A cidade de Porto Alegre recebe o primeiro festival de música negra, intitulado “Porongos”, com o intuito de trazer a história dos Lanceiros Negros para dentro da Semana Farroupilha. Os artistas Camila Toledo, Gilberto Oliveira, Negra Jaque, Saskia e a banda Ivy King irão se apresentar no evento, que acontecerá no dia 19 de setembro (véspera do feriado farroupilha), na casa de shows Bate que fica localizado na rua João Alfredo, 701, a partir das 23hrs.
Com produção de Daniele Rodrigues e Thaise Machado que juntas também coproduzem a Segunda Negra. O festival irá arrecadar alimentos, materiais escolares e de higiene que devem ser direcionados para o projeto de educação étnico-social ORI INU.
Segundo a organização, “a música foi e será uma das principais ferramentas de combate ao racismo e de denunciar preconceitos. A partir disso, o Festival Porongos de Música Preta Independente, nasce. Em forma de manifesto! Tornando presente e dando notoriedade a história dos Lanceiros Negros, que lutaram na Guerra Civil Farroupilha, em troca de sua liberdade”.
Para obter mais informações sobre o Festival, acesse: https://www.facebook.com/events/242416423084109.
“O cabelo parece”. Essa frase de uma testemunha a um policial, resultou na prisão da dançarina de 20 anos Barbará Querino, a Babiy, confundida como um membro de uma quadrinha assaltante de carros, em janeiro desse ano, na cidade de São Paulo.
Uma decisão que foi tomada no último dia 10 de agosto, condenou a única filha mulher da auxiliar de limpeza Fernanda Regina Querino, 38 anos, mãe de mais 5 meninos mais novos, à 5 anos e 4 meses de prisão pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ -SP). Detalhe: sua defesa levou testemunhas, fotos e vídeos para provar que Babiy estava no Guarujá na hora do crime e ela foi condenada mesmo assim.
Dança afro, Enem e cartas ao namorado sem resposta
Conversei com Mayara Alves Vieira, 23, formada em Serviço Social, amiga próxima à Babiy e que tem sido fundamental para movimentar a opinião pública sobre esse caso. Ela revelou algumas coisas sobre a amiga, que nos leva a refletir que assim como o genocídio, o encarceramento tira do seio familiar e social muitas potencias negras.
Confira nesse vídeo a coreografia genial e os movimentos encantadores e precisos de Babiy.
A Babiy vítima do Estado que mantém negros sem julgamento justo nós conhecemos, mas que é a jovem repleta de sonho que está dentro de um cela enquanto você lê esse texto? Confira 5 fatos sobre ela.
(1) Ela iniciou um projeto de dança afro ligado à cultura orixá e estudava sobre Umbanda.
(2)Ela era a segunda mãe dos irmãos. Trabalhando como modelo e dançarina ela contribuía com as despesas da casa para ajudar a sua mãe, que é auxiliar de limpeza em um hospital
(3)Ela estava namorando quando foi presa e da cadeia escreveu cinco cartas para o namorado, que nunca foi buscá-las.
(4) Ela prestou ENEM em 2017 para entrar este ano na Faculdade de jornalismo.
(5) Psicologia era outra paixão de Babiy.
Babiy ao centro durante um ensaio (Imagem Reprodução Facebook)
Sem dinheiro para visitar a filha e criar os filhos, a mãe precisa de ajuda
Uma campanha pelo site e financiamento coletivo Vaquinha está aceitando doações para ajudar a família de Babiy, que tem uma fonte de renda a menos com a prisão da dançarina.
Sua mãe, muitas vezes não consegue visitar a filha por conta da falta de dinheiro. São seis filhos que dependem dela. Veja detalhes no vídeo abaixo.
Para contribuir com a campanha, doe qualquer valor, clicando aqui.
Mandela nos ensinou que se aprendemos a odiar as pessoas pela cor, também podemos aprender a amar. Porém parece que muito pais brancos nem cogitam discutir questões raciais dentro de casa com seus filhos pequenos. Vivemos em uma sociedade racista e quando a educação em casa falha, o racismo toma conta fazendo como vítimas inúmeras crianças negras.
Uma das vítimas do racismo praticado por crianças brancas em ambiente escolar, foi o filho do cantor André Marinho (Ex-Bro’z) e a fotógrafa Drika Marinho.
Em um vídeo que viralizou na Internet, o herdeiro do casal relata que amigos da escola não gostam dele por conta da sua cor de pele.“Tem uma amiga no transporte da escola ela me contou que , eu quase encostei nela, e ela disse ‘eu tenho nojo de encostar em negro”, relatou o pequeno.
Para quem têm filhos negros, ouvir esses relatos da boca deles dói muito mais do que se tivesse acontecido diretamente com a gente.
Com muita calma, André explica para o filho que ele e muitas pessoas lutam contra o racismo e que temos que ensinar aos racistas, que somos todos iguais.
A atitude foi certeira ao falar com uma criança. Ela já se sente ferida, não precisa ser orientada a ter sentimentos de ódio contra o racista, desde que, como foi o caso, a criança não se sinta responsabilizada pelo o que aconteceu.
Seja entre crianças ou adultos a culpa do racismo é sempre dos brancos. Pais brancos, melhorem. Incluam a diversidade étnica dentro da sua casa. Pode ser uma boneca negra, um livro infantil com personagens negros, mas a conversa é necessária. Drika, a mãe, me explicou que o filho estuda em um colégio particular, onde praticamente não há negros.
Se vocês ensinam a não bater em amigo, a fazer a lição de casa, comer verduras e tomar banho diariamente, podem ensinar que crianças negras ou qualquer uma que seja diferente dos seus filhos brancos, devem ser respeitadas.
O elenco do Stand Up Coisa de Preta em São Paulo: @rodrigo_encrenca @oyurimarcal @thiagophz @adalsilvestre @instadoedinho @kednysilva @oguipreto @lapena @brunabragaxx
Foto: Divulgação Instagram
“Eu sempre levava a mesma advertência no colégio. Aluno descalço … para eu explicar que eu estava de Kichute.“. Todos riram da piada do comediante Adal Silvestre, relatando de forma cômica um caso de racismo. Fazendo o racista virar a pirada pelo ridículo da situação. A cereja do bolo é a plateia de maioria negra. Esse é o Stand Up Comedy Black Brazil , “Coisa de Preto”, onde comediantes negros fazem piadas sobre o cotidiano do negro brasileiro. Confira o teaser abaixo:
Quem nunca passou por alguma situação por ser negro ou negra, que foi tão ridícula que passado o transtorno, a gente ri da capacidade do racista não se tocar do que fez.
Porém, a sacada genial é que é engraçado somente quando contamos entre a gente. Nos EUA essa fórmula já é consagrada desde os anos 80 com o sucesso do Def Comedy Jam, um grupo de comediantes negros ( que revelou grandes nomes como Eddy Murphy, Chris Rock) para um público negro.
“Coisa de Preto” estreou no dia 10 de agosto. A cidade escolhida foi São Paulo, e o Casseta que nos representa Hélio de La Penha, se juntou a um jovem times de comediantes para o espetáculo, entre eles Yuri Marçal que sempre viraliza vídeos nas redes sociais com suas piadas “racistas reversas”.
A diretora Camila de Moraes e a produtora Mariani Ferreira relembram um crime ocorrido em Porto Alegre que gerou bastante polêmica na década de 80. O operário negro Júlio César de Melo pinto foi executado por policiais militares após ser confundido com um assaltante de supermercado. A história ficou conhecida como “O Caso do Homem Errado“.
O longa-metragem está entre os 22 filmes brasileiros pré-selecionados para a vaga de representante oficial brasileiro na premiação do Oscar.
Alguns internautas se posicionaram sobre o assunto, como Nelson Maca, que afirma “ter saído da comodidade da poltrona” com o filme. “Esse filme me lança na vida! Que é um filme essencial, eu já sabia. Eu sinto. Por isso vejo essa indicação não como legitimadora nem avaliadora do filme, mas reconhecedora da força de sua linguagem, ou seja, de sua beleza artística. Insisti tanto nisso: na poesia que, paradoxalmente,´pode e deve haver na representação de nossa tragédia negra cotidiana. E, na minha opinião (de quem igualmente encontrou na arte sua forma de ação direta e contundente), esse filme é, como bem nos ensinou Fela Kuti, também uma nossa arma“.
O documentário apresenta a história de Julio contada por meio de depoimentos, inclusive o de Ronaldo Bernardi, que através de suas fotografias tornou o caso conhecido. Apresenta também o depoimento de Juçara Pinto, viúva do operário.
A relação de projetos de longas-metragens brasileiros selecionados para o 9º Brasil CineMundi – Internacional Coproduction Meeting foi dominada por mulheres negras. O evento reúne profissionais de diversas partes do mundo para uma rede de contatos e negócios do audiovisual. O programa acontece acontece no âmbito da 12ª CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte, de 28 de agosto a 2 de setembro na capital mineira.
De acordo com a comissão responsável pela seleção dos projetos, o futuro do cinema brasileiro é predominantemente feminino: 12, dos 20 escolhidos, têm a presença de diretoras.
A produtora, diretora e fundadora da Preta Portê Filmes, Juliana Vicente, é uma das mulheres negras que teve destaque. Seu projeto “Cores de Maio”, para um longa-metragem de ficção foi selecionado para a categoria CineMundi. A cineasta paulista dirigiu o curta-metragem “Cores e Botas”, exibido no Festival Iberoamericano de Huelva – 2011 e no Festival de Havana – 2010, e o documentário média-metragem “Leva”, também exibido no Festival de Havana – 2011 e premiado no New York Film Festivals.
Há também projetos selecionados para o 9º Brasil CineMundi que contam com mulheres negras como protagonistas. É o caso da documentarista capixaba Tati W. Franklin, cujo projeto “Toda Noite Estarei Lá”, também foi selecionado para o a categoria Doc Brasil Meeting. E do realizador e montador belo-horizontino Víctor Dias, com o projeto de documentário em longa-metragem “Okaia Dunga – Mulheres Valentes“, selecionado na categoria Foco Minas.
A mídia negra não é novidade no Brasil. Antes mesmo da abolição, comunicadores negros já se mobilizavam para produzir conteúdo relevante para sua comunidade e contestar a sociedade que viviam. Após a chegada da Internet no final dos anos 90, veículos online voltados para negros surgiram timidade (nós inclusive fomos um deles). Já nos últimos 10 anos, o cenário mudou muito devido ao advento das Redes Sociais, como Facebook e Youtube.
Por meio do seus smartphones muitos comunicadores negros, começaram a usar um espaço massivamente branco e elitizado, para trazer suas narrativas. Alguns pela necessidade de serem ouvidos e contribuir para sua comunidade, muitos por narcismo e fama (assim como muitos brancos). Dessas centenas de jornalistas, Youtubers, influenciadores, publicitários, poucos conseguiram destaque.
Um dos nomes negros que saiu do status de aspirante a Youtuber para um dos maiores influenciadores negros do país é Spartakus Santiago, de 24 anos. E não é só pela presença de vídeo, beleza e carisma. Ele leva a profissão a sério. Nascido em Itabuna, na Bahia, ele é formado em publicidade pela UFF e em direção de arte pela Miami Ad School em Nova York. Ele corre atrás e já vem colhendo frutos do seu empenho e investimento (ele se mudou para Tijuca no RJ) e conquistou um programa só seu no canal Futura.
Confira a entrevista exclusiva que ele concedeu a nossa editora, Silvia Nascimento:
Mundo Negro: Quando você percebeu que ser comunicador era a sua praia? Foi uma sugestão de alguém ou algo que nasceu em você naturalmente?
Eu sempre tive talento escrevendo, ganhava concursos no colégio e tal. Mas só decidi seguir nessa profissão quando no meu terceiro ano, um trabalho de matemática que fiz viralizou na internet. Era uma paródia de Lady Gaga e Beyoncé ensinando geometria espacial, que saiu na Globo, SBT, Record, enfim. É o vídeo mais antigo do meu vlog. A partir desse acontecimento, decidi seguir a carreira de comunicador e criativo.
Quais são suas referencias como creator. Quais suas redes sociais favoritas e quem te inspira? Suas pautas são baseadas no buzz?
Eu sempre gostei muito da Jout Jout, assisto bastante o conteúdo do AD Junior, mas meu conteúdo vem de blogs e leituras fora do youtube; leio muito o Geledés, por exemplo. Minha rede social principal é o facebook, pois sua estrutura permite que meus vídeos viralizem, mas hoje em dia prefiro os stories do instagram por proporcionar uma forma mais prática e direta de criar conteúdo. Sim, eu uso muitas vezes o buzz pra fazer minhas pautas serem ouvidas. Uso o interesse das pessoas pela notícia pra criar um aprendizado útil, como uma estratégia pra fazê-las entenderem questões que eu acho necessárias. Mas também tenho vídeos que não são em cima de polêmicas, que por não serem em cima de um acontecimento quente acabam sendo menos conhecidos.
Foto: Julia Assis
Você muitas vezes tuíta sobre a toxidade das redes sociais e comentários permissivos que você recebe. Como você lida com isso? Já chegou a bloquear a sua criatividade? Sofreu alguma ameaça que te tirou o sono?
Comentários racistas e homofóbicos de conservadores são algo constante na minha vida e eu sinceramente nem ligo mais. No início me incomodava mas depois que entendi que é o preço que se paga por falar coisas que desafiam privilégios. O que mais me incomoda hoje é militância tóxica, é aquela pessoa que é dentro do movimento que te vê como inimigo ao invés do patriarcado branco e heteronormativo. Isso aí realmente me faz mal e eu tenho que bloquear pra preservar minha saúde mental. Sim, eu recebo ameaças que às vezes até posto nos meus stories, e isso me dá um pouco de medo de anunciar minha ida a algum lugar, por exemplo. Mas faz parte.
O projeto Influência negra, como surgiu e quais suas expectativas sobre ele? As marcas não se associam a influenciadores negros, sem ser aqueles 2 ou 3 de sempre? Ou vc percebe uma mudança?
O Influência Negra surgiu como forma de lutar contra marcas que reproduzem a falta de representatividade da mídia tradicional no meio digital, escolhendo só influenciadores brancos. Surgiu também como forma de empoderar criadores de conteúdo negros que são invisibilizados pelo racismo dos usuários das redes sociais. Entendo que por ser um homem negro de pele clara tenho privilégios do colorismo e esse projeto é uma das formas que achei pra dar espaço a outros criadores menos privilegiados. Mas o Influência Negra não foi criado só por mim, ele é antes de tudo um coletivo formado por vários criadores: homens, mulheres, negros de pele clara, retintos, heteros, LGBTs, grandes, pequenos, do sudeste e fora dele também. Entre eles, Ana Xongani, Cleyton Santanna, Maíra Azevedo, Camilla de Lucas, AD Junior e etc. É a nossa forma de se organizar e responder em conjunto, seja pra criticar uma campanha racista, seja pra elogiar a representatividade de um comercial, seja pra divulgar algum influenciador pequeno que merece mais atenção. Infelizmente muitas marcas só escolhem influenciadores baseados em números, sem pensar em representatividade; quando escolhem, realmente usam sempre os mesmos. Mas longe de mim querer culpar esses poucos criadores negros contratados, o problema pra mim é a miopia das agências de publicidade que ignoram nosso valor. Eu sei do meu alcance, eu sei da qualidade do meu conteúdo, eu sei do impacto que eu causo na internet e se as marcas preferem se associar a youtubers brancos que twittam piadas racistas, quem perde são elas. Só lamento.
Por que você acha que canais cujo os donos são notoriamente racistas, não são bloqueados?
Li recentemente uma entrevista do Mark Zuckeberg falando sobre esse problema dentro do facebook. Infelizmente, são empresas com donos brancos que às vezes acham que o racismo é liberdade de expressão, e que lutar contra esse ódio é “censura”. Claramente uma visão de pessoas que não entendem a gravidade desse conteúdo, como ele pode influenciar pessoas a serem cada vez mais preconceituosas e fazer negros serem discriminados. Uma grande irresponsabilidade que pode custar vidas. Mais do que isso, as plataformas não se preocupam em criar pontes nem dar visibilidade a conteúdos com impacto social. Eu me sinto totalmente ignorado. Mas aceito que é o tipo de coisa que vamos passar a vida toda por sermos minoria e tento hackear o sistema.
Vimos que você começou a trabalhar no canal Futura. Como está sendo essa experiência para você. Como chegou esse convite?
Existia um programa antigo no canal chamado Cine Conhecimento, onde um filme era exibido e depois uma apresentadora fazia um comentário cinematográfico sobre ele. O pessoal do futura viu um vídeo meu que viralizou analisando Pantera Negra e resolveram me chamar pra um projeto que buscava renovar esse programa. Agora ele virou o Cineclube Futura, e agora no final do filme há um debate entre eu e outros convidados sobre questões sociais presentes no filme. Terminamos de gravar a primeira temporada agora e foi uma experiência incrível. Os debates foram extremamente relevantes, falamos sobre racismo, machismo, homofobia, aborto, drogas, violência, corrupção, meritocracia, desigualdade, privilégios… todos os temas possíveis. A maior parte da equipe é composta de mulheres, num programa apresentado por um gay negro. E nos debates os convidados são bem diversos: negros, brancos, mulheres, homens, héteros, LGBTs, cis, trans, pessoas do sudeste e fora dele. É uma grande dádiva poder estar nesse projeto, de verdade.
Você fez um vídeo muito legal sobre a solidão do homem negro. Nessa era digital, o relacionamento offline está mais difícil, não só o amoroso, mas o social como um todo?
É um vídeo bem pessoal, que surpreendentemente teve uma resposta bem grande do público. Vários gays negros se identificaram com minha história e se inspiraram com o vídeo, o que eu acho incrível. Eu não acho que o relacionamento offline está mais difícil, na verdade as redes se tornaram até pontes pra que eles sejam possíveis. Se você é gay, a única forma de você conseguir arranjar alguém era ir numa balada gay. Hoje em dia você tem aplicativos de encontros, tem o instagram, o Facebook… É claro que tem pessoas que acabam preferindo as relações digitais, que ignoram as pessoas ao seu redor pra ficar no celular, mas acho que faz parte desse momento onde a sociedade ainda está aprendendo a lidar com toda essa nova tecnologia.
Como você explica o fato dos canais negros no Youtube terem baixo alcance, se somos mais de 54% da população? Você acha que é uma plataforma black-friendly?
Os criadores brancos chegaram nessas plataformas antes de nós, por ter mais poder financeiro pra ter acesso a tecnologia. Agora que nós estamos ocupando esse espaço, o topo já está ocupado por eles. Além disso temos que lidar com o racismo dos usuários, que acham criadores brancos mais bonitos, mais interessantes, mais inteligentes. Somos vistos por muitas pessoas como negros chatos reclamões, até por outros negros. Apesar de 54% da nossa população ser negra, nem todo mundo se interessa por questões raciais ou sabe a importância de apoiar outros negros. Somos educados desde crianças que os brancos são os centros do mundo e muitos de nós reproduzem isso inconscientemente. É preciso descolonizar a mente.
Pelos Stories você diz que está relançando o seu Vlog. O que podemos esperar de novidade?
Meu vlog começou por acidente, quando eu postei um vídeo no meu perfil do Facebook sobre apropriação cultural que viralizou. Como eu era publicitário e tinha pouco tempo livre, durante esse ano eu tinha levado ele como um hobbie, gravando quando dava, sem muita organização. Agora eu larguei a publicidade e meu canal virou meu trabalho principal. Por isso, agora começa a fase profissional do meu vlog. Vou mudar toda a identidade visual, vinhetas, estou fazendo um planejamento de conteúdo e finalmente começarei a fazer colaborações com outros Youtubers. Podem esperar um canal mais completo, com conteúdo mais diverso e cada vez maior.
A Coordenadoria Nacional de Promoção de Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho (Coordigualdade) Nacional e Regional, do Ministério Público do Trabalho (MPT), fará uma Reunião de Jovens Negras e Negros pela Inclusão no Mercado de Trabalho. O evento será realizado na próxima quinta-feira, 23 de agosto, às 10h00, no auditório do MPT, em São Paulo, localizado na Rua Cubatão, número 322 – 3º andar, próximo ao Metrô Paraíso.
Para se inscrever, acesse o site www.prt2.mpt.mp.br ou clique aqui.
Apesar da importância história e artística de Aretha Franklin, cantora afro-americana que faleceu nessa quinta-feira (16), muitos artistas apenas compartilharam fotos ou vídeos com hashags para homenagear a artista.
Não foi o caso da cantora, atriz e apresentadora Queen Latifah. Visualmente caracterizada como algum personagem, ela deu um tempo nas gravações para fazer uma declaração de amor a Aretha em seu Instagram.
“Descanse em paz e em poder, irmã Aretha Franklin”, ela diz visualmente emocioda. “Muito obrigada por todo sua influência positiva para nós como pessoas e nação, você deixou sua marca no mundo”.
Ela continua com lágrimas no olhos e som do set gravação ao fundo.
“Definitivamente para mim, como mulher, você me ajudou a me respeitar e me sentir como uma mulher natural (menções às canções Respect e Natural Woman) e sua música gospel, me ajudou em tempos muito difíceis, com a canção Holy Holy. Obrigada pelo seu presente, por sua arte, descanse, Deus te abençoe. Paz.” (tradução livre)
Nos comentários, o seguidores de Latifah mencionaram diversas vezes que com a partida de Aretha, uma parte da história afro-americana também morreu. Outros disseram que quando a falecida cantora ganhar um filme em sua homenagem, Queen seria a atriz perfeita para interpretá-la.
Nunca sabemos quando o racismo dará as caras. No caso de Carlos Ribeiro, de São Paulo, ele apareceu quando ele saiu para tomar sorvete na balada sorveteria Bacio di Latte, no bairro de Moema,Zona Sul de São Paulo.
“Na frente de meu grupo de amigos, todos brancos, independentemente de suas profissões, ou cargos, ou condição social, fui convidado a me retirar da loja, confundido com não sei o que, porque sou negro, segundo palavras do próprio segurança mal treinado que pediu que eu me retirasse da loja”, descreve Ribeiro em seu perfil no Facebook, e ainda acrescenta:
“Uma empresa como a mencionada investe, seguramente, em seus produtos e em sua marca, mas deve investir zero ou muito mal no treinamento de seus colaboradores, daqueles que estão na linha de frente de suas lojas, representando a tal marca que recebe vultosos investimentos. Racismo é crime! “
Carlos enviou e-mails a empresa relatando o ocorrido, mas três dias após a denúncia, ele ainda não tinha obtido resposta.
O dono da Bacio di Latte, apareceu no perfil de Cláudio com aquela conversa de sempre de não admitir racismo, pedir desculpas e estudar providências. Muito diferente do que acontece na StarBucks que usou o caso de racismo para rever toda a política de treinamento de funcionários. E nesse caso específico, o crime foi de racismo mesmo, não injúria, já que Cláudio, ao contrário dos amigos brancos, foi expulso do local somente por ser negro.
Racismo não é confusão ou mal entendido. Expulsar alguém por conta da cor da pele, não é falta de educação, é crime de racismo previsto na lei 7.716/1989, que diz que recusar acesso a estabelecimento comercial ou elevador social por conta da etnia é crime inafiançável e imprescritível. A pena também vai de um a três anos e multa.
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