Djavan – O Musical: Vidas pra Contar volta ao Teatro Claro Mais SP em 24 de julho, após duas temporadas esgotadas no Rio de Janeiro e turnê por nove cidades.
O musical “Djavan – O Musical: Vidas pra Contar” reestreia em São Paulo no dia 24 de julho, dessa vez no Teatro Claro Mais SP, dentro do Shopping Vila Olímpia. A segunda temporada paulistana do espetáculo segue em cartaz até 30 de agosto, com sessões de quinta a domingo, e chega depois de uma trajetória de casas cheias em outras cidades do país.
O espetáculo dramatiza episódios da vida pessoal e artística de Djavan Caetano Viana, cantor e compositor nascido em Maceió, em 1949, conhecido por misturar samba, jazz, pop e ritmos afro-brasileiros ao longo de uma carreira marcada por parcerias internacionais, incluindo colaborações com Stevie Wonder, e por canções regravadas por nomes como Al Jarreau, Carmen McRae e o grupo The Manhattan Transfer. “Djavan é de todos. É samba, é forró, é Gonzaga, é jazz”, afirmou o diretor artístico João Fonseca, em entrevista ao portal Tribuna do Agreste. “Falar de um artista nordestino, negro e vivo é uma grande responsabilidade, mas também uma alegria imensa”, completou.
Antes de chegar à atual temporada, o musical cumpriu duas temporadas esgotadas no Rio de Janeiro e uma primeira passagem de sucesso por São Paulo, além de uma turnê nacional que passou por nove cidades, entre elas Curitiba, Fortaleza, Maceió, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre, Goiânia, Recife e João Pessoa. A produção também recebeu indicações ao Prêmio APTR, na categoria de Melhor Produção em Teatro Musical, e ao Prêmio Arcanjo, como Melhor Produção em Teatro Musical Brasileiro.
Assinado por Patrícia Andrade e Rodrigo França, com direção artística de João Fonseca, direção musical de Fernando Nunes e João Viana e coreografias de Marcia Rubin, o espetáculo é idealizado por Gustavo Nunes e realizado pela Turbilhão de Ideias em parceria com o GovBR. A montagem é apresentada pelo Ministério da Cultura e pela Caixa Vida e Previdência, com patrocínio da Atlas Schindler e apoio da Caixa Seguridade.
Serviço
Espetáculo: Djavan – O Musical: Vidas pra Contar Reestreia: 24 de julho Temporada: até 30 de agosto Local: Teatro Claro Mais SP, Rua Olimpíadas, 360, São Paulo Horários: quinta e sexta, às 20h. Sábado, às 16h e às 20h. Domingo, às 18h. Ingressos: site da Uhuu ou bilheteria do Teatro Claro Mais SP Desconto: 30% para clientes da Caixa Vida e Previdência
Turista argentino fez gesto de macaco durante jogo da Copa em Morro de São Paulo, na Bahia
Um jovem negro denunciou ter sido vítima de injúria racial na noite de terça-feira (15), em Morro de São Paulo, distrito do município de Cairu, no litoral da Bahia, durante a transmissão de uma partida de futebol da Copa do Mundo em um bar da região. Segundo o portal Alô Juca, que teve acesso a vídeos do momento, o estabelecimento estava lotado de turistas, entre eles um grupo de argentinos que comemorava o segundo gol da seleção do país.
Em imagens enviadas ao portal, um dos torcedores aparece se virando em direção ao jovem e fazendo gestos imitando um macaco, em atitude interpretada como racista pelas pessoas presentes no local. Testemunhas relataram ao Alô Juca que o rapaz ficou abalado, chegou a chorar e precisou ser amparado por outras pessoas que estavam no bar. A Polícia Militar teria sido acionada, mas, segundo o mesmo portal, nenhuma guarnição compareceu ao estabelecimento durante a confusão.
Depois do episódio, o jovem gravou um vídeo relatando o ocorrido e cobrando providências das autoridades. “Eu sofri racismo e não quero deixar assim”, disse ele, em vídeo publicado nas redes sociais e reproduzido pelo Alô Juca. O rapaz pede que o responsável pelo gesto seja identificado e responsabilizado pelas autoridades competentes.
O episódio em Morro de São Paulo se soma a uma sequência de casos recentes envolvendo torcedores argentinos e acusações de racismo contra brasileiros. Durante a Copa do Mundo de 2026, o influenciador norte-americano IShowSpeed foi hostilizado com insultos e gestos racistas por torcedores argentinos em dois jogos diferentes do torneio. Em fevereiro deste ano, a turista argentina Agostina Páez foi presa no Rio de Janeiro após ser acusada de chamar um funcionário de bar em Ipanema de negro de forma pejorativa, em um caso que teve repercussão também na Argentina, onde chegou a ser explorado por figuras da base política do governo Javier Milei.
A questão também aparece no futebol profissional. No início deste ano, o jogador argentino Gianluca Prestianni, do Benfica, foi acusado de chamar o brasileiro Vinícius Júnior de macaco durante uma partida em Lisboa, episódio que gerou controvérsia internacional. Especialistas ouvidos pela imprensa apontam ainda precedentes históricos, como uma capa de jornal argentino de 1920 que retratava brasileiros como macacos e uma manchete do Diário Olé, em 1996, que convocava publicamente os macacos antes de um confronto entre as seleções nos Jogos Olímpicos.
A injúria racial é crime previsto na legislação brasileira e, desde a sanção da Lei 14.532, em 2023, passou a ser equiparada ao crime de racismo, com pena de três a cinco anos de prisão, sendo inafiançável e imprescritível. Até a publicação desta reportagem, não havia informações sobre a identificação do autor das ofensas em Morro de São Paulo nem sobre prisões relacionadas ao episódio. A Prefeitura de Cairu ainda não havia se manifestado oficialmente sobre o caso específico até o fechamento desta matéria.
Tia Ciata, Madrinha Eunice e outras mulheres de terreiro protegeram o samba da perseguição policial no início do século 20, no Rio e em São Paulo.
Quem canta “Pelo Telefone” hoje dificilmente sabe que a canção considerada o primeiro samba registrado no Brasil nasceu no quintal de uma casa de candomblé, no centro do Rio de Janeiro, comandada por uma mulher negra baiana chamada Hilária Batista de Almeida. Ela ficou conhecida como Tia Ciata e, ao lado de outras sacerdotisas vindas da Bahia, transformou seu terreiro em abrigo para uma manifestação musical que a polícia da Primeira República perseguia como crime.
Nascida em 1854, com fontes divergindo entre Salvador e Santo Amaro da Purificação como sua cidade natal, Hilária foi iniciada no candomblé da nação Ketu ainda jovem, consagrada filha de Oxum. Aos 22 anos, ainda no período da escravidão, deixou a Bahia rumo ao Rio de Janeiro, então capital do país, integrando o fluxo migratório que ficou conhecido como diáspora baiana. Famílias inteiras de escravizados e libertos se deslocaram naquele período para os bairros da Saúde, da Gamboa, do Santo Cristo, da Praça Onze e da Cidade Nova, formando a região que passaria à história como Pequena África.
Antes de virar samba carioca, o gênero já existia como tradição no Recôncavo Baiano, onde o samba de roda reúne música, dança e poesia desde pelo menos a década de 1860, associado a festas de terreiro e a celebrações como as de São Cosme e Damião. Historiadores da música popular apontam essa manifestação, reconhecida em 2004 pelo Iphan e em 2008 pela Unesco como patrimônio imaterial da humanidade, como uma das principais fontes do samba urbano que se consolidaria no Rio de Janeiro décadas depois. O que Tia Ciata e outras baianas levaram para a Pequena África, portanto, não era uma novidade cultural, mas a continuidade de um saber que suas famílias já cultivavam em terreiros e casas de santo na própria Bahia.
Em solo carioca, Tia Ciata se estabeleceu inicialmente na Rua da Alfândega e, tempos depois, na Rua Visconde de Itaúna, próxima à Praça Onze. Foi lá que consolidou sua posição como mãe de santo respeitada, mantendo os preceitos religiosos aprendidos na casa de João Alabá e recebendo o título de Mãe Pequena dentro da hierarquia do terreiro. O casamento com o médico negro João Batista da Silva, que chegou a atuar no gabinete do chefe de polícia durante o governo de Wenceslau Brás, deu à casa uma camada extra de proteção em um contexto de vigilância constante sobre as religiões de matriz africana.
Foto:reprodução
A residência de Tia Ciata funcionava em duas frentes que dividiam o espaço físico e também a tolerância da polícia. Na sala de visitas, aconteciam bailes com músicas mais aceitas pela sociedade da época, como o choro e as modinhas, recebendo inclusive gente da alta sociedade da zona sul, que frequentava as festas atraída pela fama de curandeira e pelos doces vendidos pela anfitriã. No terreiro, nos fundos, formavam-se as rodas de samba, com batuques e partido alto entre sambistas mais jovens, entre eles nomes que se tornariam centrais na música popular brasileira, como Pixinguinha, Donga, João da Baiana, Heitor dos Prazeres, Sinhô, Caninha e o jornalista Mauro de Almeida.
A separação entre a sala e o terreiro foi resultado direto da legislação penal do início do século 20, que tipificava como crimes a vadiagem, a capoeiragem e o curandeirismo, categorias usadas pela polícia para criminalizar de forma discricionária a circulação de pessoas negras pelas ruas e a prática de manifestações culturais associadas a elas. A capoeira e gêneros musicais próximos ao samba eram enquadrados como capoeiragem, enquanto terreiros de candomblé e macumba sofriam batidas policiais sob a acusação de curandeirismo, com instrumentos apreendidos, sacerdotes presos e templos invadidos.
Casas como a de Tia Ciata funcionavam como um ponto de equilíbrio dentro desse quadro de perseguição, negociando espaço e proteção com as próprias autoridades que reprimiam outras rodas pela cidade. Relatos históricos registram que, em uma das batidas policiais, um investigador conhecido pela alcunha de Bispo aproveitou a fama de curandeira de Ciata para pedir ajuda contra uma ferida do então presidente Wenceslau Brás, considerada incurável pelos médicos da época. “Quem precisa de caridade que venha cá”, teria respondido a baiana, episódio que ilustra como sua autoridade espiritual também servia de moeda de negociação com o poder público. Durante o mandato de Wenceslau Brás, entre 1914 e 1918, as festas em sua casa chegaram a contar com a presença de dois soldados enviados para fazer a segurança, sinal de que a proteção conquistada por Ciata alcançava também suas festividades profanas.
Tia Ciata não estava sozinha nessa função, dividida com outras tias baianas que mantinham casas semelhantes espalhadas pela Cidade Nova e pela Praça Onze. Amélia Silvana de Araújo, a Tia Amélia, era mãe de santo e cantadeira de modinhas, promovia festas e encontros musicais em sua própria residência e criou o filho Ernesto Joaquim Maria dos Santos, o futuro Donga, dentro desse ambiente de candomblé e samba. Preciliana Maria Constança, a Tia Preciliana, natural de Santo Amaro, era mãe de João da Baiana e liderava uma casa igualmente frequentada pelos jovens músicos da região. Veridiana, mãe de Chico da Bahiana, além de Bebiana, Mônica, Carmem, Gracinda, Josefa Rica, Tomásia e Dadá completavam essa rede de mulheres que reuniam comunidades inteiras em torno de festas religiosas, como as de São Cosme e São Damião, e de encontros musicais que misturavam sagrado e profano. Pesquisas mais recentes, como as do musicólogo Alberto Tsuyoshi Ikeda, levantam a hipótese de que a própria Tia Ciata não se limitava ao papel de anfitriã e chegava a tocar violão e improvisar como partideira nas rodas, o que sugere uma participação musical direta ainda pouco documentada.
Foto: Instituto Donga
Foi em uma dessas rodas, no quintal da casa de Tia Ciata, que a melodia de “Pelo Telefone” tomou forma ao longo de 1916. Donga registrou a partitura no Departamento de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional em 27 de novembro daquele ano, sob o número 3.295, incluindo posteriormente o jornalista Mauro de Almeida como coautor da letra. A canção foi lançada em disco pela Casa Edison em janeiro de 1917 e se tornou o grande sucesso do carnaval carioca daquele ano, consagrada pela historiografia musical como o primeiro samba registrado e gravado no país, ainda que pesquisas posteriores tenham identificado gravações anteriores, como “Em Casa da Bahiana”, de 1913, que não alcançaram a mesma repercussão popular.
A autoria individual atribuída a Donga gerou controvérsia entre os frequentadores da própria roda que deu origem à composição. Em fevereiro de 1917, o Jornal do Brasil publicou uma nota do Grêmio Fala Gente afirmando que o “verdadeiro tango Pelo Telefone” pertencia aos “inspirados carnavalescos João da Mata, o mestre Germano, a nossa velha amiguinha Ciata e o bom Hilário”, em uma disputa pública que nunca chegou a uma reconciliação entre os envolvidos. O episódio expõe um traço recorrente da formação do samba carioca, construído de forma coletiva nas rodas dos terreiros e, depois, registrado e comercializado em nome de compositores individuais, quase sempre homens.
Tia Ciata também sustentava sua casa com o comércio de doces vendidos pelas ruas e com o aluguel de roupas de baiana, confeccionadas com esmero, usadas em teatros e nos desfiles de carnaval por foliões de diferentes classes sociais. Esse figurino, hoje reproduzido pela ala das baianas nas escolas de samba, carrega até os dias atuais a memória direta dessas mulheres que sustentaram estruturalmente a formação do gênero.
O mesmo padrão de mulheres negras de terreiro sustentando a formação de escolas de samba se repetiu em São Paulo, com Deolinda Madre, mais conhecida como Madrinha Eunice. Nascida em Piracicaba em 14 de outubro de 1909, filha de pais que haviam sido escravizados e alcançado a liberdade por cartas de alforria, ela se mudou ainda criança para a capital paulista e cresceu no Bairro da Liberdade, região que concentrava famílias negras antes da chegada da imigração japonesa. Deolinda vendia frutas nas ruas do centro, chegou a manter quatro barracas na região e mantinha um terreiro de quimbanda, tradição religiosa afro-brasileira distinta do candomblé mas igualmente perseguida pela polícia no mesmo período.
Foto: arquivo pessoal
Em 1936, uma viagem ao carnaval carioca da Praça Onze a aproximou do desfile da Unidos de São Carlos, hoje Estácio de Sá, e a inspirou a criar sua própria agremiação de volta a São Paulo. Fundou, em 9 de fevereiro de 1937, a Sociedade Recreativa Beneficente Esportiva Escola de Samba Lavapés, a mais antiga escola de samba paulistana ainda em atividade, embora o primeiro desfile oficial só tenha ocorrido dezoito anos depois, em 1955, no Parque Ibirapuera. Madrinha Eunice foi por muitos anos a única mulher a presidir uma escola de samba na cidade e também compôs sambas-enredo, entre eles “São Paulo Antiga”, em parceria com Chico Pinga, Popó e Doca. Ela morreu em abril, com fontes divergindo entre 1995 e 1996 como o ano exato. “Foi um dos baluartes do samba, a primeira mulher negra, independente, avante do seu tempo”, disse a neta Rosemeire Marcondes, em entrevista ao portal Terra. Em 2022, uma escultura em sua homenagem foi inaugurada na Praça da Liberdade, em São Paulo.
Tia Ciata morreu em 1924, aos 70 anos, mas o espaço que ocupou na história do samba carioca segue sendo disputado e recontado. A Nova Casa da Tia Ciata, reinaugurada em 2025 como sede da Organização dos Remanescentes da Tia Ciata, funciona hoje como centro de referência da memória negra no Rio de Janeiro, com exposições permanentes que conectam o território da antiga Pequena África à produção musical que ali nasceu. Roteiros culturais pela região, incluindo visitas à Pedra do Sal e aos arredores da Praça Onze, seguem sendo oferecidos como forma de manter viva a ligação entre o candomblé, a resistência negra e a origem do samba. Em São Paulo, a estátua de Madrinha Eunice na Praça da Liberdade cumpre função semelhante, mantendo visível, no espaço urbano, o nome de uma mulher negra que também colocou o terreiro no centro da formação do samba brasileiro.
O movimento nos traz muitos benefícios para a saúde e uma delas é aprimorar a nossa criatividade!
Por: Juliana Oliveira
Estamos acostumados a associar a criatividade nos âmbitos da arte, música ou inovação, mas ela também nasce no movimento. Enquanto nos exercitamos, seja em qualquer tipo de modalidade, o cérebro aumenta a liberação de neurotransmissores como: dopamina, serotonina e endorfina, substâncias relacionadas ao bem-estar, à motivação e à capacidade de encontrar soluções para problemas. Ou seja, movimentar o corpo também movimenta ideias, aprimorando nosso lado criativo.
Para pessoas pretas, esse processo tem um impacto ainda mais profundo. A população negra convive, com maior frequência, com muitas situações de estresse como: situações de racismo, estresse crônico e sobrecarga emocional, são fatores que quando afetados, desregulam funções cognitivas como atenção, memória e criatividade. O exercício físico auxilia na redução de todo estresse, melhorando e criando espaços para novas ideias.
Temos alguns exemplos no aspecto cultural de como o exercício físico ajuda, cotidianamente, a população negra. Muitas manifestações corporais negras sempre foram espaços de criação coletiva. Da capoeira ao passinho, do breaking ao dancehall, do hip-hop às danças afro-brasileiras: movimento nunca foi apenas exercício para nossa população e sim, um ato de resistência e identidade. O corpo preto produz cultura quando se movimenta.
Alguns ambientes que valorizam a cultura preta fazem esse sentimento de pertencimento ser ainda mais significativo. Quando um corpo preto frequenta um local onde a música, estética e história são celebradas, ele tende a experimentar mais a liberdade para criar, experimentar e se expressar!
A ciência já nos mostrou que caminhar, correr ou fazer musculação já favorecem a criatividade. Mas quando o exercício acontece em locais de pertencimento, os efeitos vão além da atividade física. Quando o corpo encontra liberdade para se mover, a mente também encontra liberdade para criar.
A atriz premiada Octavia Spencer, voz ativa nas discussões sobre representatividade racial e de gênero em Hollywood, destacou a importância da presença de pessoas negras nas telas além de narrativas centradas no sofrimento. “Acho importante que os jovens negros vejam mulheres e homens negros sob todas as perspectivas possíveis, especialmente aqueles que não têm nada a ver com o trauma negro”, declarou em entrevista recente à revista Essence.
Spencer estreou hoje a nova série de ação e comédia do Prime Video, Parcerias no Crime. Ao longo de quase 30 anos de carreira, a atriz já interpretou diversos tipos de personagens. Entre os mais marcantes que ela relembra na entrevista estão o papel que lhe rendeu um Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante em Histórias Cruzadas (2012) e Estrelas Além do Tempo (2017), filme que, embora não tenha levado o prêmio, foi amplamente aclamado pela crítica e pelo público. “Tem sido ótima interpretação de empregadas e cientistas; acho importante ampliar o que as pessoas acham que sabem sobre nós”, comenta.
Para Octavia, a transformação do setor passa também pelo papel de quem produz. “O papel que mudou minha trajetória foi o de produtora. Ele me permite criar oportunidades não apenas para mim, mas para pessoas marginalizadas que não têm acesso”, disse. A atriz também já trabalhou como produtora executiva em outras produções de sucesso, como A Vida e a História de Madam CJ Walker (2020) e Fruitvale Station: A Última Parada (2013).
A declaração de Spencer ganha força para uma artista cuja trajetória mistura papéis de destaque e experiências de resistência. Ela relembrou um momento de exclusão em uma escola de artes cênicas que a deixou arrasada, mas também a estimulou. “Às vezes, alguns ‘não’ servem para moldar você. Se eu não tive recebido aquele primeiro ‘não’, não sei se teria lutado tanto para conquistar todos os ‘pecados’ que vieram depois“, afirmou.
Trabalho com publicidade há mais de uma década. Ao longo da minha carreira, aprendi que acompanhar os maiores investimentos em comunicação é uma forma de entender para onde a economia está caminhando. A publicidade sempre funcionou como um retrato do seu tempo: ela revela quais setores estão crescendo, quais comportamentos estão sendo incentivados e quais narrativas passam a ocupar o imaginário coletivo.
Por isso, uma pergunta tem me acompanhado nos últimos meses: O que significa quando uma das categorias que mais cresce em investimento publicitário no Brasil é justamente a das plataformas de apostas?
Basta assistir a uma partida de futebol, abrir uma rede social, ouvir um podcast ou acompanhar uma transmissão esportiva. As BETs estão em todos os lugares. Patrocinam clubes, campeonatos, influenciadores, programas de televisão, podcasts e criadores de conteúdo. Em poucos anos, deixaram de ser uma categoria pouco conhecida para ocupar um dos espaços mais disputados da comunicação brasileira.
E isso, para quem vive o mercado publicitário, não pode passar despercebido. Porque publicidade nunca foi apenas sobre vender produtos. Publicidade constrói imaginários. Ela influencia comportamentos, legitima hábitos, transforma determinadas práticas em algo cotidiano. Quando um setor investe bilhões em comunicação, ele não compra apenas espaço na mídia, ele compra presença cultural.
Durante muito tempo, eram bancos, montadoras, empresas de tecnologia, alimentos, bebidas e varejo que disputavam essa atenção para construir reputação e relacionamento de longo prazo. Hoje, assistimos a uma mudança significativa nessa lógica.
As plataformas de apostas passaram a ocupar uma parcela importante desse espaço. E talvez a discussão não seja se elas podem ou não anunciar. A pergunta que me interessa é outra: O que deixamos de comunicar quando um único segmento passa a concentrar uma parte tão expressiva dos investimentos em publicidade?
Espaço publicitário é um recurso limitado. Quando uma categoria cresce rapidamente, outras deixam de ocupar esse lugar. Essa mudança revela transformações nas prioridades do mercado e também na forma como a atenção da sociedade está sendo disputada.
Mas existe uma camada ainda mais profunda nessa conversa. Toda campanha publicitária vende uma promessa: Algumas vendem bem-estar; outras vendem mobilidade; outras vendem pertencimento. As plataformas de apostas vendem a possibilidade de ganho. E, embora o entretenimento faça parte desse mercado, também sabemos que o jogo pode produzir consequências severas para uma parcela dos consumidores quando praticado de forma compulsiva.
Diversos estudos já demonstram que famílias em situação de maior vulnerabilidade econômica tendem a sofrer impactos mais profundos diante de perdas financeiras relacionadas ao jogo. No Brasil, essa discussão também atravessa a questão racial.Dados do IBGE mostram que a população negra continua concentrada, em maior proporção, entre os grupos de menor renda e patrimônio.
Isso não significa que apostar seja uma prática exclusiva da população negra. Mas significa que os efeitos econômicos de uma perda podem ser muito mais severos para quem já convive diariamente com menos margem financeira.
É justamente nesse ponto que acredito que a comunicação precisa assumir parte da responsabilidade da conversa. A publicidade não cria, sozinha, um comportamento social. Mas ela ajuda a legitimá-lo, amplia sua presença, reduz a sensação de estranhamento. E quanto mais natural uma prática se torna no cotidiano, menor tende a ser a percepção dos seus riscos.
Talvez por isso seja tão significativo perceber que essa discussão já começa a chegar ao poder público. No Rio de Janeiro, projetos de lei passaram a discutir a restrição da publicidade de plataformas de apostas em determinados espaços e contextos. Independentemente do desfecho dessas propostas, elas demonstram que a publicidade das BETs deixou de ser apenas uma pauta de mercado para se tornar também uma pauta social.
Essa mudança me faz lembrar de outros momentos da história da comunicação. Assim como aconteceu com a publicidade de cigarros e, posteriormente, com as discussões sobre bebidas alcoólicas, começamos a refletir sobre os limites da comunicação apenas quando o impacto social passa a ocupar o centro do debate. Talvez estejamos vivendo esse mesmo momento.
Como profissional da comunicação, não acredito que a publicidade deva abrir mão da criatividade ou da inovação. Mas acredito que ela precisa ampliar sua responsabilidade.
No fim das contas, talvez a pergunta mais importante não seja quanto as BETs investem em publicidade. A verdadeira pergunta é: que futuro estamos financiando quando as plataformas de apostas se tornam um dos principais rostos da comunicação brasileira?
Talvez o fato mais simbólico nem seja o avanço de propostas para restringir esse tipo de publicidade. O mais simbólico é perceber que começamos a discutir os limites dessa comunicação apenas depois que ela já ocupou estádios, podcasts, influenciadores, redes sociais e parte significativa da paisagem publicitária do país.
Porque a publicidade nunca é apenas um espelho da sociedade. Ela também ajuda a desenhar o futuro que estamos construindo.
O escritor Wesley Barbosa se prepara para um marco importante em sua carreira na Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) de 2026. No dia 23 de julho, às 10h, o autor lança seu primeiro livro voltado ao público infantil, Os barraquinhos da favela (Editora Moderna), durante uma roda de conversa na Casa da Favela.
A obra propõe uma imersão poética e afetiva nas memórias da infância na periferia, reconstruindo o cotidiano sob o olhar de quem viveu essa realidade de perto. Ilustrado por Tainan Rocha, o livro equilibra as duras lembranças das casas de madeira vulneráveis ao vento com o afeto das refeições em família e o horizonte visto de janelas quebradas — metáforas de sonhos que resistem ao tempo e à escassez. A leitura é recomendada para crianças a partir de 6 anos.
“A mensagem que quero passar com Os Barraquinhos da Favela é que, mesmo em meio às adversidades de um lugar abandonado pelo Estado, é possível escrever, é possível atravessar a ponte, se inspirar nos livros e fazer a diferença por meio dos estudos“, disse Wesley ao Mundo Negro.
A presença de Wesley Barbosa na FLIP deste ano carrega também um forte simbolismo de resistência. Durante o Festival Literário Internacional de Poços de Caldas (Flipoços), em Minas Gerais, Barbosa discursava no estande do Coletivo Neomarginal — grupo que reúne autores da literatura periférica — quando foi interrompido pela escritora Camila Panizzi Luz. Em tom irônico, ela declarou: “Eu quero ser uma neomarginal, gente, olha que tudo. Camila Luz, neomarginal, nunca fui presa”.
A fala, que associou diretamente a literatura de periferia à criminalidade e ao encarceramento, foi repudiada pelo público e nas redes sociais, levantando debates urgentes sobre o preconceito estrutural enfrentado por autores negros e periféricos nos espaços literários tradicionais.
Nascido em Itapecerica da Serra (SP) em 1990, Barbosa possui cinco livros publicados e consolida sua trajetória ao trazer a oralidade e a vivência urbana para o centro da literatura brasileira, agora inspirando as novas gerações a reescreverem seus próprios destinos.
Pesquisa com 14 modelos multimodais também identificou aumento de 69% na associação de homens latinos à categoria “criminoso” após a ampliação dos dados de treinamento
O aumento da quantidade de dados usados para treinar sistemas de inteligência artificial não significa, necessariamente, resultados mais seguros ou menos racistas. Um estudo com 14 modelos multimodais identificou que a ampliação das bases de treinamento elevou em 65% a probabilidade de imagens de homens negros serem classificadas na categoria “criminoso”. Entre homens latinos, o crescimento chegou a 69%.
Publicado na conferência ACM FAccT 2024, o estudo The Dark Side of Dataset Scaling: Evaluating Racial Classification in Multimodal Models analisou ferramentas capazes de relacionar imagens e textos. Os pesquisadores compararam modelos treinados com duas bases da LAION: uma com 400 milhões de amostras e outra com 2 bilhões. Para testar os sistemas, utilizaram imagens do Chicago Face Dataset.
Nos modelos maiores, a expansão dos dados aumentou as associações racistas. Já nos modelos menores, a probabilidade caiu 20% para homens negros e 47% para homens latinos. A diferença mostra que a escala, sozinha, não determina os resultados: a arquitetura dos sistemas e a curadoria das bases também precisam ser consideradas.
A pesquisa reforça que ampliar uma base de treinamento sem avaliar a origem e o conteúdo das informações pode fazer com que desigualdades já presentes na internet sejam incorporadas aos sistemas tecnológicos.
Vieses antecedem a inteligência artificial generativa
O problema não começou com as atuais ferramentas de geração de imagens. Em 2018, as pesquisadoras Joy Buolamwini e Timnit Gebru publicaram o estudo Gender Shades, que analisou sistemas comerciais de classificação de gênero.
A pesquisa constatou taxas de erro de até 34,7% na análise de mulheres com tons de pele mais escuros. Entre homens de pele mais clara, o índice máximo foi de 0,8%. O levantamento também mostrou que duas bases amplamente utilizadas naquele período eram compostas majoritariamente por pessoas de pele clara.
Para Cáren Cruz, consultora de imagem identitária e CEO da Pittaco Consultoria, esse histórico ajuda a compreender por que os problemas continuam aparecendo mesmo com os avanços técnicos da inteligência artificial.
Segundo a especialista, ferramentas de geração de imagens podem modificar tons de pele, textura dos cabelos e traços faciais, mesmo quando recebem comandos específicos e fotografias reais como referência. O resultado pode apresentar boa qualidade estética, mas falhar na preservação da aparência e da identidade visual da pessoa retratada.
Cáren ressalta que essas alterações não devem ser tratadas apenas como erros técnicos. Quando características de pessoas negras são suavizadas ou aproximadas de padrões dominantes, os sistemas reproduzem referências historicamente construídas sobre quais aparências são consideradas aceitáveis.
Diversidade precisa estar presente no desenvolvimento
A representatividade nas imagens produzidas pelas ferramentas depende diretamente das pessoas, dos repertórios e das bases envolvidos em sua criação. Por isso, a diversidade racial não deve aparecer somente na etapa final dos projetos tecnológicos.
Para Cáren, equipes plurais e bases de dados cuidadosamente analisadas são fundamentais para que os sistemas reconheçam a variedade de tons de pele, subtons, texturas de cabelo, traços e expressões presentes entre pessoas negras.
A especialista relata ter participado de um grupo focal no qual uma instituição distribuía as peles negras em apenas seis tons. Para ela, esse tipo de classificação reduz uma pluralidade que precisa ser considerada por tecnologias voltadas à imagem e à identificação de pessoas.
Os estudos indicam que bases maiores não eliminam automaticamente o racismo algorítmico. Sem curadoria, auditorias independentes e participação de profissionais negros no desenvolvimento, a inteligência artificial pode ampliar associações racistas e transformar desigualdades históricas em resultados apresentados como decisões técnicas.
Patrocínio da categoria Empreendedora do Ano marca a primeira parceria entre a TV Globo e a maior premiação dedicada a mulheres negras do Brasil
A PowerList Mundo Negro ganha em sua 5ª edição uma parceria inédita: a TV Globo entra como patrocinadora da premiação, assinando com a marca da novela ‘A Nobreza do Amor’, das 18h. A parceria patrocina especificamente a categoria Empreendedora do Ano, uma das cinco do voto popular, que homenageia mulheres negras à frente de negócios de qualquer porte que demonstrem inovação, impacto social e liderança empreendedora.
A cerimônia da PowerList 2026 acontece no dia 31 de julho, dentro do Julho das Pretas Latino-Americanas e Caribenhas, na sede da L’Oréal Brasil, no Rio de Janeiro. A premiação homenageia 10 mulheres negras a cada edição, escolhidas em duas frentes: voto popular (com a novidade da autoindicação em 2026) e curadoria técnica. As vencedoras foram reveladas no dia 1º de julho. (Confira aqui)
A NOVELA COMO PONTE
A escolha de A Nobreza do Amor como marca dessa parceria não é por acaso. A novela, que ocupa a faixa das 18h da TV Globo, traz personagens negras em posição de protagonismo e dialoga diretamente com o propósito da PowerList: dar visibilidade a histórias de mulheres negras que muitas vezes ficam à margem da narrativa hegemônica.
Para Larissa Régia, gerente de Marketing da TV Globo, a trama trabalha questões de representatividade e empreendedorismo negro que se conectam forma orgânica à categoria patrocinada pela parceria. “Acreditamos no poder da ficção, e da dramaturgia como uma ponte para discussões relevantes da sociedade. Ao apoiarmos a categoria Empreendedora do Ano, reforçamos nosso compromisso em dar visibilidade a histórias que inspiram, transformam e ampliam repertórios dentro e fora das telas”.
“Mais do que apoiar uma categoria, essa parceria representa o reconhecimento de trajetórias reais de mulheres negras que constroem seus próprios caminhos com inovação, liderança e impacto social. Para a TV Globo, é fundamental estar ao lado de iniciativas que não só celebram essas conquistas, mas também incentivam novas narrativas de sucesso e representatividade no Brasil”, completa Carola Oliveira, gerente de Marketing da TV Globo.
“Chegamos ao quinto ano do principal evento do Mundo Negro, que tem 27 anos de história. A potência de resistir só acontece pelas parcerias que acreditam nos nossos sonhos, pelas marcas e pela nossa audiência, que nos engaja e nos estimula a sonhar. Com L’Oréal e TV Globo presentes, podemos sonhar ainda mais alto e fazer do Julho das Pretas uma grande celebração“, afirma Silvia Nascimento, CEO e Head de Conteúdo do Mundo Negro.
EMPREENDEDORA DO ANO: A CATEGORIA PATROCINADA
A categoria Empreendedora do Ano é uma das cinco do voto popular da PowerList 2026, ao lado de Criadora Digital, Profissional da Beleza, Destaque em Gastronomia e Profissional da Moda. Neste ano, a vencedora é Fany Miranda, presidente da AME-PB — onde organiza a maior feira de empreendedorismo feminino do Nordeste — e CEO da Casa Empreendedora Hub, ela articula iniciativas históricas, como o primeiro ateliê LGBTQIAPN+ no sistema prisional do país, oferecendo para a comunidade uma liderança de reconhecimento nacional que educa, inspira e eleva a autoestima do povo negro.
Em 2025, a categoria, então chamada de Empreendedora que Inspira, foi conquistada por Jamile Lima, co-founder da Interpres Empresa. E em 2024, a empreendedora e comunicadora Bárbara Brito também passou pela PowerList. Outro nome ligado à própria TV Globo já reconhecido pela premiação foi o da diretora de Marketing Samantha Almeida, homenageada em 2024.
Em entrevista ao E! News, cantora explicou por que decidiu se pronunciar sobre comentários feitos a respeito do seu corpo nas redes sociais.
A cantora e atriz Brandy Norwood, 47, concedeu entrevista exclusiva ao E! News, publicada por Sabba Rahbar em 14 de julho, na qual explicou os motivos que a levaram a se pronunciar sobre as críticas recebidas a respeito de seu corpo. A conversa aconteceu durante uma coletiva conjunta com os colegas de elenco de “Descendants: Wicked Wonderland”, Rita Ora e Leonardo Nam, filme em que Brandy retoma o papel de Cinderela e que estreia em 16 de julho.
Ao jornalista Will Marfuggi, do E! News, Brandy admitiu o desconforto causado pelos comentários sobre sua aparência recebidos nas últimas semanas, dizendo não ter gostado da forma como aquilo a fez se sentir. Segundo a cantora, foi esse desconforto que a motivou a publicar, em 11 de julho, uma reflexão em seu Instagram convidando seus seguidores a pensar antes de comentar negativamente sobre o corpo ou o rosto de alguém. Ela contou ao E! News que pensou em como qualquer pessoa se sente ao ter a aparência comentada, e decidiu transformar isso em um convite à gentileza coletiva.
Brandy reforçou, na mesma entrevista, a importância de oferecer compaixão às pessoas antes de julgá-las com base apenas na aparência, lembrando que ninguém sabe de fato a história ou as dificuldades vividas por quem está sendo observado. Ao encerrar a resposta, a cantora resumiu o recado em uma frase que remete diretamente à personagem que interpreta no filme. “Sejam gentis e amáveis”, disse Brandy ao E! News.
A entrevista também tocou na relação afetiva de Brandy com a personagem Cinderela, que ela interpretou pela primeira vez em 1997, no especial de TV ao lado de Whitney Houston, que viveu a Fada Madrinha. Quase três décadas depois, a atriz volta ao papel em “Descendants: Wicked Wonderland” e relembrou o momento de gravar a canção “Impossible” ao lado da mentora, dizendo não ter palavras para descrever a experiência.
Brandy é mãe de Sy’Rai Smith, fruto de relacionamento anterior com Robert Smith, e é uma das figuras mais conhecidas da música negra americana desde os anos 1990, com sucessos como “I Wanna Be Down” e “Have You Ever?” e passagens marcantes pela série “Moesha” e pelo cinema.
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