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Pastor Henrique Vieira e Nath Finanças criticam publicidade de bets na CazéTV durante a Copa

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Foto: Gabriella Maria/ Pablo Valadares

Pastor Henrique Vieira e Nath Finanças criticam publicidade de apostas na CazéTV durante a Copa e cobram responsabilidade sobre impacto na população negra.

A educadora financeira Nath Finanças e o pastor e deputado estadual Henrique Vieira se pronunciaram publicamente nesta semana para criticar a forma como a CazéTV, canal de streaming comandado por Casimiro Miguel e detentor dos direitos de exibição de todos os 104 jogos da Copa do Mundo de 2026 no YouTube, veicula publicidade de casas de apostas esportivas durante as transmissões do torneio. Os dois reagiram a uma declaração do próprio Casimiro em que o streamer minimizou as críticas sobre o volume de anúncios de bets no canal, afirmando em uma de suas lives que a publicidade de apostas “é o que faz girar o negócio” e que não acreditava que isso prejudicava o público.

O pastor Henrique Vieira, deputado estadual pelo Rio de Janeiro e coautor do Projeto de Lei 2478, que propõe restrições à publicidade de apostas esportivas na Câmara dos Deputados, respondeu diretamente ao posicionamento de Casimiro em vídeo publicado em suas redes sociais: “Tá prejudicando sim, e muita gente. Eu tenho recebido relatos de pessoas desesperadas, endividadas, nas mãos de agiotas, jovens deprimidos, tantos outros ansiosos. Não é só um negócio. É um negócio que está virando uma epidemia, um problema de saúde pública, e que está endividando e adoecendo o nosso povo”, afirmou Vieira em vídeo publicado em suas redes sociais, dirigindo-se diretamente ao streamer. O deputado citou o projeto que coassina como o mais avançado em tramitação na Câmara para regulamentar o setor, com medidas que incluem a proibição de propaganda, o veto a patrocínios e o estabelecimento de classificação de risco para proteger grupos vulneráveis, como adolescentes e jovens. Vieira também anunciou que participaria de uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro nesta quinta-feira (25), ao lado do deputado Yuri Moura, para debater os impactos das bets no estado do Rio.

Em publicação em suas redes sociais, Nath Finanças afirmou que a questão ultrapassa o formato dos anúncios: “É um absurdo que o Cazé e seus comentaristas, com toda a autoridade e influência que têm, digam que uma odd acima de 4.0 tinha grande chance de acontecer. Isso não é apenas publicidade com QR Code. É uma comunicação que pode incentivar apostas. Basta pesquisar para ver o quanto esse mercado tem prejudicado e destruído famílias”, escreveu a educadora em suas redes sociais. Nath também apontou que afirmar que uma odd acima de 4.0 tem grande chance de acontecer contraria o princípio da veracidade e da informação adequada previsto na Nota Técnica SEI nº 3620/2026/MF, do Ministério da Fazenda, e destacou que a responsabilidade editorial é ainda maior quando o conteúdo alcança crianças e adolescentes.

A CazéTV afirmou, segundo a Folha de S.Paulo, que suas ativações comerciais seguem rigorosamente a legislação brasileira vigente. A Senacon, Secretaria Nacional do Consumidor vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, abriu em 24 de junho uma investigação preliminar para apurar possíveis irregularidades na publicidade de bets veiculada pelo canal durante as transmissões da Copa, após analisar vídeos em que narradores e comentaristas divulgavam cotações em tempo real e promoções como “cotações turbinadas”. A apuração avalia se o canal descumpriu normas previstas no Código de Defesa do Consumidor, na Lei 14.790 de 2023 e em portaria de 2024 da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, que proíbem mensagens que sugiram ganhos fáceis ou minimizem os riscos financeiros da atividade.

Foto: CazéTV/ Divulgação

O canal integra ao seu Projeto Criadores nomes como o youtuber Julio Cocielo, que entre 2011 e 2018 publicou uma série de conteúdos considerados racistas pelo Ministério Público de São Paulo, incluindo um tuíte sobre o jogador Mbappé durante a Copa do Mundo de 2018. Cocielo foi processado criminalmente e também em ação civil pelo MP, que pedia R$ 7,4 milhões em danos sociais, mas foi absolvido nas duas instâncias, a última delas em 2024.

Anitta deixa de seguir Rodrigo Branco e se manifesta: “Racismo é crime, não tem discussão”

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Foto: reprodução

Cantora publicou nota em suas redes sociais nesta quinta-feira (25) esclarecendo que curtir uma publicação não equivale a endossar a conduta do empresário

A cantora Anitta se pronunciou nesta quinta-feira (25) em suas redes sociais para negar que tenha prestado apoio ao empresário Rodrigo Branco, condenado pela Justiça de São Paulo por declarações racistas proferidas em 2020 contra a médica e vencedora do BBB 20, Thelma Assis. Além do pronunciamento, a cantora deixou de seguir o empresário nas redes sociais. Na publicação, Anitta afirmou que a amizade com qualquer pessoa nunca se sobreporá a um ato que considera criminoso. “Racismo é crime. Quem comete é racista e deve lidar com as consequências de seus atos assim como Rodrigo Branco e tantas outras pessoas famosas, influentes e anônimas que cometeram ou cometem esse crime. Tem lei, pena e justiça. Não tem discussão. Não tem opinião de X ou Y. Nunca passei nem passarei pano pra um amigo que comete algum crime”, escreveu Anitta em publicação em suas redes sociais nesta quinta-feira (25).

A cantora também explicou que sua menor presença nas redes sociais nas últimas semanas não deve ser interpretada como silêncio conivente. “O fato de eu não ser mais tão ativa nas redes sociais quanto eu era antes não significa que eu esteja apoiando alguém diante de uma coisa tão indiscutível. Nunca me esquivei de me posicionar sobre as coisas, nunca tive posicionamento seletivo e não seria dessa vez”, completou, na mesma publicação.

O pronunciamento ocorre após a condenação de Rodrigo Branco pela 6ª Vara Cível de São Paulo, proferida em 15 de junho de 2026, que determinou o pagamento de R$ 40 mil por danos morais a Thelma Assis, valor que somado a juros e correção monetária chegou a R$ 76.061,07, segundo informação publicada pelo Brasil 247. O processo teve origem em março de 2020, quando Branco, durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais ao lado da influenciadora Ju de Paula, afirmou que a médica tinha torcida “porque ela é negra, coitada” e que apoiá-la seria “racismo”. Na mesma live, dirigiu comentários racistas à jornalista Maju Coutinho, afirmando que ela “só está lá por causa da cor”.

Reprodução: redes sociais

Na sentença, a juíza Flávia Snaider Ribeiro reconheceu o racismo estrutural nas declarações e afirmou, que “a conduta do réu não se limita a ofender a vítima individualmente considerada e seus familiares, mas tem a propensão de também atingir a coletividade como um todo ao reproduzir símbolos históricos de inferiorização e exclusão.” Branco optou por não recorrer da decisão e publicou um vídeo nas redes sociais em que disse aceitar a responsabilidade pelas declarações. “Assumir a responsabilidade é parte do aprendizado e faço isso de cabeça erguida”, declarou o empresário em vídeo publicado em suas próprias redes sociais.

A publicação do empresário gerou uma série de manifestações de apoio por parte de celebridades, o que abriu uma nova polêmica sobre racismo e responsabilização pública. Nos comentários, Deborah Secco escreveu, em publicação nas redes sociais de Rodrigo Branco: “A gente erra, aprende, se responsabiliza pelos nossos erros e faz diferente.” Xuxa afirmou, na mesma publicação: “Errei muito e estamos aqui para tentar errar menos. É que essa pauta dói muito e nós, brancos, nunca vamos entender essa dor. Não dá mais para errar nesse assunto.” Astrid Fontenelle, que também deixou comentário na postagem, escreveu: “Não é fácil. Meu filho segue sendo um dos dois pretos que estudam na escola. Diariamente, vemos no noticiário casos e mais casos racistas. E somos nós, brancos e brancas, que temos que ir à luta por eles. Bem-vindo.” Segundo a Revista Fórum, tanto Xuxa quanto Astrid Fontenelle retiraram posteriormente suas mensagens de apoio.

Thelma Assis, que passou seis anos conduzindo o processo judicial, informou que destinará o valor recebido a uma instituição dedicada ao combate ao racismo, segundo o Mundo Negro. A médica também se manifestou sobre o período de espera pela decisão: “Esse impacto não pode ser desfeito com um simples pedido de desculpas na frente das câmeras”, afirmou,

Há 51 anos, Moçambique conquistava sua independência

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Foto: José Chasin/Wikimedia

Em 25 de junho de 1975, Samora Machel proclamou a independência de Moçambique após quase 11 anos de luta armada contra o colonialismo português.

No dia 25 de junho de 1975, Samora Machel, líder da Frente de Libertação de Moçambique e primeiro presidente da República Popular de Moçambique, proclamou no Estádio da Machava, em Maputo, a independência total e completa do país, encerrando mais de quatro séculos de presença colonial portuguesa em território africano e quase 11 anos de luta armada de libertação nacional. Na mensagem de proclamação dirigida ao povo moçambicano reunido no estádio, Machel declarou, conforme registrado na Declaração de Independência de Moçambique:

“A República que nasce é a concretização das aspirações de todos os moçambicanos, é o produto do sacrifício dos combatentes nacionalistas, de todo o povo moçambicano.”

O processo que tornou possível aquela proclamação teve início 13 anos antes, também em 25 de junho, quando a FRELIMO foi fundada em Dar-es-Salaam, na Tanzânia, a partir da fusão de três organizações nacionalistas de base regional: a União Democrática Nacional de Moçambique, a Mozambique African National Union e a União Nacional Africana de Moçambique Independente, reunidas sob os auspícios do presidente tanzaniano Julius Nyerere, conforme registrado pela Wikipédia em seu verbete sobre a Frente de Libertação de Moçambique. Eduardo Chivambo Mondlane, antropólogo e um dos fundadores do movimento, assumiu a presidência da FRELIMO e conduziu as primeiras etapas da luta política e armada, que teve início em 25 de setembro de 1964 no posto administrativo de Chai, na província de Cabo Delgado, segundo o Portal do Governo de Moçambique.

A guerrilha avançou gradualmente pelo território nacional, estabelecendo zonas libertadas no norte do país que escapavam ao controle colonial e funcionavam como embrião do futuro Estado moçambicano, enquanto Portugal mantinha no terreno uma força militar de aproximadamente 60 mil soldados para conter o avanço da FRELIMO, cujo contingente guerrilheiro havia chegado a 7 mil combatentes no início da década de 1970. Em 3 de fevereiro de 1969, Mondlane foi assassinado em Dar-es-Salaam pela explosão de uma encomenda armadilhada atribuída a agentes do colonialismo português, e a liderança da FRELIMO passou para Samora Machel, que conduziu o movimento até a proclamação da independência seis anos depois.

A virada política decisiva veio de fora de Moçambique, com a Revolução dos Cravos de 25 de abril de 1974 em Lisboa, que derrubou o regime do Estado Novo e abriu caminho para negociações entre o governo provisório português e a FRELIMO, resultando na assinatura dos Acordos de Lusaka em 7 de setembro de 1974, que fixaram a data da independência para 25 de junho de 1975, conforme registrado pela Bancada Parlamentar da FRELIMO em seu arquivo histórico sobre Samora Machel. Na sessão do Comité Central realizada na praia do Tofo, em Inhambane, foi aprovada a Constituição da República Popular de Moçambique e decidido que Machel seria o primeiro presidente, assumindo o cargo no dia da proclamação.

Foto: Reprodução

O período imediatamente posterior à independência foi marcado por tensões internas severas e por um conflito armado que se estendeu por quase duas décadas, com a Guerra Civil Moçambicana travada contra os rebeldes da RENAMO, movimento apoiado pela Rodésia e pela África do Sul, que destruiu infraestruturas econômicas e ceifou um número ainda impreciso de vidas antes de chegar ao fim com a assinatura dos Acordos Gerais de Paz em 1992, segundo o Portal do Governo de Moçambique. Samora Machel não viveu para ver o encerramento desse conflito: morreu em 19 de outubro de 1986 num acidente aéreo em M’buzini, na vizinha África do Sul, sendo sucedido na presidência por Joaquim Alberto Chissano. Em 1981, ainda em vida, Machel havia deixado registrada na Praça da Independência uma declaração sobre as ameaças externas ao seu governo:

“Quando alguém vai com uma lata de petróleo pegar o fogo à casa do vizinho deixa sempre rasto. Este rasto é o rastilho que trará fogo à sua própria casa.”

Neste 25 de junho de 2026, Moçambique marca 51 anos daquela proclamação em um contexto em que o país ainda enfrenta desigualdade na distribuição de recursos naturais, precariedade de infraestrutura e tensões políticas que remontam ao período pós-guerra civil, enquanto a data permanece, para a população negra moçambicana e para os povos africanos de língua portuguesa, como referência central da luta anticolonial no continente africano.

Pela primeira vez em sua história, África do Sul avança à fase eliminatória do Mundial

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Foto: reprodução redes sociais @bafanabafanaofficial

Pela primeira vez na história, a África do Sul avança ao mata-mata de uma Copa do Mundo após vencer a Coreia do Sul por 1 a 0 em Monterrey, no México.

A seleção da África do Sul derrotou a Coreia do Sul por 1 a 0 na noite desta quarta-feira (24), no Monterrey Stadium, em Guadalupe, no México, e garantiu pela primeira vez na história do país uma vaga no mata-mata de uma Copa do Mundo. Em sua quarta participação no torneio, os Bafana Bafana finalmente superaram a barreira da fase de grupos, um objetivo que havia escapado nas campanhas de 1998, 2002 e 2010. O gol que selou a classificação saiu aos 18 minutos do segundo tempo, quando Thapelo Maseko recebeu cruzamento de Tshepang Moremi, girou sobre a marcação sul-coreana e finalizou de pé esquerdo para vencer o goleiro Kim Seung-gyu.

Com o resultado, os sul-africanos terminaram o Grupo A na segunda colocação, com quatro pontos. O México liderou a chave com nove pontos após derrotar a Tchéquia por 3 a 0 na rodada final. A África do Sul havia estreado na Copa com derrota por 2 a 0 para os mexicanos e arrancado um empate por 1 a 1 contra a República Tcheca na rodada seguinte, chegando ao jogo decisivo sabendo que apenas a vitória garantiria a classificação.

O técnico belga Hugo Broos, de 74 anos, respondeu à necessidade do resultado com uma mudança tática significativa: abandonou a formação com três meio-campistas centrais em linha e apostou em dois volantes e um armador, função entregue ao jovem Relebohile Mofokeng, que ganhou sua primeira oportunidade como titular na Copa e teve atuação decisiva na construção ofensiva ao longo de toda a partida. Na coletiva pós-jogo, Broos falou com jornalistas: “É difícil explicar este sentimento. Esperamos cinco anos por isso e o que fizemos nesses cinco anos é impressionante. Estamos na próxima fase, isso é histórico para os garotos e para mim.”

O personagem central da classificação foi Maseko, atacante de 22 anos revelado pelo SuperSport United e atualmente no Mamelodi Sundowns, principal clube do futebol sul-africano. Eleito o melhor jogador jovem da Copa Africana Sub-20 de 2023, ele passou boa parte da partida desperdiçando oportunidades antes de converter a chance definitiva. Sua trajetória recente carregava um peso adicional: uma lesão sofrida durante a Copa Africana de Nações de 2023 havia interrompido sua ascensão, e uma retomada gradual pelo Limassol, do Chipre, onde foi emprestado em janeiro de 2026, precedeu os meses que o trouxeram até Monterrey.

A conquista encerra um ciclo de ausências e eliminações precoces que marcou a história do selecionado africano no futebol mundial. A federação sul-africana só foi oficialmente reconhecida em 1992, após o fim do regime do apartheid, e desde então a seleção disputou apenas três edições do torneio antes de 2026: 1998, 2002 e 2010, todas com eliminação na fase de grupos. A participação de 2010, quando o país sediou o torneio, ficou marcada pela vitória sobre a França por 2 a 1, resultado que não foi suficiente para a classificação e que permaneceu como o ponto mais alto da trajetória dos Bafana Bafana em Copas até esta noite.

Do lado sul-coreano, a derrota deixou a seleção em situação delicada. Com três pontos, uma vitória e duas derrotas e saldo de gols negativo de um, a Coreia do Sul terminou em terceiro lugar no Grupo A e aguarda a definição da fase de grupos para saber se avança como um dos oito melhores terceiros colocados. A decisão de poupar o atacante Son Heung-min, que entrou apenas no segundo tempo, foi alvo de questionamentos após a partida, sobretudo porque a equipe asiática apresentou dificuldade de criação ofensiva durante boa parte do jogo.

A África do Sul enfrentará o Canadá, um dos países anfitriões da Copa, no próximo domingo (28), às 16h no horário de Brasília, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Na mesma coletiva, Broos reconheceu a dificuldade do adversário e deixou aberta a possibilidade de um avanço ainda mais profundo no torneio: “Quem sabe a gente não consegue passar de fase e chegar às oitavas.”

Pharrell Williams leva o oceano à passarela da Louis Vuitton

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Pharrell Williams no desfile Primavera-Verão 2027 da Louis Vuitton
Foto: Reprodução

Na passarela em Paris, Pharrell Williams aposta em silhuetas fluidas, referências marítimas e uma leitura contemporânea da alfaiataria, enquanto reforça a fusão entre luxo urbano, natureza e cultura do vestir na coleção Primavera-Verão 2027 da grife.

O desfile Primavera-Verão 2027 da Louis Vuitton, sob direção criativa de Pharrell Williams, apresentou uma coleção que desloca a alfaiataria tradicional para um território marcado pelo litoral, pelo oceano e pela estética do surfe.

As silhuetas da coleção evocam um dandy contemporâneo atravessado por referências marítimas: peças com construção precisa convivem com texturas que remetem ao artesanal, além de adornos que fazem referência direta ao universo marinho. O resultado é uma leitura que aproxima o vestir urbano de uma atmosfera descontraída, sem abrir mão da sofisticação técnica que estrutura a maison.

A trilha sonora de abertura do desfile ficou por conta de uma prévia da faixa “HAAVIN”, do rapper norte-americano Quavo, produzida por Pharrell, reforçando a assinatura criativa do diretor também na construção sonora da apresentação.

Entre os elementos de bastidores, a produção destacou práticas sustentáveis de reaproveitamento e ciclo fechado: a água utilizada na cenografia, proveniente da Eaux de Paris, retornará à rede de esgoto por meio de um circuito fechado, enquanto a areia do desfile será destinada às quadras de vôlei de praia da Cité Internationale Universitaire de Paris.

O desfile evidencia como Pharrell tem ampliado a narrativa da Louis Vuitton masculina ao tensionar códigos clássicos da alfaiataria com referências de lazer, natureza e cultura contemporânea.

PowerList Mundo Negro 2026: Taís Araujo e Flávia Oliveira integram o júri técnico da 5ª edição; veja lista completa

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Taís Araujo e Flávia Oliveira posando para fotos com a mão sobre o rosto.
Fotos: Reprodução/Instagram e Globo/Manoela Mello

A premiação que celebra mulheres negras se prepara para o dia histórico no Rio de Janeiro e revela as especialistas que definirão as categorias de curadoria.

A PowerList Mundo Negro celebra a sua 5ª edição em 2026, consolidando-se como uma das maiores e mais impactantes premiações de homenagem ao protagonismo de mulheres negras no Brasil. Marcada para o dia 31 de julho, a cerimônia deste ano acontecerá na sede da L’Oréal Brasil, no Rio de Janeiro, inserida no calendário do Julho das Pretas Latino-Americanas e Caribenhas.

Refletindo a relevância do prêmio, a edição de 2026 conta com o patrocínio da L’Oréal, por meio de seu grupo de afinidade negra AfroSou, e da TV Globo, que assina a parceria com a marca da novela das seis A Nobreza do Amor.

Nas etapas iniciais, o projeto já movimentou milhares de pessoas. O cronograma teve início em maio com as indicações e autoindicações abertas e, logo em seguida, seguiu para a consolidação do Top 5 por categoria. Após a intensa fase de votação popular, encerrada no dia 22 de junho, a organização do prêmio concentra-se agora no contato oficial com as escolhidas, tanto pelo voto popular quanto pelo júri técnico, etapa que se estende até o dia 30 de junho.

Ao todo, dez mulheres negras serão homenageadas. Além das cinco categorias de voto popular, as outras cinco são definidas por curadoria técnica, sob a responsabilidade de um júri especializado altamente qualificado, convidado pelo Mundo Negro. As juradas serão responsáveis por definir as vencedoras em:

  • Ciência, Tecnologia e Inovação
  • Liderança Corporativa
  • Diversidade e Impacto Social
  • Cultura, Artes e Entretenimento
  • Trajetória Transformadora

Conheça as Júris Técnicas da PowerList 2026

Aline Lima – @oficial.alinelima 

Foto: Mundo Negro

Aline Lima é executiva de Diversidade e Inclusão, Mestranda em Consumo e professora convidada da FAAP. Analista junguiana. Alia antropologia e negócios para posicionar a inteligência cultural como motor de P&L, governança e inovação estratégica no mundo corporativo.

Flávia Oliveira – @flaviaol 

Foto: Globo/Manoela Mello

Jornalista, colunista e comentarista de economia e política na Globonews, CBN e O Globo. É criadora e coapresentadora do podcast Angu de Grilo. Reconhecida por sua análise perspicaz que conecta dados econômicos e realidades sociais, com foco em raça, gênero e periferias.

Gaby Ferraz – @gabyfeerraz 

Foto: Divulgação

Gabrielly Ferraz (Gaby Ferraz) é jornalista, criadora de conteúdo, podcaster e mestranda no PPGMC/UFF (Programa de Pós-Graduação em Mídia e Cotidiano), onde pesquisa narrativas contra-hegemônicas na mídia. Também é pós-graduada em Gestão e Design em Carnaval e possui MBA em Estratégias de Comunicação Digital. Produz conteúdo nas redes sociais sobre o universo feminino, identidade e empoderamento negro. Aquariana, carioca e questionadora, Gaby conecta rigor acadêmico com comunicação acessível, criando pontes entre teoria e cotidiano.

Giovanna Heliodoro – @giovannaheliodoro 

Foto: Rafael Fujita/Brandhaus Creative Studio

Giovanna Heliodora é comunicadora, historiadora, atriz, e referência na criação de conteúdos com representatividade negra e LGBTQIPN+, é apresentadora da 2ª temporada da série Conversas que Inspiram, podcaster do Vamos Sentindo, e sócia do TransBaile.

Grazi Mendes – @grazimendes 

Foto: ©Renato_Parada

Grazi Mendes é executiva tech, professora, autora e designer de futuros, com mais de 20 anos de experiência no mercado de tecnologia. Autora do livro Ancestrais do Futuro: Qual a mudança que o seu movimento alcança? (2024), provoca lideranças a repensarem seus legados e o impacto de suas decisões. Ela é reconhecida como uma das 100 futuristas afrodescendentes mais influentes do mundo pela MIPAD/ONU.

Najara Black – @najarablack 

Foto: Divulgação

Najara Black é empresária, curadora, e gestora dos quiosques do Projeto Trilhos do Empreendedorismo (CCR Metrô Bahia), atuando no fortalecimento do desenvolvimento econômico e do afroempreendedorismo. Palestrante, mentora e facilitadora, já colaborou com instituições e marcas como Google, Meta, Sebrae, Aliança Empreendedora, Vale do Dendê Empreende Aí, Ginga Afrotech, Mercado Iaô, Senac/BA e outros. À frente da NBLACK há mais de 20 anos, acredita na moda como ferramenta de identidade, pertencimento e transformação social. Cofundadora da Ciranda Preta, promove conexões, fortalecimento e protagonismo entre mulheres negras através de encontros e experiências coletivas. É referência em moda com propósito, economia criativa e iniciativas de impacto social.

Natalia Paiva 

Foto: Divulgação

Considerada umas das 500 pessoas mais influentes da América Latina pela Bloomberg Línea, Natalia Paiva é líder tanto em temas relacionados à diversidade, equidade e inclusão, como em temas relacionados a novas tecnologias e seus impactos sociais. É presidente do MOVER (Movimento pela Equidade Racial) e sócia-fundadora da Alandar Consultoria, especializada em regulação de tecnologia. Com mestrado em Semiótica pela PUC-SP e MBA pela IE Business School em Madri, Natalia é Global Fellow do Inter-American Dialogue, think tank de políticas globais baseado em Washington. Também é conselheira do InternetLab, think tank de direitos digitais, e da Transparência Brasil.

Rachel Maia – @rachelomaia 

Foto: Carol Prates

Rachel Maia é fundadora e CEO da RM Cia 360, empresa de impacto e governança. Ex-CEO da Pandora Brasil e executiva da Tiffany & Co., integra os conselhos da Petrobras, Vale e Hypera. Contadora pela FMU, possui MBA pela FGV e formação executiva pela Harvard Business School.

Taís Araujo – @taisdeverdade 

Foto: Reprodução/Instagram

Atriz, apresentadora e produtora com mais de 30 anos de carreira, é referência em representatividade no audiovisual e no teatro nacional. Uma das principais embaixadoras da L’Oréal Paris Brasil, usa a sua voz e influência para impulsionar a valorização da cultura negra.

Quem já passou pela Powerlist 

Em quatro edições, a premiação reconheceu mulheres que hoje são referência em diferentes campos da sociedade brasileira. Pela PowerList já passaram nomes como a deputada federal Erika Hilton (2023), a dermatologista Dra. Katleen Conceição (2022), a fundadora e curadora da Negra Rosa Rosangela Silva (2023), a diretora de Marketing da Globo Samantha Almeida (2024), a empreendedora e comunicadora Bárbara Brito (2024), a especialista em Inclusão e Diversidade na área de Beleza Marcele Gianmarino (2024), a psicóloga social, escritora e ativista, autora de O Pacto da Branquitude, Cida Bento (2025), a cantora Majur (2025) e a cientista Lívia Rodrigues (2025), entre outras trajetórias inspiradoras.

Patrocínio

A 5ª edição da PowerList Mundo Negro é patrocinada pelo Grupo L’Oréal, através do grupo de afinidade negra AfroSoul, em parceria ampliada após a edição de 2025. A TV Globo estreia como parceira da premiação, assinando com a novela A Nobreza do Amor, das 18h, e patrocinando especificamente a categoria Empreendedora do Ano. (Matérias dedicadas a cada parceria serão publicadas nos próximos dias.)

Sobre a Powerlist Mundo Negro

Em sua 5ª edição, a PowerList se consolida como a principal premiação de mulheres negras do Brasil, reunindo votação popular, curadoria técnica independente e cerimônia presencial. Conecta a comunidade negra a marcas e lideranças comprometidas com representatividade, e celebra trajetórias em diferentes áreas da sociedade.

Saiba mais: https://powerlist.mundonegro.inf.br/

São João é cultura popular, e a história negra também faz parte dela

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Festas juninas com fogueira e bandeirinhas na cultura popular brasileira
Imagem gerada por IA


As festas juninas costumam ser associadas à tradição católica e às influências europeias, mas sua forma brasileira foi moldada por diferentes matrizes culturais. Na religiosidade, na música, na culinária e nas formas de celebração, a presença negra também faz parte dessa história.

Bandeirinhas, quadrilhas, comidas típicas e fogueiras fazem parte do imaginário que cerca as festas de São João. Celebrada em todas as regiões do país, a data costuma ser apresentada como uma herança das tradições católicas trazidas pelos portugueses. Mas essa narrativa, embora importante, não conta toda a história.

Ao longo dos séculos, o São João foi transformado pelas diferentes populações que formaram o Brasil. Nesse processo, a presença negra contribuiu para moldar práticas culturais, expressões religiosas, formas de sociabilidade e manifestações artísticas que ajudaram a construir uma das maiores festas populares brasileiras, como um retrato da diversidade cultural do país.

A FOGUEIRA ENTRE SÃO JOÃO E XANGÔ

Um dos símbolos mais conhecidos da festa junina é a fogueira. Na tradição católica, sua origem está associada à história de Isabel, mãe de João Batista, que teria acendido uma fogueira para avisar Maria sobre o nascimento do filho.

Nas religiões de matriz africana, especialmente nas que se originam no povo iorubá, em que se cultuam os orixás, o período dos festejos juninos também está relacionado a Xangô, orixá associado à justiça, ao fogo, aos raios e aos trovões. Em muitas casas de axé, as celebrações dedicadas a Xangô acontecem durante o mesmo período das festividades de São João.

Essa aproximação revela como o sincretismo é um dos traços mais marcantes da história cultural brasileira.

MÚSICA, DANÇA E ENCONTRO

A presença negra também pode ser percebida na construção da cultura musical que acompanha os festejos juninos.

Os arraiais são marcados por ritmos desenvolvidos a partir do encontro entre matrizes africanas, indígenas e europeias. Instrumentos de percussão, tradições orais, formas coletivas de dança e experiências comunitárias ajudaram a formar a identidade sonora que hoje caracteriza grande parte das festas populares brasileiras, como ferramentas de preservação cultural e transmissão de memória.

CULINÁRIA E SABERES COMPARTILHADOS

As festas juninas também revelam a centralidade da culinária como espaço de encontro entre diferentes matrizes culturais que formam a sociedade brasileira.

Em “Feira de Mangaio”, clássico de Sivuca eternizado na voz de Clara Nunes, versos como “bolo de milho, broa e cocada / eu tenho pra vender, quem quer comprar?” evocam justamente essa dimensão alimentar das festas populares, em que a comida não é apenas consumo, mas também memória, circulação e identidade cultural.

Nesse contexto, o milho aparece como um dos principais elementos das celebrações juninas, associado ao ciclo agrícola que estrutura boa parte das festas no país. Sua presença nas mesas brasileiras dialoga com usos tradicionais de povos originários das Américas, enquanto outros ingredientes que compõem o universo junino revelam trajetórias distintas de circulação e adaptação cultural.

O leite de coco, por exemplo, tem origem ligada ao norte da África e se incorporou à culinária brasileira ao longo do processo histórico de formação do país, especialmente nas regiões costeiras e no Norte e Nordeste. Já o açúcar, amplamente presente em doces típicos das festas juninas, também está inserido em uma história marcada pela presença africana no sistema produtivo colonial e na reorganização dos saberes culinários no Brasil.

FESTA, MEMÓRIA E CONTINUIDADE

Ao reunir religiosidade, música, culinária e memória, as festas juninas ajudam a contar uma história maior: a de um país construído pelo encontro de diferentes culturas e pela contribuição de populações que ajudaram a formar a identidade brasileira.

A presença afro-brasileira nesse processo não aparece como elemento lateral, mas como parte estruturante da cultura popular que sustenta o próprio imaginário das festas de São João.

Equipe de Whitney Houston rebate declaração de Oprah sobre queda da cantora em seu programa

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Foto: Michael Tran / Getty Images / Reprodução

Oprah revelou no Cannes Lions que Whitney caiu do palco em 2009. A equipe da cantora contestou a versão e negou que ela estivesse sob efeito de drogas no momento.

Oprah Winfrey revelou publicamente, durante sua participação no festival Cannes Lions, em 22 de junho de 2026, que Whitney Houston caiu do palco durante sua última aparição no programa “The Oprah Winfrey Show”, em setembro de 2009, e que a apresentadora pediu à plateia presente que não divulgasse fotos nem detalhes do ocorrido. No mesmo dia, o espólio da cantora, administrado por Pat Houston, contestou a versão e afirmou que Whitney não estava sob efeito de drogas naquele momento.

Oprah recebeu o prêmio LionHeart do festival quando fez a revelação. Segundo ela, Whitney havia tido uma recaída e estava visivelmente alterada no dia da gravação. “Eu tinha tanta confiança da plateia do The Oprah Show. Ela tinha voltado a usar drogas e caiu do palco”, disse a apresentadora. Ela afirmou ter agido rapidamente para evitar que o episódio se tornasse público. “Eu sabia que se essa história vazasse, ela ficaria destruída. Então eu implorei para que não divulgassem as fotos, porque isso arruinaria a vida dela, e eles não divulgaram. Isso não aconteceria hoje, posso garantir”, declarou.

A resposta do espólio veio horas depois, por meio de nota enviada ao site TMZ. Pat Houston afirmou que Whitney “definitivamente caiu do palco, mas foi durante a passagem de som, em razão da escuridão do local e da falta de familiaridade com o palco. Ela definitivamente não estava drogada”. A nota reconheceu as batalhas pessoais da cantora com o vício, mas contestou a atribuição do episódio específico ao uso de substâncias. “É impreciso e injusto associar essa luta a cada performance ou a cada capítulo de sua vida. O que a plateia testemunhou naquele palco foi resultado de disciplina, talento e comprometimento, não das suposições que outros projetam”, diz o comunicado. O texto encerrou com uma declaração direta sobre a memória da artista: “A humanidade de Whitney incluiu triunfos e batalhas, mas naquele dia ela se apresentou como a artista profissional e talentosa que sempre se esforçou para ser. Devemos a ela a dignidade de contar a verdade, não de repetir mitos.”

A aparição de 2009 foi a última de Whitney Houston no programa de Oprah. Na ocasião, a cantora interpretou “I Didn’t Know My Own Strength” e participou de uma conversa franca sobre sua trajetória, seus desafios pessoais e o impacto do vício em sua vida. Durante a entrevista, ao ser questionada sobre o uso de substâncias, Houston falou sobre os altos e baixos de seu casamento com o cantor Bobby Brown. “Às vezes a gente se diverte mesmo. Mas quando chega ao ponto de estar em casa tentando esconder o que não quer que as pessoas saibam, é doloroso. E aí você quer mais, só para que ninguém te veja chorar”, disse ela a Oprah naquele programa.

Whitney Houston e Oprah Winfrey se encontraram pela primeira vez no programa em abril de 1999. A apresentadora revelou no Cannes Lions que, antes daquela gravação, desligou as câmeras e foi aos bastidores conversar diretamente com a cantora. “Então me diga, o que você quer que aconteça aqui? E eu vou te dizer o que eu quero que aconteça aqui”, disse Oprah que perguntou à artista. Segundo ela, essa foi uma das entrevistas mais marcantes de sua carreira.

Whitney Houston faleceu em 11 de fevereiro de 2012, aos 48 anos, em decorrência de afogamento acidental em um hotel de Beverly Hills. A causa da morte incluiu doença cardíaca e uso de cocaína como fatores contribuintes. Sua filha, Bobbi Kristina Brown, morreu três anos depois, em 2015, aos 22 anos, em circunstâncias similares.

Emicida rebate críticas ao Bolsa Família: “O que prende alguém na pobreza não é o benefício, é a pobreza”

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Foto: Reprodução/Instagram

Emicida publicou vídeo com pesquisas da FGV e do Nobel de Economia para responder à fala de Luciano Huck sobre dependência no Bolsa Família. Veja os dados.

O rapper e escritor Emicida publicou na segunda-feira (23) um vídeo nas redes sociais para responder às críticas que o apresentador Luciano Huck fez ao Bolsa Família durante o 5º Fórum Esfera, realizado no Guarujá (SP) no dia 23 de maio. Sem se colocar como adversário de Huck, Emicida estruturou a fala em torno de estudos da Fundação Getúlio Vargas, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e dos economistas laureados com o Nobel Esther Duflo e Abhijit Banerjee, deslocando a discussão do terreno moral para o campo das evidências.

No evento empresarial, Huck afirmou que o Bolsa Família não gera estímulo para que os beneficiários deixem o programa e que famílias criavam “atalhos para ficar no programa de distribuição de renda ad aeternum”. A fala viralizou e provocou reações de personalidades públicas, influenciadores e do próprio Ministério do Desenvolvimento Social, cujo titular, Wellington Dias, rebateu as afirmações com dados governamentais no dia 27 de maio.

Emicida optou por esperar. “A minha intenção aqui não é responder ninguém. Por isso eu esperei uns dias pra abaixar a poeira, sair da esfera do lacre e trocar essa ideia numa perspectiva de diálogo construtivo e agregador”, disse no vídeo. A escolha de aguardar cinco dias antes de se manifestar foi, em si, uma tomada de posição: enquanto boa parte do debate se concentrava na disputa de narrativa imediata, o artista organizou um argumento sustentado por pesquisa.

O ponto central da fala de Emicida foi um estudo publicado em dezembro de 2025 pela FGV em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social, que acompanhou durante dez anos o percurso de beneficiários que recebiam o programa em 2014. O resultado contradiz diretamente a premissa de Huck. “Seis em cada dez já tinham saído. Entre os que eram adolescentes na época, sete em cada dez. E nas casas onde o pai ou a mãe tinha carteira assinada, quase oito em cada dez”, afirmou Emicida, citando os números com precisão.

O rapper mencionou ainda que, somente em 2025, dois milhões de famílias deixaram o programa porque a renda familiar superou o limite de elegibilidade. “A porta giratória existe e ela gira pra fora”, disse. Os dados são consistentes com os levantamentos do próprio Ministério do Desenvolvimento Social, que registrou, nos primeiros três anos do Novo Bolsa Família, criado em 2023, uma média mensal de saídas superior à de entradas, com aproximadamente 447 mil saídas contra 359 mil entradas por mês, segundo análise da economista Juliane Furno publicada em junho de 2026.

Emicida também citou o retorno econômico do programa para rebater a ideia de que o gasto social é ineficiente. Segundo o Ipea, cada real investido no Bolsa Família gera R$ 1,78 de impacto no Produto Interno Bruto. O mecanismo é direto: ao contrário de outros fluxos de capital, o benefício entra imediatamente no consumo das camadas de menor renda, dinamizando o comércio local. “Esse dinheiro não vai pra offshore, pra Suíça, pra Ilhas Cayman. Pra onde ele vai? Pro mercadinho da esquina, pra farmácia, pro caderno da escola”, disse o rapper.

Emicida recorreu ao conceito de “armadilha da pobreza”, desenvolvido pelos economistas Duflo e Banerjee, para responder ao argumento de que o programa desestimula o trabalho. Os dois pesquisadores ganharam o Nobel de Economia em 2019 justamente por desenvolver metodologias de avaliação de políticas de combate à pobreza, revisando evidências de mais de cem países. A conclusão, segundo Emicida, é direta. “Não existe evidência de que dar uma renda pra quem precisa faz a pessoa trabalhar menos. O que prende alguém na pobreza não é o benefício, é a pobreza.”

A menção a Duflo e Banerjee não foi casual: Emicida assina os comentários dos dois livros infantojuvenis da economista lançados no Brasil pela Companhia das Letrinhas em maio de 2026, “Volta por Cima” e “Conta Comigo”. As obras abordam pobreza global para leitores a partir de seis anos e fazem parte de um projeto editorial que inclui uma olimpíada nacional de redação. “Assinei dois livros junto da Esther Duflo aqui no Brasil. Ela ganhou o Prêmio Nobel de Economia justamente por entender e clarificar como a pobreza funciona de verdade”, contextualizou o artista no vídeo.

Emicida também citou o economista Michael França e sua análise sobre a “Loteria do CEP”, conceito que descreve como o local de nascimento determina as oportunidades de uma pessoa no Brasil, para concordar parcialmente com Huck. O apresentador havia mencionado dado da OCDE segundo o qual uma família na base da pirâmide social brasileira leva, em média, nove gerações para alcançar a classe média. Para Emicida, o número está correto, mas a conclusão tirada dele não. “Nove gerações não é a prova de que o programa Bolsa Família não funciona. É a descrição exata do buraco que o programa se propõe a tapar.”

O debate iniciado pela fala de Huck ganhou dimensão adicional ao se cruzar com os dados de composição do Bolsa Família. Segundo o Informe Bolsa Família nº 109, publicado pelo Ministério do Desenvolvimento Social em março de 2026, 84% dos responsáveis familiares pelo programa são mulheres e 74,8% desse grupo são mulheres negras. Os dados refletem uma concentração estrutural: conforme levantamento do Ipea, cerca de 80% dos 10% mais pobres da população brasileira são negros. O programa atende preferencialmente esse público não por critério identitário explícito, mas porque a pobreza brasileira tem recorte racial definido.

Emicida não abordou o recorte racial de forma explícita no vídeo, mas o argumento estrutural que ele construiu converge com essa leitura: a crítica ao programa como instrumento de acomodação ignora que a permanência na pobreza decorre de condições objetivas, não de ausência de vontade. “Quem tá há nove gerações no final da fila não tá lá por preguiça. Tá lá porque na largada da corrida tem uns que nascem na metade do caminho, e outros nascem amarrados ao final dele.”

Emicida disse concordar com parte do diagnóstico de Huck sobre ineficiência do Estado e com a ideia de que o programa pode ser aperfeiçoado com o uso de tecnologia, ponto que o apresentador defendeu em vídeo publicado no dia 24 de maio, após as críticas. O rapper, porém, estabeleceu uma distinção entre aperfeiçoamento e moralização. “Aperfeiçoar o programa? Sempre. Usar a tecnologia pra chegar com mais precisão em quem mais precisa? Vambora”, disse, para em seguida acrescentar um alerta sobre segurança de dados em tempos de inteligência artificial, tema que considerou “mais urgente do que a maioria tem conseguido ver.”

O ponto de separação entre as duas perspectivas, na leitura do artista, está no ponto de partida do argumento. “O ponto de partida não pode ser a desconfiança de quem tem menos. Tem que ser a dignidade de quem segura esse país de pé todo dia”, afirmou. A frase sintetizou o eixo do vídeo: não uma refutação agressiva das críticas de Huck, mas uma reorientação da pergunta. Enquanto o apresentador indagou como motivar famílias a sair do programa, Emicida propôs reformular o problema. “A pergunta certa nunca foi como fazer o pobre querer sair do programa. Ele sempre quis. A pergunta é: que ponte a gente construiu pra ele ter pra onde ir sem o programa?”

Flip 2026: Zadie Smith, Djaimilia de Almeida e Ana Paula Tavares estão entre os destaques da edição

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Zadie Smith entre os destaques da programação da Flip 2026
Foto: Tyler Mitchell/Vogue UK

A escritora britânica Zadie Smith, a luso-angolana Djaimilia Pereira de Almeida, a angolana Ana Paula Tavares e o escritor brasileiro Edimilson de Almeida Pereira estão entre os destaques da programação da Flip 2026. O festival literário, que acontece entre os dias 22 e 26 de julho em Paraty (RJ), também contará com a participação da pesquisadora e escritora Juliana Borges, responsável pela mediação da aguardada conversa com Zadie Smith.

Divulgada nesta terça-feira (23), a programação completa da Festa Literária Internacional de Paraty reúne autores de diferentes países e consolida a presença de escritoras e escritores negros em algumas das principais mesas da edição deste ano.

Zadie Smith participa pela primeira vez da Flip

Um dos principais destaques desta edição é a participação inédita da escritora britânica Zadie Smith. Autora de obras como Dentes Brancos e A Fraude, a romancista ocupará um dos horários mais prestigiados da programação, em uma conversa mediada pela pesquisadora Juliana Borges.

Reconhecida internacionalmente por romances que abordam identidade, pertencimento, classe, migração e transformações sociais, Zadie Smith construiu uma extensa e respeitada trajetória na literatura contemporânea em língua inglesa.

Sua participação marca um dos momentos mais aguardados da programação e reforça a presença de autoras negras em espaços centrais dos grandes festivais literários.

Djaimilia Pereira de Almeida integra programação do festival

Outro nome de destaque é a escritora luso-angolana Djaimilia Pereira de Almeida, vencedora de duas edições do Prêmio Oceanos e autora de obras que exploram deslocamentos, memória, relações familiares e experiências da diáspora.

Djaimilia participa da mesa Falo do que Impede o Sono, ao lado do escritor franco-argelino Kamel Daoud, com mediação da jornalista Adriana Ferreira Silva.

Ana Paula Tavares leva a literatura angolana para Paraty

A escritora, poeta, historiadora e pesquisadora angolana Ana Paula Tavares, vencedora do Prêmio Camões de 2025, também integra a programação principal da Flip.

Sua obra é marcada pelo diálogo entre memória, oralidade, história e experiências femininas. Sua participação acontece em uma mesa individual mediada pelo poeta Tarso de Melo.

Edimilson de Almeida Pereira representa a literatura negra brasileira

A programação também contará com a presença do escritor, poeta e pesquisador Edimilson de Almeida Pereira, um dos nomes mais relevantes da literatura brasileira contemporânea.

Sua produção literária e acadêmica dialoga com religiosidades afro-brasileiras, cultura popular, memória e patrimônio cultural, temas que ocupam lugar de destaque em sua trajetória intelectual.

A programação completa da Flip 2026 está disponível nos canais oficiais do evento: flip.org.br.

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