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Mulatólogo não é profissão, é machismo

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Por Charô Nunes

É com tristeza que fiquei sabendo sobre a profissão de “mulatólogo”. O termos foi criado por Julio César, homem negro que se dedica a agenciar e classificar mulheres pretas. Sua especialidade é basicamente a de alimentar o gueto midiático a que somos confinadas, nos “preparando” para trabalhar durante o carnaval e em shows de “brasilidade”. E como tudo que é ruim pode piorar, é com revolta que recebo a notícia que ele pretende processar por racismo (!!!) uma mulher negra (!!!) que se manifestou contra o termo em seu blog. Nesse caso, apesar de a ameaça nos querer fazer crer que se trata de uma questão de raça, estamos falando de gênero.

A profissão de mulatólogo torna inviável qualquer ressignificação do termo mulata, que apesar de todos os esforços das passistas não consegue escapar de sua origem. É como se fosse possível falar de um sommelier ou especialista de mulas e ao mesmo tempo nos querer fazer crer que isso não é ofensivo. E não adianta mudar o nome da coisa, o passistólogo vai continuar rotulando, classificando e agenciando mulheres pretas de acordo com sua idade e tipo de corpo. Continuará a nos transformar em produto de exportação, hiperssexualizadas, prontas para sermos consumidas aqui ou no estrangeiro. Estamos falando de machismo.

O mulatólogo colocando em risco um de nossos principais compromissos éticos que é o de não tratar gente como coisa. Se aproxima dos anúncios publicitários machistas que recorrem ao artifício de comparar mulher a produtos para demonstrar a ideia de que existiriam melhores ofertas. Essa estratégia, apesar de banal, é gravíssima: algumas mulheres seriam melhores que outras assim como alguns produtos. Isso se dá por meio da padronização daquilo que seria uma mulata, feito a partir de critérios machistas desse homem que se dispõe a selecioná-las a partir de critérios que não serão estabelecidos pelas passistas. Para isso existe o especialista.

Nós mulheres negras estamos acostumadas com isso. Esse ardil não é muito diferente de vender pessoas como peça, seja durante os 350 anos de escravidão. Estamos falando de transformar crianças, mulheres e homens negros em objetos, passíveis de serem comercializados, classificados e dispensados como lixo. Produtos que podem ser submetidos ao desejo de outrem não importa quando e com que finalidade. Estamos falando de deixar de ser gente e virar coisa, sem direito à voz e vontade. Pronto para ser classificado e rotulado. Como homem negro, esperamos que o mulatólogo entenda sobre qual dor estamos falando. Porque ela dóinem nossa carne e dói na dele também.

É por isso que, para que a profissão de especialista em mulatas exista, nós mulheres negras temos de abdicar de nossa humanidade ou em última instância nos calar diante da prática machista de classificar mulheres para este ou aquele fim de acordo com a cor da pele, idade e tipo de corpo. É por isso que, como mulher negra e em concordância com muitas outras, considero antiético que exista uma mulatologia, mulatólogo enfim. Sobretudo agora que uma comentarista está sendo ameaçada de processo por manifestar sua opinião contra esse acinte.

Como feminista, considero a transformação da mulata em produto exótico de época, submetido a classificações a análises, como problemática. Nós temos voz, vontade, livre árbítrio. Somos muito mais que uma área de conhecimento, somos gente. E justamente por isso não aceitamos que nossos corpos sejam avaliados, que sejamos hipessexualizadas ou que nos seja dito quando e onde podemos manifestar nossas opiniões contra aquilo que é publica e notoriamente machismo. Isso é defesa, isso é sobrevivência. Ela se dá nas ruas mas também sna definição de conceitos e termos que versam sobre nós.

O mulatólogo, diante de tanto rebuliço, comunicou em seu facebook que pretende se reunir com representantes do movimento negro para discutir o termo. Isso é alguma coisa. Esperamos que comece por retirar a ameaça de processo e ler com mais apuro as críticas dos seus comentaristas e de todas nós que estamos nos manifestando. Porque a mulher que deu sua opinião também merece ser ouvida tanto quanto qualquer outro militante. Tanto quanto outros comentaristas homens que disseram o mesmo. Por mais que isso pareça estranho aos olhos de alguns, ela também é movimento negro. Todas somos, dentro e fora da rede, nas pequenas ações, nas conversas com amigos, dentro e fora do carnaval, na escrita, na leitura e nos comentários de blogs.

E a mensagem é inequívoca e simples e todas nós entendemos muito bem: mulatólogo não é profissão, é machismo. Silenciar criticas que discordam de seu ponto de vista de maneira intimidatória também.

Charô Nunes escreve nos blgos Blogueiras Negras e  Indigestivos Oneirophanta.

Mensageiro da verdade ou "Mensaleiro da Vulgaridade"?

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Valter, no BBB

As várias opiniões sobre a ida de artistas do Hip Hop brasileiro até às telinhas têm trazido bastante polêmica. Menos de um mês da estreia do Clipe “Vibe da Nite” de MV Bill (o suposto Mensageiro da Verdade), ter estourado, recebemos a notícia de que o também Rapper, Slim Rimografia, irá participar do programa Reality Show, Big Brother Brasil, na Rede Globo!

Por Douglas Brown

A maior questão abordada pelos seguidores do RAP Nacional não é exatamente a ida desses à mídia, mas sim o comportamento que precisam adotar, ou escolhem adotar lá.

Falando de MV Bill, o rapper sempre divulgou em suas letras que a favela não tinha espaço, que os pretos não eram exibidos como os brancos são na mídia. Em uma de suas músicas, o cantor destaca até o Domingão do Faustão, como exemplo de desigualdade e racismo, quando diz que só tem paquita loira. ‘Shazam’, advinha qual a aparência física da “musa” escolhida por ele em seu novo clipe, “Vibe da Nite”? Ela é branca! Não se parece com ele, nem com índios, nem orientais, nem com o povo da periferia que o exaltava como o Rei do RAP.

httpv://www.youtube.com/watch?v=q5BhUgMsvNI

Pode-se se justificar pelo fato do clipe ter sido produzido no Sul. Mas como todo artista, ele teria o direito de levar quem ele quisesse. O clipe mostra o cantor com pinta de galã, que vai às baladas ostentando suas bebidas e seu carrão, e também sua bela acompanhante. A tal companheira tem as mesma descrições físicas daquela paquita que um dia ele criticou em plena tarde domingo, no programa do Faustão! E ironicamente uma moça bem parecida com o padrão citado como símbolo da desigualdade, é exibida como a mais perfeita dama, em seu clipe! Teria Bill se “vendido” ao canal que o projetou como estrela negra da Globo? Teria o Rapper mudado seus conceitos sobre a visão do RAP?

O que dizer sobre a participação de outro Rapper na emissora Rede Globo? O cantor de Hip Hop, Slim, participará da próxima edição do BBB e trouxe polêmica também, dentro do meio a que se indica que o RAP Nacional aborda temas como racismo, desigualdade social, e violência policial.

Recentemente o Rapper consagrado, Edy Rock, disse na emissora, no programa Caldeirão do Huck, que a mensagem do RAP tem de ser levada aos pontos mais vistos. Ótimo, a Rede Globo é a maior emissora de nosso país, mas justamente por este fator, será que os diretores liberariam os versos que muitos de nós, negros, costumávamos ouvir quando crianças? Será que a liberdade de expressão não será transformada em Sutilidade da Expressão? Em uma emissora grande como a Globo, quem manda são os gestores de produção ou os Rappers convidados? Quem de lá, se emocionará com as letras reais, as de origem cantadas por tais cantores do gênero? Quem terá sede de justiça, sendo que os injustiçados estão do lado de cá?

Dá-se a grana que eles querem, e nós constuimos o que eles falarão (cantarão).

Quem acredita na veracidade dos fatos de que todos esses Rappers, grandes ou pequenos vão falar sobre a realidade cruel que vivemos na periferia, são os mesmos que passaram a vida toda acreditando que o presente deixado no pé da cama, era deixado por um idoso caucasiano bondoso, de barba longa e alva.

Aos irmãos que viveram a sanguinária vida cantada por estes e outros rappers no passado, que passem a olhar com os olhos do presente, ou a solução para todos os revolucionários do meio artístico será o dinheiro. E isso, é o que não falta à elite! E isso é o que eu não quero.

Mensageiro da verdade ou “Mensaleiro da Vulgaridade”?

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Valter, no BBB

As várias opiniões sobre a ida de artistas do Hip Hop brasileiro até às telinhas têm trazido bastante polêmica. Menos de um mês da estreia do Clipe “Vibe da Nite” de MV Bill (o suposto Mensageiro da Verdade), ter estourado, recebemos a notícia de que o também Rapper, Slim Rimografia, irá participar do programa Reality Show, Big Brother Brasil, na Rede Globo!

Por Douglas Brown

A maior questão abordada pelos seguidores do RAP Nacional não é exatamente a ida desses à mídia, mas sim o comportamento que precisam adotar, ou escolhem adotar lá.

Falando de MV Bill, o rapper sempre divulgou em suas letras que a favela não tinha espaço, que os pretos não eram exibidos como os brancos são na mídia. Em uma de suas músicas, o cantor destaca até o Domingão do Faustão, como exemplo de desigualdade e racismo, quando diz que só tem paquita loira. ‘Shazam’, advinha qual a aparência física da “musa” escolhida por ele em seu novo clipe, “Vibe da Nite”? Ela é branca! Não se parece com ele, nem com índios, nem orientais, nem com o povo da periferia que o exaltava como o Rei do RAP.

httpv://www.youtube.com/watch?v=q5BhUgMsvNI

Pode-se se justificar pelo fato do clipe ter sido produzido no Sul. Mas como todo artista, ele teria o direito de levar quem ele quisesse. O clipe mostra o cantor com pinta de galã, que vai às baladas ostentando suas bebidas e seu carrão, e também sua bela acompanhante. A tal companheira tem as mesma descrições físicas daquela paquita que um dia ele criticou em plena tarde domingo, no programa do Faustão! E ironicamente uma moça bem parecida com o padrão citado como símbolo da desigualdade, é exibida como a mais perfeita dama, em seu clipe! Teria Bill se “vendido” ao canal que o projetou como estrela negra da Globo? Teria o Rapper mudado seus conceitos sobre a visão do RAP?

O que dizer sobre a participação de outro Rapper na emissora Rede Globo? O cantor de Hip Hop, Slim, participará da próxima edição do BBB e trouxe polêmica também, dentro do meio a que se indica que o RAP Nacional aborda temas como racismo, desigualdade social, e violência policial.

Recentemente o Rapper consagrado, Edy Rock, disse na emissora, no programa Caldeirão do Huck, que a mensagem do RAP tem de ser levada aos pontos mais vistos. Ótimo, a Rede Globo é a maior emissora de nosso país, mas justamente por este fator, será que os diretores liberariam os versos que muitos de nós, negros, costumávamos ouvir quando crianças? Será que a liberdade de expressão não será transformada em Sutilidade da Expressão? Em uma emissora grande como a Globo, quem manda são os gestores de produção ou os Rappers convidados? Quem de lá, se emocionará com as letras reais, as de origem cantadas por tais cantores do gênero? Quem terá sede de justiça, sendo que os injustiçados estão do lado de cá?

Dá-se a grana que eles querem, e nós constuimos o que eles falarão (cantarão).

Quem acredita na veracidade dos fatos de que todos esses Rappers, grandes ou pequenos vão falar sobre a realidade cruel que vivemos na periferia, são os mesmos que passaram a vida toda acreditando que o presente deixado no pé da cama, era deixado por um idoso caucasiano bondoso, de barba longa e alva.

Aos irmãos que viveram a sanguinária vida cantada por estes e outros rappers no passado, que passem a olhar com os olhos do presente, ou a solução para todos os revolucionários do meio artístico será o dinheiro. E isso, é o que não falta à elite! E isso é o que eu não quero.

Quilombo do Terror

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Projéteis de armas usadas por militares da base naval (Foto: Google Image)

Rio dos Macacos: Mulheres estupradas, crianças sob a mira de armas  e famílias ameaçadas de despejo. 

Por Silvia Nascimento

Era uma vez um quilombo que foi unido, grande e sustentável, por quase 200 anos, até que um dia a Marinha brasileira construir um base naval em uma parte das suas terras e acusou os habitantes originais –  negros remanescentes de escravos – de impostores. A luta das comunidades quilombolas contra a opressão militar parece um fato retirado dos livros de História, como se fosse algo distante cronologicamente.  Hoje, mas especificamente ontem,   6 de janeiro, dois irmão, Rosineide Messias dos Santos e Edinei Messias dos Santos,  residentes do Quilombo do Rio dos Macacos, localizado na base naval de Aratu, Bahia, foram espancados e presos militares.

Em nota, o Comando do Distrito Naval informou que os irmão foram contidos por conta da agressividade e que Rosineide, teria tentado pegar a arma de um dos militares.

Quem esteve no local, diz que não foi bem assim. Em entrevista ao jornal A Tarde, dona Maria Madalena, mãe dos irmão presos, relatou que ao pedir permissão aos militares, para que uma carreta pudesse entrar no quilombo,  ambos foram arrastados e puxados pelos cabelos, além de receberam chutes e murros.

A presidente do Desenvolvimento da Comunidade Negra do Estado da Bahia, Vilma Reis, disse ter entrado em contato com o Ministério Público da Bahia e a Fundação Palmares, em Brasília, para denunciar o caso. Os irmãos já foram liberados,

Cotidiano de terror no Quilombo

A batalha entre o Quilombo do Rio dos Macacos e a Marinha contem itens muito similares aos do tempo da escravidão, como cárcere privado, estupros e até mortes.

Em um vídeo gravado pelo Portal Correio Nagô, Rosineide diz que até a sua alfabetização foi prejudicada por conta da presença militar no quilombo. “Eles usaram cercas que dificultavam nossa ida à escola. Eu tenho 34 anos e não sei ler e nem escrever”, explica. Ela diz que quem tentava passar pela cerca, ficava sob a mira de dois militares que ameaçavam atirar.

Casos de estupros na vila naval, também fazem parte deste cotidiano de terror das famílias residentes no Quilombo do Rio dos Macacos. “Ninguém quer falar sobre isso, mas adolescentes são estupradas por militares”, diz Rosineide.   Crianças negras quilombolas crescem sob a mira e ameaça da Marinha, bem como quem tenta plantar para o sustento da família. É a intimidação e a força sendo usadas para que os quilombolas abandonem o seu lar.

Às famílias dos Quilombos dos Macacos que sobreviveram, resta uma vida de luta, resistência, opressão, ameaças e descaso das autoridades Parece um pedaço do Brasil que ficou congelado no tempo. Em pleno século XXI eles vivem a rotina sofrida, coagida e sem esperança, como os africanos escravizados que viveram na senzala.

Lei anti-racismo, completa 25 anos no Brasil

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Foi criada há exatos 25 anos a Lei 7.716, que define os crimes resultantes de preconceito racial. A legislação determina a pena de reclusão a quem tenha cometidos atos de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Com a sanção, a lei regulamentou o trecho da Constituição Federal que torna inafiançável e imprescritível o crime de racismo, após dizer que todos são iguais sem discriminação de qualquer natureza.

A lei ficou conhecida como Caó em homenagem ao seu autor, o deputado Carlos Alberto de Oliveira. A partir de 5 de janeiro de 1989, quem impedir o acesso de pessoas devidamente habilitadas para cargos no serviço público ou recusar a contratar trabalhadores em empresas privadas por discriminação deve ficar preso de dois a cinco anos.

É determinada também a pena de quem, de modo discriminatório, recusa o acesso a estabelecimentos comerciais (um a três anos), impede que crianças se matriculem em escolas (três a cinco anos), e que cidadãos negros entrem em restaurantes, bares ou edifícios públicos ou utilizem transporte público (um a três anos). Os funcionários públicos, tratado na lei, que cometerem racismo, podem perder o cargo. Trabalhadores de empresas privadas estão sujeitos a suspensão de até três meses. As pessoas que incitarem a discriminação e o preconceito também podem ser punidas, de acordo com a lei.

Apesar da mudança no papel, os negros ainda sofrem racismo e frequentemente se veem em situação de discriminação. Para o coordenador nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais e Quilombolas (Contaq), no campo legislativo pouca coisa mudou desde que a escravidão foi abolida, em 1888. “A realidade continua a duras penas. Desde o começo, muitos foram convidados para entrar no Brasil, o negro foi obrigado a trabalhar como escravo”, disse, citando leis como a da Vadiagem, a proibição da capoeira e o impedimento à posse de terras.

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios, divulgada em setembro de do ano passado, 104,2 milhões de brasileiros são pretos e pardos, o que corresponde a mais da metade da população do país (52,9%). A diferença não é apenas numérica: a possibilidade de um adolescente negro ser vítima de homicídio é 3,7 vezes maior do que a de um branco, de acordo com estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

De 1989 para cá, outras legislações importantes na luta contra o preconceito racial foram criadas, como o Estatuto da Igualdade Racial (2010) –, e a Lei de Cotas (2012), que determina que o número de negros e indígenas de instituições de ensino seja proporcional ao do estado onde a universidade esta instalada. “Essas são ações muito importantes de reparação. Tem alguns fatores que a gente ainda precisa quebrar para que o negro tenha direitos e oportunidades reais”, acredita Biko.

Para denunciar o crime de racismo ou injúria racial, o cidadão ainda não tem à disposição um telefone em todo o Brasil. Mas unidades da Federação têm criado os seus próprios, como o Distrito Federal (156, opção 7) e Rio de Janeiro (21-3399-1300). Segundo Biko, é importante saber quem é de onde são as pessoas que cometem tal crime. “Sem dúvida, quando mais espaço de denúncia a gente tiver, mais reforça a luta conta a esse processo de segregação racial que a gente ainda vive nesse país”, avalia.

Fonte: Portal EBC

Relações inter-raciais no Brasil e a suposta histeria da mulher negra

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Sobre relações inter-raciais no Brasil, Joaquim Barbosa com uma mulher branca, Pelé, o poeta (hein?!) e a suposta histeria da mulher negra em se manifestar contra o sistema que a põe nos lugares-comuns mais solitários e excludentes:

 

Por Fernando Sagatiba
Eu tive uma HQ da Marvel, mas com conteúdo mais sério, mais adulto onde o negro Luke Cage e a branca Jessica Jones se relacionavam, até que Jessica, ex-Vingadores perguntou se procedia a fama que o herói de aluguel tinha de ‘pegador-de-colantes’. ele explicou que se fosse advogado, iria se relacionar com advogadas e se fosse artista, ia estar com artistas, logo, se o meio onde ele convive é de heroínas de colantes, ele ia chegar nesse ‘público’, sei não, mas achei muito pertinente ao abordar a questão de homens negros em ambientes onde somos minoria, tipo classes mais abastadas, diferente do modus-operandi ‘conquistei um troféu de ascensão social’ aplicado aos jogadores de futebol e pagodeiros de um modo folcloricamente geral.

Mas é inegável a condição da mulher preta, de desfavorecida nas relações, em geral, pois a equação social demonstra que a maioria da população é de mulheres e a maioria da população é negra, ou seja, maioria de mulheres negras. Ponto. Aí, percebemos que a sociedade é racista e machista, ou seja, favorece brancos e homens. Donde se conclui que, se é o homem e o branco que têm o privilégio de serem ‘normais’, a mulher negra vai direto à base da pirâmide das relações sociais. Não acho histeria alertar o povo sobre esses paradigmas, concordar com isso seria aceitar que sou paranoico e vejo racismo em tudo quando escrevo sobre o assunto, por exemplo. A questão não é sobre amor, é sobre construção social da visão que achamos ter criado sobre o outro, de onde saem as preferências, das opções criadas e oferecidas, sobretudo num tempo em que a mídia alcança a todos os lugares e muito mais gente do que antes. Isso não nasceu com o próprio universo, foi construído em capas de revista, filmes, novelas, comerciais, etc.

Adivinha quem estava lá nas senzalas sendo procuradas como objetos de prazer e ainda recebia a culpa por desencaminhar maridos e filhos de família? E de lá pra cá virou sinônimo de insaciável sexual, barraqueira, globeleza e dona da cozinha? Construções sociais do inconsciente popular nos fazem acompanhar a ficção mostrando o ‘dia-a-dia’ de gente milionária e achar que isso é o certo, pra compensar nossa própria pobreza, negros em seu lugar exótico de servidão e alívio cômico, homem negro viril, protetor e reprodutor, homem branco, homem dócil e seguro financeiramente, carinhoso e mulher branca, a mulher de família, a mulher pra se apresentar à família, a mulher negra, aquela sempre pronta pro sexo, uma iguaria que dali, só pode cuidar de casa, dos filhos e sambar ou dançar pagofunk. Não adianta negar esses estereótipos com “ah, mas eu conheço um ou dois casais diferentes…”, pois, isso aqui não é sobre histórias particulares, é sobre a vida pessoal de quem precisa enfrentar todo dia um estigma e ainda lidar com as pedras no caminho do desafio principal em forma de “você reclama à toa”.

Não concordo com N argumentos sobre muita coisa, mas tento olhar pelo lado de quem reclama antes de dizer que é um manifesto em vão (o que me vale sempre a alcunha de ‘diplomático’, mas tudo bem, eu sou mesmo). Se cada dia saíssemos às ruas pra lutar por uma ‘pequena causa’ de grupos específicos, teríamos muito mais efeitos positivos – e afirmativos – para todos do que tentando brecar o protesto alheio porque não abrange toda a galáxia, numa falsa argumentação por justiça pra todos (tipo, querer tudo e conseguindo nada). O problema no Brasil é social… racial, sexual, moral, de construção social de estereótipos que só facilitam a classe rica, mas reduz o poder de contestação da maioria pobre e preta, que ao invés de se unir, fica disputando a tapa afagos ‘bom garoto!’ de quem vive de sua exploração.

* Fernando Sagatiba é jornalista,  músico, colunista do site Mundo Negro e ainda comanda o blog Divagar é preciso

 

Usuário do Mercado Livre vende negros à 1 R$

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Anúncio do site de compras Mercado Livre vende negros a R$1. De acordo com a descrição do anunciante, seria um bom negócio já que negros têm diversas utilidades como trabalhar como gari, segurança e pedreiro.

No texto sobre as normas do site, o Mercado Livre não se responsabiliza pelo teor do anúncios, mas tem o registro dos anunciantes.

Negros Com Diversas Utilidades   R  1 00 no MercadoLivre edit

Veja o anúncio completo:

http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-532869961-negros-com-diversas-utilidades-_JM#D[S:HOME,L:CONVCATEG-CORE-ITM,V:1]

A história de Carolina de Jesus

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NEGRO DRAMA
“Entre o sucesso, e a lama,
Dinheiro, problemas,
“Inveja, luxo, fama…”
Racionais Mc’s – Negro Drama

quarto de despejo

Por Carol Machado

O cineasta afro-brasileiro Jéferson De, acabou há alguns anos dirigindo a excelente atriz Zezé Motta no filme Carolina. Tenho praticamente certeza que 90% das pessoas que estão lendo este texto, não tiveram acesso à obra e, portanto nem sabem de quem o roteiro deve estar falando. É sobre Carolina Maria de Jesus, escritora do livro autobiográfico “Quarto de Despejo” – traduzido em 13 idiomas. Apesar da fama, ela morreu na mesma pobreza que narrava.

 

A história de Carolina de Jesus começa lá no interior do estado de Minas Gerais. Especificamente no dia 14 de março de 1914, na cidade de Sacramento. Neta de escravos, sobre o pai apenas se refere como um tocador de violão, mas que não gostava de trabalhar. A mãe, uma lavadeira criou a família e ganhou sua admiração.
Devido os préstimos de sua mãe, Carolina conseguiu estudar no Colégio Alan Kardec, em Sacramento, com bolsa cedida por Maria Leite Monteiro de Barros – uma das freguesas de sua genitora. Mas pode apenas fazer a primeira e segunda série do Ensino Fundamental.
Atrás de oportunidade de emprego, a família mudou-se para Lageado, município próximo a Uberaba, mas quatro anos depois retornam para Sacramento. Em 1930, a família de Carolina vem para o estado de São Paulo, se instalando na cidade de Franca, forte na produção de café e sapatos.

httpv://www.youtube.com/watch?v=mLkJy86VU84&list=PL20upv2JBXS1z-vtjikbNEJ8hegqD_wrE&index=7

Em 1937, aos 23 anos, Carolina, perde a mãe e também o único vinculo que a mantinha em Franca e parte para capital do estado, atrás de melhores chances de emprego. Chega à terra da garoa, no dia 31 de janeiro.
Entre empregos informais e trabalhos domésticos, a futura escritora, começa a sonhar com o mundo das letras. Num ato de coragem, vai sozinha, a redação do jornal “A Folha”, na Rua do Carmo. No dia 24 de fevereiro de 1941, tem sua foto junto com um poema em louvor a Getulio Vargas é publicado.

Enviando regularmente poemas para o jornal, Carolina é apelidada de poetisa negra, com admiração dos leitores, pela qualidade do texto.
Mas sua grande chance acontece somente em 1958, quase que por acaso. O repórter do jornal Folha da Noite, Adálio Dantas é designado para fazer uma matéria sobre a favela do Canindé. Entre as casas visitadas, o jornalista se depara com a intelectualidade de Carolina, no meio daquela miséria, e ela mostra seus textos a ele. É seu diário, que viria a ser chamado no futuro em publicação de “Quarto de Despejo”. O jovem repórter fica maravilhado com a leitura. No dia 19 de maio, o jornal publica parte do texto, sendo elogiado.

Em 1959, a grande revista da época – O Cruzeiro, também se interessa pelos textos e publicas trechos, mas somente em 1960, com uma tiragem inicial de 10 mil exemplares é publicada a obra: “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada”.
Somente na noite de autógrafos, Carolina consegue vender 600 exemplares e no fim do ano atinge a cifra de 100 mil cópias. Ela atinge o apogeu, com sua foto estampada na Revista “Negro”, do Circulo Negro. A Academia Paulista de Letras e a Academia de Letras da Faculdade de Direito Largo São Francisco, lhe prestam homenagens.

Com base no sucesso do livro “Quarto de Despejo” ela ainda viaja pelas cidades de Pelotas, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Caruaru e Recife. Até uma peça de teatro, baseada no livro é encenada no Teatro bela Vista, em São Paulo, adaptada por Amir Hadad.
Movido por esse sucesso, Carolina publica no ano seguinte o livro “Casa de Alvenaria: Diário de uma Ex-Favelada”, com prefácio escrito pelo jornalista que a descobriu: Adálio Dantas, pela Editora Paulo de Azevedo. Sua agenda de lançamento editorial a leva a excursionar pela Argentina e Uruguai.
Ainda em 1961, ela participa da Feira do Livro do Rio de Janeiro, como uma das estrelas, despertando o ciúme de um dos maiores escritores do país: Jorge Amado.

Já 3 anos após seu lançamento, Quarto de Despejo é traduzido para o inglês, sendo publicado nos Estados Unidos, sob o titulo “Child Of the Dark: The Diary of Carolina Maria de Jesus. Também em 62, sai a versão em alemão com o titulo Tagebuch der Armut:Aufzeichnunger einer Brasilianischn Negerin.

Ela lança ainda Pedaços de Fome, pela Editora Áquila, apresentado pelo escritor Eduardo de Oliveira. E Quarto de Despejo é reeditado nos Estados Unidos. Ela ainda consegue publicar o livro Provérbios, em 1965, no mesmo ano tem sua obra traduzida em Cuba.
Apesar de ter um livro como verdadeiro best seller, envolvida em contratos estranhos, Carolina de Jesus não se beneficiou do sucesso, financeiramente, apenas as editoras. Não demorou muito a voltar à condição de miserabilidade, sendo inclusive, em 1964, sendo fotografada pela imprensa como simples catadora de papeis nas ruas de São Paulo.
No mesmo tempo que sua obra é reeditada na Alemanha, muda-se para Parelheiros, então periferia de São Paulo, seno inclusive em 1975, objeto de um documentário para a TV daquele país – intrigado por sua obra, intitulado “Despertar de um Sonho”.

Em 1976, a Edioro compra os direitos da obra Quarto de despejo e novamente a escritora, novamente favelada, não vê a cor do dinheiro. Um ano depois, no dia 13 de fevereiro, ela morre, sendo enterrada sem cerimônia ou pompa. Aos 62 anos de idade, rodeada basicamente pelos três filhos, seu corpo é depositado no Cemitério da Vila Cipó, mais de 40 quilômetros do centro da cidade.
Sua obra, pouco divulgada e estudada, faz o que o Rap com suas letras conseguem hoje – traduzir o olhar da população negra e pobre sobre a realidade. Sem o linguajar intelectual e alienado de escritores que apenas visitam a miséria, sem conhecê-la perfeitamente.
É como canta Mano Brown – Racionais Mcs na letra Negro Drama “Eu Não Li, Eu Não Assisti. Eu Vivo O Negro Drama, Eu Sou O Negro Drama. Eu Sou O Fruto do Negro Drama” Carolina é a Negra Drama, vivenciado a situação e narrando, não copiando ou fingindo o que acontece.

Não é a toa que na Trilha Sonora do Filme sobre ela, que Jéferson De colocou a musica. Até parece que o rapper leu o livro, antes de escrever suas letras. A perversidade que a elite intelectual tratou sua maior obra, que chega a insinuar que Quarto de Despejo é na verdade escrita por Adálio Dantas.
Ela deixou três filhos: João José de Jesus, José Carlos de Jesus e Vera Eunice de Jesus Lima. Não teve um companheiro fixo, mas vários amores. Ela afirmava que era difícil um homem suportar uma mulher que dorme com um lápis e papel nas mãos e a qualquer momento, quer escrever. Para se sustentar foi desde a infância empregada domestica, trabalhando em diversas residências e por fim terminou seus dias como catadora de papel. Só em 1983 a TV brasileira, através da Rede Globo fez um resgate de sua historia na série “Caso Verdade”.

Uma dos fatos que mais incomodavam Carolina no final de vida é compreender como pode ter alcançado o sucesso e tão rápida ser esquecida.

Em 1986 foi publica sua obra póstuma – Diário de Bitita, pela Editora Nova Fronteira, mas que absurdamente foi publicado em primeiro na França, só depois no Brasil.

Acompanhe a comemoração do centenário de Carolina de Jesus pelo Facebeook: https://www.facebook.com/anocentenariocarolinamariadejesus

A filha negra de George Lucas

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O cineasta George Lucas (69) e sua esposa, a empresária Mellody Robson (44) apareceram pela primeira vez em público com sua filha de quatro meses, Everest. A pequena é a primeira filha biológica do cineasta que adotou 3 crianças que hoje têm entre 20 e 30 anos de idade.

O trio foi fotografado durante um passeio em ST. Bars, no primeiro dia do ano.

Lucas e Mellody se casaram em junho do ano passado.

Kwanzaa, o ‘natal africano’ que celebra a união e valorização dos afrodescendentes

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Foto: The Black Wall Time.

Já que importamos o Papai Noel branquinho de olhos azuis, a neve, entres outros símbolos que não tem nada a ver com a cultura brasileira, que tal variar e trazer um pouco da cultura africana e afro-americana para suas celebrações de final de ano? A festa tem origem americana, mas está começando a ser celebrada também fora dos EUA, como no Canadá e na região do Caribe. Mas afinal, o que é o Kwanzaa?

Com o objetivo de fortalecer

Foto: Purestock/Thinkstock.

os valores de comunidade e união familiar depois da violenta rebelião de Watts (causada por abuso policial contra um jovem negro em 1966) o professor  Dr. Maulana Karenga, presidente de um centro de estudos negros na California State University e ativista dos direitos civis nos anos 60,  criou para uma celebração para unir os  afro-americanos com base em costumes do continente africano. Assim nasceu o Kwanzaa  nome derivado da frase “matunda ya kwanza”, que significa “primeiros frutos” em suaíli (língua de origem queniana).

Cada família celebra Kwanzaa da sua própria maneira, mas as celebrações geralmente incluem canções e danças ,batucada com tambores africanos, leitura de histórias e poesias e uma grande refeição tradicional. A celebração dura sete dias, iniciando no dia 26 de dezembro e encerrando no dia 1º de janeiro.

Em cada uma das sete noites, a família se reúne  ao redor  das luzes uma das velas no Kinara (castiçal) onde os princípios da Kwanzaa são discutidos. Esses princípios, chamados de Saba Nguzo (sete princípios em suaíli) são valores da cultura africana que contribuem para a construção e reforço comunidade entre afrodescendentes.

A cada dia uma vela de cor diferente deve ser acesa num altar onde são colocadas frutas frescas e uma espiga de milho correspondente ao número de crianças que houver na casa. Depois de acesa a vela ( a vela preta deve ser acesa na primeira noite) , todos bebem de uma taça comum em reverência aos antepassados, e saúdam com a exclamação “Harambee”, que tanto significa “reúnam todas as coisas” como “vamos fazer juntos”. A grande festa é a de 1 de janeiro, quando há muita comida, muita alegria e onde cada criança deve ganhar três presentes que devem ser modestos: um livro, um objeto simbólico de referência africana e um brinquedo.

 Sete Princípios

Os sete princípios, ou Nguzo Saba são um conjunto de ideais criados pelo Dr. Maulana Karenga. Cada dia de Kwanzaa enfatiza um princípio diferente.

Unidade: Umoja (oo-MO-jah)
Esforçar-se para e manter a unidade na família, comunidade, nação e raça.

Autodeterminação: Kujichagulia (koo-gee-cha-goo-LEE-yah)
Para definir a nós mesmos, o nome de nós mesmos, criamos para nós mesmos e falar para nós mesmos.

Trabalho coletivo e responsabilidade: Ujima (oo-GEE-mah)
Para construir e manter a nossa comunidade e resolver o problemas desta juntos.

 Cooperativa de Economia: Ujamaa (oo-JAH-mah)
Para construir e manter nossas lojas próprias, lojas e outros negócios e para lucrar junto com eles.

 Objetivo: Nia (nee-YAH)
Para tornar a nossa vocação coletiva a construção e desenvolvimento da nossa comunidade, a fim de restaurar nossos povos a sua grandeza tradicional.

 Criatividade: Kuumba (koo-OOM-bah)
Para fazer sempre tanto quanto pudermos, da maneira que pudermos, a fim de deixar nossa comunidade mais bela e benéfica do que herdou.

 Fé: Imani (ee-MAH-nee)
Acreditar com todo nosso coração em nosso povo, nossos pais, nossos professores, nossos líderes, na justiça e vitórias das nossas lutas.

 Os sete símbolos do Kwanzaa

Sete símbolos são exibidos durante a cerimônia do Kwanzaa para representar os sete princípios da cultura e da comunidade africana.

  1.      Mkeka (M-kay-cah): é a esteira (geralmente feita de palha, e que também pode ser feita de tecido ou papel) sobre a qual todos os outros símbolos do Kwanzaa são colocados. A esteira representa a base das tradições africanas e da história .
  2.      Mazao (Maah-zow): as safras, frutas e vegetais representam as celebrações da colheita africanas e mostram respeito pelas pessoas que trabalharam no cultivo.
  3.      Kinara (Kee-nah-rah): o candelabro representa a base original da qual todos os ancestrais africanos vieram e contém sete velas.
  4.      Mishumaa (Mee-shoo-maah): nas sete velas, cada uma representa um dos sete princípios. As velas são vermelhas, verdes e pretas, cores que simbolizam o povo africano e sua luta.
  5.      Muhindi (Moo-heen-dee): o milho representa as crianças africanas e a promessa de futuro para elas. Um sabugo de milho é colocado para cada criança da família. Em um família sem crianças, um sabugo de milho é colocado simbolicamente para representar as crianças da comunidade.
  6.      Kikombe cha Umoja (Kee-com-bay chah-oo-moe-jah): a Taça da União simboliza o primeiro princípio do Kwanzaa, ou seja, a união da família e do povo africano. A taça é usada para derramar a libação (água, suco ou vinho) para a família e os amigos.
  7.      Zawadi (Sah-wah-dee): os presentes representam o trabalho dos pais e a recompensa para seus filhos. Os presentes são dados para educar e enriquecer as crianças, e podem ser um livro, uma obra de arte ou um brinquedo educativo. Pelo menos um dos presentes é um símbolo da herança africana.

 As velas

Sete velas são colocadas dentro do Kinara:

  • no centro há uma vela preta representando o primeiro princípio: união (Umoja);
  • à esquerda da vela preta estão três velas vermelhas, representando os princípios de auto-determinação (Kujichagulia), economia cooperativa (Ujamaa) e criatividade (Kuumba);
  • à direita da vela preta estão três velas verdes, representando os princípios de trabalho coletivo e responsabilide (Ujima), próposito (Nia) e (Imani).

Com informações do Site Oficial sobre Kwanzaa

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