“Sou um sintoma da branquitude”: Lília Schwarcz diz que o título do seu artigo foi feito por editores da Folha

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O jornalista Edu Carvalho e a antropóloga Lilia Moritz Schwarcz - Reprodução Facebook )

As últimas 24 horas da historiadora e antropóloga Lília Schwarcz não foram fáceis. Ela foi um dos assuntos mais comentados das redes sociais, por conta do artigo “Filme de Beyoncé erra ao glamorizar negritude com estampa de oncinha” que escreveu onde opinava sobre o último trabalho da cantora Beyoncé, “Black Is King”.

Em uma live com o jornalista Eduardo Carvalho, a intelectual se desculpou pelo polêmico texto. “Desde que esse texto foi publicado, eu estou passando por um processo muito longo de escuta e auto-aprendizado. Tenho ouvido coisas importantes e muitas agressões também”, disse  Lilia.

Especificamente sobre o artigo, a professora falou das ponderações que fez depois de tantas críticas e disse que se arrependeu de ter publicado o texto. A colunista já havia escrito sobre “Lemonade” em uma outra oportunidade e veio da Folha de S. Paulo o convite para esse segundo artigo sobre Beyoncé. “Eu gosto muito da Beyoncé e uma prova disso é que eu queria escrever novamente. Se eu pudesse voltar a atrás.. nós estamos falamos muito sobre branquitude, eu falo sempre, que é lugar de privilégio que a gente tem que dividir, eu acho que era a hora de eu ter dito que talvez fosse melhor eu não fazer. Já foi uma primeira soberba. Uma segunda foi não ter consultado os amigos”, explicou a antropóloga.

Ela defende o começo do seu texto, dizendo ser muito bonita a parte que ela fala sobre Hamlet. “Eu mostro com a Beyoncé vira de cabeça para baixo o Hamlet porque ela ao invés de falar do reino da Dinamarca , ela vai tratar de África e inverte à questão”, justificou.

“A segunda parte do texto acabou sendo equivocada, sobretudo a última frase. A gente não volta no tempo e eu me arrependo completamente da última frase e peço desculpas. Primeiro porque sem saber, eu agredi o feminismo negro, movimento que tenho profundo respeito e admiração, agredi o movimento negro e pessoas com que dialogo”, explicou a professora que disse que virou um sintoma da branquitude ao achar que poderia falar sobre qualquer tema.

“O artigo é meu, o final é meu , o ensaio é meu, e por ele eu me responsabilizo, mas eu gostaria de dizer aqui , eu falei para o editor da Ilustrada, que eu diria, que título ( Filme de Beyoncé erra ao glamorizar negritude com estampa de oncinha)  não é meu” explica a colunista que acrescenta que nem o subtítulo  (“Diva Pop precisa entender que a luta antirracista não se faz com pompa”), foi escrito por ela.

Ainda sobre a questão seu texto, ela pede para que não seja julgada apenas por um artigo.

A íntegra da live pode ser vista no perfil do jornalista Eduardo Carvalho ( clique aqui).

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