A Prefeitura de São Paulo realiza, nos dias 19 e 20 de novembro, a 5ª Expo Internacional Dia da Consciência Negra, no Centro Cultural São Paulo, das 9h às 21h. Com entrada gratuita, o evento integra a política pública “São Paulo, Farol de Combate ao Racismo Estrutural” e tem como tema desta edição o Afrofuturismo na cidade de São Paulo, conectando cultura, tecnologia, identidade e políticas públicas que impactam comunidades negras, indígenas e imigrantes.
Organizada por uma articulação de secretarias municipais, a Expo propõe refletir sobre como o Afrofuturismo pode orientar práticas de equidade racial no presente. O conceito, que combina memória, protagonismo e imaginação de futuro, atravessa toda a programação com experiências de afroempreendedorismo, educação antirracista, cultura, ciência e conexões internacionais.
Segundo a organização, o Afrofuturismo funciona como estética e também como ferramenta política: reconstrói identidades, questiona estruturas e aponta futuros não colonizados. A partir desse entendimento, o evento propõe que São Paulo seja um território capaz de unir saberes ancestrais e inovação tecnológica para avançar em diversidade, inclusão e direitos.
Nesta edição, o público receberá um passaporte que funciona como guia para circular pelos “portais afrofuturistas” instalados no Centro Cultural São Paulo. Cada portal apresenta uma narrativa que conecta passado, presente e futuro para discutir políticas públicas, equidade racial, cultura e trajetórias de resistência.
Com curadoria das secretarias municipais, a Expo reúne exposições, painéis, vivências, ações voltadas ao afroempreendedorismo e atividades que evidenciam São Paulo como uma cidade comprometida com a construção de um futuro antirracista.
Serviço
5ª Expo Internacional Dia da Consciência Negra 19 e 20 de novembro de 2025 Centro Cultural São Paulo – Rua Vergueiro, 1.000 (Metrô Vergueiro) 9h às 21h Entrada gratuita Programação completa nas redes: @direitoshumanos.sp
Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora e do Instituto RME (Foto: Divulgação)
Mulheres negras são as que enfrentam os maiores obstáculos para acessar crédito e impulsionar seus negócios no Brasil, segundo a 10ª edição da pesquisa “Empreendedoras e Seus Negócios 2025”, realizada anualmente pelo Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME) por meio do seu Laboratório de Gênero e Empreendedorismo, e execução da Ideafix. O estudo revela dados sobre acesso a crédito no Brasil e se dedicou a compreender os principais desafios e oportunidades para o crescimento dos pequenos negócios femininos e também revelou a desigualdade racial no acesso.
“Mulheres brancas têm 23% dos pedidos negados, contra 29% das mulheres negras. Além disso, os valores obtidos por mulheres negras tendem a ser menores: 37% delas receberam até R$2 mil, frente a 22% das mulheres brancas. Apenas 6% das empreendedoras negras acessaram empréstimos acima de R$20 mil, ante 20% das empreendedoras brancas”, explica Ana Fontes, empreendedora social e fundadora da Rede Mulher Empreendedora e do Instituto RME.
A pesquisa, que ouviu 1.043 mulheres de todas as regiões, revela que 57,3% das empreendedoras afirmam não ter dívidas em 2025 — um movimento que pode refletir tanto a cautela diante das incertezas econômicas quanto o esforço para manter as contas em dia. Ainda assim, a realidade financeira é marcada por contradições: 72,1% estão negativadas como pessoa física, indicando que muitas recorrem ao crédito pessoal enquanto mantêm seus CNPJs sem restrições.
Mesmo com a necessidade de investimento para crescer, 65,5% das empreendedoras nunca solicitaram crédito para o negócio, enquanto apenas 21% tentaram mais de uma vez. Entre as que buscaram recursos, os bancos privados lideram a procura (52,4%), seguidos por fintechs (39,6%) e bancos públicos (33,2%).
O estudo também evidencia que a informalidade segue como barreira para muitas mulheres: 74,5% acessam crédito como pessoa física, e apenas 35,3% como pessoa jurídica. As fintechs aparecem como alternativa para empréstimos menores e liberação rápida, enquanto bancos públicos e cooperativas atendem negócios formalizados e valores mais altos.
O perfil racial das participantes se divide entre mulheres negras (49%) e brancas (48%). A maioria está entre 30 e 59 anos, com concentração na faixa dos 40 aos 49 anos. Em média, elas têm renda mensal de R$ 2.400, são chefes de família (58,3%) e sustentam outras pessoas com essa renda (69,4%). Pela primeira vez, o desemprego superou a busca por independência financeira como principal motivação para empreender.
Discriminação no processo de crédito
Entre as mulheres que tiveram o crédito negado, 30,5% relatam ter sofrido algum tipo de discriminação, enquanto esse percentual sobe para 35,5% entre aquelas que ainda aguardavam resposta. Questões como gênero, raça/cor, classe social, território periférico ou rural e escolaridade aparecem como motivadores do tratamento discriminatório.
No total, 26,3% das empreendedoras tiveram o pedido de crédito negado, e 8,6% ainda esperam retorno. A negativação do nome foi o principal motivo apontado para a recusa (58,5%). Para muitas, a falta de crédito dificultou o planejamento dos negócios (23,4%) e até impactou a renda familiar (5,3%).
Setores onde essas mulheres atuam
A área de alimentação e gastronomia concentra a maior parte das empreendedoras (19,6%), seguida pelos setores de beleza, estética e bem-estar (16,7%). Já segmentos como tecnologia (2,4%), transporte (1,8%) e turismo (1,5%) permanecem com baixa participação feminina — especialmente negra — evidenciando a necessidade de investimentos, inclusão e formação para ampliar o acesso dessas mulheres a setores mais lucrativos e valorizados.
Em 2025, o setor de beleza perdeu espaço, enquanto os negócios ligados a arte e cultura registraram crescimento.
A metodologia da pesquisa combina dados quantitativos e qualitativos e inclui entrevistas com representantes de instituições financeiras que atuam no Brasil e na América Latina. A coleta foi realizada em agosto de 2025.
Novo fundo para apoiar empreendedoras — com foco no Norte e Nordeste
Junto com a divulgação da pesquisa, o IRME anunciou o lançamento do FIRME – Fundo de Impacto e Renda para Mulheres Empreendedoras, que vai disponibilizar R$ 2,5 milhões em crédito orientado para mulheres à frente de pequenos negócios. O fundo prioriza empreendedoras das regiões Norte e Nordeste, além de negócios com impacto social e sustentável.
A iniciativa combina financiamento, capacitação e mentorias individuais, fortalecendo negócios desde o planejamento até a execução. O FIRME é realizado pelo Instituto RME com apoio da Rede Mulher Empreendedora e parceria do Banco Pérola, instituição com mais de 16 anos de experiência em microcrédito produtivo orientado.
No TOP 10 da Netflix no Brasil, ‘Má Influencer‘, a nova série sul-africana que acompanha BK (Jo-Anne Reyneke), uma mãe solo que se une à influenciadora Pinky (Cindy Mahlangu) para vender bolsas de luxo falsificadas na internet. O esquema rapidamente sai do controle e chama a atenção de uma gangue de falsificadores e das autoridades, empurrando as protagonistas para uma corrida onde precisam ser mais espertas que criminosos e a própria polícia.
Com sete episódios, a produção aborda temas como a busca por fama nas redes sociais, a cultura dos influenciadores digitais – que pode ser muito tóxica, lealdade e sobrevivência. A série foi criada e escrita por Kudi Maradzika, com direção de Ari Kruger e Keitumetse Qhali.
Kudi, apontada pela Glamour África do Sul como parte da nova geração que está redefinindo as narrativas do continente, traz para a série seu olhar pessoal sobre o universo digital. Antes de se consolidar como roteirista, ela mesma tentou trilhar o caminho da influência nas redes. “Cheguei até mesmo a ser convidada para eventos de marca. Mas, como jornalista de formação, comecei a perceber um mundo muito mais complexo do que as pessoas imaginam.”
A criadora participou do laboratório do Instituto Realness, incubadora que revelou talentos de países como Quênia, Nigéria e África do Sul e que chamou a atenção da Netflix. De lá, ela desenvolveu série durante um ano e meio. “Má Influencer explora o quanto as mídias sociais moldam nossa identidade, nossas ambições e nossa bússola moral, especialmente em uma sociedade obcecada por imagem.”, explica.
Além das tensões do mundo digital, a trama investiga os cruzamentos entre tecnologia e crime, abordando desde consumidores enganados por influenciadores até as implicações éticas do dinheiro que circula no mercado das falsificações — sempre a partir de um ponto de vista local. “Os ritmos culturais, o humor e as contradições sul-africanas conduzem a história. A equipe ancorou tudo em um mundo que é reconhecidamente nosso”, afirmou Maradzika ao Nollywood Reporter.
O portal Mundo Negro anuncia um passo importante em sua missão de valorizar a comunidade negra no mercado de trabalho e nas redes sociais: a realização de sua primeira masterclass oficial, com vagas limitadas. O evento, com o tema “Autonarrativa e Branding Pessoal Digital para Profissionais Negros”, será online no dia 25 de novembro, às 18h.
A iniciativa conta com a parceria estratégica do Best in Black, um Clube voltado para profissionais negros que promove networking estratégico através de lifestyle, bem-estar e mentorias, oferecendo eventos presenciais e recursos digitais para seus membros.
A Masterclass será conduzida por Silvia Nascimento, fundadora e CEO do Mundo Negro, que explica a motivação por trás do lançamento:
“Sentimos que chegou o momento de criar novas conexões reais com a nossa audiência e também ampliar nosso modelo de negócios para além da produção de conteúdo. Queremos usar nossos conhecimentos, acessos e experiência de 20 anos e tornar em algo que possa ajudar a nossa comunidade.”
Conteúdo Programático e Ferramentas Práticas
O curso intensivo foi desenvolvido para abordar os desafios e as especificidades da construção da marca pessoal negra no ambiente digital, focando na importância de uma narrativa autêntica e potente.
O conteúdo mergulhará profundamente nos pilares da Autonarrativa e do Branding Pessoal digital. A Masterclass ensinará estratégias e ferramentas digitais essenciais – incluindo o uso de Inteligência Artificial (IA) para otimização – que os participantes podem aplicar imediatamente, facilitando a gestão e o crescimento de sua marca pessoal no mercado. O curso reforça, ainda, a urgência de construir essa presença forte no momento atual (“Por que agora: A importância de agir já”).
Silvia Nascimento destaca o diferencial do conteúdo: “Existe ainda uma visão de produção de conteúdo na parte de carreira e negócios que ainda imita muito o que os brancos fazem e atropelam nossas potências e individualidades. Fiz estudo de perfis de pessoas negras que admiro nas redes, somado a estudos sobre IA e branding pessoal para criar essa Masterclass.”
Vagas Limitadas e Desconto Exclusivo
O Mundo Negro informa que as vagas são limitadas. O valor de investimento para a Masterclass é de R$ 360,00, que pode ser dividido em até 3 vezes no cartão. Membros do Clube Best in Black terão um desconto exclusivo de 10% na inscrição.
Serviço: Masterclass Mundo Negro
Data e Hora: 25 de novembro, às 18h
Formato: Online (Transmissão com Vagas Limitadas)
Condução: Silvia Nascimento
Investimento: R$ 360,00 (Parcelamento em até 3x no cartão)
O livro Branco, branquitude, branquidade, quarto volume da coleção África, Presente! Negritude e luta antirracista, organizado pelo cientista social, historiador e pesquisador Lourenço Cardoso, propõe uma reflexão aprofundada sobre a branquitude como sistema de poder e não apenas como cor de pele. “Ora as visões dos autores coincidem, ora se opõem, e o leitor será o que mais ganhará com a leitura”, afirma Cardoso, destacando o caráter plural e crítico da obra.
Ao examinar o branco como identidade étnico-racial e as formas como ele se inscreve na sociedade contemporânea, os autores deste volume desvelam as bases da branquitude, questionam seus significados e confrontam seus efeitos nas relações sociais e de poder. Entre os temas abordados na obra estão:
A identidade branca vinculada à escravidão e à construção histórica da raça branca no Brasil;
A supremacia racial à brasileira e a crítica à meritocracia;
A branquitude e a descolonização na África do Sul pós-apartheid e suas conexões com as desigualdades raciais brasileiras;
O brancocentrismo acadêmico;
O branco aliado, a branquitude, a geopolítica e a crítica à sociedade capitalista-neoliberal;
A formulação do conceito de “branquitude crítica dissimulada”;
A descolonização das ciências sociais no Brasil e o papel da branquitude na autocrítica branca;
As vivências acadêmicas de um branco estrangeiro no Brasil.
O volume reúne textos de Cintia Cardoso, Franciéle Carneiro Garcês‑da‑Silva, Julie Lourau, Lia Vainer Schucman, Lourenço Cardoso, Lucy Valerie Graham, Marcus Vinicius de Freitas Rosa, Maria Isabel Donnabella Orrico, Paride Bollettin e Willamys da Costa Melo, garantindo uma diversidade de perspectivas nacionais e internacionais que enriquecem o debate.
No capítulo O branco aliado e a morte da dialética: análise crítica sociológica, econômica e subjetiva fanoniana numa perspectiva integral, Lourenço Cardoso explica que seu propósito foi realizar “uma análise sobre raça de forma ampla, numa perspectiva global. Ao pensar o branco aliado, e para evitar armadilhas éticas, morais e metafísicas, trilhei a análise econômica numa perspectiva teórica fanoniana marxista”. Ele detalha ainda que realizou “uma abordagem geopolítica, mostrando, por exemplo, a relação entre o Canal de Suez e a raça” e que sua crítica às abordagens subjetivas foucaultianas está implícita no texto, utilizando a subjetividade fanoniana apenas “para colaborar objetivamente com a crítica da sociedade capitalista, burguesa, liberal e branco-cêntrica”. Cardoso reforça que seu estudo não tem caráter pedagógico, jurídico ou salvacionista, mas busca analisar criticamente a difusão de literatura científica e discursos sobre raça, que muitas vezes se apresentam de forma difusa e inócua no contexto neoliberal.
Foto: divulgação
Segundo Dagoberto Fonseca, organizador da coleção, “todos os autores convidados têm um olhar efetivo sobre esse contexto de branco, branquitude e branquidade, inclusive pessoas brancas que se dedicam a compreender a questão, produzir estudos e debater”. A coleção, inspirada na História Geral da África da Unesco, busca descontruir pseudoverdades científicas e produzir conhecimento autêntico sobre africanos, afro-brasileiros e indígenas, promovendo novas categorias, metodologias e conceitos da realidade social.
O volume se destina a estudantes, pesquisadores, docentes de ciências sociais, história, sociologia, ciência política, relações raciais e direitos humanos, sendo também de especial interesse para militantes do movimento negro.
Recentemente, o Mundo Negro conquistou um milhão de seguidores no Instagram e 50 mil no LinkedIn. Para celebrar o impacto e a relevância em 20 anos de atuação com a comunidade, está sendo lançado um novo projeto: o HUB Mundo Negro. Esta plataforma de curadoria, formação e experiências foi criada para transformar o noticiário em soluções práticas.
Com o objetivo de munir a comunidade negra com as ferramentas necessárias para a alavancagem profissional, o HUB Mundo Negro inicia as atividades com o pilar de Formação Estratégica.
Em breve, serão divulgados em primeira mão para os assinantes premium da plataforma no Substack os cursos oferecidos, como Branding Pessoal e IA, com o intuito de fornecer informações e ferramentas que facilitem o trabalho e também a vida pessoal da comunidade negra.
Os assinantes também garantem a entrada prioritária em todas as Oficinas e Encontros presenciais promovidos pelo Hub, gerando conexões valiosas e networking.
“O valor da assinatura é a soma de serviços diferenciados que vamos oferecer. Queremos que a nossa comunidade esteja bem envolvida. O dinheiro da nossa comunidade também tem um potencial tão grande quanto o das marcas para manter negócios negros sustentáveis. Fazemos o Black Money acontecer”, afirma a CEO do Mundo Negro, Silvia Nascimento.
Guias de Profissionais, Serviços e Lugares para Conhecer
Para economizar o tempo de busca e impulsionar a economia da comunidade negra, os assinantes do HUB Mundo Negro também terão acesso exclusivo à curadoria de profissionais negros que prestam serviço ou comandam lugares incríveis para conhecer.
Recentemente, a nossa newsletter publicou para os assinantes um guia de 55 profissionais negros de saúde e bem-estar, com atendimento em diferentes regiões do Brasil e on-line.
👉🏿Fique pode dentro! Clique aqui e assine o Hub Mundo Negro hoje mesmo!
A COP30, 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, acontece entre 10 e 21 de novembro em Belém, no Pará. O evento reúne governos, empresas, cientistas e sociedade civil para debater políticas de mitigação e adaptação climática. Apesar da relevância do encontro, especialistas apontam que as discussões frequentemente priorizam metas técnicas e financeiras em detrimento das consequências sociais da crise.
Jurema Werneck, médica e diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil, atua como enviada especial da COP30 com foco em periferias e racismo ambiental. Em entrevista à Matinal, ela afirmou que a conferência está desconectada da urgência humana da crise: “Parece que a gente está em uma reunião da Faria Lima global”, criticando a predominância de discursos voltados para números e finanças em vez de soluções concretas para comunidades vulneráveis.
A ativista reforça que o ponto central da crise climática é o ser humano e que populações historicamente marginalizadas, como indígenas, ribeirinhos e moradores de periferias, enfrentam os efeitos mais severos. Werneck destaca que a degradação ambiental nessas regiões está diretamente ligada ao racismo ambiental, que invisibiliza seus direitos e limita sua participação nas decisões que afetam seus territórios e vidas.
Segundo Werneck, priorizar ações ambientais significa garantir direitos humanos básicos. A mensagem da enviada especial é clara: a agenda climática precisa deixar de lado o discurso técnico e corporativo e adotar uma perspectiva que reconheça desigualdades sociais e raciais, colocando a vida humana no centro das decisões globais sobre o clima.
Josi Helena Souza é esteticista e tricologista, especialista em estética para pessoas negras. Com anos de atuação em consultorias, palestras e treinamentos, ela tem se dedicado a analisar o impacto das práticas de beleza na saúde capilar e emocional de suas clientes. Em suas observações, Josi identifica um problema que vai além do cabelo: a pressão estética que mulheres negras enfrentam para se adequar a padrões que não refletem sua identidade.
Segundo Josi, 80% das mulheres que procuram seus serviços desenvolveram alopecia por tração, evoluindo em muitos casos para alopecia cicatricial. Esse dado revela que a busca por cabelos longos, lisos ou moldáveis, muitas vezes estimulada pelo mercado de beleza, tem consequências diretas na saúde física dessas mulheres. Para ela, o problema não está apenas nos procedimentos, mas na pressão invisível para performar um ideal de feminilidade.
Em suas reflexões, Josi alerta: “A busca por pertencimento através da estética adoece quem mais longe está do ‘ideal’ imposto. Não é o comprimento ou textura dos cabelos que determina o que é ser feminina ou bela, mas no subconsciente de mulheres negras isso não é verdade”. Ela destaca que a indústria da beleza movimenta enormes quantias de dinheiro enquanto adoece essas mulheres, criando uma falsa sensação de escolha e empoderamento.
O trabalho de Josi Helena Souza convida à reflexão e à revisão de padrões. Questionar escolhas estéticas e priorizar a saúde física e emocional são passos essenciais para ressignificar a relação com a própria aparência. Em suas palavras: “Nada deve ser mais importante que a sua saúde”. O alerta da especialista não é apenas sobre cabelos: é sobre identidade, liberdade e cuidado com si mesma em uma sociedade que ainda impõe padrões excludentes.
O escritor e empreendedor Denis Tassitano, autor do livro Powerhub – o livro do networking, compartilhou recentemente um exercício simples, mas profundamente transformador, sobre conexões humanas e gratidão. Inspirado em uma das práticas do programa “21 Dias de Meditação para Abundância”, criado por Deepak Chopra, Denis propõe uma reflexão sobre o verdadeiro significado do networking, que vai muito além das relações profissionais.
Em sua publicação, ele destaca que networking é sobre pessoas, e não apenas sobre oportunidades de trabalho. Segundo Denis, cada relação que cultivamos deixa uma marca e contribui de alguma forma para nossa trajetória. Por isso, o exercício da semana é direto, mas potente: escrever uma lista com 50 pessoas que impactaram positivamente a sua vida.
A proposta é que, ao listar esses nomes, familiares, amigos, professores, colegas, mentores ou pessoas que cruzaram o caminho em momentos decisivos, cada um possa mentalizar o que recebeu dessas conexões. E mais: se possível, entrar em contato novamente com essas pessoas para expressar gratidão. “O simples ato de reconhecer e agradecer fortalece laços, abre portas e gera novas possibilidades”, escreve.
Inspirado no programa 21 Dias de Meditação para Abundância, de Deepak Chopra, que propõe reflexões diárias sobre prosperidade e consciência, o exercício compartilhado por Denis Tassitano se alinha aos princípios de Powerhub, seu livro mais recente, que reforça a importância de um networking autêntico, humano e guiado pela gratidão.
No fim, o convite é simples, mas poderoso: reconhecer quem já somou à sua caminhada. Como lembra o autor, networking verdadeiro nasce do reconhecimento, da troca e da gratidão, e, talvez, a abundância comece exatamente aí.
Em um país onde a beleza negra ainda precisa disputar espaço dentro dos protocolos estéticos, a trajetória da Drª Andréa Santana nasce como resposta e transformação. Farmacêutica clínica e esteta, ela construiu, a partir de Salvador, uma atuação que une ciência e compromisso social, tornando-se uma das principais referências nacionais em cuidados dermatológicos voltados à pele negra. Entre publicações científicas, palestras e atendimentos, Andréa tem feito da estética um instrumento de reparação: devolve autoestima, visibilidade e pertencimento a mulheres negras historicamente excluídas das narrativas de beleza.
Há 24 anos na área, farmacêutica clínica, ozonioterapeuta, docente, palestrante e CEO da Clínica de Estética Avançada Drª Andréa Santana, ela também é membro do Grupo de Trabalho do Conselho Regional de Farmácia da Bahia (CRF/BA) e integra a rede internacional Forbes BLK, que conecta lideranças negras de destaque em todo o mundo.
Mas é no projeto social Da Pele Preta que a potência de seu trabalho se revela de forma mais profunda. Criado há dois anos, o projeto oferece tratamentos estéticos gratuitos para mulheres negras em situação de vulnerabilidade, promovendo acolhimento, escuta e reconstrução de autoestima. Em 2025, a ação beneficiou mulheres da comunidade religiosa Cumoa, em Piatã, reforçando a beleza como ferramenta de pertencimento e fé.
Em entrevista ao Mundo Negro, ela compartilhou histórias que marcam a essência do Da Pele Preta:
“Teve um momento que me marcou profundamente quando uma das mulheres, ao final do tratamento, se olhou no espelho e começou a chorar. Mas não eram lágrimas de vaidade, eram de reconhecimento. Ela disse que há anos não se olhava com amor, que a vida tinha endurecido. Ali percebi que meu trabalho vai muito além da estética, é reparação emocional e ancestral. É devolver a essas mulheres o direito de se verem bonitas, cuidadas, dignas de tempo e de toque. Cada pele que eu toco me lembra que autocuidado também é resistência.”
Em outro relato, ela lembra de uma mulher que chegou retraída, enfrentando a depressão e a vergonha do próprio corpo:
“Ela tinha vergonha da própria pele, quase sem cabelo, marcada por manchas e falhas. Com o passar dos encontros, começou a sorrir mais, a se arrumar, a falar sobre planos. Ver aquela mulher se reencontrando com a própria potência me mostrou que o Da Pele Preta não é só sobre estética, é sobre libertar identidades, resgatar autoestima e abrir caminhos para que mulheres negras ocupem espaços com confiança.”
Para Andréa, a estética negra é também um ato político e de afirmação.
“Quero que a sociedade entenda que cuidar da pele negra é um ato político e de amor. Por muito tempo fomos ensinadas a esconder o que somos, a clarear, a suavizar, a caber. Mas hoje, o que eu desejo é o contrário: que a nossa pele apareça, brilhe e inspire. A estética, quando aliada à consciência, se torna ferramenta de reparação, visibilidade e poder. Quero que olhem para a pele negra e enxerguem história, ciência, beleza e futuro.”
Mais do que um projeto de estética, o Da Pele Preta se consolidou como uma iniciativa de impacto social que atravessa territórios, histórias e gerações. Em dois anos de atuação, o projeto já atendeu dezenas de mulheres negras em situação de vulnerabilidade, oferecendo não apenas tratamentos dermatológicos, mas escuta, acolhimento e reconexão com a própria imagem. Drª Andréa Santana reafirma que a beleza, quando é consciente, pode ser também ferramenta de emancipação. E que cuidar da pele negra é, sobretudo, cuidar da memória e da dignidade de quem a carrega.