A discussão sobre colorismo ganhou força nessa última semana nas redes sociais, por conta da escalação da cantora Fabiana Cozza, como interprete da sambista e militante Dona Ivone Lara, no espetáculo Dona Ivone Lara: O Musical – Um Sorriso Negro.
Ao sair anúncio da cantora, filha de mãe branca e pai negro, muitos usaram a página do espetáculo no Facebook, para criticar a decisão a produção artística. A maioria reconhecia o talento da cantora, mas achavam inadequada a escalação de uma artista de pele mais clara para interpretar uma sambista de pele retinta.
Fabianna Cozza é muito respeitada dentro da comunidade negra, não negando suas origens e valorizando a ancestralidade africana em seus shows, além do samba, em sua forma mais pura e tradicional. Por isso entre a maioria das manifestações online, seu talento não foi criticado e sim o tom da sua pele, visto que a experiencia de vida de quem é mais escuro é diferente de quem tem um tom de pele mais claro. Seja na questão afetiva ou profissional, que é mais escuro sofre mais racismo e isso é biograficamente relevante.
Depois de tanta polêmica, a cantora decidiu publicar uma carta neste domingo, 3 de junho, renunciado o papel no musical. Ela lamenta por ter tido sua negritude questionada e disse que discutir racismo, “virou coisa de gente politicamente correta”. “E eu sou o avesso. Minha humanidade dói fundo porque muitas me atravessam. Muitos são os que gravam o meu corpo. Todas são as minhas memórias”, escreve Cozza em sua carta.
No texto ela chega a reconhecer que o seu tom de pele, não é o adequado. “Renuncio porque a cor da pele de Dona Ivone Lara precisa agora, ainda, ser a de outra artista, mais preta do que eu”.
Se posicionar contra ou deixar rolar?
Críticas aos críticos. Muitos textos e posts em favor a escalação de Cozza defendiam a cantora atacando os opositores a sua escalação.
A defesa da cantora mestiça é legítima, mas é preciso questionar os critérios de escalação de produções artísticas onde há um certo tipo físico que não é escalado nem para interpretar seu semelhante.
Críticas pessoais nem vale o tempo de leitura, mas questionar o colorismo vale e muitas vezes uma tensão é necessária para que avancemos.
Há uma linha muito tênue entre minimizar as críticas e abraçar a utopia da democracia racial.
Finalmente temos voz, elas são múltiplas. Brancos não são uníssonos, por que negros seriam?
O Projeto Negras Palavras: Encontro Marcado, realizado pelo Museu Afro Brasil, receberá no dia 16 de junho, em São Paulo, o jornalista e escritor Oswaldo Faustino, que pretende dialogar com o público sobre a sua experiência como jornalista comprometido com as pautas e discussões a respeito das relações étnico-raciais.
Durante o encontro, Oswaldo dará seu depoimento como escritor e conversará com os participantes sobre seu romance “A luz de Luiz“, que tem como protagonista o abolicionista Luiz Gama e, de acordo com o autor, é “uma fantasia com pinceladas históricas”.
O evento é gratuito e com entrada livre, começa às 10h30. Ao final, sessão de autógrafos com o convidado. Para se inscrever, acesse: https://bit.ly/2LLrZ3y. Informações sobre o evento, acesse a página oficial no facebook.
Conversamos com Monique Evelle, que é conhecida por seus negócios sociais de comunicação e economia criativa, como o Desabafo Social, Radare a Evelle Consultoria e por ter feito parte da equipe do Profissão Repórter, da Rede Globo.
O que poucas pessoas sabem é que ela escreve sobre inovações políticas no Brasil, para o Asuntos del Sur, uma organização da Argentina que realiza análises, debates e propostas de políticas públicas para uma América Latina mais democrática e inclusiva. Ela também fez parte da construção da Red de Innovación Politica, que utiliza as novas tecnologias para gerar uma cultura hacker nos sistemas políticos vigentes na América Latina.
Monique já escreveu para o livro “Qué democracia para el siglo XXI?” e atualmente está terminando o “Diploma em Inovação Política“, pela University of Arizona Center for Latin American Studies, Asuntos del Sur e Red de Innovación Politica. O diploma compreende três módulos: Sociedades em transformação; Gestão pública aberta e participativa; e Economias colaborativas, inclusivas e sustentáveis; mais um laboratório prático onde aprenderá a desenvolver projetos sociais com metodologia Feeling.
Agora ela quer propor ferramentas de inovações políticas para que mulheres, principalmente negras, utilizem em suas candidaturas até o mandato. Segundo Monique, após iniciar os estudos sobre os impactos da tecnologia blockchain na sociedade, nos governos e nas empresas, ela passou a repensar estratégias mais eficazes de tomada de decisão, descentralização do poder.
“A música “O que se cala“, de Douglas Germano, cantada por Elza Soares me levou à conclusão que deveria ser agora, porque “O meu país é meu lugar de fala” […] Tivemos que perder Marielle Franco para que as fundações Ford, Open Society e Ibirapitanga se unissem e criassem um fundo para financiar a criação de lideranças políticas, principalmente mulheres negras. Ou seja, temos que morrer para que façam algo. Além disso, acho cômico e perigoso o quanto as pessoas só sabem olhar para o retrovisor. Querem mudança, mas pedem intervenção militar, que já aconteceu no Brasil e não deu certo. Só conseguem exigir mudança querendo que o passado volte. É inacreditável”.
1- O que espera das eleições?
“Não sou pessimista, mesmo diante das situações que o Brasil se encontra. Mas independente do que acontecer nessas eleições, precisamos recuperar a política para as pessoas agora“.
2- Você já conversou com alguém sobre o desenvolvimento dessas ferramentas? Como pretende fazer isso?
“Tenho algumas premissas que não abro mão quando falamos sobre política institucional, como por exemplo, criar mecanismos que abram os processos de decisão para redistribuir o poder, pautas raciais, de gênero , direitos humanos de forma geral/
Então, comecei com algumas pessoas e a primeira que se mostrou disposta a fazer esse exercício foi Érica Malunguinho, pré-candidata a Deputada Estadual em São Paulo, pelo PSOL. E agora é testar essa inteligência coletiva de forma transparente para construir uma plataforma política. Vamos testar uma tecnologia descentralizada, transparente e focada na inteligência coletiva. Mas estou disponível para conversar com quem quiser entender mais“.
3- Como você acha que essas ferramentas podem ajudar as mulheres? E de que forma isso pode auxiliar no processo de visibilidade à essas mulheres?
“Neste momento, a plataforma está com o papel de ser um espaço de tomadas de decisões online, onde o usuários escolhem os dados que compartilham. Mas acredito que elas possam ser pioneiras dentro política institucional a utilizarem uma plataforma de governança online descentralizada e incorruptível, em um futuro muito próximo. Todo mundo fala que quer o novo. Mas será que estão preparados para que o novo venha? É isso“.
Para acompanhar os trabalhos de Monique de perto, basta clicar aqui.
Em 2018 a Lei 10.639/03 completa 15 anos e ainda enfrenta dificuldades para ser executada e devido a isto, a AfroeducAÇÃO, que comemora 10 anos, criou um programa de atividade culturais para reforçar a necessidade de tirar a lei do papel. Trata-se de uma série de atividades que acontecerão durante todo o ano e incluem, além do cinema, rodas de conversa, leituras e festival multicultural.
Criada em 2003, a Lei 10.639/03 foi encarada como um grande ganho na esfera educacional, ao se apresentar como uma grande ferramenta no esforço de minimizar a dívida histórica-social que o Brasil tem com suas matrizes africanas e afrodescendentes.
O intuito era incluir no currículo oficial da Rede de Ensino (pública e particular, nos ensinos fundamental e médio) a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Africana e Afrobrasileira“. E seu detalhamento era ainda mais progressista, prevendo que fosse transmitido o conhecimento sobre a luta histórica dos negros no Brasil e sua importância na formação da sociedade nacional nas áreas social, econômica e política.
Os professores perceberam desde o começo que o desafio de aplicar esse conteúdo em sala de aula continuaria enorme. As instituições de ensino pouco fizeram no sentido de instrumentalizá-las(os) para ministrar esse conteúdo, deixando-as(os) sem baliza quanto às orientações pedagógicas. Cada docente passou a agir de forma autônoma sobre a questão, o que gerou uma enorme falta de coesão na didática deste conteúdo. Frente a essas dificuldades, muitas(os) professoras(es) conseguiam somente trazer o tema em novembro, com o gancho do Dia da Consciência Negra. Muito pouco, para uma vastidão de conhecimento a ser construído.
Desde 2008 a AfroeducAÇÃO, que atua na interface da educomunicação, no esforço de capacitar educadoras e educadores para a aplicação da Lei 10.639/03, possui uma série de atividades educativas-culturais que proporcionam uma visão alternativa das vias de aplicação pedagógica desse conteúdo. É o caso, por exemplo, do sessão AfroeducAÇÃO no Cinema, realizado há 8 anos em parceria com o Espaço Itaú de Cinema Frei Caneca e o Clube do Professor. Nessa atividade, as(os) professoras(es) assistem a diversos filmes de realizadoras(es) negras(os) brasileiras(os), e tem contato com obras e informações que podem ser aplicadas como material didático.
Para manter este projeto, a AfroeducAÇÃO lançou uma campanha de financiamento coletivo pelo portal Benfeitoria. A colaboração mínima é de R$15 e as contrapartidas são todas relacionadas ao universo negro. A campanha fica no ar até dia 10 de junho, para acessar, clique aqui.
O Coletivo Preto, em parceria com a Príncipes Negros, vem desenvolvido projetos que visam o protagonismo negro em papéis de narrativas cotidianas. O primeiro trabalho desenvolvido pela parceria foi a peça “Lívia“, o segundo é o espetáculo “Será que vai chover“, que apresenta o choque de três visões diferentes sobre questões sociais da atualidade resulta no surgimento de uma grande amizade e um triângulo amoroso.
A peça fica em cartaz terças e quartas-feiras, de 5 de junho a 25 de julho, com duração de 80 minutos e a faixa etária a partir de 12 anos, no Teatro Eva Herz, localizado na Rua Senador Dantas, n° 45, Centro do Rio de Janeiro.
A atriz Eli Ferreira e os atores Licínio Januário e Matheus Corcione compõem a trama que narra a relação entre uma atriz, um guia turístico e um ativista social. “A gente vem tentando dar a representatividade que a televisão e o cinema não nos dão, com histórias cotidianas que normalmente são representados por atores brancos. […] Nesse espetáculo trabalhamos a inversão de papéis, são quatro negros em cena e um branco. O que normalmente seria o contrário”, explica o ator Licínio.
As ideologias de Sandra, Bruno e Yuri se chocam, deixando ainda mais turbulento e ritmado os encontros e desencontros da cidade grande. Munidos de suas visões individuais relacionadas às questões sociais contemporâneas, os três acabam seguindo caminhos desconhecidos.
A direção é de Matheus Marques e Orlando Caldeira, o espetáculo é uma adaptação do primeiro texto de Licínio Januário “Todo Menino é Um Rei”, no qual o rendeu o prêmio de melhor ator da 19ª edição do Festival de Teatro do Rio e também concorreu a melhor texto dessa edição. Três anos depois da primeira montagem, o texto evoluiu assim como a audácia em expor as questões sociais.
Embalada ao som dos músicos Reinaldo Junior e Chico Bruno, a peça mantém um dos propósitos da primeira montagem: trazer à tona importância da preservação do samba de roda, que faz parte da trilha do espetáculo.
O rapper baiano Nouve, residente em São Paulo, deu início as gravações do videoclipe da música “Vou na Fé”, que tem participação de Japa System e produção de Nave. O clipe tem roteiro e direção assinados pelo próprio Nouve e gravação e edição por Robson Borges, da produtora “Aion Imagine”. As gravações foram realizadas em Paranapiacaba (SP) e na capital.
O intuito da música é reforçar os valores das religiões de matriz africana e no videoclipe ele pretende mostrar os pontos positivos do Candomblé, que na maioria das vezes não são abordados. Em tempos de desrespeito religioso, músicas e visões como a de Nouve são de extrema importância para combater a ignorância voltada ao candomblé.
1 of 14
“O roteiro mostra o cuidado, afeto, de uma Yalorixá/Babalorixá/irmão ou irmã de santo dentro de um terreiro de axé. O clipe também mostra o outro lado da moeda, que é o preconceito aos adeptos da religião, em meio da cidade grande. Seja lá, numa entrevista de um emprego, ao passar pelas ruas com os seus adereços, guias, turbante entre outros. Os olhares são realmente diferente”, explica.
Artista completo, Nouve participou de grandes festivais em São Paulo. Vendeu mais de 10 mil cópias do seu primeiro EP, “Respirando a Arte“, por todo o Nordeste. Dividiu palco com grandes nomes do Rap Nacional, como Emicida, MV Bill, Kamau, Rael entre outros. Além disso trabalha no setor de desenvolvimento de produto na Laboratório Fantasma.
“Baquaqua – Documento Dramático Extraordinário“, leva aos palcos a vida de Mahommah Gardo Baquaqua, africano escravizado em terras brasileiras. O enredo da peça é livremente inspirado na autobiografia de Mahommah, intitulada “An Interesting Narrative. Biography of Mahommah G. Baquaqua“ (em tradução livre: “Uma Narrativa Interessante. Biografia de Mohommah G. Baquaqua”).
A dramaturgia é um trabalho conjunto de Dione Carlos e Dawton Abranches. A peça, trazida aos palcos pela Cia do Pássaro, estreou em 2016 e mostra a história do africano que foi o único escravizado a relatar suas experiências em vida, em um livro publicado em 1854.
Durante todo este mês de maio e também em junho, o espetáculo segue em cartaz com ingressos gratuitos no Espaço Cia. do Pássaro – Voo e Teatro, na Rua Álvaro de Carvalho, 177, próximo ao metrô Anhangabaú, Centro de São Paulo.
Fotos: Felipe Stucchi
1 of 4
Fotos: Felipe Stucchi
No dia 2 de junho tem sessão especial, antes da apresentação, das 10h às 18h, o historiador e pesquisador Bruno Véras, consultor de Estudos Afro-brasileiros da Unesco, que trabalhou com a Cia do Pássaro na criação da peça, ministra o curso “A Diáspora Africana no Brasil: Entre números, biografias e a sala de aula“, na sede da companhia.
O curso é destinado aos educadores, pesquisadores e professores interessados no tema. Para participar do curso, é preciso entrar em contato. A entrada para o curso também é Livre.
A Black Experience possui mais de 40 palestrantes e ocorrerá durante sete dias, passando por cinco países e trazendo diversos cases de sucesso. Todas as palestras serão transmitidas ao vivo, pela internet, os inscritos no evento poderão assistir gratuitamente.
A 1ª Conferência Online Internacional de Negócio e Educação Financeira para Afroempreendedores começa no dia 28 de maio e traz como temas principais a gestão de negócios e a educação financeira.
“Em Hong Kong as crianças têm aula de educação financeira com 5 anos de idade, aqui, os profissionais passam pelo 1º grau, 2º grau, faculdade e saem sem nenhum conhecimento financeiro”, destaca Junior Ferrari, idealizador da Black Experience.
Segundo Junior, os empreendedores negros não tem tantas referências de negócios. “Não é comum você encontrar negros dando entrevistas na TV ou saindo nas grandes revistas de negócios aqui no Brasil, por exemplo. […] As pessoas vão entender que o sucesso está ao alcance de todos”, destaca.
Dentre todas as palestras, algumas são mais esperadas pelo público que busca ter novos conhecimentos, experiências e inspiração. A americana Rha Goddess, que é alma empreendedora por trás de grandes best sellers do New York Times, vai falar sobre como encontrar sua missão e impactar o mundo através de um negócio. A nigeriana Temi Ajibewa também é um dos nomes mais esperados, ela está frequentemente na lista dos mais vendidos da Amazon e vai falar sobre como construir um negócio online através de suas paixões e conhecimentos. Comunicação e estratégias de marca também serão assuntos da Black Experience. A premiada jornalista, Mariane Del Rey, irá discursar sobre formas de fazer um seu negócio se destacar.
Para saber mais sobre os participantes da Black Experience e garantir sua presença no evento, basta clicar aqui. A Black Experience é dedicada a todos aqueles que possuem alguma ligação com empreendedorismo. Quem não conseguir assistir as todas as apresentações e entrevistas, poderá adquirir o acesso por um ano a todo o conteúdo do evento. Clique Aqui para se inscrever na Black Experience.
Anualmente a Levi’s® comemora o aniversário do jeans que deu inicio a tudo, o jeans original 501®. 20 de maio de 1873 é a data de registro da patente da Levi’s® do bolso com rebites e todas as pessoas que já utilizaram um jeans original 501® contribuíram com sua história constante de mudança. Além de SZA, as convidadas foram Tracee Ellis Ross, Holland Taylor, Sarah Paulson e Amber Valletta.
1 of 3
Essa temporada traz uma exclusividade: A Coleção 501 Day Levi’s x karla. 501® é o produto original que pode ser customizado. Os jeans 501® têm sido customizadas desde sempre, das minas da Califórnia até Woodstock e Coachella. Por isso é natural que as customizações da Karla Welch sejam baseadas no 501®.
A Levi’s® fez uma parceria com Karla, que é stylists, visionária criativa e fundadora do x karla, em homenagem ao Dia do 501®, para que desse seu toque criativo na icônica 501® e em vários outros clássicos da Levi’s®.
“É tudo muito focado na customização […] São designs originais, baseados nos parâmetros de uso da 501® ou outros padrões existentes da Levi’s®. Eu quis imaginar como seria o futuro do vintage“, disse Welch. No entanto, o objetivo final foi mostrar o incrível alcance de uma peça tão duradoura quanto o 501® da Levi’s®. “Um bom design sempre permanece. Acho que essa é, provavelmente, a peça mais icônica de roupa. E ela vai resistir ao teste do tempo“, finaliza.
Juntos, Levi’s e Karla criaram uma série de belos retratos com Amber Heard, Amber Valletta, Hailey Baldwin, Yara Shahidi, Michelle Monaghan, Busy Philipps, Sarah Paulson, Holland Taylor, Tracee Ellis Ross, America Ferrera, SZA, Courtney Eaton, Ke’Andra Samone, Little Big Town’s Karen Fairchild & Kimberly Schlapman, Karen O, Lisa Love, Soko, Erica Cloud, Angela Davis, Carolyn Murphy, Mackenzie Davis, Natalie Manuel Lee, Judy Greer, Laura Brown, Yael Cohen Braun, Clementine Welch, Sophie Reed e Karyn Hillman e Jen Sey da Levi’s®. O vídeo da série de retratos em movimento inclui a faixa “Yang Yang” de Yoko Ono, generosamente doada por ela em apoio ao Everytown.
O bolso vermelho patenteado Levi’s® x karla 501® estará disponível em lojas da Levi’s® com Tailor Shops para compra e customização.
Que alternativa pode ser o homem preto, nas relações hetero-afetivas, para uma mulher preta que esteja (por qualquer que seja o motivo) só, retirada do mundo; isolada e, quase sempre, desprovida de uma vida afetiva e física que se comprove plena, constante e minimamente saudável?
Pode o homem preto ser entendido e visto como o promotor supremo do encontro de uma mulher preta com o seu vazio existencial?
O homem preto africano e os seus descendentes pretos afrodiaspóricos também tiveram os seus valores existenciais e milenares corrompidos pelo flagelo da invasão européia na África. O periodo escravocrata trouxe danos profundos e de difícil ajustamento na percepção que um homem preto pode ter sobre si mesmo e, por extensão, sobre as mulheres de seu eixo comunitário. Os reflexos da opressão sistemática daqueles séculos podem ser sentidos até estes tempos contemporâneos.
Por mais de 400 anos, homens pretos testemunharam a intromissão insidiosa do componente europeu em seu território físico, em sua fé religiosa, em suas tradições culturais e políticas e até mesmo em sua linearidade familiar.
Diante da desvantagem tecnológica dos africanos em relação ao uso e domínio das armas de fogo e também contando com o aliciamento ostensivo de chefes regionais, o homem branco europeu rompeu e interrompeu linhagens familiares africanas milenares, ao sequestrar um pai, ou uma mãe, ou um filho ou uma filha de uma determinada estrutura genealógica de uma dada região do continente.
Ao chegar no assim chamado “Novo Mundo”, o homem preto africano teve a sua condição humana rebaixada ao posto de “mercadoria”. Deixou de ser um homem livre para se tornar, aos olhos do agente colonizador, uma mercadoria a ser vendida, trocada e descartada, de acordo com as conveniências eventuais do opressor.
O homem preto foi introduzido em um sistema de vida, já nas Américas, em que mergulhou em um padrão de convívio social que idolatra a um deus único, que fez dos povos africanos (e de sua mão de obra farta e gratuita) o fator de viabilidade de exploração da colônia, que cultiva o apego ao dinheiro e ao acúmulo de capital, que tem a heterossexualidade como norma sistêmica, que estabelece o protagonismo do homem eurocêntrico como modelo de poder e liderança, que difunde a imagem da mulher eurocêntrica como referencial estético e de beleza, que promove a relativização do universo feminino em todas as suas formas e que perpetra a total desconsideração pelos povos nativos da terra.
Diante deste contexto que lhe era irremediavelmente desfavorável, o homem preto teve solapada toda e qualquer noção de construto familiar, na medida em que o termo família, de acordo com as definições convencionais, seja o conjunto de pessoas que possuem grau de parentesco entre si e que (con)vivem na mesma casa, formando um lar.
O homem preto teve, ao longo do período escravocrata, violada a perspectiva de formação de famílias PRETAS estáveis como projeto de vida. Não poderia nunca mais se rearticular existencialmente como um homem/pai africano e a decisão de se tornar um homem/pai de família enquanto ser humano escravizado no “Novo Mundo” não era uma prerrogativa autônoma e soberana, dentro da realidade opressiva e excludente que ele vivia, na medida em que esse homem preto era visto meramente como uma “mercadoria”, e subordinada aos desmandos e humores do agente colonizador.
O homem preto escravizado testemunhava, entre o seu silêncio providencial e/ou sua omissão temerosa, as agruras das mulheres pretas. Ao seu lado, nas senzalas e espaços comuns, estavam as avós, as mães, as irmãs e as filhas pretas sofridas, oprimidas e desconsideradas em todas as suas demandas emocionais, físicas e estéticas; trabalhando de sol a sol, sem atenção, sem afeto e sem cuidados. Era esse o universo feminino mais próximo e imediato aos homens pretos que nos antecederam.
Em um nível de convivência mais distante, havia as mulheres eurocêntricas e as “sinhazinhas”, razoavelmente bem cuidadas e cercadas de todos os benefícios e privilégios que o status quo colonial proporcionava às famílias européias (e descendentes) aqui estabelecidas.
O homem preto escravizado olhava para si e via cicatrizes e maus tratos. Olhava para o homem branco e via o conforto, o controle e o poder. Olhava para a mulher preta e via o abandono e o destrato. E ao olhar a mulher branca, muito provavelmente, enxergava nela alguém com atributos diversos que, pode se deduzir, lhe estimulava os sentidos e os objetivos físicos e emocionais.
O homem preto pode ter sido induzido a pensar que, ao menos no campo afetivo, a sua existência faria algum sentido se ele mesmo “pensasse e raciocinasse” como um homem branco.
E este fetiche também pode ter sido retroalimentado pelo mito da virilidade sexual do homem preto. Esta combinação de impulsos subterrâneos de ambas as partes (homem escravizado / mulher branca reprimida) trouxe efeitos ainda mais nefastos para a percepção de si do homem preto.
E aqui pode ter sido dado início ao perverso aparecimento do mimetismo camaleônico que se abateu sobre o homem preto escravizado. Ao longo do período escravagista, se tornar “branco” (que era a “norma” social da época) pode ter passado a ser um objetivo de vida do homem preto escravizado: ser como o homem branco, ter o que o homem branco possuía, fazer o que o homem branco fazia e ter a “família” que o homem branco tinha.
E, talvez, esse ideário de vida (ascender socialmente e constituir família com a “sinhazinha”) fez com que o homem preto tivesse aprofundado o seu sentimento de indiferença e, por que não dizer?, desprezo pelas mulheres pretas de seu círculo de convívio.
O que, ao longo dos anos pode ter contribuído, e muito, para cenário de solidão e isolamento que se observa em um grande número de nossas irmãs pelo Brasil afora.
Essa hipótese pode ser melhor observada pelo padrão e frequência com que um homem preto bem sucedido e que ascende socialmente, ainda nos dias de hoje, constitui família fora do seu eixo comunitário. Provavelmente um reflexo contínuo daquele homem preto escravizado e multilado em todas as suas autopercepções e entendimento sobre si mesmo.
É preciso enfatizar que “homem branco”, no Brasil é um posicionamento e um feudo. Pra você “adquirir” uma cadeira neste feudo, é preciso que você se enquadre em certas premissas e atitudes de aceitabilidade. E se você for um homem preto pleiteando um “lugar” neste feudo, o matrimônio, a constituição familiar e O COMPARTILHAMENTO DE SEU PATRIMÔNIO FINANCEIRO com uma mulher eurocêntrica é a condição ´sine qua non´ para o estabelecimento das boas vindas dentro de um ambiente branco e elitista.
E que se dane a sinceridade do sentimento do binômio “homem preto / mulher branca”, diria um homem branco elitista. Algo como: “Só te aceito ‘no meu clube´ se você TIVER DINHEIRO e SE CASAR com uma mulher branca”.A solidão da mulher preta é um fato. E o homem preto precisa acordar para esta anomalia anacrônica dentro de nossas comunidades.
Talvez um resgate parcial de sua essência como homem preto africano, a qual era baseada no construto familiar voltado para a aliança com uma mulher preta como forma de reciprocidade afetiva e continuidade genealógica. Até a invasão do homem europeu à África, um ser humano africano era imune ao veneno branco psicológico de ter que se enxergar como uma pessoa “feia” e desprovida de atributos estéticos atraentes.
Somos bonitos e formosos! A mulher preta é infinitamente linda e merecedora de elogios e reverência!
Ouso dizer que a nossa longevidade e sobrevivência, enquanto povo dentro de um país, pode estar em um certo grau de risco fenotípico, se o flagelo da solidão da mulher preta persistir como fator endêmico entre a nossa gente.
Particularmente, entendo que os homens pretos que conseguem ter um entendimento razoável deste problema (o qual atinge implacavelmente as nossas irmãs) e que, através de suas ideias e atitudes, conseguem mitigar de alguma forma este gargalo sócio comportamental verificado em nossas comunidades, precisam criar formas de disseminação de conceitos e propostas que auxiliem na erradicação deste problema entre a nossa gente.
Que o homem preto ascenda socialmente. Nada mais legítimo. E que esta conquista, se for igualmente legítimo pensarmos na nossa existência como povo, não seja, tomara, ao preço do confinamento de mulheres pretas ao limbo da solidão e do ostracismo.
Há menos de um milênio, antes da Grande Travessia, tínhamos um olhar de afinidade, desejo, parceria e cumplicidade com as nossas mulheres pretas.
A visão eurocêntrica de mundo contaminou, na maioria das vezes de forma interesseira e por um bom tempo, a pureza desta relação.
Homens pretos, hora de “voltar pra casa”.