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Do sofá à timeline do celular: Samantha Almeida explica a estratégia que fez “Vale Tudo” uma obsessão nacional 

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Foto: Samantha Almeida

Se você se viu alterando sua rotina para acompanhar “Vale Tudo” – algo que talvez não fizesse há anos por uma novela – saiba que não está sozinho. A trama, um remake do icônico sucesso dos anos 80, retornou aos lares brasileiros arrebatando a atenção e o afeto de diversas gerações. Vimos jovens se inspirarem no corte de cabelo de Maria de Fátima (Bella Campos) , enquanto milhares de mulheres se engajaram com a trajetória de Consuelo (interpretada por Belize Pombal), agora Diretora da TCA.

Além de uma narrativa já conhecida e habilmente atualizada para a contemporaneidade, outro fator crucial para a retenção da audiência foi a utilização estratégica das redes sociais. Elas funcionaram como um catalisador, unindo uma comunidade apaixonada por folhetins televisivos, uma paixão que remonta ao século passado. O Brasil, com sua forte presença digital, é um usuário intensivo e mobile-first das redes sociais, contando com aproximadamente 141 milhões de perfis no Instagram e cerca de 91,7 milhões no TikTok em 2025, posicionando o país entre os maiores mercados globais dessas plataformas.

Samantha Almeida, Diretora de Marketing da TV Globo, detalha a estratégia que transformou “Vale Tudo” na novela mais lucrativa da história da emissora, um feito atribuído à sua audiência e engajamento sem precedentes.

“O que fizemos ao longo desses meses foi, através de uma estratégia robusta de conteúdo e mídia, conectar essa potente tradição [da novela] à linguagem e ao comportamento de consumo de conteúdo atual. As plataformas digitais desempenharam um papel muito importante, tendo a televisão como grande protagonista”, explica a diretora, que já foi agraciada com o Caboré de 2021 na categoria inovação.

A estratégia capitalizou a paixão do público brasileiro por redes sociais, memes, vídeos curtos e análises aprofundadas sobre os temas abordados, conectando-se de forma ágil e, em muitos casos, em tempo real, com cada capítulo da trama exibida no horário nobre. Uma novela, por sua natureza, gera conteúdo novo e ‘ao vivo’ seis dias por semana. Consequentemente, uma estratégia de marketing eficaz exige agilidade, uma leitura rápida do cenário, sensibilidade para interagir com o público e uma genuína cocriação com os talentos envolvidos.

Samantha ressalta que a equipe de criação, parceiros internos, agências externas e os talentos dos Estúdios Globo foram essenciais para conceber “uma jornada complementar à TV que se manifestou em múltiplos formatos, plataformas, nas escolhas de mídia, ganhou voz com creators, e multiplicou gatilhos nas redes sociais com vasto conteúdo em tempo real.”

E se engana quem pensa que spoilers ou previsões sobre o desenrolar da trama foram um obstáculo. Para Samantha, mesmo com a percepção de que sabemos o que acontecerá, a expectativa por uma surpresa mantém o interesse aceso. “O formato novela, seja no agendamento diário na grande tela, nos cortes espalhados pelas redes ou nas figurinhas de WhatsApp, faz parte da identidade cultural do Brasil. Somos muitos milhões de especialistas apaixonados, a maior comunidade noveleira do mundo, esperando sermos surpreendidos mesmo com o que achamos já conhecer”, afirma.

“Vale Tudo reforça uma essência da Globo: contar boas histórias é atemporal e, hoje, naturalmente multiplataforma”, conclui a diretora.

Angie Stone e D’Angelo, parceiros na vida e na música, se despedem em 2025, deixando legado eterno no neo-soul e no R&B

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Foto: reprodução

Em 2025, o mundo da música negra perdeu duas de suas vozes mais emblemáticas: Angie Stone e D’Angelo. Ambos partiram no mesmo ano, deixando um legado indelével no soul e no R&B. Sua parceria transcendeu os palcos e os estúdios, refletindo uma conexão profunda que influenciou gerações.

Angie Stone, nascida em 1961, iniciou sua carreira no grupo The Sequence nos anos 80, sendo uma das pioneiras do hip-hop feminino. Nos anos 90, ela se consolidou como uma das maiores vozes do soul contemporâneo, com álbuns como Black Diamond (1999) e Mahogany Soul (2001). Sua colaboração com D’Angelo foi marcante, especialmente na canção “Everyday”, que se tornou um clássico do R&B.

D’Angelo, nascido Michael Eugene Archer em 1974, foi uma figura central no movimento neo-soul. Seu álbum Voodoo (2000) é considerado uma obra-prima do R&B moderno. Apesar de sua carreira mais reservada, sua influência é inegável, com canções que exploram temas de amor, espiritualidade e identidade negra.

Durante o tempo em que estiveram juntos, Angie enfrentou julgamentos públicos motivados por preconceitos sobre sua imagem e expectativas sociais em torno de relacionamentos inter-raciais e de aparência. Sobre essa realidade, Angie comentou em entrevista ao portal HelloBeautiful:

“Quando eu estava naquela fase, era uma realidade cruel. Muitas pessoas começaram a lutar contra isso por causa da questão do peso, porque eu era uma mulher de pele escura com lábios cheios. Para eles, isso simplesmente não combinava. Mas o que eles não entendiam é que ele também foi obeso em um ponto.”

A perda de ambos em 2025 é um lembrete da efemeridade da vida, mas também da perenidade da música que criaram. Angie Stone e D’Angelo não foram apenas artistas; foram cronistas da experiência negra, utilizando suas vozes para contar histórias de amor, luta e identidade. Seu legado permanece vivo, não apenas em suas gravações, mas na maneira como moldaram o som do soul e do R&B contemporâneo.

O filho deles, Michael Archer Jr., de 27 anos, tornou-se um elo de memória viva entre duas trajetórias tão entrelaçadas quanto distintas. Ele perdeu a mãe em março, pouco após seu aniversário, e agora perde o pai também, em menos de um ano. Em comunicado, Michael pediu que as pessoas os mantenham em seus pensamentos (“mantenha-me em seus pensamentos”), mostrando que, por trás dos palcos e dos sucessos, há dor e saudade.

Hoje, a morte de ambos em 2025 reforça o valor de revisitar seu legado, as vozes, as letras, as harmonias, os momentos em que ambos enfrentaram expectativas externas, estereótipos e críticas — e como transformaram tudo isso em arte. A música de D’Angelo e Angie Stone permanece viva, ecoando seu talento, suas lutas pessoais e o impacto que causaram em quem os ouviu, artistas, fãs, gerações inteiras. O silêncio que sobra com suas ausências é grande, mas o legado é maior.

‘Caldeirão com Mion’ celebra a obra e legado de Arlindo Cruzem roda de samba especial

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Foto: divulgação

Neste sábado (18), o Caldeirão com Mion promove uma homenagem especial a Arlindo Cruz, que faleceu em agosto, reunindo músicos, atores e familiares em uma grande roda de samba. O encontro é comandado por Arlindinho, filho do sambista, e reúne artistas consagrados do gênero como Diogo Nogueira, Sombrinha, Feyjão, Gabrielzinho do Irajá e Thaís Macedo. Além dos músicos, participam da homenagem Babi e Flora Cruz, viúva e filha de Arlindo, e nomes da televisão como Douglas Silva, Erika Januza, Carla Cristina Cardoso, Viviane Araújo, Juliana Alves, Tatiana Tibúrcio, Gi Fernandes, Quitéria Chagas e o mentalista português João Blumel.

O programa busca resgatar não apenas a obra musical de Arlindo Cruz, mas também sua influência pessoal e cultural. Marcos Mion, apresentador do Caldeirão, resumiu a experiência: “Foi muito emocionante receber a família e todos esses músicos no programa”. A declaração sintetiza a atmosfera do encontro, que combina música, lembranças e homenagens, reforçando o papel de Arlindo como referência no samba brasileiro.

Douglas Silva e Feyjão, músicos que iniciaram suas carreiras com a banda Soul Mais Samba, destacam a generosidade de Arlindo Cruz. Douglas lembra que, ao convidá-lo para um show com o objetivo de custear a gravação do primeiro CD da banda, Arlindo se recusou a receber cachê: “Se tem uma palavra que define o Arlindo é generosidade”. Feyjão complementa: “Ele era exatamente como a gente via na TV. Um cara que amava estar em grupo, fazer seu som, e sempre ajudando e apoiando quem estivesse ao lado”. Esses relatos reforçam a dimensão humana do artista, que ultrapassa o talento musical.

Arlindo Cruz deixa um legado de composições marcantes e atuações que atravessam gerações, consolidando-se como um dos maiores nomes do samba e do pagode brasileiro. O programa celebra não apenas suas músicas, mas também a influência e o apoio que ele ofereceu a novos talentos, demonstrando como sua trajetória se conecta à formação de novos artistas e à preservação da cultura do samba.

A homenagem faz parte da direção artística de Geninho Simonetti, com produção de Tatynne Lauria e Matheus Pereira, e direção de gênero de Monica Almeida. Com a presença da família, de músicos renomados e de artistas convidados, o Caldeirão com Mion reforça a importância de celebrar a memória de Arlindo Cruz, garantindo que sua obra, sua generosidade e sua influência permaneçam vivas no cenário musical e cultural do Brasil.

Maria de Fátima grávida e sem recursos, enquanto César se torna bilionário: entenda os direitos à pensão gravídica

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Foto: reprodução

Na reta final da novela Vale Tudo (2025), Maria de Fátima (Bella Campos) enfrenta uma reviravolta inesperada: grávida de César Ribeiro (Cauã Reymond), herdeiro de 50% da TCA, ela descobre que o pai do seu filho se tornou bilionário após a morte de Odete Roitman (Débora Bloch), mas ainda assim se recusa a assumir qualquer responsabilidade financeira.

Ao longo da novela, a gravidez de Maria de Fátima surge como um ponto crítico: ela é confrontada não apenas pela falta de apoio de César, mas também pelo isolamento social e pelas consequências de suas escolhas passadas. Enquanto a narrativa dramatiza a situação, é possível identificar um furo na história: mesmo com César bilionário, ele nega a pensão e a responsabilidade paterna, algo que, na realidade, seria juridicamente inviável, ainda que a novela opte por explorar o conflito como elemento dramático.

A Lei nº 11.804/2008 estabelece que o pai é obrigado a fornecer alimentos gravídicos à gestante, cobrindo despesas essenciais com saúde, alimentação e bem-estar durante a gravidez. Esses alimentos são devidos independentemente do relacionamento conjugal ou da situação financeira do pai antes da herança, e podem ser ajustados proporcionalmente à capacidade econômica do responsável. A negativa de César, portanto, evidencia o exagero dramático usado pela trama para criar tensão, tornando a situação mais intensa para o público.

Na prática, Maria de Fátima não precisaria aceitar essa recusa como algo definitivo. A legislação garante que ela pode solicitar revisão dos alimentos gravídicos sempre que houver mudança significativa na condição financeira do pai. Até então, César pagava um valor mínimo, baseado em sua renda limitada e na situação de casado com Odete; agora, como bilionário, ele está legalmente obrigado a prover pensão compatível com sua nova realidade econômica. O juiz, ao fixar ou revisar o valor, considera três critérios: necessidade de quem recebe, possibilidade de quem paga e proporcionalidade entre as partes, assegurando que a criança tenha direito a um padrão de vida equivalente ao do pai.

A situação de Maria de Fátima em Vale Tudo evidencia a aplicação dos conceitos legais de alimentos gravídicos, previstos na Lei nº 11.804/2008, que garantem à gestante cobertura de despesas essenciais durante a gravidez. Ao dramatizar essas situações, reforça a existência de mecanismos legais que asseguram direitos da gestante e do futuro filho, mesmo em contextos de desigualdade econômica e concentração de poder financeiro.

D’Angelo, lendário cantor de R&B, morre aos 51 anos

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Foto: Divulgação

O cantor e compositor D’Angelo, um dos maiores nomes do R&B soul, faleceu aos 51 anos em Nova York, vítima de câncer no pâncreas, segundo informações do site TMZ, nesta terça-feira (14).

Vencedor de quatro prêmios Grammy, D’Angelo conquistou o público e a crítica com seu talento e sua contribuição para o renascimento do soul nos anos 1990 e 2000. Seu álbum de estreia, Brown Sugar (1995), marcou uma geração e abriu caminho para colaborações com artistas como Erykah Badu, Jay-Z, Snoop Dogg e Q-Tip.

Entre seus maiores reconhecimentos estão os Grammys de Melhor Álbum de R&B por Voodoo (2001) e Black Messiah (2016), além de Melhor Canção de R&B por Really Love e Melhor Performance Vocal Masculina de R&B por Untitled (How Does It Feel).

O artista deixa dois filhos e uma filha. A cantora Angie Stone, mãe de seu primogênito, também faleceu neste ano, em um acidente de carro.

Jonathan Majors revela apoio de Meagan Good em sua luta pela saúde mental: “Ela nunca me deixou sozinho”

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Foto: Getty Images

⚠️ Alerta de Gatilho: Este conteúdo aborda temas como depressão e suicídio.

O ator Jonathan Majors falou abertamente sobre suas lutas contra pensamentos suicidas e o impacto da saúde mental em sua vida, destacando o apoio constante da esposa, Meagan Good, em seu processo de recuperação, durante participação no podcast Den of Kings, apresentado por Kirk Franklin.

“Houve momentos em que… eu e minha esposa, nunca conversamos sobre isso, mas ela nunca me deixou sozinho. Eu nunca me deixei ficar sozinho”, contou a estrela de ‘Creed III’, revelando que chegou a estar sob vigilância por risco de suicídio.

O ator afirmou que se abriu com a Meagan sobre seus sentimentos. “Eu disse a ela de forma muito direta: ‘Eu simplesmente não quero isso’. Sabe, falando sobre a vida”, revelou. Sobre o que o levou a esse ponto, Majors citou isolamento, ostracismo, humilhação e abandono.

Ele também refletiu sobre como experiências traumáticas parecem marcar a vida. “Ser preso ou perder o emprego… você acha que é isso que te pega, mas geralmente, eu descobri por mim mesmo, é algo muito, muito, muito antigo. Quer dizer, overdose de drogas… É. Quase morei num telhado, só com bastante… eu nem fumo cigarros… bastante cigarro e uísque. Escrevi uma carta. Eu fiz tudo e já passei por isso”, relembrou.

Majors foi elogiado pela “coragem” de se abrir sobre sua saúde mental e ele destacou como a sociedade os homens negros são tratados na sociedade. “Nascemos em uma narrativa que nos coloca ladeira abaixo. E aí você acaba tendo que fingir que é alguém que não é para passar por certas portas pelas quais eu passei”, afirmou.

O ator também comentou como seus problemas legais afetaram a vida profissional de Meagan Good. Em março, durante entrevista ao The Breakfast Club, Majors revelou que perdeu o papel de Kang no Universo Cinematográfico Marvel em meio a acusações de agressão e assédio, ocorridas enquanto ele e Good iniciavam o relacionamento em maio de 2023.

Onde buscar ajuda

Se você estiver enfrentando um momento difícil e precisar de ajuda imediata, o Centro de Valorização da Vida (CVV) está à disposição. O CVV oferece um serviço gratuito de apoio emocional e prevenção ao suicídio, disponível para qualquer pessoa que precise conversar. Para falar com um voluntário, você pode enviar um e-mail, acessar o chat pelo site ou ligar para o número 188. O atendimento é confidencial e está disponível 24 horas por dia, todos os dias da semana.

Além disso, o CVV, em parceria com o UNICEF, disponibiliza um canal de escuta exclusivo para adolescentes entre 13 e 24 anos chamado “Pode Falar”. Este serviço, também anônimo, é voltado para adolescentes que precisam de acolhimento e desejam conversar sobre suas dificuldades. O atendimento pode ser feito via chat online ou WhatsApp. Para mais informações sobre horários de atendimento, consulte o site.

Namíbia é o primeiro país do mundo a ter mulheres nos cargos mais altos do governo

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Da direita para a esquerda: vice-presidente Lucia Witbooi, presidente Netumbo Nandi-Ndaitwah e presidente da Assembleia Nacional Saara Kuugongelwa-Amadhila. (Fotos: Reprodução)

A Namíbia entrou para a história ao se tornar o primeiro país do mundo a ter mulheres ocupando simultaneamente os três cargos mais altos do governo: Presidente, Vice-Presidente e Presidente da Assembleia Nacional. A conquista, celebrada durante a 80ª Assembleia Geral da ONU em setembro, foi destacada pela presidente Netumbo Nandi-Ndaitwah como um marco do progresso democrático e da igualdade de gênero no continente africano.

Empossada em 21 de março de 2025, Nandi-Ndaitwah assumiu a Presidência ao lado da vice-presidente Lucia Witbooi e da presidente da Assembleia Nacional Saara Kuugongelwa-Amadhila, formando uma equipe de liderança inteiramente feminina.

Durante seu discurso nas Nações Unidas, a presidente ressaltou que as nomeações se basearam em competência e dedicação, e não apenas em critérios de gênero. Ela reafirmou o compromisso do governo com o combate à violência de gênero, a ampliação dos direitos econômicos e fundiários das mulheres e o empoderamento da juventude por meio da educação e de oportunidades de emprego.

A conquista da Namíbia é resultado de um processo contínuo iniciado após a independência do país, em 1990. O partido governista SWAPO implementou políticas de promoção da igualdade de gênero, incluindo o sistema de cotas conhecido como “zebra”, que garante paridade entre homens e mulheres em cargos políticos.

Hoje, as mulheres representam cerca de 49% do Parlamento e 44% dos cargos ministeriais, colocando a Namíbia entre os países com maior representatividade feminina no mundo — e líder no continente africano. Esse avanço reflete reformas estruturais e o trabalho de organizações da sociedade civil que atuam na formação política, no combate à violência de gênero e na promoção da autonomia econômica feminina.

Gilberto Gile família processam padre e pedemR$ 370 mil por intolerância religiosa contra Preta Gil

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Foto: reprodução

Em julho de 2025, o padre Danilo César, da Paróquia São José, em Areial, Paraíba, fez declarações durante uma homilia transmitida ao vivo em que questionou a fé de Preta Gil e associou religiões de matriz africana a “forças ocultas”.

Após a repercussão das falas, Gilberto Gil e sua família enviaram uma notificação extrajudicial ao padre e à Diocese de Campina Grande, solicitando retratação pública e responsabilização pelas declarações.

Quando não houve resposta formal satisfatória, a família ajuizou, em outubro de 2025, uma ação judicial por danos morais, pedindo R$ 370 mil de indenização. Os autores da ação incluem Gilberto Gil, Flora Gil, os irmãos de Preta Gil e o neto Francisco. A ação argumenta que o discurso do padre ultrapassou o limite da liberdade de expressão e configurou intolerância religiosa.

Paralelamente, o padre Danilo César é alvo de investigação policial por intolerância religiosa. Boletins de ocorrência foram registrados e ele prestou depoimento, afirmando que suas declarações se basearam em sua fé católica e que não teve intenção de ofender outras crenças ou a memória da cantora. Até o momento, não houve retratação pública nem posicionamento formal da Diocese de Campina Grande.

Quem matou Odete Roitman? Julio de Sá organiza bolão e transmissão do capítulo final de ‘Vale Tudo’ na Kaza 123

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Fotos: Victor Vieira; Reprodução/Instagram; e Fabio Rocha/TV Globo

Os noveleiros de carteirinha já podem se preparar para a grande final de ‘Vale Tudo’ com um evento especial. O último capítulo será transmitido ao vivo na “PALADAR da vida real”, diretamente do restaurante Kaza 123, em Vila Isabel (RJ). A noite promete telão, TVs para não perder nenhum close dramático e um bolão ao vivo com apostas sobre quem matou Odete Roitman.

O grupo que acertar o autor do crime ganhará o prêmio “mais chique (e perigoso) da TV brasileira”, como descreve a organização — um drink batizado de “Odete Roitman”. Os ingressos são gratuitos e estarão disponíveis pelo Sympla; a retirada antecipada é necessária para controle de público, porque o espaço possui capacidade limitada.

O evento está sendo organizado pela produtora Carioquice Negra do Julio de Sá, com a presença da chef Maria Júlia Ferreira. Nas redes sociais, o comediante convocou o público para assistir juntos o final da novela. “Apesar da gente reclamar a novela inteira, vai ser igual a final de Copa do Mundo. É igual a final de um jogo muito importante do teu time e do coração”, disse.

Serviço

Evento: Exibição da final de ‘Vale Tudo’
Local: Kaza 123 – Rua Visconde de Abaeté, 123, Vila Isabel, Rio de Janeiro (RJ)
Ingresso: Gratuito, disponível pelo Sympla. (Clique aqui)

Laudelina de Campos: a ativista que transformou a vida de empregadas domésticas no Brasil

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Foto: © Wikimedia Commons

Por: ONG Criola

Em um Brasil em que o trabalho doméstico era visto como uma “obrigação natural” das mulheres negras, herança direta do período escravocrata, uma voz pioneira se ergueu. Laudelina de Campos Melo, que no último domingo, 12 de outubro, faria 121 anos, não aceitou o silêncio. Em 1936, aos 32 anos, a neta de escravizadas fundou, em Campinas (SP), a Associação de Empregadas Domésticas, a primeira da categoria no país. Com este ato disruptivo, Laudelina não criara apenas uma entidade, mas plantara a semente de uma luta que, décadas depois, geraria frutos com a conquista da PEC das Domésticas, aprovada em 2013.

Conheça mais sobre a história dessa mulher que transformou um sindicato em um projeto de vida

A luta de Laudelina era prática e nascia de sua própria experiência. Nascida em 1904, na cidade de Poços de Caldas (MG), começou a trabalhar como empregada doméstica aos sete anos. Mesmo após se formar professora, viu o racismo impedi-la de lecionar, sendo empurrada de volta ao serviço doméstico. A discriminação dupla, de raça e de gênero, moldou sua visão.

A associação que fundou não se limitava a reivindicar melhores salários. Funcionava como uma rede de apoio integral. Ela organizou um clube de lazer para as trabalhadoras, um espaço onde podiam socializar e se reconhecer como comunidade, rompendo o isolamento característico da profissão. Mais tarde, criou uma creche para que as mães trabalhadoras tivessem onde deixar seus filhos, um problema que ela mesma enfrentara. Laudelina entendia que a emancipação passava por garantir direitos trabalhistas, mas também por assegurar dignidade e condições de vida.

Baile da Pérola Negra. Restaurante Armorial, São Paulo, SP, 1957. Fotografia analógica/Autoria não identificada. Acervo Sindicato das
Trabalhadoras Domésticas de Campinas/Divulgação Instituto Moreira Salles

Ela combatia a invisibilidade. Em uma época em que as domésticas sequer eram reconhecidas pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) de 1943, sua associação foi um ato revolucionário de reconhecimento: o serviço doméstico é trabalho, e quem o executa merece respeito. Ela abriu as portas para a organização coletiva, mostrando que empregadas domésticas podiam e deviam ser protagonistas de suas próprias histórias. Sua luta era, acima de tudo, antirracista, pois desmontava a ideia de que mulheres negras deveriam servir sem questionar.

O legado de Laudelina

Essa trajetória de resistência, que incluiu a refundação do sindicato sob a ditadura do Estado Novo e sua persistência mesmo com a perseguição política, pavimentou o caminho para que, em 2013, a Emenda Constitucional 72 fosse promulgada. Conhecida como PEC das Domésticas, ela estendeu direitos fundamentais como FGTS, hora extra, seguro-desemprego e limitação da jornada a milhões de trabalhadoras. A PEC não caiu do céu; foi conquistada sobre o alicerce construído por Laudelina e pelas gerações de mulheres que, inspiradas por ela, continuaram a lutar.

Dona Zica, associada da ONG CRIOLA e uma das lideranças que fundaram, nos anos 1980, o Sindicato dos Trabalhadores Domésticos do Município do Rio de Janeiro, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Partido dos Trabalhadores (PT), reflete sobre esse legado: “Laudelina nos ensina que a liberdade é uma construção coletiva. Ela desafiou sozinha a estrutura racista e patriarcal que relegava as mulheres negras aos cantos da sociedade. Sua coragem ao criar o primeiro sindicato foi um ato de afirmação da humanidade dessas trabalhadoras. A PEC é a materialização contemporânea desse sonho, uma vitória que carrega o DNA da sua luta pioneira pela cidadania plena para todas nós”.

A luta atual contra o racismo

Hoje, mesmo com os avanços, a batalha pela valorização da categoria continua, com a informalidade e o racismo como obstáculos centrais. Mas celebrar Laudelina, que se estivesse viva faria aniversário no próximo dia 12 de outubro, é lembrar que uma mulher negra, com raízes na escravidão, mudou os rumos do trabalho doméstico no Brasil, transformando servidão em profissão.

Lúcia Xavier, coordenadora geral da ONG CRIOLA, organização que, há mais de 30 anos, luta pelos direitos de meninas e mulheres negras, fala sobre a importância de Laudelina para a causa. “Laudelina representa, no campo da atuação política das mulheres negras, um ícone da atuação coletiva. Ela não agiu somente olhando para si, mas para todo o conjunto de mulheres que, como ela, enfrentava aquela mesma situação de degradação e de trabalho precário. Nesse sentido, quando ela funda um sindicato, uma associação das trabalhadoras, e traz para o convívio social as mulheres negras na condição de trabalhadoras domésticas, ela inverte o processo político, constituindo coletivos, associações, trabalho gerado por todas elas para alcançar seus direitos”, analisa.

O legado de Laudelina é um projeto vivo. Ela não fundou apenas um sindicato, mas uma possibilidade, cultivada por gerações, que segue florescendo na luta por um país que um dia reconheça o trabalho no lar como sinônimo de dignidade e igualdade.

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