A poucos dias do início da Copa do Mundo 2026, o maior torneio de futebol da história já coleciona casos de racismo e abusos migratórios. Jornalistas, atletas negros e equipes de seleções africanas e asiáticas passam por humilhações, vistos são negados e a FIFA (Federação Internacional de Futebol) mantém distanciamento diante dos acontecimentos no governo de Donald Trump nos Estados Unidos.
A jornalista brasileira Karine Alves, apresentadora do programa Esporte Espetacular na Globo, relatou uma situação constrangedora ao desembarcar no país nesta terça-feira (9). Ela relatou ao vivo durante o programa Bom Dia Brasil que as autoridades de imigração revistaram seu cabelo. “Muitas mulheres negras passam por isso e reclamam disso na chegada aos Estados Unidos. Foi algo muito pontual, mas que outras colegas não passaram por aqui“, afirmou. Karine está escalada para cobertura da Copa do Mundo 2026.
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Omar Abdulkadir Artan, eleito o melhor árbitro africano de 2025, deveria marcar história como o primeiro árbitro somali em uma Copa do Mundo. Mesmo viajando com passaporte diplomático, seu visto foi negado pelas autoridades de imigração norte-americanas. Ele foi recusado na entrada do aeroporto de Miami e enviado de volta para a Somália. “Acho que eles têm um problema com o meu país […] Estou muito, muito desapontado. Eu tinha a documentação correta e tudo mais. Tinha o visto certo“, afirmou ao jornal NY Times.

Na segunda-feira (8), a FIFA se pronunciou sobre o caso: “Omar Abdulkadir Artan não poderá treinar nem atuar na Copa do Mundo 2026 após ter sua entrada nos Estados Unidos negada. A FIFA não se envolve nos processos de imigração dos países sede, incluindo concessões de vistos, e foi informada pelas autoridades que a situação do Sr. Artan não será alterada neste momento“.

Já a delegação do Senegal passou por uma fiscalização desrespeitosa durante o desembarque no aeroporto da Carolina do Norte. Em vídeos compartilhados nas redes sociais, jogadores aparecem retirando os sapatos para inspeção e sendo revistados individualmente, enquanto membros da comissão técnica aguardam em fila. Segundo relatos, todos os integrantes da equipe foram submetidos às verificações antes do embarque. Após a repercussão nas redes, a seleção do Senegal disse que a abordagem “seguiu padrão”, mas os internautas ainda destacam o tratamento ofensivo dado às equipes.

Na semana passada, o atacante camaronês-suíço Breel Embolo teve seu visto negado para entrar nos EUA para a Copa e foi colocado em revisão. O atleta só conseguiu se juntar à seleção três dias depois. Ele é um dos principais jogadores da seleção, com 24 gols marcados em partidas internacionais.
Mais casos de violação e xenofobia
Ao desembarcar em Chicago para amistoso contra a Holanda ontem, a seleção do Uzbequistão foi recepcionada com cães farejadores de bombas e drogas. A operação incluiu scanners portáteis e detectores de metal, atrasando a entrada dos jogadores e exigindo que levantassem os braços para inspeção. “Eles me disseram que eram as regras, mas, no fim, a checagem de segurança foi só com a gente. Você vai ter que perguntar para eles“, criticou o técnico da seleção, Fabio Cannavaro.
O atacante Aymen Hussein, autor do gol que garantiu a vaga do Iraque na Copa 2026, foi detido e interrogado por quase 7 horas no aeroporto de Chicago. Após 7 horas, foi liberado e incorporado ao grupo.
Com o tratamento hostil aos jogadores e equipes das seleções, torcedores de diversos países do mundo também começam a se preocupar com a recepção nos Estados Unidos.
No final do ano passado, a Fifa entregou à Donald Trump o Prêmio da Paz, que estreou como vencedor da recém categoria criada pela federação, que voltou a ser alvo de críticas nas redes sociais.
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