pistas. Navegar em outras praias”. Astrid Fontenelle também deixará o programa no ano que vem.
Larissa Luz, que estreou no ‘Saia Justa’ em março de 2022, deixará o time formado por Astrid Fontenelle, Bela Gil e Gabriela Prioli. Depois de se emocionar com o discurso de Astrid, a cantora destacou que levará o aprendizado que recebeu no período em que esteve no programa: “Mas a gente vai se ver por aí. Abrimos as portas para o futuro e suas surpresas mil. Levo aprendizado, gratidão. Tendo a certeza de que fui inteira e entreguei o melhor de mim. Eu abro espaço para quem for de vir e traçarei novos destinos. Levo comigo tudo o que aprendi e estarei assistindo, lembrando que um dia já fiz parte desse importante portal em forma de sofá”, disse.
“Me senti honrada e amada. E tudo que posso dizer a vocês que estiveram comigo é muito obrigada”, completou. A artista deve gravar um novo álbum e sair em turnê para lançar o novo trabalho. Ela e Astrid Fontenelle, que apresentou o programa durante 11 anos, ficarão na atração até o dia 13 de dezembro.
O GNT anunciou a saída das apresentadoras em nota oficial: “Astrid estreia amanhã a nova temporada do Chegadas e Partidas às quintas no canal e aos domingos no Fantástico e se prepara para um projeto autoral no GNT em 2024. Larissa focará neste momento na carreira musical, com dedicação à gravação de seu novo álbum e turnê de lançamento, e também seguirá explorando ainda mais a vertente atriz”
Recentemente, o GNT transmitiu um programa especial sobre moda a afrodiaspórica no festival Afropunk, o maior festival de cultura negra do mundo. O especial foi apresentado por Larissa e as gravações aconteceram durante a terceira edição do Afropunk Bahia, realizado nos dias 18 e 19 de novembro, em Salvador.
Vitória do movimento negro. Nesta noite de quarta-feira, 29, o Congresso Nacional aprovou a lei que torna o Dia da Consciência Negra feriado nacional. O projeto de lei é de autoria do Senador Randolfe, com relatoria do senador Paulo Paim e da deputada Reginete Bispo em articulação com o Ministério da Igualdade Racial.
Foram 286 votos a favor, 121 contra e duas abstenções. Atualmente, a data é feriado em seis estados – Mato Grosso, Rio de Janeiro, Alagoas, Amazonas, Amapá e São Paulo – e em mais de 1.000 cidades por meio de leis municipais e estaduais.
O Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro foi instituído por Dilma Rousseff em 2011. A data homenageia Zumbi dos Palmares e destaca a história da população negra no Brasil, resgatando as raízes africanas e suas contribuições culturais e sociais. A aprovação recente no Congresso preenche uma lacuna deixada pela lei de 2011, permitindo que a data seja agora celebrada em todo o país.
A deputada federal Dandara Tonantzin (PT-MG) , celebra: “Esse é o reconhecimento tardio da força e da resistência afro-brasileiras pelo direito de existir em liberdade. Hoje temos um Brasil que se reconcilia com a sua própria história e avança no direito à memória, à justiça e à reparação para o povo negro.”
A ministra da Igualdade Racial Anielle Franco também se manifestou: “Vitória! Acaba de ser aprovada no Congresso a lei que torna o Dia da Consciência Negra feriado nacional. Momento importante para o orgulho e memória negra!”
“Zumbi dos Palmares foi um homem que conseguiu manter a chama viva, ardente em nossos corações, nas nossas veias, nas nossas almas, que fez com que esse Brasil pudesse reconhecê-lo como herói da pátria brasileira. Não herói dos negros, é herói da pátria brasileira. Não é apenas um feriado qualquer, é uma história do Brasil”, disse a deputada Benedita da Silva (PT-RJ), que falou em nome da bancada governista.
A relatora Reginete Bispo (PT-RS) disse que a data servirá para aumentar os esforços de combate ao racismo e de promoção da igualdade racial. “Talvez pareça a muitos uma iniciativa menor, meramente simbólica. Mas não o é. Porque símbolos são importantes. São datas alusivas ao que o país considera mais relevante em sua história”, disse.
O texto já tinha sido aprovado pelo Senado e, agora, vai à sanção presidencial. A data será chamada Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.
O ex-chefe de segurança deSean ‘Diddy’ Combs, citado em um processo de agressão física e abuso sexual movido pela ex-namorada Cassie, confirmou que já presenciou e até impediu as agressões do rapper contra a cantora. De acordo com a reportagem publicada hoje (29) pelo TMZ, Roger Bonds ainda afirmou que estas acusações são “a ponta do iceberg” quando se trata dos supostos crimes do produtor musical.
No último sábado (25), dias após Cassie e Diddy fecharem um acordo milionário para arquivar o processo, Bonds fez uma publicação polêmica no Instagram. “Isto não pretende ser uma ameaça, delação ou qualquer coisa assim contra Cassie, Diddy ou qualquer outra pessoa. Este sou eu dizendo a minha verdade como realmente me lembro dela por duas razões. Primeiro porque eu tenho quatro filhas. Então, essa é a minha verdade. Como eu vi e estive envolvido com isso por anos”. E concluiu com a legenda: “Estou disposto a dizer porque por muitos anos estava quieto, nada importa agora, exceto a família”.
Bonds trabalhou com Diddy há mais de 10 anos, e no processo, Cassie alega que o ex-segurança interveio para impedir que Diddy batesse em seu carro e a atacasse em 2009, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Segundo o TMZ, Bonds confirmou essa história e ainda revelou que houve outros incidentes envolvendo outras pessoas durante seu período trabalhando para o rapper.
Cassie e Roger Bonds (Foto: Getty Images)
Após a repercussão do processo de Cassie, na semana passada, Diddy foi acusado de agressão sexual por outras duas mulheres e desta vez, o crime teria ocorrido nos anos de 1990 e 1991.
No vídeo do Instagram, Bonds ainda havia relatado as desculpas que encontrava para sair do emprego, incluindo a diabete. “Minha desculpa foi que não posso ficar com você todos os dias… estou perdendo peso, mas na verdade eu estava doente, estava cansado de você e estava cansado de tudo que estava acontecendo perto de você, eu estava cansado de ter que encobrir tudo o que você fazia”, disse.
Procurada pela reportagem do TMZ, a equipe de Diddy não comentou sobre as publicações. Mas negou todas as acusações e afirma que as duas novas acusações são “simplesmente para ganhar dinheiro”. Após repercussão da reportagem do TMZ, Roger Bonds desativou o perfil do Instagram nesta noite.
Entenda o caso
No dia 16 de novembro, o New York Times noticiou que uma ação movida por Cassandra Ventura, o nome verdadeiro da cantora Cassie, revelava que Sean Diddy Combs, iniciou um padrão de controle e abuso contra ela, quando ainda tinha 19 anos, logo depois do início da relação, que incluía “forçá-la a usar drogas, agredi-la e forçá-la fazer sexo enquanto a filmava na presença de prostitutas”. O processo estava sendo conduzido no Tribunal Distrital Federal de Manhattan, nos EUA.
Entretanto, no dia seguinte a cantora emitiu um comunicado publicado pelo Daily Star com a seguinte mensagem: “Decidi resolver este assunto amigavelmente, nos termos em que tenho algum nível de controle”. Ela ainda agradeceu aos fãs, à família e seus advogados “pelo apoio inabalável” que recebeu.
Se ainda não comprou a sua caixa de lencinhos, corra: nesta quinta-feira (30), o drama que faz todo mundo chorar, ‘This is Us’, está de volta à Globo, logo após ‘The Voice Brasil’. A segunda temporada da série ganhadora de quatro Emmys, tem dezoito episódios e se aprofunda ainda mais nas histórias da família Pearson, revelando, inclusive, a razão da morte do seu patriarca, Jack (Milo Ventimiglia), fato que reverbera na vida de todos até hoje.
Desenvolvida em quatro tramas principais e duas fases que se apresentam alternadamente – nascimento, infância e adolescência dos irmãos Pearson e os núcleos dos já adultos Randall (Sterling K. Brown), Kevin (Justin Hartley) e Kate (Chrissy Metz) –, a narrativa ganha novos personagens, que trazem diferentes traços à já conhecida rotina da família.
Foto: Maarten De Boer/ NBC
Na trama ligada ao passado, Rebecca (Mandy Moore), que, no fim da temporada anterior, tem uma grande briga com Jack e descobre seu alcoolismo, faz as pazes com o marido e tenta dar conta de três filhos com dificuldades peculiares.
Depois de pedir demissão após uma crise emocional ao final da primeira temporada, Randall, agora, cuida dos afazeres da casa, enquanto a sua esposa, Beth (Susan Kelechi Watson), fica responsável pelos proventos da família. O casal decide adotar um bebê, e a série, que sempre toca em assuntos atuais, foca em adoção tardia.
Foto: Maarten De Boer/ NBC
Kate, agora morando com Toby (Chris Sulivan), começa a abrir com ele os seus traumas em relação à morte do pai. Ela também decide perseguir o seu abandonado sonho de ser cantora, e confessa à mãe, Rebecca, como se sente em relação a ela, estreitando laços.
Já Kevin, gravando um filme em Los Angeles, passa por um arco dramático mais maduro do que na primeira temporada, após se lesionar no set de filmagens. Além de precisar lidar com seu relacionamento à distância com Sophie (Alexandra Breckenridge), ele passa a encarar suas dificuldades e a responsabilidade de seus atos com quem o rodeia, e entende melhor o sofrimento silencioso após a morte de seu pai.
‘This is Us’ é exibido às quintas-feiras, logo após o ‘The Voice Brasil’.
Eis que estamos a encerrar o mês da consciência negra com poucos avanços. Embora tenha aumentado a procura de profissionais negres para eventos, palestras, talks, entrevistas, construção de conteúdo e tudo que possamos imaginar, esse mês tornou-se um mercado feroz em que a especulação e a precarização de profissionais negres naturalizou-se como norma.
Tenho tido experiências muito surreais, pedidos estranhos e muitas tentativas de sucateamento de meu trabalho, e eu possuo tolerância zero diante desse cenário nefasto que instalou-se no mês de Novembro. Bancos, Indústrias, Instituições, Empresas privadas, Revistas e suas propostas simpáticas para trabalho gratuito ou por um punhado de moedas. É de uma desfaçatez sem tamanho um representante de banco ter a falta de vergonha em convidar uma profissional negra para um papo informal para seus colaboradores brancos “nesse mês tão especial”, disse ele.
Aliás, por que faríamos isso? Estamos muito ocupados, branquitude!
Nossas caixas de mensagens enchem de pedidos de orçamentos para a realização de diversas atividades, contudo os bastidores dessa movimentação das empresas em tentar fazer bonito nessa época, demonstra que pouco mudou. Primeiramente, mensagens em massa são enviadas para muitos profissionais ao mesmo tempo, e a procura não leva em conta nem a expertise e nem sua relevância, somente o orçamento mais baratinho.
As empresas e Instituições tornaram-se famosas ao enxergar pautas raciais como temas merecedores de pouco investimento, e como profissionais negres tiveram sempre suas atividades laborais desvalorizadas, nessa época não seria uma exceção. Além da prática da especulação dos orçamentos temos a especulação de ideias,sim, várias tentativas de apropriação de conteúdos e um comportamento predatório praticado através de tentativas de exploração disfarçadas de propostas ou as famosas “parcerias”, em que o intuito é estabelecer o contato para um assalto de iniciativas à luz do dia.
Mas, como nós, profissionais negres podemos contornar essa triste situação numa época em que nossas expertises deveriam ser altamente valorizadas? Como proteger nossos saberes angariados às duras penas num mercado em que ao mesmo tempo que precisa de nossa contribuição precariza nossa participação?
Muitas mudanças temos pela frente. Uma realidade incontornável é que nos tornamos detentores de saberes fundamentais para discutir qualquer assunto na atualidade, e o mercado está num beco sem saída enquanto nós estamos lutando nas encruzilhadas.
Eu adotei medidas para me proteger nesta selva de expropriação, nessa terra de Malboro: 1- estabeleci uma cartela de serviços com valores estabelecidos com margem razoável para negociação, sem que me sinta explorada; 2- evito reuniões antes de contratações, geralmente são onde as especulações de conteúdo acontecem; 3- Após qualquer contato, minha assessoria pede que enviem informações fundamentais para o envio de orçamentos, essa medida afasta os oportunistas.
Nem meu relógio trabalha de graça, e eu uso Rolex. De grátis não rola meu bem!
A cantora SZA é o novo destaque da revista Variety. O editorial destaca a forma como a estrela conquistou o mundo em 2023 com o lançamento de seu disco ‘SOS’, junto com o sucesso ‘Kill Bill’. À publicação, SZA contou que o hit nasceu praticamente de forma espontânea e que no início, ela não gostou muito da própria ideia em torno da letra.
O produtor Rob Bisel lembra que SZA precisou de apenas 10 minutos para criar ‘Kill Bill’ com base em um beat que estava tocando no estúdio. “Ela estava sentada em silêncio com seu telefone. Eu realmente não sabia se ela estava escrevendo ou apenas navegando pelo Instagram. Mas depois de 10 minutos de silêncio, ela disse, ‘OK, tive essa ideia para essa música. Pode ser um pouco louco, mas deixe-me saber o que você pensa“, contou ele, antes da artista cantarolar pela primeira vez o refrão de ‘Kill Bill’.
Foto: Getty Images.
Depois disso, a produção completa da faixa, incluindo melodia e arranjos, foi concluída em menos de 1 hora. “Eu odiei de primeira”, disse SZA. “Bem, eu não odiei totalmente. Mas eu pensei: ‘Posso dizer isso? É bobagem?’ Rob disse: ‘Você tem que dizer isso!’ Então, enviei para minha amiga, e ela disse: ‘Não sei. Acho que você deveria dizer algo para esclarecer. Eu estava com muito medo de que as pessoas machucassem umas às outras, porque algumas pessoas são estranhas pra caramba. Mas foi uma piada.”
Apesar do aparente desgosto de SZA, ‘Kill Bill’ se tornou um enorme sucesso no mundo todo. “Eu nunca tinha feito uma balada antes e isso era muito genuíno para o meu espírito. Eu estava triste pra caramba por causa do meu ex, e foi isso que saiu. Mas ‘Kill Bill’ não era uma música que me interessasse tanto“, concluiu ela.
Começou hoje em Nova York, o julgamento do ator Jonathan Majors, que responde por violência doméstica. Ele chegou ao tribunal acompanhado da namorada, Meagan Good. De acordo com o Deadline, se for considerado culpado, a estrela de ‘Creed III‘ e ‘Loki’ poderá pegar até um ano de prisão.
O julgamento de Majors ocorre oito meses depois de ele ter sido acusado de uma suposta agressão doméstica com Grace Jabbari. O ator foi preso em março e, no dia seguinte, foi acusado por agressão. No mês passado, Jabbari também foi presa sob a acusação de agressão, bem como de dano criminal.
Em uma declaração feita à revista People, a advogada de Majors, Priya Chaudhry, afirmou que sua equipe apresentou ao gabinete do promotor “evidências irrefutáveis” de que Jabbari “está mentindo” sobre os fatos do caso. Documentos relacionados ao processo indicam que a mulher disse à polícia que Majors supostamente “bateu em seu rosto com a mão aberta, causando dor substancial e uma laceração atrás da orelha”, além de alegadamente ter agarrado sua mão e pescoço, “causando hematomas e dor substancial”.
No dia 23 de fevereiro de 2024, o Brasil receberá pela primeira vez o Africa Express. Esta também será a estreia do coletivo musical na América do Sul, com realização no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Ingressos estarão disponíveis para a venda a partir de 30 de novembro, 12h, nos canais oficiais da Eventim. Mais informações serão divulgadas em breve.
As atrações já confirmadas são: Luedji Luna, Vhoor, Badsista, Damon Albarn, Hak Baker, Imarhan, Jupiter & Okwess, Moonchild Sanelly e Nick Zinner (Yeah Yeah Yeahs). São músicos de diversas partes do mundo que se unem a artistas afro-brasileiros, exaltando assim a ligação através da diáspora africana, da dança, do movimento e da cultura de todos os envolvidos. Mais atrações também serão anunciadas em breve.
Foi no ano de 2006, durante uma viagem ao Mali, na África Ocidental que tudo começou. Damon Albarn (Blur, Gorillaz), Martha Wainwright e Fatboy Slim se reuniram com estrelas locais como Toumani Diabaté, Bassekou Kouyaté e Amadou & Mariam e foi deste encontro extraordinário que nasceu o Africa Express. No ano seguinte, em 2007, foi realizado o primeiro evento público do coletivo, com um show lendário de cinco horas no Festival de Glastonbury, que foi descrito pelo The Times como “uma epifania absoluta para todos que estavam por lá”.
Foto: Divulgação
E em quase 20 anos de história, o Africa Express desenvolveu a criatividade e a colaboração na música e cultivou um público tão diversificado quanto os os músicos e artistas que fazem parte da sua história. É um ecossistema criativo e multicultural que, em cada show e também nas gravações em estúdio, reúne músicos, cantores e DJs de regiões como Nigéria, República Democrática do Congo, Etiópia, Argélia, África do Sul e Mali com artistas e produtores do Reino Unido, Estados Unidos e Europa.
O Africa Express já viajou para a Nigéria, República Democrática do Congo, Etiópia, África do Sul e Mali. Também fez espetáculos aclamados em Lagos, Londres, Liverpool, Joanesburgo e por toda a Europa – de Istambul ao Festival de Roskilde na Dinamarca. O coletivo recebeu mais de 20 mil pessoas em Paris e 50 mil pessoas em uma praia da Espanha.
Além disso, em 2012, o África Express lotou um trem antigo com 100 artistas de todo o mundo para uma turnê de uma semana pelo Reino Unido como parte do Festival Olímpico de Londres no ano de 2012. Esta turnê inesquecível teve shows em lojas, escolas e até em plataformas de trem. A apresentação final de cinco horas em King’s Cross, em Londres, contou com Tony Allen, Nicolas Jarr, Fatoumata Diawara, John Paul Jones, Kano, M.anifest, Paul McCartney, Baaba Maal e Rokia Traoré – todos compartilhando o mesmo palco. Como se pode perceber, cada show do Africa Express é uma experiência única e que sem dúvida será inesquecível para o povo brasileiro.
O Africa Express lançou vários álbuns. Mais recentemente um EP e um álbum feitos durante uma semana de descobertas, colaborações, alegria e intensa produção musical em Joanesburgo. Estes discos – MOLO e EGOLI – foram aclamados pela crítica e descritos pelo The Guardian como “música eletrônica rica e bela”’.
Africa Express em São Paulo
Data: 23/02/2024
Abertura dos Portões: 15h
Local: PARQUE DO IBIRAPUERA
Endereço: Av. Pedro Alvares Cabral, s/n – Portão 2 – Parque Ibirapuera, São Paulo, Brazil 04094-050
Classificação etária: Entrada e permanência de crianças/adolescentes de 05 a 15 anos de idade, acompanhados dos pais ou responsáveis, e de 16 a 17 anos, desacompanhados dos pais ou responsáveis legais.
Atriz e Modelo Clara Moneke (Foto: José Paulo/Mundo Negro)
“Eu acho que a gente precisa de mais processos de inclusão, não só de negros, mas de pessoas com deficiência também, nós que estamos mais a margem da sociedade”, diz a atriz Clara Moneke, durante a 2ª edição de Inclusão em Foco, evento realizado pela Arcos Dorados, a operadora da rede McDonald’s em 20 países da América Latina e Caribe, nesta segunda-feira, 27 de novembro.
Ao lembrar de um caso em que apenas médicos negros eram parados na recepção de um hospital para mostrarem os documentos, a modelo diz como isso reflete na importância de ter pessoas negras em cargos de liderança.
“Se você não tem uma pessoa negra no local de poder, alguma coisa está errada. Se você só tem um negro atrás do balcão ou limpando o chão, não é só sobre isso. Não é contratar por contratar. É contratar onde as pessoas possam ter um lugar de poder, de tomada de decisões e a gente está muito atrasado em relação a isso”,completa a atriz, em reflexão com a apresentadora Luana Xavier e a jornalista Semayat Oliveira como mediadora do painel, sobre a luta contra o racismo estrutural no Brasil.
Luana Xavier, Clara Moneke e Semayat Oliveira (Foto: José Paulo/Mundo Negro)
Para Luana, a luta antirracista ainda precisa sair mais dos discursos para as ações. “Discurso é importantíssimo como primeiro passo. A gente precisa trazer isso para a realidade. Não adianta você falar que você está com mil ideias e chegar apenas no mês de novembro. Se o 20 de novembro é uma marca, é importantíssimo a gente trazer luz e colocar mais holofotes em cima dessa questão. Mas, vale lembrar que eu não sou preta só em novembro, eu sou preta o resto do ano”, reforça.
Fábio Sant’Anna, Diretor de Gente, Diversidade e Inclusão da Arcos Dorados Brasil, relata como foi a experiência de realizar um programa de integração junto aos restaurantes do McDonald’s, com todos os colaboradores, durante o painel mediado pela CEO do Mundo Negro, Silvia Nascimento, sobre empregabilidade para pessoas negras.
“Eu lembro que eu pedi um uniforme, saí de casa com o uniforme. O primeiro restaurante em que eu fui trabalhar era dentro do shopping Iguatemi. E eu, com 1,85m, entrando com o uniforme do Méqui, tentando, de alguma forma, experienciar o que o nosso colaborador percebe na sociedade, no seu simples ato de ir e vir”, conta Fábio Sant’Anna.
Fábio Sant’Anna, Diretor de Gente, Diversidade e Inclusão da Arcos Dorados Brasil (Foto: José Paulo/Mundo Negro)
E completa: “Eu percebi os olhares, transitei no shopping, fui oferecer cupom às pessoas. Em dois meses, no meu convívio com as pessoas, percebi que estava entrando num ambiente onde o tema diversidade era bastante disseminado. E obviamente, eu também ouvia muitas histórias, que na minha visão, não demonstravam pontos de evolução. Então, hoje, internamente, assumo o tema de diversidade bastante diferente sobre o tema da inclusão. Inclusão é gerar um senso de pertencimento”.
A pauta racial é uma das prioridades da Arcos Dorados no Brasil. Atualmente, as pessoas negras compõem 63% do quadro de colaboradores. Somente neste ano, a companhia contratou 10 mil pessoas negras, o que representa 65% do total de contratações. Além disso, 63% de todas as promoções gerais foram conquistadas por pessoas negras e 51% das promoções a cargos de liderança, também foram conquistadas por elas. Quando falamos especificamente de ações afirmativas, cerca de 200 pessoas negras receberam bolsas de estudos de inglês, aproximadamente 400 pessoas negras foram contempladas com bolsas de estudo do preparatório para o Encceja e talentos negros que ocupam ou estão mapeados para posições de liderança estão sendo contemplados com bolsas de estudos em programas executivos de uma parceria com a Fundação Dom Cabral.
A luta contra o capacitismo também foi outro foco do evento. Entre os destaques do dia, a influenciadora e psicóloga Pequena Lô relembrou um caso de preconceito sofrido em 2021, ao ser impedida de embarcar no voo com o seu aparelho, que substitui a cadeira de rodas, mesmo sendo legalmente autorizado.
Influenciadora Pequena Lô e Carolina Ignarra, CEO da Talento Incluir (Foto: José Paulo/Mundo Negro)
“Eu vou estar nesses lugares, ele querendo ou não. Eu resolvi expor, na época, porque foi algo muito surreal. E era uma companhia aérea para servir [de exemplo] para as outras também, e para as pessoas. Porque não adianta a companhia ser acessível e essas pessoas como os comandantes, não serem”, pontua a influenciadora sobre a importância de os funcionários também estarem interligados à política de diversidade e inclusão nas empresas.
Já o Nico Nascimento, Analista de ESG/D&I, durante o painel sobre empregabilidade para pessoas com deficiência, fala sobre os desafios que ainda permanecem no Brasil, como a falta de contratação, promoção de cargos nas empresas e renda menor do que uma pessoa sem deficiência.
“Eu me tornei uma pessoa com deficiência em 1993, praticamente junto com o surgimento da Lei de Cotas. Era muito difícil porque as pessoas de recursos humanos e as empresas não sabiam como lidar, a gente se sentia muito deslocado. E hoje, eu ainda eu percebo as empresas tateando as mesmas coisas que a gente falava há 32 anos atrás”, conta o profissional.
Nico Nascimento Analista de ESG/D&I (Foto: José Paulo/Mundo Negro)
Nico ainda destaca a importância de abordar a interseccionalidade da luta contra o capacitismo com a questão racial. “Hoje se fosse nomear uma persona com deficiência, seria uma mulher, preta ou parda. Então faz todo o sentido a gente conectar a questão do movimento da raça, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
De acordo com a pesquisa Pnad Contínua 2022, “o perfil das pessoas com deficiência se mostrou mais feminino (10,0%) do que masculino (7,7%) e ligeiramente maior nas pessoas da cor preta (9,5%), contra 8,9% entre pardos e 8,7% entre brancos”.
Lucas Assis, Atendente do restaurante McDonald’s em Alphaville, possui deficiência intelectual e compartilha como tem sido sua experiência. “Eu gosto muito de trabalhar no Méqui, foi o meu primeiro emprego. Eu não queria mais só estudar, queria trabalhar e o Méqui me deu uma oportunidade e me contratou”, conta. “Eu trabalho no salão, é muito bom ter o contato com os clientes. Quando eles me chamam, eu ajudo no que precisar”, finaliza.
Lucas Assis, Atendente do restaurante McDonald’s (Foto: José Paulo/Mundo Negro)
Por meio de iniciativas como essa, o McDonald’s, que é reconhecido como um dos maiores geradores de primeiro emprego formal para jovens, leva seu compromisso com a diversidade, a inclusão e a geração de oportunidade a todas as pessoas para além da companhia, promovendo uma conversa sincera e construtiva na busca de um mercado de trabalho mais inclusivo.
O Fórum Inclusão em Foco faz parte da Receita do Futuro, estratégia de atuação socioambiental da Arcos Dorados, que tem como um de seus compromissos ser parte ativa da solução dos desafios da sociedade e impactar positivamente as comunidades onde está presente.
Estratégias que começam a ser prioridade nos negócios atuais fazem parte da vida nos quilombos há séculos, como cultura organizacional e sustentabilidade
Por Priscilla Arantes* e Juliane Sousa**
No mundo corporativo contemporâneo, onde a busca por modelos de negócios sustentáveis e inclusivos passa a ser prioridade, há muito que se observar e aprender com os quilombos brasileiros e sua filosofia de vida baseada em princípios como liberdade, igualdade, diversidade, sustentabilidade, valoriza a ação da mulher, ancestralidade e aquilombamento.
Esses pilares, quando aplicados aos negócios, podem ajudar a construir um sistema econômico mais inclusivo, equitativo e regenerativo. Negócios inspirados nas tecnologias ancestrais praticadas nos quilombos têm mais chance de sobrevivência no futuro próximo.
Os quilombos foram formados por pessoas de diferentes origens. É importante lembrar que África é um continente e os africanos que se uniram nestas comunidades vinham de países e culturas distintas. Nas empresas, a diversidade é uma fonte de inovação e criatividade. Valorizar a diversidade é um caminho para alcançar uma força de trabalho mais inclusiva e representativa.
No caminho para fortalecer a diversidade, a busca pela igualdade de gênero é outro desafio que pode ter como inspiração a experiência quilombola. Nas comunidades, as mulheres desempenham papéis cruciais em todos os níveis organizacionais. Promover a igualdade de gênero é ainda uma estratégia inteligente para aproveitar todo o potencial de talentos.
Nos quilombos, as mulheres são consideradas guardiãs da cultura, do sagrado, do cuidado, da economia, das sementes e demais recursos que garantem a preservação do meio ambiente, indispensável na manutenção dos territórios. A relação com a natureza e a sustentabilidade é uma questão central na vida quilombola.
As comunidades mantêm práticas que respeitam a natureza, como a cultura extrativista. O quilombola sabe que é parte de um ecossistema e só existe plenamente se integrando a ele, de forma harmônica. As empresas podem se inspirar nesse compromisso com o meio ambiente, adotando práticas mais responsáveis, como a redução de resíduos, uso de energia renovável e promoção de cadeias de suprimentos sustentáveis.
Os quilombos representam a resistência negra e resgatam a memória de seus ancestrais. A conexão com a ancestralidade, outro pilar dos quilombos, refletido na valorização das tradições, práticas religiosas e culturais, para as empresas traz a importância de reconhecer a própria história, fundamental na criação de uma cultura organizacional autêntica e duradoura, capaz de fortalecer a identidade da empresa e a conexão dos funcionários com sua missão, visão e valores.
O aquilombamento, palavra acolhedora, é outro ensinamento, e tem suas bases na filosofia Ubuntu, que pode ser traduzida da língua bantu pela ideia de “Eu sou porque tu és”;. A cultura do aquilombamento tem o objetivo de promover a coletividade, o respeito, a entreajuda, a partilha, a comunidade, o cuidado, a confiança e a generosidade. Nos negócios, essa filosofia pode ser aplicada na promoção de um ambiente de trabalho cooperativo, onde cada indivíduo se preocupa com o bem-estar de todos. Uma pessoa com Ubuntu tem consciência de que é afetada quando seus semelhantes não estão bem.
A responsabilidade coletiva motiva ainda uma proatividade natural, que somada ao espírito inventivo, estimulado desde muito cedo, está por trás do desenvolvimento de soluções par o dia a dia. O membro da comunidade quilombola cria a partir da natureza, constrói suas próprias casas, utensílios domésticos e ferramentas de trabalho.
Na realidade quilombola, cada pessoa tem o seu papel e exerce uma função sem que ninguém fique monitorando ou cobrando, justamente porque cada um sabe a importância da sua participação. Isso é essencial nas empresas, propor uma cultura de confiança, segurança e responsabilidade onde todas as pessoas possam exercer suas tarefas com maturidade e autonomia.
No Brasil, de acordo com dados do Censo 2022, a população quilombola é de 1,32 milhão de pessoas, vivendo em mais de 6 mil quilombos. Uma quantidade superior a 3 mil é certificada pela Fundação Cultural Palmares, quase 200 são territórios titulados, mas um pouco mais de 1.500 ainda enfrentam processos para regularização de seus territórios, o que torna-os vulneráveis e em risco. Muitos quilombos vivem a ameaça de conflitos e pressão de modelos econômicos que visam somente o lucro e a exploração da natureza.
O primeiro quilombo é da segunda metade do século XVI, na Bahia. O maior quilombo da história brasileira foi o Quilombo dos Palmares, em Alagoas. Os quilombos são comunidades onde os africanos e seus descendentes conseguiram manter e resgatar traços de sua cultura, tradições, festas, práticas religiosas, danças, entre outros. Nos quilombos, prosperar sempre foi muito importante, significa liberdade, por isso, em seus territórios, o trabalho de todos consiste em produzir o necessário para a sobrevivência e vida em sociedade.
A existência dos milhares de quilombolas atesta a resiliência e a riqueza tecnológica dessas comunidades. Eles representam a resistência e a busca pela independência econômica. Os quilombos são verdadeiros tesouros de sabedoria que podem guiar as empresas rumo a um futuro melhor, onde os negócios não apenas sobrevivem, mas prosperam e geram impacto positivo no planeta.
***
*Priscilla Arantes é gerente de comunicação do Sistema B Brasil, e articuladora do Coletivo Pretas B, um projeto que apoia mulheres negras na rede do Sistema B Brasil por meio de mapeamento, mentoria, consultoria e capacitação, e fundadora do Instituto Afroella.
**Juliane Sousa é coordenadora de comunicação do Sistema B Brasil, articuladora do coletivo Pretas B e fundadora do Mídia Quilombola.
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