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Da Bahia ao Sudão: Festival ‘Ocupa MAB’ reúne as cozinhas da diáspora no Museu Afro Brasil

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Foto: Sebastian Januário

São Paulo, novembro de 2025 — O Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, realiza no dia 20 de novembro a quarta edição do Ocupa MAB – Festival de Música e Gastronomia, uma das ações centrais da programação do Mês da Consciência Negra.

Com entrada gratuita, o evento ocupa a marquise do museu, no Parque Ibirapuera, propondo um encontro entre arte, gastronomia e ancestralidade. A iniciativa reafirma o museu como território de memória, criação e resistência, reunindo públicos diversos em uma experiência que mobiliza práticas culturais da diáspora africana.

Criado em 2022, o Ocupa MAB se consolidou como espaço de partilha e celebração coletiva. A edição de 2025 amplia esse escopo ao integrar música, culinária e práticas educativas. A proposta é que o público experimente o museu como território vivo, onde memória e criação se articulam.

Em nota, os produtores culturais Aline Santos e Maurício Monteiro destacam a importância do festival:
O IV Festival Ocupa MAB é resistência, mas, acima de tudo, celebração. Ser mais um espaço em que o museu amplia sua forma de expressão artística e une música e gastronomia negra para celebrar nossa herança cultural é reafirmar nosso compromisso com a arte como instrumento de liberdade. Que neste dia 20, Oxóssi nos inspire a seguir na busca por sabedoria e fartura.”

A programação começa às 10h30, com a Oficina de RAP: Retomando a Memória e Construindo Imaginários, conduzida por Gabrelú e Killa Bi, do Núcleo de Educação do Museu. A atividade propõe reflexões sobre memória, identidade e imaginário a partir do rap e da poesia falada.

Ao meio-dia, os artistas realizam uma intervenção coletiva aberta ao público, transformando o espaço em um encontro de expressão e criação compartilhada.

Feira gastronômica e sabores da diáspora

A partir das 11h, a feira gastronômica toma a marquise, reunindo cozinheiros afro-brasileiros e africanos cujas trajetórias atravessam refúgio, ancestralidade, técnica e memória afetiva.

Participam:

  • Sebastian Januário — especialista em culinária angolana e afrodiaspórica; integrante do Altar – Cozinha Ancestral.
  • Tabuleiro do Alcides — tradição baiana do acarajé ancestral.
  • Cozinha Ocupação 9 de Julho — projeto do MSTC que reúne moradores e artistas desde 2017 para fortalecer soberania alimentar e economia solidária.
  • Salsabil Matouk (Cozinha de Salsabil – Sudão) — chef sudanesa que atua com buffets, feiras e receitas árabes tradicionais.
  • Elga de Assunção (Bwala Catering – Angola) — empreendedora que preserva técnicas da culinária angolana.
  • Sylvie Mutiene (La Culture Congolaise – República Democrática do Congo) — cozinheira que difunde elementos da cultura congolesa por meio da gastronomia.
  • Jessica Ebaku (JK Ventura – Camarões) — cozinheira e ativista que compartilha práticas culinárias de Camarões.
  • Mohammed Taha (Safa Comeda Sudanasa – Sudão) — refugiado sudanês que encontrou na gastronomia uma forma de reconstrução cultural no Brasil.

As participações evidenciam a amplitude das culinárias afro-brasileiras e africanas, marcadas por técnicas, memórias e afetos que atravessam diferentes territórios da diáspora.

Programação musical

Durante a tarde, a trilha sonora destaca produções afro-brasileiras contemporâneas, com apresentações de:

  • Sista Mari + DJ Pepe
  • DJ Nicolas Bahia
  • Nega Duda e seus tambores
  • DJ Carol Selecta + Sista Chilli
  • Preta Batuque — que encerra a programação em uma grande roda de samba.

SERVIÇO

IV Ocupa MAB – Festival de Música e Gastronomia
Museu Afro Brasil Emanoel Araujo – Marquise do Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega, Parque Ibirapuera – Av. Pedro Álvares Cabral, s/n, Portão 10, São Paulo/SP
20 de novembro de 2025 (quinta-feira)
Das 11h às 19h
Entrada gratuita e acessível

A força que nunca calou: o que não nos ensinaram sobre o 20 de Novembro

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Estátua de Zumbi dos Palmares em Salvador (Foto: Adobe Stock)

Se você, como eu, cresceu nos anos 1990, deve lembrar das comemorações do 13 de Maio na escola. A Princesa Isabel brilhava sozinha nessa história: nos livros didáticos, nas redações, nos cartazes coloridos. Tudo reforçava a ideia de que ela era a responsável direta — e praticamente única — pela libertação dos negros escravizados. Eu não aprendi, quando criança, sobre Luiz Gama, advogado e intelectual negro, que atuou decisivamente para libertar centenas de pessoas; nem sobre José do Patrocínio, jornalista e liderança negra do movimento abolicionista; nem sobre os irmãos André e Antônio Rebouças, engenheiros e pensadores negros cuja atuação política foi central naquele período. Muito menos sobre a resistência negra nos quilombos e nas revoltas que enfrentaram o sistema escravista.

No pós-Abolição, essa narrativa centrada na futura imperatriz não surgiu por acaso. A princesa foi transformada em símbolo de bondade e redenção nacional. Recebeu do Papa Leão XIII a condecoração Rosa de Ouro, gesto que a aproximava de uma imagem quase santa; teve seu rosto estampado na moeda comemorativa no primeiro aniversário da Abolição; e foi celebrada como a mulher branca que “deu” a liberdade. Essa construção ajudou a reforçar a ideia de um Brasil cordial e harmonioso, ao mesmo tempo em que deixava de lado as lutas negras — dos abolicionistas aos quilombos — e apagava o fato de que a liberdade foi resultado de um processo coletivo de resistência, organização e enfrentamento ao sistema escravista.

A partir da década de 1970, em plena ditadura militar, diferentes entidades do movimento negro se articularam e rearticularam politicamente para enfrentar o silenciamento das histórias de resistência negra que o Estado insistia em ignorar. E é importante dizer: esse silenciamento não foi um acidente — foi um projeto político muito bem-sucedido ao longo do século XX. Esses grupos denunciaram o mito da democracia racial e chamaram atenção para a situação da população negra no pós-Abolição — e para como seus efeitos seguiam (e seguem) presentes no cotidiano brasileiro. Ao fazer isso, trouxeram para o debate público algo que sempre esteve vivo nas comunidades negras, mas que raramente aparecia nos livros ou nas versões oficiais da história: o apagamento das lutas e das resistências negras ao longo dos séculos.

É dentro desse movimento maior que o 20 de Novembro começa a ganhar força. Em 1971, o Grupo Palmares, em Porto Alegre, propôs a data como um marco simbólico da resistência negra, conectando-a à memória de Zumbi, como lembra Lélia Gonzalez no livro Lugar de Negro. Em 1978, o Movimento Negro Unificado dá um passo fundamental nesse processo ao lançar o manifesto “A Zumbi. 20 de novembro — Dia Nacional da Consciência Negra”, documento que afirmava explicitamente a importância da data como marco político e histórico. A partir dali, o que antes era uma iniciativa localizada ganha projeção nacional e se transforma em símbolo coletivo de enfrentamento ao racismo e de afirmação da consciência negra no Brasil.

O 20 de Novembro carrega a força de muitas nações africanas e de histórias que nunca aceitaram o silêncio. Ele expõe o que esconderam de nós quando éramos crianças: a liberdade foi luta, não concessão. E lembra, como na canção de Jorge Ben Jor, que há momentos em que a memória chega com a força de Zumbi — senhor das demandas, capaz de desafiar a ordem. É isso que a data afirma hoje: a história é campo de disputa. E quando a memória negra se movimenta, ela não apenas revisa o passado — ela redefine o futuro.

Preta Brasileira: o salão que nasceu com R$ 800 e virou referência de beleza afro e formação de trancistas

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Foto: Divulgação

No Mês da Consciência Negra, histórias de mulheres negras que transformam seus territórios por meio da economia criativa ganham ainda mais força. Entre essas lideranças está Leia Abadia, fundadora do salão Preta Brasileira, um dos empreendimentos de beleza afro mais influentes da zona leste de São Paulo. Leia iniciou o salão em 2010 com apenas um espelho e R$ 800. Quinze anos depois, o que começou como um sonho individual se consolidou como referência na estética afro, especializado em cabelos crespos e cacheados, com múltiplas unidades em bairros de maioria negra. Hoje, o Preta Brasileira atua também como um hub cultural voltado para autoestima, formação profissional e impacto social.

Leia divide a gestão com as irmãs Suelen Lima, Glaucileia Fátima e Roselaine Silva. Cada uma ocupa um papel estratégico: Suelen Lima, artista plástica e trancista, conduz o Marketing e as Mídias Sociais; Glaucileia Fátima atua no setor de Recursos Humanos; Roselaine Silva, matemática e engenheira financeira, é responsável pelo Administrativo, Financeiro e Projetos; e Leia Abadia lidera a visão e o propósito do salão. Juntas, elas formaram uma estrutura sólida que impulsionou o nascimento do Preta Cultural, braço dedicado à formação de trancistas, rodas de conversa e ações de valorização da estética negra. “Trabalhar com as minhas irmãs é um ato de amor e resistência. O Preta Brasileira é mais do que um salão: é um espaço de transformação”, afirma Leia.

A história de Leia ecoa a realidade de milhares de mulheres negras que encontram no empreendedorismo não apenas uma oportunidade de renda, mas um caminho de autonomia e reconstrução de identidade. O recente estudo Empreendedoras Negras 2024, do Instituto Rede Mulher Empreendedora (RME), reforça esse cenário: 86,2% das mulheres negras entrevistadas empreendem ou trabalham por conta própria. Muitas entram no setor após viverem discriminação racial no mercado de trabalho — uma motivação citada por 9,1% das entrevistadas.

O mercado de beleza aparece como um dos principais espaços de atuação, reunindo 19% dessas empreendedoras. O dado revela como saberes ancestrais, como o trançado, se reinventam como negócios contemporâneos. A recente oficialização da profissão de trancista pelo Ministério do Trabalho também fortalece essa cadeia. Para Leia, o reconhecimento valida o que ela sempre defendeu: “as trancistas entregam identidade, autoestima e futuro e, por isso, devem se posicionar como empresárias”.

Mas, apesar dos avanços, o estudo do RME também escancara que mais de 70% das empreendedoras negras relatam ter vivido discriminação racial no ambiente de trabalho, e metade afirma que o racismo ainda dificulta a expansão dos negócios — seja no acesso a crédito, na relação com clientes ou no alcance a redes profissionais.

Esse cenário mostra que o empreendedorismo feminino negro ultrapassa a ideia de iniciativa individual. Ele se consolida como prática política. A filósofa Djamila Ribeiro já afirmou que fortalecer negócios negros “não é caridade, mas uma questão de economia e política”. Para ela, apoiar mulheres negras que empreendem é questionar estruturas historicamente excludentes e redistribuir oportunidades em um país marcado por desigualdades profundas.

Redes de apoio: mulheres investindo em mulheres

Em meio a esses desafios, um elemento se destaca como fator de sucesso: a solidariedade e o investimento mútuo entre mulheres negras. O caso de Leia Abadia e do Preta Brasileira ilustra bem esse princípio. Além de criar um negócio sustentável para si, buscam agora alavancar outras profissionais negras por meio da tecnologia. Ela está à frente do desenvolvimento da Ibraid, uma beauty tech concebida para conectar trancistas, consumidoras e lojistas em uma plataforma digital. A proposta da Ibraid é ambiciosa e inovadora: usar tecnologia contemporânea para ampliar o alcance de um saber ancestral, criando uma rede que facilite a contratação de trancistas, ofereça capacitação e gere inclusão financeira para essas profissionais. Essa startup nascente, gestada a partir de uma ideia vencedora em hackathon, já nasce com apoio de outras mulheres e organizações alinhadas à causa. O hub de impacto social CIVI-CO, por exemplo, acolheu a Ibraid em seu espaço, dando suporte estrutural para o projeto decolar.

Outra parceria essencial vem da tecnologia. A Baruk, uma das poucas empresas brasileiras de inteligência artificial fundadas por uma mulher negra, tornou-se aliada estratégica da Ibraid. À frente da empresa está Ana Cabral, CEO da Baruk, que acredita que investir em mulheres negras é um caminho direto para a transformação estrutural.

“Investir em mulheres pretas e periféricas não é apenas uma questão de justiça social, é uma estratégia para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil”, afirma Ana. Segundo ela, ao direcionar capital, conhecimento e oportunidades a esse grupo, estamos corrigindo uma falha estrutural que limita o próprio potencial do país. 

“O retorno desse investimento é multifacetado. Economicamente, estamos desbloqueando um potencial de consumo, inovação e geração de empregos imenso. Mulheres, especialmente as negras, tendem a reinvestir cerca de 90% de sua renda em suas famílias e comunidades, o que significa que cada real investido nelas gera um efeito multiplicador, fortalecendo a economia local de forma sustentável. Socialmente, ao apoiá-las, quebramos ciclos de pobreza e promovemos a diversidade no ecossistema de inovação. Novas perspectivas geram novas soluções para problemas antigos, criando um mercado mais resiliente, criativo e conectado com a realidade da maior parte da população brasileira. É um investimento que gera dividendos em capital humano, social e financeiro”, explica Ana Cabral.

A atuação da Baruk vai além do aporte financeiro. Ana estrutura seus investimentos com três pilares: capital inteligente com mentoria estratégica, acesso a redes qualificadas e fortalecimento da liderança empreendedora. Isso inclui treinamentos, apoio emocional e abertura de portas em um mercado que historicamente invisibilizou mulheres negras.

Ela destaca que, com apoio certo, as empreendedoras negras deixam de atuar na sobrevivência para alcançar a expansão. “O resultado mais transformador, no entanto, é ver essas mulheres, que sempre estiveram acostumadas ao trabalho duro e solitário, agora contarem com recursos financeiros confortáveis e, principalmente, com tempo para se dedicarem ao crescimento estratégico de seus negócios. Isso prova que, com o aporte certo, o talento que sempre existiu floresce e gera um impacto exponencial”, enfatiza.

Essa aliança entre empreendedoras cria um ciclo positivo de oportunidades. A Ibraid, prevista para ser lançada em breve, já envolve dezenas de trancistas e parceiras que participarão de sua construção coletiva. Não se trata apenas de um novo aplicativo, mas do que Leia chama de “tecnologia ancestral” caminhando de mãos dadas com a tecnologia digital. “Religar a tradição ao futuro é o que estamos fazendo. Trança e tecnologia podem andar juntas para gerar riqueza na periferia”, diz Leia, ao comentar a sinergia do projeto. Iniciativas assim mostram que, quando mulheres pretas investem em mulheres pretas, os ganhos são compartilhados, há geração de renda, mas também fortalecimento identitário e comunitário.

4ª Conferência ESG Racial reúne principais lideranças do país para debater equidade e sustentabilidade

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Foto: freepik

O avanço da agenda de equidade racial nas empresas brasileiras ganha novo marco com a realização da 4ª Conferência Empresarial ESG Racial, organizada pelo Pacto de Promoção da Equidade Racial. Em 2025, o evento acontece de forma descentralizada, com duas programações presenciais: no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro (24/11), e no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo (26/11).

Com o tema “Estratégias para a Promoção da Equidade e Sustentabilidade Corporativa”, a conferência reúne lideranças centrais do debate social e econômico, entre elas Míriam Leitão, Diego Barreto, Tarciana Medeiros, Helio Santos, Ricardo Henriques, Grazi Mendes e José Alves, além de executivos de organizações como Bayer, XP, Vivo, Anbima, Brasilcap, Parker, Firjan, BNDES, L’Oréal, Endemol e Caixa Seguridade.

A programação do Rio traz como eixo “Educação e Meio Ambiente como Estratégias para Sustentabilidade”, com aula magna de Míriam Leitão e debates sobre educação ambiental, empreendedorismo, crédito, taxonomia sustentável e comunicação como ferramenta de transformação. Participam Carlos Minc, Tainá de Paula, Ana Isabel dos Santos (Bayer), Fábio Cruz (XP), Helen Pedroso (L’Oréal), Juliana Bonifácio (Ateliê Bonifácio) e Júlio César Maciel Raimundo (BNDES).

Em São Paulo, a abertura será conduzida por Diego Barreto (iFood), seguido do painel “Sustentabilidade Estratégica: Alianças para uma Nova Economia”, com Marcelo Billi (Anbima), Carolina Costa (Stone), Thiago Amparo (FGV) e Rafael Prudente (Oriz), sob mediação de Silvio Trida (Caixa Seguridade). Outros debates reúnem Grazi Mendes, Milca Silva (XP), Lisiane Lemos, Tabata Contri (Talento Incluir) e Alexandre Kiyohara (Wellhub).

O encerramento será conduzido por Tarciana Medeiros, presidenta do Banco do Brasil, com a palestra “O Legado das Empresas na Construção de um Brasil Sustentável e Justo”. O evento marca ainda o lançamento do estudo “Juventudes Negras e Empregabilidade”, desenvolvido com a Fundação Itaú, e a entrega da Certificação do Índice ESG de Equidade Racial.

Serviço | 4ª Conferência Empresarial ESG Racial

RIO DE JANEIRO
Museu do Amanhã – Praça Mauá, 1 – Centro
24 de novembro de 2025, das 8h às 18h

SÃO PAULO
Teatro Sérgio Cardoso – Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista
26 de novembro de 2025, das 8h às 18h

Inscrições gratuitas e vagas limitadas

Dia da Consciência Negra: marchas e atos no Brasil que celebram o 20 de Novembro

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Foto: © Paulo Pinto/Agência Brasil

Pelo segundo ano como feriado nacional, o Brasil celebra nesta quinta-feira (20) o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, data que reafirma a resistência histórica do povo negro. O 20 de Novembro homenageia Zumbi dos Palmares, referência de luta e liberdade e líder do Quilombo dos Palmares.

Nesta data, entidades organizam marchas e atos para reivindicar o direito ao bem-viver, à reparação e a um futuro em que a democracia seja realidade para a população negra, que segue enfrentando desigualdades profundas.

Porto Alegre — Marcha Independente Zumbi Dandara

  • 19/11, às 17h
  • Concentração: Largo Glênio Peres

São Paulo — 22ª Marcha da Consciência Negra

  • 20/11, às 11h
  • Concentração: MASP, Avenida Paulista

Rio de Janeiro — Lavagem do Monumento Zumbi dos Palmares

  • 20/11, às 10h
  • Av. Presidente Vargas

Salvador — 20 de Novembro

  • 7h30: Lavagem da Estátua de Zumbi (Praça da Sé)
  • 15h: 46ª Marcha Zumbi-Dandara (concentração no Campo Grande)

Brunch e marcenaria: experiência criada por mulheres negras une gastronomia afetiva e artesanato em madeira

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Evento oferece manhã com comida da Casa Zuri e oficina prática onde participantes criam peça decorativa para levar para casa

Uma experiência que conecta gastronomia afetiva e artesanato acontece no dia 29 de novembro. Promovido por mulheres negras através do HUB Mundo Negro, em parceria com a Luana Hazine e a Casa Zuri, o evento propõe uma manhã onde os participantes alimentam corpo e criatividade com um brunch preparado pela equipe da Casa Zuri seguido de uma oficina prática de marcenaria.

A proposta é oferecer uma vivência completa, onde os participantes fazem a montagem e customização de uma peça decorativa em madeira, um chaveiro de 18cm de circunferência que podem levar para casa ou presentear. Todos os materiais de produção, incluindo madeira, tingidores e encaixes, estão inclusos no valor do ingresso.

A marceneira

Luana Hazine é publicitária de formação e marceneira por paixão. Criadora da marca Luana Hazine Handcrafted, ela une ancestralidade, design e utilidade para transformar madeira em peças que contam histórias.

Sua trajetória começou em 2017 e evoluiu para uma oficina profissional inspirada na estética afrocentrada. Nas redes sociais, onde compartilha dicas e técnicas de marcenaria, seu trabalho soma mais de 1 milhão de visualizações no Instagram e TikTok. Além de produzir suas próprias peças, Luana atua como instrutora, levando seu conhecimento para o público.

O espaço

A Casa Zuri funciona como um espaço multifuncional onde criatividade e gastronomia se encontram. Criada por Vera e Amanda, a casa se propõe a ser um ambiente acolhedor e funcional, ideal para acolher eventos e experiências que fogem do convencional.

O evento acontece no dia 29 de novembro, das 10h às 13h, na Rua Nova Orleans, 34, no Brooklin. O investimento é de 3x de R$ 100 sem juros ou R$ 300 à vista, com pagamento pelo Sympla (clique aqui). As vagas são limitadas.

Spike Lee celebra 33 anos do lançamento do filme ‘Malcolm X’: “Um clássico que resistirá ao teste do tempo”

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Foto: Divulgação

Há 33 anos, o filme ‘Malcolm X’ fazia história ao ser lançado nos cinemas dos Estados Unidos, se tornando depois um marco para no mundo com retrato da vida e luta de um dos maiores revolucionários pelos direitos civis da população negra!

O diretor Spike Lee celebrou o feito nas redes sociais. “Agradeço a todos, na frente e atrás das câmeras, por darem sangue, suor e lágrimas para fazer deste filme um clássico do cinema que resistirá ao teste do tempo”, escreveu.

Spike também dedicou um agradecimento especial a Denzel Washington, por sua atuação memorável, que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator. “Costumávamos brincar que, se não fizéssemos este filme direito, estaríamos com nossos passaportes prontos para fugir do país”, relembrou.

Além das homenagens à toda equipe, Spike Lee também destacou que o filme só foi possível graças ao apoio financeiro de grandes personalidades negras. Entre eles: Janet Jackson, Oprah Winfrey, Prince, Tracy Chapman, Magic Johnson, Michael Jordan, Bill Cosby e Peggy Cooper Cafritz.

No Brasil, o filme está disponível para assistir no Prime Video e no Mubi.

Grupo L’Oréal Brasil impulsiona a carreira de creators negros e PCDs com nova turma formada pelo programa Beleza Mais Diversa

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Foto: Divulgação

A segunda turma do Beleza Mais Diversa, programa criado pelo Grupo L’Oréal no Brasil para impulsionar a carreira de creators negros e pessoas com deficiência (PCDs) na economia criativa, se formou nesta segunda-feira (17). A cerimônia, realizada no Rio de Janeiro, destacou a formação de mais de 40 criadores de conteúdo e reforçando o compromisso da empresa com a representatividade no mercado de influência digital.

Lançado em 2024, o projeto foi desenvolvido em parceria com YouPix, TikTok, MOVER e REIS, e combina três pilares fundamentais para a profissionalização dos participantes: educação, por meio de mentorias com influenciadores experientes; ferramentas, incluindo a compra de equipamentos; e visibilidade, com oportunidades reais de inserção no mercado.

A edição de 2025 foi a mais diversa até agora, contemplando criadores de diferentes regiões, gêneros e faixas etárias. Também houve uma versão online, que atingiu a marca de 38 mil inscritos, mostrando a demanda reprimida por formação inclusiva.

Formatura da 2ª edição do programa Beleza Mais Diversa. (Foto: Divulgação)

Entre os presentes no evento estavam o CEO da L’Oréal Brasil, Marcelo Zimet, instituições parceiras e creators que atuaram como mentores, como Dan Mendes (@danmendesoficial), Nathalia Santos (@nathaliasantos) e Amanda Mendes (@todacrespa). Juntos, os formandos alcançaram uma taxa de engajamento 4,8 vezes maior do que no início do programa.

Márcia Silveira, líder do programa e Head de Diversidade, Equidade e Inclusão para Advocacy da L’Oréal Brasil, destacou a importância da representatividade: “Vivemos em um país que a maioria da população se identifica como preta ou parda, mas isso não se reflete no mercado de creators. Como líder de beleza, temos o papel de contribuir para essa transformação, representar o Brasil em sua ampla pluralidade. O Beleza Mais Diversa existe há dois anos para modificar esse cenário e aumentar a diversidade entre os influenciadores digitais.”

O Beleza Mais Diversa surgiu após uma pesquisa conduzida pela Think Etnus, que revelou que 33% das pessoas negras não têm referências de beleza e que outros 30% se inspiram em influenciadores digitais. Ainda assim, em um país com 56% da população negra ou parda, 66% dos creators seguem sendo brancos. Nesta edição, a L’Oréal ainda ampliou o escopo e passou a incluir também creators PCDs.

Márcia Silveira, líder do programa e Head de Diversidade, Equidade e Inclusão para Advocacy da L’Oréal Brasil. (Foto: Divulgação)

Para Natália Paiva, diretora-executiva do MOVER, o impacto transcende o programa: “A segunda edição do Beleza Mais Diversa, que tem o MOVER como parceiro, reforça nosso compromisso de ampliar oportunidades e impulsionar a representatividade na creator economy, conectando talentos e fortalecendo uma indústria da beleza mais diversa e representativa.”

Atuando com diversidade como um de seus valores centrais, a L’Oréal Brasil afirma que 50% dos creators contratados pela companhia pertencem a grupos sub-representados. Assim como no ano anterior, a meta é que 70% dos participantes sejam contratados por alguma das marcas do grupo no país.

A expectativa é que o programa sirva de referência para outras empresas. “A economia criativa por meio dos influenciadores digitais se constrói com base em conexão, em pertencimento. Os consumidores precisam se sentir vistos, acolhidos e representados. A diversidade é a chave para isso”, conclui Márcia Silveira.

Cachos de Moana desaparecem no trailer do live-action e fãs criticam mudança no visual da atriz

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Fotos: Divulgação

O primeiro trailer do live-action de Moana, divulgado nesta segunda-feira (17), acendeu um debate nas redes sociais. Em 2016, o filme de animação trouxe uma personagem que se tornou referência para meninas polinésias e negras, por conta dos cachos volumosos e cheios de movimento. No entanto, a atriz Catherine Lagaʻaia, surgiu no teaser com os fios visivelmente mais lisos e com pouco volume.

O visual que não se tratava apenas de um detalhe estético, é uma parte fundamental da construção cultural da personagem. A própria atriz que interpreta a Moana no live-action tem o costume de usar os cabelos cacheados e volumosos fora das telas, o que levantou ainda mais as críticas.

“Por que escalar alguém com o cabelo perfeito só para mudá-lo?”, criticou uma internauta nas redes sociais. “Tragam de volta o cabelo verdadeiro da Moana”, destacou outro.

Até o fechamento da matéria, a Disney não se pronunciou sobre as críticas publicamente.

Estudantes negros sofrem três vezes mais bullying racial do que estudantes brancos, aponta estudo

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Foto: Agência Brasil

A violência racial dentro das escolas brasileiras continua sendo uma realidade alarmante e os dados mais recentes reforçam a gravidade. A nova edição da Avaliação do Futuro, divulgada pelo Instituto Ayrton Senna, revela que estudantes negros sofrem três vezes mais bullying por raça ou cor em comparação aos estudantes brancos da rede pública.

O levantamento, um dos maiores mapeamentos nacionais sobre competências socioemocionais e convivência escolar, foi realizado em escolas do Ceará, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará e Paraná, em parceria com o CAEd/UFJF. Ao todo, 89 mil estudantes do Ensino Médio foram ouvidos.

Um em cada quatro estudantes relatou ter sofrido algum tipo de bullying nos 30 dias anteriores à pesquisa. Entre os principais motivos estão: aparência do corpo (11,8%); aparência do rosto (11,3%); raça/cor (9,5%); religião (6,1%); orientação sexual (5,6%); e região de origem (5,5%). Quando o recorte é racial, a desigualdade reforça o racismo no ambiente escolar: brancos: 6,83%; pardos: 9,19%; e pretos: 17,84%.

Para Ana Crispim, gerente de pesquisa do Instituto Ayrton Senna (eduLab21) e doutora em Psicologia, os padrões estéticos e as pressões sociais tornam a adolescência uma fase ainda mais desafiadora. “A adolescência é um período desafiador: fatores como as mudanças no corpo, somada à força dos padrões e estereótipos de beleza e das comparações e expectativas sociais, vulnerabilidades emocionais e sociais, pesam no dia a dia”, explica.

O instituto alerta que o bullying se manifesta de maneira sistemática: agressões verbais e físicas, humilhações, disseminação de boatos e cyberbullying.

No Ceará, onde mais de 56 mil estudantes participaram da avaliação, as escolas com melhores índices de abertura à diversidade registraram taxas menores de bullying (9%) do que aquelas com menor abertura (13%). Em relação ao indicador de convivência escolar, a diferença é ainda maior: escolas com altos níveis de convivência: 7% de bullying; escolas com baixos níveis: 17%.

Segundo Gisele Alves, gerente executiva do eduLab21, esses resultados mostram que ambientes que valorizam respeito, empatia e responsabilidade coletiva reduzirem significativamente a violência entre estudantes.

Socioemocional como ferramenta de combate ao racismo

As competências de amabilidade, como empatia e respeito, e de abertura ao novo, relacionadas ao interesse por diferentes culturas e ideias, ajudam estudantes a se reconhecerem em suas diferenças e a conviver de forma mais inclusiva.

Ainda assim, os dados revelam outro alerta importante: 8 em cada 10 estudantes relataram sintomas significativos de ansiedade e depressão. Entre eles: 38,9% se sentem esgotados; 33,9% têm perdido o sono por preocupação; e 22% dizem se sentir incapazes de superar dificuldades.

“Promover o respeito à diversidade e a boa convivência escolar é essencial para criar ambientes escolares inclusivos, seguros e colaborativos, nos quais todos os estudantes possam se desenvolver plenamente. As competências socioemocionais desempenham um papel central nesse processo, ao apoiar os estudantes com habilidades que fortalecem a abertura, a empatia, a comunicação respeitosa, a resiliência e a responsabilidade”, afirma Silvia Lima, reforçando que o socioemocional tem papel decisivo para apoiar estudantes.

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