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“Anos 90: A Explosão do Pagode” estreia na TV Globo e resgata a história do gênero

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Fotos: Globo/Lucas Seixas

Série documental dos Estúdios Globo revisita o pagode dos anos 1990, sua origem na periferia de São Paulo e o legado para a cultura negra brasileira.

A TV Globo estreia em 1º de julho a série documental “Anos 90: A Explosão do Pagode”, produção dos Estúdios Globo que revisita o movimento musical surgido na periferia de São Paulo nas décadas de 1980 e 1990, sua ascensão nacional e o legado que deixou para a cultura negra brasileira. Com direção de Emilio Domingos e Rafael Boucinha e roteiro de Raul Perez, a obra será exibida em três episódios às quartas-feiras e reúne imagens de arquivo raras, entrevistas inéditas e uma trilha sonora composta pelos sucessos que marcaram o gênero.

Entre os nomes que participam da série estão artistas como Salgadinho, Chrigor, Netinho, Péricles, Belo e Márcio Art, além de grupos como Katinguelê, Exaltasamba, Soweto, Negritude Júnior, Art Popular, Só Pra Contrariar, Raça Negra e Molejo. A narrativa também destaca figuras fora dos palcos que foram centrais para a expansão do movimento, como os produtores e empresários Luizão da Chic Show, William da Zimbabwe, Jorge Hamilton e Pelé Problema, nomes que organizaram os circuitos de shows e bailes que projetaram o gênero para além da Grande São Paulo. A produção fecha o arco temporal ao trazer participações de Ludmilla, Thiaguinho e Gloria Groove, conectando a sonoridade dos anos 1990 a artistas que hoje dominam as paradas e evidenciando a influência contínua do pagode na música brasileira contemporânea.

Para o diretor Rafael Boucinha, o pagode dos anos 1990 foi um fenômeno que ultrapassou o campo musical. “O pagode dos anos 90 não foi só música, foi uma revolução cultural e converge com o auge da televisão brasileira. Era um movimento musical da periferia que conquistou o país, colocando o homem negro na frente das câmeras em horário nobre, e isso mudou tudo”, afirmou. O codiretor Emilio Domingos situou a produção no debate sobre representatividade ao destacar a dimensão política do que os artistas do gênero realizaram naquela década. “O pagode dos anos 90 é um marco na representatividade negra na música brasileira. Esses artistas, vindos da periferia de São Paulo, dominaram as paradas de sucesso e a televisão em uma época em que a indústria fonográfica era extremamente influente. É um movimento político colocar essas vozes e rostos na tela, disputando espaço com a hegemonia de imagens estrangeiras. Eles colocaram a periferia de São Paulo no mapa da música brasileira. O Brasil inteiro se identificava com aquilo”, disse Domingos.

Além de celebrar o sucesso comercial do gênero, o documentário propõe uma reflexão sobre temas como a ausência de vozes femininas no pagode, o machismo presente na indústria fonográfica da época e as conexões culturais entre São Paulo e Rio de Janeiro na formação dessa sonoridade. Gravada em locações icônicas nas duas cidades, a série aposta em uma estética que recria a atmosfera dos anos 1990 e inclui musicais exclusivos produzidos para a ocasião, ampliando a experiência para além do registro documental convencional.

“Anos 90: A Explosão do Pagode” é uma produção dos Estúdios Globo criada por Emilio Domingos e Felipe Giuntini, com direção de Emilio Domingos e Rafael Boucinha, roteiro de Raul Perez, produção de Anelise Franco e Kayque Carlos e produção executiva de Fernanda Neves. A estreia está marcada para o dia 1º de julho, com exibição às quartas-feiras na TV Globo.

Costa do Marfim chega ao mata-mata da Copa pela primeira vez na história

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Fotos: @fwc26philly

Com dois gols de Pépé, Costa do Marfim vence Curaçao por 2 a 0 e vai ao mata-mata da Copa do Mundo pela primeira vez na história.

Nicolas Pépé marcou os dois gols da vitória da Costa do Marfim sobre Curaçao por 2 a 0, na quinta-feira (25), no Lincoln Financial Field, em Filadélfia, e conduziu os Elefantes a um feito inédito: a primeira classificação da seleção africana para o mata-mata de uma Copa do Mundo, alcançada após três participações consecutivas encerradas ainda na fase de grupos. A equipe comandada por Emerse Faé terminou o Grupo E com seis pontos, em segundo lugar, atrás da Alemanha no critério de confronto direto, enquanto Curaçao, com 160 mil habitantes e estreante no torneio, encerrou sua participação em último lugar com um ponto.

Yan Diomandé foi o autor da jogada que abriu o placar aos seis minutos, quando aproveitou uma perda de bola da defesa adversária, avançou pela esquerda e cruzou rasteiro para Pépé aparecer na segunda trave e completar de esquerda, no gol mais rápido da história da seleção marfinense em Copas do Mundo. Curaçao chegou a assustar com chegadas perigosas por Tahith Chong e Sherel Floranus, sendo que um chute de Floranus flertou com a trave no início do segundo tempo e Leandro Bacuna invadiu a área e chutou para fora nos minutos finais da primeira etapa, mas o goleiro Yahia Fofana fez o necessário para manter a vantagem.

Ibrahim Sangaré, do Nottingham Forest, foi quem definiu o resultado aos 18 minutos da segunda etapa ao encontrar Pépé com passe em profundidade dentro da área, e o atacante finalizou no canto direito de Eloy Room para ampliar para 2 a 0, placar que a Costa do Marfim administrou com substituições e controle de posse até o apito final.

Contratado pelo Arsenal em 2019 por 80 milhões de euros, valor que o tornou o jogador africano mais caro da história do futebol até então, Pépé atravessou anos de baixo rendimento na Inglaterra antes de reencontrar o futebol no Villarreal, onde na temporada 2025/26 somou oito gols e oito assistências em 36 partidas de La Liga, e chegou a esta Copa tendo ficado no banco na derrota por 2 a 1 para a Alemanha, dois jogos após ser titular na estreia contra o Equador. “Foi uma das melhores noites da minha carreira. No primeiro gol, só precisei empurrar a bola depois de uma jogada brilhante do Yan. No segundo, o Ibra deu um passe magnífico, e tudo o que precisei fazer foi manter o foco e marcar. Gostaria de dedicar esta atuação aos rapazes”, disse Pépé a jornalistas após o apito final. Faé referendou a avaliação em coletiva: “Nico é um jogador de primeira classe. Ele tem a habilidade e a experiência para nos ajudar a vencer partidas em competições como esta.”

Campeã africana em 2024, a Costa do Marfim nunca havia passado da fase de grupos em suas três participações anteriores em Mundiais, o que torna a classificação ainda mais expressiva diante de um histórico que inclui gerações com nomes como Didier Drogba e Yaya Touré, dois dos maiores jogadores africanos de todos os tempos, sem conseguir o feito. O país entra agora para o grupo de oito seleções africanas a avançar além dessa etapa em Copas do Mundo, ao lado de Marrocos, Camarões, Nigéria, Senegal, Gana, Argélia e África do Sul.

Antes do confronto entre Alemanha e Costa do Marfim, na rodada anterior, o ex-jogador alemão Bastian Schweinsteiger, campeão mundial em 2014 e hoje comentarista da emissora pública ARD, havia descrito o estilo de jogo africano durante a transmissão como “um pouco não ortodoxo, às vezes um pouco selvagem e não tão tático”, declarações que repercutiram na imprensa internacional e levaram críticos a apontar que os termos reproduzem estereótipos historicamente associados a visões coloniais sobre povos africanos. O jornalista negro alemão Philipp Awounou, em coluna publicada na revista Spiegel, contextualizou que palavras como “selvagem” e “imprevisível” estiveram vinculadas, muito antes do futebol, a estigmas raciais aplicados a populações africanas.

Questionado sobre as declarações na coletiva pós-jogo, Faé respondeu com irritação contida ao afirmar que ficou muito decepcionado ao ouvir os comentários e que, dada a experiência de Schweinsteiger no futebol, considerava estranho esse tipo de declaração. “Posso classificá-los, sem rodeios, como racistas”, disse o treinador, que também insinuou que o ex-jogador poderia estar em busca de visibilidade ao lembrar que Schweinsteiger foi uma estrela mundial que acabou sendo um pouco esquecido. Até o momento, o comentarista não emitiu pedido de desculpas público e não sofreu nenhuma punição da emissora.

Classificada para os 16 avos de final, a Costa do Marfim aguarda o segundo colocado do Grupo I, que reúne França, Noruega, Senegal e Iraque, para o duelo marcado para a terça-feira (30), às 14h (horário de Brasília), em Dallas, em confronto que pode se tornar ainda mais emblemático caso a França, país onde Pépé e vários titulares da seleção marfinense nasceram, confirme a segunda posição no grupo.

Durante a Segunda Guerra Mundial, 13 homens se tornaram os primeiros oficiais negros da Marinha com a maior nota da história

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Foto: Naval History and Heritage Command

Em 1944, treze homens negros se tornaram os primeiros oficiais da Marinha americana após serem convocados para falhar e provarem o contrário.

Em janeiro de 1944, dezesseis marinheiros negros foram convocados para a base naval de Great Lakes, em Illinois, sem que nenhum deles soubesse exatamente o que os esperava. A Marinha americana contava naquele momento com quase 100 mil marinheiros negros nas fileiras, e nenhum era oficial. Nos 146 anos anteriores, a instituição jamais havia comissionado um homem negro, e o curso que os aguardava deveria mudar isso, embora não fosse essa a intenção de quem o organizou.

O curso de formação de oficiais durava, em condições normais, dezesseis semanas, mas para aqueles dezesseis homens a Marinha cortou o prazo pela metade, reservando oito semanas para que absorvessem o que os candidatos brancos tinham quatro meses para aprender. A expectativa institucional era de uma taxa de reprovação de 25%, igual à das turmas brancas, e os homens entenderam o que aquilo significava na prática. Decidiram reagir de forma coletiva, porque sabiam que a reprovação de qualquer um deles não seria lida como fracasso individual, mas como evidência de que homens negros não tinham capacidade de liderar.

Samuel Barnes, um dos dezesseis, descreveu a lógica que os uniu ao afirmar que o grupo decidiu não competir entre si, realizando sessões de estudo coletivas com a consciência de que eram a porta entreaberta para muitos outros marinheiros negros e que não poderiam ser os responsáveis por fechá-la. À noite, cobriam as janelas do alojamento e estudavam até a madrugada, num esforço solidário que não era apenas estratégia, mas a única resposta viável a um sistema construído para derrubá-los.

Quando as provas chegaram, os dezesseis passaram, e a turma fechou com média 3.89, a maior já registrada na história da estação de treinamento naval de Great Lakes, superior à de qualquer turma branca que havia passado por ali. A cúpula militar simplesmente não acreditou no resultado e mandou todos refazerem os exames, que os dezesseis repetiram com desempenho ainda melhor.

Em março de 1944, treze daqueles homens foram comissionados. Doze receberam o posto de alferes, Jesse Walter Arbor, Phillip George Barnes, Samuel Edward Barnes, Dalton Louis Baugh, George Clinton Cooper, Reginald Ernest Goodwin, James Edward Hair, Graham Edward Martin, Dennis Denmark Nelson, John Walter Reagan, Frank Ellis Sublett e William Sylvester White, enquanto Charles Byrd Lear foi nomeado suboficial. Os outros três que também passaram nos exames não receberam comissão e nenhuma explicação oficial foi dada. Especula-se que a Marinha, acostumada a uma taxa de reprovação entre candidatos, não quis que uma turma de negros figurasse com desempenho superior ao das turmas brancas nos registros institucionais.

Décadas depois, o grupo ganharia o nome pelo qual passou a ser conhecido, os Golden Thirteen, mas na época o cotidiano era outro. Oficiais brancos se recusavam a prestar continência a eles, não podiam entrar no clube de oficiais da base mesmo fardados e com a patente no ombro, e recebiam as funções mais subalternas dentro da estrutura segregada da Marinha, como treinar recrutas negros, supervisionar unidades de trabalho ou comandar embarcações menores tripuladas exclusivamente por marinheiros negros. A patente garantia o título, mas o sistema insistia em traduzir aquela conquista em isolamento.

Quase nenhum seguiu carreira na Marinha após o fim da guerra, sendo Dennis Nelson a exceção, tendo chegado ao posto de tenente-comandante e publicado em 1951 uma dissertação de mestrado sobre a integração racial na instituição. Os demais voltaram à vida civil e construíram trajetórias notáveis, com Samuel Barnes tornando-se diretor de atletismo na Universidade Howard e o primeiro homem negro no comitê executivo da NCAA, e William White atuando como promotor federal antes de presidir o tribunal juvenil do condado de Cook e chegar à corte de apelações de Illinois.

O impacto daquele grupo ultrapassou 1944 e alcançou 1948, quando o presidente Harry Truman assinou a ordem executiva que encerrou oficialmente a segregação nas Forças Armadas americanas, quatro anos depois de os Treze de Ouro terem demonstrado, com resultados documentados, que a premissa racista sustentando a exclusão não tinha qualquer fundamento. A história do grupo foi sistematizada pelo historiador naval Paul Stillwell, que a partir de 1986 gravou os depoimentos dos sobreviventes, reunindo-os num livro com prefácio de Colin Powell, o primeiro negro a chefiar o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos Estados Unidos. Hoje, o prédio onde os novos recrutas chegam para o treinamento básico em Great Lakes leva o nome dos treze, e o último sobrevivente do grupo, Frank Ellis Sublett, morreu em 2006.

Barack e Michelle Obama relembram o início do namoro e a parceria há quase 34 anos: “Somos o contraponto um do outro”

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Barack e Michelle Obama sorrindo e juntos no Centro Presidencial em Chicago.
Foto: Matt Sayles/People

Quase dez anos após deixarem a Casa Branca, Barack e Michelle Obama estão celebrando a inauguração do Centro Presidencial Obama, em Chicago (EUA), um complexo cultural e educacional com a proposta de funcionar como um centro comunitário. Capa da nova edição da revista People, o casal abriu o coração durante uma entrevista intimista sobre os bastidores da vida conjugal, o impacto de suas trajetórias e o alívio de viverem longe dos protocolos de Washington.

Para os Obamas, a escolha da zona sul de Chicago para sediar o centro foi uma decisão profundamente afetiva. É a região onde Michelle cresceu, onde o casal se conheceu, se casou e viu nascer as filhas Malia, 27, e Sasha, 25.

“Cada parte de mim foi construída nesta área. Não havia nada parecido com este centro em lugar nenhum quando eu era criança. Eu me emociono ao perceber o que isso significará para as crianças. Então, para mim, é algo incrivelmente pessoal”, disse Michelle Obama.

Barack, que chegou à cidade quando era apenas um jovem organizador comunitário vindo do Havaí, relembrou os tempos em que dividia um apartamento simples e sem ar-condicionado na Rua 53 com o início do namoro: “Sentado na calçada [do Baskin-Robbins, onde se beijaram pela primeira vez]. Agora tem uma placa lá. Não sei quem a colocou”, contou o ex-presidente.

“Somos o contraponto um do outro”

A maturidade e o equilíbrio da parceria foram imortalizados no centro por meio de uma escultura da artista Maya Lin, que traz duas pedras de formatos diferentes, mas de pesos iguais. Uma metáfora perfeita para a dinâmica do casal. Casados há quase 34 anos, Michelle reconhece que a ambição e a visão ampla de Barack a tiraram de uma zona de conforto onde ela, possivelmente, teria tido uma vida mais limitada.

“Ele me fez pensar de forma mais abrangente sobre o que eu poderia fazer com este diploma de direito de Harvard, além de ser advogada. Ele me deu coragem. Ele foi meu alicerce. Ele dizia: ‘Estou com você’. E por mais difícil que tenha sido, com seus altos e baixos, ele esteve ao meu lado”, afirmou a ex-primeira-dama. Barack, por sua vez, devolveu o elogio: “Ela me dá firmeza e segurança. Deu tudo certo”.

Desmistificando a “bolha” da Casa Branca

Embora guardem memórias afetuosas e divertidas dos anos em Washington — como as festas de aniversário de Malia no Quatro de Julho, os bailes de formatura das filhas e a convivência com a falecida mãe de Michelle, Marian Robinson —, ambos não escondem o alívio de terem deixado a rigidez do protocolo para trás.

Barack brincou com a definição do ex-presidente Bill Clinton, que chamava a Casa Branca de “a joia da coroa do sistema penitenciário federal” devido ao confinamento extremo por razões de segurança. “Não sinto falta de muita pompa e circunstância. Não sinto falta de ter que usar gravata todos os dias. O que sinto falta é do trabalho e das pessoas”, pontuou.

A normalização do Poder Negro

Questionado sobre os versos emblemáticos da música “Changes”, de Tupac Shakur — onde o rapper rimava que “embora pareça um presente dos céus, não estamos prontos para ver um presidente negro” —, Barack Obama trouxe uma análise sobre os limites e as vitórias do seu pioneirismo, especialmente em uma inauguração que coincidiu com as celebrações do Juneteenth (o dia da emancipação dos escravizados nos EUA).

“Nunca foi realista pensar que, por causa de uma eleição, de um presidente, 400 anos de história simplesmente desapareceriam. Mas acho que há crianças que, crescendo durante a minha presidência, disseram: ‘Sim, claro que podemos ter um presidente negro. Por que não?’. E estou confiante de que, quando tivermos uma presidente mulher, o que acontecerá em breve, durante a minha vida, isso se tornará normal, e é isso que queremos”, destacou  Barack Obama.

Para Michelle, o impacto da passagem de Barack pelo Salão Oval ultrapassou as barreiras raciais e estabeleceu um novo padrão de liderança ética e humanizada. “O simbolismo da presidência dele não se resumia apenas à raça — também dizia respeito à maneira como ele se apresentava como líder, homem, pai e marido. Acho que o que Barack ofereceu a este país foi um presidente maduro, extremamente inteligente e altruísta”, concluiu a ex-primeira-dama.

Com o término das obras do complexo, o casal agora foca suas energias no desenvolvimento de jovens lideranças globais através dos programas da Fundação Obama — e, em cuidar da saúde e manter a flexibilidade para os novos capítulos que estão por vir.

Exposição “Com Amor, Alcione” chega ao Museu das Favelas em julho

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Alcione para TV Globo
Foto: TV Globo/ Reprodução

Alcione é o centro da nova exposição “Com Amor, Alcione”, que chega ao Museu das Favelas, em São Paulo, no dia 10 de julho, celebrando mais de cinco décadas de uma das trajetórias mais importantes da música brasileira.

Idealizada e produzida pelo Centro Cultural Vale do Maranhão (CCVM), a mostra chega a São Paulo em sua primeira itinerância após grande adesão de público no Maranhão, ocupando o espaço paulistano e reforçando o papel do museu como território de preservação da memória negra e periférica no país.

O acervo reúne mais de 650 itens que atravessam diferentes fases da carreira da artista, incluindo fotografias raras ao lado de nomes centrais da cultura brasileira, registros audiovisuais, figurinos de palco e troféus que marcam sua consolidação como uma das vozes mais reconhecidas da música popular.

A exposição evita uma leitura linear da carreira e propõe uma construção afetiva e simbólica da imagem de Alcione, conectando sua obra a temas como ancestralidade, espiritualidade, relações familiares e sua presença nas escolas de samba.

A própria artista destaca a importância de ver sua trajetória ocupar esse espaço de memória em São Paulo, reforçando o vínculo com o público e com a história que atravessa sua obra em conversa com a Billboard Brasil:

“É uma honra ter a minha vida e obra ocupando o Museu das Favelas. O nome, por si só, já revela a grandiosidade dessa instituição, que estou ansiosa para conhecer. Espero que o público goste e venha conhecer a história desta Marrom aqui, que tem uma gratidão imensa pelo povo de São Paulo. Nos vemos em breve”

A edição paulista da mostra também traz uma nova leitura sobre migração e formação urbana, destacando a presença de populações nordestinas e negras na construção cultural da cidade de São Paulo. O recorte evidencia como deslocamentos internos no Brasil também estruturam identidades, linguagens e expressões culturais.

A exposição “Com Amor, Alcione” fica em cartaz até 6 de dezembro de 2026, com entrada gratuita no Museu das Favelas, no centro histórico de São Paulo.

Pela primeira vez, terapia genética cura anemia falciforme na Louisiana, um dos estados dos EUA com mais casos

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Daniel Cressy sorridente após tratamento contra a anemia falciforme.
Foto: Manning Family Children's Hospital

Daniel Cressy, de 23 anos, entrou para a história ao se tornar a primeira pessoa do estado da Louisiana, nos Estados Unidos, a ser funcionalmente curada da anemia falciforme por meio de terapia genética. Na segunda-feira (22), ele tocou o sino cerimonial do Manning Family Children’s Hospital, em Nova Orleans, marcando o fim de uma batalha de dois anos contra a doença, que os médicos afirmam não estar mais ativa em seu organismo.

Natural da região metropolitana de Nova Orleans, Cressy é o primeiro paciente de toda a Costa do Golfo dos Estados Unidos a passar com sucesso pela Casgevy, terapia de ponta que utiliza a tecnologia de edição genética CRISPR/Cas9. O procedimento se vale das próprias células-tronco do paciente, que são editadas em laboratório para que deixem de produzir as células defeituosas causadoras da doença.

A jornada foi longa e cara. As células-tronco de Cressy foram coletadas ao longo de três dias e enviadas para um laboratório na Escócia, onde uma enzima foi usada para editar a parte específica da célula responsável pelo afoiçamento, quando as hemácias endurecem e se deformam, bloqueando o fluxo sanguíneo e provocando dores intensas. As células modificadas retornaram à Louisiana no início deste ano, e Cressy passou por quimioterapia antes de recebê-las de volta. Só o medicamento custou 2,2 milhões de dólares. O tratamento chegou a ser adiado enquanto ele aguardava aprovação pelo programa Medicaid do estado.

A anemia falciforme afeta de forma desproporcional pessoas negras e pode causar dores severas, danos a órgãos, internações frequentes e redução da expectativa de vida. A Louisiana tem uma das maiores taxas da doença nos Estados Unidos. Cerca de 3 mil pessoas vivem com a condição no estado.

Cressy não é o primeiro do mundo nem do país a ser curado. Ele se junta a mais de 100 pacientes nos Estados Unidos tratados desde que as duas primeiras terapias genéticas para a doença, a Casgevy e a Lyfgenia, foram aprovadas pela agência reguladora americana no fim de 2023. O pioneirismo dele é geográfico, em um estado onde a doença é especialmente presente.

Para Cressy, a cura significou também a retomada de um sonho. Ele pretendia ser piloto, mas descobriu que a Administração Federal de Aviação não concederia sua licença enquanto ele convivesse com a doença, por causa dos riscos associados a voos em grandes altitudes. Agora, com o caminho livre, ele planeja seguir carreira na aviação.

Determinado a transformar sua experiência em legado, Cressy fundou a organização sem fins lucrativos Privileged Pilots Project, voltada a derrubar barreiras médicas e sociais que impedem comunidades subatendidas de acessar curas genéticas milionárias. “A capacidade de alguém acessar tratamento e uma possível cura não deveria ser definida pelo seu CEP”, afirmou. “As pessoas que vivem com anemia falciforme estão aqui. São nossos vizinhos, nossos amigos, nossas famílias.”

Ele também escreve um livro sobre sua trajetória, intitulado “Blessing in the Skies” (Bênção nos Céus). “Enquanto muitos passam a vida procurando um propósito, o meu me encontrou”, disse. “Agora, em vez de buscar sentido, posso passar a vida realizando-o.”

A cerimônia em sua homenagem contou com a presença do governador Jeff Landry, do congressista Troy Carter e da prefeita Helena Moreno. No Brasil, país com a maior população com anemia falciforme das Américas, terapias como essa ainda não estão disponíveis no SUS, o que mantém a cura distante de quem mais precisa dela.

Com informações do The Guardian.

Sonhos femininos são moldados na infância, revela pesquisa

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Mulher latino-americana
Imagem gerada por IA

Um levantamento realizado pela Casa Mundo Market Intelligence em parceria com a Natura revela como mensagens recebidas na infância ainda influenciam a forma como mulheres projetam seus sonhos e trajetórias.

Em um ano em que a América Latina volta a ocupar espaço de destaque no cenário global com a realização da Copa do Mundo de 2026 no México, uma pesquisa inédita lança luz a forma como mulheres são desencorajadas a sonhar grande desde a infância.

O estudo “Deixa a Mulher Latina Sonhar”, realizado pela Casa Mundo Market Intelligence em parceria com a Natura, ouviu 320 mulheres entre 20 e 55 anos no Brasil, México e Colômbia das classes A, B e C, em janeiro de 2026. Entre os principais resultados, o mais impactante destaca que 83% das entrevistadas afirmam que poderiam estar vivendo um futuro diferente caso tivessem recebido mais incentivo para sonhar grande já durante a infância e adolescência.

Os dados apontam para experiências compartilhadas por muitas mulheres ao longo da formação. Entre as entrevistadas, 28% relatam ter ouvido expressões como “sonha, mas com os pés no chão”. Outras 18% afirmam que determinados objetivos lhes foram apresentados como distantes ou inadequados para suas realidades. Já 13% receberam incentivo para seguir caminhos considerados mais seguros, enquanto 10% relatam mensagens relacionadas à discrição e aos comportamentos socialmente esperados para mulheres.

Os dados mostram que os impactos dessas experiências aparecem também na vida adulta. Segundo a pesquisa, 44% das participantes afirmam sentir receio de parecer exageradas ou iludidas ao compartilhar seus sonhos, enquanto 38% evitam falar sobre seus objetivos em voz alta.

Para Adriana Hack, fundadora e diretora executiva da Casa Mundo Market Intelligence, os resultados não indicam falta de ambição, mas refletem os limites impostos por expectativas sociais construídas ao longo do tempo.

“A questão não está relacionada à falta de ambição. Muitas mulheres cresceram recebendo mensagens que restringiam a maneira como enxergavam suas próprias possibilidades”, afirma.

O estudo também investigou quais expectativas ainda recaem sobre os projetos de vida femininos. Segundo as entrevistadas, 65% das expectativas atribuídas às mulheres permanecem concentradas em temas ligados ao cuidado, à família e à estabilidade. Apenas 15% associam os sonhos femininos à busca por liberdade individual.

Outro dado alarmante chama atenção para a dimensão familiar dessas construções sociais. Entre as participantes, 48% apontam a si mesmas ou outras mulheres da família como pessoas que acabaram reproduzindo limitações em relação aos próprios sonhos. Para as pesquisadoras, esse resultado demonstra como as normas sociais podem ser transmitidas entre gerações e incorporadas ao cotidiano.

De acordo com as informações coletadas na pesquisa, em diferentes contextos sociais, o incentivo recebido ou a falta dele durante a infância podem influenciar escolhas profissionais e pessoais, enquanto influenciam na percepção sobre quais espaços podem ser ocupados e quais objetivos são considerados possíveis na ótica feminina.

Ao evidenciar essas experiências, o levantamento incentiva uma intensa reflexão acerca dos discursos responsáveis por moldar expectativas e oportunidades desde a juventude e reforça a importância de ambientes que estimulem meninas e mulheres a sonharem sem restrições baseadas em gênero, cor ou classe social.

‘O Urso’: temporada final estreia hoje no Disney+

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Ayo Edebiri da série O Urso na quinta e última temporada
Foto: ©Disney

Prontos para se despedir dos melhores chefs das séries de TV? ‘O Urso’ retorna para sua quinta e última temporada nesta quinta-feira (25), às 22h (horário de Brasília). Todos os oito episódios chegam ao serviço já na noite de estreia, prometendo uma mistura ainda mais intensa de caos na cozinha, tensão e momentos emocionantes que marcaram a trajetória de cada personagem.

[Alerta de spoiler!] A nova temporada retoma a história imediatamente após os acontecimentos do fim da quarta temporada: Carmy (Jeremy Allen White) abandona o trabalho e deixa o novo restaurante sob os cuidados dos sócios — uma decisão que acendeu o desafio final da equipe. Agora, Sydney (Ayo Edebiri), Richie (Ebon Moss-Bachrach) e Natalie (Abby Elliott) precisam se unir para manter o restaurante funcionando sob pressão extrema e, ao mesmo tempo, lutar pela sonhada estrela Michelin que pode coroar o esforço coletivo e salvar o estabelecimento.

A diversidade do elenco, com a representação de chefs negros, foi um dos grandes destaques da série. Além de Ayo Edebiri, também integram o elenco Lionel Boyce, que interpreta Marcus Brooks; Edwin Lee Gibson, no papel de Ebraheim; Liza Colón-Zayas como Tina Marrero; e Corey Hendrix como Sweeps. Ao longo das temporadas, a visibilidade desses personagens ampliaram diferentes camadas dramáticas, além dos olhares sobre a cultura gastronômica e os desafios de quem trabalha em cozinhas de alta pressão.

Entre a extensa lista de prêmios conquistados pela série nos últimos anos, Ayo Edebiri e Liza Colón-Zayas venceram um Emmy cada uma, por suas interpretações impactantes.

Veja o trailer abaixo:

Mobilidade das mulheres no Brasil é tema de estudo que busca influenciar políticas públicas e decisões empresariais

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Mulheres negras e brancas pegando o transporte público na cidade.
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

A Indique, em parceria com uma empresa do setor, está conduzindo um estudo sobre como as mulheres se movem pelo Brasil. O projeto investiga os desafios enfrentados por elas em seus deslocamentos cotidianos.

A forma como as mulheres circulam pelas cidades brasileiras revela desigualdades, muitas vezes invisíveis nas estatísticas tradicionais. Questões como segurança, acessibilidade, custo do transporte, horários e responsabilidades de cuidado influenciam diretamente a mobilidade feminina, impactando oportunidades de trabalho, estudo, lazer e participação social.

Para compreender essas vivências e transformá-las em evidências capazes de impulsionar mudanças concretas, a Indique, consultoria especializada em pesquisa, raça, gênero e inovação, realiza um estudo nacional sobre a mobilidade das mulheres no Brasil. A iniciativa busca ouvir diferentes trajetórias e percepções para construir um retrato amplo e representativo sobre como elas ocupam e se deslocam em seus territórios.

O estudo parte da premissa de que ir e vir pela cidade não é uma experiência uniforme. Trajetos escolhidos, ruas evitadas, horários considerados seguros e os desafios de viajar com crianças ou retornar para casa à noite são fatores que moldam a relação das mulheres com os espaços urbanos e os sistemas de transporte.

“Quando observamos a mobilidade pela lente racial e de gênero, entendemos que circular pela cidade também é uma questão de cidadania. Escutar as mulheres é essencial para transformar essa realidade”, afirma Verônica Dudiman, co-fundadora da Indique.

Os dados coletados subsidiarão o desenvolvimento de estratégias e políticas voltadas a uma mobilidade mais segura, acessível e inclusiva. O objetivo é fortalecer o diálogo com gestores públicos, empresas e organizações da sociedade civil, impulsionando compromissos reais com a equidade de gênero.

Ao compartilhar suas experiências, as participantes colaboram para a construção de um conhecimento profundo e transformador. Conduzido pela Indique, este estudo servirá como base para que instituições públicas e privadas reforcem seu compromisso com a construção de cidades mais justas, seguras e equânimes para todas as mulheres.

Acesse a pesquisa: https://pt.surveymonkey.com/r/T2CKCGY

“Nem Cresci e Já Sou Mãe”: livro de Joyce Ribeiro revela que 7 em cada 10 meninas grávidas no Brasil são negras 

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Joyce Ribeiro apresenta o livro Nem Cresci e Já Sou Mãe
Foto: Reprodução

Sete em cada dez meninas grávidas no Brasil são negras. O dado está entre os muitos números e relatos reunidos pela jornalista Joyce Ribeiro em “Nem Cresci e Já Sou Mãe: Relatos sobre gravidez na adolescência”, lançado pela Geração Editorial.

Resultado de uma investigação que reúne histórias reais, entrevistas com especialistas e dados de pesquisas nacionais e internacionais, o livro analisa os efeitos da gravidez na adolescência na educação, na saúde, na autonomia e nos projetos de vida de meninas brasileiras.

Em conversa com o Mundo Negro, Joyce Ribeiro explica que a motivação para escrever a obra surgiu após décadas acompanhando o tema como jornalista.

“Ao longo de mais de 25 anos de jornalismo, apresentei inúmeras reportagens sobre gravidez na adolescência. Mesmo com maior acesso à informação, os impactos continuam profundos quando essa gravidez acontece”, afirma.

Entre os relatos apresentados no livro estão histórias de adolescentes que enfrentaram abandono familiar, interrupção dos estudos e dificuldades para acessar redes de apoio. A obra também destaca que a gravidez precoce não pode ser compreendida apenas como uma escolha individual, mas como um fenômeno atravessado por desigualdades sociais, acesso à informação, violência e falhas na proteção de crianças e adolescentes.

Um dos episódios mais marcantes narrados na publicação foi compartilhado pela obstetra Larissa Cassiano. A médica relata o atendimento a uma menina de 11 anos que chegou a um hospital sem saber que estava grávida.

“Ela estava em trabalho de parto e gritava pela mãe”, relembra a profissional, em um caso que evidencia a urgência de fortalecer mecanismos de proteção à infância e adolescência.

Segundo Joyce Ribeiro, os desafios não terminam após o nascimento do bebê. A evasão escolar aparece como uma das consequências mais recorrentes, impactando diretamente a continuidade dos estudos e a inserção profissional dessas jovens.

A autora também chama atenção para a importância do apoio familiar e da educação sexual baseada em informação e diálogo.

“Todas as entrevistadas reforçaram que conseguiram seguir adiante porque tiveram suporte familiar, especialmente das mães”, conta.

Outro aspecto abordado no livro é a participação dos meninos e de suas famílias diante de uma gravidez não planejada. Para Joyce, a responsabilização não pode recair exclusivamente sobre as adolescentes.

“Orientar, conversar, ensinar e acolher também deve fazer parte da formação dos meninos”, afirma.

Ao longo da obra, a jornalista defende que escolas, famílias, profissionais de saúde e gestores públicos atuem de forma articulada na prevenção da gravidez na adolescência e na proteção de meninas e meninos.

A obra procura não oferecer aos leitores respostas definitivas relacionadas ao assunto, mas sim propor um debate acerca da responsabilidade coletiva, acesso à informação, proteção e oportunidades concretas para adolescentes enxergarem a possibilidade de trilhar caminhos diversos.

Ao refletir sobre a experiência de escrever o livro, Joyce Ribeiro afirma que encerra esse processo com uma percepção ampliada sobre os desafios enfrentados por meninas e jovens mães.

“Saio desta imersão com um olhar mais amoroso e protetor, especialmente em relação às nossas meninas. Espero que o livro seja ponto de partida para muitas conversas e reflexões”, conclui.

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