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Silvia Nascimento, Fundadora do Mundo Negro, é finalista do Prêmio Pensadores de Futuros 2026

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Foto: arquivo pessoal

Prêmio da Futuros Possíveis reconhece 50 lideranças que moldam o país e abre votação popular até 27 de julho

Silvia Nascimento, fundadora e head de conteúdo do Mundo Negro, está entre os finalistas do Prêmio Pensadores de Futuros 2026, iniciativa da plataforma Futuros Possíveis que reconhece 50 lideranças responsáveis por moldar os próximos passos do país em áreas como inovação, tecnologia e representatividade. A lista oficial foi divulgada após uma fase de indicações públicas e curadoria técnica, e agora o público pode votar nos candidatos pelo site oficial da premiação.

Silvia Nascimento concorre na vertical de Comunicação, uma das dez categorias do prêmio, e está entre os indicados destacados pela organização por liderarem discussões de diversidade e representatividade, ao lado de nomes como Mauricio Pestana, CEO da Revista Raça, Paola Ferreira Rosa, editora-assistente de diversidade na Folha de S.Paulo, Paula Luiza, diretora da WorldWide Women in Tech, Milena Moraes, gestora de inovação na Mamba Negra Tecnológica, Andreza Delgado, cofundadora da Perifacon, e Amanda Costa, fundadora do Instituto Perifa Sustentável, entre outros indicados.

Jornalista formada pela PUC-Campinas, Nascimento fundou o Mundo Negro em 2001, primeiro portal de notícias voltado à comunidade negra na América Latina, e desde então acumula a direção de conteúdo do site. Antes de se dedicar integralmente ao portal, atuou como repórter de negócios na revista da ABAD, foi editora de publicações do Conselho Federal de Farmácia e assinou textos em veículos como UOL, Vogue, Meio & Mensagem e a revista americana Essence. Em 2006, criou o primeiro programa de formação para criadores de conteúdo negros realizado no YouTube Space Brasil, e em 2022 lançou a Powerlist Mundo Negro, prêmio que reconhece mulheres negras de destaque em diferentes áreas e que chegou à quinta edição em 2026, com quase 20 mil votos no processo de escolha das homenageadas.

Silvia Nascimento, fundadora e head de conteúdo do Mundo Negro, está entre os finalistas do Prêmio Pensadores de Futuros 2026, iniciativa da plataforma Futuros Possíveis que reconhece 50 lideranças responsáveis por moldar os próximos passos do país em áreas como inovação, tecnologia e representatividade. A lista oficial foi divulgada após uma fase de indicações públicas e curadoria técnica, e agora o público pode votar nos candidatos pelo site oficial da premiação.

A indicação de Nascimento aparece na vertical de diversidade e representatividade, ao lado de nomes como Mauricio Pestana, CEO da Revista Raça, Paola Ferreira Rosa, editora-assistente de diversidade na Folha de S.Paulo, Paula Luiza, diretora da WorldWide Women in Tech, Milena Moraes, gestora de inovação na Mamba Negra Tecnológica, Andreza Delgado, cofundadora da Perifacon, e Amanda Costa, fundadora do Instituto Perifa Sustentável, entre outros indicados.

Jornalista formada pela PUC-Campinas, Nascimento fundou o Mundo Negro em 2001, primeiro portal de notícias voltado à comunidade negra na América Latina, e desde então acumula a direção de conteúdo do site. Antes de se dedicar integralmente ao portal, atuou como repórter de negócios na revista da ABAD, foi editora de publicações do Conselho Federal de Farmácia e assinou textos em veículos como UOL, Vogue e Meio & Mensagem. Em 2022, lançou a Powerlist Mundo Negro, prêmio que reconhece mulheres negras de destaque em diferentes áreas e que chegou à quinta edição em 2026, com quase 20 mil votos no processo de escolha das homenageadas.

O reconhecimento externo ao trabalho de Nascimento já havia aparecido em outras premiações recentes, caso do Troféu Mulher Imprensa, do qual foi finalista na categoria Liderança em 2022, e do Prêmio Jacira Silva, recebido em 2024 como representante do Mundo Negro na 17ª edição do Festival Latinidades, em Brasília. Ainda em 2024, ela foi a única jornalista brasileira selecionada para o Reporting Tour, intercâmbio profissional promovido pelo governo dos Estados Unidos para cobertura das eleições americanas.

Os candidatos ao Pensadores de Futuros 2026 passam pela metodologia proprietária P.E.N.S.A.R, da Futuros Possíveis, que avalia critérios como pensamento crítico, capacidade de análise de mercado e execução prática. A avaliação técnica conta com um comitê de jurados formado por Beatriz Guarezi, da Bits to Brands, Amanda Graciano, do Pacto Global da ONU, Carine Roos, consultora em ética na inteligência artificial, Igor Lopes, da TransformaçãoDigital.com, Michel Porcino, da OFUTURO, e Mateus Fernandes, palestrante do circuito TEDx.

Em declaração distribuída pela organização, o CEO da Futuros Possíveis, Marcelo Gripa, afirmou que “o futuro do Brasil está sendo projetado por uma rede plural”, que conecta lideranças corporativas, a academia e movimentos sociais de base. Andreza Maia, cofundadora e diretora de influência da plataforma, também comentou o critério de seleção da lista e declarou que “o futuro também se desenha como uma disputa de imaginários”.

A votação popular vai definir os 50 nomes que vão compor a comunidade oficial de Pensadores de Futuros de 2026, com resultado previsto para 27 de julho, durante evento especial da premiação. Até lá, o público pode votar em Nascimento e nos demais finalistas pelo site oficial do prêmio, clique aqui.

Clementina de Jesus, a voz ancestral que o Brasil descobriu aos 63 anos

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Foto: Hipólito Pereira

Empregada doméstica por mais de 20 anos, cantora se tornou maior referência de samba, vissungos e partido-alto.

Não existe idade certa para o reconhecimento chegar, e a trajetória de Clementina de Jesus prova isso da forma mais dura possível, já que ela só subiu a um palco pela primeira vez aos 63 anos, depois de passar mais de duas décadas trabalhando como empregada doméstica, e ainda assim se tornaria a maior referência do samba, dos vissungos, das ladainhas religiosas e dos partidos-altos no Brasil. A data de 19 de julho marca 39 anos de sua partida, ocorrida em 1987, no Rio de Janeiro, em decorrência de complicações de um derrame.

Neta de pessoas escravizadas em uma fazenda de café do Vale do Paraíba por parte de mãe, e de negros alforriados por parte de pai, Clementina de Jesus da Silva nasceu na comunidade do Carambita, periferia da cidade de Valença, no sul do estado do Rio de Janeiro, em 7 de fevereiro de 1901. A mãe, Amélia de Jesus dos Santos, era parteira, lavadeira e rezadeira, e o pai, Paulo Batista dos Santos, trabalhava como pedreiro, carpinteiro, mestre de capoeira e violeiro, ofícios que atravessavam tanto o trabalho manual quanto a tradição musical e religiosa da família. Foi com a mãe que Clementina aprendeu, ainda criança, pontos de jongo, cantos de trabalho, ladainhas e partidos-altos, além de rezas em línguas de matriz banta, um repertório absorvido inteiramente por transmissão oral, sem qualquer contato com formação musical formal.

Aos oito anos, a família se mudou para o Rio de Janeiro, primeiro para Jacarepaguá e depois para o bairro de Oswaldo Cruz, onde Clementina acompanhou de perto o surgimento e o desenvolvimento da escola de samba Portela, frequentando desde cedo as rodas de samba da região. Em 1940, já casada, mudou-se para a Mangueira, e seguiu vivendo à margem dos palcos por mais duas décadas, trabalhando como empregada doméstica e criando as filhas sozinha, sem qualquer perspectiva de carreira artística à vista.

O atraso no reconhecimento não resultou do acaso, mas do lugar social ocupado por uma mulher negra, pobre e trabalhadora doméstica em um Brasil que historicamente reservava os palcos da música popular a outro perfil de artista. A mudança começou em 1963, quando o produtor e compositor Hermínio Bello de Carvalho a ouviu cantar em uma festa na Penha e, mais tarde, reencontrou-a na inauguração do bar Zicartola, ponto de encontro de sambistas no Rio de Janeiro. Impressionado com a potência da voz dela, Hermínio a convidou para o projeto “O Menestrel”, onde Clementina estrearia profissionalmente em 1964, já aos 63 anos, ao lado do violonista Turíbio Santos. No ano seguinte, em 1965, ela integrou o elenco do espetáculo “Rosa de Ouro”, com direção de Hermínio Bello de Carvalho e Kléber Santos, dividindo o palco com Araci Cortes, Elton Medeiros, Paulinho da Viola e Nelson Sargento, entre outros nomes que viriam a se tornar centrais no samba carioca. O sucesso do espetáculo gerou dois álbuns ao vivo e projetou definitivamente o nome de Clementina para o público nacional.

A partir da estreia, o repertório de Clementina se revelou em toda a sua extensão e diversidade. Em 1966, ela gravou o primeiro disco solo, intitulado “Clementina de Jesus”, pela gravadora Odeon, reunindo jongos, corimás, sambas e partidos-altos, com destaque para as faixas “Cangoma me Chamou” e “Barracão É Seu”, esta última um dueto de quase sete minutos marcado por dezesseis improvisos poéticos. Em 1968, ela participou do LP “Gente da Antiga”, produzido por Hermínio Bello de Carvalho, ao lado de Pixinguinha e João da Baiana, considerado até hoje um dos registros históricos mais importantes da música popular brasileira. Já em 1982, ao lado das cantoras Tia Doca e Geraldo Filme, Clementina gravou o disco “O Canto dos Escravos”, reunindo vissungos, cantos de trabalho entoados em dialeto banto por pessoas escravizadas de origem benguela nas minas de Diamantina, em Minas Gerais, cantos que haviam sido recolhidos décadas antes pelo filólogo Aires da Mata Machado Filho e que, sem esse tipo de registro sonoro, correriam risco real de desaparecer. Ela também emprestou a voz à faixa “Escravos de Jó”, no álbum “Milagre dos Peixes”, de Milton Nascimento, lançado em 1978. Ao todo, Clementina gravou cinco discos solo e emprestou a voz a treze LPs entre trabalhos próprios e participações.

O reconhecimento institucional viria em vida, ainda que tardio, com uma homenagem em espetáculo no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em 1983, promovida pelo então secretário de Cultura do estado, Darcy Ribeiro, e que reuniu nomes como Paulinho da Viola, João Nogueira, Elizeth Cardoso, Beth Carvalho e Gilberto Gil, acompanhados pela bateria da Estação Primeira de Mangueira, marcando a primeira vez que o Teatro Municipal abriu as portas para o samba. Em 1985, ela recebeu do governo francês, das mãos do ministro da Cultura Jack Lang, a Comenda da Ordem das Artes e Letras, em cerimônia que contou com a presença de Jorge Amado, Caetano Veloso e Milton Nascimento. Um Ciep no bairro de Campo Grande, na zona oeste do Rio de Janeiro, leva o nome dela até hoje, e sua trajetória foi reunida no livro “Quelé, a Voz da Cor”, lançado em 2017 pela Civilização Brasileira após mais de seis anos de pesquisa, com depoimentos de Paulinho da Viola, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Hermínio Bello de Carvalho e Beth Carvalho, entre outros.

Clementina também é conhecida como Quelé, corruptela carinhosa do próprio nome, e como Rainha Ginga, em referência à soberana angolana Nzinga, símbolo histórico de resistência ao colonialismo português em Angola. Há ainda uma leitura simbólica possível para esse apelido, que vale como interpretação e não como origem histórica comprovada do nome, já que nenhuma fonte confirma ligação direta entre os dois termos: no candomblé, o quelê é o colar sagrado que liga o iniciado ao próprio orixá, funcionando como proteção e conexão com a ancestralidade. Não é exagero enxergar Clementina de Jesus cumprindo, para o samba brasileiro, papel semelhante ao daquele colar, o de guardiã que atravessou a vida inteira carregando e protegendo uma memória negra que, sem ela, teria se perdido.

Milton Nascimento é internado com pneumonia; equipe informa que cantor está estável

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Foto: Fabio Rocha/TVGlobo

Equipe do cantor informa que ele está estável, com boa evolução clínica, e deve continuar o tratamento em casa após a alta.

O cantor Milton Nascimento, de 83 anos, está internado desde a última quarta-feira para tratar uma pneumonia, segundo nota divulgada nesta sexta-feira pela equipe do artista. O comunicado informa que ele está estável, apresenta boa evolução clínica e deve receber alta nos próximos dias para dar continuidade ao tratamento em casa.

A equipe descreveu a pneumonia como uma intercorrência considerada comum diante do atual quadro de saúde do cantor, sem detalhar o histórico clínico que motiva essa avaliação. “Ele segue estável e em boa evolução clínica, com todo o suporte necessário”, afirma a nota, que também garante o acompanhamento de profissionais de saúde durante a internação.

Segundo o comunicado, a expectativa é de que Milton deixe o hospital nos próximos dias para seguir o tratamento em casa, visando o conforto do artista. A equipe não informou em qual hospital ele está internado nem deu detalhes sobre o início dos sintomas ou os procedimentos adotados até o momento. A nota foi publicada nas redes sociais do cantor e replicada por seu perfil oficial no Instagram.

Um dos principais nomes da música popular brasileira, Milton Nascimento é autor de canções como “Travessia”, “Clube da Esquina nº 2”, “Canção da América” e “Maria, Maria”. O artista encerrou a turnê de despedida dos palcos em 2022, mas segue participando de projetos especiais e fazendo aparições públicas ocasionais.

Karol Conká fala sobre o retorno aos palcos de “Batuk Freak”, álbum vanguardista de sua carreira

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Foto: Gabriel Renné/ divulgação

A turnê estreia neste sábado (18) na Casa Natura Musical, em São Paulo, celebrando os 25 anos de carreira da artista e os 13 anos do disco de estreia.

Karol Conká sobe ao palco da Casa Natura Musical, em São Paulo, neste sábado (18), para a estreia da turnê que leva de volta aos palcos o álbum “Batuk Freak”. A apresentação marca o início de uma série de shows que celebra os 25 anos de carreira da artista e revisita o disco que, lançado gratuitamente em abril de 2013 pela revista Vice e depois pela Deckdisc, ajudou a consolidar uma linguagem musical que hoje é comum na produção nacional, mas que na época soava como uma aposta arriscada. Depois de São Paulo, a turnê segue para Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Florianópolis, com novas datas anunciadas ao longo do ano.

Em entrevista ao Mundo Negro, Karol Conká falou sobre o significado de revisitar esse repertório, as referências que sustentaram sua construção e o lugar que ocupa hoje como uma das principais nomes do rap e do funk brasileiros.

Uma estreia que virou divisor de águas

Produzido por Nave Beats entre 2009 e 2013, “Batuk Freak” reuniu rap, funk, afrobeat e sonoridades eletrônicas em uma linguagem que, à época, não tinha paralelo direto na cena nacional. O single “Boa Noite” abriu caminho para a indicação de Karol Conká na categoria Aposta do MTV Video Music Brasil, em 2011, ainda antes do lançamento oficial do álbum. Faixas como “Corre, Corre Erê”, “Gandaia” e “Gueto ao Luxo” somaram, à época, mais de um milhão e meio de visualizações no YouTube e projetaram a curitibana para além do circuito underground em que havia começado a carreira, no início dos anos 2000.

Passados treze anos, Karol Conká reconhece que a dimensão que o disco alcançaria não era clara enquanto o trabalho estava sendo construído. “Olhando hoje para a Karol daquela época, eu vejo que eu tinha muita garra, ainda tenho, essa disposição para viver intensamente a vida e cada desafio que aparece na frente. Eu tinha conhecimento que o álbum era um divisor de águas, uma coisa disruptiva no meio do rap, mas eu não fazia ideia que ele ia se tornar um marco assim para as gerações”, contou a artista, em entrevista ao Mundo Negro.

As raízes de um som vanguardista

A mistura de referências que caracteriza “Batuk Freak” nasceu do encontro entre a trajetória de Karol Conká e a produção de Nave Beats, responsável também por trabalhos de nomes como Emicida e Marcelo D2. Segundo a artista, o processo de composição foi também um processo de amadurecimento profissional. “Esse repertório todo é graças a vivências, experiências e conexões. Esse álbum foi produzido pelo Nave, então ele traz muito dessa brasilidade e dessa veia artística. Devo muito também à produção dele, que me ajudou a me conhecer como artista e entender quais seriam os novos passos. Foi um álbum que me despertou para o mundo artístico mais administrativo, vamos dizer assim. Até então eu fazia música me divertindo, e o Batuk Freak me cravou o pé, me assentou como artista. Eu sabia que a partir dali eu ia viver da minha arte para sempre”, afirmou Karol Conká.

Questionada sobre as influências que alimentaram a construção do disco, a cantora citou um repertório amplo, que atravessa gerações e gêneros da música negra brasileira e internacional. “As minhas influências na época, e até hoje reverberam dentro de mim, são Lauryn Hill, Nação Zumbi, Timbalada, Zeca Pagodinho, Negra Li, Dina Di, Negralli. Essas foram as fontes em que eu me vitaminei para florescer o meu dom”, disse a artista, que define sua identidade sonora como uma miscelânea deliberada de temas, melodias e eras.

Críticas publicadas à época do lançamento já apontavam essa característica como um dos pilares do trabalho. A produção foi descrita como um catálogo de ideias que dialogava com nomes internacionais como Santigold e M.I.A., sem abrir mão de referências da produção brasileira, casando os tambores tribais de “Corre, Corre Erê” com o cover de “Caxambu”, do sambista Almir Guineto, e contando ainda com participações de Rincon Sapiência e Tuty.

Uma luta que se repete

Karol Conká é apontada hoje como uma das artistas que abriram caminho para uma geração de mulheres que hoje ocupam espaço central no rap e no funk brasileiros. Ainda assim, o debate sobre a necessidade de dar visibilidade a essas artistas continua presente na cena, mesmo duas décadas e meia depois do início da carreira da cantora. Perguntada sobre por que esse espaço ainda exige tanta disputa, Karol Conká reconheceu o incômodo da repetição, mas fez questão de marcar uma mudança concreta em relação ao passado.

“É complicado quando a gente percebe que bate numa mesma tecla e, anos depois, tem que continuar batendo naquela mesma tecla. É um sinal de que muita coisa não andou para frente. Mas no caso do rap nacional, uma tecla a gente não precisa mais bater, que é achar que não tem mulheres no rap. A verdade é que sempre teve mulheres no rap, só não tinha espaço, elas não tinham visibilidade e não tinham tanto apoio como hoje tem. Ainda vivemos uma escassez, mas existe apoio, muito vindo das próprias mulheres para fazer acontecer”, declarou a artista, em entrevista ao Mundo Negro.

A cantora também citou a geração de rappers que despontou no final dos anos 1980 como parte de uma linhagem que antecedeu sua própria trajetória e que, segundo ela, corre o risco de ser apagada da memória da cena. “É um caminho que foi um passo dado por mulheres na década de 80, artistas do rap que hoje não teriam tanta visibilidade, mas que nunca vão ser esquecidas. Acho muito bacana esse movimento que está sendo feito e a gente entender que hoje só precisamos de nós”, afirmou.

Uma postura antes do discurso pronto

Para além da sonoridade, “Batuk Freak” é lembrado por ter colocado em primeiro plano uma estética e uma postura associadas à cultura negra em um momento no qual esse debate ainda não fazia parte da conversa pública brasileira do jeito que faz hoje. Questionada sobre o que significa subir ao palco novamente com esse repertório, agora diante de um público que reconhece essa construção com outro vocabulário, Karol Conká descreveu a sensação como gratidão.

“É muito bom, é gratificante demais ver que as minhas ideias, as minhas percepções através da música, despertaram também o interesse de outras pessoas de se permitirem ser e estar onde elas quiserem. Fico muito lisonjeada quando reconhecem toda a minha trajetória e todo o esforço que eu tive e tenho pela cultura, pela música, pela arte. Eu sou uma artista plural e me proponho a fazer tudo da melhor forma que eu posso. É muito bacana quando eu recebo carinho, reconhecimento. Eu fico feliz”, disse a cantora.

Nostalgia e estreia no mesmo palco

Sobre a apresentação de estreia, marcada para este sábado na Casa Natura Musical, Karol Conká adiantou que o espetáculo foi pensado como um encontro entre gerações de público, entre quem acompanhou o disco em 2013 e quem chega até ele agora. “As pessoas podem esperar um momento muito gostoso e nostálgico, onde eu vou convidar o público para revisitar as suas fontes de fortaleza, onde as pessoas vão relembrar o momento em que conheceram o Batuk Freak. E para a galera da nova geração que não viveu aquela época lá atrás, também está convidada a viver essa nova era. O Batuk Freak é um álbum atemporal, ele sempre vai falar com várias gerações, e isso é muito legal”, concluiu a artista.

Depois da estreia em São Paulo, a turnê segue para A Autêntica, em Belo Horizonte, no dia 14 de agosto, Tork N’Roll, em Curitiba, no dia 18 de setembro, Opinião, em Porto Alegre, no dia 19 de setembro, e Deraiz, em Florianópolis, no dia 26 de setembro. Novas datas devem ser anunciadas nas próximas semanas.

Filhas de Diddy falam sobre relação com o pai após condenação: “ele dá os melhores conselhos”

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Foto: BackGrid/Getty Images/Reprodução

Jessie e D’Lila Combs dão primeira entrevista desde a condenação do pai e comentam conselhos recebidos dele para tocar nova marca de roupas, a 12TWINTY1.

Jessie James Combs e D’Lila Star Combs, filhas gêmeas de 19 anos de Sean “Diddy” Combs e da atriz Kim Porter, concederam à jornalista Nischelle Turner, da Entertainment Tonight, a primeira entrevista desde a condenação do pai, cumprida em julho de 2026 por dois crimes de transporte para fins de prostituição, que resultaram em pena de 50 meses de prisão na unidade federal de Fort Dix. Combs foi absolvido das acusações mais graves de organização criminosa e tráfico sexual que também constavam do processo.

Questionadas sobre eventual receio em se expor ao público neste momento, as irmãs foram responderam: “Não. De forma alguma”, e explicaram o motivo: “As pessoas não percebem que, só porque ele é o nosso pai, não significa que a imprensa dele seja a nossa imprensa. A nossa imprensa é a nossa imprensa. Nossa linha de roupas é a nossa linha de roupas, não a linha de roupas dele. É separado. As pessoas não entendem que também somos indivíduos.”

Sobre o momento escolhido para lançar a marca, em meio à repercussão do processo do pai, as gêmeas reforçaram que o projeto vinha sendo amadurecido havia anos. “Nós queríamos ter uma linha de roupas há muitos, muitos anos. Agora é o momento porque estamos nos tornando adultas. Nós realmente temos tempo. Temos 19 anos, não estamos mais no ensino médio, estamos nos tornando jovens mulheres.” A coleção de estreia da 12TWINTY1 recebeu o nome de “777”, em referência aos sete minutos que separam o nascimento das duas.

A respeito da relação atual com o pai, as irmãs descreveram vínculo próximo: “Está ótima! É ótima, com certeza somos muito próximas. E ele dá os melhores conselhos. Ele é muito, muito experiente nesse aspecto. Nós perguntamos a ele o tempo todo, tipo, quando precisamos de ajuda com algo.” Segundo as gêmeas, um ensinamento do pai se tornou referência direta na condução do negócio. “O sucesso não será entregue de bandeja para você. Tipo, não espere estender as mãos e o sucesso virá. Você tem que trabalhar duro, tem que dedicar tempo. Esse conselho realmente nos moldou hoje, porque nós nos esforçamos muito. Ele tem sido muito, muito prestativo.”

Procurado pela imprensa americana após o lançamento da marca, Combs declarou orgulho do empreendimento das filhas e disse esperar que o público julgue a 12TWINTY1 pela qualidade do que foi criado, sem associar o projeto à situação jurídica dele.

Atriz angolana Lesliana Pereira estreia em “A Nobreza do Amor” como candidata a rainha

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Foto: Globo/ Fábio Rocha

Atriz angolana vive Binta Faye, candidata a rainha que desperta o interesse do rei Jendal na novela A Nobreza do Amor, com estreia em 17 de julho.

A atriz angolana Lesliana Pereira estreia nesta sexta-feira, 17 de julho, na novela “A Nobreza do Amor”, da TV Globo, na pele de Binta Faye, uma jovem da nobreza senegalesa que chega ao reino fictício de Batanga para disputar o posto de rainha ao lado do rei Jendal, vivido por Lázaro Ramos. A personagem surge como uma das principais concorrentes ao título logo na cerimônia de apresentação das candidatas, quando desperta a atenção imediata do monarca.

Jendal demonstra fascínio por Binta e comenta o significado do nome da personagem, associado à força, à beleza e à inteligência, além de elogiar sua aparência diante das demais concorrentes. Ao notar as joias e os sinais de riqueza da família da jovem, o rei passa a considerá-la também uma possível aliança política e econômica para Batanga, fator que altera o equilíbrio entre as pretendentes ao trono e projeta consequências para a trajetória do vilão da trama.

Foto: Globo/ Fábio Rocha

Em comunicado distribuído pela Globo, Lesliana Pereira descreve a personagem como “o diamante da temporada” e destaca o caráter estratégico de Binta na disputa pela coroa. Natural de Soyo, na província do Zaire, em Angola, e criada entre Angola e Portugal, a atriz conquistou os títulos de Miss Zaire e Miss Angola em 2008, marco que impulsionou sua carreira internacional na televisão e no cinema entre os dois países, além de destacar a proximidade que sente com o público brasileiro, resultado de afinidades culturais entre Angola e o Brasil na música, na alegria e no ritmo de viver.

Salão Preta Brasileira cria calculadora de preços para trancistas

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Imagem gerada por IA
Imagem gerada por IA

Ferramenta considera tempo de trabalho, materiais, deslocamento e despesas operacionais para ajudar profissionais a calcular o valor dos serviços

Definir o preço de uma trança envolve tempo de execução, produtos, deslocamento, taxas de pagamento e despesas do espaço de atendimento, mas nem sempre esses gastos são considerados pelos profissionais.

Para auxiliar nesse processo, o Salão Preta Brasileira lançou uma calculadora gratuita de precificação voltada aos trancistas. A ferramenta permite reunir os custos envolvidos no atendimento e obter uma estimativa que pode servir como referência para a formação do preço.

O lançamento ocorre pouco mais de um ano depois da inclusão da ocupação de trancista na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), sob o código 5161-65. Oficializada em 2025, a medida ampliou a visibilidade administrativa do ofício e sua identificação em registros relacionados ao mercado de trabalho.

A inclusão na CBO, no entanto, não equivale à regulamentação da profissão. O próprio Ministério do Trabalho e Emprego explica que a classificação reconhece a existência da ocupação para fins administrativos e estatísticos, enquanto a regulamentação depende da aprovação de uma lei pelo Congresso Nacional. 

O que fica de fora na hora de calcular o preço?

A calculadora foi desenvolvida a partir do acompanhamento de mais de 300 trancistas formadas pelo Preta Brasileira e das dúvidas apresentadas em grupos de desenvolvimento profissional, segundo a instituição.

“A precificação é uma das dúvidas mais recorrentes entre as trancistas. Muitas dominam a técnica, mas nem sempre possuem ferramentas para calcular corretamente seus custos e transformar seu trabalho em um negócio financeiramente sustentável”, afirma Suelen Lima, cofundadora do Salão Preta Brasileira.

Entre os problemas identificados está a definição do preço baseada apenas no valor da fibra ou na comparação com o que outras trancistas cobram. Essa referência externa não necessariamente contempla as diferenças entre a rotina, os custos e as metas de cada profissional.

Um serviço de tranças pode incluir, além dos materiais principais, produtos utilizados na preparação e na finalização dos cabelos, transporte, alimentação, energia elétrica, manutenção do espaço, taxas de cartão ou plataforma de pagamento e as horas dedicadas ao atendimento.

“Quando a profissional passa a analisar todos os custos envolvidos, muitas vezes percebe que estava trabalhando com uma margem muito menor do que imaginava”, explica Suelen.

Como a calculadora funciona?

Na plataforma, a trancista pode informar o modelo de trança, o tempo estimado para concluir o serviço, os gastos com materiais, o deslocamento, os custos adicionais, a frequência de atendimentos e o objetivo de faturamento.

A partir desses dados, a calculadora apresenta uma estimativa. O resultado não determina quanto todas as profissionais devem cobrar, mas oferece uma base para que cada trancista avalie o valor de acordo com sua realidade, experiência e condições de trabalho.

A lógica de cálculo foi elaborada pelo Preta Brasileira com base em 15 anos de atuação no setor. A equipe utilizou inteligência artificial generativa como apoio na programação da plataforma, mas afirma que os critérios considerados pela ferramenta foram definidos a partir do acompanhamento das profissionais.

“O conhecimento foi construído na prática, acompanhando a realidade das trancistas ao longo dos anos. A tecnologia nos ajudou a transformar essa experiência em uma ferramenta simples e acessível, capaz de apoiar profissionais em diferentes momentos da carreira”, diz Suelen.

Antes de ser disponibilizada ao público, a calculadora foi testada por mais de 80 trancistas ligadas à instituição. A etapa serviu para avaliar se os campos e resultados estavam próximos das situações encontradas no trabalho cotidiano.

A calculadora é gratuita e pode ser acessada no site: https://calculadora.pretabrasileira.com.br/calculadora.html 

‘A Odisseia’ conquista 98% no Rotten Tomatoes; Zendaya, Lupita Nyong’o, Travis Scott e Corey Hawkins estrelam o filme do ano

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Zendaya e Lupita no filme A Odisseia
Zendaya e Lupita (Fotos: ©Universal)

Christopher Nolan parece ter conquistado o público com A Odisseia. O épico de 172 minutos, escrito e dirigido pelo vencedor do Oscar, estreou hoje (16) nos cinemas brasileiros cercado de grande expectativa e, após a divulgação das primeiras críticas, já desponta com 98% de aprovação no Rotten Tomatoes.

A Odisseia é baseada em um dos maiores poemas da Grécia Antiga, de autoria de Homero, e acompanha Odisseu (interpretado por Matt Damon) em sua longa jornada de volta para casa após a Guerra de Troia, enquanto seu palácio é ameaçado por um grupo que acredita que o rei está morto. Na nova versão, o diretor amplia o peso dramático do conjunto de personagens diversos e inclui nomes como Zendaya, Lupita Nyong’o, Travis Scott, Corey Hawkins e Himesh Patel em um universo marcado por mitologia, conflitos e disputas de poder.

As avaliações iniciais têm elogiado o elenco estelar, o alcance visual, a escala da produção e o modo como Nolan combina grandiosidade com tensão dramática. Em diferentes veículos, os críticos destacaram o uso do IMAX, as sequências de ação e a capacidade do diretor de transformar um texto clássico em cinema de alta voltagem.

Entre os destaques do elenco, Zendaya interpreta Atena, a deusa grega da sabedoria, da estratégia e da guerra. Ela atua como uma figura de orientação e proteção na trajetória de Odisseu, com uma presença que promete ser decisiva para a narrativa.

Já Lupita Nyong’o chega ao longa-metragem interpretando duas personagens: Helena de Troia e sua irmã gêmea, Clitemnestra — figuras fundamentais para o imaginário da Guerra de Troia e seus desdobramentos. “Esperamos que o público sinta o peso da guerra sobre as duas, embora cada uma carregue esse peso de uma maneira muito diferente”, disse a atriz em entrevista ao UOL.

O rapper Travis Scott foi escalado para interpretar Demódoco, um poeta cego — papel diretamente ligado à tradição oral da história. A presença do artista no filme chamou a atenção por aproximar a linguagem de um clássico grego a uma performance musical contemporânea.

Himesh Patel dá vida a Euríloco, o cunhado de Odisseu, enquanto Corey Hawkins também interpreta Polybus.

A Odisseia também é estrelada por Tom Holland, Anne Hathaway, Elliot Page, Robert Pattinson, Jon Bernthal e muitos outros.

Festival Julho das Pretinhas anuncia 7ª edição com música, teatro e contação de histórias em Salvador

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Festival Julho das Pretinhas
Foto: Divulgação

O Festival Julho das Pretinhas chega à 7ª edição entre 20 e 25 de julho em Salvador, com programação gratuita voltada para crianças, adolescentes, famílias e educadores. Idealizado pela atriz, escritora e educadora Cássia Valle e realizado pelo Instituto Calu Brincante, o evento tem curadoria de Lázaro Ramos, Valdineia Soriano, Lucila Laura, Pietra Gomes e Ayana Dantas e propõe fortalecer identidades das infâncias negras por meio da arte, da literatura e do brincar.

Com o tema “Imaginação, criatividade e criação para a construção das identidades infantis pretas”, esta edição destaca o poder criativo das crianças negras e investiga como práticas artísticas positivas para o pertencimento, a autoestima e o reconhecimento de suas histórias. “O Julho das Pretinhas nasce do desejo de construir lugares onde nossas crianças possam se enxergar, criar e sonhar a partir das suas próprias referências. Quando uma criança negra encontra histórias, personagens e experiências que valorizam sua existência, ela entende que sua imaginação também é território de potência e transformação”, afirma Cássia Valle.

A 7ª edição acontece na Biblioteca Monteiro Lobato e na sede da Didá. A abertura está marcada para 20 de julho, às 14h, na Biblioteca Monteiro Lobato, com a ação Fala Pretinhas — encontro com autores da coleção Linguinha do Dendê que compartilhamão processos criativos e inspirações — seguido da leitura dramatizada Maria Felipa.

No dia 21 de julho, das 14h às 17h, a sede da Didá recebe a Oficina Brinquerê, com atividades de escrita criativa, musicalização, teatro, dança e palhaçaria externas a crianças e profissionais da educação.

No dia 23 de julho, às 14h, será inaugurada a exposição Pretinhas Brincantes, seguida da apresentação de Griot Yaya, com participação do Bonde da Calu. O encerramento ocorrerá em 25 de julho, às 15h, com a Mostra Brinquerê — apresentações dos participantes das oficinas e sorteio de livros para o público.

Desde sua criação em 2019, como desdobramento do Julho das Pretas, o festival se afirma como espaço de formação, encontros e celebração das narrativas negras através de workshops, espetáculos, exposições, música, dança, literatura e contação de histórias.

SERVIÇO:

O quê: 7ª edição do Festival Julho das Pretinhas

Quando: 20 a 25 de julho

Onde: Biblioteca Monteiro Lobato e sede da Didá – Salvador (BA)

Quanto: Gratuito

Acompanhe em: @julhodaspretinhas

PROGRAMAÇÃO:

20 de julho (tarde) – Fala Pretinhas:
Biblioteca Monteiro Lobato
14h

  • Encontro com autores da coleção Linguinha do Dendê, compartilhando processos criativos e inspirações.
  • Apresentação da leitura dramatizada Maria Felipa.

21 de julho:
Sede da Didá
14h às 17h

  • Ações formativas da Oficina Brinquerê, com atividades de escrita criativa, musicalização, teatro, dança e palhaçaria.

23 de julho:
Biblioteca Monteiro Lobato
14h

  • Contação de histórias.
  • Abertura da exposição Pretinhas Brincantes.
  • Apresentação da Griot Yaya, com participação do Bonde da Calu.

25 de julho – Encerramento do Festival:

local a definir
15h

  • Mostra Pretinhas, com apresentações dos participantes da Oficina Brinquerê.
  • Celebração de encerramento.
  • Sorteio de livros para o público.

Julho das Pretas: Construir uma carreira também é construir novas referências

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Mulher Negra
Foto: Freepik

Por: Dayane Oliveira

Quando eu era mais nova, acreditava que construir uma carreira dependia apenas de competência.

Bastava estudar, trabalhar duro, entregar resultados e as oportunidades chegariam.

Com o tempo, descobri que existia uma camada muito mais complexa: também era preciso aprender a ocupar espaços onde eu quase nunca encontrava mulheres negras como referência.

Essa ausência nunca impediu que eu continuasse caminhando. Mas fez com que eu entendesse, muito cedo, que construir uma carreira também significava construir novas referências.

Escrevo este artigo no Julho das Pretas olhando para a minha trajetória, mas principalmente para as mulheres negras que estão começando suas carreiras ou que ainda sonham em ocupar posições de liderança. Porque, por muito tempo, eu também procurei alguém que me mostrasse que aquele caminho era possível.

Sou formada em Publicidade e Propaganda e iniciei minha carreira na Bahia, um estado reconhecido pela potência criativa, mas que ainda está distante do centro das grandes decisões da indústria da comunicação. Durante anos, ouvi que, para crescer profissionalmente, seria necessário estar no eixo Rio-São Paulo. E talvez essa seja uma das primeiras barreiras invisíveis que muitas mulheres negras enfrentam: a sensação de que o lugar onde nasceram, ou de onde vieram, determina até onde podem chegar.

Em vez de esperar que o mercado criasse espaço para mim, decidi construir o meu.

Foi assim que nasceu a Asminas. Mais do que uma agência, ela representava uma inquietação: mostrar que Norte e Nordeste não eram apenas mercados consumidores de campanhas, mas territórios que produzem repertório, comportamento, cultura e inovação. Durante essa jornada, tive a oportunidade de liderar equipes, negociar projetos com algumas das maiores marcas do país, desenvolver estratégias para empresas nacionais, participar do Festival Internacional de Criatividade em Cannes e entender que criatividade também é uma ferramenta de transformação social.

Mas seria desonesto contar essa história apenas pelos resultados.

Também existiram dias de dúvida. Dias em que precisei sustentar uma empresa enquanto lidava com as inseguranças que quase todo empreendedor conhece. Dias em que entrei em salas onde era uma das poucas — ou a única — mulher negra presente. Momentos em que percebi que competência, embora indispensável, nem sempre era suficiente para garantir acesso às mesmas oportunidades.

Foi nesse percurso que compreendi uma diferença importante: entrar em uma empresa não significa, necessariamente, conseguir construir uma carreira.

Nos últimos anos, o debate sobre diversidade avançou de forma significativa. Felizmente, vemos mais mulheres negras sendo contratadas e ocupando espaços que, por muito tempo, lhes foram negados. Mas acredito que a próxima grande conversa precisa ir além da porta de entrada.

Ela precisa falar sobre permanência.

Sobre desenvolvimento.

Sobre liderança.

Sobre quem participa das decisões mais importantes das organizações.

Segundo levantamentos do Instituto Ethos e do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), mulheres negras seguem amplamente sub-representadas nos cargos de alta liderança das grandes empresas brasileiras. Ao mesmo tempo, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que elas continuam concentradas nas ocupações de menor remuneração e enfrentam barreiras persistentes para ascensão profissional.

Esses números revelam que o desafio já não é apenas ampliar o acesso. É garantir desenvolvimento de carreira.

Recentemente, tomei uma decisão importante: depois de anos empreendendo, escolhi voltar ao mercado corporativo.

Muita gente poderia interpretar esse movimento como um recomeço. Eu prefiro enxergá-lo como uma expansão.

Estar novamente dentro de uma grande organização me fez perceber que a diversidade precisa ser acompanhada por algo igualmente importante: ambientes capazes de desenvolver talentos, oferecer oportunidades reais de crescimento e formar novas lideranças.

Carreiras não crescem apenas por competência.

Elas crescem por visibilidade.

Por confiança.

Por boas lideranças.

Por pessoas que patrocinam talentos, compartilham conhecimento e indicam profissionais para projetos estratégicos.

Esse talvez seja um dos maiores desafios das mulheres negras no mundo corporativo: transformar presença em influência.

Ao longo da minha trajetória, aprendi que construir uma carreira não é apenas acumular experiências ou conquistar cargos. É ampliar repertórios, abrir caminhos e desafiar imaginários.

Porque referências mudam perspectivas.

E perspectivas mudam destinos.

Durante muito tempo, achei que meu maior objetivo era ocupar espaços. Hoje entendo que meu maior compromisso é fazer com que outras mulheres negras não precisem chegar nesses mesmos lugares acreditando que estão sozinhas.

Quero que elas saibam que é possível liderar equipes.

Negociar grandes projetos.

Sentar nas mesas onde decisões são tomadas.

Empreender.

Recomeçar.

Mudar de rota.

Construir autoridade.

E, acima de tudo, permanecer.

Se hoje uma jovem profissional consegue olhar para uma mulher negra ocupando uma posição executiva, liderando projetos estratégicos, escrevendo sobre mercado e cultura ou sendo reconhecida por sua capacidade analítica, ela passa a enxergar essas possibilidades também para si.

E talvez esse seja o maior legado que uma carreira pode deixar.

Não apenas os resultados que conquistamos.

Mas as possibilidades que ajudamos outras mulheres a imaginar.

Porque, no fim das contas, construir uma carreira também é construir novas referências.

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