Parece que não teremos shows de Kanye West no Brasil por tão cedo. Uma nova reportagem do site The US Sun, relatou que o rapper foi rejeitado por produtores brasileiros. Em fevereiro, Ye publicou um stories no Instagram relatando seu desejo de se apresentar no Corcovado, Rio de Janeiro.
De acordo com o site, após as diversas declarações polêmicas de Kanye, nenhuma marca deseja se vincular ao artista e que, nesse momento, não há nenhuma chance dele se apresentar no Brasil. De acordo com a matéria, Kanye tinha a intenção de recriar o lendário show dos Rolling Stones, ocorrido em 2006 na praia de Copacabana no Rio de Janeiro. Contudo, seu pedido aparentemente foi negado, devido à sua controversa reputação.
Foto: /Patrick McMullan/Getty Images
A publicação declarou ainda que a equipe de Kanye também tentou possibilidades de shows em Belo Horizonte e São Paulo, mas as possibilidades também foram rejeitadas.
Em outubro de 2022, a adidas anunciou o fim de sua colaboração comercial com West. A decisão foi tomada em decorrência de comentários antissemitas promovidos por Ye nas redes sociais. “Após um estudo aprofundado, a empresa tomou a decisão de encerrar imediatamente a colaboração com Ye”, disse a empresa alemã. “A Adidas não tolera antissemitismo e qualquer outro tipo de discurso de ódio. Os comentários e ações recentes de Ye foram inaceitáveis, odiosos e perigosos, e violam os valores da empresa de diversidade e inclusão, respeito mútuo e justiça”.
A cantora IZA cancelou sua participação no Big Brother Brasil 24. Ela era uma das artistas mais esperadas pelo público no programa. Por problemas de saúde, o show que a artista realizaria no reality show da TV Globo nesta sexta-feira (15) foi substituído por Lexa e Duda Beat.
A equipe de IZA não revelou o motivo do cancelamento, mas informou que a artista precisará de ‘repouso absoluto pelos próximos sete dias’. “Além do show no BBB, ela também cancelou a apresentação que faria no domingo (17), em Aracaju, por orientação médica”, informou a equipe da cantora. Ludmilla vai substituir IZA no espetáculo da capital de Sergipe.
Sem maiores informações sobre o atual estado de saúde de IZA, em outubro de 2023, ela foi diagnosticada com pneumonia. A cantora se recuperou e realizou uma série de atividades, shows e trabalhos artísticos desde então.
Foto: Divulgação / Pacto Global da ONU - Rede Brasil
Enquanto o mundo acompanha uma reação anti-ESG em diferentes setores que pode impactar negativamente os avanços na área de Diversidade e Inclusão, a 68ª Sessão da Comissão da ONU sobre a Situação das Mulheres (CSW), promovida pelo Pacto Global da ONU – Rede Brasil, que está acontecendo em Nova York, nos Estados Unidos, reúne lideranças femininas que estão pensando sobre estratégias para que o mundo cresça em acesso e oportunidades, em especial, para as minorias sociais. Diretora Executiva do Movimento pela Equidade Racial (Mover), Natália Paiva, falou sobre a importância do coletivo nesse processo para que essa agenda continue gerando impactos positivos dentro das empresas.
Na tarde da última quinta-feira, Natália Paiva integrou a mesa temática “Lideranças Femininas: Desafio e Boas práticas no setor privado brasileiro”, onde alertou para o risco do movimento anti-ESG: “Tem esse fato de diminuição da pauta ESG como um todo e dentro dela está a diversidade e com seus diversos recortes. Então é um alerta para gente repensar as estratégias e pensar principalmente como que no coletivo a gente vai ganhar mais força, que é uma das propostas do Mover. A gente precisa muito pensar em estratégias para seguir impactando”.
“Porque o que um CEO pensa ao investir em diversidade? O risco e o retorno. É um risco não investir e tem um potencial retorno ao ter esse investimento. E está diminuindo o risco. O risco está, inclusive, indo para o outro lado, principalmente de empresas que tem sua sede aqui nos Estados unidos, que é o epicentro desse novo backlash (Anti-ESG)”, detalhou.
A Diretora Executiva também reforçou a importância de acompanhar os movimentos anti-ESG para desenvolver estratégias mais assertivas para comunicar os benefícios da diversidade dentro das organizações: “Então é importante a gente ter ciência disso e é importante pensar em estratégias que passem inclusive por novas narrativas. Então como a gente consegue reposicionar ou comunicar de maneira diferente a pauta de diversidade para a gente seguir dentro de um quadro que é necessário que a gente tenha? Do ponto de vista do Mover, qualquer pessoa negra é elegível a alguns programas do Mover, que vai desde bolsa de inglês. Esse ano a gente vai disponibilizar 50 mil bolsas de inglês, programas de formação de liderança, além de programas presenciais, que são programas de longo impacto, qualquer pessoa pode se inscrever”.
Na noite da última quinta-feira, 14, a imprensa divulgou que o caso sobre o assassinato de Marielle Franco e de Anderson Gomes, motorista da vereadora do Rio de Janeiro, que completou seis anos ontem, será enviado para o Supremo Tribunal Federal (STF), para que o depoimento de Ronie Lessa, acusado de atirar nas vítimas, seja analisado e validado. De acordo com o UOL, o ministro Alexandre de Moraes foi sorteado como relator.
Anielle Franco, Ministra da Igualdade Racial, irmã de Marielle Franco, afirmou que a nova etapa da investigação “deixa a todos nós da família com esperança de que cheguemos aos mandantes”: “A nova etapa da investigação sobre o assassinato de Marielle e Anderson deixa a todos nós da família com esperança de que cheguemos aos mandantes, pela memória de Mari e Anderson e pela democracia. No entanto, suposições e desinformações sobre os envolvidos não ajudam. Seguimos confiando no devido processo legal e com fé de que chegaremos às respostas que esperamos há seis anos”.
A nova etapa da investigação sobre o assassinato de Marielle e Anderson deixa a todos nós da família com esperança de que cheguemos aos mandantes, pela memória de Mari e Anderson e pela democracia. No entanto, suposições e desinformações sobre os envolvidos não ajudam. Seguimos…
Segundo informações divulgadas pelo portal, o ministro do STJ, Raul Araújo, enviou o inquérito ao STF depois que o nome de um parlamentar federal com foro privilegiado foi mencionado em novas provas. De acordo com a legislação brasileira, os processos em que autoridades com foro privilegiado, como deputados, senadores e presidentes são citados devem tramitar no Supremo Tribunal Federal.
A jornalista Andréia Sadi, confirmou em seu blog de política no g1, que fontes do STF afirmaram que a delação do ex-policial Ronie Lessa, preso desde 2019 acusado de atirar em Marielle e Anderson, estava no Superior Tribunal de Justiça e foi encaminhada para a corte e até a quinta estava aguardando homologação.
Se isso se confirmar, esta será a segunda delação relacionada ao caso. A primeira foi feita pelo ex-PM Élcio Queiroz, que confessou participação no assassinato da vereadora e do motorista. Élcio contou na delação que Edilson Barbosa do Santos, conhecido como Orelha, era o dono do ferro-velho acusado de fazer o desmanche do carro usado no dia do crime, a prisão de Orelha aconteceu no final de fevereiro deste ano.
Quando a Netflix lançou o trailer do filme ‘Shirley Para Presidente’, logo me empolguei com o que estaria por vir. Um longa-metragem que acompanha a história real de Shirley Chisholm (1924 – 2005), a primeira congressista negra eleita, que também ousou se tornar a primeira mulher negra a se candidatar para a presidência dos Estados Unidos pelo partido dos Democratas, na década de 70.
A vencedora do Oscar, Regina King, é quem dá vida à personagem e também é uma das produtoras. Sempre com uma atuação impecável, trouxe desde o início do filme, a seriedade da Shirley para garantir que fosse levada a sério com o seu trabalho e lutava por uma sociedade justa, defendendo as pautas raciais e feministas. A fé e a confiança da candidata é muito encorajadora para nós, mulheres negras.
Assim como no Brasil, os Estados Unidos, até hoje, também nunca elegeu uma mulher negra para a presidência. Com o longa, nós podemos acompanhar apenas o que já sabíamos ou imaginávamos, com um enredo ainda tão atual: os democratas, pessoas brancas e a própria comunidade negra, ainda não confiam na competência de uma mulher negra para este cargo ou temem dar tanto poder para tal.
Apesar da árdua luta, mulheres negras continuam resistindo para ocupar a política. Prova disso, é a própria Barbara Lee (Christina Jackson), que está em seu 12º mandato como congressista nos EUA. Jackson nos mostra no longa, uma Barbara que muitas de nós já nos identificamos um dia, desacreditada da política, mas que ao trabalhar com Shirley, mudou a sua vida completamente e também deseja fazer a diferença.
Dirigido por John Ridley, o longa também traz outras pessoas que foram importantes para sua campanha, como Robert Gottlieb. Interpretado por outro vencedor do Oscar, Lucas Hedges, Gottlieb, um homem branco, foi o braço direito de Shirley desde o início e também vivencia situações conflituosas por conta do racismo e da violência política contra ela. Uma escolha até questionável para época, mas a democrata sempre mostrou a sua vontade de ver pessoas negras e brancas lutando juntos por um mesmo propósito.
Dentre os diferentes obstáculos que a candidata terá de enfrentar pelo caminho, uma das mais tocantes ainda é sua relação com a família, que tem muita dificuldade para aceitar que ela é uma mulher congressista e posteriormente candidata à presidência.
Muriel (Reina King), irmã de Shirley, chama atenção para o nosso interior, de quando, em algum momento, tivemos medo ou receio de estar em um lugar onde seríamos apenas julgadas e desvalorizadas. Na década de 70, uma mulher negra que tentava ser eleita em um cargo dominado apenas por homens brancos, ela facilmente seria tratada como louca. Mas apesar disso, conseguiu abrir caminho para inspirar as pessoas ao seu redor e em como fazer política.
Hoje, mais de 50 anos depois desse ocorrido, o filme nos deixa uma reflexão: países como os Estados Unidos e o Brasil estão prontos para eleger uma mulher negra para presidência? Para mim, todos os personagens e situações apresentadas, poderiam facilmente ser comparadas com outras pessoas e situações de hoje, em 2024. O racismo e a misoginia também continuam fortes, então esse sonho precisa ser sonhado por mais mulheres negras para que se torna realidade.
‘Shirley Para Presidente’ estreia na Netflix dia 22 de março. Veja o trailer abaixo!
O Ministro dos Direitos Humanos e Cidadania, Silvio Almeida, publicou em suas redes sociais um texto onde comenta o uso do conceito ‘racismo estrutural’, que tem sido adotado por muitas personalidades para justificar comportamentos racistas. Ao compartilhar um trecho do livro que explica o conceito, Almeida disse: “o que mais me deixa impressionado nas polêmicas não é ver pessoas que nunca estudaram o tema ou que não são da academia distorcerem o conceito, mas o fato de pessoas supostamente estudiosas ou que vem da academia falarem de algo que evidentemente não conhecem ou de um livro que nunca leram”.
Um caso recente de uso do termo foi o vídeo publicado pela cantora Wanessa Camargo nas redes socias, expulsa do Big Brother Brasil 2024 depois de ser acusada de agredir o motorista de aplicativo, Davi. No vídeo, ela se desculpa pelo modo como tratou o participante e justifica: “hoje eu entendo que algumas das minhas falas e comportamentos dentro da casa do BBB, em relação ao Davi, se enquadram no racismo estrutural, que está enraizado na nossa sociedade e dentro de nós, pessoas privilegiadas”.
"Entendo que alguns dos meus comportamentos e falas no #BBB24 em relação ao Davi se enquadram no racismo estrutural. Devo um pedido de desculpas ao Davi e a todas as pessoas negras que se sentiram atingidas.Quero me tornar antirracista." (Wanessa Camargo)pic.twitter.com/lAUC3botx7
Após a publicação do vídeo, a cantora foi bastante criticada, além disso, algumas pessoas criticaram o próprio conceito difundido por Silvio Almeida no livro ‘Racismo Estrutural’, publicado pelo advogado em 2018 através da coleção ‘Feminismos Plurais’. Além de criticar o uso distorcido do conceito, Almeida também afirmou ficar impressionado com “pessoas supostamente estudiosas” que não leram o livro, afirmando que: “A ignorância, nessa último situação, vem acompanhada de tanta autoridade e arrogância que a gente passa a duvidar se escreveu certas coisas”.
O ministro então compartilhou um trecho do livro que explica o conceito e destaca que “Não é um álibi para racistas”: “Como ensina Anthony Giddens, a estrutura “é viabilizadora, não apenas restritora”, o que torna possível que as ações repetidas de muitos indivíduos transformem as estruturas sociais. Ou seja, pensar o racismo como parte da estrutura não retira a responsabilidade individual sobre a prática de condutas racistas e não é um álibi para racistas”.
Vez ou outra, pelos motivos mais inusitados, o conceito de racismo estrutural volta a alimentar debates nas redes sociais. E o que mais me deixa impressionado nas polêmicas não é ver pessoas que nunca estudaram o tema ou que não são da academia distorcerem o conceito, mas o fato…
Metade das mulheres brasileiras já sofreram algum tipo de violência doméstica ao longo de suas vidas, mas parte delas ainda não se reconhece exatamente como vítima. O dado faz parte da primeira atualização do Mapa Nacional da Violência de Gênero, projeto de parceria entre o Observatório da Mulher Contra a Violência (OMV) e o DataSenado, ambos do Senado Federal, o Instituto Avon e a Gênero e Número.
Durante o lançamento internacional, promovido pela Pacto Global da ONU, nesta quinta-feira (14), a Beatriz Accioly, Coordenadora de Parcerias, Políticas Públicas e Relações Institucionais, Instituto Avon, abordou a importância de combater a violência doméstica, mas pontuou uma preocupação em relação às políticas de transferência de renda para as vítimas, com base em outros dados levantados.
“Muitas situações de transferência de renda, como o caso do Bolsa Família no início, aumentam a violência doméstica. Você dá um dinheiro na mão da mulher e ela vive uma situação violenta porque ele retira o dinheiro dela a partir da violência. Aconteceu a mesma coisa com o Auxílio Emergencial durante a pandemia”, explicou, durante a 68ª Sessão da Comissão da ONU sobre a Situação das Mulheres (CSW), em Nova York.
“A gente precisa reconhecer que a violência contra a mulher acontece por uma série de questões relacionadas à desigualdade. E aí a gente fala para as mulheres: ‘está sofrendo violência? Vai trabalhar’. Aí ela vai trabalhar e ela vai para uma situação onde ela reconhece que sofreu algum tipo de assédio moral ou sexual. Então ela sai de uma violência para outra. A gente já escutou de várias mulheres com quem a gente trabalha: ‘eu prefiro sofrer violência em casa de uma pessoa que eu gosto, do que uma violência na rua de uma pessoa que eu não conheço’”, lamentou a coordenadora.
De acordo com o levantamento inédito, 48% das brasileiras ouvidas já passaram por alguma situação de violência doméstica e familiar. Do total das mais de 20 mil mulheres brasileiras entrevistadas, 30% reconheceram a violência vivida e a nomearam como tal. No entanto, 18% ainda não se identificam espontaneamente como vítimas, porém, quando foram apresentadas a situações específicas de violência doméstica, admitiram ter passado por elas – dado que indica que o número de brasileiras que sofrem violações é muito maior do que os registros oficiais.
Apesar da incidência de violência doméstica ocorrer de maneira relativamente uniforme em todo o território nacional, a pesquisa também identificou que estados da região Norte do Brasil, como Amazonas (57%), Amapá (56%), Rondônia (55%) e Acre (54%), atingem patamares ainda maiores do que os índices nacionais. A região Sudeste também chama atenção com Rio de Janeiro e Minas Gerais, ambos com 53%,
Na ocasião, Beatriz Accioly ainda aproveitou para defender a importância de levantamento de dados como esse. “O mapa hoje é um exemplo do que a gente consegue fazer enquanto empresa e enquanto setor público para contribuir com a Agenda de Acesso aos Direitos do Brasil, que inclusive é a missão do Pacto Global. A gente acredita que o mapa é uma ferramenta nessa direção, é um meio para a gente alcançar a cidadania, uma gestão pública de qualidade, transparência, de uma alocação de recursos eficiente. E ele é um meio para democracia”.
Lançado em novembro de 2023, o Mapa Nacional da Violência de Gênero é uma plataforma interativa que reúne os principais dados nacionais públicos e indicadores de violência contra as mulheres do Brasil, incluindo a Pesquisa Nacional de Violência contra as Mulheres – a mais longa série de estudos sobre o tema no país. Dos dias 21 de agosto a 25 de setembro de 2023, 21.787 mulheres de 16 anos ou mais foram entrevistadas por telefone, em amostra representativa da opinião da população feminina brasileira.
Esta é a primeira vez, desde 2005, que a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher apresenta recortes estaduais, possibilitando uma análise mais aprofundada do cenário de diferentes territórios do país.
O criador de ‘O Urso’, Christopher Storer, convenceu Ayo a assumir a direção da nova temporada da série. “Eu tinha 21 anos e ele disse ‘você é diretora’. E eu fiquei tipo ‘não se mete’. Mas então, na temporada passada, ele disse: ‘venha para o set e veja o que acontece’”, contou Edebiri. “E eu pensei, ‘oh, ok. Sim. Eu acho que quero fazer isso’”, completou.
Dentro de ‘O Urso’, Ayo interpreta Sydney, uma jovem é contratada para liderar o restaurante The Beef. Rapidamente, ela demonstra seus talentos culinários e administrativos, ao implementar mudanças significativas dentro do negócio. A personagem conquista o respeito relutante dos outros chefs por estar certa na maior parte do tempo e acaba ensinando uma série de truques para os outros chefes.
Ayo Edebiri também venceu o Globo de Ouro pela atuação em ‘O Urso’. Foto: Getty Images ; FX
A terceira temporada de ‘O Urso’ ainda não tem data de estreia definida. Os episódios das temporadas anteriores estão disponíveis no Star+. De acordo com a sinopse, dentro da série, somos apresentados à história de Carmy Berzatto (Jeremy Allen White), um chef de cozinha premiado que sai de Nova York para administrar um restaurante desorganizado e repleto de problemas em Chicago.
Seis anos se passaram desde a trágica noite de 14 de março de 2018, quando a vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, foram brutalmente assassinados no Rio de Janeiro. A dor da perda ainda ecoa fortemente entre familiares, amigos e todos aqueles que veem em Marielle um símbolo de luta por justiça social, igualdade e direitos humanos. Apesar dos desdobramentos, até hoje a pergunta ‘Quem mandou matar Marielle?’ permanece sem resposta.
A vereadora saía de um evento com mulheres negras quando foi atingida com quatro disparos na cabeça. Anderson Gomes, motorista do carro que a transportava pela cidade, também foi alvejado no crime.
Em 2023, durante a posse do ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, foi determinada a instauração de um inquérito na Polícia Federal, para aprofundar as investigações que já são feitas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e pela Polícia Civil.
Foto: Márcia Foletto/VEJA.
O policial militar reformado Ronnie Lessa, acusado de ter feito os disparos que mataram Marielle e Anderson e o ex-policial militar Élcio de Queiroz, acusado de dirigir o carro usado no crime, estão presos e nunca revelaram quem mandou cometer homicídio.
No depoimento, Élcio apontou a participação de mais uma pessoa, Maxwell Simões Corrêa, o Suel, nas mortes de Marielle e Anderson. O ex-sargento do Corpo de Bombeiros, é acusado de ter cedido um carro para a quadrilha, esconder as armas após o crime e auxiliar no descarte delas. Além de Lessa, Queiroz e Suel, outras cinco pessoas também foram presas em desdobramentos do caso, mas quatro delas acabaram soltas.
Em janeiro de 2024, Fávio Dino declarou que não há previsão para a conclusão do caso de Marielle. “Esse é um desafio que a PF assumiu no ano passado. Estamos há menos de um ano à frente dessa investigação, de um crime que aconteceu há cinco anos, mas com a convicção de que ainda neste primeiro trimestre a Polícia Federal dará uma resposta final do caso Marielle”, afirmou o Ministro
A deputada federal do Rio de Janeiro, Benedita da Silva, é uma das lideranças femininas a compor o grupo de mulheres brasileiras que estão na 68ª Sessão da Comissão da ONU sobre a Situação da Mulher (CSW), promovida pelo Pacto Global da ONU – Rede Brasil. Durante o café da manhã promovido pelo evento, na quarta-feira, 13, a parlamentar conversou com a head de conteúdo do Mundo Negro, Silvia Nascimento sobre a importância de reconhecer a economia do cuidado, feito, principalmente, pelas mulheres negras. Além disso, ela pontuou a necessidade de políticas voltadas para idosos.
A parlamentar é uma das principais referências negras femininas da política brasileira e liderou a luta em favor das empregadas domésticas – profissão que já exerceu – e das mulheres negras no país. Ela foi relatora da PEC das Domésticas, que completou dez anos em 2023 e garantiu direitos trabalhistas para os trabalhadores domésticos.
Ao ser questionada sobre como a pauta voltada para a economia do cuidado é importante para as mulheres negras, Benedita da Silva abordou a necessidade de reconhecimento financeiro e profissionalização: “As mulheres negras nessa pauta, já fazem isso desde o processo de colonização. O que falta é ter o reconhecimento pelo trabalho não pago dessas mulheres e que hoje precisam ter um reforço de qualificação para enquadrá-la nas tecnologias existentes hoje, nos métodos existentes de hoje, de modernização das suas práticas. Isso é o que nós precisamos e isso é um cuidado, porque nós temos hoje que cuidar realmente da inclusão digital, nós estamos vivendo num mundo diferente”.
Benedita pontuou que o acesso à internet é importante para que as trabalhadoras da economia do cuidado: “Para que elas possam também estarem nas redes e poderem se comunicar e reivindicar e acompanhar todos os interesses que elas têm e as ações que vão desde o legislativo ao executivo”, explicou.
“Cuidado, sem que você reconheça principalmente o trabalho das mulheres e as mulheres negras, você não tem nenhum cuidado. Eu tenho dito isso porque nós mulheres negras já carregamos nos nossos ombros um país. Já nos trouxeram do nosso país, já nos tiraram muita coisa e hoje nós temos que resgatar. Então, onde nós estivermos há uma dívida conosco”, lembrou ao destacar o trabalho de mulheres negras no setor.
A jornalista Silvia Nascimento também conversou com Benedita da Silva sobre a longevidade da população e como ela pode impactar as mulheres negras, que em muitos casos são responsáveis pelos cuidados de seus mais velho e de seus mais novos. Ao aconselhar essas mulheres, ela foi enfática: “Eu acho que deve ir para a política, porque eu estou com 82 anos e eu estou na política e penso que todas as pessoas da minha idade têm que estar se defendendo, porque não só com relação a uma população negra, estão abandonando a nossa idade. Nós estamos sofrendo muitas violências, nós estamos sendo usurpadas, nós estamos sendo roubadas, e estão tirando aquilo que nós construímos com nossas mãos. Com as nossas forças então é preciso que tenha uma política de cuidado voltada para nós que já contribuímos e demos tudo que temos, a política é o espaço onde você tem uma vez, onde você tem uma voz, onde você grita mais forte, então eu quero falar para você idosa, idoso, principalmente negras, vamos a luta, tem espaço para nós”.
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