Home Blog Page 130

Exposição sobre Lia de Itamaracá celebra a trajetória da Rainha da Ciranda

0
Foto: Ytallo Barreto

Após passar com grande sucesso de público e de mídia por galerias em São Paulo e no Recife, a exposição Lia de Itamaracá – Cirandar é Resistir está aberta ao público na Caixa Cultural Fortaleza, no Ceará, com novidades. Até 11 de maio de 2025, o público poderá vislumbrar a trajetória da rainha da Ciranda, uma artista que, aos 81 anos, permanece como uma das principais vozes da cultura popular brasileira. A mostra é um convite a pensar sobre a importância das tradições e dos mestres e mestras na contemporaneidade.

Lia de Itamaracá, decana da cultura popular brasileira e genuína representante do povo brasileiro, transforma a ciranda – nascida das celebrações dos pescadores, do povo simples e trabalhador do Nordeste brasileiro – em um poderoso símbolo de luta e resistência, provando que cirandar é também um ato de resistir.

A exposição repassa sua trajetória como uma grande roda, onde o território e as águas de Maria Madalena Correia do Nascimento nos levam a refletir sobre um Brasil ainda não devidamente celebrado. Lia rompeu as barreiras que delimitam e ocultam as culturas populares brasileiras, levando suas cirandas, loas e encantamentos não só pelo Brasil, mas também pelo mundo. Em sua arte, tradição e contemporaneidade se entrelaçam, revelando uma força capaz de expandir e transformar o olhar sobre o que somos enquanto nação.

Foto: Ytallo Barreto

A curadoria é assinada pela artista visual e cineasta Lia Letícia, pela jornalista e escritora Michelle de Assumpção (autora da biografia Lia de Itamaracá, nas Rodas da Cultura Popular) e pelo empresário e produtor cultural Beto Hees, guardião do acervo do Centro Cultural Estrela de Lia, na Ilha de Itamaracá. A curadoria fotográfica é de Ythallo Barreto, também autor de algumas fotos e vídeos que compõem a exposição.

A proposta convida o público a refletir sobre a resistência cultural e os desafios enfrentados por Lia em sua carreira, em um contexto de reafirmação da identidade afro-brasileira e valorização da ciranda como patrimônio imaterial.

Três eixos temáticos norteiam a exposição. O Eixo Verde Loucoinspirada na canção de mesmo nome do repertório de Lia, mergulha no lado mais pessoal da artista, apresentando a Ilha de Itamaracá como a terra fértil, fonte, raízes, de onde surgem Lia e toda arte que carrega pelo mundo. Três instalações compõem o espaço expositivo. Em Mar de Lia, por meio de óculos de realidade virtual, os visitantes embarcam em uma jangada imaginária e se deslumbram com as águas verdes e vibrantes que envolvem a ilha. Durante a jornada, podem vivenciar a rotina dos pescadores e integrar uma roda de ciranda comandada por Lia, sendo envolvidos pelo ritmo, pelas vozes e pela energia dessa celebração coletiva que une tradição e resistência.

Foto: Ytallo Barreto

A instalação Casa de Lia é um convite à intimidade da vida de Lia de Itamaracá, trazendo à galeria objetos e elementos do seu universo particular. Ao percorrer esse espaço, o visitante é transportado para o lugar onde Lia encontra sua paz, seus amores e sua raiz. Lugar para onde retorna sempre que suas turnês pelo mundo chegam ao fim. A simplicidade e os significados presentes nesse ambiente fazem com que Lia, apesar de sua fama, continue sendo uma mulher genuína, alegre e profundamente conectada à sua história e ao seu povo.

Outra novidade na exposição é um recorte do projeto Letras da Ilha, da designer Lili Nascimento, que também assina a identidade visual da exposição como um todo. Este projeto destaca a tipografia vernacular das embarcações tradicionais da Ilha de Itamaracá, destacando a feitura dos letreiros, langanhos e a arte feita pelos pintores letristas locais, com destaque para Natanael Pires, o Tuca, reconhecido pintor letrista da região. Letras da Ilha nasce da necessidade de registrar e valorizar a produção gráfica popular da Ilha, preservando a memória visual em meio à crescente padronização digital. Ao integrar fotografias e obras do projeto à exposição, a mostra amplia o alcance dessa rica tradição cultural, que se conecta profundamente ao cancioneiro e ao imaginário de Lia de Itamaracá.

O Eixo Quem é essa preta? convida à reflexão sobre identidade e a luta contra o racismo na cultura popular. Nesse espaço, o jornalismo ganha a força de uma arte denúncia, trazendo a capa de um jornal de 1974 onde a artista é retratada com termos que refletem o racismo estrutural e naturalizado. Nesse mesmo ambiente, a instalação inédita Sossego de Lia surge como um contraponto poético, homenageando a Praia do Sossego, local de nascimento da artista. Apesar dos enfrentamentos impostos pelo racismo, Lia preserva sua paz interior e a conexão com o paraíso onde cresceu. A instalação oferece aos visitantes a serenidade da praia, com redes que convidam ao repouso e o som das ondas e das cirandas compondo uma atmosfera de contemplação. Esse espaço sensorial traduz a essência de Lia: resistência que não abdica da alegria e da simplicidade.

Ciranda no Mundo é o eixo norteador que apresenta a trajetória ascendente da artista, apesar de todas as adversidades. A canção Mar de Fogo, baseada num ponto para o orixá Exu, simboliza as conquistas de Lia em contraponto às adversidades que enfrentou ao longo de sua carreira. “Para chegar aqui/ atravessei o mar de fogo/ Pisei no fogo o fogo não me queimou/ Pisei na pedra a pedra balanceou.” Nesse espaço, a curadoria enfatiza a importância de honrar e valorizar, por meio das vitórias de Lia no mercado das artes, os grandes mestres e mestras que fazem da cultura brasileira um pilar identitário e espiritual de nosso povo.

Nesse espaço, a instalação Ciranda de Ritmos ganha destaque. Composta pelos instrumentos reais da ciranda, disponíveis para interação do público, e acompanhada por um documentário de shows internacionais e espetáculos diversos, a instalação exibe também figurinos, jóias e adereços da artista, revelando facetas que conectam tradição e contemporaneidade.

SERVIÇO

ExposiçãoLia de Itamaracá – Cirandar é Resistir

Período expositivo: até 11 de maio de 2025

Local: Caixa Cultural Fortaleza, Galerias 1 e 2

Horário de funcionamento: Terça a domingo, das 10h às 18h

Cientista afro-brasileiro conquista Universidade de Princeton com aula sobre computação quântica

0
Foto: Divulgação

O cientista afro-brasileiro Paulo Sergio Rufino Henrique ministrou a oficina “Quantum Computing Without Fear: A Beginner’s Journey – A-Z Study Guide” na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, na semana passada, durante a 15ª Conferência IEEE Integrated STEM Education (ISEC’25). Esta foi a segunda participação consecutiva do Paulo Henrique, após a bem-sucedida oficina em 2024 sobre a Segunda Revolução Quântica.

Morando há mais de 15 anos na Europa, Paulo residiu nove anos em Londres, e nos últimos sete em Paris, onde atua como executivo na área de inteligência artificial. Formado no Brasil e com mestrado em Wireless Communication Systems pela Brunel University na Inglaterra, atualmente o cientista é doutorando na fundação científica dinamarquesa CTIF Global Capsule, pesquisando as futuras redes 6G e computadores quânticos sob a supervisão do renomado cientista Professor Ramjee Prasad, uma das maiores autoridades mundiais em sistemas de comunicação sem fio.

O brasileiro, um experiente engenheiro elétrico com atuação destacada nas áreas de telecomunicações e inteligência artificial, também é autor do livro “6G: The Road to the Future Wireless Networks 2030”, uma das primeiras obras a descrever as futuras tecnologias de comunicação sem fio que será lançada em 2030. 

Foto: DIvulgação

Durante a conferência em Princeton, estudantes, professores e pesquisadores participaram ativamente da oficina, que contou com a orientação dos professores Ramjee Prasad e Albena Mihovska, também do CTIF Global Capsule. O evento adquiriu significado especial por coincidir com o centenário da mecânica quântica, celebrado em uma instituição histórica associada a personalidades lendárias como Albert Einstein, John von Neumann, Alan Turing, Alonzo Church, Richard Feynman e, mais recentemente, Michelle Obama.

Entre os participantes ilustres estavam a Dra. Joy Barnes Johnson, educadora afro-americana de ciências das Princeton Public Schools; Kristen Outler, desenvolvedora educacional da Spark Photonics Foundation; e o professor John Little, da Virginia Tech. Paulo agradeceu especialmente ao professor Ashutosh Dutta, da Universidade Johns Hopkins, e ao Comitê STEM do IEEE pelo importante apoio recebido durante o evento.

Foto: Divulgação

Experiência na IBM

Durante a mesma viagem, Paulo visitou também o IBM Quantum Research Lab, localizado no prestigiado centro de pesquisa da IBM, o IBM Thomas J. Watson Research Center, em Nova York. Esta experiência representou um marco importante em sua pesquisa, permitindo-lhe explorar diretamente as instalações de ponta dedicadas à computação quântica da IBM e entender melhor seu roteiro tecnológico pioneiro.

As interações com cientistas e especialistas em desenvolvimento de negócios da IBM forneceram a Paulo insights valiosos sobre as aplicações práticas e iniciativas atuais de pesquisa em tecnologias quânticas, destacando o papel crucial que a computação quântica terá no futuro das redes sem fio e na tecnologia global.

Paulo fez questão de agradecer à equipe do IBM Quantum pela hospitalidade e pelas enriquecedoras discussões durante sua visita.

4 aprendizados gerindo a primeira e maior comunidade sobre cuidado com a pele negra do Brasil 

0
Foto: Pexels

Há 5 anos, o Nossa Pele Negra (@nossapelenegra) surgiu como um espaço de acolhimento, informação e representatividade para a comunidade negra no Brasil. E, ao longo dessa jornada, aprendi muito sobre os desafios, as dores e as belezas de cuidar da pele negra em um país que ainda engatinha quando o assunto é inclusão e representatividade. 

Vou compartilhar aqui quatro aprendizados que mudaram a forma como enxergo a comunidade e o cuidado com a pele negra em nosso país.  

1. A escassez de profissionais especializados  

Quando começamos, uma das primeiras coisas que percebemos foi o gap gigantesco de profissionais e serviços de beleza voltados exclusivamente para a pele negra. Não é exagero dizer que, em muitas cidades do Brasil, encontrar um dermatologista ou esteticista que entenda as especificidades da nossa pele é como procurar uma agulha no palheiro. E olha, não é por falta de demanda! A verdade é que a formação desses profissionais ainda não prioriza o estudo da pele negra, o que resulta em diagnósticos equivocados e tratamentos que, muitas vezes, não funcionam.  

2. O poder do conteúdo e a responsabilidade de criar para a comunidade negra  

Criar conteúdo para a comunidade negra é, acima de tudo, um ato de responsabilidade. Muitas pessoas negras carregam traumas profundos relacionados ao cuidado com a pele, fruto de experiências negativas em consultórios ou salões de beleza. Já ouvimos histórias de quem foi orientado a usar produtos clareadores de forma indiscriminada ou de quem simplesmente desistiu de buscar ajuda profissional por medo de ser mal atendido. Por isso, nosso papel vai além de informar: é sobre reconstruir a autoestima e mostrar que a pele negra também merece (e precisa!) de cuidados específicos.  

3. Pessoas negras precisam de um ambiente seguro para compartilhar suas vivências  

Um dos pilares do Nossa Pele Negra é ser um espaço onde as pessoas se sintam seguras para compartilhar suas experiências. E, acredite, as histórias que ouvimos são poderosas! Desde relatos de quem finalmente encontrou um produto que não deixa a pele com aquela temida “pele esbranquiçada” até quem descobriu, na comunidade, que não estava sozinho na luta contra a hiperpigmentação. Essas trocas são a prova de que, quando nos unimos, conseguimos encontrar soluções que a indústria ainda não nos ofereceu.  

4. O despreparo e falta de disposição das marcas em pleno 2025   

Por fim, um aprendizado que não poderia faltar: a indústria da beleza ainda não está preparada para lidar com as necessidades da comunidade negra. Apesar da população negra ser a maior porção da população brasileira, enquanto o cabelo crespo ganhou (finalmente!) algum destaque nos últimos anos, a pele negra ainda é tratada como uma “pós-linha de pensamento” pela indústria da beleza e bem-estar. Marcas lançam produtos “para todos os tipos de pele”, mas esquecem que a nossa pele tem particularidades que precisam ser estudadas e respeitadas. O resultado? Muitas vezes, acabamos usando produtos que não foram feitos para nós, o que pode gerar desde irritações até resultados frustrantes.  

Gerir a maior comunidade sobre cuidado com a pele negra no Brasil é, acima de tudo, um ato de amor e resistência. Aprendemos que, enquanto a indústria e os profissionais não se adaptam, nós, comunidade, seguimos nos fortalecendo e buscando soluções juntos. 

E, como citamos em nosso manifesto ao final de 2024: desafiamos as marcas a abrirem os olhos para o trabalho que desenvolvemos. Investir em iniciativas como o Nossa Pele Negra, não é apenas uma questão de inclusão, mas uma oportunidade de se conectar genuinamente com um público consumidor fiel e engajado. 

Reconheçam o nosso pioneirismo, valorizem a nossa expertise e invistam no nosso potencial. O futuro da beleza no Brasil passa, inevitavelmente, pelo reconhecimento e valorização da diversidade. Chegou a hora de olharem para a nossa pele, a nossa voz, a nossa história. E, juntos, vamos continuar escrevendo essa história! 

Ashley Walters chegou a se arrepender de ter aceitado o papel em ‘Adolescência’: “Estava tão inseguro”

0
Foto: Cortesia da Netflix © 2024

A estrela de ‘Adolescência’, Ashley Walters, abriu o coração sobre os desafios de interpretar o seu personagem na aclamada minissérie da Netflix – e revelou por que, a princípio, se arrependeu de ter aceitado o papel. A produção tem sido um dos assuntos mais comentados desde sua recente estreia no streaming. Com uma abordagem inovadora, cada episódio é uma única cena contínua, criando uma experiência intensa para o público – e para os atores.

Segundo a sinopse oficial, a produção de quatro episódios, conta a história de como a realidade de uma família é virada do avesso quando Jamie Miller (Owen Cooper), de 13 anos, é detido pelo homicídio de uma adolescente que frequenta a mesma escola que ele. Stephen Graham interpreta o papel do pai de Jamie e ‘adulto modelo’, Eddie Miller. Ashley Walters interpreta o papel do Detetive Inspetor Luke Bascombe, e Erin Doherty é Briony Ariston, a psicóloga clínica destacada para o caso de Jamie.

Segundo Walters, conhecido por seu papel em ‘Top Boy’, o convite veio diretamente de seu “amigo e mentor” Graham, que também é cocriador da minissérie. “Teria dito sim… independentemente de qual seria o trabalho”, admitiu. Pois segundo ele “Você nunca diz não a Stephen Graham”, contou ao Leicestershire Live.

Foto: Cortesia da Netflix © 2024

Mas assim que pisou no set e percebeu a grandiosidade da produção, lhe bateu o choque de realidade. Ele confessou que “se arrependeu pra caramba”, e se sentia perdido.

No primeiro episódio, seu personagem assume o protagonismo em uma longa cena contínua de 70 minutos, sem cortes. “Todos os dias, Phil [Barantini, diretor] dirá a você, eu estava em lágrimas! Todos os dias eu ia para casa chorando no meu roteiro”, revelou.

O ator descreveu a filmagem de ‘Adolescência’ como “a coisa mais difícil do mundo”: “Eu estava tão inseguro e é muita coisa. Eu tive que aprender o roteiro inteiro”. E relembrou: “E eu tinha muito a dizer naquele primeiro episódio. E você está liderando muito disso também. Muito disso é jargão policial e sei lá o quê”.

Foto: Cortesia da Netflix © 2024

No fim das contas, ele superou o desafio e entregou uma atuação que já está sendo aclamada pelas críticas e pelo público. Veja o trailer abaixo:

“Magazine Dreams” estreia com elogios e marca retorno de Jonathan Majors ao cinema

0
Foto: Briarcliff Entertainment

Dois anos após sua première no Festival de Sundance e uma série de contratempos que quase enterraram o projeto, o filme Magazine Dreams, estrelado por Jonathan Majors, chegou aos cinemas norte-americanos com altíssima aprovação da crítica e marcando o retorno do ator às telonas. O longa, que foi abandonado pela Searchlight Pictures em 2023 após as acusações de agressão doméstica contra Majors, foi resgatado pela Briarcliff Entertainment e tem sido aclamado pela atuação do ator, após a estreia oficial nos Estados Unidos nesta sexta (21).

Com 83% de aprovação no Rotten Tomatoes, Magazine Dreams, que não tem data de estreia no Brasil, consolida Majors como um dos talentos mais impressionantes de sua geração, mesmo em meio às polêmicas que abalaram sua carreira. O filme, que chegou a ser cotado como uma das principais apostas para a temporada de premiações de 2024, ressurge como um símbolo de resiliência tanto para o ator quanto para a produção, que enfrentou incertezas após a condenação de Majors por assédio e agressão à ex-namorada Grace Jabbari.

A estreia do filme também reacendeu o debate sobre o apoio que Majors tem recebido, especialmente da comunidade afro-americana. Em entrevistas recentes, Jonathan Majors falou sobre sua gratidão pelo suporte de colegas e fãs, que o incentivaram a não desistir de sua carreira. “Houve um momento em que eu queria desistir de mim mesmo, mas não pude. E olhar para cima e ver amigos, colegas, irmãos… eles dizem: ‘Ei, cara, sim, você estava embaixo, mas agora acreditamos em você.’ E essa é a parte mais importante”, disse Majors em entrevista ao The Sherri Shepherd Show.

A apresentadora Sherri Shepherd, que se emocionou durante a conversa com o ator, destacou a sensibilidade de Majors ao retratar seu personagem, Killian, um homem que “passa pelo mundo de uma maneira diferente”. “Ver você interpretar esse personagem tocou meu coração. Você o fez de forma tão linda”, afirmou Shepherd, cujo filho enfrenta desafios semelhantes aos do protagonista.

Apesar dos elogios e do sucesso crítico de Magazine Dreams, o futuro de Majors na indústria ainda é incerto. O ator foi demitido da Marvel Studios, onde interpretava Kang, o Conquistador, e perdeu outros projetos de grande visibilidade. No entanto, ele segue determinado a reconstruir sua carreira e sua imagem. “Quero continuar contando histórias. Quero fazer arte. Tudo o que posso fazer é seguir em frente”, disse Majors em entrevista à Variety.

BNDES lança edital para arquitetos negros desenvolverem soluções inovadoras para a Pequena África

0
Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

No Dia Internacional da Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, nesta sexta-feira (21), o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) lançou um edital, no Rio de Janeiro, que busca transformar um dos territórios mais simbólicos da cultura afro-brasileira. O Concurso BNDES Pequena África busca equipes lideradas por arquitetos ou urbanistas negros e as inscrições vão até 15 de maio de 2025.

A iniciativa faz parte do projeto de estruturação do Distrito Cultural Pequena África, coordenado pelo Consórcio Valongo Patrimônio Vivo.

O evento contou com a presença das ministras da Igualdade Racial, Anielle Franco, da Cultura, Margareth Menezes, e dos Direitos Humanos e Cidadania, Macaé Evaristo. Também participaram a deputada federal Benedita da Silva, a diretora de Pessoas do BNDES, Helena Tenório, e os presidentes da Fundação Palmares, João Jorge Rodrigues dos Santos, e da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), Marcelo Freixo.

Localizada na zona portuária do Rio, a Pequena África tem forte relevância histórica e cultural para a identidade negra no Brasil. O concurso busca soluções inovadoras para valorizar o território, promovendo melhorias urbanísticas e integrando marcos patrimoniais e econômicos de grande importância.

“Fortalecer a Pequena África é resgatar uma parte fundamental da nossa história, que precisa ser valorizada e não mais apagada, como foi por décadas. O Brasil tem uma dívida histórica com a população negra, que foi arrancada escravizada, torturada e trazida à força ao país em condições degradantes. O Cais do Valongo, na região da Pequena África, foi o maior porto de chegada de africanos escravizados no mundo. É uma história que precisa ser lembrada, para que jamais se repita”, ressaltou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

De acordo com Helena Tenório, a elaboração do concurso envolveu uma ampla escuta na região, com mais de 150 horas de oficinas e uma pesquisa de opinião que entrevistou mais de 600 pessoas. “Todo esse material precisa ser levado em consideração pelos arquitetos e urbanistas para propor soluções para a Pequena África. O BNDES assim espera ajudar a transformação e a potencialização dessa região que já é uma das mais visitadas do Rio de Janeiro”, explicou a diretora de Pessoas do Banco.

Sobre o concurso

As propostas para a Pequena África podem envolver desde soluções arquitetônicas e estratégias de mobilidade até ações culturais, educativas e tecnológicas, sempre com foco na valorização do patrimônio, no estímulo à economia criativa e na ampliação do acesso à cultura. Conforme descrito no edital, os projetos devem contribuir para um ambiente urbano integrado e funcional.

Entre os eixos previstos, estão intervenções como comunicação visual, mobiliário urbano e outras soluções de pequeno porte, que dialoguem com a identidade local e consolidem a região como referência cultural e social. A iniciativa busca fortalecer a Pequena África como um museu a céu aberto, conectando passado e presente para projetar um afrofuturo enraizado no território.

O edital incentiva a formação de equipes multidisciplinares, permitindo a participação de profissionais de áreas como arqueologia, comunicação visual, educação, design e história. As inscrições estarão abertas até as 23h59 do dia 15 de maio para propostas individuais ou coletivas que estejam alinhadas à realidade e cultura local.

Os três melhores projetos serão premiados. O primeiro colocado receberá R$ 78 mil, o segundo R$ 39 mil e o terceiro R$ 13 mil.

Confira o edital aqui!

“Dói na alma”: O crime de racismo no futebol

0
Foto: Reprodução/Alexandre Durão

Os jornalistas esportivos, na sua maioria brancos, estão sendo obrigados a falar de racismo com uma frequência maior do que habitualmente se expressam. O caso mais recente aconteceu no dia 6 de março, na vitória do Palmeiras sobre o Cerro Porteño, por 3 a 0, pela Libertadores Sub-20, aos 36 minutos da segunda etapa. Luighi ao ser substituído, foi chamado de macaco pelos torcedores presentes. O jogador alertou, os policiais e a arbitragem da partida sobre o ocorrido, mas o árbitro Augusto Menendez ignorou e deixou o jogo seguir normalmente.

Luighi deu um dos mais importantes depoimentos sobre racismo que marcou o mundo de comunicações. “Dói na alma. E é a mesma dor que todos os pretos sentiram ao longo da história, porque as coisas evoluem, mas nunca são 100% resolvidas. O episódio de hoje deixa cicatrizes e precisa ser encarado como é de fato: crime. Até quando? É a pergunta que espero não ser necessária ser feita em algum momento. Por enquanto, seguimos lutando”, publicou o atleta palmeirense no Instagram.

Tenho acompanhado diariamente os programas esportivos e as manifestações dos jornalistas, que têm sido obrigados a se manifestarem sobre o episódios de racismo. O que impressiona é que são falas rápidas de indignação. Alguns mostram sua ignorância e despreparo em relação a complexidade do racismo, e outros sempre falantes se refugiam no silêncio ou na fala de obviedades.

O fato novo é o envolvimento da Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL), que é uma instituição esportiva internacional que organiza, desenvolve e controla competições de futebol como o torneio da Libertadores. Uma entidade que tem um histórico de inação e omissão em casos de racismo em torneios desportivos. E a última declaração do presidente da Conmebol dá uma ideia de como o racismo faz parte do cotidiano.

Após um discurso em português em que condenou o racismo, mas não anunciou nenhuma medida para combatê-lo, o presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, fez uma analogia envolvendo um macaco ao citar a possibilidade de a Libertadores não ter clubes brasileiros. Perguntado na segunda-feira à noite se imaginava como seria uma Libertadores sem os clubes brasileiros, Domínguez respondeu da seguinte forma ao site BolaVip: “Seria como o Tarzan sem a Chita”. E deu uma risada sarcástica.

É inconcebível a analogia com o chimpanzé que atuava nos filmes de Tarzan. Não há como ele ignorar que uma das manifestações racistas mais frequentes nos estádios são torcedores imitando macacos. Em vez de punir os racistas, Domínguez se uniu a eles. Os mais velhos vão se lembrar de que o clássico personagem das selvas africanas, Tarzan, era sempre acompanhado de sua fiel escudeira, a chimpanzé Chita, em uma jornada com claro viés colonialista e racista.

A forma sarcástica e racista que o dirigente se comunica dá uma nítida noção de desprezo pelas vítimas do racismo bem como aos dirigentes de clubes brasileiros. O racismo fere a dignidade humana, e não pode ser contemporizado com declarações de desculpas e alegadas brincadeiras.

A América do Sul está sendo levada a discutir ações contra o racismo, e rever como cada país trata do tema em suas legislações. O Brasil passa a ser a referência. Fruto de lutas do movimento negro e lideranças, que desde o século XIX lutam por direitos para a população negra. Estamos em um momento favorável a uma articulação dos negros na diáspora na América do Sul. O Brasil poderia financiar e promover um encontro dos negros na América do Sul para juntos promover uma ação coletiva contra o racismo.

Camila Pitanga escreveu cena final de sua personagem, Lola, de Beleza Fatal, em colaboração com o autor Raphael Montes

0
Foto: Adriano Vizoni/Pivô Audiovisual, Maria de Médicis/Divulgação

O escritor Raphael Montes, responsável pelo sucesso da novela “Beleza Fatal”, primeira produção original da Max, revelou detalhes sobre o processo criativo do último capítulo da trama, que chega ao fim nesta sexta-feira (21), às 20h. Em entrevista recente ao podcast “Um Milk-Shake Chamado Wanda”, Montes contou que a atriz Camila Pitanga, intérprete da icônica vilã Lola, não apenas sugeriu mudanças no roteiro, mas também participou ativamente da construção da cena final em um encontro especial.

Segundo o autor, Pitanga entrou em contato com ele para falar sobre suas opiniões sobre o desfecho da personagem. “Ela me ligou e falou assim: ‘Rapha, cara, não acho que essa cena está do jeito que tem que ser’”, revelou Montes. A partir daí, os dois decidiram se encontrar pessoalmente para ajustar a cena. “Fomos juntos para a praia e escrevemos o final lá. Foi uma experiência incrível, de muita troca e criatividade”, contou o autor.

Montes destacou a importância da colaboração de Camila Pitanga no processo. “Construímos juntos a cena. E essa intimidade, essa troca, você só consegue tendo esse tipo de relação. Ela até comentou: ‘Cara, eu nunca tive isso com os autores’. Ou seja, foi uma construção coletiva, o mérito não é só meu”, afirmou.

O autor também elogiou a atuação de Pitanga, descrevendo Lola como uma “gênia absoluta” e ressaltando a capacidade da atriz de transitar entre a malícia da vilã e a doçura que demonstra fora das câmeras.

A novela, que estreou em janeiro, acompanha a jornada de Sofia (Camila Queiroz), uma jovem que vê sua vida virar de cabeça para baixo após a prisão injusta de sua mãe, causada pela prima Lola. Sem rumo, Sofia é acolhida pela família Paixão, liderada pela matriarca Elvira (Giovanna Antonelli), que enfrenta a tragédia de ter a filha Rebeca hospitalizada após uma cirurgia plástica malsucedida.

A trama explora temas como vingança, justiça e redenção, enquanto Sofia e a família Paixão buscam respostas e reparação pelos crimes cometidos contra eles. No entanto, o reencontro da protagonista com um amor de infância coloca tudo em perspectiva, levando-a a questionar suas escolhas e descobrir que a justiça pode ter um preço mais alto do que imaginava.

Sobre a possibilidade de uma continuação, Montes foi enfático: “A história acaba como tem que acabar. Não fiz pensando em continuar, não tem gancho, não tem nada, é lindo”.

Juíza é alvo de ataques racistas em petição escrita pelo advogado José Francisco Barbosa Abud: “resquícios de senzala”

0
Foto: Reprodução

Um advogado do Rio de Janeiro está sendo acusado de racismo após enviar uma petição à juíza Helenice Rangel, da 3ª Vara Cível de Campos dos Goytacazes, contendo trechos considerados racistas e ofensivos. No documento, José Francisco Barbosa Abud se referiu à magistrada como “magistrada afrodescendente com resquícios de senzala e recalque ou memória celular dos açoites” e mencionou “decisões prevaricadoras proferidas por bonecas admoestadas das filhas das Sinhás das casas de engenho”.

De acordo com a juíza, o comportamento inadequado do advogado não é recente. Ela relata que ele já vinha enviando e-mails debochados, irônicos e desrespeitosos, além de utilizar palavras de baixo calão, principalmente dirigidas a magistradas e servidores. “Sua conduta é ameaçadora. Precisamos dar um basta a essa sensação de impunidade”, afirmou Helenice Rangel em despacho.

O caso foi remetido ao juiz Leonardo Cajueiro Azevedo após a magistrada se afastar do processo. Cajueiro encaminhou o caso ao Ministério Público, solicitando a instauração de um procedimento criminal para apurar possíveis crimes de racismo, injúria racial e apologia ao nazismo. O advogado José Francisco Barbosa Abud já é investigado internamente pela OAB.

A presidente da Seccional Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), Ana Tereza Basilio, determinou a abertura imediata de uma investigação para apurar a conduta do advogado. “Racismo é crime e deve ser combatido por toda a sociedade”, afirmou a juíza Eunice Haddad, presidente da Associação dos Magistrados do Estado do Rio (Amaerj), que classificou o caso como “inaceitável”.

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) emitiu uma nota manifestando solidariedade à juíza Helenice Rangel e repudiando as manifestações racistas do advogado. “Tais condutas são incompatíveis com o respeito exigido nas relações institucionais e configuram evidente violação aos princípios éticos e legais que regem a atividade jurídica”, diz o comunicado.

O TJRJ afirmou ainda que o caso foi encaminhado ao Ministério Público e à OAB para apuração rigorosa das responsabilidades nas esferas criminal e disciplinar. “O comportamento do advogado, além de atingir diretamente a honra pessoal e profissional da magistrada, representa uma grave afronta à dignidade humana e ao exercício democrático da função jurisdicional”, concluiu a nota.

José Francisco Barbosa Abud pode enfrentar sanções tanto na esfera criminal quanto na ético-profissional, dependendo do resultado das apurações.

‘Racismo custa caro para os negócios’, CEO do MOVER ressalta impacto econômico da discriminação

0
Foto: Divulgação

O Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, celebrado nesta sexta-feira (21), tem um significado ainda mais importante considerando a onda racista e conservadora que tem influenciado empresas a reverter programas que promovem a diversidade: “No Brasil, há um potencial significativo para liderar políticas inclusivas devido a fatores sociodemográficos, políticos, históricos e jurídicos favoráveis”, destacou Natália Paiva, diretora-executiva do MOVER (Movimento pela Equidade Racial), durante entrevista para o Mundo Negro.

Para a executiva, a diversidade e inclusão são importantes para além do ponto de vista moral, trazendo retornos financeiros positivos para os negócios: “Há cada vez mais evidência sobre o impacto positivo de times diversos em vetores como inovação e performance. Além disso, do ponto de vista de cultura, colaboradores valorizam cada vez mais ambientes diversos, inclusivos e plurais – principalmente os das novas gerações. Consumidores e clientes estão cada vez mais escrutinizando as práticas de diversidade das empresas – em muitos casos, exigindo padrões mínimos para a contratação de serviços –, colocando pressão sobre o negócio”, explica.

“Racismo custa caro para os negócios, e lideranças e empresas que percebem isso certamente estão mais bem preparadas para o sucesso”, pontua Natália Paiva. Ela também lembra que: “empresas que não adotam políticas de diversidade, equidade e inclusão correm o risco de se desconectar de uma parcela significativa do mercado e da sociedade, especialmente no Brasil, onde a população preta e parda representa 56%”.

O movimento, que atua para conscientizar e fomentar o desenvolvimento de carreira e negócio de pessoas negras, afirma ter apoiado a geração de mais de 2.000 cargos de liderança para profissionais negros apenas em 2024. Mesmo com bons resultados, o esforço de promover equidade racial no mercado de trabalho, sobretudo nos cargos de liderança, ainda é um desafio.

No ano passado, a pesquisa “Lideranças em construção: por que a trajetória de profissionais negros é tão solitária?”, realizado pela Indique uma Preta, consultoria especializada em Diversidade & Inclusão, e a Cloo, empresa de investigação e consultoria comportamental, mostrou que pessoas negras ocupam apenas 8% dos cargos de liderança.

Natália explica que alguns mitos sobre diversidade ainda impedem empresas de investir no tema. “O primeiro é de que se trata de algo simples, que pode ser tocado de maneira informal ou, quando há time dedicado, que se trata de uma obrigação apenas deste, em geral subdimensionado e com orçamento insuficiente. Pelo contrário, para colher resultados concretos é necessário o comprometimento das lideranças, uma correta alocação de recursos e o estabelecimento de planos e metas com responsabilidade compartilhada. Acima de tudo, é preciso reconhecer que esta é uma agenda complexa, que precisa ser transversal e multifuncional”.

Além disso, a executiva relembra que além do impacto social, a diversidade é “um vetor relevante para a sustentabilidade da organização e para o sucesso dos negócios”. “Outro mito relevante é de que não há talentos negros qualificados para posições de liderança. Sim, é crucial investir na capacitação e na formação de pessoas negras para superar as disparidades socioeducacionais históricas. Porém, há muitos talentos negros que seguem invisibilizados e subrepresentados no mercado de recrutamento, que depende excessivamente de redes de contatos. Precisamos diversificar também as fontes de busca, além de monitorar vieses e repensar nossos conceitos de liderança”.

“No Brasil, há um potencial significativo para liderar políticas inclusivas devido a fatores sociodemográficos, políticos, históricos e jurídicos favoráveis. O MOVER trabalha para garantir que a equidade racial continue no centro das decisões corporativas. Além disso, reforça a importância da consistência nas políticas de diversidade, garantindo que elas sejam vistas como estratégicas para inovação e competitividade, e não apenas como respostas a tendências globais”, finaliza.

error: Content is protected !!