Produzido por Alicia Keys, ‘Fugindo do Amor’ é a comédia romântica leve e clichê que precisamos

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Produzido por Alicia Keys, ‘Fugindo do Amor’ é a comédia romântica leve e clichê que precisamos

Comédias românticas raramente fogem à fórmula de acompanhar a saga de mulheres que buscam relacionamentos amorosos para sentirem genuína felicidade. “Fugindo do Amor” flerta em vários momentos com esse caminho, mas consegue quebrar a expectativa em vários momentos com bom timing cômico do elenco e evitando pintar os envolvidos na trama com afetação de heróis ou vilões.

Produzido por Alicia Keys e dirigido por Steven Tsuchida, “Fugindo do Amor” (‘Resort to Love’) apresenta Erica (Christina Milian) que sonha em ser uma estrela do pop, mas após falhar no lançamento de suas composições, acaba num luxuoso resort numa ilha aceitando cantar no casamento que descobre ser do do ex-noivo, Jason (Jay Pharoah). Ao tentar esconder esse relacionamento da noiva atual de Jason, Beverly, vivida por Christiani Pitts,  ela se aproxima do ex-cunhado, Caleb (Sinqua Walls) e ainda precisa lidar com seus verdadeiros sentimentos.

A frustração de Erica com a carreira e com a vida amorosa rende logo no início uma cena hilária quando ela precisa interpretar “No One”, de Alicia Keys, em um casamento e lembra que também era o tema de seu noivado. Sem apelar para o pastelão, mas deixando o absurdo da situação e a reação dos atores em cena falarem por si, o filme não implora para que o espectador ria. As situações se desenrolam naturalmente e essa direção leve faz com que fique mais fácil aceitar certas coincidências do longa.

Christina Milian manda bem na hora de cantar. Além da canção citada de Alicia Keys, interpreta outros sucessos no filme como “Like I’m Gonna Lose You“, de Meghan Trainor. Além da boa trilha sonora pop, a produção da Netflix acerta a mão no elenco talentoso formado por pretos. E é importante notar que não há narrativa militante, ficando a cargo dos intérpretes somente encarnarem as angústias cotidianas sem precisarem levantar bandeiras, tirando um pouco o estigma de que artistas negros precisam necessariamente estarem na pele de personagens essencialmente políticos.

Apesar do “quadrângulo” amoroso, nenhum dos personagens sofre com falta de carisma ou faz as vezes de antipático. É possível simpatizar e entender as motivações de todos em tela e sorrir diante das indecisões e dúvidas dos envolvidos.

“Fugindo do Amor” não tenta ser mais que um clichê bem executado. É leve, engraçado. Exatamente o tipo de filme que precisamos num fim de tarde preguiçosa para se distrair da realidade atual.

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