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Acervo de peças de religiões de matriz afro-brasileira, apreendidas em 1889, passam a integrar ao Museu da República

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Na segunda-feira (21), o Museu da República recebeu um precioso acervo de religiões de matriz africana. Fruto de grande mobilização do movimento “Liberte Nosso Sagrado” que conseguiu a importante vitória com a assinatura do termo de transferência do acervo da Polícia Civil ao Museu da República.

Breve histórico


O material que integra o acervo, que estava sob tutela da Sepol, conta com objetos sagrados para as religiões de umbanda e candomblé, apreendidos entre 1889 e 1945. Tais violações ocorreram nas primeiras décadas da República, particularmente nos anos 1920 e 1930, ainda que desde a Carta Constitucional de 1891 já se estabelecesse no país o Estado laico e a liberdade de crença e culto. 

Os objetos apreendidos a partir dessas invasões foram depositados no Museu da Polícia Civil do Rio de Janeiro, compondo, ao lado de outros materiais apreendidos por forças policiais, exposições organizadas na instituição. Em 1999, quando a sede desse Museu é transferida para o prédio histórico da Rua da Relação, nº 40, no centro carioca, todos os objetos da Coleção Museu de Magia Negra foram guardados em caixas e assim permanecem até o momento, com acesso vetado ou muito restrito de pesquisadores e da
comunidade de terreiro.

O acervo


Trata-se hoje de 523 peças. O seu primeiro conjunto reunia 126 peças que, em 1938, foram tombadas pelo então Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional-SPHAN, atual Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional-IPHAN, constituindo o primeiro tombamento etnográfico do país inscrito no Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico. Neste ano de 2020, a transferência desses objetos para o Museu da República foi acordada entre a Secretaria de Estado da Polícia Civil, o Museu da Polícia do Rio de Janeiro, o Instituto Brasileiro de Museus e o Museu da República, com amplo apoio do povo do terreiro, de autoridades políticas, artistas e intelectuais engajados na campanha Liberte Nosso Sagrado, formalizada em 2017 para reivindicar a retirada desse acervo do Museu da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

A transferência da Coleção ”Museu de Magia Negra” para o Museu da República é um passo preciso na direção de projetos que lancem luz sobre esse patrimônio cultural, garantindo, não somente a sua organização, preservação, comunicação e acesso, mas também justiça e reparação social, com afirmação do direito e do respeito à diversidade religiosa brasileira. E um dos primeiros passos rumo a mais avanços, nesse sentido, também vale destacar a reivindicação dos povos de terreiro para a troca do nome da coleção para Acervo Sagrado Afro-Brasileiro e assegurar medidas que visem garantir a cessão definitiva do acervo.


Transporte e recebimento


A verificação técnica do acervo foi conduzida por uma equipe do Iphan e do Departamento Regional de Museus, e entre os dias 16 e 18 foi feita a embalagem de todo o acervo, por empresa especializada. Na manhã de segunda-feira (21), o acervo chegou ao Museu da República e, em função do isolamento social, ocorreu uma cerimônia simbólica reservada às Yalorixás e Babalorixás representando toda a comunidade dos povos de santo.
O ato contou com a presença de lideranças religiosas da Umbanda e do Candomblé, com destaque para Mãe Meninazinha de Oxum – uma das pioneiras em todo o processo há mais de 30 anos. Além de técnicos do Museu da República, do Iphan, e representantes do Ministério Público Federal.  

A história do acervo virou filme


Em 2017 essa história foi contada a partir desses objetos sagrados e mostra como as comunidades tradicionais de terreiro eram criminalizadas, seus religiosos perseguidos e seus objetos sagrados apreendidos. O documentário Nosso Sagrado, (dirigido por Fernando Sousa, Gabriel Barbosa e Jorge Santana) produzido pela Quiprocó Filmes em parceria com a campanha Liberte Nosso Sagrado, impulsionada por diversas lideranças religiosas e organizações da sociedade civil, traz à tona o passado dessas comunidades. Além, também, da coleção que levava o nome de “Museu Magia Negra” e o processo para libertar os objetos sagrados que estavam há mais de 100 anos no antigo DOPs do Rio de Janeiro. O documentário foi licenciado para o Canal Futura e, atualmente, está disponível na plataforma kweli.tv


Assista ao trailer

Raphael Logam é um dos finalistas na 48ª edição do Emmy Internacional de 2020

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Nesta quarta-feira (24) foram anunciados os finalistas na 48ª edição do Emmy Internacional de 2020. Entre os indicados está o ator Raphael Logam que concorre pela segunda vez ao prêmio de Melhor Ator por Impuros, série exibida na Fox.

“Eu amo a minha Família e meus Orixás….Um beijo na boca de todo mundo da equipe!
Avante, meu povo!”, comemorou o ator em publicação feita em seu Instagram.

Impuros se passa no Rio de Janeiro dos anos 1990, em um território conflagrado por problemas sociais e onde a oportunidade do crime é muito tentadora, Evandro (interpretado por Raphael) enfrenta as complexidades do mundo do tráfico e a relação complicada com a própria mãe.

Dentre as produções brasileiras indicadas também está a novela Órfãos da Terra concorrendo ao prêmio de Melhor Telenovela e Elis – Viver é Melhor que Sonhar está entre as finalistas para Melhor Minissérie ou Filme para a TV.

Já a Record concorre com o programa Canta Comigo, que foi apresentado por Gugu Liberato, na categoria de Entretenimento não-roteirizado. E o Brasil ainda aparece na categoria Comédia com a série da Netflix ‘Ninguém Tá Olhando’, e com ‘Refavela 40’ em Melhor Programa de Arte.

Pode comemorar: Quinta temporada de “This Is Us” é adiantada

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This Is Us estava programada para voltar no dia 10 de novembro, com a quinta temporada, mas foi adiantada para o dia 27 de outubro com um especial de duas horas. A série é protagonizada por Milo Ventimiglia, Mandy Moore, Sterling K. Brown, Chrissy Metz, Justin Hartley, Chris Sullivan e Susan Kelechi Watson.

A série conta história da família Pearson que começa em 1979, no dia que os trigêmeos Jack, Kate e Randall chegam em casa da maternidade. Revelações sobre os pais Jack e Rebecca surgem nos momentos de amor, mas também de dor, e moldam para sempre a vida de todos.

Recentemente, o criador Dan Fogelman revelou que os novos episódios vão abordar a pandemia da Covid-19. “Decidimos atacar as coisas de frente. Estou muito orgulhoso dos roteiristas”, escreveu em uma publicação feita em agosto. Ele também disse que, apesar dos últimos acontecimentos, o final planejado para a série continua.

O seriado navega entre os anos 1980 e os dias atuais, contando a história das gerações da família Pearson. A produção foi renovada até a 6ª temporada – que pode ser a última. Os episódios estão disponíveis no Amazon Prime Video.

Justiça processa apenas um dos três policiais envolvidos na morte de Breonna Taylor por “conduta perigosa”

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A Justiça do estado americano de Kentucky anunciou, nesta quarta-feira (23), a abertura de um processo contra um dos policiais envolvidos no assassinato da técnica em emergências médicas Breonne Taylor, por “conduta perigosa”. Breonne foi morta a tiros pela polícia em sua própria casa, durante uma operação malsucedida. Ao menos três agentes brancos estavam envolvidos no episódio, mas o grande júri que analisou o caso decidiu pela denúncia de apenas um deles, o detetive Brett Hankison.

No sistema judicial americano, o grande júri, formado por cidadãos, analisa se as provas apresentadas pela Promotoria justificam a abertura de um processo formal contra um investigado. Caso seja condenado, o policial pode pegar até cinco anos de reclusão, segundo informou o procurador-geral de Kentucky, Daniel Cameron, que também é negro e filiado ao Partido Republicano. A Justiça também determinou a prisão de Hankison e estabeleceu uma fiança de US$ 15 mil (R$ 75 mil). A decisão, que não abriu processo contra nenhum dos agentes por homicídio, foi criticada pelo advogado da família de Taylor e por manifestantes, que iniciaram protestos na cidade de Louisville.

Logo após o anúncio da decisão, manifestantes tomaram as ruas de Louisville exigindo a responsabilização dos três policiais, todos. Protestos similares foram registrados em Nova York, Chicago e Milwakee. Aos gritos de “nenhuma vida importa até que vidas negras importem”, o ato no Kentucky foi majoritariamente pacífico até por volta de 20h30, meia-hora antes do toque de recolher imposto pelo governo entrar em vigor.

Segundo vídeos, os policiais lançaram diversos projéteis não letais para tentar pôr um fim ao protesto, quando tiros foram disparados em sua direção. Em entrevista coletiva, o chefe interino da polícia de Louisville, Robert Schroeder, confirmou que dois agentes foram baleados, mas não correm risco de vida. Um suspeito, de identidade ainda desconhecida, foi preso. Ao menos um manifestante foi ferido pela polícia.

Conheça as personalidades negras na lista de 100 pessoas mais influentes da “TIME”

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Reprodução

Na thread do twitter nosso colaborador Gerson Saldanha cita 12 personalidades negras que estão na lista das “100 pessoas mais influentes” da Time.

Megan Thee Stalion: que conseguiu seu primeiro hit #1 na hot 100 da Billboard com seu hit “Savage”, em participação com a Beyoncé. Há muito tempo, colaborações femininas não chegavam ao mais alto posto da @billboard

Ibram X. Kendi: Autor, historiador e estudioso sobre política racial e discriminatória nos Estados Unidos. Dono e proprietário do aclamadaço livro “Como ser antirracista”

Tomi Adeyemi: Escritora americana de ascendência nigeriana, cujo seu forte é ficção e fantasia. Pra quem não sabe ela é autora do livro “Filho de Sangue e osso”

The Weeknd: Hitmaker do ano, o canadense de 30 anos lançou inúmeros hits em 2020 com pegada retrô que, junto de Dua Lipa e outros artistas, acabaram se tornando a tendência musical do ano. A moral foi tão grande, que seu texto foi feito pelo Elton Jhon

Michal B Jordan: Dispensa apresentação, mas vamos falar, porque sim. O astro teve seu texto escrito por Denzel Washington que elogiou sua “ética de trabalho e desejo por excelência”.

Halsey: Num texto feito pelo BTS, onde eles tem um feat, o grupo enfatiza que o espírito da voz de “Closer” e outros hitaços, “brilha para além da música”.

Michaela Coel: A atriz de Chewing Gum, entra na lista em um belíssimo texto de Lena Waithe. Michaela teve muito destaque este ano pela série “I May Destroy You”, da HBO no qual fala sobre um caso em que foi estuprada.

Gabrielle Union e Dwayne Wade: A atriz e autora (best seller, ok? Rs) e seu marido o campeão da NBA (brabo) figuram na lista dos 100, ambos na categoria “titãs”. Quem os segue nas redes sabem o grande amor de ambos pela filantropia e pela flha Zaya.

Tyler Perry: O novo bilionário de Hollywood figura na lista com um trecho escrito por ninguém menos que Oprah, a mesma que discursou no seu “Governor Award”, entregue pelo Emmy no domingo.

Lewis Hamilton: O piloto que bate um recorde atrás do outro na F1, até esse final de semana, acumulou 91 vitórias no Grande Prêmio tá vindo com tudo para ser um dos grandes.

Fundadoras do Black Lives Matter (Patrisse Cullors, Alicia Garza e Opal Tometi) e num ano em que foi gritado mundialmente que vidas negras importam, é mais que merecida a entrada delas na lista.

Naomi Osaka: A tenista japonesa de 22 anos também vem fazendo história acumulando recorde atrás de recorde no tênis.

Dapper Dan: o estilista do Harlem, ficou famoso há mais de 30 anos com seu estilo hip hop conquistando grifes famosas mundialmente e se reinventa a cada ano que passa.

“Tardezinha” de Thiaguinho vira série documental no Globoplay

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A turnê “Tardezinha“, do cantor Thiaguinho, vai virar série documental do Globoplay. A produção, que terá quatro episódios, estreará na plataforma de streaming no dia 15 de outubro. No mesmo dia, o cantor também lançará um álbum, com 20 canções, registradas ao vivo.

O projeto musical foi idealizado por Thiaguinho e pelo ator Rafael Zulu. A série vai mostrar desde a concepção de “Tardezinha” até a última apresentação  no Macaranã, no Rio de Janeiro, no encerramento da série de shows que rodou o país – a apresentação teve os ingressos esgotados e mais de 40 mil pessoas presentes.

A turnê durou quatro anos e meio e promoveu o encontro de Thiaguinho com outros artistas no palco, interpretando clássicos do samba e do pagode dos anos 1990 e 2000.

Morre Gerson Combo, rei da black music brasileira

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Gerson King Combo, cantor pioneiro da black music brasileira e carioca, faleceu na noite desta terça-feira (22) aos 76 anos em decorrência de complicações em seu quadro diabético. Nascido no Rio de Janeiro em 30 de novembro de 1943, Gérson Rodrigues Côrtes era irmão de Getúlio Côrtes, autor da música “Negro gato”, famosa com Roberto Carlos e Luiz Melodia.

Ainda em vida, um documentário sobre a história do artista começou a ser produzido, com previsão de estreia para 2021. “Gerson King Combo – O filme”, é dirigido por Belisario Franca e David Obadia, que chegou a acompanhar momentos pessoais e públicos da vida da estrela da black music. 

Combo foi autor do hit “Mandamentos Blacks”, o maior sucesso da carreira dele, utilizado em trilhas sonoras de séries e filmes. O refrão ficou famoso por causa dos versos “Dançar como dança um black / Amar como ama um black / Andar como anda um black / Usar sempre o cumprimento black / Falar como fala um black / Eu te amo, brother.”

Além de cantar e compor, o artista também era dançarino, começando sua carreira dublando o Little Richard em programas de rádio. Outras facetas de King Combo foram as de paraquedista, jogador de futebol e perseguido político.

Conheça Ana Claudia, segunda colocada no Masterchef, que venceu a depressão ao criar uma marca que defende a diversidade

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Mulher, mãe e empreendedora. É assim que Ana Cláudia Silva, de 35 anos, se apresenta. A segunda colocada do Masterchef 2020 dessa semana é fundadora da Afra, marca com produtos escolares com foco na diversidade étnica e inclusão racial das crianças e adolescentes no ambiente escolar. A ideia é trazer identidade ao mercado de papelaria e progresso nos índices de ensino das crianças negras dentro das escolas.

No reality de culinária, Ana fez valer a cozinha raiz, algo que ela aprendeu ainda bem pequena, com sua mãe. “Participar do Masterchef foi uma experiência onde eu pude mostrar uma culinária que eu já tinha desde a minha infância. Cozinhar sempre foi um hobby e depois dos filhos (três), virou uma obrigação também. É uma atividade que eu tenho na minha rotina diária. Foi a minha mãe que me ensinou a cozinhar. Desde muito nova, eu já ajudava em casa”, lembra Claudia.

Um dos destaques da atração, a pedagoga acredita que ser uma mulher negra no Masterchef significa representar muitas outras:

Estou ali em meu nome, mas também em nome de muitas mulheres negras que cozinham quando chegam em casa depois de um dia inteirinho de trabalho. E tem também a questão de eu ser afroempreendedora e o meu negócio prega essa representatividade. Então, eu estava ali com a responsabilidade de ser uma mulher preta, mãe preta, afroempreendedora, que gosta de cozinhar, que está participando de um reality show, que tem a oportunidade de mostrar que podemos nos destacar, Tudo isso tem um peso.

Responsabilidades e desafios sempre foram a força de Ana. Principalmente quando ela enfrentou uma grave depressão, em 2017. “Eu trabalho com pedagogia e tive um período complicado no sentido emocional. Resolvi voltar a estudar e descobri o afroempreendedorismo. Depois de muita pesquisa, em setembro de 2018, criei a minha marca, onde ofereço tanto linha de vestuário profissional voltado principalmente para professores, como uma linha de papelaria que trabalha a diversidade. Sempre achei péssimo os meus filhos não acharem um caderno ou uma mochila, por exemplo, que não tivesse qualquer referência com os traços negros deles. Então, eu resolvi criar”, lembra Ana, que finaliza.

Sempre tive consciência racial sobre a mulher preta que sou e isso me inspirou a querer fazer a diferença em tudo que toco, seja com a minha marca ou como a mulher negra que está representando muitas outras no Masterchef Brasil.

“Estou muito orgulhosa”: Michelle Obama parabeniza Zendaya pela vitória no Emmy

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Mandatory Credit: Photo by STR/EPA-EFE/Shutterstock (10495082f) Former US first lady Michelle Obama smiles as she meets with Vietnamese students in Can Giuoc district, Long An province, Vietnam, 09 December 2019. Michelle Obama and US actress Julia Roberts are in Vietnam to promote girls' education, ahead of their visit to Malaysia for the Obama Foundation's Leaders: Asia-Pacific conference. Former US first lady Michelle Obama visits Vietnam, Can Giuoc, Viet Nam - 09 Dec 2019

Zendaya levou o prêmio de Melhor Atriz em Série Dramática no Emmy 2020, que ocorreu neste domingo (20). A vitória vem em resposta à atuação da artista em Euphoria, tornando-a a vencedora mais jovem da categoria.

Lançada em junho, a primeira temporada de Euphoria fez bastante sucesso ao acompanhar um grupo de estudantes do ensino médio enquanto eles lidavam com problemas envolvendo drogas, sexo, busca pela identidade, traumas e redes sociais.

Nesta terça-feira (22), a ex-primeira dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, parabenizou a atriz em uma live no Instagram para promover o dia nacional do registro eleitoral.

Parabéns! Eu assisti, garota, assisti a cada episódio [da série]. Estou muito orgulhosa de você. Olhe só para você

Na disputa pela mesma estatueta de Zendaya, estavam nomes como Olivia Colman (“The Crown”), Laura Linney (“Ozark”), Jennifer Aniston (“The Morning Show”), Jodie Comer (“Killing Eve”) e Sandra Oh (“Killing Eve”).

Esse é o primeiro Emmy da carreira de Zendaya. Ao receber o prêmio, ela fez um discurso todo emocionado. Confira:

Lourenço Cardoso provoca a academia em obra sobre brancos que usam negros como objetos de estudo

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O historiador e escritor Lourenço Cardoso - Foto: Arquivo pessoal

“A inteligência negra chega na academia, passa a disputar os mercados totalmente pertencentes aos brancos. Os negros possuem, neste caso, maior profundidade e qualidade de maneira geral. Diante disso, ante um provável prejuízo econômico e de prestígio, o branco se protege, esse é o seu movimento, movimento de defesa. Numa disputa justa com o negro ele perderia”. Essa fala é de Lourenço Cardoso, homem negro, Professor do Instituto de Humanidades na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) e Doutor em Ciências Sociais pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) – Campus de Araraquara.

Cardoso lança o livro “O branco ante a rebeldia do desejo: Um estudo sobre o pesquisador branco que possui o negro como objeto científico tradicional. A branquitude acadêmica. (Volume 2. Curitiba. Editora Appris, 2020). Nessa obra , o acadêmico quer trazer uma reflexão necessária sobre como o negro têm sido assunto de estudos de acadêmicos brancos, que muitas vezes se distanciam da sua branquitude na sua produção científica. “O branco persiste no lugar daquele que vai falar a respeito de tudo, inclusive sobre o negro”, argumenta o professor.

Capa da obra de Lourenço Cardoso

Nossa editora Silvia Nascimento conversou com Lourenço para entender mais sobre branquitude e como muitas vezes as estruturas racistas permanecem até quando o negro é o objeto de estudo de pessoas brancas.

Mundo Negro: Para você o que melhor define a branquitude?

Lourenço Cardoso: A branquitude é um conceito, um termo, uma palavra que tem sido utilizada para pensar, problematizar, os conceitos, os termos as palavras anteriores como, branco, identidade racial. A palavra branquitude antes era praticamente inexistente no nosso vocabulário acadêmico, ativista, popular. Todavia, nesses últimos anos, tem sido mais acionada com usos e sentidos múltiplos. Na verdade, desde sempre, na história desse conceito é colocado que branquitude se refere a uma identidade racial que procurava se ocultar. Por outras palavras, diz respeito a identidade branca, a existência social branca, sua identidade racial lhe confere vantagens simplesmente por ser branco. A branquitude como palavra, conceito, termo tem colocado em tensão o branco, a ideia de branco, a identidade branca. O branco que enquanto grupo ou indivíduo sempre procurou se esquivar da discussão sobre o conflito racial, desviando a atenção do seu lugar na sociedade racializada. A partir da palavra branquitude, na Internet por exemplo, o branco tem sido questionado. Isto gera incomodo porque o branco se encontra no lugar de opressor e explorador no contato racial. O branco ao procurar se silenciar a respeito da questão racial, procura se omitir da sua responsabilidade. É possível observar que o branco fica mais aborrecido quando a crítica dirigida parte do negro e da negra, se a crítica vem do branco, ele aceita melhor, quando vem da comunidade negra considera inadmissível, geralmente. Essa atitude arrogante representa a persistência da mentalidade colonial, um posicionamento de quem ainda se considera superior.

De que forma entender o que é branquitude ajuda no combate ao racismo?

O grupo a pessoa que pratica a ação é o branco nas sociedades racializadas como o Brasil e os Estados Unidos. A estrutura racista traz vantagem para ele. O conceito desigualdade racial significa vantagem para o branco por ser branco. Não somente desvantagem ao negro por ser negro. Numa ótica sistemática a desvantagem negra está relacionada a vantagem branca. Na prática, o conceito, a palavra branquitude problematiza o branco, questiona a pessoa e grupo que obtêm vantagens com a opressão e a exploração racial. O foco exclusivo no negro invisibilizando o branco torna a compreensão do fenômeno difícil. Problematizar somente o negro faz com que as propostas para resolução de conflitos racistas tornem-se ineficientes para uma solução definitiva. Não é o melhor caminho pensar somente naquele que enfrenta a ação, deixando de lado aquele que pratica o ato. No caso a prática de opressão e de exploração racista.

O seu livro volta o olhar para o branco que estuda o negro. A necessidade desse estudo surgiu de alguma inquietação sua?

Foi um caminho natural. O branco cientista estuda o negro, portanto, o negro é seu tradicional “objeto” científico. Durante muito tempo sendo tratado como “coisa”, exatamente isso. O negro e a negra entraram na universidade, no primeiro momento, serão formados pelos brancos, no segundo período, serão formados por negros e por brancos, apesar de que na universidade permanece a hegemonia branca. O negro acadêmico passa a estudar o negro, assim como o branco já estudava. Diante disso, o caminho natural foi olhar para outra direção, olhar o branco, problematizar o branco, não se restringir apenas ao negro, a negra sua história, cultura, etc. Sou produto desse momento de inversão metodológica que foi inaugurado pelo pensador negro Guerreiro Ramos. Uma questão fundamental que se coloca em meu livro é a seguinte? Por que o branco pensa o negro e não pensa em si?

No primeiro momento, a negra e o negro eram formados pelos orientadores brancos. No segundo período já existem orientadores brancos, negros, etc. Desde 1990, a produção acadêmica negra sobre a epistemologia negra, e mais recentemente a respeito do branco, tem se consolidado, existem muitos trabalhos, produções de conhecimentos excelentes. Nessa pauta, o negro e a negra se tornaram os maiores especialistas em regra. Inclusive os orientadores brancos aprenderam sobre a questão negra também a respeito da continente africano quando exerceram a função profissional de orientar jovens e também velhos pesquisadores negros e negras. Um crédito que intelectualidade negra possui que nunca é verbalizada, reconhecida. Qual orientador branco que não foi muitas vezes orientado pelo orientando negro? Qual orientador branco que não aprendeu muito a respeito sobre o que seria o seu tema de pesquisa principal com os orientandos negros e negras?

O qual o cenário dos intelectuais negros nesse contexto?

A inteligência negra chega na academia, passa a disputar os mercados totalmente pertencentes aos brancos. Os negros possuem, neste caso, maior profundidade e qualidade de maneira geral. Diante disso, ante um provável prejuízo econômico e de prestígio, o branco se protege, esse é o seu movimento, movimento de defesa. Numa disputa justa com o negro ele perderia. Logo, o branco faz uso do pacto narcísico, pacto entre brancos para manutenção da vantagem racial, conceito da intelectual negra Maria Aparecida da Silva Bento.

O pacto narcísico opera, o branco chama o branco para espaços de difusão jornalística, cultural, científica, etc., e mantém a vantagem racial do grupo. O branco persiste no lugar daquele que vai falar a respeito de tudo, inclusive sobre o negro. O negro e a negra estão em movimento de choque para quebrar isso, por isso ocorre o aumento da tensão que acompanhamos nas redes sociais e outros meios.

“A cidade negra” (o negro e negra) pode e deve falar academicamente, ou não, a respeito de tudo, não apenas sobre o negro e agora o branco. Isto acontece, já está acontecendo com maior força, os adolescentes e jovens “youtubers” têm executado uma pluralidade temática a respeito do Brasil. Em resumo, a intelectualidade branca realiza um pacto narcísico para defesa dos seus mercados, para não dividirem seus ganhos materiais e simbólicos. Neste caso, estou me restringindo ao aspecto econômico. Para eles, neste caso, o negro persiste somente como objeto de pesquisa e no máximo de consumo para os seus livros sobre questão racial negra ou branca.

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