Val Perré volta à TV como Potifar em “Gênesis” e estreia nos cinemas em “Cabeça de Nêgo”

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Val Perré volta à TV como Potifar em “Gênesis” e estreia nos cinemas em “Cabeça de Nêgo”
Foto: Márcio Farias.

Após sucesso de “Coisa Mais Linda”, série da Netflix que lhe rendeu indicação no Prêmio Notícias de TV, o ator estreia nos cinemas e volta à cena nas novelas.

A sétima fase de “Gênesis” marca a reta final da trama e o retorno de Val Perré à TV aberta. Após hiato de dois anos, na novela bíblica da Record o ator baiano interpreta Potifar, homem de confiança do faraó e general do exército egípcio. Em paralelo, dia 21 de outubro poderá ser visto nos cinemas em “Cabeça de Nêgo”, longa-metragem de estreia de Déo Cardoso, e aguarda ansioso o resultado do Prêmio Notícias da TV, onde está indicado como Melhor Ator Coadjuvante pela série “Coisa Mais Linda”, da Netflix.

“O convite para Gênesis aconteceu antes da pandemia, mas daí veio a pandemia, tudo parou e muita coisa aconteceu. Tivemos mudança no elenco, fiquei na expectativa de como tudo ficaria. Foi uma experiência incrível vivenciar todo o processo. Potifar perdeu sua esposa e seus dois filhos na guerra. E é ele quem compra José (Juliano Laham) numa feira de escravos e o leva pra ser seu servo”, pontua o baiano, cujo último trabalho na TV aberta foi em “Verão 90”, na TV Globo.

Tendo sua fé fundamentada nas religiões de matrizes africanas, o ator conhecia a história bíblica à qual ajudou a dar vida. “Antes mesmo de conhecer a minha própria origem, minha própria história, eu já conhecia a história da Bíblia, e isso ocorre devido à opressão que historicamente vivemos até os dias de hoje. Nós fomos proibidos de amar e cultuar nossa religião, então agradeço a todos que resistiram e mantiveram a memória da nossa cultura viva. Resistência! Ogunhê!”, brada.

E a preparação para o papel contou com algumas fases. “Começamos antes da pandemia, então foram muitos ensaios, workshop, palestras com historiadores, documentários, alguns sobre batalhas… Foram muitas referências, e entender o universo do personagem me serviu de grande inspiração”, rememora Val, que está indicado como Melhor Ator Coadjuvante no Prêmio Notícias da TV pelo papel de Duque Araújo em “Coisa Mais Linda”.

“Esta indicação foi realmente uma surpresa. É uma sensação tão incrível… É como a realização de um dever cumprido. Em 2020 tive a indicação como Melhor Ator no Prêmio Shell pelo meu papel como Solano Trindade no espetáculo ‘Solano, vento forte africano. E foi diferente, teve um outro impacto emocional. Estava em casa quando recebi a notícia pela minha assessoria. Chorei, agradeci aos meus orixás, aos meus ancestrais. Hoje, aos 25 anos de carreira, acredito ter adquirido mais experiência e amadurecimento, tanto na vida pessoal quanto profissional. E também me permito acreditar que isso tem me levado a lugares cada vez mais desafiadores. Aos críticos que hoje me veem com outros olhos, minha gratidão!”, celebra Val.

Às vésperas de estrear um novo filme nos cinemas, o ator comemora a força da cultura nacional. “É uma imensa alegria participar do primeiro longa do cineasta Déo Cardoso, um manifesto contra o racismo e toda precariedade do sistema educacional no Brasil. Rodamos o filme no Ceará e, por lá, nos festivais pelos quais passou ele já saiu vencedor”, gaba-se o integrante de “Cabeça de Nêgo”, eleito pelo júri oficial como Melhor Longa na Mostra Olhar do Ceará, e Melhor Longa-Metragem Cearense pela Associação Cearense de Críticos de Cinema (2020).

O movimento no mercado para atores negros segue sendo acompanhado de perto por Val. “Percebo que será cada vez mais importante estarmos atentos não apenas à inserção do negro na TV, mas também aos papeis destinados. Precisamos de escritores, autores, diretores e produtores negros para contarmos nossa própria história. No geral, a cultura foi muito castigada pela pandemia, e naturalmente se impôs diante de tudo e todos e se mostrou essencial na vida da humanidade”, reflete.

Formado pelo Curso Livre de Teatro da Universidade Federal da Bahia, Val Perré iniciou a vida artística como dançarino no Balé Folclórico da Bahia, no Teatro Miguel Santana, em Salvador. Com diversas peças e filmes no currículo, na TV o ator participou das novelas “Além do Tempo”, “Babilônia”, “O Rebu”, “Amazônia” e fez participações em “O Canto da Sereia”, “Gabriela”, “Viver a Vida”, “Força Tarefa”, “Guerra e Paz”, “Insensato Coração”, “Linha Direta” e “Desejo Proibido”. Em 2008, integrou o elenco de “Filhos do Carnaval”, com direção de Cao Hamburguer, exibido no HBO.

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