Racismo na Tunísia: homem quer mudar sobrenome ligado à história da escravidão

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Racismo na Tunísia: homem quer mudar sobrenome ligado à história da escravidão
Foto: BBC News

Kamal Atig Zeiri disse em entrevista à BBC que a história do sobrenome ‘Atig’, que significa “Libertado por” está afetando sua saúde mental

Em 2018, a Tunísia se tornou o primeiro país da região árabe a proibir a discriminação racial. A Lei 50 determina que os culpados por atos racistas devem receber pena de prisão de até três anos, além disso, uma multa máxima de até 3.000 dinares, quase 5 mil reais pode ser aplicada por autoridades.

Segundo a BBC News Árabe, a Lei 50 já puniu algumas pessoas no país, como no caso de uma mulher que fez ofensas raciais à professora da filha. Apesar do avanço, consequência das manifestações pela democracia ocorridas em 2011, a nova legislação sofre ameaças depois que o presidente do país, Kais Saied, dissolveu o parlamento.

Jamila Ksiksi, primeira deputada negra do país, afirma estar recebendo inúmeras cartas de cidadãos que denunciam ter sofrido racismo. “Quase diariamente, recebo cartas de cidadãos, principalmente negros. Recebo suas mensagens. Recebo suas reclamações”, disse Ksiksi. Mas a dificuldade de acessar meios formais para fiscalização de casos racistas pode tornar esses processos mais demorados.

Como acontece com o taxista Kamal Atig Zeiri, que espera aprovação da justiça para excluir o sobrenome “Atig”. Ele contou em entrevista que sofreu racismo a vida inteira por causa do histórico do sobrenome, que significa “libertado por”. O homem conta que isso é algo “embaraçoso” para ele.

“Isso me preocupa muito e não vou descansar até excluí-lo do meu sobrenome”, disse Zeiri durante entrevista para a BBC. “Esta palavra me causou um problema psicológico”. A nova legislação de combate ao racismo da Tunísia deveria dar o direito ao taxista de excluir o sobrenome.

Em declaração à BBC, Amal Hamrouni, do partido El-Tayyar El-Chaabi, um aliado do presidente tunisiano afirma que a lei ainda está sendo implementada. “O trabalho do judiciário nunca parou. Eles ainda estão implementando a Lei 50”, disse.

A filha de Kamal Atig Zeiri já conseguiu retirar o sobrenome com histórico da escravidão. Enquanto o pai aguarda o andamento do processo.

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