Em parceria com o ID_BR por meio da Campanha Sim à Igualdade Racial , o Cel.Lep, que é uma das mais renomadas escolas de idiomas de São Paulo está com processo seletivo para oferecer bolsas integrais para jovens alunos e alunas negros que estejam cursando o Ensino Médio em 2020. Ao todo serão 18 bolsas para estudantes entre 14 e 18 anos que residem em São Paulo ou na Grande São Paulo.
O ID-BR tem como principal missão é reduzir a desigualdade racial no mercado de trabalho, como indica o objeto de desenvolvimento sustentável – ODS 10 da agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). O ID_BR está à frente de grandes ações que se enquadram em três principais pilares: Educação, Empregabilidade e Engajamento.
Jovens negros são os que mais morrem. Seja por arma, seja por suicídio. Se eles são nosso futuro, não podemos falhar com eles.
Estudante de Serviço Social, Janete Oliveira Djassi, de 60 anos, conseguiu uma bolsa para fazer o curso universitário na FMU e diariamente se depara com jovens estudantes negros passando por ela.
Nessa segunda-feira (6/12) ela resolveu, além de admirar a força de vontade desses jovens que estão contrariando as estatísticas, tirar uma foto com eles e imagem acabou viralizando nas redes sociais.
“Nós estudamos na mesma faculdade. Eles estavam andando na minha frente e eu achei lindo aquele grupo de meninos negros, contentes, felizes , conversando e quis cumprimentá-los. Eu tenho como meta de sempre que vejo meninos e meninas negras, ir até eles e elogiar. Quis saber deles, como eles estavam levando os estudos” , detalha Dona Janete.
Ela explica que foi uma boa conversa, onde eles falaram sobre seus cursos, alguns eram bolsistas e outros não. “Eu procuro com esse elogio e acolhimento mostrar para eles que eles são exemplo. Que eles saibam que são importantes e são referência para outros jovens. E por isso quis tirar a foto para mostrar para os meu neto e outros mais jovens”.
Muito politizada e consciente, Dona Janete diz que a imagem dos jovens negros é muito estereotipada. “Cada um de nós tem esse compromisso de incentivar esses jovens que estudam e que eles serão referências para outros jovens. Eles têm saber que nós mais velhos estamos aqui para protegê-los”.
Dona Janete lembrou da chacina de Paraisópolis, onde 9 jovens morreram depois de uma intervenção policial violenta durante um baile funk no último final de semana. “Infelizmente a gente comprova mais uma vez que o jovem mais visado, é o jovem negro”, finaliza a universitária.
A escritora mineira Conceição Evaristo, receberá o título de Cidadão Paulistana nessa terça-feira (3/12). A iniciativa da honraria foi do Vereador Eduardo Suplicy.
Nascida em Belo Horizonte (MG), em 29 de novembro de 1946, Conceição foi a grande homenageada da Prêmio Jabuti 2019, por conta da sua contribuição para a literatura nacional.
A cerimônia do Título acontece, as 19 horas, no auditório 1º de maio, localizado no primeiro andar da Câmara Municipal de São Paulo.
É nesse final de semana. A Feira Preta, maior evento para comunidade negra na América Latina acontece nos dias 7 e 8, sábado e domingo, no Memorial da América Latina, em São Paulo.
O palco vai estar bombando com nomes incríveis para fazer você cantar e dançar: Larissa Luz + Linn da Quebrada, Drik Barbosa + Danna Lisboa, Senzala Hitech, Samba da Laje – Tributo ao Reinaldo (príncipe do pagode), Attooxxa, África em Nós, Encontro de Blocos: Ilú Obá de Min, Ilú Inã, Umoja e Zumbido, Tuyo.
Haverá ainda um ato Ecumênico Inter-religioso, com Padre Ennes e Pai Francisco de Oxum.
E claro, aquela feirinha para você botar o “black money” em ação.
As comidinhas ficarão por conta dos chefs especializados na culinária afro-diaspórica.
Acesso aos bastidores
A entrada é gratuita, mas os fãs do evento que compartilharem suas histórias pelo Instagram terão acesso gratuito aos bastidores do evento, além de ganhar um camiseta e copo oficial.
https://www.instagram.com/p/B5frJgkhL1f/
Serviço: Feira Preta:
07 e 08 de dezembro
Memorial da América Latina, a partir das 12h
O Prêmio Jabuti é o maior prêmio literário do Brasil e esse ano, a cerimônia realizada no último dia 28, teve uma forte presença negra, coisa que não acontecia nas edições anteriores.
A escritora Conceição Evaristo foi a grande homenageada da noite, por conta da sua importante contribuição para literatura brasileira. O evento foi apresentando por Lázaro Ramos.
Graphic MSPJeremias – Pele, escrita por Rafael Calça e desenhada por Jefferson Costa, com edição de Sidney Gusman (da Mauricio de Sousa Produções) levou o Prêmio Jabuti, na categoria Quadrinhos.
“Conceição Evaristo, como homenageada. Lázaro Ramos como mestre de cerimônias. Jeremias como melhor história em quadrinhos. O Jabuti nunca foi tão preto como em 2019. Tremi”, disse Jefferson Costa, ao explicar a emoção da conquista.
Rafael Calça também estava exultante. “Que honra o Prêmio Jabuti ter prestigiado a história de um menino negro descobrindo o mundo e sua força interior. Este é um mundo novo, no qual as ideias velhas serão abandonadas. Começando pelo Bairro do Limoeiro, onde a infância e o amor inspiraram e inspirarão crianças do Brasil e do mundo afora”, declarou.
O editor Sidney Gusman relatou outro aspecto da importância da premiação: “É o primeiro Jabuti da História da Mauricio de Sousa Produções, e mostra o quanto representatividade importa. Jeremias – Pele ajudou a mudar nossa empresa por dentro, e torço demais para que ela chegue às escolas de todo o Brasil”.
Muito do que Jeremias e seus pais vivem em Pele veio das experiências pessoais de Rafael e Jefferson, o que torna a obra ainda mais especial. O belíssimo e emocionado texto da quarta capa é assinado pelo rapper Emicida.
Racismo estrutural deveria ser um tema de debate obrigatório em escolas, universidades e empresas.
A branquitude mostra sua cara quando seus privilégios são questionados e um flagrante disso é uma postagem de vagas na área de marketing feita por uma funcionária de uma grande cervejaria divulgadas por meio do Linkedin.
A postagem sobre a vaga dizia :
“… estamos recrutando para a área de mkt da cia. Temos oportunidades para todos níveis nas áreas mídia, audiência, content e tecnologia. Estou aceitando indicações de pretos e legbtqia+ para participar do nosso processo seletivo!”.
Para quem não está por dentro dos índices de desemprego, no Brasil 65% dos desempregados são negros e pardos. E para os que trabalham, a média de salário é 58% menor do que a dos brancos.
Se formos contextualizar esse cenário, um dos motivos que é citado em aulas de história é o fato que a escravidão negra no Brasil durou 400 anos e que o negro ainda é impactado severamente por isso.
Voltando à postagem, os comentários sobre as vagas estão repletos de pessoas brancas, homens e mulheres, que acham que iniciativas que incluam grupos oprimidos é segregação:
Esses foram depoimentos de pessoas brancas e empregadas inconformadas que pessoas com o perfil deles, não são prioridade dentro de um país estruturalmente feito para eles se darem bem.
Parecem poucos exemplo, mas sabemos bem que o DNA do racismo cordial ainda está impregnado e que grande parte dos empregadores e recrutadores compartilham dessa visão de racismo inverso.
Se em uma estrutura racista, um corpo negro causa sentimentos de repulsa e ódio, veja essa raiva se multiplicar quando esse corpo é gordo e feminino.
Nas redes sociais não são raros os casos de mulheres negras e gordas, que assim como as magras, querem postar fotos com roupas com menos tecido, mas sofrem xingamentos apenas pelo volume maior das suas curvas.
Preta Gil, Preta Rara, a cantora Lizzo e tantas outras anônimas, recebem críticas por um corpo que não é público, pertence somente a elas mesmas, porém, homens e mulheres gordofóbicos se sentem no direito de adjetivá-los, como se fossem um objeto em exposição.
Conversando com a Preta Rara, ela mesmo fala da hiprocrisia da democracia racial. “Na frente falam que nos amam, que gostam de nós, da nossa cultura e cor, mas quando viram as costas, vem esses tipos de comentários de ‘preta raivosa, macaca, gorda baleia'”.
O caso de racismo sofrido pela atriz Cacau Protásio, que foi agredida com xingamentos que não valem a pena serem repetidos, porém, é importante reforçar que foram proferidos por membros do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro, é uma prova de que até os que deveriam nos ver como cidadãs, visualizam no corpo feminino negro e gordo, motivos diversos para que ele seja odiado, desprezado e diminuído.
Cacau estava lá a trabalho, fazendo cenas para um filme,” Juntos e Enrolados”, mas se fosse uma vítima de um incêndio, por exemplo, imagine o risco de ser socorrida por bombeiros gordofóbicos e racistas?
Quanto ativistas negras e gordas dizem que seu corpo é uma ato político, elas estão dizendo sobre como o seu simples existir é uma afronta à sociedade que é ainda apegada a um padrão branco e magro. A toxicidade contra essas mulheres resulta em depressão, auto-agressão, podendo chegar ao suicídio.
Nós como comunidade negra temos que discutir a gordofobia que está apagando o brilho de muitos dos nossos, incluindo aí homens, comunidade negra LBTQ+, crianças e idosos negros.
O corpos negros e volumosos precisam de mais representatividade e o Mundo Negro apoia iniciativas com esse propósito.
Ébano’, dando sequência às homenagens relativas ao dia da Consciência Negra. Apresentada pela Cia. Colhendo Contos e Diáspora Negra, a peça tem entrada gratuita.
Baseada no resgate de valores da cultura africana, a produção gira em torno da personagem Mariama Keitá, uma menina afrobrasileira ciente de suas raízes na etnia Malinke, que ao sair em passeio escolar para o litoral acaba embarcando numa grande aventura junto ao seu amigo João Gabriel.
Tudo começa quando ambos acham um estranho objeto nas areias da praia. Trata-se de uma arca, que os leva a uma saga de enigmas, obstáculos, preconceitos, pesadelos e sonhos, tudo sob tutela de uma velha fiandeira que viaja no tempo.
Com dramaturgia de Salloma Salomão, a obra traz à tona diversas reflexões acerca da cultura afro e suas influências históricas e contemporâneas na construção da sociedade em que vivemos. A produção tem por objetivo criar novas vozes para preservação e reconhecimento de vivências e mitos negros, o que por vezes é tão renegado pela educação formal vigente.
SERVIÇO
Casa de Cultura de São Amaro
Data: 30/11
Horário: 14h
Endereço: Praça Dr. Francisco Ferreira Lopes, 434 – Santo Amaro, São PauloPreço: gratuito
De acordo com a coluna de Maurício Stycer, da UOL, o jornalista Márcio Bonfim, apresentador do telejornal “NE1”, da TV Globo Nordeste, em Recife, “ganhará dupla promoção nos próximos meses”.
A nota diz que a partir de dezembro, ele se tornará o substituto oficial de Tadeu Schmidt no comando do “Fantástico”, aos domingos. Sua estreia deve ocorrer no último domingo do ano, na folga do titular. Essa é a primeira vez que a Globo inclui alguém que não seja da Globo SP, Globo Rio ou Globo DF nesta posição. A partir de janeiro de 2020, Bonfim ganha outra deferência da Globo e passa a integrar também a escala de apresentadores que se revezam no comando do “Jornal Nacional” aos sábados.
No final de agosto, Bonfim inaugurou, ao lado de Cristina Ranzolin o rodízio de apresentadores do JN em comemoração aos 50 anos do telejornal.
A justiça brasileira pós-abolição ainda favorece os racistas.
A notícia do xingamento e ataque com motivações racistas sofridas pelo professor universitário, Juarez Xavier, de 60 anos, em pleno 20 de novembro chocou o Brasil.
Xavier é docente do curso de Jornalismo da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e estava caminhando na Avenida Nações Unidas, em Bauru, quando um homem passou e chamou o professor de “macaco”.
A vítima, então, teria questionado a ofensa quando foi derrubado no chão e agredido com um canivete. “Ele teve duas perfurações, uma no ombro e outra no tórax”, contou o tenente responsável pelo caso em entrevista ao Estadão.
O agressor foi preso, mas depois de pagar uma fiança foi liberado. Confira a declaração que o próprio Juarez fez em suas redes sociais.
“O meu agressor pagou fiança (mil reais) e está em liberdade, por duas razões: 1. O crime não foi tipificado como racismo, mas como injúria racial.
2. O crime não foi tipificado como tentativa de homicídio, mas como lesão corporal.
Essa tipificação desidrata a denúncia, e abre brechas para que os racistas fraudem a lei. Pior: nesse caso, coloca na rua uma pessoa desequilibrada e armada! Pude me defender, graças aos ensinamentos da capoeira! A próxima vítima talvez não tenha esses mesmos ensinamentos! Precisamos, com urgência, recuperar o espírito da lei que era punir quem pratica e estimula o racismo no Brasil!”, descreveu o professor.
Agora os advogados Maurício Augusto Ruiz (Bauru) e Hédio Silva Jr. (São Paulo) entraram no caso e definirão novas estratégias legais para mudar as acusações, de lesão corporal para tentativa de homicídio e de injúria racial para racismo. A estratégia visa assegurar a efetividade da punição jurídica ao crime de racismo.
Dr. Hédio explica:
“A agressão com golpes de faca e as ofensas racistas sofridas em, 20 de novembro, pelo Prof. Juarez Tadeu de Paula Xavier, docente da UNESP de Bauru, representa uma agressão às lutas de todo o povo preto brasileiro e desmascara a falácia de que no Brasil o ódio racial e religioso seria algo episódico, isolado, cinicamente tratado por alguns como ódio cordial. O discurso de ódio diariamente veiculado pelos meios de comunicação e pela internet, sob o beneplácito, a omissão e a cumplicidade das autoridades públicas, incita e induz indivíduos degenerados, facínoras e mentecaptos a agredirem brasileiros pelo fato de serem negros(as) ou macumbeiros(as). O Prof. Juarez Xavier é um ícone de sua geração, um sobrevivente do racismo, um intelectual fecundo e comprometido com as agruras do povo preto e do povo de Axé. A ele e sua família deixo registrada minha total solidariedade e incondicional disponibilidade para colaborar para que o autor das agressões seja punido com o rigor que o caso requer”, finalizou o advogado.
O meu agressor pagou fiança (mil reais) e está em liberdade, por duas razões: 1. O crime não foi tipificado como racismo, mas como injúria racial, 2. O crime não foi tipificado como tentativa de homicídio, mas como lesão corporal.
Essa tipificação desidrata a denúncia, e abre brechas para que os racistas fraudem a lei. Pior: nesse caso, coloca na rua uma pessoa desequilibrada e armada! Pude me defender, graças aos ensinamentos da capoeira! A próxima vítima talvez não tenha esses mesmos ensinamentos! Precisamos, com urgência, recuperar o espírito da lei que era punir quem pratica e estimula o racismo no Brasil!
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