Racismo no esporte e a perda de contratos

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O jogador de futebol Moussa Marega (Foto: Reprodução Instagram)

Após a onda de protestos por conta da morte de George Floyd, passando pela subida das famosas hashtags #BlackLivesMatter e #VidasNegrasImportam, até o Blackout Tuesday, o racismo tornou-se pauta em diversas áreas. Com o esporte não foi diferente. O meio esportivo já possui um histórico de episódios racistas desde muito tempo. Em fevereiro, o atacante Moussa Marega, do Porto, abandonou o campo de futebol após ouvir cânticos racistas e sons que imitavam macacos. Quando marcou um gol, o jogador foi em direção aos torcedores e apontou para a pele. Mais recentemente, o atacante Diego Maurício, que atualmente está no CSA, revelou que já foi vítima de racismo quando jogava na Rússia e que episódios também aconteceram enquanto era jogador no Brasil.

O caso mais recente de racismo no esporte aconteceu na comunidade do CrossFit, quando o CEO Greg Glassman, publicou um tweet racista após um post feito pelo Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME) sobre racismo. A instituição postou que o racismo era uma questão de saúde pública, e em tom de ironia, Glassman respondeu ao tweet com: “It’s FLOYD-19” (É FLOYD-19), em alusão a morte de George Floy e inferindo que os protestos foram responsáveis pelo aumento dos casos de infectados por coronavírus.

Porém, no caso de Greg Glassman e da marca CrossFit, as consequências foram imediatas e drásticas. A marca perdeu diversas boxes (academias) afiliadas ao redor do mundo (a mensalidade de filiação custa aproximadamente 3 mil dólares), e grandes marcas apoiadoras da CrossFit como a Rebook, Rogue e outras gigantes do esporte, romperam com Greg e a CrossFit. Além disso, os grandes atletas do esporte, como forma de protesto, retiraram as suas participações do CrossFit Games, o maior evento esportivo da categoria, que movimenta milhões de dólares e atrai atletas e amadores do mundo inteiro.

Ainda não se sabe se Greg Glassman deixará ou não de fazer parte da marca CrossFit, mas o impacto da perda de contratos e boxes afiliadas está gerando um prejuízo da ordem de milhões de dólares para a marca.

Greg postou uma retratação no seu twitter, mas não foi o suficiente para reparar o comentário racista que foi feito. O esporte é considerado como elitizado por conta das mensalidades caras, assim como os seus acessórios que possuem alto custo. Além disso, no CrossFit Games, o maior evento da categoria, a representatividade de atletas negros, homens e mulheres é baixa.

Os posicionamentos antirracistas dentro do esporte ainda são rasos e o mesmo acontece no Brasil, que perde a oportunidade de discutir o tema. Quando acontece, a pauta perde visibilidade rapidamente. Ano passado, o técnico do Bahia Roger Machado, fez um grande discurso sobre a discriminação racial, após o jogo do Bahia contra o Fluminense, que promoveu o encontro em campo dos dois únicos técnicos negros da série A do Campeonato Brasileiro em 2019. O discurso de Roger viralizou nas redes sociais e na televisão, mas o assunto logo perdeu visibilidade no meio esportivo.

Os casos de racismo no ambiente esportivo e a forma como eles perdem espaço rapidamente no meio, é uma das formas de silenciamento da luta antirracista. Porém, com a morte de George Floyd e as famosas #BlackLivesmatter e #VidasNegrasImportam, talvez seja a chance de fazer com que a pauta não se perca rapidamente como das outras vezes e que medidas de reparação comecem a ser estabelecidas dentro do esporte para que cada vez mais negros e negras se tornem presentes na área. É hora da luta antirracista ser colocada em prática.

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