Na estreia da segunda temporada do podcast ‘Fala Diversas‘, a jornalista e CEO do Mundo Negro, Silvia Nascimento, recebeu a candidata à presidência da República, Vera Lúcia (PSTU) para falar sobre a candidatura, a invisibilidade das candidaturas negras na eleição, os desafios das mulheres negras brasileiras, planos de governo e um pouco sobre hobbies.

Vera Pereira da Silva Salgado é natural de Inajá, cidade localizada no Sertão de Pernambucano. Tem 54 anos, é casada, tem duas filhas e uma neta. É formada em Ciência Sociais pela Universidade Federal de Sergipe (UFS).

Sua primeira passagem partidária foi no PT, mas rompeu com eles em 1992 e se juntou à construção do PSTU, fundado no ano de 1994. Em 2018, Vera foi candidata à presidência e teve como vice o professor Hertz Dias, do Maranhão. Juntos, formaram a primeira chapa 100% negra a disputar à presidência do Brasil.

Vera Lúcia foi a primeira candidata a criar uma chapa 100% negra à presidência (Foto: Romerito Pontes)

No mês passado, a Band exibiu o primeiro debate com os presidenciáveis para discutir o futuro do Brasil. Mas a candidata Vera e o Léo Péricles (UP), os únicos candidatos negros na eleição deste ano, não foram convidados. E o encontro resultou em nenhum aprofundamento sobre as questões raciais que atingem os brasileiros.

“A política no Brasil é controlada pelo poder econômico e os negros e negras da classe trabalhadora estão à margem desse poder. Nós somos muito e embora nós sejamos responsáveis pela pela produção da riqueza desse país, desde que chegamos aqui na condição de escravizados e hoje continuamos fazendo isso, a decisão que é tomada em nosso nome, sobre nossas vidas, nós não decidimos e nas eleições isso fica mais evidente”, afirma a candidata.

Candidata Vera Lúcia e a vice Kunã Yporã (Foto: Romerito Pontes)

“Nós temos partidos próprios da classe trabalhadora e esses partidos estão à margem. Desses partidos, inclusive o PSTU que não é o mais antigo, mas conseguiu minimamente pontuar nessas eleições, e mesmo assim nós não somos convidados para os debates, para as sabatinas mais importantes, nos grandes veículos de comunicação de massa. Essa é uma forma de discriminar as nossas organizações e de não levar em consideração a realidade que nós vivemos e nem o projeto que nós estamos apresentando nessas eleições”, completa.

Em defesa do partido e do socialismo, Vera garante que o projeto dela de governo “responde a realidade que são nossas, da classe trabalhadora que é majoritariamente negra, feminina, as LGBTs, indígenas, ou seja, dos setores oprimidos da atuação”.

Ela também criticou a postura da candidata Simone Tebet (MDB), que se apresentou na sabatina do Jornal Nacional da TV Globo, como a primeira candidata mulher. “Desconsiderar a nossa existência é uma forma de discriminar. Eu disse ‘Não é verdade!’. Inclusive o lançamento da minha pré-candidatura foi bem antes dela e é 100% negra e indígena”, ressalta.

Veja o episódio na íntegra:

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