O apresentador do Bom Dia São Paulo, da Rede Globo, Rodrigo Bocardi, foi parar em primeiro lugar entre os assuntos mais comentados do Twitter, na manhã desta sexta-feira (7), após perguntar para um atleta negro, que disse estar esperando o trem para ir ao Clube Pinheiros, se ele era catador de bolinhas de tênis no local.

Após a resposta do jovem, Bocardi completou: “E eu tava achando que eram meus parceiros que me ajudam nas partidas”, disse o apresentador, que joga tênis no local. Um título de sócio desistente através de uma transferência de titularidade, no Pinheiros, pode custar até R$ 70 mil, além de ter que pagar uma mensalidade de R$ 420.

Em seu Instagram a rapper, historiadora e escritora, Preta Rara, se pronunciou a respeito do ocorrido. De forma didática, Preta Rara diz que o vídeo é uma demonstração clara de racismo estrutural e que “o Racismo pra quem é preto vem antes do Bom Dia”.

“O Racismo pra quem é preto vem antes do Bom Dia.
Racismo Estrutural é isso, pra quem ainda não entendeu na prática.
E achar que um cara preto, dentro de um clube elitizado, só poderia estar ali para servir gente branca.
O Bocardi pergunta se ele vai catar as bolinhas do clube de tênis e ele diz que é atleta.
Aí elevam a voz pra trazer a importância que o rapaz tem numa espécie de : “hum aí sim e eu achando que era meus amigos que pegam as bolinhas de tênis” E o outro cara ainda fala: “Era uma piada interna”
Pq pra racista esse rapaz só estaria no clube pra lhe servir.
Daqui de casa deu pra sentir o cheiro da meritocracia no tom de fala deles.
E ainda pra rebater no final qdo olham na camisa dele: o outro jornalista fala: “A camiseta dele é mesmo polo aquático” pq até o momento a desconfiança ainda imperava.
Logo cedinho pra começar o dia,
Pq o Racismo pra quem é preto vem logo antes do bom dia.”

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O Racismo pra quem é preto vem antes do Bom Dia. . : Racismo Estrutural é isso, pra quem ainda não entendeu na prática. . E achar que um cara preto, dentro de um clube elitizado, só poderia estar ali para servir gente branca. O Bocardi pergunta se ele vai catar as bolinhas do clube de tênis e ele diz que é atleta. Aí elevam a voz pra trazer a importância que o rapaz tem numa espécie de : “hum aí sim e eu achando que era meus amigos que pegam as bolinhas de tênis” E o outro cara ainda fala: “Era uma piada interna” Pq pra racista esse rapaz só estaria no clube pra lhe servir. Daqui de casa deu pra sentir o cheiro da meritocracia no tom de fala deles. E ainda pra rebater no final qdo olham na camisa dele: o outro jornalista fala: “A camiseta dele é mesmo polo aquático” pq até o momento a desconfiança ainda imperava. Logo cedinho pra começar o dia, Pq o Racismo pra quem é preto vem logo antes do bom dia. . #PretaRara #BeemBonita #PesaDona. #BocardiRacista

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Por sua vez, o apresentador, também usou a rede social para se desculpar pelo ocorrido: “Os jogadores de tênis não usam uniformes, mas os pegadores/rebatedores, sim: uma camiseta igual a do Leonel”, escreveu. No vídeo em que Rodrigo Bocardi publicou junto ao texto de desculpas, ele mostra os jovens que trabalham no clube como ‘pegadores’, todos usam uma camiseta azul e preta com o logo do clube. Leonel, atleta de polo aquático usava uma camiseta azul escrita ‘Polo Aquático’.

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Recuperei um trecho do #BDSP de uma outra sexta-feira, de um ano atrás, do dia 22/02/2019. E aproveito para fazer o esclarecimento abaixo: Muito triste a acusação de preconceito. Eu pratico tênis no Clube Pinheiros. Os jogadores de tênis não usam uniformes, mas os pegadores/rebatedores, sim: uma camiseta igual a do Leonel, com quem tive o prazer de conversar hoje. Ao vê-lo com a camiseta que vejo sempre, todos os dias, pegadores/rebatedores de todas as cores de pele, pensei que fosse um deles. Não frequento outras áreas do clube onde outros esportes são praticados. E não sabia que a camiseta era parecida. Se soubesse, teria perguntado em qual área ou esporte trabalhava ou treinava. Nunca escondi minha origem humilde. Comecei a vida como garoto pobre, contínuo, andando mais de duas horas de ônibus todos os dias para ir e voltar do trabalho e escola. Alguém como eu não pode ter preconceito. Eu não tenho, nunca tive, nunca terei. E condeno atitude assim todos os dias. Mas se ofendi pessoas que não conhecem esses meus argumentos e a minha história, peço desculpas. Não o chamei de pegador pela cor da pele ou pela presença num trem. Chamei-o por ver que vestia o uniforme que eu sempre vejo os pegadores usarem. Peço desculpas a todos e em especial ao Leonel. Obrigado.

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