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Em tempos de crise climática, Candomblé defende harmonia com a natureza

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Foto: Divulgação
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O Candomblé, religião de matriz africana, destaca-se por uma relação direta entre espiritualidade e natureza, considerando os elementos naturais como manifestações dos Orixás, divindades sagradas. Essa abordagem fundamenta práticas de preservação ambiental que se alinham ao respeito aos recursos naturais, vistos como sagrados. Em um contexto de intensificação da crise climática, essa visão tradicional oferece uma perspectiva distinta para a conservação de rios, florestas, montanhas e outros ecossistemas, defendendo uma relação de respeito e cuidado que vai além da sustentabilidade convencional.

Para os praticantes do Candomblé, a natureza não é apenas um recurso, mas uma entidade viva e sagrada. Os Orixás, divindades da religião, são associados a elementos específicos do meio ambiente, como rios, mares, ventos e florestas. Essa relação estabelece uma visão em que a preservação ambiental torna-se um dever espiritual e não apenas uma prática ecológica. O que está em jogo não é apenas a saúde do planeta, mas a manutenção de um equilíbrio sagrado entre a humanidade e o universo.

Segundo Baba Thales, Bàbálorisá do Ilè Ojú Ayrá, “sacerdote”, essa relação é enraizada nos ensinamentos ancestrais, que orientam o respeito e a proteção do meio ambiente como parte essencial da vida. “Respeitar os Orixás é, acima de tudo, respeitar o meio ambiente. Cada elemento tem sua função e precisa ser preservado, assim como os ensinamentos ancestrais nos guiam para uma convivência harmônica com o planeta”, afirma. Ele explica que, nos rituais e práticas do Candomblé, existe uma consciência ambiental que valoriza os recursos naturais e busca seu uso consciente, evitando o desperdício e promovendo o equilíbrio.

Para a religião, a atual crise climática é vista como um reflexo de um desequilíbrio entre o ser humano e a natureza. Essa abordagem entende que a exploração excessiva dos recursos naturais é um problema que não afeta apenas o meio ambiente, mas também a própria espiritualidade e bem-estar da humanidade. O conceito de equilíbrio é central para o Candomblé, e a destruição de ecossistemas é percebida como uma ameaça não só à biodiversidade, mas à continuidade dos próprios valores espirituais.

Ao unir espiritualidade e responsabilidade ambiental, o Candomblé representa uma perspectiva de preservação que vai além das práticas convencionais. Sua abordagem reforça a importância de cuidar da natureza não apenas por questões de sobrevivência, mas como parte de um dever com a própria essência divina que, segundo os praticantes, habita o mundo natural e exige respeito e proteção para as futuras gerações.

Evento ao ar livre em São Paulo celebra a culinária afrodiaspórica com chefs negros renomados

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Icaro Rosa (Foto: Gabriel Brawne)

Inspirado na culinária afrodiaspórica, no dia 3 de novembro, das 12h às 18h, será realizado a segunda edição do Menu Cultural, um evento ao ar livre que integra gastronomia e cultura, promovido pelo Itaú Cultural. A programação leva barracas de comida de rua ao Bulevar do Rádio, situado entre o IC e o Sesc Avenida Paulista, em São Paulo. A visitação é gratuita, paga-se somente o consumo.

Paralelamente à feira, às 15h, acontece a roda de conversa Comida afrodiaspórica: representatividade e sabores do presente, mediada pela curadora Patty Durães, no interior do prédio do IC. Participam dela o chef Icaro Rosa, fundador do restaurante Jiló, em Salvador, e o pesquisador José Carmo, que trabalha ao lado da companheira Ieda de Matos no Casa de Ieda, restaurante paulistano especializado na comida da Chapada Diamantina, na Bahia.

Patty Durães (Foto: Vitoria Leona)

Com curadoria da pesquisadora de culturas alimentares Patty Durães, a essência dessas três primeiras edições do Menu Cultural — a primeira realizada em 20 de outubro e as próximas em 3 de novembro e 1 de dezembro — vem do curso auto formativo Muito além da boca: um passeio transatlântico pela comida afrodiaspórica no Brasil, conduzido por Patty e disponível na Escola Fundação Itaú (www.fundacaoitau.org.br/escola), plataforma de formação gratuita.

Assim, o evento segue os módulos do curso: enquanto a estreia, em outubro, abordou o passado da culinária afrodiaspórica, a edição de novembro aborda o presente e a de dezembro, o futuro. No próximo domingo, encabeçando os pratos salgados, o Menu Cultural recebe no Bulevar do Rádio o Preto Cozinha, restaurante de comida baiana do chef soteropolitano Rodrigo Freire, localizado em Pinheiros. 

Pastel de Queijo do Preto Cozinha (Foto: Laís Acsa)

O cardápio do Preto Cozinha oferece, como entrada, o pastel em duas versões – de arraia e de queijo com verduras. Os pratos principais ficam a cargo do arroz de tomate, que também leva castanha, amendoim e queijo da Serra da Canastra; e do arroz de polvo, com leite de coco, açafrão, ervilha torta e queijo da canastra curado. Para beber, além das opções tradicionais — água com e sem gás, refrigerantes e suco de uva integral —, o Preto Cozinha leva sua bebida assinatura, o Benzedeira, feita com uma mistura de folhas e ervas diversas. 

Desta vez, as opções doces são da Africana, marca da cozinheira ugandesa Jéssica Ebaku. Sua barraca vende delícias como porções de kabalagala, biscoito feito com banana e farinha de mandioca, com recheio de doce de leite ou amendoim, e de mikaté, bolinho frito feito com farinha de milho, gengibre, sal, ovo, leite, açúcar e canela, similar a um bolinho de chuva. 

Jéssica Ebaku (Foto: Divulgação)

Peça infantil inspirada nas Rainhas das Congadas e de Moçambique ganha datas de apresentação em São Paulo

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Foto: Divulgação

Inspirado na história das Rainhas das Congadas e de Moçambique, os espetáculos “Rainha Conga”, dirigido pelo produtor Diego Dionísio, serão realizados nos próximos dias 01, 06, 07, 21 e 23 de novembro, em equipamentos culturais na cidade de São Paulo, com entrada gratuita. A peça afro infantil ganha ainda mais profundidade ao incorporar referências aos grupos de cultura popular do Vale do Paraíba, uma região rica em tradições que dialogam com a herança africana no Brasil.

Foto: Divulgação

“Pesquiso há mais de 20 anos grupos de cultura popular em toda América Latina e entre elas as Rainhas das Congadas e de Moçambique e fico extremamente honrado em estrear esse espetáculo que  oferece para o público essa experiência educativa, ancestral e de pertencimento. A intervenção urbana coloca luz ao celebrar as raízes culturais afro-brasileiras, proporcionando ao público infantil e adulto um momento de reflexão e encantamento sobre a força da ancestralidade”, afirma Dionísio, curador artístico.

Diego Dionísio (Foto: Divulgação)

A peça conta com as atrizes Ilane de Paula e Pérola Mello no elenco narrando a história de uma rainha africana que liderou seu povo com sabedoria, ensinando sobre a preservação da natureza e a importância das relações culturais.

Com essa nova produção, Dionísio reafirma seu compromisso com a valorização da cultura afrodescendente e das tradições populares do Brasil, em especial do Vale do Paraíba, que agregam para a riqueza cultural da peça.

Espetáculo Rainha Conga

Programação 

01/11 às 15h no Centro Cultural Santo Amaro (Av. João Dias, 822 – Santo Amaro, São Paulo–SP) 06/11 às 10h na Casa de Cultura Vila Guilherme – Casarão (Praça Óscar da Silva, 110 – Vila Guilherme, São Paulo–SP)

07/11 às 10h no Centro Cultural da Juventude – Ruth Cardoso (Av. Dep. Emílio Carlos, 3641 – Vila dos Andrades, São Paulo–SP)

21/11 às 15h no Centro Cultural Grajaú (R. Prof. Oscar Barreto Filho, 252 – Parque America)

23/11 às 17h na Casa de Cultura Municipal Itaim Paulista (R. Monte Camberela, 490 – Vila Silva Teles, São Paulo–SP)

As apresentações são gratuitas e os ingressos são liberados 30 minutos antes.

Caso Marielle Franco: Ronnie Lessa é condenado a 78 anos de prisão e Élcio de Queiroz a 59 anos

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Fotos: Marcelo Theobald/Ag. O Globo

Após mais de seis anos do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, os ex-sargentos da Polícia Militar do Rio de Janeiro Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, foram condenados à prisão pelo 4º Tribunal do Júri do Rio.

Ronnie Lessa, autor dos disparos, recebeu a pena de 78 anos e 9 meses de prisão, enquanto Élcio de Queiroz, que dirigiu o carro no atentado, foi condenado a 59 anos e 8 meses. Ambos também foram condenados a pagar juntos R$ 706 mil em indenização por dano moral para cada uma das vítimas.

O aguardado júri popular começou na manhã de quarta-feira (30) e foi encerrado na noite desta quinta-feira (31), com a decisão dos jurados. “A Justiça por vezes é lenta, é cega, é burra, é injusta, é errada, é torta, mas ela chega. A Justiça chega para aqueles que como os acusados acham que jamais serão atingidos pela Justiça”, disse a juíza Lúcia Glioche durante a sentença.

No entanto, os réus firmaram acordos de delação premiada, para reduzirem a execução da pena. Eles levaram informações que avançaram nas investigações, especialmente em relação aos mandantes do crime, os irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão, e Rivaldo Barbosa, ex-chefe de Polícia Civil do Rio. Lessa ficará preso por, no máximo, 18 anos em regime fechado – e mais 2 anos em regime semiaberto. Já o Queiroz ficará preso, no máximo, por 12 anos em regime fechado.

Os prazos começaram a contar a partir da data em que foram presos, no dia 12 de março de 2019. Sendo assim, já foram descontados 5 anos e 7 meses das penas de cada um. Caso seja comprovado que houve alguma mentira na delação premiada, a acordo de cada réu pode ser anulado.

Os ex-sargentos prestaram depoimentos e assistiram ao julgamento por videoconferência da cadeia onde estão presos. Ronnie está no Complexo Penitenciário de Tremembé, em São Paulo, e Élcio no Complexo da Papuda, presídio federal em Brasília.

Com informações do g1

5 filmes com protagonismo negro para curtir a noite de Halloween em casa

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Foto: Divulgação

Para celebrar a noite de Halloween nesta quinta-feira, 31 de outubro, o Mundo Negro selecionou cinco filmes com protagonismo negro para assistir em casa. As produções vão de clássico sobre vampiros, comédia de terror, infanto juvenil, ou um horror para deixar o clima bem assustador. 

Confira as dicas abaixo:

1 – O que ficou para trás 

Um casal foge à guerra civil no Sudão do Sul e encontra abrigo na periferia de Londres. Durante a travessia de barco, eles perdem a filha pequena em alto mar. Dentro da grande casa vazia onde são colocados, eles começam a suspeitar de que trouxeram consigo um apeth, entidade sobrenatural que deseja acertar contas com os dois sobre atitudes do passado. O filme é estrelado por Wunmi Mosaku, Ṣọpẹ́ Dìrísù e Matt Smith. Disponível na Netflix. 

2 – The Blackening 

Estrelado por Grace Byers e Yvonne Orji, um grupo de amigos negros da faculdade faz uma viagem de fim de semana para uma cabana remota. Mas eles são atacados por uma figura misteriosa que os força a entrar em seus jogos doentios. Assim, todos são forçados a lutar por suas vidas. Disponível no Prime Video.

3 – Blade – O Caçador de Vampiros

A clássica trilogia de vampiros estrelada por Wesley Snipes está disponível na Max. No primeiro filme, o herói parte em busca do vampiro responsável pela morte de sua mãe. Blade quer eliminá-lo do mundo dos vampiros e em um mundo tecnologicamente avançado, ele lutará para capturar aquele que quer destruir a vida humana. 

4 – Mansão Mal-Assombrada 

O reboot do clássico de 2003, agora estrelado por Lakeith Stanfield, Tiffany Haddis e Rosario Dawson, acompanha a mãe Gabbie e o filho Travis, que se mudam para uma nova casa em Nova Orleans e precisam recrutar um grupo de supostos especialistas espirituais, ao descobrir que a mansão é assombrada por fantasmas irritantes. Disponível na Disney+.

5 – Nós 

Dirigido por Jordan Peele e estrelado por Lupita Nyong’o, Adelaide e Gabe levam a família para passar um fim de semana na praia e descansar. Eles começam a aproveitar o ensolarado local, mas a chegada de um grupo misterioso muda tudo e a família se torna refém de seres com aparências iguais às suas. Disponível na Globoplay.

Silvia Nascimento é a única brasileira em programa do governo americano para cobertura das eleições dos EUA

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Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação
Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

Silvia Nascimento, fundadora e editora-chefe do Mundo Negro, é a única jornalista brasileira selecionada através do Consulado dos Estados Unidos no Brasil para o Road to the White House International Reporting Tour, uma iniciativa do Departamento de Estado dos EUA que traz jornalistas de todo o mundo para acompanhar o processo eleitoral americano de perto. O programa ocorre de 30 de outubro a 7 de novembro, oferecendo uma visão inédita e detalhada de uma das eleições mais impactantes da história recente.

“Essa é uma das experiências mais importantes da minha carreira. O que Kamala Harris representa para pessoas como eu faz desse momento algo único na história. A eleição acontece nos EUA, mas estamos falando sobre uma mulher negra em um espaço de poder, um referencial de representatividade sem precedentes para nossa comunidade,” destaca Silvia

Como parte do programa, Silvia estará em Phoenix, no Arizona, e em Philadelphia, na Pensilvânia, dois estados-pêndulo (swing states) decisivos no cenário eleitoral americano. Arizona e Pensilvânia têm um peso estratégico, pois suas populações historicamente divididas entre os partidos Democrata e Republicano tornam esses estados fundamentais para definir o vencedor em disputas acirradas. Essa cobertura permite que Silvia e os outros jornalistas internacionais compreendam como as campanhas e políticas dos candidatos são recebidas em comunidades culturalmente diversas e politicamente influentes.

Silvia está entre jornalistas de diversas regiões, incluindo América Latina, África, Europa e Ásia, selecionados para oferecer uma cobertura global. Representando o Mundo Negro, principal portal de notícias voltado à comunidade negra na América Latina, Silvia terá o papel de transmitir ao público afro-brasileiro uma visão crítica e conectada às experiências das minorias nos EUA, especialmente dentro do Partido Democrata, onde Kamala Harris, a primeira mulher negra a ocupar a vice-presidência, é uma figura central.

Durante o tour, Silvia participará de briefings com acadêmicos, líderes locais e especialistas em política, além de entrevistar membros da comunidade sobre temas como o voto afro-americano e o engajamento jovem. Essa cobertura exclusiva reafirma o compromisso do Mundo Negro com a ampliação do debate e da representatividade, trazendo aos leitores brasileiros uma análise informativa e global sobre um momento crucial para as comunidades negras e o futuro da política nos EUA.

Liminar permite que candidato rejeitado por banca racial tome posse como auditor fiscal no TCE-BA

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Foto: Gustavo Rozário/TCE-BA

Após questionamentos e uma decisão judicial, Bruno Gonçalves Cabral tomou posse provisória como auditor fiscal do Tribunal de Contas da Bahia (TCE-BA) em 1° de outubro, com alegação de autodeclaração parda. Cabral teve sua autodeclaração rejeitada duas vezes pela banca de heteroidentificação da Fundação Getúlio Vargas (FGV), responsável pela avaliação dos fenótipos raciais dos candidatos no concurso. Mesmo assim, uma liminar judicial garantiu sua entrada, considerando um relatório médico que o descreve como “pele morena, que se bronzeia com facilidade. Pardo”.

O caso ocorre em meio ao concurso do TCE-BA, que reservou seis das 20 vagas para candidatos autodeclarados negros. Outro candidato, que foi aprovado pela comissão de heteroidentificação, questiona a liminar e reivindica a vaga. O advogado do candidato, Fábio Ximenes, argumenta que a ação busca garantir o “direito do candidato que realmente é negro e possui aptidão da cor” a ocupar a posição.

A Procuradoria Geral do Estado (PGE) recorre da decisão judicial, sustentando que as normas do edital foram seguidas conforme estipulado. A comissão da FGV, que recusou a autodeclaração de Cabral, argumentou que ele “apresenta pele branca, nariz alongado, boca com traços afilados e cabelos naturalmente não crespos”, características que, segundo a banca, não são típicas de uma pessoa negra.

Para a doutora em educação Dyane Brito, que participa de bancas de heteroidentificação desde 2006, a preparação dos avaliadores e a formação de uma comissão diversa são essenciais para garantir a justa aplicação da política de cotas. “As bancas têm atividades de formação para discutir raça no Brasil, a diversidade de pessoas que podem aparecer, e, sobretudo, como o racismo se manifesta por traços marcados”, explica.

A trajetória de Cabral em concursos públicos também levantou questões: em processos anteriores, para o IBGE em 2016 e para a Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz) em 2022, ele optou pela ampla concorrência. No TCE-BA, porém, candidatou-se às vagas destinadas a cotas raciais, onde alcançou a 8ª posição – na ampla concorrência, teria sido classificado em 45° lugar, sem chances de aprovação.

Em nota, a defesa de Cabral afirma que a decisão da FGV foi arbitrária e sem fundamentação adequada. Seus advogados destacam que a liminar garante que ele mantenha o cargo até a decisão final do processo, defendendo a necessidade de fundamentação clara e direito de defesa para todos os candidatos, em conformidade com as garantias constitucionais.

“Estou aqui como uma mãe que sofreu esses anos todos com a falta da filha”, diz mãe de Marielle Franco durante julgamento

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Foto:Tomaz Silva/Agência Brasil

O julgamento de Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, réus confessos pelo assassinato da ex-vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, foi retomado na manhã desta quinta-feira, 31, no Rio de Janeiro, por volta das 8h, onde a justiça deve anunciar o veredito. Os familiares de Marielle chegaram juntos ao local.

Família de Marielle Franco chega para o segundo dia de julgamento. | Foto: Mayara Donaria

O primeiro dia de julgamento foi marcado por um forte clima de dor e revolta. Durante mais de 13 horas, amigos e familiares das vítimas compartilharam suas histórias de luto e os anseios por justiça. Marinete Silva foi uma das vozes mais impactantes do dia. Emocionada, ela relembrou momentos da vida da filha, destacando a dor insuportável que a perda causou à família. “Cada vez mais dói, dói muito. Perder uma mãe, como a Luyara perdeu, nunca passou em nossa mente o que aconteceu com a minha filha. É uma falta, um vazio, um coração que tem um pedaço que foi arrancado covardemente, injustamente “, afirmou. Marinete também enfatizou sua não presença como uma mãe de uma figura pública, mas como uma mãe que sofre: “Estou aqui como uma mãe que sofreu esses anos todos com a falta da filha”.

Fernanda Chaves, única sobrevivente do ataque que vitimou Marielle e Anderson, descreveu a cena do crime, detalhando os momentos de terror que viveu enquanto pedia ajuda. A viúva de Anderson, Ágatha Arnaus, lembrou que seu filho tinha apenas 1 ano e 7 meses quando o pai foi assassinado, e sua vida desde então foi marcada pela ausência e pelo sofrimento.

Os Réus, Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz contaram, em detalhes, como planejaram e executaram o crime. Durante o depoimento, Lessa pediu perdão às famílias das vítimas, uma atitude que provocou reações de negação e angústia entre os presentes. A mãe de Marielle se mostrou visivelmente afetada pela confissão, enquanto a filha e a irmã de Marielle, Anielle Franco, choravam.

Relembre o caso

Marielle Franco e Anderson Gomes foram mortos no dia 14 de março de 2018, quando saíam de um evento que a vereadora havia acabado de participar. Anderson dirigia o carro quando o veículo foi alvejado a tiros no bairro do Estácio, no Rio de Janeiro. O assassinato do motorista e da vereadora foi emboscada planejada que teve como executores os ex-policiais Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, réus confessos pelas mortes.

A acusação afirma que Lessa teria sido o autor dos disparos, enquanto Élcio de Queiroz foi responsável por conduzir o veículo utilizado durante o crime. Durante as investigações, a justiça analisou imagens de segurança, fez interceptações telefônicas e quebrou o sigilo bancário de suspeitos de participar do planejamento do crime. Existem indícios de que os acusados possuem ligações com redes de milícia, conforme apontaram as interceptações telefônicas. O processo deve chegar à instâncias superiores já que ainda existem suspeitas sobre quem são os mandantes do crime.

O ex-conselheiro do Tribunal de Contas, Domingos Brazão, e o deputado federal, Chiquinho Brazão, além do delegado Rivaldo Barbosa estão sendo investigados em um processo no Supremo Tribunal Federal (STF) como suspeitos pela morte de Marielle e Anderson. A suspeita é de que tenham encomendado o assassinato de Marielle com o objetivo de silenciar o trabalho político que a vereadora vinha realizando.

Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz podem enfrentar penas de até 84 anos de prisão cada um, devido às acusações de duplo homicídio triplamente qualificado e tentativa de homicídio. De acordo com o jornalista Ariel Freitas, o julgamento avalia a responsabilidade direta dos ex-policiais na execução, enquanto o processo paralelo no STF, que investiga os supostos mandantes como Domingos Brazão e o delegado Rivaldo Barbosa, também pode resultar em penas semelhantes.

“Ansiosos para nos divertir na tela grande novamente”, afirmam irmãos Wayans ao anunciar retorno de “Todo Mundo em Pânico”

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Foto: Barry King/FilmMagic

A franquia de “Todo Mundo em Pânico” está prestes a retornar às telonas com a promessa de novas risadas. Após quase duas décadas desde o último projeto juntos, os irmãos Keenen Ivory, Shawn e Marlon Wayans anunciaram, durante a CinemaCon, que o reboot do filme começará a ser gravado no ano que vem. O novo filme está sob os cuidados dos criadores originais da franquia, que também assinam o roteiro, prometendo uma abordagem inédita para as sátiras de filmes de terror que marcaram o início dos anos 2000.

A trilogia original, que fazia humor com clássicos de terror como Pânico e Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado, arrecadou mais de US$ 896 milhões mundialmente, se tornando uma das franquias de comédia de maior sucesso. “Estamos emocionados em reunir ‘Filme de Terror’ com os irmãos Wayans, os brilhantes criadores por trás da amada franquia. O momento é perfeito para trazer a série de volta para a tela grande”, declarou ao portal Deadline, Jonathan Glickman, chefe da Miramax, estúdio responsável pela produção.

Marlon Wayans, que atualmente está em turnê com seu show de stand-up Wild Child Tour e tem estreia agendada para 2025 com o thriller psicológico HIM, falou sobre o entusiasmo em retomar o projeto com os irmãos: “Esta é uma franquia que criamos há mais de 20 anos. Lembramos das pessoas rindo nos corredores e esperamos ver isso acontecer novamente (…) Estamos ansiosos para nos divertir na tela grande novamente”, publicou o ator e seu irmão Shown nas redes sociais.

O projeto é parte de um acordo entre a Miramax e a Paramount Pictures, que será responsável pela distribuição mundial do filme. Becky Sloviter, presidente do Miramax Motion Picture Group, supervisiona o reboot.

Maju Coutinho refaz conexão histórica e cultural com África em série para o ‘Fantástico’

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Foto: Eulym Ferreira

A partir do próximo domingo, dia 3 de novembro, o programa ‘Fantástico’ estreia “Que África é essa? O Fantástico na Terra-Mãe”, uma série de quatro episódios que busca romper com estereótipos e mostrar, sob a condução da jornalista Maju Coutinho, a complexidade e o potencial do continente. Com quase um bilhão e meio de habitantes e mais de 54 países, África é um continente marcado pela diversidade cultural, linguística e social.

“Eu sempre tive muita vontade de fazer uma reportagem sobre o continente africano, porque acho que o foco da mídia ocidental é sempre voltado para as mazelas e para a natureza exuberante. E, na verdade, a África é um continente muito diverso”, afirma Maju, que traz à série uma visão conectada à cultura brasileira, revelando as nuances de uma África que também compartilha laços históricos e culturais com o Brasil.

O primeiro episódio acompanha a jornalista em Gana, onde refaz os passos de ex-escravizados que retornaram ao continente no século XIX. Com um cenário de contrastes, o país, que conquistou sua independência há 67 anos, enfrenta desafios econômicos e aposta em soluções sustentáveis. Em Accra, capital do país, Maju apresenta ao público uma empresa de táxis movidos a energia solar, exemplo de iniciativas locais para reduzir a dependência de combustíveis fósseis.

No Quênia, foco do segundo episódio, a série destaca o uso de energias renováveis, com investimentos em hidrelétricas, eólicas e geotérmicas. Maju percorre a capital Nairobi em “boda-bodas” (moto-táxis) e “matatus” (ônibus coloridos), vivenciando o trânsito intenso da cidade e a energia cultural da população jovem queniana.

A série mostra, ainda, como Gana e Quênia lidam com questões socioculturais complexas. No terceiro episódio, Maju acompanha um protesto juvenil em Nairóbi, em que jovens quenianos mostram sua insatisfação com a liderança política e reivindicam um futuro mais inclusivo e justo. Já em Gana, a coexistência pacífica entre diferentes religiões contrasta com a forte oposição enfrentada pela comunidade LGBTQIA+, destacando as tensões sociais que desafiam o país.

No último episódio, a série mostra os mercados locais, símbolo da riqueza cultural e econômica de África. Maju percorre o Mercado Massai no Quênia para conhecer a feira de tecidos vibrantes “kente” em Gana, retratando a tradição e a criatividade africanas que se expressam em cores, sabores e artesanato.

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