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‘ID Corpos Negros’: Achiles Luciano inaugura em São Paulo exposição com imersão afrofuturista e sci-fi

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Achiles Luciano (Créditos Acervo Pessoal)

A exposição ‘ID Corpos Negros’, assinada pelo artista Achiles Luciano, que propõe um encontro entre o afrofuturismo, a ficção científica e a arte afrodiaspórica, inaugura neste sábado (15), no Complexo Cultural Oswald de Andrade, em São Paulo. A mostra gratuita, que celebra o Novembro Negro, explora a convergência entre o analógico e o digital em um formato multidisciplinar, apresentando 10 obras inéditas com o uso de realidade aumentada.

O universo artístico de Achiles Luciano ganha vida com obras que utilizam a tecnologia para oferecer uma experiência imersiva e interativa. As ativações são geradas a partir do encontro do espectador com as obras em formato físico – que empregam materiais como canvas, madeira, impressões digitais fine art, pintura e ilustração digital. A proposta do artista é expandir o conceito do audiovisual, permitindo que os conteúdos, acionáveis diretamente por smartphones e tablets, aprofundem a abordagem urbana de temáticas afro-brasileiras através de técnicas mistas e do formato transmídia.

A mostra adota uma narrativa não-linear, conceito que, para Achiles Luciano, é crucial para a experiência, ecoando as reflexões do escritor e filósofo Nego Bispo. O artista, idealizador da exposição, explica que cada perspectiva se revela em uma nova jornada expográfica, desdobrando-se em camadas da história, arte e cultura afrodiaspórica.

Achiles Luciano. (Crédito: Anna Bogaciovas)

“A mostra ‘ID Corpos Negros’ é o fragmento de um sonho que começa a se realizar.
Nascido do meu fascínio por histórias de ficção científica, o projeto expressa uma inquietação antiga: perceber como a tecnologia, cada vez mais presente no nosso cotidiano, parece materializar aquilo que antes só existia nas páginas da imaginação, nos gibis, em filmes de ficção. Com esse trabalho, proponho uma travessia visual que oscila entre o real e o digital, o lúdico e o surreal. Uma experimentação artística que funde a arte mista com reflexões pessoais, mas que também toca questões mais amplas sobre identidade, ancestralidade e futuro”, afirma Luciano.

O projeto, que consagra mais de três décadas de trajetória artística do paulistano, marca um momento especial para a arte contemporânea negra e as pesquisas do artista em novas tecnologias. Conhecido por construir narrativas que expandem o olhar sobre memória, território e identidade, Luciano se firmou como um dos grandes nomes da live painting, conectando essa expressão à sua vivência nas jam sessions e nas noites de jazz e blues. Seu trabalho mais recente provoca um entrelaçamento entre o sci-fi e a ancestralidade afrodiaspórica, apresentando um autorretrato da comunidade negra em obras como Corpo Oculto, Exú – Fragmentos de Sonho, Secções e CSM_K4P031R4.

“ID Corpos Negros é um gesto de visibilidade, força e imaginação. Uma tentativa de traduzir, em imagens, a complexidade de existir, resistir e sonhar em um mundo em constante transformação. Neste momento estamos vivendo, talvez, o início de uma era onde a ficção científica se torna real”, revela Achiles.

Crédito: Achiles Luciano; Detalhes da obra – Secções – fine art.

O vernissage da mostra, que acontece neste sábado, 15, das 11h às 21h, contará com programação cultural estendida, incluindo uma seleção musical especial com a artista convidada Paola Ribeiro às 15h, seguida de uma JAM session (Bahia Fantástica) às 17h com os artistas Zebb, EdBrass e Rômulo Alexis, além do duo AFF – dispositivo afrofuturista formado por Achiles Luciano nos visuais e FELINTO no ‘live pa’, que também assina a direção musical da exposição.

A visitação da mostra acontece de terça a sexta, das 10h às 20h, e aos sábados e domingos, das 09h às 18h, até o dia 14 de dezembro, no Edifício Oswald de Andrade – Centro de SP. O projeto foi contemplado pela Lei Paulo Gustavo do município de São Paulo.

SERVIÇO

[Exposição ‘ID Corpos Negros, de Achiles Luciano]
Onde: Complexo Cultural Oswald de Andrade, na Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, São Paulo – SP, 01123-000
Quando: de 15 de novembro a 14 de dezembro
Dias e horários da exposição: de terça a domingo, das 10h às 20h; sábado e domingo, das 09h às 18h
Vernissage: 15 de novembro, das 11h às 21h

Programação da vernissage (a programação pode sofrer alterações): 

  • Seleção Musical – Paola Ribeiro (15h) 
  • JAM session “Bahia Fantástica” (17h)  
  • Performance audiovisual AFF – Dispositivo Afrofuturista (19h)

Gratuito

Vozes Negras – A excelência de quem canta e encarna a história

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Foto: Divulgação

Por: Rodrigo França

Há espetáculos que atravessam o tempo e se tornam mais do que arte: tornam-se documento, rito, permanência. Vozes Negras – A Força do Canto Feminino é um desses encontros raros em que o palco se transforma em território de celebração, cura e memória. A música, nesse caso, não é apenas canto; é reza, é denúncia, é afirmação. Mas o que sustenta o poder dessa montagem, que volta a São Paulo no BTG Pactual Hall, é o brilho e a entrega de suas intérpretes. Atrizes-cantoras que não apenas revivem nomes fundamentais da música brasileira, mas os reconstroem com alma, afeto e rigor técnico.

Em cena, Maria Ceiça, Lu Vieira, Maria Rodrigues, Taty Aleixo, Vanessa Brown, Analu Pimenta, Chelle e Roberta Ribeiro emprestam corpo, voz e história para que as homenageadas, de Elizeth Cardoso a Elza Soares, de Clementina a Alcione, de Sandra de Sá a Iza, voltem a pulsar diante do público. Há uma força ancestral no gesto de cantar essas mulheres, uma linhagem que se perpetua no timbre, na respiração e no olhar que se acende quando o microfone se transforma em espelho. São atrizes que dominam o ofício com precisão e beleza, transitando entre o teatro e o canto com a naturalidade de quem compreende que interpretar é também escutar — escutar a canção, a ancestralidade e o tempo.

Foto: Divulgação

O espetáculo, idealizado e dirigido por Gustavo Gasparani, com dramaturgia assinada por ele e por mim, Rodrigo França, é um mosaico de vozes femininas negras que moldaram a história do Brasil, e o elenco se revela como um dos seus maiores triunfos. Cada intérprete carrega a responsabilidade de reencarnar trajetórias que foram silenciadas ou subestimadas, e o faz com altivez e sensibilidade. É impressionante perceber como a cena se sustenta na potência delas, sem caricatura nem imitação: o que se vê é a alma daquelas mulheres traduzida em novas presenças.

Essas atrizes-cantoras são guardiãs de uma herança imaterial. Cantam como quem escreve o futuro. São artistas de técnica apurada e emoção incontornável, donas de uma entrega que emociona até o silêncio. Cada nota carrega uma história, cada gesto é um lembrete de que a arte negra brasileira é sinônimo de excelência, disciplina e invenção. Vozes Negras é, acima de tudo, uma celebração dessa excelência — e o elenco, seu coração pulsante.

Foto: Divulgação

Em um país que tantas vezes tenta apagar a contribuição das mulheres negras na cultura, vê-las em protagonismo pleno é um ato político e poético. Elas não apenas homenageiam, elas continuam a história. Porque toda vez que uma mulher negra canta, o Brasil se refaz um pouco mais inteiro.  

Serviço

De 4 de novembro a 11 de dezembro

Terças, quartas e quintas, às 20h.

BTG PACTUAL HALL

R. Bento Branco de Andrade Filho,722, São Paulo

E se fosse uma criança branca?

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Foto: Freepik

O mundo realmente tem preferência em desabar nas famílias negras. Recentemente, encontrei com um amigo de infância, conhecido como Soró. O nome dele é Alex. Não mora mais no bairro, mas aproveitava a folga para visitar os pais. Foi uma enorme alegria revê-lo, parecíamos os mesmos jovens de décadas atrás, relembrando os momentos divertidos. E no entusiasmo de contar as novidades, interrompíamos um ao outro antes de terminar o raciocínio. Estava muito engraçado.

No entanto, o assunto ficou delicado. Fiquei por um tempo calado e perplexo ouvindo o amigo. Soró é um homem negro, casado com Márcia, uma mulher negra. Eles têm três filhos, duas meninas e um menino. No ano passado, Miguel entrou para a escola. Na primeira reunião, Márcia participou e ouviu reclamações. A professora disse que Miguel era preguiçoso, não prestava atenção na aula e não fazia os deveres solicitados. Pediu para a mãe pegar no pé do filho para não ter “dor de cabeça” no futuro.

Os pais controlaram o acesso à televisão, jogos no celular e computador, entre outras coisas que o menino gostava de fazer; também deram muitas broncas! O casal ficava bastante ausente por conta da carga exaustiva do emprego. Soró trabalhava como vigilante, e a esposa trabalhava no supermercado. Era a mãe da Márcia quem cuidava dos netos. Antes das férias no meio do ano, a professora mandou um bilhete pedindo para os pais irem à escola. Mas foi a avó quem compareceu, e as reclamações se repetiram. 

No semestre seguinte, a professora saiu de licença maternidade. Soró disse que ali viu uma luz. Ele achava que a professora é que não estava ensinando direito e não gostava do Miguel. Mas para a surpresa dele e da esposa, na segunda semana de aula a nova professora chamou eles. Ela disse que leu os relatórios sobre o Miguel, e devido ao histórico e a percepção dela na sala de aula, sugeriu que deveriam procurar um psicólogo. 

Ainda que um pouco resistentes, seguiram o conselho. E, após diversos exames e consultas médicas, descobriram que o filho tinha transtorno psiquiátrico e deveria passar por um tratamento especializado. Soró entrou em choque. A esposa até começou a frequentar sessões de terapia depois do episódio. O remorso tomou conta. 

E não tinha como ser diferente. Imagine o tratamento que deram para o filho após a reclamação da professora, sendo que a situação estava muito longe de ser uma simples “preguiça infantil”. Depois de todo aquele assunto fiquei me perguntando: se o Miguel fosse uma criança branca, o julgamento e cuidado teriam sido diferente? Quantas crianças negras estão sendo negligenciadas e culpadas por aquilo que não controlam?

Festival ‘O Tempo é Ancestral’ celebra a Consciência Negra através da astrologia e do tarot

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Entre os dias 18 e 21 de novembro, astrólogos e tarólogos negras e negros do Brasil se reúnem para refletir sobre a Consciência Negra através das cosmologias africanas e diaspóricas no festival O Tempo é Ancestral. O evento, idealizado por Ana Zambi (@zambiastrologia), acontece de forma online e gratuita, e propõe uma experiência de quatro dias marcada por conversas, leituras oraculares, música e performances.

“O Tempo é Ancestral é um chamado de relembrança ao que nunca foi esquecido. Cada corpo negro é o tempo que retorna”, explica Ana Zambi, astróloga tradicional afrocentrada e criadora do festival. A proposta é olhar o tempo como corpo, memória e herança viva, em oposição à visão linear dominante, ressignificando a relação entre ancestralidade, espiritualidade e existência negra.

Programação

18/11 – Poéticas do Tempo e do Corpo

  • Lucas Coelho – Poéticas astrológicas negras: os céus de Beatriz Nascimento e Virgínia Bicudo
  • Arkana Preta – Mensagens diaspóricas: como o racismo se revela na leitura das cartas
  • Abertura com leituras oraculares de Black Eremita

19/11 – O Tempo que se Herda

  • Papisa – tema a definir
  • Raquel Irê Okan – O tempo que se herda: astrologia, nascimento e ancestralidade

20/11 – Céus de Levante

  • Thai Silva – A revolução dos Malês: o céu de um levante negro

21/11 – Encerramento: Retorno e Recomeço

  • Vivi Moreira – O mapa de uma existência: a astrologia pelo olhar da cosmologia banto
  • Encerramento com leituras oraculares de Black Eremita

Durante todos os dias, o festival contará com sets da DJ Ariely Lino, atravessando o evento com ritmos de travessia, transe e celebração, além de surpresas preparadas pelos participantes, como uma rifa coletiva de atendimentos oraculares.

O festival nasce da necessidade de reafirmar a presença negra nos campos da astrologia e das artes divinatórias, historicamente dominados por perspectivas brancas e eurocentradas. “O tempo é ancestral porque o saber é ancestral. Porque há memórias que resistem mesmo quando as tentam silenciar”, afirma Ana Zambi.

Festival O Tempo é Ancestral

  • 18 a 21 de novembro de 2025
  • Transmissão: @zambiastrologia
  • Com DJ Ariely Lino
  • Com astrólogues e tarólogues negras e negros de diferentes territórios do Brasil
  • Evento online e gratuito

Degustação de vinhos em São Paulo proporciona experiência sensorial guiada para pessoas negras

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O +PRETTO abre uma nova frente dentro de sua programação cultural com a realização da degustação “SENTIR-SE +PRETTO”, marcada para o dia 27 de novembro. A iniciativa propõe uma imersão no universo do vinho guiada pelo sommelier Luis Dluca, profissional especializado em rótulos de luxo e conhecido por conduzir experiências formativas na área. A atividade acontece na Vinícola Urbana, espaço que integra produção, visitação e eventos em plena cidade de São Paulo.

A proposta do encontro combina etapas técnicas e sensoriais: um passeio pelos barris da vinícola, seguido de uma aula introdutória sobre métodos, características e práticas de degustação. Ao final, o público experimenta cinco rótulos, branco, rosé, tintos e frisante, acompanhados de petiscos e música ambiente. A ideia é apresentar o vinho de maneira acessível, criando um percurso que une conhecimento, prática e observação.

A degustação integra a linha de eventos que o +PRETTO vem realizando nos últimos anos, com atividades voltadas para vivências culturais e espaços de convivência entre pessoas negras. A edição “Sentir-se” reforça esse movimento, inserindo o universo do vinho dentro de uma agenda que também inclui encontros, esportes, arte e lazer.

Serviço

Evento: SENTIR-SE +PRETTO – Degustação de Vinhos
Data: 27 de novembro de 2025
Horário: 19h30
Local: Vinícola Urbana – R. Francisco Leitão, 625, Pinheiros – São Paulo/SP
Ingressos: Disponíveis no Sympla
Redes sociais: @maispretto
Site: www.maispretto.com.br

Jantar Papo de Futuro: o Brasil que se constrói na escuta, no afeto e na responsabilidade coletiva

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Foto: Divulgação

Texto: Rodrigo França

O jantar Papo de Futuro, idealizado e oferecido por Rodrigo França e pela arquiteta e secretária de Meio Ambiente e Clima Tainá de Paula, reuniu, no Rio de Janeiro, cinquenta pessoas comprometidas com pensar o país para além da retórica e das urgências de ocasião. O encontro, que nasce com o propósito de se tornar uma tradição anual, foi mais do que uma celebração simbólica: foi um gesto de responsabilidade pública e intelectual diante do momento em que o Brasil se encontra.

Entre os presentes, nomes que constroem a cultura, o direito e a educação como tecnologias de resistência: as atrizes e os atores Neusa Borges, Ava Simões, Deo Garcez, Dja Martins, Luana Xavier, Ernesto Xavier, Ju Colombo, Marco Rocha, Orlando Caldeira, Rafael Gualandi e Valéria Monã; os diretores de cinema e teatro Gigi Soares e Fernando Philbert; as escritoras Eliana Alves Cruz e Carolina Rocha; o intelectual Carlos Alberto Medeiros; e o jurista Gustavo Proença, entre tantas outras pessoas que dedicam suas trajetórias à transformação do país.

O encontro ocorreu em meio a uma conjuntura tensa no Rio de Janeiro, marcada por episódios de violência policial e pela perpetuação de uma lógica de segurança pública que ainda enxerga territórios negros e periféricos como zonas de exceção. Diante desse cenário, as falas convergiram em torno da necessidade de um novo pacto civilizatório, onde a proteção da vida negra e periférica seja princípio e não exceção. Pensar o futuro, nesse contexto, é reconhecer que não há democracia sólida sem uma política de segurança pública humanizada, que respeite direitos e promova justiça, e sem um Estado comprometido em reparar as feridas históricas que sustentam o racismo estrutural.

Foto: Divulgação

A pauta da educação também ocupou lugar de destaque. Educadores e educadoras presentes reforçaram que a transformação social só será possível com investimento real e contínuo em uma educação libertadora, antirracista e plural, capaz de romper com as hierarquias coloniais que ainda estruturam o saber no Brasil. Foi consenso que educar é o maior ato político e que o futuro do país depende diretamente da valorização dos profissionais da educação e da ampliação do acesso a políticas de formação crítica e cidadã.

Outro ponto de destaque foi a democratização do acesso financeiro e de crédito para empreendedores e empreendedoras, em especial para produtores negros e negras das artes, do teatro e do audiovisual brasileiro. Em um mercado ainda marcado por desigualdades estruturais, o financiamento público e privado raramente chega de forma justa a quem produz fora dos grandes centros e das redes de privilégio. No Papo de Futuro, reafirmou-se que a economia criativa é também uma economia de reparação: cada investimento feito em iniciativas negras é uma aposta concreta em um Brasil mais diverso, sustentável e potente.

A noite foi atravessada por discursos de esperança, mas também por senso de urgência. Cada participante foi convidado a sair do jantar com uma tarefa, um compromisso, uma responsabilidade. A partir desse gesto, foi elaborado um documento que propõe ações concretas nas áreas de cultura, educação, economia e direitos humanos. O texto é o primeiro passo de uma construção mais ampla: um pacto ético entre pessoas que acreditam que o futuro se faz com política, diálogo e ação coordenada.

Foto: Divulgação

Tainá de Paula e Rodrigo França, anfitriões do encontro, lembraram que o Papo de Futuro não pretende ser um evento isolado, mas uma metodologia de encontro. A cada edição, novas vozes se somarão, ampliando o repertório e o alcance das discussões. O jantar reafirma que pensar o futuro é um ato coletivo, que exige coragem, escuta e compromisso com o presente.

O Brasil que queremos só existirá quando o pensamento se transformar em prática, e a palavra, em ação. E, naquele salão, entre risos, trocas e silêncios atentos, o que se viu foi exatamente isso: o exercício mais nobre da política, aquele que nasce da escuta e floresce no encontro.

Homens negros vivem menos, e o Novembro Azul precisa falar sobre isso

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Dr. Sahna Wilbonh

O mês de novembro é conhecido no meio urológico e na sociedade em geral por ser dedicado à conscientização sobre o câncer de próstata, campanha conhecida como Novembro Azul e que, há mais de 20 anos, serve de base para que a população masculina se conscientize não somente sobre o câncer de próstata, mas também para a necessidade de cuidados de saúde global nesta população, frequentemente negligenciada. No Brasil, este mesmo mês é dedicado também à Consciência Negra, de forma que se torna oportuno para os cuidados em saúde de uma parte da população ainda mais negligenciada, o homem negro. 

Com o envelhecimento da população, doenças crônicas são cada vez mais prevalentes, e, nesse cenário, doenças cardiovasculares e neoplasias (cânceres) se tornam cada vez mais importantes pensando em prevenção e tratamento (de preferência precoce). As primeiras têm alta mortalidade decorrente principalmente de infarto agudo do miocárdio e de acidentes vasculares encefálicos (chamados de AVE ou AVC). As segundas têm maiores índices de mortalidade entre homens relacionadas a cânceres de pulmão, próstata e intestino.

Dessa forma, enquanto a expectativa de vida das mulheres é de cerca de 7 anos superior à dos homens, parte desta diferença reside no maior cuidado feminino na prevenção de doenças e na busca de saúde. Embora não haja análises específicas por grupos étnicos e socioeconômicos, sabe-se que os homens negros tendem a viver menos ainda; são muitas vezes menos assistidos, mais propensos a doenças cardiovasculares e tendem a ter formas mais agressivas de câncer de próstata. 

Assim, maiores orientações acerca de cuidados de saúde em geral (manter hábitos de vida saudáveis, com boa alimentação, prática regular de atividades físicas, cessação de tabagismo e controle de doenças pré-existentes) e específicas (como o rastreamento de cânceres) são essenciais para todos, mas devem ter enfoque nas populações de maior risco. 

Considerando o câncer de próstata, que é doença-ícone quando se fala da saúde masculina, embora seja nítido o aumento do alcance de campanhas como a do Novembro Azul, ainda há um longo caminho a percorrer, visto que boa parte dos homens ainda não realizaram exames simples para detecção precoce desta patologia. E  outras questões relacionadas à saúde do homem devem receber ainda menos atenção por não terem mortalidade expressiva, mesmo que contribuam também para redução da qualidade de vida. Assim, ainda no meio da Urologia, devem ser vistas outras afecções da próstata como hiperplasia e prostatites, cálculos urinários, distúrbios hormonais, disfunções sexuais, infecções sexualmente transmissíveis, incontinência urinária, alterações da fertilidade e outros tumores e doenças urogenitais.

Há necessidade de mudança da cultura masculina em relação à própria saúde, que muitas vezes não é priorizada também pela crença de que isso os torna “menos homens”, pelo medo antecipado de algum achado ou mesmo por não se considerarem susceptíveis a doenças. A desinformação e as crenças comuns devem ser combatidas nesta busca por longevidade e qualidade de vida. Cuido e busca por ajuda médica são fundamentais não somente para tratar de doenças, mas também para evitá-las e viver melhor.

Dr. Sahna Wilbonh – Cirurgião geral e Urologista

O futuro é ancestral: quilombolas apresentam na COP30 suas próprias tecnologias de cuidado com o planeta

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Foto: divulgação

As soluções para a crise climática talvez não estejam nas conferências internacionais, mas nas comunidades que há séculos sabem o que é resistir. É isso que revela a pesquisa inédita lançada pelo Instituto Sumaúma durante a COP30, em Belém — um trabalho que documenta as tecnologias ancestrais e as práticas culturais e comunicacionais desenvolvidas por quilombolas em diferentes territórios do Brasil.

Mais do que um estudo, “Corpos-territórios quilombolas e o fio conectado da ancestralidade” é uma virada de perspectiva: coloca os quilombos no centro da discussão sobre justiça climática. Construída em diálogo direto com lideranças, a pesquisa mostra que o conhecimento ancestral não é memória, é prática viva, ferramenta de adaptação e cuidado com o planeta.

“A conta simplesmente não fecha”, afirma Taís Oliveira, diretora do Instituto Sumaúma. “As comunidades que mais sofrem com os impactos das mudanças climáticas são justamente as que detêm saberes e tecnologias sociais capazes de responder a eles, mas suas soluções seguem invisibilizadas.”

Para a pesquisadora quilombola Juliane Sousa, consultora convidada no projeto, o estudo também quebra estereótipos: “Ainda existe uma imagem equivocada de que os quilombolas vivem isolados, e essa não é a realidade. Assim como outras populações, nós também temos acesso à internet, frequentamos faculdade e levamos uma vida como qualquer outra. A diferença está na nossa relação com a natureza — ela vem das nossas heranças e se baseia no cuidado com todas as formas de vida.”

Ao lançar a pesquisa em plena COP30, o Instituto Sumaúma propõe um deslocamento: que as discussões sobre o clima deixem de falar sobre os povos quilombolas e passem a ser conduzidas por eles. Porque onde há ancestralidade, há também tecnologia, política e futuro.

Pré-lançamento da pesquisa
Corpos-territórios quilombolas e o fio conectado da ancestralidade: entre as agendas de justiça climática e as práticas culturais e comunicacionais
12 de novembro de 2025 — das 10h às 12h
Rua Cônego Jerônimo Pimentel, 315 – Umarizal, Belém/PA (Casa das ONGs)

Lançamento oficial da pesquisa
13 de novembro de 2025 — a partir das 8h
Passagem Paulo VI, 244 – Cremação, Belém/PA (Cedenpa)

COP 30: 5 empreendimentos de donos negros para incluir na rota gastronômica de Belém

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Foto: Reprodução/Puba Bar

Entre os dias 10 e 21 de novembro, a COP30 (Conferência do Clima da ONU) vai movimentar a cidade de Belém (PA). Além dos debates e plenárias, é uma oportunidade do público presente conhecer melhor a cultura e a gastronomia da Amazônia. Para esta experiência, o Mundo Negro e o Guia Black Chefs selecionou cinco empreendimentos de donos negros para os turistas incluírem na rota gastronômica.

Veja a lista completa abaixo:

  1. Churrasco do Preto (@churrascodopreto)
    O Churrasco do Preto é parada obrigatória. Conhecido pelo churrasco raiz e com música ao vivo, mas o restaurante também traz muita variedade no cardápio para almoço e jantar, como a deliciosa batata recheada de camarão e o hambúrguer argentino, feito com chorizo em tiras. Onde: Rua Antônio Barreto, 1820.
  1. Acarajé da Juci D’Oyá (@acarajedajucidoya)
    Seu tabuleiro de acarajé é uma grande referência gastronômica de Belém. A Mãe Juci D’Oyá, baiana de acarajé e guardiã da memória, vende gastronomia afrodiaspórica que une a tradição da Bahia com o toque especial do Pará. Onde: Ilha de Cotijuba.
  1. Puba Bar (@puba.belem)
    O estabelecimento é um bar intimista com vinhos e cardápio com sabores criados a partir da mandioca. Entre os pratos mais queridos pelos clientes, tem o delicioso atum cru com tucupi, nampla, chuchu, coentro e castanha do Pará. Onde: Rua Veiga Cabral, 649.
  1. A Casa Jambu Mineiro (@acasajambumineiro)
    O culinária mineira no coração amazônico. Com o toque caseiro, o restaurante oferece um buffet com o valor acessível e um cardápio variado como arroz de cachaça, feijão tropeiro e vaca atolada, além de um bom samba. Onde: Rua Ferreira Cantão, 278.
  1. Boá na Ilha (@boanailha)
    Pra quem quer respirar melhor a Amazônia, o restaurante Boá na Ilha pertence a uma família ribeirinha e oferece sabores inesquecíveis, como o filé de filhote na brasa, além de boas bebidas como o vinho de miriti. Onde: Ilha do Combu.

Novembro Negro: 10 documentários para entender a negritude brasileira

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Beatriz Nascimento (Foto: Divulgação)

Em celebração ao Novembro Negro, o Mundo Negro selecionou 10 documentários que ajudam a compreender as múltiplas dimensões da experiência negra no Brasil. São obras que atravessam música, desigualdades, fé, ancestralidade, arte e resistência. Desde produções com histórias que denunciam o racismo estrutural, às que também exaltam a excelência negra. Os filmes abaixo estão disponíveis para assistir em plataformas de streamings pagos e gratuitos.

A Negação do Brasil

O diretor Joel Zito Araújo investiga como atores e atrizes negros foram retratados nas antigas telenovelas brasileiras. O documentário é um marco do cinema negro e propõe uma análise crítica sobre a representação da negritude na TV. Onde assistir: YouTube.

Foto: Divulgação

Cidade de Deus – 10 Anos Depois

Uma década após o sucesso mundial de Cidade de Deus (2002), o documentário reencontra os atores do filme e mostra o impacto da obra em suas vidas. Entre sonhos, frustrações e conquistas, o longa dirigido por Luciano Vidigal e Cavi Borges, reflete sobre oportunidades e desigualdade racial no elenco. Onde assistir: Apple TV+.

Foto: Divulgação

Diálogos com Ruth de Souza

Um encontro entre gerações. O filme dirigido por Juliana Vicente traz conversas entre Ruth de Souza, a primeira atriz negra a conquistar destaque no teatro e cinema brasileiro, e artistas contemporâneas que seguem seus passos. Um tributo à sua trajetória e à resistência da mulher preta nas artes. Onde assistir: Netflix.

Foto: Preta Portê Filmes/Divulgação

Mães de Maio: Um Grito por Justiça

Após uma chacina de maio de 2006, um grupo de mulheres transforma a dor em luta. O documentário acompanha as Mães de Maio, movimento formado por mães de jovens negros e periféricos assassinados pela polícia, na busca por verdade e justiça. Onde assistir: YouTube.

Foto: Gabriel Guerra/ Conectas

Milton Bituca Nascimento

Mais do que um registro da carreira de um dos maiores nomes da música brasileira, o documentário celebra a humanidade e o legado de Bituca. Entre imagens inéditas e depoimentos emocionantes, vemos o artista revisitar sua trajetória e se despedir dos palcos. Onde assistir: Globoplay.

Foto: Divulgação

Mussum: Um Filme do Cacildis

Mais do que o trapalhão que o Brasil amava, o filme mostra o homem por trás das piadas: músico, sambista e símbolo de resistência. A trajetória de Mussum é revisitada em um retrato cheio de humor, emoção e consciência racial. Onde assistir: Prime Video.

Foto: Divulgação

Ôrí

O clássico narrado por Beatriz Nascimento e com destaque a sua história pessoal, o documentário apresenta os movimentos negros brasileiros entre 1977 e 1988, além da relação entre Brasil e África. Onde assistir: CurtaOn!/Prime Video.

Foto: Divulgação

Pequena África

Dirigido por Zózimo Bulbul e apresentado por Maria Gal, a série documental mergulha na história da região da Pequena África, no Rio de Janeiro – um território que guarda as memórias da diáspora africana no Brasil. Um retrato poético sobre cultura, fé e resistência. Onde assistir: Globoplay.

Foto: Divulgação

Projeto Memória – Lélia Gonzalez: Caminhos e Reflexões Antirracistas e Antissexistas

O documentário revisita a vida e o pensamento de Lélia Gonzalez, pioneira no feminismo negro e na luta antirracista. Com imagens de arquivo e depoimentos inspiradores, a produção resgata o legado de uma mulher que revolucionou o pensamento social brasileiro e segue ecoando nas novas gerações. Onde assistir: Cultne.TV.

Foto: Cezar Loureiro/ Reprodução

Racionais: Das Ruas de São Paulo Pro Mundo

A trajetória de um dos grupos mais importantes do rap nacional é contada com potência e emoção. O documentário dirigido por Juliana Vicente mostra como Mano Brown, Ice Blue, Edi Rock e KL Jay transformaram a dor e a revolta das periferias em voz e identidade para o povo preto. Onde assistir: Netflix.

Foto: Divulgação
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