Ser uma das poucas mulheres negras a figurar em importantes listas de liderança global é uma conquista e, ao mesmo tempo, um desafio para Nathália Rodrigues, a Nath Finanças. A empresária e influenciadora financeira, conhecida por tornar temas econômicos mais acessíveis, anunciou o lançamento do projeto Creators Nath Play, um espaço de cocriação de conteúdo com foco na diversidade e educação financeira.
“Tenho muito orgulho de tudo que conquistei e da minha trajetória até aqui, mas é muito solitário ser quase sempre a única. Sei que temos muitos talentos por aí e foi por isso que criei o Creators Nath Play”, destacou Nath.
Para o início do projeto, seis criadores foram selecionados: Tiele Miranda, Mariana da Grana, Átila Lima, Larissa Rafael (Ogbón Contabilidade), Monique Diniz e Presley Vasconcellos. Eles produzirão conteúdos exclusivos com o suporte do time da Nath, receberão mentoria e remuneração, além de aprender a gerir seus negócios com estrutura profissional.
Cada participante terá até R$ 20 mil ao longo de oito meses para investir na produção de seus conteúdos. Todo o material gerado se transformará em séries e minisséries exclusivas para a plataforma de streaming Nath Play, criada por Nath Finanças. Os temas abordados incluirão economia, finanças para casais, gestão para empreendedores, entretenimento e organização financeira para obrigações religiosas, como o candomblé.
O lançamento oficial acontece no dia 15 de janeiro nas redes sociais da Nath Play e Nath Finanças. “A informação é uma ferramenta valiosa de transformação na vida das pessoas e juntar esse time é continuar o nosso legado. Afinal, democratizar a educação financeira continua sendo nossa grande missão”, afirmou Nath.
O McDonald’s no Brasil não seguirá a mesma estratégia adotada pela operação norte-americana, que decidiu revisar suas políticas de diversidade, equidade e inclusão (DE&I). A Arcos Dorados, responsável pela rede de fast-food no Brasil e em outros 19 países da América Latina, reafirmou seu compromisso com a promoção de equipes diversas.
Segundo o comunicado enviado ao Meio & Mensagem na quinta-feira, 9, a empresa destacou que continuará a estimular “o respeito, a participação de todas as pessoas, favorecendo a inclusão e a igualdade de oportunidades”.
A Arcos Dorados ressaltou suas iniciativas em cinco áreas principais: gênero, relações intergeracionais, diversidade sexual, saúde e bem-estar, e pessoas com deficiência. Na região, o McDonald’s obteve certificações de igualdade de gênero na Colômbia e Chile, além de ter aderido a iniciativas da ONU (Organização das Nações Unidas) relacionadas a esses temas.
No âmbito geracional, a empresa mencionou seus programas de treinamento para jovens e mentorias para colaboradores mais experientes. Também lançou um Guia de Diversidade Sexual, adotou uniformes neutros em todos os países e implementou banheiros inclusivos para clientes e funcionários.
Enquanto isso, sob pressão de grupos conservadores, o McDonald’s nos Estados Unidos decidiu não estabelecer mais “metas de representação aspiracionais”. A companhia afirmou que continuará a “incorporar práticas de inclusão” em suas operações diárias, mas deixará de aplicar políticas de DE&I em sua cadeia de suprimentos.
A Meta, empresa de tecnologia liderada por Mark Zuckerberg, anunciou o encerramento imediato de seus principais programas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI), incluindo iniciativas de contratação, treinamento e seleção de fornecedores. A decisão foi comunicada por meio de um memorando interno obtido pela Axios, publicada nesta sexta-feira (10).
Segundo Janelle Gale, vice-presidente de recursos humanos da Meta, a decisão foi tomada porque “o cenário legal e político em torno dos esforços de diversidade, equidade e inclusão nos Estados Unidos está mudando”.
O memorando publicado para os funcionários da Meta no Workplace, a ferramenta de comunicação interna da empresa, também critica o termo ‘DEI’. “A Suprema Corte dos Estados Unidos tomou decisões recentemente sinalizando uma mudança na forma como os tribunais abordarão a DEI. … O termo ‘DEI’ também se tornou controverso, em parte porque é entendido por alguns como uma prática que sugere tratamento preferencial de alguns grupos em detrimento de outros.”
A decisão ocorre apenas três dias depois da Meta anunciar o encerramento da verificação de fatos e monitoramento de discurso em suas plataformas, Facebook, Instagram e Threads. Essas medidas seguem um movimento para se alinharem às visões políticas do presidente eleito Donald Trump.
Principais Mudanças Anunciadas pela Meta:
Corte na Equipe DEI: A Meta não terá mais uma equipe dedicada a DEI. Maxine Williams, diretora de diversidade, assumirá uma nova função focada em acessibilidade e engajamento.
Fim dos Programas de Equidade e Inclusão: Novos programas serão criados para aplicar práticas justas e consistentes, mitigando preconceitos para todos, independentemente de sua origem.
Encerramento dos Esforços de Diversidade de Fornecedores: A Meta deixará de buscar fornecedores comerciais de empresas de propriedade diversificada, concentrando-se em pequenas e médias empresas.
Fim da Abordagem de Lista Diversificada para Contratação: A Meta não usará mais a abordagem que garantia a consideração de candidatos de diferentes origens para cada posição aberta.
Acabar com Metas de Representação: A empresa não terá mais metas de representação, para evitar a impressão de que decisões são baseadas em raça ou gênero.
“A Meta tem o privilégio de atender bilhões de pessoas todos os dias”, conclui o memorando. “Continuamos focados em servir a todos e construir uma força de trabalho multitalentosa e líder do setor, de todas as esferas da vida.”
Mamadou Gaye, cônsul honorário da França na Bahia desde 2019, decidiu levar adiante uma nova batalha judicial contra Fabien Liquori, cidadão francês residente no estado, por injúria racial e assédio moral. Natural do Senegal e naturalizado francês, Mamadou relata indignação com a decisão judicial em primeira instância, que condenou o réu ao pagamento de R$ 3 mil por danos morais, sem incluir a retratação pública solicitada.
“Qual é o preço do racismo? Independente do valor, a dor é ver que, mais uma vez, a justiça minimizou a situação. O dano foi público, a injúria foi pública. A retratação precisa ser pública também, por uma questão, sobretudo, educativa”, afirmou Mamadou, que atualmente é doutorando na Universidade Federal da Bahia (UFBA).
O caso teve início quando Liquori, insatisfeito com a negativa de pedidos administrativos fora da alçada do consulado, enviou reiterados e-mails ofensivos a Mamadou, copiando instituições como o consulado da França em Recife e a Academia de Letras da Bahia. Nas mensagens, ele qualificava o cônsul como “tirano africano” e fazia ataques racistas, inclusive sugerindo que Mamadou “voltasse para seu buraquinho em Paris”.
Após a decisão de primeira instância, Mamadou recorreu ao Tribunal de Justiça da Bahia. O pleito inclui um pedido de indenização de R$ 40 mil e a retratação pública, ainda não julgada. Para Rodrigo Moraes, advogado do cônsul, o caso exemplifica a dificuldade de aplicação rigorosa das leis em crimes de racismo no Brasil. “Estamos na cidade mais negra do mundo fora da África, e um representante de um país parceiro do Brasil é tratado dessa forma. Crime é crime!”, declarou.
A indignação de Mamadou reflete uma realidade revelada em pesquisa da FGV: apesar de 62% das ações civis de vítimas de racismo resultarem em condenação, os valores das indenizações frequentemente não ultrapassam R$ 10 mil. Além disso, decisões judiciais ainda tratam o racismo como dano individual, ignorando seu impacto coletivo.
Tina Knowles, empresária e mãe das cantoras Beyoncé e Solange Knowles, compartilhou nas redes sociais o impacto emocional da destruição de sua casa localizada à beira-mar em Malibu, consumido pelos incêndios florestais que atingem Los Angeles, nos Estados Unidos, desde o dia 7 de janeiro.
Ela lamentou a perda da propriedade, considerada seu ‘lugar favorito’: “Era meu lugar favorito, meu santuário, meu lugar sagrado e feliz. Agora ele se foi!”, escreveu Knowles no Instagram ao publicar um vídeo da vista que tinha do local, registrado dias antes, durante a celebração de seus 71 anos. Tina também agradeceu o trabalho dos bombeiros e se solidarizou com as famílias que perderam suas casas: “Para as pessoas que perderam suas casas e pertences, eu não consigo imaginar a dor e o sofrimento que estão enfrentando. Minhas orações profundas vão para todos vocês”, disse.
Além de Tina Knowles, outras personalidades tiveram imóveis destruídos pelos incêndios, entre elas Billy Crystal, Paris Hilton e Anthony Hopkins. Os desastres têm gerado comoção na região, com esforços concentrados em conter os focos e auxiliar as vítimas.
Região registrou 10 mortes causadas pelos incêndios
Os incêndios em Los Angeles já causaram 10 mortes e destruíram mais de 13 mil hectares, com cinco focos ainda ativos alimentados pelos ventos secos do deserto. Os incêndios de Palisades, entre Santa Monica e Malibu, e de Eaton, próximo a Pasadena, são considerados os mais devastadores da história da região, consumindo mais de 13.750 hectares e transformando bairros inteiros em cinzas. As perdas econômicas estimadas pela AccuWeather variam de 135 a 150 bilhões de dólares, sinalizando uma longa e custosa recuperação.
A segunda temporada do reality show “Ilhados Com a Sogra” estreou na Netflix no dia 2 de janeiro de 2025 e já está promovendo debates nas redes sociais pelos conflitos vivenciados entre os integrantes das famílias participantes. As divergências entre noras, sogras e genros parecem, em muitos casos, parecem distantes de terem alguma resolução, mas eles podem ser melhor entendidos com o auxílio de um profissional. Nesse caso, com a mediação da psicóloga Shenia Kalrsson.
De volta à nova temporada, Kalrsson concedeu uma entrevista para o Mundo Negro e destacou que para que um ambiente de conflitos se transforme em um espaço seguro e de confiança “é preciso estabelecer o bom senso e entender a preciosidade das palavras e a destruição que muitas palavras causam”. Ela pontua que “confrontar os temas que tem sido empurrados para baixo do tapete” está entre os principais gatilhos que geram conflitos.
“Nosso intuito é trazer à tona para que através da tensão surjam com eles as resoluções. A mediação de conflito não possui somente um caráter apaziguador, muitas vezes é necessário tensionar para ver o que produzimos a partir dos tensionamentos”, revela a psicóloga, que é Especialista em Diversidade e Mediação de Conflitos Raciais há quase 15 anos.
Diferente do que acontece no sigilo dos consultórios, no reality os conflitos familiares costumam ser intensificados e estão expostos para um grande público. Os participantes lidam com a pressão psicológica causada pelo ambiente de competição, já que também estão concorrendo a um prêmio de R$ 500 mil. Nesse contexto, a psicóloga conta que precisa adaptar as estratégias de mediação para protegê-los.
“Pegamos emprestado alguns fundamentos dos processos de mediação familiar, aqueles que tem aplicabilidade num contexto dessa natureza, pois não podemos esquecer que é um reality, onde há exposição em massa. Tudo é feito para proteger o máximo os participantes sem abrir mão de extrair o fundamental para eles”, conta Shenia Kalrsson.
Questionada sobre qual é o primeiro passo que uma família deve dar para transformar um ambiente de conflitos em um espaço de diálogo e confiança, a psicóloga destaca: “Enquanto mediadora familiar, destaco a comunicação disfuncional como o ponto mais nevrálgico. Percebo que não estamos construindo uma cultura de etiqueta familiar, em que os papéis estejam bem definidos, os lugares bem estabelecidos e o respeito como algo fundamental. Há muitas formas de nos comunicar e a depender da forma, é possível abordar qualquer assunto, desde que haja escuta ativa e generosidade. Agora, existem coisas que não devem ser faladas, nem de pais para filhos, filhos para os pais, noras e genros para a sogras e vice versa. É preciso estabelecer o bom senso e entender a preciosidade das palavras e a destruição que muitas palavras causam”.
O Prime Video revelou o trailer da terceira temporada de‘Harlem’, nesta quarta-feira (8), anunciando que esta será a última da série. A comédia estreia na plataforma de streaming em 23 de janeiro.
A série criada e escrita por Tracy Oliver e produzida por Pharrell Williams e Amy Poehler, é estrelada por Angie (Shoniqua Shandai), Quinn (Grace Byers), Camille (Meagan Good) e Tye (Jerrie Johnson). As quatro amigas estão de volta em novos episódios que prometem continuar a trama carregada de dilemas pessoais.
A nova temporada contará com novos personagens: Kofi Siriboe será Seth, um jogador de baseball profissional que atrai uma das amigas com seu charme; Logan Browning interpreta Portia, um amor do passado de Ian (Tyler Lepley) que volta ao Harlem; Robin Givens assume o papel de Jacqueline, mãe de Eva, enquanto Gail Bean vive Eva, uma capitalista de risco com laços profissionais com Tye.
A renovação da terceira temporada foi anunciada em dezembro de 2023. Harlem é ambientada em Nova Iorque e o roteiro é centrado na amizade de quatro mulheres negras que compartilham suas histórias, dramas, relacionamentos, sonhos e carreiras.
O retorno de Sônia Maria de Jesus, 50, à casa do desembargador Jorge Luiz de Borba e sua esposa, Ana Cristina Gayotto de Borba, após ser resgatada em uma operação contra trabalho análogo à escravidão, foi tema de debate na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado que aconteceu na última segunda-feira (6). A decisão judicial que permitiu o reencontro foi criticada por especialistas, que apontaram riscos à política pública de combate a esse tipo de crime.
“Em 30 anos, nunca enfrentamos uma situação como essa. Negar à vítima o direito ao resgate cria um precedente desastroso”, afirmou André Roston, coordenador-geral de Fiscalização do Trabalho do Ministério do Trabalho. Ele destacou que o caso pode impactar futuras operações de resgate e proteção das vítimas.
Sônia foi resgatada em junho de 2023 na casa da família Borba, em Florianópolis (SC), onde teria vivido por 40 anos em condições análogas à escravidão. Segundo investigações, ela trabalhava desde os 9 anos de idade sem receber salário, sem direito a férias ou folgas, e dormia em um quarto separado da casa principal. Os investigados alegam que ela era tratada como membro da família.
Dois meses após o resgate, o ministro Mauro Campbell Marques, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), autorizou o reencontro entre Sônia e os investigados, com a justificativa de que não havia elementos suficientes para comprovar a exploração. A decisão permitiu que Sônia retornasse à casa do casal.
A Defensoria Pública da União recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), argumentando que a convivência com os investigados contraria normas de proteção às vítimas, mas o pedido foi negado pelo ministro André Mendonça. O caso ainda será analisado pela 2ª Turma do STF.
Campanha “Sônia Livre”
A repercussão do caso motivou a criação da campanha “Sônia Livre”, liderada pelo Instituto de Pesquisas e Estudos Avançados da Magistratura (IPEATRA) e pelo coletivo Ministério de Obras Públicas, com apoio do portal Nós, Mulheres da Periferia. A campanha busca garantir a liberdade de Sônia e denuncia a violação de seus direitos.
De acordo com informações da campanha, Sônia sofreu coação emocional em setembro de 2023, durante um encontro com os investigados, que a persuadiram a retornar à casa do casal. Após o retorno, o desembargador teria impedido que Sônia mantivesse contato com seus irmãos biológicos e interrompido o tratamento psicológico ao qual ela havia começado a ser submetida.
A campanha também aponta que Sônia trabalha como empregada doméstica desde os nove anos, sem remuneração, folgas ou acesso a serviços básicos, como saúde e educação. Ela enfrenta problemas de saúde, como perda auditiva, e viveu isolada do convívio social.
Impacto e críticas
Na audiência no Senado, o defensor público William Charley relatou que Sônia foi privada de uma vida social fora do núcleo familiar e nunca teve acesso à educação formal. “Enquanto os filhos dos investigados cursaram ensino superior e têm carreiras bem-sucedidas, Sônia foi deixada à margem”, disse.
André Roston destacou que Sônia sequer tinha documentos até os 45 anos, quando obteve seu primeiro Registro Geral (RG). “Que pai ou mãe deixaria um filho sem registro por tanto tempo? Isso demonstra que Sônia não era vista como integrante da família”, pontuou.
Para Thiago Lopes de Castro, procurador do Ministério Público do Trabalho, o caso é emblemático e preocupante. “Permitir o retorno da vítima sem garantir sua ressocialização é institucionalizar uma cultura escravagista. Essa decisão inédita causa perplexidade”, afirmou.
A Harvard Law School registrou em 2024 o menor número de estudantes negros matriculados desde a década de 1960, com uma queda pela metade em relação ao ano anterior, segundo dados do New York Times. A redução reflete os impactos diretos da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que, em 2023, proibiu o uso de ações afirmativas nas admissões universitárias.
De acordo com a American Bar Association (ABA), apenas 19 estudantes negros ingressaram na turma de primeiro ano em 2024, representando 3,4% do total. Este número é uma queda acentuada em comparação aos 43 alunos registrados em 2023, e o mais baixo desde 1965, quando 15 estudantes negros foram admitidos.
David B. Wilkins, professor de direito e diretor do Center on the Legal Profession em Harvard, atribuiu a redução ao “efeito assustador” da decisão judicial. “O número atual reflete uma mudança significativa na composição da turma, algo que não víamos há décadas”, disse. Ele destacou que a decisão da Suprema Corte mencionou Harvard diretamente, impactando a diversidade racial não apenas na universidade, mas em instituições de ensino superior em todo o país.
Jeff Neal, porta-voz da Harvard Law, reiterou o compromisso da instituição com a diversidade, mas alertou contra tirar conclusões precipitadas com base em apenas um ano de dados. Neal enfatizou que a diversidade é fundamental para enriquecer a experiência educacional dos estudantes.
Além dos estudantes negros, houve uma queda nas matrículas de alunos hispânicos em Harvard, de 11% em 2023 para 6,9% em 2024. Em contrapartida, a proporção de estudantes brancos e asiáticos aumentou.
Outras universidades, como a Universidade da Carolina do Norte, que também foi mencionada no caso da Suprema Corte, experimentaram quedas menores nas matrículas de estudantes negros e hispânicos. Lá, o número de estudantes negros caiu de 13 para 9, e o de hispânicos de 21 para 13.
A ABA observou que mudanças nas categorias de relatório complicam a comparação ano a ano, especialmente com a inclusão de alunos não residentes nos EUA nas divisões raciais e étnicas.
Sean Wynn, presidente da Harvard Black Law Students Association, expressou preocupação, descrevendo a redução das matrículas como uma “perda significativa” para a comunidade acadêmica. Wynn afirmou que a decisão comprometeu aspectos essenciais da experiência educacional em Harvard.
No entanto, Richard Sander, professor de direito na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e crítico das ações afirmativas, sugeriu que a decisão da Suprema Corte pode ter benefícios a longo prazo. Ele argumenta que a redistribuição de estudantes negros para outras instituições pode resultar em ambientes onde eles tenham mais chances de sucesso.
Apesar dos desafios, algumas universidades ainda conseguiram observar um aumento no número de estudantes negros. Em Stanford, por exemplo, o número quase dobrou, de 12 para 23 alunos entre 2023 e 2024.
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) solicitou à ONU (Organização das Nações Unidas) que inicie uma investigação sobre a decisão da Meta – proprietária do Facebook, Instagram, WhatsApp e Threads – de encerrar a verificação de fatos e flexibilizar a moderação de conteúdo em suas plataformas. A mudança foi anunciada por Mark Zuckerberg, fundador da Meta, na terça-feira (7).
A denúncia foi enviada ao professor e pesquisador Nicolas Levrat, relator especial da ONU para assuntos relacionados a minorias. Segundo a deputada, a alteração nas políticas da empresa favorece a disseminação de discursos de ódio, incitação à violência e a propagação de fake news contra grupos minoritários, especialmente no que se refere à sexualidade, gênero, raça e etnia.
Em um dos trechos do documento, Erika Hilton destaca: “As mudanças de política por grandes corporações como a Meta continuam a colocar em risco as vidas de indivíduos LGBTQIA+”.
O pedido de investigação da parlamentar se baseia em dois tratados internacionais aprovados pela Assembleia Geral da ONU: o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, de 1966, e a Declaração sobre os Direitos das Pessoas Pertencentes a Minorias Nacionais ou Étnicas, Religiosas e Linguísticas, de 1992.
“Ao afrouxar suas políticas internas, a Meta pode ser considerada cúmplice na disseminação de práticas que violam os direitos de grupos protegidos pela legislação brasileira”, afirma Hilton.
A deputada pede que o órgão internacional abra uma investigação e notifique Zuckerberg, exigindo informações detalhadas sobre a nova política de moderação de conteúdo, especialmente no que diz respeito às implicações para a comunidade LGBTQIA+. “Uma intervenção imediata é essencial para proteger os direitos das comunidades afetadas e prevenir novos abusos aos direitos humanos”, diz a parlamentar.
De acordo com as informações divulgadas por Zuckerberg, a política de verificação e remoção de postagens falsas será substituída por um novo sistema, inicialmente implementado nos Estados Unidos, denominado Notas da Comunidade, semelhante ao utilizado pelo X (antigo Twitter). Nesse modelo, as plataformas dependerão dos próprios usuários para adicionar correções e contexto às publicações com informações falsas ou enganosas, o que pode resultar em um aumento na disseminação de desinformação.
Além disso, a Meta já no texto com as novas diretrizes que permite alegações falsas contra a população LGBTQIA+. “Nós permitimos alegações de doença mental ou anormalidade quando baseadas em gênero ou orientação sexual, dado o discurso político e religioso sobre transgenerismo e homossexualidade”, diz o trecho.