O grupo demográfico mais afetado pela dengue é composto por mulheres negras e pardas, de acordo com dados do Ministério da Saúde.
Essas mulheres representam 26% dos casos suspeitos, totalizando 193,2 mil de quase 741 mil casos prováveis de dengue registrados até a última sexta-feira (23). Casos prováveis são aqueles em que os indivíduos apresentam dois ou mais sintomas da doença.
O número de mortes por dengue neste ano já atingiu 151, com 501 óbitos sob investigação. Especificamente, as mulheres com maior risco de infecção pelo vírus estão na faixa etária de 30 a 39 anos, seguidas pelas faixas etárias de 40 a 49 e de 50 a 59 anos.
Na última semana, os casos prováveis representaram um aumento de 294% em comparação com o mesmo período em 2023, ano em que o país registrou um número recorde de mortes pela doença. O Ministério da Saúde estima que o Brasil possa chegar a 4,2 milhões de casos até o final do ano.
No geral, as mulheres respondem por 55,1% dos casos prováveis. A dengue está gerando preocupações especiais entre as mulheres grávidas, que enfrentam um risco de morte quatro vezes maior. Nestes casos, também há três vezes mais chances de morte fetal ou infantil. Mulheres grávidas, mesmo com sintomas leves da doença, devem ser hospitalizadas para monitoramento, de acordo com a Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp).
Lyara Oliveira, doutora em Meios e Processos Audiovisuais pela Universidade de São Paulo e profissional do audiovisual há mais de duas décadas, foi anunciada como a nova presidente da Spcine, empresa de cinema e audiovisual de São Paulo, sucedendo Viviane Ferreira, que ocupava o cargo desde fevereiro de 2021 e agora está deixando a empresa para se dedicar à sua carreira de cineasta.
A nomeação de Lyara marca uma transição significativa na liderança da Spcine, com o objetivo de dar continuidade ao trabalho desenvolvido nos últimos três anos durante a gestão de Viviane Ferreira. Lyara, que atualmente é diretora de Inovação e Políticas do Audiovisual na Spcine, será substituída por Emiliano Zapata, cineasta, produtor cultural, pesquisador e conselheiro administrativo da Spcine desde julho de 2023. Por sua vez, Luiz Toledo permanecerá na Diretoria de Investimentos e Parcerias Estratégicas da Spcine.
Com vasta experiência no setor, Lyara Oliveira assumiu o cargo de diretora de Inovação e Políticas do Audiovisual da Spcine em março de 2021. Durante sua gestão, ela liderou uma série de iniciativas importantes, incluindo o relançamento da plataforma Spcine Play, a expansão do Circuito Spcine de salas de cinema, a criação da Rede Afirmativa Spcine e o apoio a ações de formação para profissionais do audiovisual. Além disso, Lyara foi fundamental na condução de patrocínios a eventos do setor e na implementação de parcerias com o segmento de games e novas mídias.
Em uma publicação de despedida, Viviane Ferreira celebrou o trabalho realizado durante sua gestão na Spcine: “Liderar o processo de recuperação no período da pandemia de Covid 19 e consolidação da empresa, que se firmou como um farol de inovação e exemplo a ser seguido nas boas práticas de implementação de políticas públicas do audiovisual, é uma das vivências que mais me orgulha pessoal e profissionalmente”.
Os fãs de Thiaguinho terão a oportunidade de acompanhar os bastidores do show ‘Tardezinha’, produzido por Rafael Zulu, na segunda temporada de “Tardezinha pela Vida Inteira – O Documentário”, disponível no YouTube desde a última sexta-feira, 23 de fevereiro.
A nova temporada trará episódios como “O Vencedor”, “Uma História de Amor”, “Coral de Anjos”, “Delirante” e “O Show tem que Continuar”, cada um repleto de histórias emocionantes compartilhadas por fãs, depoimentos de artistas que participaram da festa e profissionais envolvidos na planejamento e produção da turnê. Esses episódios prometem oferecer um vislumbre dos bastidores do evento que se tornou um marco no entretenimento brasileiro.
Dividida em 10 capítulos, a série desvenda os segredos por trás das 30 edições da Tardezinha, que atraiu aproximadamente 650.000 pessoas ao longo de sua trajetória. Cada episódio tem duração de cerca de 30 minutos e inclui performances musicais do próprio Thiaguinho, bem como participações especiais.
No episódio de estreia da segunda temporada, o cantor explora os motivos que contribuíram para o sucesso da turnê e compartilha sua motivação pessoal no palco. “Eu me entrego 100% quando estou lá! Isso as pessoas sentem, quando estou lá, estou dando a vida, real”, comenta Thiaguinho. Ele também relembra momentos marcantes de sua carreira associados ao projeto Tardezinha.
Com roteiro, captação e direção de vídeo de Douglas Aguilar e Fran Landhim, da Gogacine, e direção geral de Thiaguinho e Ellen Barbosa, a segunda temporada promete emocionar o público e permitir que os fãs revivam os momentos únicos proporcionados pela Tardezinha.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgou Dados da Pesquisa por Amostra a Domicílios (Pnad) que apontam que mulheres negras ocuparam os piores índices de desemprego no Brasil em 2023.
No último trimestre do ano passado, a taxa de mulheres negras desempregadas foi de 9,2%, enquanto a média nacional foi 7,4%, cerca de 2,2% acima do percentual médio.
A população negra (soma de pretos e pardos) apresentou taxas acima da média nacional de desemprego em relação à população branca, que alcançou 5,9%. Em comparação, os pretos apresentaram 8,9% e os pardos 8,5%.
Para homens, os números também representam uma superioridade de 53,3% entre a taxa de desemprego, que alcançou 6%. Sendo assim, essa é a maior discrepância em 12 anos.
Os dados ainda revelaram diferença entre empregabilidade e escolaridade, pessoas com ensino médio incompleto, o índice de desemprego foi de 13%, a pior taxa de estudo. Já pessoas com o superior incompleto alcançaram a porcentagem de 7,6%.
Para Cristiane Machado co-fundadora do ‘Negras na CX‘ e mentora no programa #ContrateUmaNegra, criado dentro da comunidade para fortalecimento de mulheres negras, com histórico de assédio moral nas empresas anteriores que afetam a autoestima desta profissional, muitas relatam que não conseguem colocar suas conquistas no currículo, porque eram sempre criticadas pela gestão direta, mesmo em projetos que foram extremamente bem sucedidos na empresa.
A dificuldade de reconhecer e contar sobre seus pontos fortes. Seja pela questão do assédio sofrido anteriormente ou porque não sabem “se vender”, não foram orientadas e preparadas para fazer seu próprio marketing, além da síndrome da impostora que cobra que sejam melhor em tudo que faz e portanto nada é tão bom, mesmo que muitas outras pessoas reconheçam seus feitos como excelentes.
Quando falamos em interseccionalidade, o etarismo tem sido o mais cruel de todos. Mulheres acima dos 40 anos são as que levam mais tempo para se recolocarem. Mesmo com currículos incríveis relacionados a tempo de experiência, passagem por grandes empresas e uma coleção de diplomas de pós graduação e MBA, essas mulheres são preteridas nas entrevistas e existem sinais claros de que é por causa da idade.
Muitas mulheres negras são únicas nas empresas e por vezes ainda são isoladas pelas equipes o que faz com que sua rede de networking seja muito pequena ou inexistente, como sabemos que o fator indicação é essencial para conseguir pelo menos a entrevista de emprego, essas mulheres encontram mais dificuldades porque não tem uma rede de pessoas que possa indicá-las
Cristiane ressalta que como comunidade é dentro do programa #ContrateUmaNegra, o que fazem é dar apoio emocional, ajudar para o autoconhecimento, orientação para desenvolvimento do currículo, orientação para se concentrar em candidaturas que façam mais sentido com a carreira.
Uma rede potente de networking onde as quase 350 mulheres que atualmente existem no grupo se ajudam mutuamente e por meio de parcerias com empresas de eventos, escola de formação e empresas que estejam em busca de profissionais, “Nós temos ajudado nesta recolocação e tido sucesso, com menos de 6 meses de programas já conseguimos auxiliar cerca de 20 profissionais a se recolocar e a serem promovidas ou a mudarem de empresas”, finaliza a executiva.
A falta de oportunidade de trabalho é um dos pilares da opressão para nós negros, num país como o Brasil que tem uma herança escravagista, que todos os dias nos coloca em zona de risco. Uma herança muito dolorosa, onde até hoje temos consequências e dados extremamente pesados sob a população negra, e o trabalho e a educação são as únicas coisas que podem virar esta chave.
Para saber mais sobre o #ContrateUmaNegra: https://www.negrasnacx.com/contato
*Kelly Baptista, Mãe, Diretora executiva da Fundação 1Bi, Gestora Pública, membro da Rede de Líderes Fundação Lemann e Linkedin Top Voice.
Em um movimento contrário aos fluxos migratórios históricos, negros americanos estão redescobrindo o continente africano como um novo lar em meio a um contexto marcado por desafios socioeconômicos e uma luta contínua contra o racismo sistêmico nos Estados Unidos. O movimento tem sido chamado de Blaxit e promove a repatriação de afro-americanos dos Estados Unidos para países africanos.
Segundo uma reportagem publicada pelo jornal The New York Times, impulsionados pela crescente conscientização sobre o racismo estrutural e os eventos desencadeados pela morte de George Floyd, os negros americanos, que representam 14% da população dos EUA, estão buscando ativamente um refúgio longe das tensões raciais que permeiam a sociedade americana. Para muitos, África representa mais do que simplesmente uma fuga geográfica. Morar no continente significa um retorno às origens, uma tentativa de reconectar-se com uma identidade que foi diluída pela diáspora e pelo colonialismo.
Jes’ka Washington é um exemplo desses migrantes. Vivendo agora em uma casa espaçosa em Ruanda, ela descreve sua mudança como uma libertação emocional. “Uma das coisas de que eu queria me afastar por um tempinho era ser uma mulher negra”, afirmou em entrevista. Ela estava cansada de ter que ser forte “porque na América as mulheres negras deveriam ser fortes”, lembrou. “Eu só queria um espaço para ser eu porque serei negra todos os dias da semana”, afirmou ela, que trabalha online, dando aulas para alunos da Carolina do Sul, nos EUA. Além disso, Washington tirou um visto agrícola, e administra uma fazenda de coelhos próxima de Kigali, capital de Ruanda.
O custo de vida substancialmente mais baixo em países africanos é um atrativo significativo para muitos que lutam para sobreviver em meio a desigualdades econômicas nos Estados Unidos. A capacidade de construir uma vida estável e próspera em um ambiente onde o dinheiro pode render mais é uma perspectiva tentadora para aqueles que enfrentam dificuldades financeiras em seu país de origem.
No entanto, a motivação vai além do aspecto econômico. A busca por aceitação e pertencimento desempenha um papel fundamental nessa migração. África é vista como um espaço onde a identidade racial não é constantemente questionada ou contestada, onde ser negro não é uma desvantagem, mas sim uma fonte de orgulho e respeito.
“Acho que ainda estamos no estágio em que precisamos que mais pessoas venham. Precisamos que as pessoas venham fazer aposentadoria ativa aqui. Precisamos de investidores. Precisamos de talentos.”, contou Justin Ngoga, fundador da Impact Route, empresa de Ruanda que auxilia os expatriados através de serviços de relocalização ao comentar os impactos econômicos causados pela chegada dos afro-americanos.
Outro lado
Enquanto muitos negros americanos estão encontrando na África uma promessa de liberdade do racismo que enfrentam em seu país de origem, outros descobrem que a mudança não traz a resolução desejada. Adwoa Yeboah Asantewaa Davis, uma terapeuta que se mudou de Washington, para Accra, Gana, em 2020, alerta que escapar do racismo nos Estados Unidos não garante uma cura para o trauma persistente. Ela recomenda que quem queira curar feridas causadas pelo racismo deve procurar ajuda na terapia. Davis destaca que o choque cultural pode piorar a sensação de alienação, quando os negros americanos percebem que são considerados estrangeiros em um continente onde esperavam encontrar sua própria casa.
Além disso, preocupações como políticas anti-LGBTQ em alguns países africanos destacam que a África pode não ser uma utopia para todos.
Neste ano, a CasaCor chega a sua 37ª edição com o tema “De Presente, O Agora”, que convida os participantes a refletir sobre como as decisões que tomamos atualmente impactam às futuras gerações. O evento, considerado a maior mostra de arquitetura, design de interiores e paisagismo das Américas, acontece de 21 de maio a 28 de julho em São Paulo, no Conjunto Nacional, localizado na Avenida Paulista, e trará para o centro do debate jovens profissionais, como o arquiteto Gabriel Rosa, de apenas 22 anos, que estreia como o arquiteto negro mais jovem da história da mostra no Brasil.
Desde 2022, Rosa é dono de um escritório de arquitetura em Itapevi, cidade localizada na região metropolitana de São Paulo, além disso, até meados de 2024, ele deve abrir uma nova unidade em Alphaville. Com um trabalho ativo no setor, o arquiteto tem grandes planos, como o ‘Núcleo Amandla’, um projeto arquitetônico desenhado por ele que visa impulsionar o empreendedorismo e promover o desenvolvimento da comunidade negra no Brasil. Um centro dinâmico estruturado em cinco pavimentos dedicados a exposições, salas de estudo, palestras, apresentações e biblioteca. A ideia é conseguir investimento para que o projeto saia do papel.
Em entrevista para a jornalista, Silvia Nascimento, Gabriel Rosa afirmou: “Ser o arquiteto negro mais novo da ‘Historia’ do CasaCor é uma responsabilidade que eu assumo com orgulho e determinação. Vejo essa oportunidade como um farol de representatividade, uma chance de romper barreiras e inspirar outros”, disse. Na CasaCor, o escritório de Rosa, sob sua gestão, assinará um dos 69 ambientes exibidos por diferentes profissionais: “Minha presença na CasaCor não é apenas sobre mim. É sobre abrir portas, demolir estereótipos e demonstrar que a excelência na arquitetura não conhece limites demográficos. Espero que minha participação não seja apenas uma singularidade, mas um catalisador para uma mudança duradoura na indústria.”.
Confira a entrevista completa:
Mundo Negro – Como é para você ser o participante negro mais jovem da CasaCor no Brasil? Você vê isso como uma oportunidade de representatividade e de que forma espera impactar a indústria da arquitetura e do design?
Gabriel Rosa: Ser o arquiteto negro mais novo da “Historia” do CasaCor é uma responsabilidade que eu assumo com orgulho e determinação. Vejo essa oportunidade como um farol de representatividade, uma chance de romper barreiras e inspirar outros a seguir seus sonhos, independentemente de sua origem ou idade. Minha presença na CasaCor não é apenas sobre mim; é sobre abrir portas, demolir estereótipos e demonstrar que a excelência na arquitetura não conhece limites demográficos. Espero que minha participação não seja apenas uma singularidade, mas um catalisador para uma mudança duradoura na indústria.
MN – Como sua identidade racial influencia o seu trabalho como arquiteto? Existem elementos da sua cultura ou experiências pessoais que você busca incorporar nos seus projetos?
GR: Em cada projeto, busco incorporar elementos da minha cultura, experiências pessoais e identidade racial. Não se trata apenas de design estético, mas de contar histórias, celebrar tradições e desafiar estereótipos. Minha arquitetura é uma expressão vívida da multiplicidade da cultura negra, uma tapeçaria de influências que vai além do visual, atingindo o emocional e o espiritual.
MN – A diversidade é um tema importante na arquitetura contemporânea. Como você enxerga o papel da inclusão e da representatividade na construção de espaços mais acolhedores e acessíveis para todas as pessoas?
GR: A representatividade é a chave para a criação de espaços que contam histórias universais, que refletem as várias nuances da experiência humana. Cada elemento, desde a escolha de materiais até a disposição do espaço, pode ser uma expressão consciente de inclusão. Estou comprometido em ser um agente de mudança nesse processo, utilizando meu ambiente para desafiar normas antiquadas e criar ambientes que ressoem com a autenticidade e a diversidade.
MN – Quais são os maiores desafios que você enfrenta como arquiteto negro no Brasil? Você já sentiu alguma forma de discriminação ou falta de oportunidades devido à sua raça? Como você supera esses obstáculos?
GR: Ao longo da minha jornada, deparei-me com situações em que a cor da minha pele parecia ser mais notada do que meu talento ou habilidades. Isso, por vezes, se traduziu em discriminação velada ou na falta de acesso a oportunidades que poderiam impulsionar minha carreira. Minha esperança é que, ao superar esses desafios, eu possa abrir portas para as gerações futuras de arquitetos negros. Quero ser uma fonte de inspiração, mostrando que a excelência na arquitetura não tem cor, e que todos merecem ter suas vozes e talentos reconhecidos e valorizados.
MN – Como você imagina o futuro da arquitetura e do design no contexto da diversidade e da inclusão? Quais mudanças você gostaria de ver na indústria para garantir mais oportunidades e visibilidade para profissionais negros?
GR: Imagino um futuro para a arquitetura e design onde a diversidade não seja apenas uma ideia, mas uma realidade intrínseca. Quero ver uma indústria onde profissionais negros não se destaquem apenas pela sua origem étnica, mas pela excelência de seus projetos e contribuições significativas. A visibilidade é um aspecto fundamental. Promover profissionais negros em eventos, publicações e prêmios não apenas reconhece seu talento, mas também serve como inspiração para outros jovens que buscam ingressar nesse campo. “Você precisa continuar aparecendo até que ele lhe dê todos os elogios que merece. Até que eles te chamem de gênio, até que eles te considerem o maior de todos os tempos. (Jay-Z)”
Depois de uma fala do presidente Lula, que condenava as ações do governo de Israel em Gaza, e as comparava às atrocidades nazistas, uma horda de pessoas de diversos setores da sociedade brasileira, quase todos brancos, manifestaram seu repúdio à fala do presidente. Era possível ver jornalistas dizendo que nunca se deve mencionar o holocausto para compará-lo com qualquer outro genocídio promovido ao longo da história.
Desde este episódio, fiquei bastante reflexivo sobre a comoção seletiva e a hipocrisia de muitas destas pessoas. Vários deles pediram, ou defenderam, o impeachment de Lula, mas votaram em Bolsonaro depois dele ter, praticamente, dito no programa Roda Viva, da TV Cultura, que a escravidão foi culpa dos próprios negros.
Estes também são os mesmos que acham justo promover um massacre na Palestina, porque vamos lembrar que há uma desproporção de forças neste conflito, em nome do combate ao Hamas, mas não acham nada razoável Putin bombardear a Ucrânia para combater grupos neonazistas.
Quais são as vidas de civis que importam mais, entre árabes e europeus, para estas pessoas? Aqui, vemos aquele argumento de que “todas as vidas importam” caindo por terra. Também acho interessante como eles defendem que não se deve mencionar o holocausto em vão, mas sempre que podem banalizam a escravidão. Colocam nomes em restaurantes de “senzala”, criam motéis temáticos com correntes e grilhões, se trabalham um pouco mais dizem que viraram “escravos”. Penso como várias destas pessoas reclamam de que tudo hoje em dia é racismo, mas não fazem essa mesma fala sobre antissemitismo.
Por esta última, há uma grande comoção e nós sabemos bem o porquê. Não quero aqui comparar sofrimentos. Inclusive, nós, negros, devemos ser radicalmente contra ao que os nazistas submeteram o povo judeu. Até porque, os campos de concentração antes de serem usados contra os judeus foram testados em africanos das etnias Hererós, da Namíbia, pelos alemães no século XX. Mas quando o assunto é o brasileiro branco e seu sentimento de justiça, fica claro que estamos diante de pessoas que apoiam a existência do estado de Israel como uma forma de reparação histórica contra o povo judeu, mas aqui no Brasil são radicalmente contra cotas raciais como reparação para a população negra. Estes são os nossos “humanistas”.
Na próxima quarta-feira, 28, a Mestra e Doutora em Estudos de Gênero, Mulheres Feminismos, Carla Akotirene lançará oficialmente o livro “É Fragrante Fojado Dôtor Vossa Excelência”, publicado pela editora Civilização Brasileira. O evento acontece na Academia de Letras da Bahia, localizada em Salvador. A obra traz a primeira tese do país sobre audiência de custódia, escrita por Akotirene, que há mais de 20 anos se dedica a “entender o funcionamento da prisionização na diáspora africana”, conforme afirmou a acadêmica em suas redes sociais.
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O livro aborda os procedimentos jurídicos realizados nas audiências de custódia no Brasil, oferecendo uma análise crítica que expõe a institucionalização do racismo e a perseguição punitivista direcionada à população negra. “A audiência de custódia ou audiência de apresentação no direito processual é a ritualística pela qual toda pessoa presa em flagrante tem o direito de ser apresentada ao juiz da vara na presença do Ministério Público do advogado constituído ou do defensor público para que dali possamos entender a legalidade da prisão”, explicou Carla Akotirene.
A autora de “Interseccionalidade” e “Ó pa í, prezada: racismo e sexismo institucionais tomando bonde nas penitenciárias femininas”, acumula mais de 20 anos de dedicação ao trabalho acadêmico para “entender o funcionamento da prisionização na diáspora africana” e em seu novo trabalho traz uma análise sobre a audiência de custódia, que segundo Akotirene “é a porta de entrada do encarceramento em massa”.
O livro revela como essas audiências de custódia são fundamentais para entender os números alarmantes de encarceramento da população negra no Brasil. Muitos indivíduos, muitas vezes mal informados sobre seus direitos legais e com oportunidades limitadas de autodefesa, são marcados pelo sistema prisional por meio de provas plantadas ou flagrantes forjados – práticas que não são desprotegidas, conforme indicam entrevistas conduzidas por Akotirene com os detidos.
SERVIÇO
Data: 28 de fevereiro (quarta-feira) Local: Academia de Letras da Bahia – Avenida Joana Angélica, 198 – Nazaré, Salvador (BA) Horário: 18h
O evento de lançamento terá um bate-papo com a Promotora de Justiça, Livia Vaz e com o advogado criminalista, Professor Marinho Soares.
Nascida na comunidade do Vidigal, no Rio de Janeiro, a chef negra brasileira Alessandra Montagne, proprietária de dois restaurantes em Paris, Tempero e Nosso, e famosa por sua comida francesa com toques de brasilidade, foi anunciada como uma das chefs que irá comandar um dos restaurantes no Museu do Louvre na Cidade Luz. Ela assumirá a operação pelos próximos 10 anos.
Alessandra faz parte de um seleto grupo de chefs da ‘Geração Ducasse‘, selecionados cuidadosamente para a missão. Até o final de 2024, está prevista uma renovação completa dos espaços, permitindo que os novos chefs assumam suas posições e apresentem suas propostas gastronômicas.
“Essa gastronomia baseada na abordagem criativa, na transmissão de conhecimento, no partilhar e no encantamento com a cozinha será tocada por um coletivo extraordinário de chefs do qual eu fico muito feliz de fazer parte”, disse em entrevista à CNN Brasil, publicada na última quarta-feira (21).
Com uma trajetória de muitas superações, Alessandra foi abandonada pelos pais quando era um bebê e foi criada com os avós na pequena Poté, em Minas Gerais. Com eles, ela aprendeu a cozinhar, desossar o porco e preparar o doce do zero.
Aos 11 anos, sua mãe reapareceu para reatar os laços, e em 1999, aos 22 anos, ela resolveu passar alguns meses com ela em Paris. O que deveria ser um curto período, acabou transformando sua vida completamente, garantindo muitos desafios e uma carreira de sucesso na gastronomia.
Na cidade nova, Alessandra era sempre a responsável por fazer as comidinhas quando aconteciam os encontros com os amigos. “A única coisa que a gente leva quando muda de país é o coração, é a lembrança. E é na cozinha que eu materializava isso”, explica à CNN Brasil, ao contar que buscava ingredientes como canjiquinha e quiabo para cozinhar.
Incentivada pelos amigos, ela se matriculou na Médéric, escola de cozinha e hotelaria em Paris, e como melhor aluna da sala, ganhou de presente um curso de confeitaria de um ano. Após se formar, ela foi trabalhar para Adeline Grattard, chef francesa que acabava de receber sua primeiraestrela Michelin com o restaurante franco-chinês Yam’Tcha.
Depois de um período, pronta para seguir em carreira solo. Com o sucesso do primeiro restaurante Tempero, a chef abriu o segundo, Nosso. Hoje, Alessandra está cursando o terceiro ano de naturopatia, sendo referência também em bem-estar, ao trazer plantas e ervas medicinais para a mesa, com elementos que coroam suas criações com pitadas de saudabilidade.
Agora, a chef se prepara para abraçar mais uma missão, junto com outros profissionais que também estarão à frente das operações: Jessica Prealpato, chef-pâtissière no hotel San Régis; o chef Florent Ladeyn, do Auberge du Vermont; os padeiros criativos Pascal Rigo e Arnaud Chevalier; e o chef Vivien Durand, do Le Prince Noir.
Sob direção artística do ator Fabrício Boliveira, a Plataforma Elenco Negro deve ser lançada no dia 26 de fevereiro, em um evento no Ago – Bar da Encruza, localizado no Bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro. A iniciativa foi criada com o objetivo de ampliar a inserção dos artistas negros no mercado audiovisual do Rio de Janeiro, conectando-os a produtores e diretores de elenco.
A iniciativa também conta com produção executiva de Inaíra Meneses. Além disso, o evento de lançamento da Plataforma Elenco Negro deve reunir profissionais de todo o Estado, entre produtores e diretores de elenco, além dos profissionais já cadastrados na plataforma (CLIQUE AQUI).
O objetivo da nova plataforma, que já possui mais de 700 artistas inscritos, é otimizar essa busca em um espaço digital seguro. “O principal objetivo da plataforma do Elenco Negro é o fortalecimento de atores negros em diversos estágios de carreira, criando uma rede de apoio e suporte entre esses profissionais e potencializar a inserção dos mesmos no mercado de trabalho”, explica o diretor artístico do site, Fabrício Boliveira.
Os pesquisadores de elenco interessados em se cadastrar na plataforma deverão preencher um formulário, informando CNPJ com atividade principal ou secundária alinhado ao CNAE adequado à proposta do Elenco Negro, além de portifólio da agência e outros dados solicitados no ato da inscrição. Já os atores e profissionais das artes cênicas precisarão incluir no site oficial do projeto suas informações, através de um portfólio e outras informações pessoais.
“O banco de dados Elenco Negro possui uma estrutura digital que agrupa e organiza material profissional de atorxs negres e possibilita conectar gratuitamente esses artistas à potenciais contratantes para trabalhos no audiovisual”, pontua Fábricio.
O diretor da plataforma reforça que todo o processo é gratuito e a Elenco Negro não faz intermediação comercial entre as partes. “O Elenco Negro não media comercialmente nenhum ação dentro e fora da plataforma. O artista é responsável pela negociação e acordos de eventuais trabalhos”, acrescenta.