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Visibilidade e igualdade na tecnologia: O caminho para a inclusão de mulheres negras no setor

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Kelly Baptista. (Foto: Divulgação)

Você já se perguntou: quais são os impactos da invisibilidade de meninas e mulheres negras na tecnologia? As discussões sobre o fato de que o setor de tecnologia da informação ainda é uma das áreas de grande desigualdade racial e de gênero no Brasil já são antigas e acontecem com frequência. Em outras palavras, podemos dizer que a quantidade de pessoas brancas e homens trabalhando no desenvolvimento digital é muito maior do que a de colaboradores negros e mulheres.

Também vale a pena avaliar o gap da falta de acesso a computadores, internet e outras tecnologias, que faz com que a digitalização e seu domínio sejam algo muito distante para a maioria dos estudantes, principalmente nas periferias urbanas e rurais.

Conforme dados da pesquisa TIC Domicílios (2019), quase 30% dos lares brasileiros não possuem acesso à internet, e apenas 39% têm computador. Nas classes sociais D e E, que já sofrem com outros tipos de exclusão, o percentual de domicílios sem acesso à internet é de nada menos do que 50%. No que diz respeito ao uso, 59% dos brasileiros dizem não usar a internet para estudar e trabalhar. Apenas 31% das pessoas que usam computador afirmam ter manipulado uma planilha de cálculo, por exemplo.

Quando focamos em mulheres negras neste setor, percebemos uma diferença ainda maior. A forma como mulheres negras são afetadas nesses contextos as impede de se reconhecerem nos produtos como consumidoras ou até mesmo como criadoras. Essa invisibilidade, que a princípio parece inofensiva, é mais uma forma de segregar pessoas negras.

Raça é a maneira como a classe é vivida. Da mesma forma, o gênero é a maneira como a classe é vivida. Precisamos refletir bastante para perceber que entre essas categorias existem relações mútuas e outras que se cruzam. Ninguém pode assumir a primazia de uma categoria sobre as outras (DAVIS, 1997, p. 8).

Angela Davis deixa explícito o entrelaçamento entre as identidades e como elas se cruzam e não se excluem. O algoritmo, sendo criado por pessoas brancas, exclui racialmente aqueles que não se enquadram nos perfis determinados por seus comandos.

Embora representem quase 30% da população, as mulheres pretas ainda são minoria nas empresas de tecnologia do Brasil e ocupam apenas 11% dos cargos no setor. Os dados estão compilados em pesquisa divulgada pela Iniciativa PretaLab, que aponta questões estruturais na base do problema.

O cenário não é novo e foi observado em estudos anteriores da PretaLab. No contexto da crise atual, no entanto, ele se perpetua e é reforçado. De acordo com dados do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a taxa de desemprego entre mulheres pretas em 2020, primeiro ano da pandemia, representou o dobro dos índices observados entre homens não negros.

A ONU destaca a importância da participação feminina nas áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM) como fundamental para alcançar o quinto Objetivo de Desenvolvimento Sustentável, que é a igualdade de gênero. Embora as mulheres tenham atingido níveis educacionais superiores aos dos homens na média global, elas continuam a receber salários menores no mercado de trabalho. Além disso, a organização ressalta que a maioria das mulheres atua em profissões fora do campo das STEM, onde os salários costumam ser mais baixos.

A previsão é mencionada no relatório Futuro do Trabalho do Fórum Econômico Mundial (FEM) em 2025, juntamente com a pesquisa “Mapa do Trabalho Industrial 2025-2027”, realizada pelo Observatório Nacional da Indústria (ONI). Segundo o mapa elaborado pelo ONI, o setor de Tecnologia da Informação (TI) lidera no ranking de criação de empregos e no crescimento de vagas formais dentro do setor industrial. No Brasil, estima-se a criação de 972 mil oportunidades de trabalho nesta área até 2027. No caso do Distrito Federal, a projeção é de 36 mil vagas, ficando atrás apenas dos setores de logística e transporte, com 47,6 mil vagas, e de construção, com 39,9 mil.

É importante ressaltar que existem esforços contínuos de várias iniciativas para impulsionar a diversidade dentro do mercado. Nos últimos anos, têm surgido coletivos e grupos com o objetivo de atrair, capacitar e servir de rede de apoio e networking para que mais mulheres negras optem por uma formação e carreira em tecnologia.

Promover a inclusão de mulheres negras no setor de tecnologia é mais do que uma questão de justiça social; é uma necessidade para o avanço da indústria como um todo. Ao diversificar as vozes e experiências dentro da tecnologia, desbloqueamos um potencial criativo que reflete mais fielmente nosso mundo e suas necessidades. Assim, ao abraçar a diversidade, não apenas estamos criando oportunidades equitativas, mas também garantindo um futuro mais inovador e sustentável. Que possamos continuar unindo esforços para transformar este cenário e construir um setor tecnológico onde cada indivíduo, independentemente de raça ou gênero, tenha a chance de brilhar e contribuir significativamente.

O algoritmo e a monetização para mulheres negras

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Foto: Freepik

Texto: Rachel Maia

O mundo tecnológico nos propiciou muitos avanços, mas há uma reflexão necessária sobre os moldes atuais que precisa ser observada de perto para que as práticas de discriminação não se perpetuem nas redes.

Equilibrar inovação com responsabilidade para garantir um impacto positivo em todas as áreas será fundamental para que todos sejam igualmente contemplados positivamente. Para que a evolução ocorra de forma ética e inclusiva, precisamos considerar fatores como inclusão e diversidade, garantindo que todas as mulheres se sintam representadas. Afinal, os algoritmos são desenvolvidos por pessoas e, inevitavelmente, carregam suas visões de mundo.

Relatórios da McKinsey & Company apontam que a Inteligência Artificial (IA) generativa, utilizada para criar imagens, textos, músicas, entre outros, poderá movimentar de US$ 2,6 trilhões a US$ 4,4 trilhões na economia mundial anualmente, o que proporcionará novas oportunidades, mas também novos desafios, como mostra a pesquisa. Diante desses dados, é importante ressaltar que mulheres negras movimentam a economia ativamente e não podem ficar de fora quando o assunto é negócios e lucratividade.

Inteligência artificial: é preciso redefinir conceitos

Um tema recorrente nos debates sobre tecnologia e sociedade é a reprodução de desigualdades nos algoritmos. Por isso, as questões de raça e gênero são pautas relevantes nas minhas palestras e geram interesse do público pela narrativa inclusiva e educativa, pois estão alinhadas ao cenário real da sociedade, que precisa nos perceber para além da nossa cor.

Embora tenhamos avanços significativos, ainda enfrentamos desafios, como a falta de representatividade das mulheres negras na economia digital. Um exemplo disso é o impacto desigual da IA no mercado publicitário. Mesmo as pesquisas apontando as mulheres negras como consumidoras ativas, as profissionais negras, principalmente as retintas, ainda enfrentam barreiras para competir de maneira equitativa.

As mulheres ainda são julgadas e discriminadas por serem diferentes do padrão idealizado de maneira excludente, impossibilitando-as de competir organicamente no digital. Ao reforçar padrões discriminatórios, o algoritmo dificulta o alcance e, consequentemente, a monetização do conteúdo produzido por mulheres negras. Se, no passado, a publicidade em revistas e TV excluía determinados grupos, hoje, com o domínio das plataformas digitais, essa realidade persiste.

O futuro da IA e das mulheres negras no digital

A maneira como vivemos e trabalhamos já não é mais a mesma. Por isso, para garantir um impacto positivo, é essencial desenvolver mecanismos de segurança e uma legislação assertiva, promovendo a diversidade e protegendo os direitos de todos.

O debate sobre IA não pode se limitar ao campo tecnológico — deve incluir aspectos sociais, culturais e econômicos. Somente assim poderemos criar oportunidades e alcançar resultados conjuntos para um futuro mais justo, onde a inovação esteja alinhada com a diversidade que é característica marcante da sociedade brasileira.

A forma como a IA será usada — seja para automação de tarefas, personalização de serviços ou tomada de decisões — determinará seu impacto na sociedade. Portanto, cabe a nós definirmos como essa tecnologia será integrada ao nosso dia a dia, para que toda mulher tenha a possibilidade de ser, existir e pertencer, com suas características que são únicas.

5 produções que exploram as diferenças entre mulheres negras e brancas

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Histórias Cruzadas (Foto: Disney)

No Dia Internacional da Mulher, muito se fala sobre sororidade, mas a experiência feminina não é homogênea. Mulheres negras enfrentam desafios específicos que mulheres brancas muitas vezes não vivenciam, seja no mercado de trabalho, nas relações sociais ou na busca por direitos. O cinema e a TV têm explorado essas dinâmicas, mostrando tanto os conflitos quanto às tentativas de solidariedade entre elas.

Selecionamos filmes e séries que abordam essas interseccionalidades de forma significativa, revelando como raça e classe afetam a experiência das mulheres de maneiras diferentes.

1. Little Fires Everywhere (2020) – Série

Disponível em: Prime Video


Minissérie estrelada por Kerry Washington e Reese Witherspoon que escancara as tensões raciais e de classe entre uma mãe negra e uma mãe branca rica nos Estados Unidos. A história mostra como privilégios moldam suas experiências de maneira desigual, impactando suas relações e seus filhos.


2. Histórias Cruzadas (2011) – Filme

Disponível em: Disney+


Explora a relação entre empregadas domésticas negras e suas patroas brancas nos anos 1960, nos Estados Unidos. O filme mostra tanto os laços de afeto quanto as desigualdades e humilhações sofridas pelas mulheres negras dentro do ambiente doméstico.


3. Estrelas Além do Tempo (2016) – Filme

Disponível em: Disney+


Baseado na história real de cientistas negras na NASA, o filme evidencia a desigualdade de gênero e raça dentro de um ambiente altamente masculino e branco. Mostra como as mulheres negras enfrentavam barreiras adicionais, enquanto algumas mulheres brancas podiam ser aliadas ou perpetuar a discriminação.


4. Falas Femininas: Mancha (2023) – Episódio da TV Globo

Disponível em: Globoplay


Parte da minissérie antológica Histórias (Im)Possíveis, dentro do Projeto Falas da TV Globo, o episódio Falas Femininas: Mancha explora a relação entre uma patroa branca e sua empregada doméstica negra. A trama destaca as complexidades dessa interação no Brasil, trazendo nuances das desigualdades e do racismo estrutural no ambiente de trabalho.


A Cor Púrpura (1985/2023) – Filme

Disponível em: Max


A Cor Púrpura (1985/2023), baseado no romance de Alice Walker, narra a trajetória de Celie, uma mulher negra no sul dos Estados Unidos no início do século XX, que enfrenta abusos e injustiças ao longo da vida. Entre os personagens marcantes está Sofia, interpretada por Oprah Winfrey e Danielle Brooks, uma mulher forte e destemida que se recusa a se submeter à opressão masculina e racista da sociedade.

Uma reflexão sobre mulheres negras e indígenas no mercado de bebidas

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Patricia Brentzel - Foto: Divulgação

Por Patricia Brentzel*

Em uma sociedade onde o capitalismo insiste em transformar datas comemorativas em produtos de consumo, chegamos ao Dia das Mulheres – como se fosse o único. Recebemos flores, somos chamadas de guerreiras e ouvimos a mesma pataquada que já não suportamos mais. Mas aí eu me pergunto: esse “suposto”, ou melhor, “imposto” Dia das Mulheres realmente nos representa? Claro que não.

Como publicitária e sommelière, atuando há 22 anos no mercado de bebidas, raríssimas vezes vi meu rosto ou meu trabalho destacados em matérias comemorativas como as do 8 de março. E, para dizer a verdade, nem no Dia Nacional ou Internacional dos Sommeliers mulheres negras, indígenas e orientais são celebradas e têm suas atuações divulgadas – e muito menos a comunidade LGBTQIAPN+. Deve ser porque não costumamos ocupar esses espaços? Será mesmo? Claro que não.

Como li hoje na matéria da minha amiga e jornalista Isabelle Moreira Lima, no Guia da Folha de S.Paulo, as mulheres são protagonistas no mundo do vinho há algum tempo. E eu não só concordo, como vivencio isso diariamente. Sommelieres educadoras, consultoras e empreendedoras como eu estão por toda parte: comandando importadoras, atuando como consultoras comerciais, enólogas, agrônomas, jornalistas, blogueiras, influenciadoras e entusiastas. Estamos realizando um grande trabalho.

Agradeço a Isabelle por, através dessa matéria, me dar ânimo (porque sim, estou e estamos exaustas) para, do meu lugar de fala – como uma mulher afro-indígena e sommelière –, estender a mão e mandar um abraço afetuoso a todas as mulheres negras, indígenas, orientais e à comunidade LGBTQIAPN+ que atuam não só no mundo do vinho, mas também no mercado cervejeiro e na coquetelaria, onde também transito profissionalmente com muito orgulho.

Pode parecer pouco diante da realidade machista e racista que enfrentamos todos os dias. E é. Mas ainda assim, continuo acreditando que, talvez, neste dia, possamos lembrar da importância de darmos as mãos e nos fortalecermos diariamente. Porque todos os dias são nossos – e devem ser de todas nós.

E para quem ainda duvida da presença e da força das mulheres negras e indígenas no mundo do vinho, aqui estão algumas das muitas profissionais que fazem a diferença e que deveriam ser amplamente reconhecidas pelo seu trabalho: Eliane B Silva (@videwine), Raissa Cachoeira (@ellasvinhos), Lígia Aleixo (@lesvignoblesdedemain), Raquel Queiroz (@ra.queiroz), Erika Firmo (@sommelierikaf), Patrícia Penha (@patriciapenha_vinhos), Carol Souzah (@carousou_sommeliere), Márcia Alpaes (@marciapaes_sommelier), Antonia Cruz (@afrommeliere_), Manuelle de Oliveira (@entre_vinhas_vinhos), Rosangela Oliveira (@ro_oliveira75), Larissia Bezerra (@enotrajetoria), Aline Guedes (@chefalineguedes), Andrea Ferreira (@andrea.confraconstantia), Geíza Abreu (@uvizaa), Paula Theotonio (@paulatheotonio), Suely Cavalcanti (@suely.m.cavalcanti), Nivia Rodrigues (@confrariavinhonegro) e Luiza Dias (@cantindovinho).

Que este seja um lembrete de que estamos aqui, ocupamos esses espaços e seguimos construindo um mercado mais diverso e representativo.

  • Patricia Brentzel é sommelière, empresária e educadora afro-indígena com 21 anos de atuação no mercado de bebidas. Fundadora do Beba Bem e referência no vinho natural no Brasil, é apresentadora do podcast “Que Vinho Foi Esse?”.

O grito de Luighi e o flagrante no Pacto da Branquitude 

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Foto: Reprodução/sportv

Texto: Luciano Ramos

Constantemente somos convidados a seguir em frente depois de um episódio de racismo. “Bola pra frente!”, “Você é mais forte do que isso!”, “Isso vai te fazer uma pessoa, ainda, mais forte!”, “Não liga pra isso!”. Estas são algumas das muitas frases que nós (e este texto eu vou me permitir escrever na primeira pessoa do plural) ouvimos cotidianamente. Ouvimos quando nos tratam como indivíduos suspeitos nas lojas, quando nos oferecem os elevadores ou entradas de serviços, quando nos confundem (afinal, pretos são todos iguais, para a branquitude, quando hipersexualizam nossos corpos, quando nos agridem, quando nos insultam, quando nos chamam de macacos e fazem gestos fazendo alusão ao mesmo animal).

Quando ao final do fatídico jogo de futebol entre Palmeiras e Cerro Porteño, pela Copa Libertadores da América, ocorrido ontem no Paraguai, o repórter esportivo pergunta ao jogador do Palmeiras Luighi acerca do que ele sentiu sobre o jogo, há ali um flagrante de algo denunciado por mim aqui há meses: a desumanização do homem negro. Esse mesmo jovem que chorou copiosamente após sofrer inúmeras violências durante aquela partida tem toda a sua dor anulada e é convidado a falar sobre o jogo de futebol.

Quantas vezes, caro leitor e cara leitora, depois de passar por uma situação de racismo, você teve que secar as suas lágrimas e performar estar bem? Se você é um homem ou uma mulher preta, eu sei que a resposta é “várias vezes”. Luighi desmascara a crueldade do racista, imediatamente. Luighi não é herói. E não podemos colocá-lo neste lugar. Ele é um jovem negro que foi violentado em inúmeros momentos naquele campo de futebol e desamparado por todos. Não havia ali outra alternativa para ele que não fosse gritar após tantas violências seguidas. O pacto da branquitude que faz com que todos se calem, naquele espaço faria a violência passar batida se não fosse o grito de Luighi. Não dava para ser violentado em mais um momento, naquele “show de horrores”. 

O script ali estava posto “ainda que violentado, nos ofereça o espetáculo!”. É isso que a branquitude faz conosco desde sempre. Os homens negros que violentados fisicamente tinham que trabalhar, as mulheres negras que estupradas e violentadas de todas as formas tinham que trabalhar para a casa grande. Atualmente, mesmo que vivenciemos todas as dores e violências, precisamos chegar nos nossos trabalhos e “oferecer o show” esperado. O grito de Luighi é a solicitação para ser visto como gente. Como alguém que sofreu uma violência e, por isso, está destroçado. Até quando? 

Se depender da nota do clube Cerro Porteño, não tem prazo para acabar. O time de futebol em nota pública disse que os jogadores não podem se importar com o que ocorre nas arquibancadas. Tratando o fato como algo simples e natural. O que não é! É racismo! E racismo é crime! Há tempos tenho dito que sempre que houver uma situação de racismo no futebol, a partida precisa ser interrompida na hora. É inaceitável! 

Os impactos psicológicos do racismo nos acompanham por toda a vida. O que Luighi passou e o que nós vivenciamos no cotidiano precisa ser interrompido. A gente não aguenta mais! Esse era o grito de Luighi!

Mães Negras do Brasil anunciam lançamento do Mapa de Profissionais em evento especial no Dia da Mulher

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Foto: Divulgação

A plataforma Mães Negras do Brasil está anunciando os últimos ingressos disponíveis para o evento “Eu Sou Uma Mulher – Plantando Prosperidade”, um encontro que vai além da celebração do Dia Internacional da Mulher. O conjunto de atividades marca o início oficial do ciclo de 2025 para a plataforma e da programação de eventos.

O evento será realizado neste sábado, dia 08 de março, das 09h às 17h, no Edifício Corp Tower, em São Paulo, e também será transmitido de forma on-line para quem não puder estar presente no local.

As participantes terão a oportunidade de vivenciar uma programação especial, repleta de painéis, palestras inspiradoras, momentos de reconhecimento e networking. A programação inclui recepção com coffee break a partir das 08h30, abertura, apresentação institucional, palestra inspiracional, painel entre protagonistas, TED Talks, momento de reconhecimentos e uma verdadeira celebração final.

Além disso, o evento marcará o lançamento oficial do Mapa de Profissionais da Mães Negras do Brasil, uma plataforma dedicada a conectar e dar visibilidade a mulheres negras em diversas áreas do mercado de trabalho. O mapa será uma ferramenta essencial para ampliar as oportunidades de empregabilidade e negócios, fortalecendo ainda mais a presença dessas profissionais no cenário nacional. Acesse:  www.maesnegrasdobrasil.com/protagonistas.

Segundo Thaís Lopes, CEO e fundadora da plataforma, o encontro será uma oportunidade de empoderamento coletivo e de resgate de força e ancestralidade para todas as mulheres presentes. “Enquanto mães negras, fazemos questão de celebrar nossa trajetória para reconhecer o legado que estamos construindo juntas, por meio da inovação social”, afirma.

O evento oferece oportunidades para marcas e empresas que desejam associar-se a uma iniciativa que valoriza a mulher negra, ganhar visibilidade e promover ativações, gerar conexões e oportunidades de negócios com profissionais mães negras, conectar propósitos comuns com a comunidade e fortalecer sua responsabilidade social corporativa. Empresas e pessoas interessadas também podem se tornar patrocinadoras do evento e ampliar seu impacto social.

Para mais informações e inscrições, acesse: https://www.maesnegrasdobrasil.com/evento-plantando-prosperidade.

Unidos de Padre Miguel foi penalizada por “excesso de termos iorubás” no enredo; Escola deve recorrer da decisão de rebaixamento

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Foto: Reprodução/Instagram

Carnaval brasileiro de 2025 ficará marcado pelo esforço da branquitude em demonizar religiões de matriz africana e por tentativas de desassociar a festa, que no país possui profunda influência africana, dos temas afro, abordados nos sambas-enredos. A Unidos de Padre Miguel, escola de samba que retornou ao Grupo Especial do Carnaval do Rio após 52 anos, anunciou nesta sexta-feira (7) que entrará com recurso para contestar o rebaixamento sofrido durante a apuração do Carnaval deste ano. A agremiação, que levou para a Sapucaí um enredo sobre Iyá Nassô e o Axé da Casa Branca do Engenho Velho — considerado o mais antigo templo afro-brasileiro em funcionamento —, terminou em último lugar e foi rebaixada para a Série Ouro.

Um dos pontos de controvérsia foi a penalização de 0,1 ponto aplicada por um dos jurados, que justificou a decisão pelo “excesso de termos iorubás” no enredo. A crítica gerou reação imediata da escola, que respondeu em sua conta no X (antigo Twitter): “Esquecer nossa oralidade para atender a um acadêmico não negro não está nos planos da nossa escola”. Em nota oficial, a diretoria da Unidos de Padre Miguel afirmou que o resultado da apuração foi “inaceitável” e não refletiu o desfile apresentado na avenida. “Identificamos inconsistências graves, incluindo penalizações relacionadas a um problema técnico no caminhão de som, o que foge da responsabilidade da escola”, destacou o comunicado.

Outro jurado também descontou um décimo da pontuação, argumentando: “Em uma letra que exerce tamanha função na comunicação de palavras de matriz africana, a comunicação de palavras em língua portuguesa é decisiva para efeitos descritivos e/ou interpretativos do enredo”.

A agremiação ressaltou que o desfile foi “digno, vibrante e emocionante”, reconhecido pelo público e por entusiastas do Carnaval, mas que os jurados “não enxergaram da mesma forma”. A escola também afirmou que está reunindo documentos e evidências para embasar a contestação, com o objetivo de garantir uma apuração “justa e imparcial”.

“Nossa luta é por justiça e pelo reconhecimento do esforço incansável de nossa comunidade. Seguimos confiantes de que a verdade prevalecerá”, concluiu a nota.

O rebaixamento da Unidos de Padre Miguel ocorreu em um ano marcante para a escola, que celebrou a história e a resistência do terreiro de candomblé mais antigo do Brasil. Apesar do revés, a agremiação promete se reerguer. “O amor pelo samba e a garra de nossa comunidade são maiores do que qualquer resultado. Vamos voltar ainda mais fortes, porque o nosso lugar é no Grupo Especial”, afirmou a escola.

O caso reacendeu debates sobre a representatividade cultural e a valorização das raízes afro-brasileiras no Carnaval, além de questionamentos sobre os critérios de julgamento utilizados pelos avaliadores. Enquanto aguarda o desfecho do recurso, a Unidos de Padre Miguel mantém sua tradição viva e reafirma o compromisso com suas origens.

(Com informações do Portal LeoDias)

Erika Januza anuncia saída da Viradouro após três anos como rainha de bateria

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Foto: Giselle Dias

A atriz Erika Januza anunciou, durante o programa Rainhas Além da Avenida, do GNT, que deixará o posto de rainha de bateria da Viradouro após o Desfile das Campeãs deste ano. A decisão, segundo ela, foi um pedido da própria escola, que já havia comunicado a intenção de encerrar seu reinado.

Januza, que assumiu o posto em 2022, revelou que guardou o segredo por mais de um ano, desde que os dirigentes da agremiação de Niterói explicaram que ela teria apenas mais uma temporada à frente da bateria. “Eles me deram a oportunidade de viver meu último Carnaval à frente da Furacão vermelho e branco. Obrigado por um dos maiores presentes que ganhei na minha vida”, declarou a atriz, emocionada, durante o programa que vai ao ar nesta quinta-feira (7).

“Quando recebi o convite para ser rainha, os meus presidentes disseram que não queriam um reinado muito longo. Vocês devem estar imaginando o que está passando na minha cabeça agora. Eu queria falar uma coisa para a câmera, mas queria falar sozinha. Vocês vão acompanhar hoje o meu último desfile”, completou, aos prantos.

Erika Januza assumiu o posto em 2022 e, em pouco tempo, tornou-se um dos símbolos da Viradouro. Sob seu reinado, a escola conquistou o vice-campeonato em 2023 e o título do Carnaval carioca em 2024, após um desfile que homenageou o povo indígena e recebeu nota máxima de todos os jurados.

A atriz destacou ainda o orgulho de ter realizado um sonho. “Eu tinha o sonho de ser rainha de bateria. Eu me entreguei e fiz tudo que pude, espero ter cumprido minha missão”, afirmou.

Sobre o futuro, Januza não deu detalhes, mas deixou claro que guardará boas lembranças da passagem pela escola. “A Viradouro me pediu o cargo. O cargo não é meu, eu sou só um instrumento. Vou sentir muita saudade. Fui muito feliz aqui. Estou triste, mas é um ciclo que se encerra”, concluiu.

A entrevista completa será exibida nesta quinta-feira (7), no programa Rainhas Além da Avenida, no GNT.

Vini Jr. cobra posicionamento da Conmebol após caso de racismo com jogadores do Palmeiras na Libertadores Sub-20

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Foto: Reprodução/Instagram

O atacante Vinicius Júnior, do Real Madrid, usou suas redes sociais para se manifestar em apoio a Luighi, jogador do Palmeiras, e cobrar ações da Conmebol após mais um caso de racismo no futebol. O caso ocorreu durante a partida entre Palmeiras e Cerro Porteño, pela Libertadores Sub-20, no Paraguai, na última quinta-feira (6).

O caso aconteceu no Estádio Gunther Vogel, em San Lorenzo, no Paraguai. Aos 36 minutos do segundo tempo, Luighi e Figueiredo, ambos do Palmeiras, foram alvos de insultos racistas. Figueiredo relatou que um torcedor, com uma criança no colo, fez gestos imitando um macaco em sua direção. Já Luighi foi chamado de “macaco” por torcedores e ainda recebeu uma cusparada. O camisa 9 do Palmeiras denunciou o ocorrido ao árbitro Augusto Menendez, mas a partida seguiu sem qualquer intervenção.

Luighi chorou no banco de reservas e, após o jogo, desabafou em entrevista. Questionado apenas sobre a partida, ele reagiu indignado: “É sério isso? Vocês não vão perguntar sobre o ato de racismo que fizeram comigo? É sério? Até quando a gente vai passar por isso? O que fizeram comigo foi um crime”. No Instagram, Vini Jr. publicou uma mensagem nos stories: “Parabéns pelo posicionamento, mano. É triste, mas fique forte. Vamos juntos nessa luta. Até quando, Conmebol? Vocês nunca fazem nada. Nunca!”.

O Palmeiras venceu o jogo por 3 a 0, com gols de Erick Belé e Riquelme (duas vezes), mas o resultado foi ofuscado pelo episódio de racismo. Em nota oficial, o clube brasileiro repudiou os atos e afirmou que irá “até as últimas instâncias para que todos os envolvidos sejam punidos”. A Conmebol também se manifestou, dizendo que “medidas disciplinares serão aplicadas”. No entanto, a entidade foi criticada por sua lentidão e falta de ações efetivas em casos anteriores de discriminação.

Em uma publicação no Instagram, Luighi voltou a falar sobre o caso: “Dói na alma. E é a mesma dor que todos os pretos sentiram ao longo da história, porque as coisas evoluem, mas nunca são 100% resolvidas. O episódio de hoje deixa cicatrizes e precisa ser encarado como é de fato: crime. Até quando? É a pergunta que espero não ser necessária ser feita em algum momento. Por enquanto, seguimos lutando”.

O caso reacende o debate sobre a necessidade de medidas mais duras contra o racismo no futebol. Vini Jr., que já foi alvo de ofensas racistas em partidas na Espanha, tem sido um dos principais atletas a pressionar por mudanças. Agora, a cobrança se estende à Conmebol, que, segundo críticos, precisa agir de forma mais contundente para coibir esses crimes.

Enquanto isso, Luighi e Figueiredo recebem apoio de companheiros e torcedores, mas a pergunta que ecoa é: até quando o futebol precisará lidar com essas cenas?

Com informações do UOL

Racionais MC’s recebem título de doutor honoris causa da Unicamp em cerimônia histórica

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Foto: Mariana Conti/Instagram

“Somos doutores graças a cada um de vocês!”, dizia a legenda da publicação recente na página do grupo Racionais MC’s. Na última quinta-feira (6), Mano Brown, Ice Blue, Edi Rock e KL Jay receberam o título de doutor honoris causa concedido pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), aprovado pelo Conselho Universitário em novembro de 2023. Um marco histórico pois eles são os primeiros intelectuais negros e periféricos a receberem o título na instituição, que reconhece a relevância intelectual do grupo e sua atuação na luta contra o racismo e as violências sociais no Brasil, além disso.

A cerimônia contou com discursos emocionados dos integrantes do grupo, que relembraram suas trajetórias e a importância do hip hop como ferramenta de resistência e transformação social. “Quando a gente começou, a única ambição que a gente tinha certeza que aconteceria era que, quando os preto ouvissem a gente, alguma coisa aconteceria”, afirmou Mano Brown, destacando as dificuldades enfrentadas em sua juventude. “Eu fui um jovem afoito, estudei muito pouco. Não tive tempo para estudar. Era questão de matar a fome.”

KL Jay, por sua vez, agradeceu aos pioneiros do hip hop em São Paulo, como o extinto Bodega Bay e o Clube do Rap, que propiciaram o primeiro encontro do grupo. “Hip hop é um acontecimento espiritual que fez um grande resgate dos pretos no mundo inteiro”, disse. Ice Blue homenageou sua família e relatou os desafios de ser um homem negro no Brasil. “Hoje eu sei o que é ter um filho preto da porta para fora”, afirmou, emocionado.

Edi Rock lembrou que a primeira gravação oficial dos Racionais MCs aconteceu em Campinas, em 1989, e agradeceu ao movimento negro e ao hip hop da cidade pelo acolhimento desde então. “Estar aqui hoje é um reconhecimento de que nossa luta não foi em vão”, disse.

A madrinha da cerimônia foi Nilma Lino Gomes, pedagoga e doutora em antropologia social pela USP, primeira mulher negra a comandar uma universidade pública federal no Brasil. Em seu discurso, ela destacou o papel dos Racionais MCs na luta por direitos e na crítica às estruturas de poder. “A voz dos Racionais MCs ecoa luta por direitos. Com sua dura crítica ao poder e aos poderosos, resgata histórias silenciadas, as reinventa, trazendo-lhes legitimidade de forma insurgente”, afirmou.

Formado em 1988 na periferia de São Paulo, o grupo se consolidou como uma das vozes mais influentes da música nacional e da cultura periférica, com composições que pautaram o debate público sobre desigualdade social, violência policial e genocídio da população negra. Em 2018, a Unicamp incluiu o álbum “Sobrevivendo no Inferno” entre as obras de leitura obrigatória para o vestibular 2020, marcando a primeira vez que um disco de música foi recomendado para a prova.

O título de doutor honoris causa da Unicamp já foi concedido a nomes como Paulo Freire, Antonio Candido, Mário Quintana, Celso Furtado e Oscar Niemeyer. Agora, os Racionais MCs se juntam a essa lista, em um reconhecimento que ressalta a importância da cultura periférica e da luta antirracista no cenário acadêmico e social brasileiro.

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