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Feira Preta Festival anuncia line-up e realiza edição inédita em Salvador

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O Feira Preta Festival revelou os primeiros artistas confirmados de sua edição inédita em Salvador, que acontece entre os dias 28 e 30 de novembro de 2025 no Distrito Criativo, com atividades concentradas na Praça Maria Felipa. O evento encerra o calendário do programa Salvador Capital Afro, consolidando a cidade como um dos principais polos da cultura afro-diaspórica no mundo.

Com o tema “Axé – Revolução que dá baile”, o festival chega à Bahia destacando a força da música preta contemporânea e suas raízes. A estreia em solo baiano será marcada pelo protagonismo de artistas locais que representam a pluralidade sonora e estética da cultura negra.

“Pensamos numa programação que reflita o verdadeiro molho da Bahia e que reverencie o Axé desde suas origens nos terreiros até à contemporaneidade, com os bailes e paredões de Salvador, passando pela tradição dos blocos Afro”, explica Adriana Barbosa, fundadora e diretora executiva do Feira Preta.

Entre os nomes já confirmados estão Jau, Sued Nunes, Afrocidade, Rachel Reis, Pagode Por Elas, A Dama do Pagode, Yan Cloud, Vírus Carinhoso, Ministereo Público SoundSystem e Batekoo. A programação é gratuita mediante doação de 1kg de alimento não-perecível, destinado a instituições sociais locais

A seleção de artistas reforça o propósito do Feira Preta de valorizar a produção cultural negra em suas diversas expressões. Do pagode ao afrobeats, do reggae ao R&B, o line-up reflete a diversidade das sonoridades negras que movimentam a economia criativa e mantêm viva a ancestralidade da música baiana.

Além das apresentações musicais, o Festival Feira Preta Salvador contará com uma extensa programação que inclui feira de afroempreendedores, desfiles de moda, talks sobre empreendedorismo, cultura e economia preta, além de stand up, gastronomia, mapping, games e atividades infantis, reforçando o caráter plural e comunitário do evento.

Programação musical

Sexta, 28 de novembro
Praça Maria Felipa
18h às 20h – Alvorada dos Ojás

Sábado, 29 de novembro – Palco Axé (apresentado por Nubank)
Mestres de cerimônia: Tia Má e Ícaro Bonfim
12h – DJ Eduardo Brechó
13h – Sued Nunes convida Josyara
15h – Afrocidade convida Broken Pen
17h – Jau convida Rachel Reis
19h – EdCity Fantasmão

Palco Paredão – parceria com Batekoo e HitLab
MC: Cleidson Baby
12h – Artistas do Feira Preta Cria Música
13h15 – Batalha Rap
13h55 – Slam Fya: Do Ódio ao Amor
14h30 – Experiência Jamaica
15h30 – Shook na Voz
16h30 – Lunna Montty
17h30 – LEVYSSO
18h30 – Freshprincedabahia
19h45 – Jeffinho
20h30 – Tia Carol

Domingo, 30 de novembro – Palco Axé
MCs: Tia Má e Ícaro Bonfim
12h30 – Pagode Por Elas com Rai Pereira convidam A Dama e Nath BR
14h – Yan Cloud convida Vírus Carinhoso
15h50 – Ministereo Público
18h40 – Baile Essencial
19h – O Kanalha

Palco Paredão
MC: Tia Carol
12h – DJ Allexuz
13h – Artistas Feira Preta Cria Música
14h15 – Acerte e Ganhe com Raoni Oliveira
15h15 – DJ Allexuz
16h – Tiago Simas
17h – DJ Belle
18h – Samba Orisun
19h40 – Samba Trator

Olivier Rousteing deixa a direção criativa da Balmain após 14 anos

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Foto: © AFP via Getty Images

Olivier Rousteing, um dos nomes mais influentes da moda contemporânea, anunciou nesta quarta-feira (5) sua saída da direção criativa da Balmain, após 14 anos à frente da maison francesa. A notícia foi divulgada nas redes sociais da marca.

Rousteing assumiu o comando da Balmain em 2011, aos 25 anos, tornando-se o designer não fundador mais jovem a liderar uma grande grife de Paris — e o primeiro homem negro a ocupar o cargo em uma casa de moda tradicional francesa. Sua trajetória abriu caminhos e redefiniu o que significa ocupar posições de poder em um setor historicamente excludente.

Seu trabalho foi vestido por estrelas como Beyoncé, Rihanna, Zendaya e Tyla, consolidando a estética glamourosa, poderosa e inclusiva que se tornou sua assinatura.

Foto: Divulgação

“Expresso minha sincera gratidão a Olivier por sua extraordinária contribuição à Balmain. A liderança visionária de Olivier não só redefiniu os limites da moda, como também inspirou uma geração com a sua criatividade ousada, autenticidade inabalável e compromisso com a inclusão. Estamos imensamente orgulhosos de tudo o que foi alcançado sob a sua direção e ansiosos por ver o próximo capítulo da sua jornada se desenrolar com o mesmo brilhantismo e paixão”, declarou Rachid Mohamed Rachid, CEO da Mayhoola e presidente da marca.

Matteo Sgarbossa, CEO da Balmain, também destacou a importância do legado de Rousteing: “A contribuição e a paixão de Olivier ao longo dos últimos anos deixarão uma marca indelével na história da moda.”

Em nota, o estilista celebrou sua trajetória. “Ao olhar para o futuro e para o próximo capítulo da minha jornada criativa, sempre guardarei este tempo precioso no meu coração.”

Durante sua gestão, Rousteing transformou a Balmain em uma das marcas mais desejadas do mundo. O faturamento saltou de 30 milhões de euros, em 2012, para cerca de 300 milhões em 2024. Ele também foi responsável por reviver a alta-costura da maison, em 2019, e lançar a linha Balmain Beauty, em parceria com a Estée Lauder, em 2023.

Anok Yai é eleita Modelo do Ano 2025

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Foto: Dimitrios Kambouris/Getty Images

O British Fashion Council surpreendeu o mundo da moda ao anunciar antecipadamente a vencedora do prêmio Modelo do Ano 2025. A escolhida foi Anok Yai, nascida no Egito, que tem se destacado como uma das maiores representantes da nova geração de supermodelos negras nas passarelas internacionais.

O anúncio foi feito nesta terça-feira (5) pelo perfil oficial do BFC no Instagram, quase um mês antes da cerimônia oficial, marcada para 1º de dezembro, em Londres.

Com uma trajetória marcada por conquistas históricas, Anok Yai teve um ano de destaque absoluto. A modelo abriu desfiles de marcas como Ferragamo, Coperni e Hugo Boss, e encerrou apresentações de Ralph Lauren, Fendi, Vetements e Messika, além de marcar presença em nomes de peso como Saint Laurent, Mugler, Tom Ford, Calvin Klein, Bottega Veneta e na aguardada estreia de Matthieu Blazy na Chanel.

Além das passarelas, Anok foi rosto de grandes campanhas – entre elas, a fragrância Alien, da Mugler, e ações comerciais para a Gap. Também brilhou na passarela do retorno da Victoria’s Secret e estampou capas de revistas como Vogue França, Allure e Perfect Magazine.

Diferente dos anos anteriores, em que cinco modelos eram indicadas ao prêmio, em 2025 o BFC optou por anunciar diretamente a vencedora, após uma votação conduzida por um grupo seleto de especialistas da indústria da moda. O júri contou com nomes como Laura Weir (CEO do BFC), Campbell Addy (fotógrafo), Carlos Nazario (estilista) e Sophia Neophitou-Apostolou (editora da revista 10).

Taís Araujo denunciou Manuela Dias ao compliance da Globo após discordar com os rumos da personagem Raquel em ‘Vale Tudo’

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Fotos: TV Globo/ Fábio Rocha e Globo/Lucas Teixeira

Mesmo após o fim de ‘Vale Tudo’, a novela segue rendendo nos bastidores da TV Globo. Segundo informações do portal F5 da Folha de São Paulo, a atriz Taís Araujo procurou o setor de compliance da emissora para registrar uma denúncia relacionada a um desentendimento com a autora Manuela Dias, após discordâncias sobre os rumos da sua personagem Raquel.

A atriz teria procurado a roteirista em agosto para expressar seu incômodo com o fato de a protagonista ser retratada em meio a muito sofrimento. Taís também relatou pressões vindas de movimentos negros dos quais participa, que manifestaram decepção com a forma como a personagem vinha sendo construída.

De acordo com fontes ouvidas pelo F5, o diálogo entre as duas acabou se tornando uma discussão. Após o episódio, Taís levou o caso ao setor de ética da emissora com o objetivo de ampliar o debate sobre a representação de pessoas negras nas produções globais. A atriz também teria apontado a diminuição da presença de sua personagem na novela, limitada a poucas cenas, muitas delas ligadas a ações de merchandising.

O conflito teria acontecido antes da entrevista de Taís à revista Quem, em que ela revelou publicamente estar insatisfeita com os rumos da protagonista. A fala gerou desconforto em Manuela Dias, que, segundo o F5, também teria registrado sua própria queixa contra a atriz no compliance, alegando quebra de conduta interna. Desde o episódio, as duas não mantêm contato.

Pessoas próximas à atriz afirmam que Taís não guarda ressentimentos, mas reforça o desejo de promover mudanças estruturais na emissora e garantir que personagens negros sejam representados com mais complexidade, diversidade e potência nas tramas brasileiras.

Live com Dr. Hédio Silva Jr. orienta sobre inclusão de processos no Mutirão Racial 2025 do CNJ

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Fotos: © Rafa Neddermeyer/Agência Brasil e Divulgação

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) realizará o Mutirão Racial 2025, entre os dias 17 e 21 de novembro, uma iniciativa inédita de julgamento e impulsionamento de processos com ênfase na temática racial e religiosa em todos os tribunais do país, além de aplicar o “Protocolo para Julgamento com Perspectiva Racial” e a Resolução CNJ sobre direitos quilombolas.

A ação promete ser um marco no enfrentamento ao racismo e no fortalecimento do acesso à Justiça para pessoas negras e vítimas de intolerância religiosa.

Para quem quer se preparar para esse momento histórico do judiciário brasileiro, as entidades JusRacial e IDAFRO realizarão uma live gratuita com o advogado e professor Dr. Hédio Silva Jr., que dará orientações no próximo sábado, 8 de novembro, às 11h, sobre como peticionar e argumentar para incluir seu processo no Mutirão Racial.

“No final do mês de novembro, o Conselho Nacional de Justiça vai promover um Mutirão racial para julgamento e impulsionamento de processos envolvendo a temática racial ou religiosa em todos os tribunais do Brasil, em todas as instâncias. No próximo sábado, para que você saiba como peticionar, como argumentar, para que o seu processo, envolvendo discriminação racial ou religiosa, seja inserido nesse mutirão racial, eu estou fazendo uma live gratuita. Se inscreva e eu te espero lá”, destacou o Dr. Hédio em um vídeo publicado nas redes sociais.

Serviço

Live ao vivo: 8 de novembro (sábado)
Horário: 11h
Plataforma: Zoom
Inscrições: forms.gle/QCFou6FwMRXUhftf6

Angela Davis será produtora executiva de série e documentário sobre Assata Shakur

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Foto: Reprodução

A trajetória e o legado da revolucionária Assata Shakur, um dos nomes mais emblemáticos da luta negra nos Estados Unidos, ganharão vida nas telas. Com produção executiva de Angela Davis, outra referência na luta pelos direitos civis, um documentário e uma série de ficção estão em desenvolvimento sob a direção dos irmãos Giselle e Stephen Bailey. A informação é do Deadline.

Assata Shakur, nascida Joanne Chesimard, foi integrante do Exército de Libertação Negra (BLA) e viveu exilada em Cuba após escapar de uma prisão nos Estados Unidos, em 1979. Ela morreu em 25 de setembro, aos 78 anos, em Havana, onde recebeu asilo político. Os novos projetos contam com autorização de sua filha, Kakuya Shakur.

Além de Angela Davis, o advogado Lennox Hinds, que defendeu Assata nos tribunais, concedeu aos cineastas acesso exclusivo a materiais inéditos. A parceria promete lançar um olhar potente e sensível sobre uma das mulheres mais perseguidas e admiradas da história da luta negra.

Em comunicado, os diretores afirmaram que “a história de Assata é importante para todos os americanos, pois revela os poderes que nos dividem e nossa capacidade de cura”.

Os irmãos Bailey, cineastas jamaicano-americanos, figuram entre os “40 Under 40” da DOC NYC e têm trabalhos reconhecidos pela HBO e Netflix. Giselle Bailey, além de diretora, foi bolsista da Firelight Media e da Concordia Fellowship, tornando-se uma das vozes mais promissoras do documentário contemporâneo.

O projeto conta com apoio de importantes instituições do cinema independente, como o Sundance, Firelight Media, Concordia Fellowship e Chicken & Egg Films, que concedeu uma bolsa financiada pelo Fundo de Equidade Criativa da Netflix.

Lideranças negras evangélicas lançam o Manifesto Global da Teologia Negra com denúncia ao racismo estrutural na sociedade

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Foto: Divulgação/ Conferência Enegrecer

Mais de 80 lideranças negras evangélicas de sete países — Estados Unidos, Brasil, Cuba, Colômbia, Congo, África do Sul e Angola — se reuniram em São Paulo para lançar o Manifesto Global da Teologia Negra, um documento histórico que denuncia as estruturas coloniais e racistas presentes na sociedade e reafirma uma fé comprometida com os povos oprimidos.

O texto foi construído coletivamente durante a IV Consulta Internacional de Teologia Negra, parte da programação da Conferência Enegrecer: Negritudes para a Igreja do Amanhã, realizada em junho deste ano. Agora disponível em português, inglês e espanhol, o manifesto pode ser acessado em mnebrasil.org/manifestoteologico.

Lançado no Novembro Negro, o documento reforça que a fé negra é também um ato de resistência e um chamado à justiça racial. Ele convoca comunidades religiosas a romperem o silêncio e se posicionarem diante das desigualdades e violências que continuam atingindo povos africanos e afrodescendentes — como a recente chacina no Rio de Janeiro, que mais uma vez escancarou as feridas do racismo estrutural no país.

Foto: Divulgação/ Conferência Enegrecer

Entre os signatários, estão nomes como a teóloga afro-americana Lisa Sharon Harper, a reverenda sul-africana René August, o pastor batista Ronilson Pacheco e o diretor da Alliance of Baptists, Elijah Zehyoue. Juntos, eles reafirmam a Teologia Negra como um espaço de denúncia e esperança, destacando pautas centrais como a justiça reparativa, a valorização da negritude como dom e resistência e o acolhimento de mulheres negras e pessoas LGBTI+ nas igrejas.

“Diante do avanço de movimentos de extrema direita com agendas que ameaçam os povos africanos e afrodescendentes, o campo negro protestante brasileiro cumpre um papel central no debate global entre a igreja evangélica e uma vasta tradição de luta pela liberdade negra, esse manifesto denuncia as grandes violações que vivemos e traz saídas para os desafios que estamos enfrentando”, afirma Jackson Augusto, coordenador nacional do Movimento Negro Evangélico.

Realizada na Igreja Batista de Água Branca, a Conferência Enegrecer é considerada o maior encontro de pessoas negras evangélicas da história. O evento reuniu cerca de 500 participantes, de 12 estados e mais de 60 igrejas, em uma programação que incluiu mesas de debate, plenárias, devocionais e apresentações musicais, com presenças como Henrique Vieira, Iza Vicente e Brian Kibuuka.

O Manifesto Global da Teologia Negra marca um novo capítulo de articulação internacional, reafirmando o papel das teologias negras na construção de uma fé engajada com os direitos humanos e com a reconstrução da dignidade dos povos. Um chamado para que a igreja do amanhã seja verdadeiramente antirracista, acolhedora e libertadora.

O colapso tem dono: como o 0,1% mais rico sequestrou o futuro do planeta

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Foto: reprodução

Por Fernanda Macedo e Liliane Rocha

Um novo relatório da Oxfam revela que a crise climática não é fruto do acaso, mas o resultado direto de um modelo econômico que transforma o privilégio em licença para destruir.

“Se todos vivessem como o 0,1% mais rico, o planeta colapsaria em menos de três semanas.”

A frase poderia soar como metáfora, mas é um dado real, trazido pelo novo relatório da Oxfam intitulado Saque Climático: como poucos poderosos estão levando o planeta ao colapso. O estudo revela o que há tempos se sussurra nos corredores das conferências do clima, o aquecimento global não é um acidente da história, mas o sintoma mais cruel da desigualdade.

A crise climática não foi provocada por toda a humanidade, e tampouco será resolvida em nome dela. Foi arquitetada e acelerada por uma elite global que concentra poder, riqueza e emissão de carbono em proporções grotescas. Uma pessoa entre os 0,1% mais ricos do planeta emite, sozinha, mais carbono em um único dia do que metade da população mundial em um ano inteiro. É o retrato de um sistema que transformou o privilégio em permissão para destruir, e o consumo desenfreado em sinônimo de status.

Desde o Acordo de Paris, em 2015, o 1% mais rico da população global queimou mais do que o dobro do orçamento de carbono do planeta, comparado à metade mais pobre da humanidade somada. É como se um grupo de privilegiados tivesse recebido uma senha exclusiva para consumir o ar que todos respiram  e a usasse até o limite. Enquanto a maioria da população é pressionada a “reduzir plásticos” e “reciclar embalagens”, a elite corporativa continua pilotando jatos particulares, ampliando portfólios em petróleo e expandindo impérios financeiros que lucram com o colapso ambiental.

O relatório da Oxfam dá nome ao que se naturalizou: o “saque climático”.
Não se trata apenas de uma crise ambiental, mas de uma pilhagem deliberada dos bens comuns da Terra, conduzida por quem tem poder suficiente para escapar das consequências do desastre que provoca. O colapso, afinal, tem dono.

Na contramão desses acontecimentos, sabemos que os impactos da crise climática também têm endereço certo. Por isso, seguir ignorando essa equação significa também perpetuar o racismo ambiental, a engrenagem que faz com que os impactos mais devastadores da crise climática recaiam sobre quem menos contribuíram para ela: populações negras, periféricas, indígenas e comunidades tradicionais.

Enquanto uma parte da população acumula lucros e amplia sua pegada de carbono, em meio à onda anti ESG (Ambiental, Social e Governança) que está a pleno vapor no mundo, são esses grupos que enfrentam enchentes que arrastam casas construídas em encostas negligenciadas, ondas de calor que atingem bairros sem árvores ou infraestrutura, contaminação de solo e água causada por empreendimentos que burlam as legislações ambientais.

O saque climático, portanto, não apenas concentra riqueza nas mãos de poucos, como distribui sofrimento racialmente e geograficamente, transformando a desigualdade ambiental em mais um capítulo cruel de uma longa história de desigualdade social e racial no Brasil e no mundo.

Liliane Rocha é mestre de Políticas Públicas, CEO e Fundadora da Gestão Kairós consultoria de Sustentabilidade e Diversidade e Conselheira de Organizações.

Dra. Fernanda Macedo é especialista em ciências criminais pela UERJ,advogada da Gestão Kairós e professora no MBA do IBMEC.

Festival Nicho Novembro chega à 7ªedição com programação gratuita em São Paulo e exibições online

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Foto: divulgação

O cinema negro brasileiro volta ao centro da tela. De 5 a 9 de novembro, o Festival Nicho Novembro realiza sua 7ª edição em São Paulo, reafirmando o compromisso de fortalecer narrativas pretas no audiovisual e celebrar o Mês da Consciência Negra. Com curadoria inspirada na publicação Cinemateca Negra — o maior mapeamento histórico de filmes dirigidos por pessoas negras no país, o festival traz 32 títulos entre curtas, médias e longas-metragens, além de debates e sessões especiais que cruzam cinco décadas de criação negra no cinema brasileiro.

Com entrada gratuita, as atividades acontecem em quatro espaços da capital: Cinemateca Brasileira, Itaú Cultural, CCSP (Centro Cultural São Paulo) e Instituto Moreira Salles — além de parte da programação disponível online, na plataforma Sala 54 (www.nicho54.com.br).
A proposta desta edição é revisitar memórias, provocar novas leituras e conectar passado, presente e futuro da imagem negra.

A abertura oficial será com o premiado “Voz Zov Vzo” (2025), de Yhuri Cruz, vencedor da categoria Novos Olhares no Festival Olhar de Cinema. O drama musical performático revisita a ditadura militar sob a perspectiva da população negra e será exibido ao ar livre, na Cinemateca, seguido de debate com o diretor.

Durante cinco dias, o público poderá acompanhar uma seleção que atravessa linguagens, gerações e territórios — das animações infantis afrocentradas às obras que documentam a potência de artistas, intelectuais e ativistas negros no Brasil. “O Festival Nicho deste ano apresenta uma edição especial que convida o público de todo o país a revisitar a criação negra brasileira nos últimos 50 anos e conecta os debates de cinema com os persistentes dilemas raciais da nossa sociedade”, afirma Fernanda Lomba, fundadora do Instituto Nicho 54 e diretora artística do festival.

PROGRAMAÇÃO COMPLETA

Cinemateca Brasileira (Largo Sen. Raul Cardoso, 207 – Vila Clementino, São Paulo)
Itaú Cultural (Av. Paulista, 149 – Bela Vista, São Paulo)
CCSP – Sala do Circuito Spcine (Rua Vergueiro, 1000 – Liberdade, São Paulo)


05/11 – QUARTA-FEIRA

Sessão de abertura – COM DEBATE
18h30 – Cinemateca Brasileira – retirada de ingresso com 1h de antecedência na bilheteria

“VOZ ZOV VZO”, de Yhuri Cruz
51 min. / Drama/Musical Experimental / 2025 / Rio de Janeiro / 16 anos
Rio de Janeiro, 1975. Dentro de um estúdio, vários amigos se reúnem em torno de uma carta. À medida que as palavras são ditas em voz alta, seu significado se intensifica, oferecendo uma perspectiva racializada sobre memórias da ditadura militar brasileira.


06/11 – QUINTA-FEIRA

Sessão Beleza para os olhos, reflexões para a vida de nossos pequenos – INFANTIL
10h30 – Itaú Cultural – ingressos liberados no dia 4/11, às 12h, pelo site do Itaú Cultural

Ópará de Ósún: Quando tudo nasce – Dir. Pâmela Peregrino
4 min / Animação / 2018 / Brasil

Lulina e a Lua – Dir. Alois Di Leo e Marcus Vinícius Vasconcelos
13 min / Fantasia / 2023 / Brasil

Lagrimar – Dir. Paula Vanina
13’58’’ / Animação / 2024 / Natal

Meu nome é Maalum – Dir. Luísa Copetti
8’ / Animação / 2021 / Brasil

O que vi – Dir. Victor Abreu
15’ / Drama / 2023 / Brasil

Para onde vão os animais – Dir. Rogério Borges
15 min / Ficção / 2024 / Brasil

Conversa Observar para Transformar – Itaú Cultural
14h00 – ingressos liberados no dia 4/11, às 12h, pelo site do Itaú Cultural

Reprise Sessão Abertura “Voz Zov Vzo”, de Yhuri Cruz
16h30 – CCSP

Sessão Passados que se repetem com e sem diferença
19h00 – CCSP – Sala do Circuito Spcine – retirada de ingresso com 1h de antecedência

Rapsódia para um homem negro – Dir. Gabriel Martins
24’ / Ficção / 2015 / Brasil

Crioulo Doido – Dir. Carlos Alberto Prates Correia
62’ / Ficção / 1970 / Brasil

Conversa O pensamento e a pesquisa cinematográfica de mulheres negras
19h – Cinemateca Brasileira

07/11 – SEXTA-FEIRA

SESSÃO Premiere Narrativas Negras Não Contadas – COM DEBATE
14h00 – Cinemateca Brasileira

Melodia Ancestral – Dir. Beatriz Costa
15’ / Documentário / 2025 / Brasil

Meu Nome é Tiana – Dir. Dafny Bastet
16’ / Documentário / 2025 / Brasil

Camisa 9 – Dir. Guilherme Batista
15’ / Documentário / 2025 / Brasil

SESSÃO Reescritas em movimento
16h30 – Cinemateca Brasileira

SRTV 043 – Trecho de Entrevista com Beatriz Nascimento
12’ / Entrevista / 1979 / Brasil

Um filme de dança – Dir. Carmen Luz
90’ / Documentário / 2028 / Brasil

Reprise Sessão Passados que se repetem com e sem diferença – DEBATE COM CURADORA
16h30 – CCSP – Sala do Circuito Spcine

SESSÃO Artimanhas
19h00 – Cinemateca Brasileira

Festival Gastronomia Preta celebra a cultura afro-brasileira com shows, feira gastronômica e debates no CCBB Rio

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Foto: Divulgação / Chefs Maristella Sodré e Francis Tavares

Entre os dias 7 e 9 de novembro, o Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro volta a ser palco do Festival Gastronomia Preta, encontro que celebra a cultura, a gastronomia e o protagonismo negro no Rio de Janeiro. Em sua terceira edição, o evento gratuito ocupará a área externa do CCBB e a Praça da Pira, reunindo 34 estandes de empreendedores, Cozinha Show com chefs nacionais e internacionais, ciclos de debates e apresentações musicais de artistas como Olodum, Arlindinho, Teresa Cristina, Grupo Arruda e a bateria da G.R.E.S Imperatriz Leopoldinense.

O festival também promove o Prêmio Gastronomia Preta, que reconhece profissionais pretos em 25 categorias, incluindo chefs, merendeiros, gestores, subchefs, sommeliers e auxiliares, reforçando o compromisso do evento com visibilidade, valorização e inclusão na cadeia gastronômica. A iniciativa integra a programação do Mês da Consciência Negra e foi destacada no Guia do Afroturismo Brasileiro, lançado em 2025, reafirmando seu protagonismo cultural e relevância para o calendário da cidade.

Com apoio da Prefeitura do Rio de Janeiro e do Banco do Brasil, o festival oferece também o Ciclo de Debates, com temas como identidade cultural, racismo, empreendedorismo, inclusão no mercado de trabalho e políticas públicas. Idealizado por Breno Cruz, professor e pesquisador da UFRJ, o evento é resultado de anos de trabalho voltados para fortalecer a gastronomia afro-brasileira e projetar a cultura preta nacional no cenário internacional, sendo atualmente uma referência de inovação, representatividade e celebração da cultura negra no Brasil.

Serviço:
Datas: 7 a 9 de novembro de 2025
Horários: sexta (7) das 18h às 23h | sábado e domingo das 12h às 23h
Local: CCBB Rio – Rua Primeiro de Março, 66, Centro, RJ
Entrada gratuita | Classificação livre

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