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De passagem no Brasil, conheça Kai Cenat, o streamer com o maior número de inscritos no Twitch

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Foto: Reprodução/Instagram

O streamer norte-americano Kai Cenat, de 23 anos, está de passagem pelo Brasil e tem viralizado com momentos super divertidos no Rio de Janeiro, servindo looks no estilo brasileiro e vivendo muitas aventuras, conheceu o influenciador Luva de Pedreiro, provou o melhor das comidas brasileiras, e foi para diversas festas.

Cenat tem uma trajetória impressionante no mundo das lives. Sua estreia na Twitch ocorreu em fevereiro de 2021 e, nos dois anos seguintes, foi eleito o melhor streamer, se consolidando como um dos principais nomes do entretenimento.

Em 2023, ele alcançou quase 303 mil inscritos na Twitch, e se tornou o proprietário do canal com o maior número de assinantes da história da plataforma, durante uma transmissão contínua – conhecida como subathon – de 30 dias. Na plataforma, os usuários inscritos pagam mensalmente para apoiar e acessar conteúdo exclusivo desses criadores.

Um dos seus feitos mais recentes, em novembro de 2024, um novo evento de transmissão contínua de 30 anos, intitulado “Mafiathon 2”, garantiu que ele alcançasse 728.535 inscritos, estabelecendo um novo recorde na plataforma. Para atrair mais inscritos, Cenat recebeu diversos convidados famosos como Snoop Dogg, Serena Williams e Bill Nye, neste período.

Atualmente, Cenat também conta com mais de 16,7 milhões de seguidores. Ficando atrás apenas do Ninja, com 19,2 milhões, Ibai 17,3 milhões, e Auronplay com 16,8 milhões.

Denzel Washington brilha na Broadway e peça bate recorde de bilheteria com US$ 2,8 mi em uma semana

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Foto: CJ Rivera/Invision/AP

Com os astros Denzel Washington e Jake Gyllenhaal, “Othello” se tornou um fenômeno nos Estados Unidos, alcançando a maior bilheteria da Broadway ao arrecadar US$ 2,8 milhões em apenas uma semana.

Para Washington, este trabalho tem um significado especial. “É o momento mais animado que já fiquei neste século. Sério. Nunca fiquei tão animado com nada que já fiz como estou com isso”, contou em entrevista à CBS News.

Apesar de Washington ser vencedor de dois Oscars por ‘Tempos de Glória’ e ‘Um Dia de Treinamento’, ele destaca que não sabe o que significa ser um ator de Hollywood. “Eu sou um ator de teatro que faz filmes; não é o contrário. Eu fiz o palco primeiro. Aprendi a atuar no palco, não no cinema. Filmes são o meio de um cineasta. Teatro é o meio de um ator. A cortina sobe, ninguém pode te ajudar”.

Em “Othello”, seu sexto trabalho na Broadway, o vencedor do Tony Award por ‘Fences’, desta vez encarna o poderoso general cuja confiança é minada por Iago, vivido por Gyllenhaal. A peça ganha uma ambientação contemporânea, incluindo discussões sobre TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático) entre soldados.

Washington, agora aos 70 anos, também refletiu sobre como ele se relaciona com a peça e sua linguagem diferentemente de quando tinha 22 anos: “Eu sei muito menos agora. Eu achava que sabia tudo naquela época! Eu realmente não gostava do papel, porque eu não era sábio o suficiente para entendê-lo. Agora eu entendo que é realmente sobre um vínculo, você sabe, que esses personagens têm. Ele ama não sabiamente, mas muito bem”.

“Othello” já foi apresentado na Broadway mais de 20 vezes. Durante grande parte desses espetáculos, o protagonista foi interpretado por atores brancos com blackface. Até que em 1943, Paul Robeson assumiu o papel em uma performance histórica. A última vez que a peça esteve em cartaz foi em 1982, com James Earl Jones.

“James Earl Jones era minha estrela do norte quando eu estava na faculdade. Ele era quem eu queria ser. Não consegui ver o Othello dele, mas sei que não foi tão bom quanto minha interpretação de 22 anos! Mas, você sabe, é a minha vez”, disse Washington.

O atual espetáculo se tornou um sucesso absoluto e os ingressos custam chegam a quase US$ 1.000 nos assentos principais. Apesar das críticas ao preço, os atores estão empolgados com a valorização do trabalho de uma vida. “Trabalhei minha carreira inteira por esse momento. Esta é uma jornada de 48 anos para mim. É fascinante ter sido jovem demais para o papel, e alguns podem dizer que agora sou velho demais. Mas 48 anos de experiência, então 48 anos de dor, prazer e vida informaram minha abordagem para interpretar o papel”, celebra Washington.

Lizzo viverá pioneira do rock Sister Rosetta Tharpe nos cinemas

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Foto Rosetta: por James J. Kriegsmann/Michael Ochs Archives/Getty Images

A cantora Lizzo será a protagonista do filme Rosetta, da Amazon MGM Studios, no qual interpretará a lendária guitarrista e cantora gospel Sister Rosetta Tharpe, uma das precursoras do rock e do R&B. A informação foi publicada com exclusividade pelo portal Deadline na tarde desta segunda-feira (24). De acordo com o site, o projeto está em desenvolvimento, com Lizzo também atuando como produtora ao lado de Kevin Beisler, Nina Yang Bongiovi e Forest Whitaker.

“Negros criaram o rock’n’roll, é isso aí!”, celebrou a artista ao publicar a novidade nas redes sociais. O roteiro será escrito por Natalie Chaidez, showrunner de Rainha do Sul, série protagonizada pela brasileira Alice Braga, e pela diretora de fotografia Kwynn Perry. A produção promete retratar um momento decisivo na vida de Tharpe, marcado por inovação musical, paixão e um relacionamento secreto com outra mulher, culminando em um dos shows mais icônicos da história: o primeiro concerto em estádio, que ajudou a definir o futuro do rock.

Considerada uma das maiores influências de artistas como Elvis Presley, Chuck Berry e Little Richard, Sister Rosetta Tharpe revolucionou a música ao levar o gospel para um patamar mais energético, antecipando o rock’n’roll. O filme, que ainda não tem data de estreia definida, explorará sua trajetória enquanto ela desafiava convenções sociais e consolidava seu legado.

Lizzo, que além da carreira musical venceu um Emmy e estrelou produções como Hustlers (2019) e a série Watch Out For the Big Grrrls, da Amazon, recentemente lançou os singles “Still Bad” e “Love In Real Life”, prévias de seu próximo álbum.

“Não estamos lutando contra as pessoas, mas contra um sistema”

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Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O título deste texto é uma frase do político e ativista Oliver Tambo, na época da luta contra a segregação racial na África do Sul. Mas, apesar do contexto distinto do Brasil, acredito que sirva como reflexão para nós.

Todos que acompanham as redes sociais já perceberam que o ambiente é dinâmico e complexo. Vemos assuntos viralizando de uma hora para a outra. Às vezes nos dão a impressão de que nunca sairão de cena. No que se refere às questões raciais, algumas coisas são comumente requentadas por influenciadores. Eles conhecem bem os temas que causam polêmica, e na primeira oportunidade lançam a isca para ganharem engajamento. Com essa prática, os debates importantes não avançam, criam discórdia entre os membros da comunidade e, por fim, dão a impressão de que estagnamos no processo de conscientização racial coletiva. Daí, as pessoas negras que sonham com um movimento negro forte e coeso, desanimam.

Eu sei que o movimento deve ser feito nas ruas, organizações, comunidades, espaços de construção do conhecimento, etc. Mas não podemos ignorar o potencial de mobilização e tomada das consciências que o mundo virtual permite aos hábeis em utilizá-las. O pensamento retrógrado e a resistência a esse formato de comunicação só contribuem para o fracasso.

Os cursos de letramento racial, pelo menos os que atendem o público branco, não causam transformação. As pessoas brancas não esboçam vontade de construir uma sociedade menos desigual e humana. Podemos contar nos dedos os brancos que têm disposição de lutarem contra os privilégios (será que existe mesmo?). Outro problema constatado é que as pessoas negras nesse universo virtual têm se debruçado apenas na dimensão do racismo individual, ignorando a existência das máquinas institucionais que colaboram para a opressão.

Acredito que você tenha visto, no mês passado, a comoção em torno da injustiça envolvendo dois rapazes acusados de furto de celular no Rio de Janeiro. Só para refrescar a memória, farei um breve resumo. Igor Melo é estudante de jornalismo. Thiago Marques, motociclista por aplicativo. Na saída do trabalho, o motociclista aceitou uma chamada do Igor para uma corrida. Durante o trajeto, os rapazes foram perseguidos por um policial militar da reserva, que atirou e acertou o estudante. Dentro do hospital, descobriu-se que a perseguição tinha como justificativa a acusação de furto, mas conforme as investigações, os rapazes eram inocentes.

As pessoas, consumidas pela indignação, apontaram o racismo por parte do policial, mas receberam como contra-argumento que não tinha como o policial ter sido racista, pois era igualmente negro como o Igor: “os negros não podem ser racistas”, diziam. As múltiplas teses surgiram nesse momento. Os influenciadores entraram na onda com vídeos e textos explicando a questão. Eu pergunto: o que isso mudaria com relação ao trajeto da bala, que fez mais um homem negro o alvo preferencial e suspeito?

Lembro de uma frase que li em algum lugar que dizia “o negro ataca seu semelhante porque foi treinado para isso”. Não há o que discutirmos. O negro cooptado pela branquitude sempre reproduzirá a ideologia racista; o policial provou ser um “bom” aluno.

No meio disso tudo, a minha indignação é que não focamos naquilo que importa. Naquele momento, o racismo institucional foi pouco discutido, sendo que essa dimensão do racismo é uma das características enraizadas na instituição militar. A cor do sujeito presente nas suas fileiras é um detalhe, o racismo orientará o exercício de suas funções. Essa filosofia propulsora da violência deve ser abolida. O debate sobre a desmilitarização da polícia é urgente. Chega de abraçarmos as polêmicas infrutíferas. O sistema é o nosso inimigo.

Em tempo: Igor está se recuperando e aos poucos retornando às atividades profissionais.

Netumbo Nandi-Ndaitwah faz história ao tomar posse como primeira mulher presidente da Namíbia

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Foto: REUTERS/Stringer

Netumbo Nandi-Ndaitwah tornou-se a primeira mulher a assumir a presidência da Namíbia na sexta-feira (21), em uma cerimônia que coincidiu com o 35º aniversário da independência do país. A posse, inicialmente programada para um estádio de futebol, foi transferida para o gabinete presidencial devido a fortes chuvas.

Nandi-Ndaitwah, que integrou o movimento de libertação contra o apartheid sul-africano há quase seis décadas, foi eleita em novembro e passa a figurar entre as poucas mulheres no comando de nações africanas, como a tanzaniana Samia Suluhu Hassan, atual presidente, e as ex-líderes Ellen Johnson Sirleaf (Libéria) e Joyce Banda (Malaui), ambas presentes no evento.

“Se as coisas correrem bem, então será visto como um bom exemplo”, afirmou a presidente em entrevista para o podcast Africa Daily da BBC. “Mas se alguma coisa acontecer, como pode acontecer em qualquer administração sob homens, também há aqueles que preferem dizer: ‘Olhem para as mulheres!’, disse.

Autoridades da África do Sul, Zâmbia, Congo, Botsuana, Angola e Quênia acompanharam a cerimônia de posse da nova presidente. Ela sucede Nangolo Mbumba, que assumiu interinamente após a morte de Hage Geingob, em fevereiro de 2024. Nandi-Ndaitwah era vice-presidente e foi promovida ao cargo máximo após vencer as eleições pelo partido SWAPO, no poder desde a independência (1990).

Casal é condenado a 375 anos por escravizar filhos negros em fazenda nos EUA

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Foto: Autoridade de Prisões e Estabelecimentos Correcionais Regionais da Virgínia Ocidental

ALERTA DE GATILHO – Esse texto possui conteúdo sensível e relatos de violência contra crianças.

Um casal branco foi condenado a um total de 375 anos de prisão por submeter seus cinco filhos negros a trabalho forçado em uma fazenda, nos Estados Unidos, além de agressões físicas e psicológicas marcadas por insultos raciais. Jeanne Kay Whitefeather, 62, recebeu 215 anos de prisão, e seu marido, Donald Lantz, 63, foi sentenciado a 160 anos — as penas máximas possíveis.

A sentença foi proferida na semana passada pela juíza Maryclaire Akers, do Tribunal do Condado de Kanawha, após o casal ser considerado culpado, em janeiro, por trabalho forçado, tráfico de pessoas, abuso infantil e violação de direitos civis com motivação racial: “Vocês trouxeram essas crianças para a Virgínia Ocidental, um lugar que eu chamo de ‘Quase Paraíso’, e as colocaram no inferno. Este tribunal agora vai colocá-los no seu”, declarou a juíza, acrescentando: “Que Deus tenha misericórdia de suas almas. Porque este tribunal não terá.”

O casal adotou as cinco crianças em Minnesota e, após passarem por uma fazenda no estado de Washington, mudaram-se para Sissonville em maio de 2023. Em outubro do mesmo ano, vizinhos alertaram as autoridades ao verem dois adolescentes trancados em um galpão. Ao chegarem, os agentes encontraram as crianças em condições insalubres: dormindo no chão, usando baldes como banheiros e com sinais de desnutrição.

A filha mais velha, hoje com 18 anos, descreveu em carta lida no tribunal os anos de abuso: “Nunca vou entender como você consegue dormir à noite. Você é um monstro”. Ela e os irmãos relataram trabalhos exaustivos na fazenda, xingamentos racistas e privação de alimentos — muitas vezes limitados a sanduíches de manteiga de amendoim em horários rígidos.

Os advogados do casal argumentaram que as tarefas eram parte de uma “educação rígida” e negaram motivação racial. Donald Lantz chegou a dizer no tribunal: “Crianças, eu amo vocês”. Já Jeanne Whitefeather pediu desculpas, afirmando que nunca quis machucá-los intencionalmente.

A promotoria, no entanto, destacou que o casal ignorou serviços de apoio disponíveis e exacerbou os traumas das crianças, que agora sofrem com pesadelos e dificuldades de confiança. Quatro dos filhos enviaram cartas ao tribunal, incluindo a mais nova, que escreveu: “Você sempre será horrível”.

Além da prisão, o casal foi condenado a pagar US$ 280 mil em restituição. A filha mais velha já moveu uma ação civil por danos permanentes.

Continente africano: Inovação, Nova Economia e um futuro que já começou

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Foto: Reprodução

O South by Southwest (SXSW), maior festival de inovação do mundo que acontece nos Estados Unidos, nos lembra que o futuro não é um destino único, mas um campo de possibilidades. Enquanto o mainstream da tecnologia segue centrado no Norte Global, a África já está escrevendo um novo capítulo, um capítulo decolonial, sustentável e cheio de lições para o Brasil. 

O afrofuturismo nos ensina que inovação e ancestralidade caminham juntas. Quando olhamos para a África como um polo de novas economias e tecnologias, rompemos com a ideia estereotipada atribuída a este continente e boa parte do Sul Global:

Bioenergia e saberes ancestrais
No Camarões, comunidades estão reinventando o passado para gerar energia limpa. Usando processos biológicos inspirados no conhecimento tradicional, desenvolveram sistemas que transformam plantas e resíduos em eletricidade. Essa tecnologia, adaptável ao cerrado ou ao semiárido, desafia a lógica de grandes usinas e oferece energia a baixo custo para populações locais.

Cidades inteligentes para quem não é visto no mapa
No Quênia, uma plataforma usa mapeamento colaborativo para que comunidades identifiquem problemas urbanos, como falta de saneamento ou segurança, e pressionem o poder público. No Brasil, onde favelas muitas vezes são invisibilizadas no planejamento urbano, essa ferramenta poderia redefinir políticas públicas. A lição africana é clara: a tecnologia não precisa ser elitista para ser revolucionária.

Moedas próprias: rompendo com o colonialismo
Burkina Faso, Níger e Mali estão criando sua própria moeda, rompendo com o franco CFA (herança colonial da França ainda presente em antigas colônias africanas). Para o Brasil, que já experimenta bancos comunitários e créditos locais, essa onda de descolonização monetária inspira novas formas de autonomia financeira em territórios periféricos. Ruanda, por sua vez, transformou Kigali em um hub tecnológico, sendo pioneiro com drones entregando medicamentos e bolsas de sangue em áreas remotas, modelo que poderia ser replicado em regiões brasileiras isoladas.

Como lembra o escritor Amadou Hampâté Bâ, “quando um ancião africano morre, uma biblioteca inteira queima”. Hoje, essa biblioteca está viva, digitalizada, conectada e pronta para nos ensinar a imaginar futuros mais sustentáveis. A África não é o futuro. A África é o presente e o Brasil precisa se conectar com essa revolução ancestralmente futurista.

Crânio de líder da Revolta dos Malês exposto em museu de Harvard deve ser devolvido ao Brasil

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Imagem: Ilustrção Harper's Weekly/Arquivo

O crânio de um dos líderes da Revolta dos Malês, levado ilegalmente para os Estados Unidos há 190 anos, pode ser repatriado ao Brasil ainda em 2025. O objeto, que integra a coleção do Museu Peabody, da Universidade de Harvard, é alvo de negociações entre o governo brasileiro, pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e o Centro Cultural Islâmico da Bahia (CCIB). A devolução do crânio, considerado um patrimônio histórico e simbólico da luta negra e islâmica no país, ocorreria durante as celebrações dos 190 anos da revolta, um dos maiores levantes de pessoas escravizadas nas Américas.

A Revolta dos Malês, ocorrida em Salvador (BA) nos dias 24 e 25 de janeiro de 1835, foi um movimento organizado majoritariamente por negros muçulmanos, muitos deles alfabetizados em árabe. O termo “malê” deriva da palavra iorubá “imalê”, que significa “muçulmano”. A revolta, inspirada na Revolução Haitiana, buscava a libertação do povo negro e a independência do jugo colonial. Apesar de reprimida violentamente, o levante deixou um legado de resistência e luta pela liberdade que ecoa até os dias atuais.

O crânio em questão pertenceu a um dos líderes da revolta, cuja identidade ainda não foi totalmente esclarecida. Ele foi roubado do Brasil por Gideon Theodore Snow, um diplomata americano que atuou como vice-cônsul em Alagoas e cônsul em Pernambuco na década de 1840. Snow entregou o crânio ao Museu Peabody, onde permanece exposto como parte de uma coleção que inclui restos mortais de cerca de 19 indivíduos escravizados no Brasil e no Caribe, além de milhares de nativos americanos, que foram utilizados como ‘objeto de pesquisa’ de eugenistas.

A existência do crânio foi revelada em 2022, após a publicação do livro Masters of the Health: Racial Science and Slavery in U.S. Medical Schools, do historiador Christopher Willoughby. A descoberta mobilizou pesquisadores e lideranças religiosas, que passaram a exigir a repatriação do objeto. Em novembro de 2023, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) formalizou um grupo de trabalho, batizado de GT Arakunrin — termo iorubá que significa “irmão” ou “companheiro” —, para acelerar as negociações com Harvard.

Próximos passos
Quando o crânio retornar ao Brasil, ele será submetido a estudos para determinar a idade aproximada do líder e realizar um teste de DNA, que pode revelar mais sobre a origem étnica dos participantes da revolta. Um escaneamento 3D também está planejado para reconstituir o rosto do Arakunrin, como é chamado o líder pelos membros do GT. Após os estudos, o crânio será enterrado de acordo com os rituais fúnebres islâmicos.

A repatriação do crânio se soma a outros recentes esforços do Brasil para resgatar seu patrimônio histórico, como a devolução do Manto Tupinambá, em 2023, após mais de 300 anos no Museu Nacional da Dinamarca, e do fóssil do dinossauro Ubirajara jubatus, restituído pela Alemanha no mesmo ano.

‘Salões especializados enfrentam desafios de rentabilidade e visibilidade’, afirma CEO do Studio PantherBlack”

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O mercado de cabelos naturais, voltado para crespos, cacheados e ondulados, tem ganhado destaque no Brasil, impulsionado por um movimento de valorização da identidade e da autoexpressão. No entanto, salões especializados ainda enfrentam desafios para se manterem rentáveis e alcançarem um público mais amplo, segundo Kelly Barbosa, CEO do Studio PantherBlack, espaço referência no setor, localizado na Vila Mariana, em São Paulo.

Um dos principais obstáculos para salões especializados, muitos deles liderados por pessoas negras, segundo Kelly, é a concorrência e a falta de visibilidade. “Muitos salões especializados em cabelos naturais têm dificuldade em alcançar um público mais amplo e manter a rentabilidade. Acredito que os salões especializados em cabelos crespos e cacheados enfrentam desafios para manter a rentabilidade devido à concorrência e à falta de visibilidade.”, explica. Apesar disso, o Studio PantherBlack registrou um crescimento de 26,17% no faturamento entre 2020 e 2024, atingindo um total de R$ 5,1 milhões no período.

Mesmo diante dos desafios, o Brasil se mostra promissor no mercado de cabelos naturais, considerando que 70% dos cabelos no país são cacheados, de acordo com dados de uma pesquisa do Instituto Beleza Natural, em parceria com a Universidade de Brasília. Além disso, dados de uma pesquisa realizada em 2017 pelo Google BrandLab mostram que a busca de cabelos cacheados na plataforma foi maior do que a de cabelos lisos. Apresentando ainda um crescimento de 309% na busca por para cabelos afros: “A tendência atual é usar o cabelo com menos concentração de creme de pentear, enquanto cresce o foco em uma rotina de cuidados semanais eficazes. Cada vez mais, as clientes buscam alternativas práticas sem abrir mão da saúde capilar”, destaca a especialista ao analisar as tendências mais fortes têm observado no cuidado e estilização de cabelos naturais.

Capacitação e inovação

Para lidar com a diversidade de texturas e tipos de cabelos, o Kelly Barbosa conta que o Studio investe na capacitação de profissionais, com a oferta de “dois cursos anuais, além de apoiar a capacitação individual dos profissionais de acordo com suas especialidades, como cursos para coloristas, por exemplo”, explica Kelly. Além disso, o estúdio planeja se tornar um espaço colaborativo (coworking) nos próximos anos, permitindo que outros profissionais atuem em um ambiente preparado para o crescimento de suas carreiras.

Desafios para consumidoras e profissionais especializados

Em agosto de 2024, o estudo “Cabelos Sem Limites, Como Nós”, realizado pelo Instituto Sumaúma e RPretas, mostrou que 55% das mulheres negras entrevistadas veem seus cabelos como parte essencial da identidade, e 8 em cada 10 consideram seus fios uma ferramenta vital de autoexpressão. No entanto, 70% delas ainda se sentem pressionadas a alisar os cabelos, enquanto 96% acreditam que o movimento de transição capilar está em crescimento.

A informação reflete uma realidade que ainda é desafiadora, mas que encontra na determinação de profissionais especialistas um caminho para uma mudança quase que total de cenário: “Eu construí um espaço que nunca foi cogitado por mim, nem esperado por outras pessoas. O Studio Pantherblack é sinônimo de expansão. Acredito que o diferencial sempre foram minhas intenções em inovar nos serviços, e esse movimento também colaborou para o novo modelo de negócio, que conversa com as demandas atuais”, finaliza Kelly.

Filme “Malick” retrata trajetória de senegalês vítima de tráfico que reconstrói vida no Brasil

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Foto: Reprodução

A história de Modou Awa Dieye, um jovem senegalês que partiu de sua terra natal com a promessa de uma nova vida na Itália, mas acabou vítima de tráfico humano, desembarcando a mais de 7 mil quilômetros de casa, no Equador, ganha as telas no filme “Malick”. Após fugir dos criminosos e atravessar Peru e Bolívia, Modou chegou ao Brasil, onde reconstruiu sua vida. Hoje, sua trajetória inspira o longa-metragem, que acaba de finalizar as gravações em Porto Alegre.

Dirigido por Cassio Tolpolar e codirigido pelo próprio Modou, o filme, ainda sem data de estreia programada, acompanha a adaptação de um imigrante senegalês de 25 anos no Brasil, enquanto ele tenta superar um passado marcado pelo tráfico humano. O projeto surgiu em 2017, quando Tolpolar reescrevia um roteiro e buscava um parceiro senegalês. O encontro com Modou transformou completamente a narrativa original, dando origem a uma obra que mescla ficção e realidade.

A história de Modou se soma às de milhares de refugiados que chegam ao Brasil anualmente. Apenas no Rio Grande do Sul, onde ele vive, foram registradas 27 mil autorizações para migrantes e refugiados em 2024, um aumento de 103,4% em relação a 2020, segundo dados da Polícia Federal. O filme busca dar voz a essas experiências, retratando os desafios e as lutas diárias enfrentadas por quem deixa sua terra natal em busca de segurança e dignidade.

Para garantir autenticidade, a produção envolveu a comunidade senegalesa local, utilizou o uolofe – língua falada no Senegal – como um dos idiomas principais e trabalhou com não-atores. “Contar essa história é uma pequena forma de reparação a todos os povos que sofrem perseguições e discriminações e são forçados a se deslocar de seus países”, afirma Tolpolar.

A roteirista Adry Silva destacou a importância de preservar a cultura senegalesa na narrativa. “Algumas emoções são melhores expressas na língua materna. Isso enriquece o filme e valoriza o ser humano retratado”, explica. Modou, além de inspirar a trama, também atuou como codiretor e corroteirista. “Foi um processo desafiador, mas muito gratificante. Sinto que cresci como artista e como pessoa”, revela.

O elenco conta com senegaleses como Fallou Kourouma, que interpreta Bamba, e Mamadou Abdoul Vakhabe Sène, chef de cozinha que vive em Porto Alegre e dá vida ao personagem Amadou. Entre os brasileiros, destacam-se Álvaro Rosa Costa, no papel de Carlos, Pâmela Machado, como Ana, e Frederico Vittola, que interpreta Toni.

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