Bianca Oliveira critica fala racista de participante no MasterChef Brasil: “Desumaniza mulheres negras”

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Bianca Oliveira critica fala racista de participante no MasterChef Brasil: “Desumaniza mulheres negras”
Fotos: Rafael Borgatto e Renato Pizzutto/Band/Divulgação

O participante da 13ª edição do MasterChef Brasil causou indignação após proferir uma fala racista que foi exibida na TV Band na última terça-feira (16). Durante a avaliação dos jurados, o biomédico Reinaldo Bockor tentou explicar o conceito de sua receita utilizando uma analogia desrespeitosa: “Ele [o prato] tem que ter um pouco de manteiga no caldo, trouxe uns legumes, rasguei com a mão, imaginei aquela ‘mama criola’ rasgando com a mão assim, cozinhando para um francês que casou e tal”, declarou o catarinense.

A chef e fundadora da Casa do Dendê Aracaju, Bianca Oliveira, criticou a fala do cozinheiro amador. “A declaração do participante reforça estereótipos raciais que, há muito tempo, são usados para diminuir e desumanizar mulheres negras na gastronomia e fora dela”, destacou em entrevista ao Mundo Negro e ao Guia Black Chefs.

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“Ao afirmar que cortou as folhas ‘igual às crioulas que casam com franceses’, ele não faz apenas uma comparação. A fala reproduz uma visão ligada a heranças coloniais, associando mulheres negras à subordinação e sugerindo, ainda que de forma indireta, que seu reconhecimento ou ascensão social dependeria da relação com homens brancos”, completa a chef, que também é pesquisadora da cultura alimentar afro-brasileira.

Bianca também critica a naturalidade com que a produção do programa exibiu a fala racista. “Causa preocupação que uma declaração como essa seja exibida sem uma reflexão mais ampla sobre seu significado. Mulheres negras não precisam ser associadas a ninguém para que sua competência, talento e trajetória sejam reconhecidos. Somos protagonistas de nossas próprias histórias”, pontua.

A chef destaca, ainda, que as mulheres negras carregam conhecimentos que construíram e sustentam até hoje uma parte importante da culinária no Brasil e no mundo. “Não podemos aceitar que nossas trajetórias sejam reduzidas a piadas, estereótipos ou comentários preconceituosos apresentados como humor. O que pedimos é algo simples: respeito às mulheres negras. Respeito às nossas ancestrais. Respeito às cozinheiras que ajudaram a construir e continuam construindo a história da alimentação”, conclui.

Com a repercussão negativa nas redes sociais, o catarinense se pronunciou nesta quarta-feira (17) para se defender. “Eu estava me referindo à comida de origem Cajun, que é uma comida que nasceu no Sul dos Estados Unidos, que é uma comida de origem crioula. Assim como a gente tem aqui no Brasil a comida nordestina, a comida paraense, a comida sulista, é uma comida de regiões, né? Eu estava contando naquele momento a história da comida como ela começou”.

O participante concluiu com um pedido de desculpas: “Se a fala ofendeu alguém, eu quero pedir humildemente perdão porque realmente não foi a minha intenção. Não entrei na cozinha do MasterChef para ofender ninguém, não entrei na cozinha do MasterChef para prejudicar ninguém, eu entrei porque eu gosto de cozinhar”.

Até o momento, a assessoria do programa e a emissora não se pronunciaram sobre o episódio.

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