Aos 53 anos, a atriz Viola Davis contou, pela primeira vez, sobre o episódio de racismo que vivenciou ao ser ‘confundida’ com uma empregada doméstica, enquanto estava no set de gravação. A revelação aconteceu no evento ‘Kering Women In Motion’, do Festival de Cinema de Cannes 2022. “Tive um diretor que fez isso comigo. Ele me disse: ‘Louise!’ Eu o conhecia há 10 anos, e ele me chamou de Louise, então descobri que esse era o nome de sua empregada”, lembrou Davis. “Eu tinha cerca de 30 anos na época, então foi há algum tempo. Mas o que você precisa perceber é que essas micro agressões acontecem o tempo todo”.

Viola Davis no Festival de Cinema de Cannes 2022. Foto:Daniele Venturelli/Getty Images.

Viola, que fundou a produtora JuVee Productions com seu marido Julius Tennon, discutiu a falta de papéis para mulheres negras em Hollywood. “Se eu quisesse interpretar uma mãe cuja família mora em um bairro de baixa renda e meu filho era membro de uma gangue que morreu em um carro, eu poderia fazer isso”, disse Davis. “Se eu interpretasse uma mulher que estava procurando se reerguer voando para Nice e dormindo com cinco homens aos 56 anos, com minha aparência, vou ter dificuldade em empurrar isso, mesmo sendo Viola Davis.”

Viola Davis no filme ‘A Voz Suprema do Blues’. Foto: Divulgação.

Ao falar sobre ter sido rejeitada para papéis no passado, Davis disse que muitas vezes ela foi preterida por causa de sua cor ou porque Hollywood não a achava “bonita o suficiente”. “Isso parte meu coração e me deixa com raiva”, enfatizou a vencedora do Oscar. “Muito disso é baseado na raça. Realmente é”, acrescentou Davis sobre ser rejeitada. “Sejamos honestos. Se eu tivesse as mesmas características e fosse cinco tons mais claro, seria um pouco diferente. E se eu tivesse cabelos loiros, olhos azuis e até nariz fino, seria um pouco diferente do que é agora. Poderíamos falar sobre colorismo, poderíamos falar sobre raça. Isso me irrita e partiu meu coração, em vários projetos, que não vou citar“.

Viola Davis será homenageada em Cannes 2022, por seu papel transformador no mundo do cinema e das artes.

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