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GiroDelas promove experiências de lazer e conexão para mulheres negras no RJ: “Queremos criar possibilidades para muitas”

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Mulheres negras participam de encontro do GiroDelas no Rio de Janeiro
Foto: Divulgação

Evento reúne música, gastronomia, autocuidado e lazer em três encontros pensados para mulheres negras no Rio de Janeiro durante o mês de setembro.

Criar espaços para que mulheres negras possam simplesmente aproveitar a vida também é uma forma de construir pertencimento. É a partir dessa proposta que o GiroDelas realiza três encontros em setembro, na Casa Milagre, no Cosme Velho, no Rio de Janeiro.

Nos dias 12, 19 e 27 de setembro, das 13h às 18h30, a programação terá pocket shows de três cantoras, uma atração musical diferente a cada edição, além de DJs comandando uma seleção formada por 100% de música negra, nacional e internacional.

A programação também inclui experiências gastronômicas com chefs convidadas, ativações de marcas comandadas por afroempreendedores, ações de autocuidado e bem-estar e outros momentos voltados ao lazer e à convivência.

A proposta do GiroDelas é criar oportunidades para que mulheres negras circulem pela cidade, conheçam novos lugares e estabeleçam conexões que possam continuar para além do evento.

“Não queremos criar um espaço para poucas. Queremos criar possibilidades para muitas.”, declarou Patrícia Chaves, idealizadora do GiroDelas. 

Lazer, acesso e pertencimento

A escolha do formato também parte da compreensão de que muitas experiências são vividas de forma diferente quando existe uma comunidade para compartilhá-las. No GiroDelas, mulheres podem conhecer restaurantes e espaços culturais, ouvir música, dançar, descansar, experimentar novas atividades e construir relações em um ambiente pensado para elas.

O horário dos encontros também foi definido considerando diferentes realidades. A programação acontece durante o dia para que mães possam contar com suas redes de apoio por algumas horas, mulheres no puerpério possam participar quando se sentirem preparadas e outras convidadas consigam aproveitar a experiência e retornar para casa ainda durante o dia.

“A ideia é que o GiroDelas caiba na vida real dessas mulheres, e não que elas precisem abrir mão da própria vida para participar.”, destacou Patrícia. 

A comunidade também busca reunir mulheres com diferentes profissões, trajetórias, níveis de escolaridade e condições financeiras. A proposta é criar um ambiente de convivência em que essas diferenças não sejam obstáculos para a construção de novas relações.

Uma rede que continua depois da festa

Um dos aspectos centrais do GiroDelas é justamente o que acontece depois de cada encontro. A convivência entre as participantes já resultou em amizades, viagens, indicações profissionais e novas relações de consumo entre mulheres da própria comunidade.

A organizadora do projeto também é parte dessa dinâmica. Segundo ela, já contratou serviços de maquiagem, higienização e trancista de mulheres que conheceu por meio do evento.

A lógica transforma o encontro em uma porta de entrada para uma rede que continua se movimentando no cotidiano. Segundo Patrícia:

“O GiroDelas não termina quando o evento acaba. No fim, o que estamos construindo é uma rede.”

Black Money também faz parte da experiência

A escolha dos espaços e dos profissionais que participam da programação também integra essa proposta. A Casa Milagre, onde serão realizados os encontros de setembro, foi idealizada por Cidoca Nogueira, mulher negra que criou o espaço de hospitalidade a partir de referências de memória, afeto e acolhimento.

Para o GiroDelas, ocupar um empreendimento criado por uma mulher negra também significa fortalecer iniciativas negras e contribuir para a circulação de recursos dentro da própria comunidade.

Na programação musical, a escolha é igualmente intencional: DJs mulheres negras serão responsáveis pela trilha sonora, formada exclusivamente por música negra brasileira e internacional. A iniciativa também busca ampliar a visibilidade e as oportunidades para profissionais negras em um mercado historicamente marcado pela presença masculina.

A gastronomia segue a mesma lógica, com chefs negras convidadas para desenvolver cardápios exclusivos para cada encontro.

Assim, o lazer se conecta à valorização de profissionais, empreendedoras e iniciativas negras.

Uma comunidade em expansão

O GiroDelas completa dois anos em dezembro e prepara uma celebração especial na Casa Savana. Para 2027, a comunidade também prevê novas experiências, incluindo um encontro em um iate, pensado a partir da possibilidade de dividir coletivamente os custos de uma experiência que individualmente teria um valor elevado.

A proposta acompanha uma tendência de encontros voltados à socialização e ao lazer de mulheres negras que também vem ganhando espaço em cidades como Paris, Atlanta, Nova York, Londres e Belgrado.

“É sobre pertencimento, acesso, autocuidado e liberdade. É sobre descobrir que nós também podemos ocupar novos lugares, viver experiências de qualidade e ter o direito de simplesmente aproveitar a vida juntas.”

Serviço

GiroDelas — Casa Milagre
Datas: 12, 19 e 27 de setembro de 2026
Horário: 13h às 18h30
Local: Casa Milagre, Cosme Velho, Rio de Janeiro (RJ)
Programação: pocket shows, DJs, gastronomia, marcas negras, autocuidado, bem-estar e experiências de lazer.

Ingressos disponíveis no Sympla 

‘O problema nunca foi falta de talento’: Um dos poucos CEOs negros do país abre os hábitos que o sustentam além do crachá

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Denis Tassitano
Denis Tassitano é General Manager da Swile Brasil e criador do Best In Black/Foto: Divulgação



Para Denis Tassitano, CEO da Swile Brasil, sucesso profissional não se resume somente à competência. Em uma carreira de mais de 15 anos no mercado de tecnologia, o empresário aprendeu que talento, sozinho, nem sempre é suficiente para abrir portas, especialmente quando se fala em profissionais negros ocupando espaços de liderança.

“Na maioria das trajetórias de sucesso existe uma combinação entre repertório e conexões: o que você sabe e quem tem a oportunidade de saber o que você sabe”, afirma Tassitano. “Em determinadas fases da vida, precisamos alargar o foco para aquilo que exige mais de nós naquele momento”.

O executivo chegou à Swile Brasil após mais de uma década à frente da SAP, onde construiu uma trajetória em posições estratégicas e de negócios. Formado em Marketing pelo Mackenzie, com pós-graduação pela ESPM e extensão em Marketing pela Universidade de Nova York, sendo um dos poucos profissionais negros em cargo de liderança no Brasil, ele também se dedica a iniciativas de diversidade e inclusão voltadas à presença de grupos minoritários em cargos de destaque. Ele é co-fundador do Pacto A, organização que conecta profissionais negros a executivos experientes. Também criou o Best In Black, um programa de networking voltado a executivos e empreendedores negros.

Mas, para Tassitano, construir uma carreira não significa estar permanentemente conectado ao trabalho, nem tentar acompanhar todas as novidades que surgem em um mercado cada vez mais acelerado pela tecnologia e pela inteligência artificial. Ele defende que o equilíbrio pode ser construído ao longo do tempo, e não necessariamente todos os dias.

“Hoje, para mim, estar em movimento importa mais do que buscar performance”, diz. A mesma lógica se aplica à vida pessoal: entre caminhadas, viagens, museus e encontros com amigos e familiares, ele busca preservar relações que, segundo ele, permanecem mesmo quando empresas, cargos e ciclos profissionais terminam.

Ao Mundo Negro, entrevista concedida à Editora-Chefe do Mundo Negro Silvia Nascimento , Tassitano fala sobre os desafios de sua trajetória como profissional negro em posição de liderança, a relação entre carreira e vida pessoal, como mantém o repertório em um mundo em constante transformação e por que considera as conexões humanas tão importantes quanto o sucesso profissional.

Para você ainda vale a premissa de que temos que ser duas vezes melhores que os brancos para se destacar?

Eu não acredito que precisamos ser duas vezes melhores. O problema nunca foi falta de talento. Muitas vezes, o talento simplesmente não chega aos lugares onde as oportunidades são decididas. E é aí que entra um ponto no qual eu bato constantemente: acesso, conexões. Muita gente acredita que repertório, conhecimento e competência, sozinhos, serão suficientes para abrir todas as portas. São fundamentais, claro, mas não bastam. Na maioria das trajetórias de sucesso existe uma combinação entre repertório e conexões: o que você sabe e quem tem a oportunidade de saber o que você sabe.

Por isso, para mim, a discussão não deveria ser sobre negros precisarem ser melhores. Precisamos ampliar o acesso aos espaços, às conversas, às pessoas e às oportunidades onde o talento possa ser reconhecido.

Obama já disse em entrevista que é impossível equilibrar carreira com vida pessoal. Você concorda? Como você sabe em que momento o que deve ser priorizado?

Eu concordo que existem momentos em que o equilíbrio simplesmente não vai existir e não vejo necessariamente isso como um problema. Em determinadas fases da vida, precisamos alargar o foco para aquilo que exige mais de nós naquele momento.

Pode ser a busca por uma promoção, a adaptação a um novo cargo ou empresa, ou a preparação para um objetivo específico de carreira. Mas também pode acontecer exatamente o contrário: uma doença nossa ou de alguém próximo, o nascimento de um filho ou qualquer situação que faça a vida pessoal exigir muito mais atenção.

Quando falamos em falta de equilíbrio, quase sempre imaginamos o trabalho invadindo a vida pessoal, mas nem sempre é assim. Eu gosto de pensar na vida como uma prova de longa distância. Um corredor pode dar tudo de si em determinado trecho, sabendo que depois precisará recuperar o fôlego e administrar melhor o ritmo. Acho que a vida funciona um pouco assim. O equilíbrio não precisa existir todos os dias, mas precisa existir ao longo do percurso.

📷 Newton Santos/Divulgação

Vivemos em uma época em que ferramentas de trabalho ligadas à tecnologia são atualizadas semanalmente, entre outros aspectos profissionais afetados pela IA. Como você se organiza para acompanhar essa atualização? Cursos, leituras, podcasts? Pode indicar para a gente o que você consome?

Eu desisti há algum tempo de tentar acompanhar tudo. Isso já era impossível e a IA só deixou essa impossibilidade mais evidente. Minha preocupação hoje é outra: manter a curiosidade e ampliar a minha visão de mundo.

Leio menos livros do que gostaria, é uma batalha constante, mas consumo muitos artigos, podcasts e audiobooks. Faço cursos, converso com pessoas de áreas e gerações diferentes e estudo temas que, muitas vezes, parecem não ter nenhuma relação com o meu trabalho. Uma dica prática é treinar o seu feed. Se não dá para vencer o algoritmo, junte-se a ele! Navegue menos, mas faça com que o tempo gasto ali também alimente seus interesses.

Quando quero aprender sobre algo, uso uma regra simples: três livros, três podcasts, três audiobooks e bons perfis sobre o tema. Isso me ajuda a criar repertório sem a pretensão de dominar tudo.

A atividade física é algo quase inegociável para grandes líderes. Você treina ou tem alguma atividade física regular?

Por incrível que pareça, não tenho uma atividade física regular há algum tempo, mas estou sempre em movimento. Ando muito pela cidade, gosto especialmente de caminhadas noturnas e, quando viajo, caminho por todos os lados. Para mim, é uma das melhores formas de conhecer um lugar, inclusive São Paulo, que é a cidade onde vivo.

No escritório, prefiro as escadas ao elevador e tenho o privilégio de morar em um bairro onde grande parte da vida acontece a uma distância agradavelmente caminhável.

Agora estou retomando a academia à noite, com exercícios leves e sauna. Meu objetivo mudou: não quero bater recordes. Quero manter a forma, preservar a memória muscular que construí desde a adolescência e envelhecer bem.

Hoje, para mim, estar em movimento importa mais do que buscar performance.

Socializar e ter amigos é cada vez mais fundamental em um mundo acelerado. Como você inclui a convivência com amigos e também família na sua rotina?

No livro “Os 5 principais arrependimentos que as pessoas têm antes de morrer”, de Bronnie Ware, que trabalhou durante anos com pacientes em cuidados paliativos, identificou cinco arrependimentos recorrentes no fim da vida. Um deles é muito simples e poderoso: “Eu gostaria de ter mantido contato com meus amigos”. Definitivamente, esse não será um arrependimento meu. Falamos muito de saúde física e mental, mas ainda pouco de saúde social. Eu acredito profundamente no poder das relações. Networking nunca foi colecionar contatos; é construir relações genuínas, no trabalho, nas amizades e, principalmente, na família.

Por isso, eu produzo encontros, viajo, vou a museus, encontro amigos, converso sem pauta. Nem todo encontro precisa produzir alguma coisa, mas precisamos produzir o encontro. Falta de tempo não pode ser sempre a justificativa para deixarmos as relações para depois. Talvez um dos riscos desta época seja transformar tudo em produtividade. Até o descanso virou performance. Eu preservo espaços de conexão como fundamentais na minha rotina, seja presencial ou virtual.

Cargos mudam, empresas mudam, ciclos terminam. Relações permanecem.

No final, não quero construir uma carreira extraordinária às custas de uma vida medíocre sem conexão com pessoas.

*Entrevista concedida à Editora-Chefe do Mundo Negro Silvia Nascimento

Justus Kelley é a primeira mãe a vencer o Miss USA

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Justus Kelley com a coroa de Miss USA 2026
Foto: Reprodução/ @rezanationmedia

Mulher negra, casada e mãe de acolhimento de duas crianças, Kelley conquistou a coroa aos 31 anos, após o concurso ampliar suas regras de elegibilidade.

A modelo e escritora Justus Kelley fez história ao ser coroada Miss USA 2026. Ela se tornou a primeira mãe e mulher casada a conquistar o título na história do concurso.

Kelley, que anteriormente foi Miss Virginia USA, assumiu a coroa após o Miss USA ampliar suas regras de elegibilidade e deixar de restringir a participação de mulheres de acordo com seu estado civil ou condição parental.

A mudança permitiu que mulheres casadas e mães disputassem o título — uma possibilidade que, para Kelley, havia ficado distante após o casamento.

Agora, aos 31 anos, ela ocupa o posto que também quebra esteriótipos acerca de quem pode chegar ao palco do Miss USA.

Da Virgínia à coroa nacional

Antes de conquistar o título nacional, Kelley representou a Virgínia no Miss USA. Além da carreira no universo dos concursos, ela atua como autora, é mãe de acolhimento de duas crianças e embaixadora global do St. Jude Children’s Research Hospital.

Sua trajetória também se conecta ao trabalho de cuidado e à atuação pública. Como embaixadora da instituição, participa de iniciativas relacionadas à conscientização e ao apoio às crianças atendidas pelo hospital.

Uma nova regra, uma nova possibilidade

A edição de 2026 acontece após o concurso alterar seus critérios de participação. A abertura para mulheres independentemente de casamento ou maternidade amplia o perfil de candidatas que podem disputar a principal coroa nacional dos Estados Unidos.

Para Kelley, a mudança representou a possibilidade de retornar a um espaço que ela havia imaginado não ocupar novamente depois de se casar.

A próxima etapa da competição levará a nova Miss USA a um palco internacional, onde ela disputará o título de Miss Universe.

1º Simpósio Afro de Tarô debate ancestralidade e identidade negra em SP

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Foto: gerada por IA

Evento híbrido acontece nos dias 17 e 18 de outubro, no Teatro Almadalma, e discute ancestralidade, identidade e o papel de pessoas negras dentro da prática oracular

O Grupo Mistérios da Luz promove, nos dias 17 e 18 de outubro, o 1º Simpósio Afro de Tarô – Pamela Colman Smith, evento voltado à discussão de ancestralidade, racismo, identidade e representatividade negra dentro do universo do tarô e das práticas oraculares. A programação reúne mais de 30 palestrantes ao longo dos dois dias, em formato híbrido, com transmissão online e atividades presenciais no Teatro Almadalma, em São Paulo.

O nome do simpósio faz referência a Pamela Colman Smith, ilustradora responsável pelas imagens do baralho de tarô mais popular do mundo, o Rider-Waite-Smith, cuja contribuição histórica costuma ser apagada ou secundarizada nas narrativas tradicionais sobre a origem do tarô moderno. A identidade visual do evento, com elementos como raízes, a flor protea, um turbante e uma estrela de oito pontas, foi desenvolvida para representar ancestralidade, identidade negra e conexão com diferentes tradições espirituais e de conhecimento.

Serviço

Evento: 1º Simpósio Afro de Tarô – Pamela Colman Smith
Data: 17 e 18 de outubro de 2026
Local: Teatro Almadalma, São Paulo (SP)
Formato: híbrido, presencial e online
Realização: Grupo Mistérios da Luz

Programação – Sábado (17/10), manhã (9h às 14h30)

  • 9h00 — Credenciamento, com entrega de pulseiras, crachás e café de boas-vindas
  • 9h50 — Luana Gonçalves, boas-vindas
  • 10h00 — Thays Camargo, abertura, “Bate Folhas”
  • 11h00 — Mesa Magna: Simbologia do Simpósio, sobre atravessamentos do tarô quanto à decolonialidade, a obra de Pamela Colman Smith e questões raciais, de gênero e classe
  • 12h00 — Vanessa Ribeiro, sobre a invisibilização e o reconhecimento das mulheres negras dentro da cartomancia
  • 12h30 — Isabel Gomes, “O Perigo da História Única: Feminino, Invisibilização e Memória no Tarô”
  • 13h00 — Alexsander Lepletier, sobre gênero, sexualidade e raça no tarô
  • 13h30 às 14h30 — Almoço

Programação – Sábado (17/10), tarde (14h30 às 21h)

  • 14h30 — Dr. Márcio Santos, sobre ferramentas legais de enfrentamento ao racismo e ao racismo religioso
  • 15h00 — Daniela Torres, “Pardo é Negro? Uma conversa sobre identidade, raça e pertencimento no Brasil”
  • 15h30 — Nei Naiff, sobre tarô em transformação e os novos caminhos da consciência oracular
  • 16h00 — Kelma Mazziero, sobre o acesso aos estudos na prática oracular
  • 16h30 — Eshe Orah, sobre grafologia
  • 17h00 — Lu Zanetta, “Ativando Exu Ancestral”
  • 18h00 — Rosana de Almeida, Prêmio Roberto Caldeira
  • 18h30 — Marina Caldeira, sobre como cultivar ancestralidade através do tarô
  • 19h às 21h — Mostra Cultural, com Sergio Moura e Fernando Picheli (“Carta de Amor ao Brasil”, às 19h) e Luter Nguzaule e Banda (“Meu Samba é Reza”, às 20h), além de entrevistas com Allice Nation ao longo do dia

Programação – Domingo (18/10), manhã (8h30 às 14h)

  • 8h30 — Café de recepção
  • 9h00 — Ana Rita, “Raízes nas Escolas: um oráculo sobre mulheres em sala de aula”
  • 10h00 — Deia Filhad’Água, “Kaá Timbó: Feitiçaria Brasileira”
  • 11h00 — Barbara Gregório, sobre ancestralidade e hoodoo nas Américas afrodiáspora
  • 11h30 — Luiza Papaleo, sobre uma visão holística de saúde através do tarô
  • 12h00 — Sabá Nefer, Kemetic Yoga
  • 13h às 14h — Almoço

Programação – Domingo (18/10), tarde (14h às 19h30)

  • 14h00 — Wagner Ribeiro, “Cantos, contos e cartas: encruzilhadas entre a musicovivência e o tarô”
  • 15h00 — José Roberval, sobre a branquitude imposta pelos tarôs europeus
  • 15h30 — Lolla Alonso, “Magia tem cor? Fortalecendo seu Ori”
  • 16h30 — Douglas Santos, sobre tons de pele e aspectos corporais na astrologia
  • 17h00 — Rafael Lima, sobre se toda expansão de consciência deve produzir realidade
  • 17h30 — Ione Reis, “Entre Folhas e Bênçãos: Ancestralidade, Ervas e Benzimento”
  • 18h30 — Jana Baps, reggae e desfile afro
  • 19h30 — Elenildes Silva, encerramento e legado

Rei de Uganda, monarca mais jovem do mundo, morre aos 34 anos

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Foto: ROBERTO SCHMIDT/AFP via Getty

O rei Oyo Nyimba, de Uganda, morreu aos 34 anos. Ele se tornou o monarca reinante mais jovem do mundo ao assumir o trono aos três anos.

O rei Oyo Nyimba Kabamba Iguru Rukidi IV, de Uganda, morreu na noite de quinta-feira (27), aos 34 anos, após ser tratado por uma doença não revelada nos Estados Unidos. A morte foi anunciada pelo primeiro-ministro do Reino de Tooro, Calvin Armstrong Rwomiire Akiiki, em publicação na rede social X. Oyo Nyimba se tornou o monarca reinante mais jovem do mundo ao assumir o trono aos três anos de idade, em 1995, após a morte do próprio pai, o rei Patrick David Matthew Kaboyo Rwamuhokya Olimi III.

Segundo Akiiki, o rei deixa um príncipe como herdeiro, cuja identidade só será revelada formalmente em cerimônia própria, conforme os costumes do reino. “A continuidade da Coroa está assegurada”, afirmou o primeiro-ministro em nota. A causa da morte não foi divulgada, mas um ministro do governo ugandense já havia dito, horas antes do anúncio, que o rei recebia tratamento médico crítico fora do país.

O Reino de Tooro é um dos reinos tradicionais de Uganda, localizado na região oeste do país, próximo à fronteira com a República Democrática do Congo. Fundado no início do século XIX, o reino foi extinto pelo governo ugandense em 1967, sob o então presidente Milton Obote, que buscava unificar politicamente o país eliminando as monarquias tradicionais. As instituições reais foram restauradas em 1993 como entidades culturais, sem poder político formal, mas mantendo forte influência simbólica e social sobre o povo batooro.

Coroado uma semana após o enterro do pai, o então príncipe de três anos passou por rituais tribais que o transformaram oficialmente em Omukama, título que significa “rei” no idioma local. Imagens da época mostram a criança brincando com brinquedos durante a cerimônia e chegando a tirar a coroa feita de pele de leão por considerá-la pesada demais. Até completar 18 anos, Oyo governou por meio de regentes nomeados pelo próprio reino, entre eles a mãe, a rainha Best Kemigisa, assumindo plenos poderes cerimoniais apenas em abril de 2010.

Ainda criança, o rei se tornou uma figura conhecida internacionalmente, recebendo atenção de líderes mundiais em eventos oficiais. Um dos vínculos mais marcantes de sua infância foi com o então líder da Líbia, Muammar Gaddafi, que fez diversas viagens a Uganda e apoiou financeiramente a família real de Tooro ao longo de anos, até sua morte, em 2011.

Já adulto, Oyo passou a se dedicar a projetos de desenvolvimento social e ambiental na região. Um dos mais conhecidos foi uma fazenda-modelo no distrito de Kyenjojo, que combinava pecuária leiteira, cultivo de café, banana, manga, tomate, criação de peixes, cabras e aves, aberta à visitação pública para ensinar técnicas agrícolas modernas à população local. Em 2022, ele liderou uma expedição real ao maciço Rwenzori, cadeia de montanhas com quase cinco mil metros de altitude, para chamar atenção aos efeitos do aquecimento global na região e promover o montanhismo como atividade turística em Uganda. A expedição resultou em um documentário produzido pela National Geographic, exibido internacionalmente em 2023.

Reservado em relação à vida pessoal, o rei nunca se casou e era frequentemente descrito na imprensa ugandense como o solteiro mais cobiçado do país. Em setembro do ano passado, o presidente do Parlamento ugandense chegou a prometer publicamente pagar o preço da noiva, tradição local, no dia em que o monarca decidisse se casar.

A morte pegou parte da população ugandense de surpresa, já que muitos não sabiam da gravidade do quadro de saúde do rei antes do anúncio oficial. O vice-presidente do Parlamento de Uganda, Thomas Tayebwa, declarou à agência de notícias AP que a notícia era “muito difícil de compreender”. Nas redes sociais, o músico e líder da oposição ugandense Bobi Wine também prestou homenagem ao monarca, desejando que sua alma descansasse em paz eterna.

Maju Coutinho anuncia primeira gravidez: “Malik, filho desejado”

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Foto: reprodução

Apresentadora do “Fantástico” e o marido, o artista visual Agostinho Paulo Moura, esperam o primeiro filho do casal, que se chamará Malik

A jornalista Maju Coutinho e o publicitário Agostinho Paulo Moura anunciaram nesta sexta-feira (28) a primeira gravidez do casal, que é casado desde 2009. Maju tem 48 anos e Agostinho, 62. O bebê, que se chamará Malik, será o primeiro filho da apresentadora do “Fantástico” e o terceiro do marido, que também se dedica às artes visuais como atividade paralela à publicidade. Nas redes sociais, o casal publicou fotos segurando uma roupa de bebê, e Maju escreveu: “mãe de primeira viagem e pai de terceira viagem embarcando no show da vida particular”.

Na mesma publicação, ela se declarou ao filho citando a canção “Boas-Vindas”, parceria de Caetano Veloso e Gilberto Gil lançada em 1991, sem detalhar outros planos para a gravidez ou a data prevista para o nascimento.

Maju é uma das principais apresentadoras da televisão brasileira. Formada em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, iniciou a carreira na TV Cultura antes de ingressar na TV Globo, em 2007. Em fevereiro de 2019, tornou-se a primeira mulher negra a integrar de forma fixa o corpo de apresentadores do “Jornal Nacional”, telejornal com quase cinco décadas de história até aquele momento. Em 2021, assumiu a apresentação do “Fantástico”, tornando-se apenas a segunda mulher negra a comandar o programa dominical desde sua estreia, em 1973, posto ocupado antes dela somente pela jornalista Glória Maria.

O desejo de engravidar já havia sido tema de declarações públicas de Maju em outras ocasiões. Em entrevista ao programa “Saia Justa”, do GNT, em 2024, ela relatou ter passado por diferentes fases em relação à maternidade ao longo da vida adulta, incluindo momentos de dúvida sobre separar um desejo genuíno da pressão social em torno do tema. Na mesma entrevista, revelou ter congelado óvulos e questionado a falta de estrutura da sociedade brasileira para lidar com esse tipo de decisão reprodutiva.

O anúncio gerou repercussão entre colegas de emissora, incluindo a atual apresentadora do “Fantástico” ao lado de Maju, Poliana Abritta, que comentou a publicação nas redes sociais.l apresentadora do “Fantástico” ao lado de Maju, Poliana Abritta, que comentou a publicação da amiga nas redes sociais.

É do Brasil: Alison dos Santos quebra recorde mundial dos 400m

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Foto: Fabrice COFFRINI / AFP) O recorde mundial nos 400 metros com barreiras renderá uma pre

O brasileiro Alison dos Santos quebrou o recorde mundial dos 400m com barreiras em Zurique, cravando 45s80 e superando a marca de Karsten Warholm.

O velocista brasileiro Alison dos Santos quebrou o recorde mundial dos 400 metros com barreiras na noite desta quinta-feira, em Zurique, na Suíça, ao cravar o tempo de 45s80 na etapa da Diamond League disputada no estádio Letzigrund. O resultado supera em 0,14 segundo a marca anterior, de 45s94, pertencente ao norueguês Karsten Warholm desde a final olímpica de Tóquio, em 2021. Dos Santos se tornou o primeiro atleta da história a correr a prova abaixo dos 45s90.

Warholm participou da mesma corrida e viu seu recorde cair em primeira mão, terminando em segundo lugar com o tempo de 46s69. Depois da prova, o norueguês afirmou que a marca fazia parte de sua carreira havia cinco anos e que via a superação como parte natural da evolução do esporte. Dos Santos, por sua vez, disse ter sentido a possibilidade do recorde ao longo de toda a temporada e ter conseguido executar o plano na noite certa.

O brasileiro chegou a Zurique como líder mundial da temporada, graças ao tempo de 46s43 obtido dias antes, em Chorzów, na Polônia, e vinha de cinco vitórias seguidas na prova em 2026. A pista de Zurique, com temperatura próxima aos 27 graus Celsius na noite da corrida, favoreceu condições consideradas ideais para provas de velocidade.

Aos 26 anos, Alison dos Santos, conhecido no meio esportivo pelo apelido de Piu, é natural de São Joaquim da Barra, no interior de São Paulo. Campeão mundial da prova em Eugene, nos Estados Unidos, em 2022, ele também soma duas medalhas de bronze olímpicas, conquistadas em Tóquio, em 2021, e em Paris, em 2024. Antes de se tornar o novo recordista mundial dos 400m com barreiras, já detinha o recorde mundial dos 200m com barreiras, prova de disputa rara no atletismo, além dos recordes sul-americanos dos 400m e dos 300m com barreiras.

A trajetória do atleta até o topo do esporte teve início marcado por um acidente doméstico. Aos dez meses de idade, Dos Santos sofreu queimaduras de terceiro grau na cabeça após um acidente com óleo quente na casa da avó, o que deixou cicatrizes visíveis na testa, no couro cabeludo e no rosto e o levou a permanecer hospitalizado por quatro meses. A timidez decorrente das marcas o afastou de outras crianças na infância, até que o esporte, primeiro o judô e depois o atletismo, o ajudasse a superar esse período.

Os 400 metros com barreiras masculinos vivem, desde 2021, um dos períodos mais disputados de sua história. Antes daquele ano, o recorde mundial pertencia ao norte-americano Kevin Young desde os Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992, e havia permanecido praticamente intocado por quase três décadas. Na final olímpica de Tóquio, Warholm, Dos Santos e o norte-americano Rai Benjamin correram, na mesma prova, os três melhores tempos já registrados na história da modalidade até então, com Warholm estabelecendo a marca de 45s94 e Benjamin batendo o recorde americano com 46s17. O trio segue como referência da prova, revezando-se no posto de melhor tempo do mundo ao longo dos últimos cinco anos.

O novo recorde de Dos Santos ainda depende da homologação padrão da World Athletics, entidade que rege o atletismo mundial, processo que costuma ser tratado como formalidade em casos de resultados obtidos em competições oficiais com controle antidoping. Warholm, Dos Santos e Benjamin devem se enfrentar novamente entre os dias 11 e 13 de setembro, em Budapeste, na Hungria, na primeira edição do World Athletics Ultimate Championship, torneio que reunirá os principais nomes do atletismo mundial fora do calendário tradicional de Mundiais e Olimpíadas.

Um dos crimes raciais mais brutais dos EUA completa 71 anos

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Foto: National Museum of African American History and Culture/ Getty Images

O assassinato de Emmett Till, menino negro de 14 anos morto no Mississippi em 1955, completa 71 anos nesta sexta-feira, ainda sem responsabilização judicial.

Emmett Louis Till, menino negro de 14 anos, foi sequestrado e assassinado na madrugada de 28 de agosto de 1955 na cidade de Money, no Mississippi, por Roy Bryant e seu meio-irmão J.W. Milam. O crime completa 71 anos nesta sexta-feira e segue como um dos episódios mais citados na história da luta antirracista estadunidense. Till havia viajado de Chicago para passar as férias de verão com parentes no Sul do país quando foi acusado por Carolyn Bryant, esposa de Roy, de tê-la assediado dentro da mercearia da família em Money.

Bryant e Milam retiraram Till da casa de seu tio-avô, Moses Wright, por volta das duas e meia da madrugada. Segundo relatos posteriores dos próprios acusados, o menino foi espancado, teve um dos olhos arrancado, levou um tiro na cabeça e foi jogado no rio Tallahatchie com um ventilador de descaroçar algodão amarrado ao pescoço com arame farpado. O corpo foi encontrado três dias depois, em 31 de agosto, e identificado por Wright a partir de um anel com as iniciais do avô de Till, gravadas na peça.

Foto: National Museum of African American History and Culture/ Getty Images

Bryant e Milam foram julgados em setembro daquele ano por um júri formado exclusivamente por homens brancos, já que negros e mulheres brancas estavam impedidos de compor o corpo de jurados no Mississippi da época. A absolvição veio depois de apenas 67 minutos de deliberação. Protegidos pela garantia constitucional que impede um novo julgamento pelo mesmo crime, os dois homens confessaram o assassinato meses depois, em entrevista paga à revista Look, sem que isso resultasse em qualquer punição.

A mãe de Till, Mamie Till Bradley, tomou uma decisão que mudaria o rumo do caso ao insistir em um funeral de caixão aberto em Chicago, para que o mundo visse o que havia sido feito com seu filho. Milhares de pessoas passaram pelo velório na Igreja de Deus do Templo Roberts, e a revista Jet, voltada ao público negro, publicou fotografias do corpo mutilado, gerando comoção em todo o país. O jornalista Simeon Booker, que cobriu o caso para a publicação, relatou décadas depois em entrevista ao Civil Rights History Project, da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, que a circulação da revista disparou após a publicação das imagens.

Foto: Foto: National Museum of African American History and Culture/ Getty Images

O caso ultrapassou fronteiras e ganhou repercussão na Europa em meio à Guerra Fria, quando a opinião pública internacional acompanhava de perto os episódios de racismo nos Estados Unidos. Jornais da França, da Bélgica e da Alemanha classificaram a absolvição como escândalo judicial. O periódico alemão Freies Volk resumiu a indignação em uma frase direta, publicada em setembro de 1955: “a vida de um negro não vale um assobio”.

Nos Estados Unidos, o impacto sobre a geração de jovens negros que acompanhou o julgamento e viu as fotos na Jet foi decisivo para o fortalecimento do movimento pelos direitos civis nos anos seguintes. A socióloga Joyce Ladner, que cresceu no Mississippi na mesma época, cunhou posteriormente o termo “Geração Emmett Till” para descrever os jovens negros nascidos no baby boom sulista que passaram a se engajar em sentadas, marchas e campanhas de registro eleitoral após o crime.

Foto: National Museum of African American History and Culture

O caso permaneceu sem solução judicial completa por décadas. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos reabriu a investigação em 2018, depois que um livro revelou que Carolyn Bryant Donham teria admitido, em conversa com um pesquisador, que parte de seu depoimento original era falsa. A investigação foi encerrada em 2021 sem apresentação de novas provas suficientes. Em junho de 2022, um mandado de prisão contra Donham, nunca cumprido desde 1955, foi encontrado no porão do tribunal do condado de Leflore, o que levou familiares de Till a pedir sua prisão. Um grande júri do mesmo condado, no entanto, decidiu em agosto daquele ano não indiciá-la por falta de provas suficientes para as acusações de sequestro e homicídio culposo. Donham morreu em abril de 2023, aos 88 anos, sem jamais responder judicialmente pelo caso.

Em março de 2022, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, sancionou o Emmett Till Antilynching Act, lei federal que passou a classificar o linchamento como crime de ódio no país, mais de um século depois das primeiras tentativas frustradas do Congresso de aprovar legislação semelhante.

Para quem deseja entender em detalhes a cronologia do caso e seus desdobramentos, o filme “Till: A Busca por Justiça”, de 2022, dirigido por Chinonye Chukwu, reconstrói a investigação conduzida por Mamie Till Bradley após a morte do filho e está disponível em plataformas de streaming.

Foto: Divulgação/Orion Pictures

O sonho de Dr. King na Marcha sobre Washington

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Foto: Getty Imagens

A Marcha sobre Washington por Emprego e Liberdade completa 63 anos nesta sexta, dia em que Martin Luther King Jr. discursou diante de 260 mil pessoas.

Por Ricardo Côrrea

Hoje completam-se 63 anos da histórica Marcha sobre Washington por Emprego e Liberdade. Liderada por Martin Luther King Jr. e outros ativistas dos direitos civis, a mobilização ocorreu no dia 28 de agosto de 1963, nos degraus do Lincoln Memorial, em Washington. O encontro reuniu cerca de 260 mil pessoas e exigia que as condições políticas e sociais da população negra estadunidense tomassem outro rumo. A segregação racial era institucionalizada sem um mínimo de pudor.

Os negros estavam submetidos a altos índices de desemprego, salários baixos e nem sequer tinham o direito ao voto para elegerem representantes comprometidos com a verdadeira emancipação. Ou seja, a marcha buscava a aprovação de reformas estruturais que assegurassem plenos direitos civis. Nesse dia participaram diversas personalidades e lideranças que discursaram para a multidão, mas o ponto alto do encontro ocorreu um pouco antes do encerramento. O Dr. Martin Luther King Jr. proferiu aquele que se tornaria um dos discursos mais marcantes do século XX: “Eu Tenho um Sonho”.

Um sonho íntimo que estava em concordância com os sonhos de milhares de negros. A eloquência do Dr. King acertou em cheio os corações ao projetar uma sociedade sem violência e discriminação em função da cor da pele; ele idealizava sensivelmente a harmonia entre negros e brancos. E foi assim que começou: “Estou feliz por estar hoje com vocês num evento que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade na história de nosso país (…)”. Em outro trecho, pontuou: “Não podemos ficar satisfeitos enquanto o negro for vítima dos horrores inexplicáveis da polícia; não podemos ficar satisfeitos enquanto o negro do Mississippi não puder votar e o negro em Nova York acreditar que não tem motivo para votar (…)”.

Dr. King defendia mobilizações e protestos como instrumento para conquistarem políticas que estancassem ou mitigassem as agruras do povo negro. O boicote ao ônibus em Montgomery (1955 – 1956) foi um exemplo ao mundo da eficácia desse método. Bastou os negros deixarem de utilizar o transporte público, que os segregava em benefício dos brancos (negros eram obrigados a ceder lugar aos brancos e viajar no fundo dos ônibus), que as leis naquele local mudaram; afinal, a receita dos ônibus diminuiu bastante.

A Marcha sobre Washington foi um sucesso e viabilizou a promulgação da Lei dos Direitos Civis (1964) e da Lei do Direito ao Voto (1965). Contudo, o sonho expresso naquele 28 de agosto não se concretizou plenamente. King foi assassinado em 1968 sem presenciar as transformações profundas pelas quais lutou. Seus anseios seguem em constante disputa. Entre avanços e retrocessos, a história provou que nem mesmo a eleição de um homem negro à Presidência dos EUA foi capaz de desmantelar a ideologia da supremacia branca. A permanência do racismo estrutural expõe a profundidade do abismo. Mas a única certeza que permanece é esta: o supremacismo não conseguiu matar o sonho de Dr. King. Ele vive!

Belo escolhe hoje o primeiro grupo de Pagode inédito do Estrelas da Casa

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Estrelas da Casa
Foto: Globo

Cantor assume a mentoria do gênero e terá a missão de selecionar dez participantes para formar o grupo que seguirá na competição.

O pagode ganha espaço no Estrelas da Casa nesta quinta-feira (27), e caberá a Belo uma das principais decisões da noite: escolher os dez participantes que completarão o primeiro grupo do gênero na nova temporada do reality musical da TV Globo.

A formação acontece após a apresentação dos candidatos e a definição dos dois nomes escolhidos pelo público — uma mulher e um homem. A partir daí, Belo, mentor do Pagode, selecionará os outros dez integrantes que seguirão na competição. A cantora Anitta participa das decisões como conselheira.

Para Belo, assumir a função representa também uma oportunidade de contribuir para a formação de novos artistas dentro de um gênero que faz parte de sua trajetória. Com quase quatro décadas de carreira, o cantor relembrou a importância dos profissionais que o orientaram ao longo de sua própria caminhada e destacou que o programa vai além da disputa musical.

“A gente não está falando só de música, a gente está falando de artistas completos como um todo”, afirmou Belo ao gshow.

Uma nova geração do pagode

A escolha de Belo acontece em uma temporada que reformulou a dinâmica do Estrelas da Casa. Em vez de uma disputa exclusivamente individual, o programa trabalha com a formação de grupos dos gêneros Pop e Pagode.

As apresentações são realizadas em diferentes formações ao longo da competição, enquanto o público participa das votações individuais. Os mentores também têm papel direto na permanência dos participantes e podem reorganizar as equipes a cada semana.

No caso do Pagode, Belo será responsável por conduzir esse processo. A estreia do grupo acontece nesta quinta-feira, depois da novela Quem Ama Cuida.

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