É golpe: Precisamos parar de dar palco para gente que não nos respeita

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“Vocês viram isso?”, “vão publicar aquele vídeo?”, “vocês têm que falar sobre aquela pessoa”? Todos os dias eu recebo mensagens de leitores e seguidores quase exigindo que a gente, vulgo Mundo Negro, repercuta sobre alguém que usou seu espaço na Internet para falar algo racista ou preconceituoso.

Desde o caso do Youtuber Julio Cocielo, em 2018, o que vimos é gente racista ganhando mais seguidores e engajamento após as denúncias de racismo. Para quem não se lembra, Cocielo fez comentários racistas sobre jogador de futebol francês Mbappé e e além disso foram encontradas postagens antigas também de cunho racialmente ofensivo. Ele pediu desculpas e após a grande repercussão, o canal dele cresceu em mais de 100 mil seguidores.

Quem também ganhou seguidores depois de um caso de racismo foi o empresário Rodrigo Branco que ofendeu Maju Coutinho durante uma live.

Só com esses dois casos nós já entendemos que além da impunidade, visto que ninguém foi preso, cada vez que colocamos a foto dessas pessoas no nosso feed estamos contribuindo para sua popularidade. É como se estivéssemos fazendo uma curadoria gratuita para pessoas como eles. Racistas, pessoas que dizem que somos vitimistas e cheios de mi-mi-mi são as que se beneficiam da popularização dos seus pares e que aumentam os números de seguidores, como um tipo de sororidade perversa.

Toda vez que você compartilha o vídeo da moça da cachorrinho preto, você está mais ajudando a influenciadora branca, do que combatendo o racismo. Eu sou do time da Camilla de Lucas que está cansada de explicar o óbvio. O mesmo vale para apresentadora decadente de black power que começou a circular depois do caso de racismo envolvendo o cabelo do professor João no BBB21. Lamentável ver algumas páginas negras e influenciadores caindo nesse golpe.

A propósito, o Big Brother 2021 está aí para mostrar que nossas pautas dão um tremendo engajamento que se traduzem em números que enchem o bolso de muita gente.

Não é sobre ignorar pautas racistas de forma alguma. O ativismo online é de imensa importância, mas antes de publicar qualquer coisa temos que ter a consciência do que funciona contra ou a favor de nós. Se indignar com pessoas influentes e grandes instuições é uma coisa, agora investir tempo em gente que ninguém conhecia, ou gente que quer voltar aos holofotes midiáticos, creio não ser a melhor forma de administrar o tempo.

Uma postagem racista tem que ser denunciada para plataforma. A moça do cachorro preto inclusive, havia sido bloqueada.

Estratégias também são ferramentas para se combater o racismo. Vamos parar de fazer gente racista famosa.

E deixo abaixo uma reflexão importante do Afroinfancia ( @afroninfancia).

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