Em um passo decisivo para os direitos trabalhistas e a saúde feminina, o Governo do Condado de Nairóbi aprovou formalmente a concessão de dois dias de licença menstrual remunerada por mês para suas servidoras. A medida, aprovada pelo Gabinete sob a presidência do Governador Johnson Sakaja, marca a capital queniana como pioneira na formalização do apoio à saúde menstrual dentro de suas políticas de Recursos Humanos.
A decisão foi tomada durante uma sessão estratégica do Comitê Executivo do Condado. O objetivo central é reconhecer a dismenorreia (dor menstrual severa) como uma condição que impacta diretamente a produtividade e o bem-estar da força de trabalho feminina, que hoje representa mais da metade do funcionalismo público da capital
A nova política não se baseia apenas em bem-estar, mas em dados sólidos de gestão. Estudos citados no memorando do governo indicam que entre 65% e 80% das mulheres sofrem de dores menstruais, muitas vezes em níveis que comprometem a capacidade laboral.
Antes da aprovação, a ausência de diretrizes forçava as funcionárias a enfrentar o “presenteísmo”, estar fisicamente no trabalho, mas sem condições reais de produtividade devido ao desconforto. “A política visa solucionar essa lacuna, oferecendo suporte estruturado sem impor ônus financeiro adicional ao município”, destaca o documento de posição do gabinete.
A gestão Sakaja garantiu que a implementação será acompanhada por medidas de sensibilização para evitar estigmas no ambiente de trabalho. Os principais pontos da execução incluem:
Sigilo Total: Garantia de privacidade e dignidade para as funcionárias em todos os níveis.
Avaliação de Desempenho: A utilização dos dias de saúde menstrual não terá impacto negativo nas avaliações de carreira.
Continuidade Operacional: Para garantir que os serviços essenciais não parem, o setor de Gestão do Serviço Público implementará escalas de revezamento e trocas de turnos.
Com esta medida, Nairóbi se junta a um grupo seleto de nações e regiões que reconhecem legalmente essa necessidade. Na África, a Zâmbia já possui o “Mother’s Day” (um dia de folga mensal). Globalmente, países como Japão, Coreia do Sul, Indonésia e Espanha (esta última desde 2023) já possuem leis que protegem a saúde menstrual das trabalhadoras.
No Quênia, embora o Ministério da Saúde e órgãos como o UNFPA já defendessem políticas de higiene e combate à pobreza menstrual, a iniciativa de Nairóbi é vista por especialistas como um avanço prático na remoção de barreiras de gênero no mercado de trabalho.
Lançamento aproveita ano com 10 feriados nacionais; publicação resolve lacuna histórica de visibilidade
Onde comer bem e apoiar o empreendedorismo negro durante as viagens? Essa pergunta, comum entre quem busca consumo consciente, tinha até agora uma resposta fragmentada. O Guia Black Chef’s 2026, lançado neste domingo (5) pelo Mundo Negro em parceria com o Guia Black Chef’s, resolve esse problema com uma curadoria inédita: 100 experiências gastronômicas de empreendedorismo negro em todo o Brasil, organizadas em formato prático e acessível.
“Pela primeira vez, existe um mapeamento nacional dedicado exclusivamente a isso”, afirma Silvia Nascimento, coordenadora editorial do guia. “Não existe um veículo no Brasil com mais credibilidade que o Mundo Negro para lançar um produto como esse, inédito, construído com um trabalho que é resultado de uma marca comprometida em promover a comunidade negra por meio de conteúdo há mais de 20 anos.”
O lançamento não é por acaso. 2026 começa com 10 feriados nacionais – incluindo Carnaval, Páscoa e diversos feriados prolongados – tornando-se um ano ideal para viagens pelo Brasil. O guia chega justamente no momento em que brasileiros começam a planejar seus roteiros.
O problema da invisibilidade
Estabelecimentos de proprietários negros frequentemente não aparecem em guias gastronômicos tradicionais ou plataformas de turismo. Mesmo com qualidade técnica e proposta diferenciada, faltava visibilidade organizada. “Cada estabelecimento aqui presente representa uma história de excelência, técnica e paixão que o mercado tradicional não enxerga”, destaca a publicação.
O Guia Black Chef’s existe desde 2023 e já apresentou mais de 200 estabelecimentos, consolidando-se como referência no setor. Esta edição reúne o melhor dessa curadoria: das praias do nordeste aos bistrôs do sul, passando por casas de sushi, pizzarias, sorveterias, cafeterias, hamburguerias e refúgios à beira-mar.
Cinco categorias para facilitar escolhas
O guia organiza as experiências para atender diferentes momentos: Pé na areia e verão (sabores litorâneos), Comida ancestral (tradições preservadas), Alta gastronomia (técnica apurada), Happy Hour & Burgers (descontração) e Sabores do Mundo & Cafés (sushi, pizzas, sorvetes, cafés autorais).
“Do sushi artesanal aos pratos de raiz, das sorveterias aos cafés, a diversidade é a essência”, afirma o guia. Entre os destaques estão o Ú Bistrô em Tibau do Sul (RN), refúgio contemporâneo na Praia da Pipa com vista para o mar; o Velas do Cumbuco no Ceará, onde kitesurf encontra gastronomia; e o Zé Barbudo Lounge em Trancoso (BA), que une o charme da Bahia com drinks e cozinha sofisticada.
Formato pensado para quem viaja
Em 16 páginas com design editorial, o guia facilita decisões rápidas. Um PDF bônus traz Instagram clicável de cada estabelecimento – basta tocar para acessar cardápio, horários e fazer reservas. “Nesta edição, convidamos você a descobrir destinos onde a ancestralidade dialoga com a inovação e cada prato conta uma narrativa única”, apresenta a publicação.
“O Guia Black Chef’s é mais novinho, mas já se tornou um projeto referência jornalística em conteúdos afrocentrados de gastronomia”, completa Silvia Nascimento.
O Guia Black Chef’s 2026 está disponível por R$ 67. Assinantes pagantes da Newsletter Hub Mundo Negro recebem um link exclusivo por e-mail com desconto especial, pagando apenas R$ 47.
Sobre o Guia Black Chef’s Criado em 2023, o Guia Black Chef’s é a principal referência no mapeamento da gastronomia negra brasileira, tendo apresentado mais de 200 estabelecimentos em todo o território nacional.
Sobre o Mundo Negro Há mais de 20 anos, o Mundo Negro é referência em conteúdo sobre cultura, empreendedorismo e representatividade negra no Brasil.
O produtor audiovisual Helber Alves, de 26 anos, segue desaparecido desde a madrugada do dia 24 de dezembro, na Grande São Paulo. Ele foi visto pela última vez por volta das 2h, na estação Cidade Jardim, na zona oeste da capital, segundo informações repassadas por familiares. Passados 12 dias do desaparecimento, o caso continua sem esclarecimentos e é investigado pela Polícia Civil.
Neste domingo (4), a irmã Kelly Alves atualizou a situação atual nas redes sociais. “Até o momento, as pistas que existem já foram entregues à polícia, porém não recebemos respostas ou atualizações concretas sobre o andamento do caso. Estamos aguardando pacientemente pra que tudo seja feito de forma correta!”, escreveu.
“Há a possibilidade de o Helber ter entrado em um carro de transporte por aplicativo, mas não é possível afirmar qual empresa, nem confirmar essa informação. Ainda não temos imagens de câmeras de monitoramento. Por esse motivo, toda informação compartilhada é fundamental para ajudar nas buscas”, completou.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), as apurações estão sob responsabilidade do Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP) da Delegacia Seccional de Carapicuíba. Em nota à imprensa, a pasta informou que as diligências seguem em andamento com o objetivo de localizar Helber e esclarecer os fatos relacionados ao desaparecimento.
Antes de desaparecer, Helber esteve na casa da irmã, no bairro Engenho Novo, em Barueri, no dia 22 de dezembro. Segundo relato da família, ele enfrentava dificuldades financeiras e foi até o local para conversar. Por volta das 22h50, deixou a residência e chegou a permanecer sentado na calçada por algum tempo. Já na madrugada do dia 23, enviou uma mensagem à mãe dizendo que havia conseguido dinheiro para quitar dívidas, mas, desde então, não respondeu mais.
Familiares destacam que Helber é pai de uma menina de 5 anos e sempre foi muito presente na vida da filha. Ele havia combinado de buscá-la no dia 24 para passar o Natal juntos, o que não aconteceu, aumentando a preocupação. No dia 29 de dezembro, amigos e parentes realizaram uma manifestação pacífica em frente à estação Cidade Jardim, pedindo mais visibilidade para o caso e celeridade nas investigações.
Qualquer informação que possa contribuir para localizar Helber Alves pode ser repassada de forma anônima ao Disque Denúncia, pelo número 181.
Por: Laila Santos, co-fundadora e gestora do Restaurante Manden Baobá
Falar da culinária afrodiaspórica no Brasil, é o reconhecimento de que comer também é uma forma de manter viva uma história que atravessa continentes. Compreender o hábito alimentar como extensão de uma conjuntura histórica que une a nutrição, criatividade e principalmente, um coletivo, é fundamental para entendermos que a presença africana é estrutura da nossa cultura. Essa compreensão é chave para os debates sobre culinária afro-brasileira, gastronomia africana, afroempreendedorismo gastronômico e gastronomia identitária.
O ato de cozinhar é muito além de preparo de alimentos, mas sim uma forma de manter viva uma herança cheia de afetos que atravessa gerações, sendo peça fundamental para iniciarmos essa conversa tão importante: a junção da culinária afrodiaspórica e a gestão gastronômica.
O que é culinária afrodiaspórica?
Falar de culinária afrodiaspórica no Brasil, é o resgate de um conjunto de práticas que une ingredientes e técnicas baseadas nas memórias espalhadas pelo território oriundas do período escravocrata. Ela nasce do encontro entre culturas africanas diversas e as condições impostas pela diáspora. Por isso, é tão criativa e resistente, se adaptando com ingredientes do nosso solo tão fértil, mostrando que o alimentar além de essencial, é afetivo, ancestral e ligado ao território – pilares importantes da culinária africana contemporânea.
Muitas vezes o termo é usado de forma superficial, mas ele reflete uma história complexa: são alimentos, modos de preparo e formas de organização que sobreviveram embora a grande tentativa contínua de apagamento cultural.
O interesse do público também mudou
Dentro desse cenário de resgate e valorização da gastronomia afro-brasileira, os dados mostram que o público brasileiro está cada vez mais interessado em experiências culinárias conectadas à identidade, memória e cultura:
+48% de aumento nas buscas por gastronomia regional desde 2023
+71% dos brasileiros dizem que comer é uma forma de expressar identidade cultural
Fonte: Google Trens, 2025 | Datafolha, 2024 | Ministério do Turismo, 2025
Esses números reforçam que a culinária afrodiaspórica ocupa um lugar cada vez mais reconhecido, buscado e valorizado no país, impulsionando o turismo gastronômico, o empreendedorismo negro, a educação alimentar afrocentrada e a criação de novos negócios no setor.
Conhecimento transmitido pela prática
Grande parte da culinária africana foi preservada pela oralidade por circunstâncias óbvias. Não precisamos falar de gerações muito passadas, mas as minhas avós não sabem escrever e o ensinamento de boca-a-boca sempre foi a comunicação primordial. Bem como eu aprendi a cozinhar arroz e feijão olhando minha mãe e minha vó fazerem quando pequena, nossos ancestrais ensinavam pela observação e pelo fazer; não existiam receitas escritas: a memória estava no ensinamento e no gesto.
Esse modo de aprender permanece vivo. Porém, com a necessidade de termos um garantidor de qualidade na gastronomia, as fichas técnicas, fichas de preparo, montagem, controle de estoque e demais ferramentas de gestão são fundamentais para conseguirmos levar exatidão sem perder o tempero e a continuidade.
Foto: Arquivo pessoal
Formações como a Feira Preta Cria Gastronomia, que tive a honra de ser facilitadora a convite da Feira Preta em São Paulo, traz uma metodologia única e assuntos abordados no dia-a-dia das empreendedoras negras. O objetivo é potencializar negócios gastronômicos, auxiliando na vivência real das empreendedoras, entendendo como veicular de forma potente desde a criação ao consumo.
Essa formação respeita trajetórias, reconhece os saberes e reforça o valor da culinária afro diaspórica como linguagem de resistência, economia criativa e expressão cultural.
Gestão ancestral: Ubuntu como forma de trabalho
No Restaurante Manden Baobá, entendemos que a culinária começa na gestão. Inspirada na filosofia Ubuntu,“eu sou porque nós somos” a organização da equipe parte da ideia do senso de comunidade.
Cada pessoa é vista como parte essencial do processo, e não apenas como colaboradora. Essa abordagem está presente desde a criação dos pratos até o pós-atendimento. É a junção entre gestão coletiva e ancestralidade com propósito que sustenta a essencia do negócio.
O prato como consequência
Quando olhamos para a culinária afrodiaspórica e africana a partir da gestão, da transmissão e da criatividade, entendemos que o prato é o último – não menos importante – passo de um processo maior. A riqueza cultural que se tem a nível de África é gigantesca. Em várias regiões, alimentos como o fufu – massa feita de mandioca, milho amarelo, inhame ou banana-da-terra – estão mais presentes do que o arroz. A Múcua, fruto da árvore de Baobá ou Embondeiro, como fruto nutritivo ricin em Vitamina C.
Essa diversidade mostra como a culinária é ligada ao território e à criatividade de cada povo. Mostra que o criativo é combinação de fatores, ingredientes e referências.
No Manden Baobá, cada preparação carrega essa base: uma mistura de memória, identidade, tempero e cuidado. Não se trata apenas de comida, mas de um movimento cultural vivo que conecta história e gestão.
Pratos do Manden Baobá (Foto: Willy Roberto)
Culinária afrodiaspórica é patrimônio vivo
A culinária afrodiaspórica é um patrimônio que se renova diariamente e que segue firme mesmo diante das dificuldades históricas.
Da gestão ao prato, tudo se conecta à ancestralidade e ao compromisso de valorizar a cultura africana em suas diversas formas. Para quem trabalha com gastronomia africana ou afrodiaspórica, olhar para o prato exige olhar também para gestão, para equipe, economia, território e principalmente, a ancestralidade.
É nessa junção que conseguimos criar um negócio sólido, promovendo experiências profundas e memória preservada – tanto para quem faz acontecer, quanto para quem quer conhecer.
Unindo história e estratégia, vamos muito mais longe. Ubuntu!
Texto: Laila Santos — Empreendedora, comunicóloga, co-fundadora e gestora do RestauranteManden Baobá (Vila Mariana – São Paulo). Criadora de soluções que valorizam a culinária africana por meio da gastronomia, geração de renda e educação cultural. Facilitadora da formação Feira Preta Cria Gastronomia, atua na construção de experiências, negócios e narrativas que fortalecem o afroempreendedorismo gastronômico no Brasil.
Esse conteúdo é fruto de uma parceria entre Mundo Negro e Feira Preta.
A Justiça da Bahia definiu para os dias 24 e 25 de fevereiro de 2026 o julgamento de Arielson da Conceição Santos, preso preventivamente, e Marílio dos Santos, que permanece foragido. Ambos são acusados de envolvimento no assassinato da líder quilombola Mãe Bernadete Pacífico, executada com 25 tiros em agosto de 2023, em Simões Filho.
O processo, inicialmente conduzido na comarca local, foi transferido para Salvador após o Tribunal de Justiça reconhecer a repercussão nacional e internacional do caso e o risco de comprometimento da imparcialidade do júri. Ao todo, cinco suspeitos estão presos pela participação no crime. Arielson é apontado como um dos executores, ao lado de Josevan Dionísio dos Santos, também detido.
Para os advogados da família, Hédio Silva Jr. e Anivaldo dos Anjos, o julgamento pode pressionar Arielson a colaborar e revelar o paradeiro de Marílio, considerado mandante do assassinato. Há também a expectativa de que o réu possa apontar outros possíveis articuladores com influência política no estado.
A morte de Mãe Bernadete — ialorixá, referência na luta pelos direitos quilombolas e ex-coordenadora da CONAQ (Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas)— segue como um dos crimes mais emblemáticos e dolorosos da Bahia.
Movimentos negros e organizações de direitos humanos continuam cobrando respostas estruturais, responsabilização dos mandantes e proteção efetiva às lideranças quilombolas.
O Prêmio Ubuntu de Cultura Negra, uma das mais importantes iniciativas dedicadas a reconhecer artistas, coletivos e agentes culturais negros, continua vivendo um impasse. Mesmo após a confirmação de apoio institucional em agosto, o evento ainda não recebeu o aporte financeiro prometido pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SECECRJ), o que inviabiliza a realização da cerimônia que estava prevista para o Novembro Negro. O evento estava marcado para o dia 12, foi adiado para o dia 27, e agora segue sem uma nova previsão.
Segundo a organização, o acordo foi firmado durante uma série de agendas conduzidas pelo representante de captação de recursos do prêmio. A parceria garantiria segurança e planejamento para o evento, que celebra produções e trajetórias fundamentais para a valorização da cultura negra no Brasil.
A situação se agravou na última semana. “Na terça-feira (25), após a nota de adiantamento, pela segunda vez, a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa entrou em contato, por volta das 22h, solicitando uma reunião para o dia seguinte pela manhã. Durante o encontro, apresentamos novamente todo o projeto e reforçamos a necessidade do aporte financeiro, a fim de cumprir com vários compromissos que exigem contratação prévia, considerando que a parceria já estava confirmada desde agosto e, desde então, nunca houve devolutivas negativas, seja de forma presencial, por telefone ou por mensagens”, afirma a organização.
Para a equipe, o silêncio institucional revela uma fragilidade no comprometimento do poder público com pautas raciais e com o próprio Novembro Negro — período simbólico para reafirmar a identidade e a produção cultural negra. O impasse também contraria o “Pacto Cidade Antirracista”, firmado no Rio em 2022, que prevê estratégias de combate ao racismo e promoção da igualdade racial.
“Essa ausência de posicionamento coloca em evidência uma questão séria: estamos diante de uma falha de comunicação institucional ou de um sinal claro de desinteresse por uma pauta que deveria ser prioridade”, afirma Paula Tanga, fundadora do Prêmio Ubuntu.
Sem o aporte financeiro, o evento continua estruturado, mas sem previsão de nova data ou continuidade institucional. A organização reforça que precisa do apoio prometido para garantir uma execução digna, segura e à altura da importância do prêmio.
“Seguimos aguardando com responsabilidade e transparência, reafirmando nosso compromisso com o público, com a cultura e com a conscientização da urgência da agenda preta no Brasil. Esperamos que o Governo do Estado, por meio da SECECRJ, cumpra seu papel de garantia de políticas públicas de manifestação e expressão cultural e ofereça o suporte devido com a celeridade e o respeito que este projeto merece”, conclui Tanga.
“Bloco do Prazer” chega a Fortaleza em dezembro com uma proposta que ultrapassa o olhar sobre a festa enquanto celebração. A mostra, que ocupa o Museu de Arte Contemporânea do Ceará (MAC-CE) a partir de 02 de dezembro, investiga a Festa como força estética, articuladora de comunidades e ferramenta de disputa simbólica no Brasil. Realizada pelo Ministério da Cultura e pelo Instituto Dragão do Mar, com patrocínio da Petrobras, a exposição tem acesso gratuito e permanece em cartaz até maio de 2026.
Em sua versão cearense, o projeto se expande de forma significativa, reunindo cerca de 250 obras e conectando diferentes períodos, linguagens e perspectivas. Ao chegar ao Ceará, a mostra amplia seu território, abraçando a vitalidade de manifestações tradicionais como maracatus, reisados, mestres da cultura popular e os Tesouros Vivos da Cultura. São mais de 50 artistas nordestinos presentes, reafirmando a força da cultura preta e periférica em pinturas, fotografias, trabalhos têxteis e peças híbridas que destacam expressões afro-brasileiras, afro-indígenas, celebrações religiosas e cortejos urbanos.
A diversidade de gênero e identidade é um dos pilares desta edição. Entre as novas obras produzidas entre 2020 e 2025, está o inédito Cariri Delícia, de Charles Lessa, que tensiona corpo, som e rito. Artistas cearenses como Bárbara Banida e Blecaute reforçam o caráter político da mostra ao colocar vivências periféricas e discussões sobre gênero no centro do debate, em trabalhos como A cisgeneridade é uma ruína e Brincadeira como forma de aquilombamento. Como destaca a Secretária da Cultura do Ceará, Luisa Cela, a exposição acolhe e celebra a Festa como linguagem de liberdade, colocando o Ceará e o Nordeste no centro das reflexões contemporâneas do país, ao mesmo tempo em que fortalece políticas culturais que valorizam território, saberes populares e protagonismo local.
SERVIÇO
Exposição: Bloco do Prazer Onde: Museu de Arte Contemporânea do Ceará (MAC-CE) – Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura Endereço: R. Dragão do Mar, 81 – Praia de Iracema, Fortaleza (CE) Período: 02/12/2025 a 05/2026 Entrada: gratuita Realização: Ministério da Cultura e Instituto Dragão do Mar Patrocínio: Petrobras, via Lei Rouanet
As reflexões acerca do Dia da Consciência Negra e de Zumbi dos Palmares — uma data que potencializa a luta do povo negro por seu lugar de direito — são também um dia de balanço e de revelação. Para onde estamos caminhando? E a quem a narrativa do racismo importa?
Muitas dessas respostas estão nos nossos discursos repetidos insistentemente e exaustivamente — não por nosso desejo — uma vez que ainda somos apenas 8% nos cargos de lideranças, ainda somos apenas 11% nas universidades, ainda não chegamos ao Supremo Tribunal Federal (STF), ainda somos nós que, mesmo sendo protagonistas de tantas narrativas, seguimos sendo invisibilizados pela sociedade e pelos algoritmos.
Quando chegamos “lá”, todo e qualquer movimento nos coloca à prova e nos questiona se de fato aquele lugar nos pertence. O que só acontece quando a cor da pele antecede o saber. Não somos parte do seleto grupo dos 1% mais ricos do Brasil. Mas ainda somos nós que fazemos a economia girar desde os primórdios.
O Dia da Consciência Negra, que esse ano pela primeira vez engloba todo o território brasileiro, move milhões de posts, comentários, campanhas, palestras e por aí vai — o que é ótimo! Informação e ações antirracistas são sempre bem-vindas. Mas, e após o dia 20, como fica este cenário?
Para além dos discursos inspiradores e das campanhas institucionais, seguimos convivendo com estruturas que insistem em manter as mesmas hierarquias de sempre. E é aqui que números importam. Segundo o IBGE, pessoas negras representam mais de 56% da população brasileira, mas continuam sendo minoria nos espaços de decisão: ocupam menos de 30% dos cargos de liderança no país, e apenas 5% chegam aos altos postos executivos.
Esses dados não são apenas estatísticas; são sobre um cenário desigual que ainda trata diversidade como pauta de marketing, e não como estratégia de sustentabilidade social e econômica. Uma pesquisa da McKinsey mostra que organizações com maior diversidade racial em posições de liderança têm até 33% mais chance de superar a concorrência. Já provamos nossa capacidade, já trouxemos resultados, e o que fica evidente é que essa luta não deve ser do povo negro, e sim da sociedade brasileira.
O racismo não precisa de grandes acontecimentos para existir: ele opera no cotidiano, silenciosamente, moldando oportunidades, expectativas e até a forma como pessoas negras são percebidas antes mesmo de abrirem a boca. São questionadas, interrompidas e abordadas independentemente de sua classe social. Há um comportamento que impera na sociedade e que é naturalizado: o de que uma pessoa preta, não importa seu grau de conhecimento ou lugar hierárquico, está sempre a serviço. Portanto, tudo bem importuná-la com perguntas descabidas sobre sua aparência, profissão e, consequentemente, pautas racistas.
Podemos observar essa dinâmica em programas de debate. No Saia Justa, por exemplo, a vivência de raça e classe molda fortemente o discurso. É um estudo de caso que diz muito sobre a nossa sociedade: temos ali uma diversidade de mulheres e temas, e a reação de cada uma delas evidencia como suas diferentes realidades as impactam, com maior ou menor intensidade.
Quando a pauta é raça e classe social, percebemos a dor sobressaltando em Érika Januza, mulher negra retinta de origem periférica. Já Bela Gil, mulher negra nascida em uma família miscigenada, intelectual, de posses e com traços que não são identificados de imediato como características da negritude, compreende o discurso, participa ativamente, mas não transmite o sofrimento que recai sobre o tema, pois não foi afetada diretamente por ele, dado que sua pele mais clara e classe social a colocaram em uma posição mais privilegiada e protegida, como dita o colorismo.
Eliana Michaelichen, Tati Machado e Astrid Fontenelle costumam se surpreender, se indignar e colaborar com a discussão — mas até a página dois. Porque, quando as câmeras desligam, elas seguem protagonistas, sem que suas existências sejam questionadas a cada passo, sem serem interpeladas na base ou terem sua legitimidade colocada à prova diariamente.
Já mulheres como Gaby Amarantos, Taís Araújo e Rita Batista saem das mesmas conversas com a necessidade de estarem ainda mais fortes. Precisam retornar ao cotidiano onde o debate não termina: ele continua na rua, no trabalho, nas redes e no corpo. Uma trajetória de expectativas, projeções e luta contínua para não serem únicas nos espaços de destaque.
Continuamos sendo atravessados pelo julgamento, pelo controle, pela dúvida. Seguimos sendo lidos como exceção quando damos certo ou como ameaça quando existimos sem pedir licença. Enquanto isso, há quem permaneça confortável apenas no discurso — especialmente nas datas comemorativas. Reconhece a importância, fala bonito, emociona, compartilha posts… mas vive as mesmas escolhas, nos mesmos círculos, e os mesmos hábitos que sustentam privilégios históricos e alimentam práticas racistas.
Quem não carrega as marcas dessa história precisa ir além da conscientização: precisa aprender a ceder espaço, abrir portas, questionar privilégios, mudar práticas, rever os próprios vieses inconscientes e estar disposto a mudar. Reconhecer as microagressões que recaem sobre pessoas negras e entender qual é o seu papel em sua reprodução. Revisitar o passado é fundamental, mas mapear o presente é o que possibilitará resultados futuros. Entender que representatividade importa, mas não basta; inserir pessoas negras em espaços estratégicos não é concessão, é reparação e inteligência organizacional.
Construir um Brasil onde a cor da pele não tenha relevância na tratativa, um Brasil que seja justo não apenas no discurso, mas também na prática, é um dever de todos. O que fica depois do Dia da Consciência Negra é, enfim, uma reflexão coletiva para que a mudança seja efetiva para toda sociedade brasileira.
A palavra coragem sempre esteve no topo para que o povo negro pudesse avançar. Agora, já está mais do que na hora de a sociedade brasileira tomá-la para si e ter a coragem de mudar práticas, revisar privilégios e assumir responsabilidades nos demais 364 dias do ano.
O Prêmio Ubuntu de Cultura Negra, que chegaria à sua 5ª edição em novembro, estava previsto para ocupar o Parque Bondinho Pão de Açúcar em uma celebração dedicada ao tema “Conexões Ancestrais”. A cerimônia reuniria artistas, produtores e agentes culturais em um dos cartões-postais mais emblemáticos do país. No entanto, o evento foi adiado sem previsão de nova data após a falta de retorno dos órgãos estaduais responsáveis pela liberação dos recursos, o que inviabilizou sua execução.
Segundo a idealizadora e presidente da ONG Afrotribo, Paula Tanga, a decisão não teve origem na organização, mas na ausência de compromisso institucional com a continuidade do prêmio. “Estamos com tudo pronto. Dói, gente. Dói muito estar aqui”, afirmou, destacando que meses de planejamento foram interrompidos por falta de resposta formal do poder público.
Emocionada, Paula gravou um vídeo em que expõe a dimensão humana desse cancelamento. Ela enfrenta, ao mesmo tempo, a internação da irmã, em tratamento contra um câncer, e a frustração de ver um projeto de 20 anos de luta ser interrompido por falta de sensibilidade do poder público. “Não estou bem, não estou legal. Foi o cancelamento do prêmio devido à responsabilidade do Poder Público. Desde agosto a gente vem dialogando, que nos deu certeza”, disse, reforçando que o atraso e o silêncio das autoridades desmontaram meses de trabalho.
O impacto é ainda maior porque o Prêmio Ubuntu nunca foi só uma cerimônia. Ele sempre foi um gesto político: colocar lado a lado famosos e anônimos, reconhecer trajetórias que transformam territórios, criar caminhos onde a cidade costuma erguer barreiras. “O prêmio não incentiva a disputa entre os nossos. Ele incentiva a igualdade entre os nossos”, afirma Paula. E ocupar o Pão de Açúcar, neste ano, seria também afirmar o direito à cidade — especialmente no Novembro Negro.
Mesmo diante da dor, Paula fez questão de agradecer quem não soltou a mão, como a equipe do Parque Bondinho. Mas não aliviou a crítica. “A falta de incentivo para esse tipo de projeto só mostra o quanto temos que evoluir. Fala-se de equidade racial, fala-se de Ubuntu. Muitas pessoas falam de Ubuntu, mas não praticam Ubuntu, e eu tô sentindo isso na pele.” É um recado direto sobre como políticas culturais seguem falhando com iniciativas negras, mesmo quando elas já provaram sua relevância e capacidade de mobilização.
Paula afirma que seguirá lutando para garantir uma nova data e retomar o prêmio na dimensão que ele merece. “Eu vou lutar para que o prêmio aconteça, e que aconteça grandão”, diz. O adiamento, porém, expõe um cenário mais amplo: não se trata de um caso isolado. Em todo o país, projetos e movimentos negros vêm enfrentando cortes, atrasos e falta de resposta institucional, um padrão que se repetiu de forma ainda mais cruel neste Novembro Negro, mês que deveria fortalecer, e não fragilizar, iniciativas dedicadas à memória, arte e existência preta.
Prontos para se despedir da nossa Erica Sinclair? Aos 19 anos, Priah Ferguson não está encerrando o ciclo apenas com ‘Stranger Things’. Recentemente ela concluiu o ensino médio e está se preparando para novas etapas na vida pessoal e profissional. Um ciclo duplo que ela descreve como “agridoce”, mas absolutamente necessário.
Em entrevista ao Elite Daily, Ferguson refletiu sobre a década que passou no set da produção, para a qual foi escalada aos 10 anos. Como a série era filmada em sua cidade natal, Atlanta (Geórgia), ela conseguiu equilibrar gravações e estudos. “Estou muito animada para fazer coisas novas. Estou fechando este capítulo da minha vida e mal posso esperar para seguir em frente e ver o que mais o futuro me reserva”, afirmou.
Longe do universo de Hawkins, Priah planeja estudar marketing e ciência cosmética. “Quem sabe um dia eu possa ter minha própria linha de produtos para a pele”, diz a jovem. Mas a atuação continua como prioridade. Ela acaba de finalizar ‘Samo Lives’, cinebiografia de Jean-Michel Basquiat, ao lado de nomes como Jeffrey Wright e Dane DeHaan.
Apesar dos rumores sobre possíveis spin-offs, Ferguson diz estar tranquila para deixar sua personagem seguir seu próprio destino. “Acho que a Erica já deu o que tinha que dar. Acho que ela está cansada dos Demogorgons e dos monstros. Acho que a Erica só quer viver e se livrar de tudo isso”, brinca.
Ainda assim, o impacto de Erica é permanente em sua trajetória pessoal. Segundo ela, interpretar a personagem a tornou mais direta e assertiva. “Interpretar a Erica me tornou mais direta, não de uma forma grosseira, mas tipo, ‘Ei, vamos logo com isso’. Normalmente sou mais quieta, mas aprendi a adotar essa atitude por causa da Erica”.
A quinta temporada de Stranger Things estreia hoje, 26, na Netflix. Os quatro primeiros episódios chegam às 22h, e os novos episódios serão disponibilizados no Natal e na Véspera do Ano Novo, no mesmo horário.