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Como o exercício físico potencializa a criatividade de pessoas pretas?

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Foto: magnific

O movimento nos traz muitos benefícios para a saúde e uma delas é aprimorar a nossa criatividade!

Por: Juliana Oliveira

Estamos acostumados a associar a criatividade nos âmbitos da arte, música ou inovação, mas ela também nasce no movimento. Enquanto nos exercitamos, seja em qualquer tipo de modalidade, o cérebro aumenta a liberação de neurotransmissores como: dopamina, serotonina e endorfina, substâncias relacionadas ao bem-estar, à motivação e à capacidade de encontrar soluções para problemas. Ou seja, movimentar o corpo também movimenta ideias, aprimorando nosso lado criativo.

Para pessoas pretas, esse processo tem um impacto ainda mais profundo. A população negra convive, com maior frequência, com muitas situações de estresse como: situações de racismo, estresse crônico e sobrecarga emocional, são fatores que quando afetados, desregulam funções cognitivas como atenção, memória e criatividade. O exercício físico auxilia na redução de todo estresse, melhorando e criando espaços para novas ideias.

Temos alguns exemplos no aspecto cultural de como o exercício físico ajuda, cotidianamente, a população negra. Muitas manifestações corporais negras sempre foram espaços de criação coletiva. Da capoeira ao passinho, do breaking ao dancehall, do hip-hop às danças afro-brasileiras: movimento nunca foi apenas exercício para nossa população e sim, um ato de resistência e identidade. O corpo preto produz cultura quando se movimenta.

Alguns ambientes que valorizam a cultura preta fazem esse sentimento de pertencimento ser ainda mais significativo. Quando um corpo preto frequenta um local onde a música, estética e história são celebradas, ele tende a experimentar mais a liberdade para criar, experimentar e se expressar!

A ciência já nos mostrou que caminhar, correr ou fazer musculação já favorecem a criatividade. Mas quando o exercício acontece em locais de pertencimento, os efeitos vão além da atividade física. Quando o corpo encontra liberdade para se mover, a mente também encontra liberdade para criar.

Octavia Spencer defende representatividade negra além do trauma: “Ampliar o que as pessoas acham que sabem sobre nós”

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Octavia Spencer posando para ensaio e na cena do filme Estrelas Além do Tempo
Fotos: @BexxFrancois/Essence e Divulgação

A atriz premiada Octavia Spencer, voz ativa nas discussões sobre representatividade racial e de gênero em Hollywood, destacou a importância da presença de pessoas negras nas telas além de narrativas centradas no sofrimento. “Acho importante que os jovens negros vejam mulheres e homens negros sob todas as perspectivas possíveis, especialmente aqueles que não têm nada a ver com o trauma negro”, declarou em entrevista recente à revista Essence.

Spencer estreou hoje a nova série de ação e comédia do Prime Video, Parcerias no Crime. Ao longo de quase 30 anos de carreira, a atriz já interpretou diversos tipos de personagens. Entre os mais marcantes que ela relembra na entrevista estão o papel que lhe rendeu um Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante em Histórias Cruzadas (2012) e Estrelas Além do Tempo (2017), filme que, embora não tenha levado o prêmio, foi amplamente aclamado pela crítica e pelo público. “Tem sido ótima interpretação de empregadas e cientistas; acho importante ampliar o que as pessoas acham que sabem sobre nós”, comenta.

Para Octavia, a transformação do setor passa também pelo papel de quem produz. “O papel que mudou minha trajetória foi o de produtora. Ele me permite criar oportunidades não apenas para mim, mas para pessoas marginalizadas que não têm acesso”, disse. A atriz também já trabalhou como produtora executiva em outras produções de sucesso, como A Vida e a História de Madam CJ Walker (2020) e Fruitvale Station: A Última Parada (2013).

A declaração de Spencer ganha força para uma artista cuja trajetória mistura papéis de destaque e experiências de resistência. Ela relembrou um momento de exclusão em uma escola de artes cênicas que a deixou arrasada, mas também a estimulou. “Às vezes, alguns ‘não’ servem para moldar você. Se eu não tive recebido aquele primeiro ‘não’, não sei se teria lutado tanto para conquistar todos os ‘pecados’ que vieram depois“, afirmou.

Quando as apostas dominam a publicidade, o que isso diz sobre o Brasil e os efeitos econômicos da população negra?

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Bets e publicidade nociva
Foto: IA

Por: Dayane Oliveira

Trabalho com publicidade há mais de uma década. Ao longo da minha carreira, aprendi que acompanhar os maiores investimentos em comunicação é uma forma de entender para onde a economia está caminhando. A publicidade sempre funcionou como um retrato do seu tempo: ela revela quais setores estão crescendo, quais comportamentos estão sendo incentivados e quais narrativas passam a ocupar o imaginário coletivo.

Por isso, uma pergunta tem me acompanhado nos últimos meses: O que significa quando uma das categorias que mais cresce em investimento publicitário no Brasil é justamente a das plataformas de apostas?

Basta assistir a uma partida de futebol, abrir uma rede social, ouvir um podcast ou acompanhar uma transmissão esportiva. As BETs estão em todos os lugares. Patrocinam clubes, campeonatos, influenciadores, programas de televisão, podcasts e criadores de conteúdo. Em poucos anos, deixaram de ser uma categoria pouco conhecida para ocupar um dos espaços mais disputados da comunicação brasileira.

E isso, para quem vive o mercado publicitário, não pode passar despercebido. Porque publicidade nunca foi apenas sobre vender produtos. Publicidade constrói imaginários. Ela influencia comportamentos, legitima hábitos, transforma determinadas práticas em algo cotidiano. Quando um setor investe bilhões em comunicação, ele não compra apenas espaço na mídia, ele compra presença cultural.

Durante muito tempo, eram bancos, montadoras, empresas de tecnologia, alimentos, bebidas e varejo que disputavam essa atenção para construir reputação e relacionamento de longo prazo. Hoje, assistimos a uma mudança significativa nessa lógica.

As plataformas de apostas passaram a ocupar uma parcela importante desse espaço. E talvez a discussão não seja se elas podem ou não anunciar. A pergunta que me interessa é outra: O que deixamos de comunicar quando um único segmento passa a concentrar uma parte tão expressiva dos investimentos em publicidade?

Espaço publicitário é um recurso limitado. Quando uma categoria cresce rapidamente, outras deixam de ocupar esse lugar. Essa mudança revela transformações nas prioridades do mercado e também na forma como a atenção da sociedade está sendo disputada.

Mas existe uma camada ainda mais profunda nessa conversa. Toda campanha publicitária vende uma promessa: Algumas vendem bem-estar; outras vendem mobilidade; outras vendem pertencimento. As plataformas de apostas vendem a possibilidade de ganho. E, embora o entretenimento faça parte desse mercado, também sabemos que o jogo pode produzir consequências severas para uma parcela dos consumidores quando praticado de forma compulsiva.

Diversos estudos já demonstram que famílias em situação de maior vulnerabilidade econômica tendem a sofrer impactos mais profundos diante de perdas financeiras relacionadas ao jogo. No Brasil, essa discussão também atravessa a questão racial. Dados do IBGE mostram que a população negra continua concentrada, em maior proporção, entre os grupos de menor renda e patrimônio.

Isso não significa que apostar seja uma prática exclusiva da população negra. Mas significa que os efeitos econômicos de uma perda podem ser muito mais severos para quem já convive diariamente com menos margem financeira.

É justamente nesse ponto que acredito que a comunicação precisa assumir parte da responsabilidade da conversa. A publicidade não cria, sozinha, um comportamento social. Mas ela ajuda a legitimá-lo, amplia sua presença, reduz a sensação de estranhamento. E quanto mais natural uma prática se torna no cotidiano, menor tende a ser a percepção dos seus riscos.

Talvez por isso seja tão significativo perceber que essa discussão já começa a chegar ao poder público. No Rio de Janeiro, projetos de lei passaram a discutir a restrição da publicidade de plataformas de apostas em determinados espaços e contextos. Independentemente do desfecho dessas propostas, elas demonstram que a publicidade das BETs deixou de ser apenas uma pauta de mercado para se tornar também uma pauta social.

Essa mudança me faz lembrar de outros momentos da história da comunicação. Assim como aconteceu com a publicidade de cigarros e, posteriormente, com as discussões sobre bebidas alcoólicas, começamos a refletir sobre os limites da comunicação apenas quando o impacto social passa a ocupar o centro do debate. Talvez estejamos vivendo esse mesmo momento.

Como profissional da comunicação, não acredito que a publicidade deva abrir mão da criatividade ou da inovação. Mas acredito que ela precisa ampliar sua responsabilidade.

No fim das contas, talvez a pergunta mais importante não seja quanto as BETs investem em publicidade. A verdadeira pergunta é: que futuro estamos financiando quando as plataformas de apostas se tornam um dos principais rostos da comunicação brasileira?

Talvez o fato mais simbólico nem seja o avanço de propostas para restringir esse tipo de publicidade. O mais simbólico é perceber que começamos a discutir os limites dessa comunicação apenas depois que ela já ocupou estádios, podcasts, influenciadores, redes sociais e parte significativa da paisagem publicitária do país.

Porque a publicidade nunca é apenas um espelho da sociedade. Ela também ajuda a desenhar o futuro que estamos construindo.

Wesley Barbosa estreia na literatura infantil com “Os barraquinhos da favela” na FLIP 2026

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Wesley Barbosa segurando o seu primeiro livro infantil.
Foto: Patrícia Carolina Pessanha

O escritor Wesley Barbosa se prepara para um marco importante em sua carreira na Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) de 2026. No dia 23 de julho, às 10h, o autor lança seu primeiro livro voltado ao público infantil, Os barraquinhos da favela (Editora Moderna), durante uma roda de conversa na Casa da Favela.

A obra propõe uma imersão poética e afetiva nas memórias da infância na periferia, reconstruindo o cotidiano sob o olhar de quem viveu essa realidade de perto. Ilustrado por Tainan Rocha, o livro equilibra as duras lembranças das casas de madeira vulneráveis ao vento com o afeto das refeições em família e o horizonte visto de janelas quebradas — metáforas de sonhos que resistem ao tempo e à escassez. A leitura é recomendada para crianças a partir de 6 anos.

A mensagem que quero passar com Os Barraquinhos da Favela é que, mesmo em meio às adversidades de um lugar abandonado pelo Estado, é possível escrever, é possível atravessar a ponte, se inspirar nos livros e fazer a diferença por meio dos estudos“, disse Wesley ao Mundo Negro.

A presença de Wesley Barbosa na FLIP deste ano carrega também um forte simbolismo de resistência. Durante o Festival Literário Internacional de Poços de Caldas (Flipoços), em Minas Gerais, Barbosa discursava no estande do Coletivo Neomarginal — grupo que reúne autores da literatura periférica — quando foi interrompido pela escritora Camila Panizzi Luz. Em tom irônico, ela declarou: “Eu quero ser uma neomarginal, gente, olha que tudo. Camila Luz, neomarginal, nunca fui presa”.

A fala, que associou diretamente a literatura de periferia à criminalidade e ao encarceramento, foi repudiada pelo público e nas redes sociais, levantando debates urgentes sobre o preconceito estrutural enfrentado por autores negros e periféricos nos espaços literários tradicionais.

Nascido em Itapecerica da Serra (SP) em 1990, Barbosa possui cinco livros publicados e consolida sua trajetória ao trazer a oralidade e a vivência urbana para o centro da literatura brasileira, agora inspirando as novas gerações a reescreverem seus próprios destinos.

IA amplia em 65% associação de homens negros à criminalidade

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Imagem gerada por IA
Imagem gerada por IA

Pesquisa com 14 modelos multimodais também identificou aumento de 69% na associação de homens latinos à categoria “criminoso” após a ampliação dos dados de treinamento

O aumento da quantidade de dados usados para treinar sistemas de inteligência artificial não significa, necessariamente, resultados mais seguros ou menos racistas. Um estudo com 14 modelos multimodais identificou que a ampliação das bases de treinamento elevou em 65% a probabilidade de imagens de homens negros serem classificadas na categoria “criminoso”. Entre homens latinos, o crescimento chegou a 69%.

Publicado na conferência ACM FAccT 2024, o estudo The Dark Side of Dataset Scaling: Evaluating Racial Classification in Multimodal Models analisou ferramentas capazes de relacionar imagens e textos. Os pesquisadores compararam modelos treinados com duas bases da LAION: uma com 400 milhões de amostras e outra com 2 bilhões. Para testar os sistemas, utilizaram imagens do Chicago Face Dataset. 

Nos modelos maiores, a expansão dos dados aumentou as associações racistas. Já nos modelos menores, a probabilidade caiu 20% para homens negros e 47% para homens latinos. A diferença mostra que a escala, sozinha, não determina os resultados: a arquitetura dos sistemas e a curadoria das bases também precisam ser consideradas.

A pesquisa reforça que ampliar uma base de treinamento sem avaliar a origem e o conteúdo das informações pode fazer com que desigualdades já presentes na internet sejam incorporadas aos sistemas tecnológicos.

Vieses antecedem a inteligência artificial generativa

O problema não começou com as atuais ferramentas de geração de imagens. Em 2018, as pesquisadoras Joy Buolamwini e Timnit Gebru publicaram o estudo Gender Shades, que analisou sistemas comerciais de classificação de gênero.

A pesquisa constatou taxas de erro de até 34,7% na análise de mulheres com tons de pele mais escuros. Entre homens de pele mais clara, o índice máximo foi de 0,8%. O levantamento também mostrou que duas bases amplamente utilizadas naquele período eram compostas majoritariamente por pessoas de pele clara. 

Para Cáren Cruz, consultora de imagem identitária e CEO da Pittaco Consultoria, esse histórico ajuda a compreender por que os problemas continuam aparecendo mesmo com os avanços técnicos da inteligência artificial.

Segundo a especialista, ferramentas de geração de imagens podem modificar tons de pele, textura dos cabelos e traços faciais, mesmo quando recebem comandos específicos e fotografias reais como referência. O resultado pode apresentar boa qualidade estética, mas falhar na preservação da aparência e da identidade visual da pessoa retratada.

Cáren ressalta que essas alterações não devem ser tratadas apenas como erros técnicos. Quando características de pessoas negras são suavizadas ou aproximadas de padrões dominantes, os sistemas reproduzem referências historicamente construídas sobre quais aparências são consideradas aceitáveis.

Diversidade precisa estar presente no desenvolvimento

A representatividade nas imagens produzidas pelas ferramentas depende diretamente das pessoas, dos repertórios e das bases envolvidos em sua criação. Por isso, a diversidade racial não deve aparecer somente na etapa final dos projetos tecnológicos.

Para Cáren, equipes plurais e bases de dados cuidadosamente analisadas são fundamentais para que os sistemas reconheçam a variedade de tons de pele, subtons, texturas de cabelo, traços e expressões presentes entre pessoas negras.

A especialista relata ter participado de um grupo focal no qual uma instituição distribuía as peles negras em apenas seis tons. Para ela, esse tipo de classificação reduz uma pluralidade que precisa ser considerada por tecnologias voltadas à imagem e à identificação de pessoas.

Os estudos indicam que bases maiores não eliminam automaticamente o racismo algorítmico. Sem curadoria, auditorias independentes e participação de profissionais negros no desenvolvimento, a inteligência artificial pode ampliar associações racistas e transformar desigualdades históricas em resultados apresentados como decisões técnicas.

TV Globo estreia como parceira da PowerList Mundo Negro com a novela A Nobreza do Amor

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Duda Santos, Zezé Motta e Erika Januza na novela A Nobreza do Amor.
Foto: Estevam Avellar/TV Globo

Patrocínio da categoria Empreendedora do Ano marca a primeira parceria entre a TV Globo e a maior premiação dedicada a mulheres negras do Brasil

PowerList Mundo Negro ganha em sua 5ª edição uma parceria inédita: a TV Globo entra como patrocinadora da premiação, assinando com a marca da novela ‘A Nobreza do Amor’, das 18h. A parceria patrocina especificamente a categoria Empreendedora do Ano, uma das cinco do voto popular, que homenageia mulheres negras à frente de negócios de qualquer porte que demonstrem inovação, impacto social e liderança empreendedora.

A cerimônia da PowerList 2026 acontece no dia 31 de julho, dentro do Julho das Pretas Latino-Americanas e Caribenhas, na sede da L’Oréal Brasil, no Rio de Janeiro. A premiação homenageia 10 mulheres negras a cada edição, escolhidas em duas frentes: voto popular (com a novidade da autoindicação em 2026) e curadoria técnica. As vencedoras foram reveladas no dia 1º de julho. (Confira aqui)

A NOVELA COMO PONTE

A escolha de A Nobreza do Amor como marca dessa parceria não é por acaso. A novela, que ocupa a faixa das 18h da TV Globo, traz personagens negras em posição de protagonismo e dialoga diretamente com o propósito da PowerList: dar visibilidade a histórias de mulheres negras que muitas vezes ficam à margem da narrativa hegemônica.

Para Larissa Régia, gerente de Marketing da TV Globo, a trama trabalha questões de representatividade e empreendedorismo negro que se conectam forma orgânica à categoria patrocinada pela parceria. “Acreditamos no poder da ficção, e da dramaturgia como uma ponte para discussões relevantes da sociedade. Ao apoiarmos a categoria Empreendedora do Ano, reforçamos nosso compromisso em dar visibilidade a histórias que inspiram, transformam e ampliam repertórios dentro e fora das telas”. 

Mais do que apoiar uma categoria, essa parceria representa o reconhecimento de trajetórias reais de mulheres negras que constroem seus próprios caminhos com inovação, liderança e impacto social. Para a TV Globo, é fundamental estar ao lado de iniciativas que não só celebram essas conquistas, mas também incentivam novas narrativas de sucesso e representatividade no Brasil”, completa Carola Oliveira, gerente de Marketing da TV Globo.

Chegamos ao quinto ano do principal evento do Mundo Negro, que tem 27 anos de história. A potência de resistir só acontece pelas parcerias que acreditam nos nossos sonhos, pelas marcas e pela nossa audiência, que nos engaja e nos estimula a sonhar. Com L’Oréal e TV Globo presentes, podemos sonhar ainda mais alto e fazer do Julho das Pretas uma grande celebração“, afirma Silvia Nascimento, CEO e Head de Conteúdo do Mundo Negro.

EMPREENDEDORA DO ANO: A CATEGORIA PATROCINADA 

A categoria Empreendedora do Ano é uma das cinco do voto popular da PowerList 2026, ao lado de Criadora Digital, Profissional da Beleza, Destaque em Gastronomia e Profissional da Moda. Neste ano, a vencedora é Fany Miranda, presidente da AME-PB — onde organiza a maior feira de empreendedorismo feminino do Nordeste — e CEO da Casa Empreendedora Hub, ela articula iniciativas históricas, como o primeiro ateliê LGBTQIAPN+ no sistema prisional do país, oferecendo para a comunidade uma liderança de reconhecimento nacional que educa, inspira e eleva a autoestima do povo negro.

Em 2025, a categoria, então chamada de Empreendedora que Inspira, foi conquistada por Jamile Lima, co-founder da Interpres Empresa. E em 2024, a empreendedora e comunicadora Bárbara Brito também passou pela PowerList. Outro nome ligado à própria TV Globo já reconhecido pela premiação foi o da diretora de Marketing Samantha Almeida, homenageada em 2024.

Site oficial: https://powerlist.mundonegro.inf.br

Brandy reage a comentários sobre sua aparência: “Sejam gentis e amáveis”

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Foto: reprodução redes sociais @brandy

Em entrevista ao E! News, cantora explicou por que decidiu se pronunciar sobre comentários feitos a respeito do seu corpo nas redes sociais.

A cantora e atriz Brandy Norwood, 47, concedeu entrevista exclusiva ao E! News, publicada por Sabba Rahbar em 14 de julho, na qual explicou os motivos que a levaram a se pronunciar sobre as críticas recebidas a respeito de seu corpo. A conversa aconteceu durante uma coletiva conjunta com os colegas de elenco de “Descendants: Wicked Wonderland”, Rita Ora e Leonardo Nam, filme em que Brandy retoma o papel de Cinderela e que estreia em 16 de julho.

Ao jornalista Will Marfuggi, do E! News, Brandy admitiu o desconforto causado pelos comentários sobre sua aparência recebidos nas últimas semanas, dizendo não ter gostado da forma como aquilo a fez se sentir. Segundo a cantora, foi esse desconforto que a motivou a publicar, em 11 de julho, uma reflexão em seu Instagram convidando seus seguidores a pensar antes de comentar negativamente sobre o corpo ou o rosto de alguém. Ela contou ao E! News que pensou em como qualquer pessoa se sente ao ter a aparência comentada, e decidiu transformar isso em um convite à gentileza coletiva.

Brandy reforçou, na mesma entrevista, a importância de oferecer compaixão às pessoas antes de julgá-las com base apenas na aparência, lembrando que ninguém sabe de fato a história ou as dificuldades vividas por quem está sendo observado. Ao encerrar a resposta, a cantora resumiu o recado em uma frase que remete diretamente à personagem que interpreta no filme. “Sejam gentis e amáveis”, disse Brandy ao E! News.

A entrevista também tocou na relação afetiva de Brandy com a personagem Cinderela, que ela interpretou pela primeira vez em 1997, no especial de TV ao lado de Whitney Houston, que viveu a Fada Madrinha. Quase três décadas depois, a atriz volta ao papel em “Descendants: Wicked Wonderland” e relembrou o momento de gravar a canção “Impossible” ao lado da mentora, dizendo não ter palavras para descrever a experiência.

Brandy é mãe de Sy’Rai Smith, fruto de relacionamento anterior com Robert Smith, e é uma das figuras mais conhecidas da música negra americana desde os anos 1990, com sucessos como “I Wanna Be Down” e “Have You Ever?” e passagens marcantes pela série “Moesha” e pelo cinema.

Projeto Cozinha para Todes realiza Arraiá das Pretas em SP

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Mulheres negras em mesa com comidas juninas no Arraiá das Pretas: Imagem gerada por IA
Imagem gerada por IA

Evento acontece neste domingo (19), no Torneira Boteco, e reúne a sommelière Patricia Brentzel e a empresária Dani Lira em uma edição especial do projeto Cozinha pra Todes

O Torneira Boteco, em São Paulo, realiza neste domingo (19), das 12h às 18h, o Arraiá das Pretas, edição especial do projeto Cozinha pra Todes em celebração ao Julho das Pretas.

A programação foi proposta pela sommelière, educadora e empresária Patricia Brentzel, convidada desta edição, em parceria com Dani Lira, proprietária do Torneira Boteco, sommelière de cervejas e idealizadora do projeto.

Realizado na Vila Madalena, o encontro reúne gastronomia, cultura e experiências com vinhos para celebrar a atuação e o protagonismo das mulheres negras. O evento também dialoga com o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, celebrados em 25 de julho.

Criado por Dani Lira, o Cozinha pra Todes promove encontros com profissionais da gastronomia e fortalece iniciativas lideradas por mulheres e pessoas LGBTQIAPN+. Patricia Brentzel, por sua vez, atua há mais de 30 anos na criação de experiências que aproximam vinhos, gastronomia, cultura e histórias.

O Arraiá das Pretas terá comidas típicas juninas, degustação e outras experiências gastronômicas. Os ingressos estão disponíveis pela plataforma Sympla.

“Boneco antiestresse” de bebê negro vendido na China vira alvo de vídeos violentos nas redes

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Fotos: reprodução/RedNote

Vídeos mostram usuários espancando e furando o brinquedo. Versão negra é a mais atacada, enquanto tons claros ficam de fora das cenas de violência.

Um boneco antiestresse em formato de bebê negro se transformou em alvo de conteúdo violento e sexualizado nas redes sociais chinesas ao longo das últimas semanas, gerando repercussão internacional entre comunidades negras na Ásia, nos Estados Unidos e na Europa. Batizado de Natasha, o brinquedo de borracha é vendido como um item de alívio de estresse, mas passou a protagonizar vídeos em que usuários o espancam, perfuram, pisoteiam, esfaqueiam e até despejam água fervente sobre ele, segundo reportagens do Hong Kong Free Press, da CNN e do site especializado Bored Panda.

A tendência começou de forma acidental, segundo a agência de notícias estatal chinesa Xinhua. Um vlogger tratava o boneco como se fosse sua própria filha e, ao deixá-lo cair no chão, filmou o momento em que o brinquedo se deformou. O vídeo viralizou e deu origem a uma onda de imitadores, que passaram a produzir cenas cada vez mais violentas em busca de engajamento. A partir daí, o produto passou a ser vendido em três tonalidades de pele, branca, marrom e preta, mas é a versão de pele mais escura, com traços faciais exagerados, a mais reproduzida nos vídeos de agressão, segundo o site OkayAfrica.

Uma explicação que circulou entre usuários chineses e foi reproduzida por veículos internacionais soma mais um elemento à controvérsia. Segundo esse relato, a versão de pele clara seria evitada nos vídeos de destruição por parecer humana demais e despertar mais empatia quando danificada, o que teria feito a versão escura se tornar a preferida para as cenas de violência.

Em Hong Kong, moradores negros classificaram a tendência como desumanizante. Innocent Mutanga, da ONG Africa Center Hong Kong, afirmou que a febre corre o risco de normalizar a desumanização de corpos negros. A atriz e cantora sul-africana Londiwe Ngubeni relatou ter visto uma criança maltratando o boneco em um supermercado local, dizendo se tratar de um “alívio de estresse”, e questionou publicamente a naturalização do gesto.

Nos Estados Unidos, a repercussão chegou a veículos como o Washington Informer, que ouviu profissionais de saúde mental. O psiquiatra Allan Cofield afirmou que não deveria haver comerciante disposto a carregar esse brinquedo obsceno e racista. Psicólogos citados pela reportagem alertaram ainda que o hábito de socar e destruir figuras com formato humano pode reforçar respostas agressivas em vez de ensinar regulação emocional saudável, sobretudo entre crianças e adolescentes expostos aos vídeos.

A controvérsia em torno do boneco Natasha reabriu comparações com uma longa tradição de brinquedos que caricaturaram e desumanizaram pessoas negras ao longo dos séculos 19 e 20, como os golliwogs britânicos, as bonecas mammy e as figuras pickaninny, hoje preservadas como artefatos históricos em instituições como o Museu Nacional de História e Cultura Afro-Americana e o Jim Crow Museum of Racist Memorabilia, nos Estados Unidos. A escritora e editora Monique Franz declarou que nenhum design é criado, fabricado e vendido isoladamente de intenção e propósito

Reguladores chineses reconheceram o problema, mas trataram o caso oficialmente como uma questão de violência e vulgaridade, sem mencionar o componente racial apontado por críticos internacionais. A Associação de Consumidores da China e a Administração Estatal de Regulação de Mercado intervieram para retirar vídeos considerados violentos das plataformas, e escolas do país passaram a proibir a posse do brinquedo. Inspeções em fábricas também identificaram irregularidades, como ausência de laudo técnico e origem desconhecida do material usado na fabricação, levando à retirada de alguns lotes das prateleiras físicas.

Apesar dessas medidas, o boneco seguia disponível em plataformas de comércio eletrônico como o Taobao até o fechamento desta reportagem, com preço médio inferior a R$ 10. Poucos vendedores oferecem outras cores quando o comprador busca pelo termo “boneco antiestresse” nos aplicativos, o que mantém a versão escura como a opção predominante nas prateleiras virtuais do país.

Erika Hilton denuncia emenda aprovada em comissão que pode descriminalizar o racismo

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Foto: Pablo Valadares/Kayo Magalhães/ Câmara dos Deputados

Deputada afirma que texto foi aprovado na Comissão de Segurança Pública e ficaria atrelado ao PL que equipara misoginia a racismo, parado na Câmara.

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) publicou na noite desta terça-feira (14) uma sequência de mensagens em suas redes sociais para denunciar uma proposta de emenda que, segundo ela, descriminaliza o racismo quando cometido sob justificativa de manifestação de opinião, convicção religiosa, filosófica, científica, acadêmica ou política. De acordo com a parlamentar, a emenda foi aprovada pela Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados e passaria a tramitar junto ao Projeto de Lei 896/2023, que equipara a misoginia ao crime de racismo e está parado na Casa desde março.

Hilton classificou a proposta como uma manobra do PL (Partido Liberal), legenda de Jair, Flávio e Eduardo Bolsonaro, para condicionar a proteção legal das mulheres à flexibilização das punições por racismo. Segundo a deputada, a emenda descreve o racismo como conduta legítima quando enquadrada em categorias amplas de opinião ou convicção, o que na prática abrangeria qualquer manifestação do tipo. “Isso é uma armadilha organizada pelo partido da família Bolsonaro”, escreveu a parlamentar, referindo-se à aprovação do texto na comissão.

Caso o PL da Misoginia seja levado ao plenário, a Câmara teria de apreciar simultaneamente a emenda que descriminaliza o racismo, segundo o relato da deputada. Se as duas propostas forem aprovadas em conjunto, a misoginia passaria a ser equiparada ao crime de racismo, mas o próprio racismo deixaria de ser punido nas hipóteses previstas pela emenda. A parlamentar afirmou que a intenção do texto é constranger as mulheres que cobram a criminalização do discurso de ódio, ao condicionar essa proteção a uma perda de direitos para a população negra.

O que está confirmado sobre o PL da Misoginia

O Projeto de Lei 896/2023 tramita na Câmara dos Deputados desde março, quando foi aprovado por unanimidade no Senado, por 67 votos a favor e nenhum contrário. A proposta, de autoria da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA), inclui a misoginia entre os crimes previstos na Lei do Racismo, de 1989, tornando a conduta inafiançável e imprescritível, com pena de dois a cinco anos de reclusão e multa.

Na Câmara, um grupo de trabalho coordenado pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP) alterou a definição aprovada pelo Senado. Pelo novo texto, misoginia passa a ser a prática, indução ou incitação de violência, de restrição ao pleno exercício de direitos ou de ofensa à dignidade da mulher em razão de sua condição de mulher. O relatório foi aprovado de forma simbólica pelo colegiado em junho, com voto contrário de deputadas da oposição, que alegam risco à liberdade religiosa e de expressão.

Reportagem publicada pelo Brasil de Fato em 13 de julho aponta que o projeto segue sem data prevista para votação em plenário e corre o risco de ser adiado para depois das eleições de 2026. A proposta é considerada por movimentos feministas como um dos principais indicadores do compromisso do Congresso com o Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios.

Hilton afirmou que seguirá mobilizando parlamentares pela derrubada da emenda e pela aprovação do PL da Misoginia antes do recesso parlamentar, previsto para começar em 18 de julho.

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