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SUS oferece teleatendimento psicológico gratuito para mulheres em situação de violência e mães atípicas

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Mulher vitima de violência
Foto: Canva Imagens

Serviço gratuito pode ser acessado pelo Meu SUS Digital e também atende mulheres que cuidam de familiares com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras

Mulheres em situação de violência e mulheres que cuidam de familiares com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras passaram a contar com uma nova opção de atendimento psicológico gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Acolhe Mais oferece até 100 mil teleatendimentos mensais em todo o Brasil e pode ser acessado pelo aplicativo Meu SUS Digital.

O serviço começou em março de 2026 como projeto-piloto para mulheres em situação de violência no Recife (PE) e no Rio de Janeiro (RJ). Agora, a iniciativa foi ampliada para todo o país e passou a contemplar também mães, tias, avós, irmãs e outras familiares que exercem atividades de cuidado.

A proposta é oferecer o teleatendimento como uma porta de entrada para o cuidado em saúde mental. Após as consultas, a usuária pode ser encaminhada para um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ou outro serviço da rede local. Quando não houver possibilidade de continuidade presencial, o Ministério da Saúde prevê a manutenção do acompanhamento remoto.

Como funciona o Acolhe Mais

Para solicitar o atendimento, é necessário acessar o Meu SUS Digital com uma conta gov.br. No aplicativo, a usuária deve entrar em “Miniapps” e selecionar “Acolhe Mais + Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres”.

A plataforma direciona para o sistema da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS), onde é feito o cadastro e indicada a razão da busca pelo serviço: uma situação de violência atual ou passada ou a rotina de cuidado de um familiar.

Após o cadastro, a equipe tem até 24 horas para entrar em contato. A usuária escolhe o dia e o horário disponíveis para a consulta, e recebe posteriormente o link para o atendimento.

As consultas são realizadas por psicólogas capacitadas pelo Ministério da Saúde, com formação para identificar situações de risco e realizar uma escuta adequada ao atendimento virtual. Cada ciclo pode ter até 10 sessões, com possibilidade de um novo ciclo quando necessário.

O serviço funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 14h.

Violência contra mulheres

A ampliação do atendimento acontece em um cenário de aumento das notificações de violência registradas pelos serviços de saúde. Segundo dados do Ministério da Saúde, os registros de violência física, psicológica, sexual ou financeira contra mulheres passaram de 167,4 mil, em 2015, para 348,5 mil, em 2025, crescimento superior a 100% em dez anos.

O primeiro atendimento também avalia possíveis situações de risco, a rede de apoio e as principais demandas da mulher. Em casos que exigem continuidade do cuidado, a equipe pode articular o encaminhamento para serviços da rede de saúde do território.

O teleatendimento, no entanto, não substitui serviços de emergência. Em situações de risco imediato à vida ou à integridade física, devem ser acionados os serviços de emergência, como o Samu (192) e a Polícia Militar (190).

Quem cuida também precisa de cuidado

A expansão do Acolhe Mais também contempla mulheres que dedicam parte significativa da rotina ao cuidado de familiares com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras.

A medida reconhece que o acesso à própria saúde também faz parte do cuidado. A possibilidade de realizar consultas remotamente busca reduzir barreiras como deslocamento, distância e falta de tempo para mulheres que exercem atividades de cuidado.

A inclusão desse público dá continuidade à atualização, em 2023, da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Pessoa com Deficiência (PNAISPD), que passou a prever ações e serviços também voltados aos familiares.

Onde buscar ajuda

Mulheres em situação de violência podem procurar a Central de Atendimento à Mulher — Ligue 180, serviço gratuito que funciona 24 horas por dia e oferece orientação sobre direitos, serviços de proteção e canais de denúncia.

O atendimento também está disponível pelo WhatsApp (61) 9610-0180.

O Acolhe Mais pode ser acessado gratuitamente pelo Meu SUS Digital, sem necessidade de encaminhamento prévio.

Expo Favela SP 2026 leva empreendedorismo, cultura e inovação ao Sesc Casa Verde com participação do HHWC 

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Expo Favela 2024
Foto: Divulgação/ Expo Favela

O Hip Hop Workout Collective (HHWC), é um dos convidados de destaque do evento protagonizando a mesa “Corpo, Cultura e Pertencimento: o Hip Hop como potência de transformação”

A Expo Favela Innovation São Paulo 2026 chega à capital paulista nos dias 29 e 30 de agosto com uma programação que reúne empreendedorismo, inovação, cultura, esporte e comunicação produzidos a partir das favelas e periferias. A quarta edição consecutiva do evento em São Paulo acontece no Sesc Casa Verde, com entrada gratuita.

Entre os convidados da programação está o Hip Hop Workout Collective (HHWC), convidado da Mesa 01: “Corpo, Cultura e Pertencimento: o Hip Hop como potência de transformação”. A participação do coletivo no Palco SOL  integra uma programação que aposta em diferentes linguagens para discutir produção cultural, negócios, criatividade e as experiências construídas nos territórios periféricos.

Idealizada por Celso Athayde, fundador da CUFA e CEO da Favela Holding, a Expo Favela Innovation reúne empreendedores selecionados de diferentes territórios do estado de São Paulo, empresas, investidores, universidades, instituições financeiras e representantes do poder público.

Ao longo dos dois dias de evento, o público poderá acompanhar rodadas de negócios, pitches, mentorias, workshops, debates e atividades culturais, tendo a oportunidade de conhecer produtos, serviços e iniciativas desenvolvidas por empreendedores das favelas e periferias.

Hip hop entra na programação

O coletivo HHWC participa da Mesa 01 no dia 30 de agosto às 10h, dedicada a discutir como o hip hop se relaciona com corpo, cultura e pertencimento e como essa linguagem pode atuar como potência de transformação.

A participação também amplia a presença do hip hop em uma programação que contempla diferentes expressões culturais. O evento terá espaços dedicados à literatura, às artes visuais, à comunicação periférica, à moda, ao esporte, aos games e à produção audiovisual.

Dez eixos de programação

A Expo Favela Innovation SP 2026 está organizada em dez eixos, que apresentam diferentes formas de criação, trabalho e produção cultural desenvolvidas na periféria.

Palestrantes e Mentorias: especialistas e lideranças compartilham conhecimentos e experiências com empreendedores.

Favela Literária: reúne saraus, lançamentos e sessões de autógrafos com autores e coletivos literários.

Mídias de Favela: abre espaço para veículos, podcasts e iniciativas de comunicação periférica.

Arte de Quebrada: apresenta exposições e ativações de artistas visuais, grafiteiros e produtores culturais.

Estrelas da Quebrada: promove um desfile de moda com estilistas e coletivos das periferias.

Basquete 3×3: recebe competição de basquete de rua com atletas e equipes das favelas.

Espaço Crianças: oferece atividades voltadas ao público infantil.

Favela Games: espaço dedicado aos games e aos esportes eletrônicos.

Favela Cast: reúne podcasts e produções audiovisuais.

Exposição de Empreendedores: apresenta produtos, serviços e iniciativas desenvolvidas por empreendedores das favelas.

A diversidade da programação acompanha a proposta da Expo Favela de criar conexões entre diferentes setores e ampliar a circulação de iniciativas produzidas nesses territórios.

Potência econômica das favelas

A realização da feira acontece em um contexto de crescente reconhecimento da dimensão econômica das favelas brasileiras.

Segundo estudo do Instituto Data Favela, divulgado em 2024, as favelas movimentam cerca de R$ 300 bilhões por ano em consumo. O levantamento também aponta que aproximadamente 16 milhões de pessoas vivem em favelas no Brasil e que mais de 70% se declaram empreendedoras ou afirmam ter desejo de empreender.

Para a organização da Expo Favela, esse cenário reforça a necessidade de aproximar empreendedores periféricos de empresas, investidores e instituições capazes de contribuir para a expansão de seus negócios.

Parceria com o Sesc São Paulo

A edição paulista de 2026 conta com apoio institucional do Sesc São Paulo e será realizada no Sesc Casa Verde.

Para Luiz Deoclécio Massaro Galina, diretor do instituto, a parceria contribui na expansão do acesso à programação e fortalece espaços de encontro entre inovação social, cultura e desenvolvimento das comunidades.

Serviço

Expo Favela Innovation São Paulo 2026
29 e 30 de agosto de 2026
Sesc Casa Verde — Avenida Casa Verde, 327, São Paulo (SP)
Entrada gratuita, sujeita à lotação
9h às 17h

Retire seu ingresso gratuito para a  Mesa 01: “Corpo, Cultura e Pertencimento: o Hip Hop como potência de transformação” no link, e saiba mais sobre a programação completa no site oficial da Expo Favela Innovation.

Eclipse lunar será visível em todo o Brasil nesta madrugada

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Foto: canva

Eclipse lunar de grande magnitude começa às 23h34 e pode ser visto a olho nu em todo o Brasil, sem filtros ou equipamentos.

Um eclipse lunar parcial de grande magnitude, apelidado popularmente de “Lua de Sangue”, poderá ser observado a olho nu em todo o Brasil na madrugada entre esta quinta-feira (27) e a sexta-feira (28). O fenômeno começa às 23h34, no horário de Brasília, atinge o ponto máximo entre 1h12 e 1h13 da madrugada de sexta e termina por volta das 2h51, segundo astrônomos do Observatório Nacional (ON).

O eclipse ocorre quando a Terra se posiciona entre o Sol e a Lua, bloqueando parte da luz solar que chegaria ao satélite. Segundo a astrônoma Josina Oliveira do Nascimento, do ON, o Sol incide na Terra e uma sombra se forma no espaço, dividida em duas partes: a penumbra, mais clara, e a umbra, mais escura. Nesta semana, a Lua mergulha profundamente na umbra, o que cobre a maior parte do disco lunar.

Há divergência entre as estimativas de cobertura. Uma fonte aponta que cerca de 93% do satélite ficará encoberto pela sombra da Terra, enquanto o ON cita 96,2% de obscurecimento, o que tornaria o efeito visualmente próximo ao de um eclipse total.

Diferente de um eclipse solar, o fenômeno lunar dispensa qualquer filtro ou equipamento de proteção para os olhos. Basta escolher um local com boa visibilidade do céu e pouca interferência da iluminação urbana, segundo recomendação do astrônomo Emerson Roberto Perez.

A cobertura de nuvens deve ser o principal obstáculo à observação em algumas regiões. De acordo com o meteorologista César Soares, da Climatempo, o Rio Grande do Sul enfrentará nebulosidade intensa durante a madrugada. “Por esse motivo, eles não vão conseguir observar o eclipse lunar”, afirmou. Partes de Santa Catarina, do sul do Paraná, do leste nordestino e do extremo norte do país também devem ter o céu mais encoberto.

Já o interior do Nordeste, o Centro-Oeste e grande parte do Sudeste, incluindo Minas Gerais, o estado de São Paulo e trechos do Rio de Janeiro, devem ter condições favoráveis para acompanhar o fenômeno, segundo a mesma fonte.

A coloração avermelhada da Lua durante o eclipse acontece porque a atmosfera da Terra absorve parte da luz solar e refrata outra parte em direção ao satélite, no mesmo princípio que deixa o Sol alaranjado perto do horizonte. Segundo o astrônomo Thiago Gonçalves, o efeito ocorre porque a luz atravessa uma camada maior de atmosfera. “Ele deixa de ser amarelado e fica mais avermelhado”, descreveu. A variação de temperatura também é significativa: a face iluminada da Lua pode chegar a 120°C, enquanto a face na sombra despenca para cerca de -120°C durante o eclipse.

Para quem quiser acompanhar o fenômeno em grupo, o Laboratório de Divulgação Científica Ilha da Ciência, a Sociedade de Astronomia do Maranhão e a Agência Espacial Brasileira promovem observação pública e gratuita no Mirante da Litorânea, no bairro do Calhau, em São Luís, das 22h às 2h. Os organizadores recomendam levar cadeira, binóculo, luneta ou telescópio, além de água e lanche.

Quem perder o evento desta semana precisará esperar. Segundo o ON, os próximos eclipses lunares, em 2027, serão do tipo penumbral, com diferença de brilho quase imperceptível a olho nu. Em 2028, o Brasil verá um eclipse parcial com obscurecimento de apenas 2,4%. Um eclipse lunar total visível em todo o país só deve ocorrer na noite entre 25 e 26 de junho de 2029.

O apelido “Lua de Sangue” não é um termo técnico usado pela comunidade científica, mas uma referência popular à tonalidade avermelhada que a Lua assume durante a fase de maior cobertura. A denominação se popularizou nos últimos anos em coberturas de eclipses ao redor do mundo, embora o fenômeno em si, a dispersão da luz solar pela atmosfera terrestre, seja o mesmo que provoca o efeito em qualquer eclipse lunar total ou de grande magnitude, como o desta semana.

A duração total da fase parcial, mais perceptível a olho nu, deve chegar a cerca de três horas e vinte minutos, contando do início ao fim do encobrimento parcial do disco lunar. Câmeras de celular com boa estabilização e um pouco de aproximação óptica costumam captar razoavelmente bem a coloração avermelhada, ainda que sem o mesmo nível de detalhe de equipamentos astronômicos profissionais.

Canais usam IA para erotizar a escravidão e monetizar no YouTube

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Foto: reprodução/Youtube

Levantamento mapeou 150 canais que usam IA para romantizar a escravidão no Brasil e lucrar com anúncios, somando 80 milhões de visualizações.

Um vídeo publicado no YouTube com o título “O coronel que dividia a esposa com 7 escravos” ultrapassou 1,5 milhão de visualizações e recebeu mais de 1,5 mil comentários. A narração, gerada por inteligência artificial, situa o episódio em Minas Gerais, no ano de 1864, e apresenta nomes de personagens, propriedades e datas específicas, sem indicar qualquer fonte histórica. O YouTube sinaliza o uso de IA no material, mas isso não impede a circulação.

O vídeo integra um levantamento da BBC News Brasil, assinado por Luiz Fernando Toledo e publicado em 25 de agosto, que identificou ao menos 150 canais dedicados a esse tipo de conteúdo. Juntos, eles somam cerca de 80 milhões de visualizações e mais de 1 milhão de inscritos, com produção em português, inglês, espanhol e francês, distribuída entre Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Espanha e França.

Outro exemplo mapeado pela reportagem acompanha a personagem fictícia Eulália Mendes de Albuquerque, casada com um rico proprietário de escravizados, que passaria a se relacionar sexualmente com um deles, chamado Tomé. O vídeo chega a afirmar que arqueólogos da USP teriam encontrado a ossada dos dois. Procurada pela reportagem, a universidade não encontrou registro de tal descoberta, e uma busca pelo nome da personagem mostra o mesmo enredo reproduzido, sem qualquer fonte, em outras páginas e até em inglês.

Variações da história do coronel, com mudanças de nomes, datas e países, foram publicadas por mais de 30 outros canais mapeados pela BBC News Brasil, mantendo sempre a mesma premissa e a promessa de revelar um episódio desconhecido da escravidão.

Nos comentários, uma pessoa escreveu “acredito sim, toda vida existiram belos canalhas”, tratando a história como fato, enquanto outra questionou a origem das informações com “quem registrou esses detalhes?”. Há também espectadores que reconhecem o conteúdo como ficção gerada por IA, caso de quem escreveu apenas “ChatGPT tá criativo mesmo”.

Os vídeos costumam ter cerca de uma hora de duração, com imagens que simulam fotografias de época e títulos construídos para gerar choque, como “O escravo gigante de olhos azuis que fez a sinhá enlouquecer” e “A escrava que engravidou do coronel e virou sinhá”. Segundo a reportagem, esse formato ganhou força primeiro nos Estados Unidos, há cerca de dois anos, e passou a ser reproduzido por canais brasileiros a partir de 2025.

A produção está ligada a um mercado de conteúdo gerado por IA voltado para monetização rápida, que especialistas chamam de AI Slop. A BBC News Brasil identificou o responsável por um dos canais, o criador de conteúdo Diego Souza, que soma quase 1 milhão de seguidores no Instagram. Ele confirmou administrar a página e disse que os vídeos sobre escravidão foram publicados apenas para atingir os requisitos mínimos de monetização do YouTube. “O conteúdo é usado apenas para monetizar. Depois que monetiza, é trocado o nicho”, afirmou. Os vídeos foram removidos do canal após o contato da reportagem.

Historiadoras consultadas pela BBC News Brasil apontam que esse tipo de narrativa recria estereótipos raciais e sexuais antigos. Para Keila Grinberg, da Universidade de Pittsburgh, “são mitos profundamente racistas e sexistas”. Já Lorena Telles, da Universidade Federal de São Paulo, descreve o material como “um apelo à sexualização e à erotização nas relações escravistas”.

Procurado pela reportagem, o YouTube afirmou tomar medidas contra canais que violam suas diretrizes de forma recorrente ou grave, incluindo desmonetização e encerramento de contas, mas não detalhou quais vídeos foram removidos. Após o posicionamento da plataforma, a BBC News Brasil refez a checagem dos 150 canais mapeados e constatou que cerca de 10% deles já não estavam mais no ar.

Beyoncé anuncia edição especial de “B’Day” com 27 faixas e versões em espanhol

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Foto: divulgação

Reedição de B’Day, de Beyoncé, chega em 4 de setembro com 27 faixas, incluindo inéditas e versões em espanhol nunca lançadas do álbum original.

Beyoncé confirmou a data e a lista de faixas da edição comemorativa de 20 anos de “B’Day”, seu segundo álbum de estúdio. A reedição chega às plataformas e em formato físico em 4 de setembro, com 27 faixas ao todo, incluindo inéditas e versões em espanhol nunca lançadas antes. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (26) pela própria artista e confirmado por reportagem da Billboard, assinada por Gil Kaufman.

O pacote reúne as 13 faixas do álbum original, lançado em setembro de 2006, somadas a lados B, remixes estendidos e traduções em espanhol de clássicos como “Irreplaceable”, que ganha a versão “Irreemplazable”, e “Beautiful Liar”, renomeada “Bello Embustero”. A lista também traz “Amor Gitano”, dueto com Alejandro Fernandez, e “Listen (Oye)”, além do single mais recente da cantora, “Morning Dew (Donk)”, lançado no início deste mês e que já havia rendido a Beyoncé um recorde de permanência na Billboard Hot 100.

A edição sai em três formatos. A versão deluxe em vinil duplo, com quatro discos prensados em azul-baiano de 180 gramas, custa US$ 149,98, cerca de R$ 773,86, e inclui um encarte comemorativo de 60 páginas com fotos inéditas e duas gravuras colecionáveis. Uma versão limitada em dois discos de vinil, também de 180 gramas, sai por US$ 44,98, em torno de R$ 232,08, com encarte de 16 páginas. Já a versão em CD, com o mesmo encarte reduzido, custa US$ 14,98, aproximadamente R$ 77,29. Todos os formatos estão em pré-venda no site oficial da cantora, que registrou instabilidade no acesso logo após o anúncio, por conta da demanda de fãs.

“B’Day” original venceu o Grammy e estreou no primeiro lugar da Billboard 200, com produção assinada por nomes como Ne-Yo, the Neptunes, Stargate, Swizz Beatz, Darkchild e Nellee Hooper, além da própria Beyoncé. O álbum marcou o início de uma fase de maior autonomia criativa da cantora, que passou a assumir a coprodução de praticamente todas as faixas depois do primeiro disco solo, “Dangerously in Love”, de 2003. O disco gerou hits como “Déjà Vu”, parceria com Jay-Z que chegou ao quarto lugar da Billboard Hot 100, “Ring the Alarm”, que alcançou a décima primeira posição, e “Beautiful Liar”, parceria com Shakira que chegou ao terceiro lugar do ranking.

O disco já havia recebido uma reedição deluxe menos de oito meses após o lançamento original, em 2007, que introduziu justamente o dueto com Shakira e as primeiras versões em espanhol de faixas do álbum. Aquela edição veio acompanhada do “B’Day Anthology Video Album”, com 13 videoclipes dirigidos por nomes como Jake Nava, Sophie Muller, Diane Martel, Melina Matsoukas e Anthony Mandler, além da própria cantora. A nova edição de 20 anos amplia esse material com faixas que ficaram de fora até da versão deluxe de 2007, incluindo “Kitty Kat”, “Freakum Dress”, “Green Light”, “Check on It” e “Flaws and All”, que passam a integrar oficialmente o pacote comemorativo.

A nova edição chega em meio à “Cowboy Carter Tour”, que Beyoncé vem realizando desde o lançamento do álbum “Cowboy Carter”, de 2024, sucessor de “Renaissance”, de 2022. Veículos especializados em música, como Billboard e Portal Popline, apontam que o relançamento de “B’Day” funciona como um intervalo enquanto a cantora prepara o terceiro capítulo dessa trilogia de álbuns, batizado provisoriamente de “act III” e apontado por parte da crítica musical como um projeto voltado ao rock, com o objetivo de resgatar as raízes negras do gênero, historicamente apagadas pela indústria fonográfica.

Entre as inéditas do pacote, chama atenção “My First Time”, “Can I Watch You”, “Welcome to Hollywood”, “Lost Yo Mind”, “Creole” e “Back Up”, faixas que circulavam entre colecionadores em versões vazadas e nunca haviam recebido lançamento oficial. A inclusão desse material consolida a versão de 20 anos como a mais completa já publicada do álbum, reunindo em um único pacote praticamente uma década de material disperso entre reedições, vazamentos e versões regionais.

A pré-venda do vinil deluxe já está disponível no site oficial da artista, com envio previsto para 4 de setembro, data em que a edição completa também chega às plataformas de streaming.

Pesquisa aponta que mulheres negras são maioria entre empreendedoras, mas informalidade limita negócios

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52,3% das mulheres empreendedoras no Brasil se declaram negras/Foto: Unsplash
Estudo do Instituto RME mostra que 52,3% das empreendedoras brasileiras são pretas ou pardas; entre elas, taxa de informalidade chega a 42,8%

As mulheres negras representam a maioria das empreendedoras no Brasil, mas ainda enfrentam obstáculos que podem limitar o crescimento de seus negócios. É o que aponta a Pesquisa Nacional do Instituto RME 2026, que reúne dados sobre o empreendedorismo feminino no país.

Segundo o levantamento, 52,3% das mulheres empreendedoras brasileiras se declaram negras, pretas ou pardas. O grupo mantém a liderança em toda a série histórica da pesquisa. As mulheres brancas representam 45% das empreendedoras, enquanto amarelas e indígenas correspondem a 0,9% e 1,1%, respectivamente. A pesquisa utilizou uma metodologia integrada, com fontes secundárias (estudos, documentos e indicadores oficiais) e fontes primárias (questionário, grupos focais e entrevistas). Foram 95 mulheres ouvidas nas cinco regiões do país.

Apesar de serem maioria, as empreendedoras negras apresentam uma taxa de informalidade significativamente maior do que a registrada entre as não negras. De acordo com a pesquisa, 42,8% das mulheres negras empreendedoras estão na informalidade, contra 24,5% das não negras, uma diferença de 75%.

A informalidade pode criar barreiras para a expansão dos negócios. Entre os impactos apontados pelo estudo estão o menor acesso a crédito bancário, auxílio-doença e aposentadoria, fatores que podem aumentar a vulnerabilidade financeira das empreendedoras e dificultar a sustentabilidade das empresas.

O levantamento também chama atenção para a localização das empreendedoras. 16,5% vivem em bairros urbanos afastados dos centros e fazem parte de comunidades tradicionais, como ribeirinhas e quilombolas.

Nesses territórios, empreender envolve desafios que vão além da gestão do negócio. A aquisição de insumos, as dificuldades de transporte e o acesso aos mercados estão entre os obstáculos enfrentados por essas mulheres para produzir e comercializar seus produtos.

A pesquisa também aponta que a sobrecarga relacionada às tarefas de cuidado é um dos fatores que ainda dificultam o crescimento dos negócios comandados por mulheres. O cenário evidencia como questões sociais e econômicas se cruzam na trajetória das empreendedoras, especialmente entre aquelas que enfrentam maior vulnerabilidade.

Oscar 2027: filmes negros habilitados a representar o Brasil

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Foto: Acervo/Globo Filmes / Divulgação

Academia Brasileira de Cinema divulga 15 longas habilitados a representar o país; Malês, Feito Pipa e mais seis trazem protagonismo negro na disputa.

A Academia Brasileira de Cinema divulgou nesta segunda-feira, 24 de agosto, a lista com os 15 longas-metragens habilitados a concorrer a uma indicação na categoria Melhor Filme Internacional do Oscar 2027. Entre os títulos, oito trazem protagonismo negro em diferentes frentes, seja pela direção, pelo elenco ou pela temática: “Malês”, “A Fabulosa Máquina do Tempo”, “Ato Noturno”, “Cinco Tipos de Medo”, “Dolores”, “Feito Pipa”, “Quando Vira a Esquina” e “Vicentina Pede Desculpas”.

“Malês”, de Antonio Pitanga, é ambientado na Salvador de 1835 e acompanha dois jovens muçulmanos arrancados de sua terra natal na África e escravizados no Brasil, que se veem envolvidos na Revolta dos Malês, maior insurreição de escravizados da história do país. O filme é uma coprodução da Tambellini Filmes com a Globo Filmes e já está disponível no catálogo do Canal Brasil e do Telecine.

“Feito Pipa”, de Allan Deberton, tem Lázaro Ramos no papel de Batista, pai do protagonista Gugu, vivido pelo ator mirim Yuri Gomes. Os dois são baianos, e Lázaro Ramos é um dos atores negros mais premiados do cinema brasileiro. O longa venceu o Urso de Cristal no Festival de Berlim e o Kikito de Melhor Ator Coadjuvante no Festival de Gramado 2026, e chega aos cinemas em 24 de setembro.

“Cinco Tipos de Medo”, de Bruno Bini, tem Bella Campos como Marlene, enfermeira presa a um relacionamento abusivo com Sapinho, traficante interpretado pelo rapper Xamã em sua estreia em uma produção audiovisual. O elenco conta ainda com Rejane Faria no papel de Antonia. O filme, rodado na periferia de Cuiabá, venceu o Kikito de Melhor Filme no Festival de Gramado 2025.

“Vicentina Pede Desculpas”, de Gabriel Martins, diretor de “Marte Um”, tem a mineira Rejane Faria no papel-título, uma professora aposentada de 75 anos que busca as famílias das vítimas de um acidente de ônibus causado pelo próprio filho. A produção, parceria entre a Netflix e a Filmes de Plástico, estreia internacionalmente no Festival de Toronto em setembro e disputa a Concha de Ouro no Festival de San Sebastián.

“Dolores”, de Maria Clara Escobar e Marcelo Gomes, acompanha três gerações de mulheres de uma mesma família na periferia de São Paulo. Deborah, filha da protagonista, é vivida por Naruna Costa, e a neta Duda por Ariane Aparecida, que descreveu o elenco como uma celebração da trajetória de atrizes negras no cinema brasileiro, ao lado de Zezé Motta e Teca Pereira.

“A Fabulosa Máquina do Tempo”, de Eliza Capai, é um documentário rodado no sertão do Piauí que acompanha meninas de Guaribas entre a infância e a adolescência, revisitando as histórias de suas mães e avós marcadas pela pobreza e pela desigualdade. “Ato Noturno”, de Marcio Reolon e Filipe Matzembacher, acompanha um ator em início de carreira e um político que vivem um caso em segredo em Porto Alegre. “Quando Vira a Esquina”, documentário de estreia de Chris Alcazar, dá voz às mulheres que trabalham na Vila Mimosa, no Rio de Janeiro, reduto de prostituição mais antigo do país.

A Comissão de Seleção da Academia Brasileira de Cinema se reúne no dia 9 de setembro para definir a pré-lista com seis títulos que avançam à etapa final do processo. O representante do Brasil na categoria será anunciado no dia 16 de setembro, e a cerimônia do Oscar 2027 acontece em 14 de março do próximo ano.

O país venceu pela primeira vez a categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar 2025, com “Ainda Estou Aqui”. Na edição seguinte, o Brasil conquistou sua segunda indicação em Melhor Filme e repetiu a presença em Filme Internacional com “O Agente Secreto”.

Confira a lista completa divulgada pela Academia Brasileira de Cinema:

100 Dias, de Carlos Saldanha
A Conspiração Condor, de André Sturm
A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai
A Natureza das Coisas Invisíveis, de Rafaela Camelo
Ato Noturno, de Marcio Reolon e Filipe Matzembacher
Cinco Tipos de Medo, de Bruno Bini
Dolores, de Maria Clara Escobar e Marcelo Gomes
Feito Pipa, de Allan Deberton
Herança de Narcisa, de Clarissa Appelt e Daniel Dias
Malês, de Antonio Pitanga
Nosso Segredo, de Grace Passô
O Rei da Internet, de Fabrício Bittar
Papagaios, de Douglas Soares
Quando Vira a Esquina, de Chris Alcazar
Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins

Issa Rae deve lançar nova série de comédia em parceria com a HBO

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Issa Rae e Prentice Penny
Issa Rae e Prentice Penny colaboram para o primeiro episódio da série

De “Insecure”, a atriz teria ganhado sinal verde para nova produção em parceria com Prentice Penny

A atriz e produtora norte-americana Issa Rae estaria planejando uma nova produção junto à HBO, segundo o The Wrap. A criadora da série “Insecure”, um de seus maiores sucessos, teria recebido sinal verde para um episódio piloto de uma nova série de comédia sobre amizade masculina

Ainda sem título, a série acompanha Menzel, um barbeiro de 30 anos, aspirante a empresário esportivo e melhor amigo de JB, um boxeador promissor, enquanto eles lidam com ambição, insegurança, solidão e o sucesso no mundo arriscado do boxe profissional em Las Vegas. 

Rae escreveu e produziu a série, juntamente a Prentice Penny, que também colaborou com a série “Insecure”. Ele foi escolhido para dirigir o episódio piloto e atuar como showrunner e produtor executivo. 

Esta é a quarta colaboração de Raes com a HBO. Dentre as outras produções estão a vencedora do Emmy de 2021 “Insecure”, a comédia “A Black Lady Sketch Show” e “Rap Sh!t”.

Ricardo Silvestre, fundador da Black Influence, amplia atuação empresarial e cria agência voltada a modernizar o agenciamento publicitário 

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Ricardo Silvestre é criador da Black Influence e CEO da ERA
Ricardo Silvestre é criador da Black Influence e CEO da ERA/Crédito: Jordan Vilas

Após sete anos à frente da Black Influence, publicitário lança a ERA, talent company criada em parceria com os sócios da MField, e amplia atuação para entretenimento, conteúdo, propriedade intelectual e desenvolvimento de talentos

Ricardo Silvestre, publicitário de 30 anos, fundador da agência Black Influence e um dos 30 profissionais mais influentes do mercado de marketing e comunicação, sendo o único negro da lista, estreia uma nova fase da carreira com a criação da ERA, talent company criada em parceria com os sócios da MField. 

Após sete anos no mundo empresarial com a Black Influence, Silvestre ganhou relevância no setor, combinando negócios, influência, cultura e diversidade. A agência já colaborou com grandes marcas, como Meta, Pinterest, L’Oréal, Magazine Luiza e Prime Video. Em uma nova fase, a Black Influence atuará estrategicamente com consultoria cultural, projetos especiais, conteúdos e desenvolvimento de plataformas culturais. 

A ERA, na qual Silvestre atua como CEO e sócio, possui a proposta de desenvolver talentos para além do modelo tradicional de agenciamento publicitário. Segundo Silvestre, a empresa nasce com a tese de que talentos não devem constituir apenas faturamento, mas sim, patrimônio. 

A agência representa um movimento de expansão empresarial na vida de Silvestre e sintetiza uma de suas reflexões: “O próximo passo da creator economy não está apenas em vender mais campanhas, mas em transformar a relevância em negócios, diz o empresário.

“Passei muitos anos ajudando marcas a gerar valor a partir da cultura. Agora quero construir estruturas em que talentos e movimentos culturais também participem da propriedade desse valor”.

Nessa nova fase da carreira, Silvestre quer consolidar cada vez mais sua presença no mercado empresarial, para além da figura de publicitário. Diversidade e influência ainda fazem parte de seu portfólio, mas agora, quer ampliar esse território  para as áreas de entretenimento, experiências culturais, propriedade intelectual, conteúdo, desenvolvimento de talentos e plataformas que possam conectar o Brasil a mercados internacionais. 

Além da Black Influence e da ERA, Silvestre também é sócio da Peji, empresa dedicada à inteligência cultural, comportamento e consumo da população negra brasileira.

Único profissional negro entre os 30 mais influentes da comunicação e do marketing no Brasil

Ricardo Silvestre foi reconhecido como um dos 30 profissionais mais influentes da comunicação e do marketing no Brasil, sendo o único negro da lista. 

A relação faz parte do estudo inédito “Pulso 2026/2027 – Influência Digital e Liderança”, desenvolvido pela consultoria de influência reputacional Deck em parceria com a empresa de inteligência analítica Nexus. 

“Ser reconhecido como um dos profissionais mais influentes do país é importante. Ser o único profissional negro dessa lista também diz muito sobre o mercado que ainda precisamos construir”, diz Silvestre sobre o reconhecimento.

Ao longo de sua trajetória, Silvestre foi reconhecido por algumas das principais instituições e premiações do mercado criativo e empresarial, como Forbes Under 30, LinkedIn Top Voices Next Gen, MIPAD, entre as Pessoas Negras Mais Influentes do Mundo, uma iniciativa apoiada pela ONU, entre outros. 

“Eu não quero apenas ser reconhecido como alguém influente. Quero construir empresas, ativos e negócios que tenham valor para além da minha própria imagem”, conclui o empresário. 

“Crianças nunca deveriam ser espancadas”: escritor Touré aponta punição física como herança colonial em famílias afro-americanas

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Touré, jornalista e escritor norte-americano.
Foto: Reprodução/ @casanova.cabrera/ Brownstone Cowboys

No episódio 744 do “Subway Takes”, o jornalista e escritor Touré relaciona a violência física contra crianças negras nos EUA à história da escravidão e propõe outra ideia de parentalidade: educar pela comunicação.

Bater em uma criança pode ser chamado de disciplina, mas o que essa prática ensina sobre a forma como uma sociedade entende autoridade, cuidado e infância?

Essa é a provocação levantada pelo jornalista, escritor e crítico cultural norte-americano Touré em uma participação no “Subway Takes”, série apresentada pelo comediante Kareem Rahma em que convidados compartilham opiniões sobre diferentes assuntos. Touré é autor de livros como Who’s Afraid of Post-Blackness? e I Would Die 4 U: Why Prince Became an Icon, além de ter construído uma trajetória no jornalismo cultural e na televisão.

No episódio, Touré defende que crianças nunca deveriam ser espancadas nem submetidas a punições corporais. Para ele, educar não precisa envolver dor física e uma boa parentalidade exige comunicação.

A discussão ganha uma dimensão histórica quando o jornalista relaciona a prática da punição física à experiência dos afro-americanos durante e depois da escravidão nos Estados Unidos.

E o que isso tem a ver com as tradições africanas?

É nesse ponto que a fala de Touré estabelece uma conexão com a história africana.

O argumento apresentado por ele parte da ideia de que, em determinadas sociedades africanas anteriores à colonização europeia, crianças ocupavam uma posição de grande importância espiritual e comunitária. Em algumas tradições, crianças eram compreendidas como manifestações ou retornos de ancestrais.

Essa concepção aparece, por exemplo, em registros sobre os Kalenjin, no Quênia, entre os quais existia a crença de que crianças poderiam ser o retorno de ancestrais da linhagem. Estudos sobre tradições de ancestralidade em diferentes regiões africanas também registram concepções nas quais os ancestrais retornam ao mundo por meio das crianças.

O ponto central da discussão está menos em afirmar que “na África ninguém batia em crianças” e mais em questionar como a violência colonial e escravista modificou relações de autoridade e deixou heranças geracionais.

Uma outra ideia de parentalidade

É justamente nesse espaço que a fala de Touré ganha força: compreender a origem histórica de uma prática não significa aceitá-la como destino.

Se a violência foi utilizada durante séculos para produzir obediência, a construção de outras formas de autoridade também pode fazer parte da ruptura com essa herança.

“Good parenting requires communication” resume a proposta: crianças podem ser educadas por meio de conversa, limites, presença, responsabilidade e escuta, sem que a dor física seja utilizada como ferramenta de aprendizagem.

A discussão também desloca a pergunta. Em vez de “como fazer uma criança obedecer?”, a questão passa a ser como ensinar uma criança sem reproduzir sobre ela a violência que tantas gerações tiveram de suportar?

E, para famílias negras, essa reflexão pode ser também uma forma de olhar para a própria história sem naturalizar as violências que chegaram até o presente.

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