“A carne mais forte do mercado, é a carne negra!” Comunidade protesta em lojas do Extra pedindo justiça

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Foto: Douglas Belchior

O The Guardian está correto ao afirmar que os protestos realizados hoje em algumas cidades do país, depois do assassinato de Pedro Gonzaga dentro do hipermercado Extra no RJ, fortaleceram o movimento #VidasNegrasImportam, aqui no Brasil.

Neste domingo, 17, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Campo Grande sediaram um dos maiores protestos contra o genocídio negro dos últimos tempos. Para se ter uma ideia, a execução com 111 tiros dos 5 jovens negros em Costa Barra, mobilizou um pouco mais de 40 pessoas na frente do Palácio do Guanabara no Rio de Janeiro, em 2015. No ato de hoje, só no RJ, houve um número estimado de 500 pessoas, de acordo com o Jornal Folha de S. Paulo.

No Rio de Janeiro, no Hipermercado onde Pedro foi assassinado na Barra da Tijuca,  ativistas, populares, artistas e Youtubers entraram dentro do estabelecimento de forma organizada e pacífica. “Nós não estamos aqui para quebrar o Extra e sim para quebrar a estrutura do racismo”, disse um dos manifestantes.

Muitos gritos de guerra e textos sobre genocídio negros foram lidos coletivamente , e um coro uníssono exigindo justiça e declarando que o tempo da carne negra ser a mais barata do mercado, faz parte do passado.

“Essa revolução que a gente tanto pede só virá através dos negros e negras politizados, intelectuais e sociedade civil consciente. Esses serão os verdadeiros revolucionários. Na mão deles é que está o poder de transformação e mobilização, como foi feito hoje. Hoje unimos centenas de pessoas com o mesmo objetivos, repudiar a morte do povo negro”, destaca o ator e ativista, Érico Brás.

“Nós assistimos pela televisão, não adianta fazer montagem, todo mundo viu o que aconteceu. Temos que estar todos unidos, a negrada inteira!”, disse  a deputada federal Benedita da Silva durante o início dos protestos.

No sexta, um pequeno grupo do Recife fez um ato de simbolismo gigante dentro do Extra da cidade. “Pará você está matando ele!”.

 

Em São Paulo, Extra tentou impedir o acesso

Na capital Paulista, a unidade do Extra na Brigadeiro Luis Antônio foi o local escolhido pelos ativistas para protestar.

A arquiteta e ativista Stephanie Ribeiro nos deu alguns detalhes. “Aconteceu uma pequena confusão entre a organização e um outro grupo. Uns que queriam entrar e outros não. O supermercado fechou as grades, mas conseguimos entrar e ficamos no estacionamento, depois fomos em direção à Paulista”.

Para ela, o ato conseguiu incomodar as pessoas, o Extra os clientes e as pessoas que estavam passando no local no momento do ato. “Conseguimos mostrar que a vida do Pedro não foi em vão”, finalizou Ribeiro.

 

 

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